Blogs e Colunistas

petróleo

13/10/2011

às 15:01 \ Sanatório Geral

Vivendo e aprendendo (438)

“Só se tiver muito acordo.”

Cândido Vaccarezza, líder do governo na Câmara, sobre a proposta de distribuição dos royalties do petróleo, ensinando que, na novílngua da base alugada, “acordo” quer dizer pagamento não previsto nas cláusulas do contrato de aluguel.

05/10/2011

às 16:12 \ Sanatório Geral

Sob nova direção

“Enquanto a dona da pensão não chegar, não tem conversa.”

Delcídio Amaral, senador do PT de Mato Grosso do Sul, informando que a Casa do Espanto foi rebatizada de Pensão da Dona Dilma.

04/10/2011

às 15:37 \ Sanatório Geral

Humorista no Congresso

“Deixa o homem descansar.”

Stepan Nercessian, deputado do PPS do Rio de Janeiro, sobre a ideia de pedir a Lula que ajude o governador Sérgio Cabral a conseguir o que pretende na divisão dos royalties do petróleo, sugerindo à bancada fluminense que deixe o ex-presidente fazer o que faz desde 1978.

27/05/2011

às 13:35 \ Feira Livre

‘A Terra em nossas mãos’, um texto de Fernando Reinach

TEXTO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUINTA-FEIRA

Fernando Reinach

Em 1885, durante o Congresso Geológico Internacional de Bolonha, na Itália, um grupo de cientistas decidiu que a era geológica em que vivemos seria denominada Holoceno. Há duas semanas, em Londres, um grupo semelhante se reuniu na Geological Society para discutir se não seria o caso de declarar o fim do Holoceno e o início de uma nova era geológica, o Antropoceno.

Essa discussão não passaria de uma quirela semântica, não fosse a definição de Antropoceno: a era em que a força das atividades humanas se sobrepõe às grandes forças da natureza. O novo nome seria o reconhecimento de que esse momento chegou.

As eras geológicas são demarcadas pelos eventos que deixaram cicatrizes no planeta. O Holoceno inicia quando acaba o último período glacial, há 12 mil anos, quando o gelo deixa de cobrir parte da Europa, os oceanos sobem 35 metros e a Inglaterra se torna uma ilha. O Jurássico se inicia quando os dinossauros sofrem sua grande extinção, provavelmente causada pelo impacto de um meteoro, há 200 milhões de anos. O Cambriano é demarcado pelo surgimento dos primeiros organismos multicelulares, há 542 milhões de anos. A primeira era, Hadeana, inicia-se com o surgimento da Lua, há 3,6 bilhões de anos.

Eventos que mudaram o curso da história da Terra. A atividade humana e seu efeito justificam uma nova era geológica? Sabemos o suficiente sobre nosso impacto para declarar o início do Antropoceno? Esses temas foram discutidos em Londres.

Em 2002, Paul Crutzen, ganhador do Nobel de Química pela descoberta do mecanismo da destruição da camada de ozona, propôs que estávamos no início do Antropoceno. Nos últimos anos, a ideia ganhou força.

Quando descobrimos o uso do fogo, conquistamos uma vantagem sobre as outras espécies, que se consolidou com a agricultura, que possibilitou o surgimento das cidades e liberou tempo para o aprimoramento das artes e da tecnologia. Desde então, o Homo sapiens tem modificado o planeta. Desmatamos, domesticamos e extinguimos animais, pintamos e bordamos nos territórios conquistados.

Até recentemente, essas atividades eram localizadas, afetando uma superfície pequena. Incapazes de mudar perceptivelmente o sistema de forças físicas e biológicas, como os fluxos atmosféricos, os movimentos tectônicos, a circulação dos oceanos e a dispersão de novas espécies, que determinam o macroambiente no planeta.

Assim como as populações indígenas da Amazônia, que desmatam pequenas áreas, fazem roças, pescam e caçam, mas não afetam o equilíbrio da floresta, os cientistas creem que a atividade humana até a Revolução Industrial tampouco teria afetado o destino do planeta. Mas será que a aceleração dessas atividades desde o início do uso do carvão e do petróleo impactam o planeta de maneira semelhante ao surgimento dos organismos multicelulares, o desaparecimento dos dinossauros ou o fim da última época glacial?

Se a resposta for sim, estamos no Antropoceno; se não, continuamos no Holoceno. Entrar no Antropoceno significa retirar o poder de definir o futuro do planeta da mão das forças da natureza e colocar esse poder nas mãos da nossa espécie.

Os defensores do Antropoceno argumentam que a queima de combustíveis fósseis e o aumento do gás carbônico modificam a dinâmica da atmosfera. A produção e uso de fertilizantes nitrogenados e a contaminação de mares e rios alteram o equilíbrio dos ambientes marinhos. O uso intensivo de água doce altera o equilíbrio hídrico. A redução da biodiversidade altera o balanço de forças da seleção natural. Eles creem que temos o planeta em nossas mãos.

Quem acha que é cedo para declarar o início do Antropoceno argumenta que, apesar de esses processos existirem e terem grande impacto, ainda representam forças muito menores que as que governam o ambiente planetário. Bastariam alguns terremotos ou outros eventos não controlados (um novo asteroide) para mostrar nossa insignificância. Declarar o início do Antropoceno seria o ato último da arrogância humana. Acreditam que somos comandados pelas forças da natureza.

É o início de uma discussão que levará anos, mas cujo resultado moldará a percepção do papel que nossas ações desempenham. Vale a pena acompanhar esse debate.

05/05/2011

às 15:52 \ Feira Livre

Adeus, ”Geronimo”: a vitória dos árabes moderados

TEXTO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUINTA-FEIRA

Thomas L. Friedman

Só há uma coisa boa no fato de Osama bin Laden ter sobrevivido por quase dez anos após o assassinato em massa planejado por ele no World Trade Center e no Pentágono. Ele viveu tempo suficiente para ver tantos jovens árabes repudiarem sua ideologia. Para ver árabes da Tunísia ao Egito, no Iêmen e na Síria, levantarem-se pacificamente para conquistar dignidade, justiça e conquistas que Bin Laden afirmava que só poderiam ser obtidas pela violência e a volta ao islamismo puro.

Fizemos a nossa parte. Matamos Bin Laden com uma bala. Agora os povos árabes e muçulmanos têm a chance de fazer a deles – matar o bin-ladenismo com o voto. Isto é, com eleições reais, com constituições reais, partidos políticos reais e uma política progressista real.

Sim, os vilões foram golpeados em todo o mundo árabe nos últimos meses – não só a Al-Qaeda, mas toda a galeria de ditadores, cujo fanatismo brando de baixas expectativas para seu povo manteve o atraso do mundo árabe. Agora, questão é se as forças da decência conseguirão se organizar, escolher e começar a construir um futuro árabe diferente. O resto é ruído.

Para compreender esse desafio, precisamos lembrar a origem do bin-ladenismo. Ele surgiu de uma negociata do diabo entre países consumidores de petróleo e ditadores árabes. Nós todos – Europa, América, Índia, China – tratamos o mundo árabe como uma coleção de grandes postos de gasolina, e enviamos a mesma mensagem aos petro-ditadores: mantenham o petróleo fluindo, os preços baixos e não perturbem Israel e poderão tratar seus povos como quiserem.

Bin Laden e seus seguidores foram um produto de todas as patologias que prosperaram no escuro – déficits incapacitantes de liberdade, direitos de mulheres e educação por todo o mundo árabe. Esse déficits nutriram um profundo senso de humilhação entre os árabes pelo tanto para trás que haviam ficado, uma fome profunda de controle sobre seus próprios futuros e um senso penetrante de injustiça em seu cotidiano.

Esses aspectos foram os mais espantosos nos levantes árabes no Egito e na Tunísia. Eles foram quase apolíticos, não envolveram ideologia. Foram impulsionados por anseios humanos básicos por dignidade, justiça e controle da própria vida. Lembrem, uma das primeiras coisas que os egípcios fizeram foi atacar seus próprios postos policiais – os instrumentos da injustiça do regime. E como milhões de árabes compartilham esses anseios por dignidade, justiça e liberdade, as revoluções não vão desaparecer.

Durante décadas, porém, os líderes árabes eram muito adeptos de recolher toda essa raiva fermentando e redirecioná-la para os Estados Unidos e Israel. Sim, o comportamento particular de Israel às vezes alimentou o senso de humilhação e impotência árabe, mas não foi sua causa principal. Pouco importa. Enquanto os autocratas chineses diziam a seu povo, “Tiraremos a sua liberdade e, em troca, lhe daremos educação e nível de vida crescentes”, os autocratas árabes diziam “Tiraremos sua liberdade e lhe daremos o conflito árabe-israelense”.

Foi nesse cenário tóxico que surgiu Bin Laden. Psicopata e falso messias, pregou que somente pela violência – destruindo esses regimes árabes e seus apoiadores americanos – o povo acabaria com a humilhação, restauraria a justiça e construiria um califado mítico impoluto.

Pouquíssimos árabes apoiavam ativamente Bin Laden, mas no início ele atraiu um apoio passivo importante por seu punho erguido contra os EUA, os regimes árabes e Israel. À medida que a Al-Qaeda começava a ser perseguida e a gastar a maior parte de suas energias matando outros muçulmanos que não rezavam pela sua cartilha, até seu apoio passivo se desfez.

Nesse vazio, sem qualquer esperança de alguém sair em seu socorro, parece que os públicos árabes na Tunísia, Egito, Iêmen e outras partes se despiram de seus medos e decidiram assumir o controle de forma pacífica. É o exato oposto do bin-ladenismo. Alguns preferem identidades mais religiosas e sectárias. É aí que estará a luta.

Não podemos prever o desfecho. Haverá uma luta de ideias – em uma região onde os extremistas ganhavam todas e os moderados se omitiam. Desta vez será diferente. Os moderados serão tão passionais e comprometidos como os extremistas. Se isso ocorrer, tanto Bin Laden como o bin-ladenismo estarão sepultos no fundo do oceano.

05/05/2011

às 12:54 \ Direto ao Ponto

No 5° aniversário da Proclamação da Autossuficiência em Petróleo, o Brasil importou 2,5 milhões de barris

Os barões dos canaviais preferiram lucrar com toneladas de açúcar, o álcool sumiu, o litro de gasolina ultrapassou a barreira dos R$ 3 e a Petrobras virou importadora do combustível. Em abril, foram comprados 1,5 milhão de barris. Nesta quarta-feira, a empresa confirmou a encomenda de 1 milhão de barris para a segunda quinzena de maio. São 2,5 milhões em dois meses.

Isso no país em que vivem os brasileiros. Na maravilha que Lula registrou em cartório e Dilma jura enxergar, continuam os festejos pelo 5° aniversário da Proclamação da Autossuficiência em Petróleo, consumada no outono de 2006 pelo maior dos governantes desde Tomé de Souza. Na última segunda-feira de abril daquele ano glorioso, ele próprio tratou de cumprimentar-se pela façanha.

“Agora somos donos do nosso nariz”, gabou-se no programa Café com o Presidente, transmitido em cadeia nacional pela Radiobrás. A Petrobras havia alcançado tal grau de eficiência, prosseguiu o palanqueiro compulsivo, que apenas garantir a gasolina dos nativos já não bastava: a produção excedente permitiria que, até o Natal, as exportações superassem as importações em US$ 3 bilhões. Não é pouca coisa.

E não era tudo. Por ter pressentido antes de qualquer outro estadista que “o mundo caminha para o desenvolvimento de energias renováveis e menos poluentes”, Lula também havia transformado o Brasil num colosso da energia alternativa. “Nisso somos imbatíveis”, avisou. “Nós temos todas as condições. Nós temos terra, nós temos trabalhadores, nós temos conhecimento científico e tecnológico”.

Ao som da lira do delírio, como atestam os dois áudios surreais, a discurseira comemorou o sucesso do Pro-Álcool, zombou dos céticos profissionais, aplaudiu a gastança da Petrobras com comerciais ufanistas e inaugurou com pompas e fitas outros assombros que ninguém mais viu. Neste começo de maio, o sonho de milhões de brasileiros castigados pela inépcia federal é morar no país do cartório. Por aqui, passados cinco anos, só há combustível farto e barato para abastecer os motores da inflação.





20/04/2011

às 18:10 \ Direto ao Ponto

Venda do primeiro lote do pré-sal é festejada com outro aumento no preço da gasolina

Em agosto de 2008, o presidente Lula informou à nação que as jazidas do pré-sal haviam desbastado os atalhos que conduziam ao Brasil Maravilha, registrado em cartório um ano e meio mais tarde. Como a Petrobras reinventada pelo maior dos governantes desde Tomé de Souza já tornara o país auto-suficiente em petróleo, o preço da gasolina seria calculado em centavos. E o caçula da OPEP teria dinheiro de sobra para tornar formidável o que já era bom demais.

“Nós temos que usar esse petróleo para resolver um problema crônico de investimento na educação e para tirar esse atraso, e vamos usar parte desse dinheiro para resolver o problema dos miseráveis desse país, das pessoas que ainda não conquistaram cidadania”, exemplificou o palanqueiro numa discurseira na Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos. Horas mais tarde, Dilma Rousseff engatou a quinta marcha e pisou no acelerador.

“O pré-sal é um recurso tão importante para a nossa geração e próximas que é de fato um conjunto da população brasileira”, comunicou em dilmês primitivo. “Isso define o princípio que vai nortear o governo sobre seu uso, que é tomar todas as medidas para transformar esse grande recurso em fonte que vai permitir que os brasileiros tenham melhoria da educação, das condições que permitirão que avancemos em direção à sociedade do conhecimento, que inova e faz pesquisa, e pela forma que chegamos ao pré-sal”.

Nos meses seguintes, Lula e Dilma garantiram que o colosso no fundo do mar faria o País do Carnaval matar de inveja qualquer dinamarquês com assombros que aperfeiçoariam praticamente tudo, menos a moral e os bons costumes. Nesta terça-feira, a Petrobras fechou negócio com a Empresa Nacional de Petróleo do Chile, compradora da primeira carga do pré-sal: 1 milhão de barris, extraídos do campo Tupi (rebatizado de Campo Lula por José Sérgio Gabrielli, que ainda vai virar nome de troféu disputado por campeões da vassalagem). Nesta quarta, a Folha constatou que o preço da gasolina (batizada com álcool) subiu quase 5% em um mês. Com isso, a inflação deverá ultrapassar já neste abril o teto oficial, fixado em 6,5% ao ano pelo próprio governo.

Para Lula e Dilma, o pré-sal foi “uma dádiva de Deus”. Chegou aos demais brasileiros em forma de aumento de preços. Como é coisa da Divina Providência, resta à multidão de insatisfeitos queixar-se ao bispo.

07/04/2011

às 16:41 \ Sanatório Geral

Dupla desafinada

“Não estou preocupado com a alta da gasolina porque não há alta da gasolina. Não está prevista nenhuma alta da gasolina no Brasil. Ela não vai subir”.

Guido Mantega, ministro da Fazenda, fingindo que não vai acontecer o aumento no preço da gasolina já decidido pelo governo.

“Se se confirmar a estabilização do petróleo no plano internacional em torno de US$ 122, vamos ter de alterar o preço da gasolina no Brasil”.

José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, começando a conversa fiada que sempre termina com o anúncio de mais um aumento no preço da gasolina.

31/03/2011

às 22:01 \ Frases

Parcerias estratégicas

“Podemos fazer parcerias com vizinhos como Canadá, México e Brasil, que recentemente descobriu novas reservas e com quem podemos compartilhar tecnologia e know-how americanos”.

Barack Obama, presidente dos EUA, afirmando que pretende cortar importaçao de petróleo do país.

19/10/2010

às 17:35 \ Sanatório Geral

Lira do delírio

“No dia 28 ou 29, não pode ser antes, nós vamos pegar um helicóptero e entrar mar adentro, 300 quilômetros, e vamos pousar o helicóptero numa plataforma que está lá no bloco de Tupi e vamos arrancar o primeiro petróleo. A Petrobras tem um esquema de segurança cheio de frescura, porque por mim eu até tomaria banho de petróleo, mas eles acham que não pode. Eu fico imaginando: a gente vai buscar petróleo a quase sete mil metros de profundidade, uma coisa que estava guardada há 160 milhões de anos, ou seja, é uma coisa quase impensável da gente acreditar”.

Lula, depois de um almoço da pesada, mostrando que, depois de ter feito tudo o que nunca antes se  fez neste país, resolveu agora fazer o que nunca foi feito no Universo nos últimos 160 milhões de anos.


 

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