Blogs e Colunistas

Petrobras

06/09/2011

às 18:38 \ Sanatório Geral

Cisco no olho

“Não é verdade o que publicam, de que eu chorei. É absolutamente mentirosa essa informação”.

José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, em entrevista ao site Bahia Notícias, ao negar que caiu no choro depois de levar um tremendo pito por telefone de Dilma Rousseff, explicando que aquelas lágrimas que meio mundo viu foram provocadas por um cisco no olho.

29/07/2011

às 16:07 \ Feira Livre

‘Coragem e generosidade’, um artigo de Nelson Motta

TEXTO PUBLICADO NO GLOBO DESTA SEXTA-FEIRA

Lula é ovacionado no congresso da UNE

Nelson Motta

Se o futuro do Brasil está nas mãos dos estudantes e quem os representa é a UNE, então é bom começar a pensar em um plano B. Em artigo no GLOBO, o novo presidente, Daniel Iliescu, nem tão novo assim, porque tem 26 anos e já poderia estar formado e trabalhando, nega ser chapa-branca argumentando que a UNE é preta, vermelha, amarela, de todas as cores. Que fofura! Igualzinha ao comercial do agrobusiness com Lima Duarte na televisão.

O companheiro Iliescu afirma o pluralismo da entidade, que tem filiados de todos os partidos, embora seja um braço do PCdoB governista há mais de nove anos. Para ele a presença de 10 mil estudantes no congresso de Goiânia “é indicativo de uma juventude corajosa, generosa e mobilizada”. Que coragem ! Que generosidade ir a uma boca-livre oferecida pela Petrobras. Mas ao menos ele reconhece que a grande maioria dos estudantes não se interessa pelos partidos nem pela UNE. Melhor assim. A UNE está cada vez mais parecida com um sindicato lulista.

A pérola de seu artigo é a justificativa do patrocínio oficial à UNE comparando-a aos principais veículos da imprensa brasileira, “que recebem milhões de reais em verbas publicitárias e não têm sua independência e seu senso critico questionados”. A grande midia pode ser independente porque não vive só de anuncios oficiais, como os “blogueiros progressistas”. A Petrobras precisa anunciar para vender mais óleo e gasolina e não para comprar opiniões. Talvez nem seja o caso de estudar mais, bastaria ler jornais e revistas.

O pior é tentar fugir da chapa-branca alegando que “as principais bandeiras da UNE têm pontos de dissenso com o governo federal”, tipo o governo quer dar 7% do PIB ao Plano Nacional de Educação e a UNE quer 10%. Mas hoje o que mais falta para a educação não é dinheiro, é bom uso dos recursos, menos roubo e melhor qualidade do ensino.

A UNE também é “radicalmente contra as abusivas taxas de juros do Banco Central e a favor de mais investimentos e desenvolvimento”, mas quem não é? Resta aos caras-pintadas ir para as ruas com coragem, generosidade e mobilização, e derrubar os juros.

21/07/2011

às 14:43 \ Direto ao Ponto

Os leitores aposentam a UNE, acrescentam uma letra à velha sigla e criam a União Nacional dos Estudantes Amestrados

Nascida em 1937, a União Nacional dos Estudantes foi presidida até o fim dos anos 60 por nacionalistas, udenistas, socialistas, comunistas ortodoxos e partidários da luta armada. Mas nunca pertenceu a qualquer partido ou organização. Fosse qual fosse a identidade ideológica do presidente ou da diretoria, a UNE sempre procurou traduzir o pensamento majoritário do universo que representava. Descontados os inevitáveis acidentes de percurso, opções equivocadas e erros bisonhos, prevaleceram na longa e bela trajetória da entidade a independência política, a vocação antigovernista, o amor à democracia e a paixão pela liberdade.

Orientada por tais marcas de nascença, a UNE combateu o Estado Novo, defendeu nas ruas a entrada do Brasil na guerra contra o totalitarismo nazista, lutou pela ressurreição do regime democrático, ajudou a apressar a criação da Petrobras, apoiou as reformas planejadas pelo governo João Goulart, opôs-se ao golpe militar de 1964 e tentou resistir à institucionalização da ditadura, consumada pela decretação do AI-5.

Sobreviveu a adversidades de bom tamanho, mas ficou grogue e exposta ao nocaute em 1968, abalada pela ação ação conjunta da cabeça fraca de José Dirceu e da mão pesada do regime autoritário. Encarregado de organizar o congresso da UNE, o futuro guerrilheiro de festim resolveu juntar mais de 1.000 universitários perto de uma cidade com menos de 10 mil habitantes. A Polícia Militar completou o serviço e prendeu todo mundo. O desmaio da UNE se estendeu até 1985, quando acordou do sono e emergiu da clandestinidade para agonizar à luz do dia.

Perdeu a independência em 1980, quando o agora deputado federal Aldo Rebelo assumiu a presidência e reduziu a UNE a um apêndice do Partido Comunista do Brasil. Perdeu a vergonha de vez em 2003, quando foi incluída no contrato de aluguel assinado pelo presidente Lula e pelos chefes do PCdoB. Para amestrar a sigla, o governo não precisou de domador nem chicote. Bastaram rações em dinheiro vivo ou subvenções, além de garantia de que os encontros, quermesses e piqueniques promovidos pelos pelegos aprendizes seriam patrocinados por empresas estatais. Funcionou.

A União Nacional dos Estudantes teve queixas a fazer, reivindicações a apresentar, mudanças a convocar nos governos de Getúlio Vargas, Eurico Dutra, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros  e João Goulart, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Depois de Lula, todos os problemas sumiram. O sistema educacional ficou perfeito. A mesma turma que boicotou o Provão aplaudiu os dois naufrágios sucessivos do Enem, pilotados pelo companheiro Fernando Haddad. O Brasil Maravilha que o chefe criou não precisa sequer de retoques. Se melhorar, estraga.

O prêmio pelo bom comportamento foi a bolada de quase R$ 50 milhões, oficialmente destinados à construção do zoológico próprio na Praia do Flamengo, projetado por Oscar Niemeyer. Ali serão costuradas as notas de apoio a qualquer coisa que venha do Planalto. Ali serão planejadas as próximas quermesses. Ali será esboçado o documento que resume, num texto indigente, as deliberações aprovadas no último dia. Tem tanta importância quanto a ata de alguma reunião do Clube dos Leitores de Lula.

Numa das mais movimentadas enquetes da história da coluna, 3.290 leitores-eleitores resolveram que a UNE não existe mais. Por decisão de 1.047 votantes (32% do total), nasceu a União Nacional dos Estudantes Amestrados, ou simplesmente UNEA. Aos 74 anos, a velha senhora caiu na vida e perdeu o direito de continuar usando o nome outrora respeitável.

14/07/2011

às 21:22 \ Homem sem Visão

O senador Eunício Oliveira ainda não enxergou o empresário Eunício Oliveira

“O chefe está parecendo o Pelé”, comparou um assessor de Eunício Oliveira durante o lançamento do senador eleito pelo PMDB do Ceará ao título de Homem sem Visão de Julho. “Ele agora deu de falar dele mesmo na terceira pessoa”. Quando é interpelado sobre as bandalheiras do empresário Eunício, por exemplo, o ex-ministro de Lula responde que  “o senador Eunício não tem nada a dizer sobre o assunto”.

O campeão entrou na disputa por não conseguir enxergar-se por trás dos contratos sem licitação com a Petrobras, que acrescentaram R$ 57 milhões ao caixa da Manchester, empresa da qual detém 50% das ações. “Ele não entende por que ninguém consegue entender que a metade que lhe cabe só confere o tamanho do lucro”, confidenciou o assessor. “Não tem nada a ver com aquela que mantêm o cofre abarrotado”.

Eunício revelou a amigos que ainda não sabe se vai usar como trunfo eleitoral o conjunto da obra – que chegou ao clímax quando passou pelo Ministério das Comunicações do governo Lula sem que algum camburão conseguisse interceptá-lo. “O chefe jogou no mesmo time do Alfredo Nascimento, do Humberto Costa, do Walfrido Mares Guia e de outros craques revelados pelo Lula”, contou a fonte. “Mas acha que se contar tudo o que vez pode ter problemas com a polícia”.

A coisa está esquentando, leitores-eleitores! É briga de foice no escuro! E vai piorar! Quem será o vencedor? Ou vencedora? Que vença o pior!

14/07/2011

às 16:20 \ Feira Livre

‘Não precisa fazer, basta anunciar’, de Carlos Alberto Sardenberg

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL O GLOBO DESTA QUINTA-FEIRA

Construção da refinaria Abreu e Lima (PE): obras se arrastam desde 2005

Carlos Alberto Sardenberg

Corria o ano de 1978 e o grande debate nacional era sobre a lei de anistia, que indicava o começo do fim do regime militar. Na economia, a discussão era igualmente intensa: como o país deveria reagir à crise internacional? Outro ponto, porém, chamava a atenção: onde construir o novo aeroporto de São Paulo, destinado a ser o principal do Brasil e da América do Sul?

Viracopos, em Campinas – foi a resposta dada pelo então ministro da Aeronáutica, Délio Jardim de Mattos, em entrevista nas páginas amarelas de “Veja”, a mim concedida. Mas Campinas está muito longe de São Paulo – tal era a objeção que todos faziam. Isso já foi estudado, tem solução fácil e já encaminhada, garantia o ministro.

Qual? Adivinharam, o trem rápido para São Paulo. Como verificam os leitores, não é de hoje que os governantes garantem projetos e obras que depois ficam rodando por aí. No caso, o novo aeroporto acabou sendo o de Guarulhos, também com a garantia de um trem fazendo a ligação com o centro de São Paulo. Viracopos, hoje, está de novo nos projetos do governo federal para se tornar o maior aeroporto da América do Sul – 33 anos depois! – e o trem evoluiu. Agora é um trem de alta velocidade, e que ligará o aeroporto a São Paulo e daqui até o Rio de Janeiro – esse mesmo cuja licitação acaba de fracassar.

Se é para não fazer, melhor projetar uma coisa grande, não é mesmo? Não faz do mesmo jeito, mas o anúncio dá muito mais propaganda. Aliás, os diversos anúncios.

Este projeto é mais recente. O governo Lula começou a falar disso em 2007. Em janeiro de 2008, anunciou que o trem-bala seria licitado em março de 2009. Seis meses depois dessa data, em agosto de 2009, novo anúncio, agora mais ambicioso, ou seja, com mais propaganda: o edital sairia em outubro de 2009, o contrato em janeiro de 2010 e o trem começaria a rodar no início de 2014, a tempo da Copa. Nessa época, custava em torno dos R$10 bilhões – o número redondo indicando que se tratava de uma, digamos, suposição.

Foi também em 2007 que o governo Lula anunciou pela primeira vez a refinaria de petróleo Abreu e Lima, a ser construída em Pernambuco por uma associação entre a Petrobras e a venezuelana PDVSA. Ficaria pronta em três anos e custaria cerca de US$4 bilhões.

A refinaria foi “inaugurada” várias vezes por Lula e Hugo Chávez: no projeto, no memorando de intenção, no acordo em princípio, na placa do início da terraplenagem.

Só que a PDVSA simplesmente ainda não entrou no negócio. Não formalizou sua participação, não colocou dinheiro e está duvidando das contas da Petrobras, que garante ter feito 35% da obra, aplicando cerca de R$7 bilhões.

No intervalo, a data de inauguração foi empurrada para frente e o preço já pulou de US$4 bilhões para US$14,4 bilhões.

Como o trem-bala, que ficaria pronto para a Copa e, agora, nem para a Olimpíada, e isso se tudo estivesse dando certo. E o preço, do governo já saltou para R$35 bilhões, considerado subestimado pelas companhias privadas nacionais e estrangeiras interessadas no negócio.

Se isso não é improvisação, o que seria?

O ainda diretor do Dnit, Luiz Antonio Pagot, em depoimento no Congresso nesta semana, apresentou outra resposta para essa ampliação dos prazos e, sobretudo, dos preços: “mudança de escopo”.

Sabe como é, no andar do projeto o pessoal verifica que faltou um trecho, que se poderia ampliar a capacidade, mais uma mão de tinta – e pronto, o preço triplica. Novo escopo, novo preço, novas licitações, e assim vai.

Tudo considerado, há uma mistura de improvisação, incompetência técnica, corrupção e… propaganda.

Sabe-se como a propaganda é importante para a política. E sabe-se que uma das maiores habilidades de um governante é escapar de desastres. No caso de planos cujos objetivos não são realizados, a receita é direta: lance um novo plano, ainda mais ambicioso.

Um milhão de moradias no primeiro lançamento do Minha Casa, Minha Vida. Não deu? Pois agora são dois milhões. Não saiu o trem Campinas-São Paulo? Pois agora é Campinas-São Paulo-Rio e de alta velocidade.

Por essas e outras, Lula conseguiu realizar tarefas que pareciam difíceis, inclusive a eleição de Dilma Rousseff. E ainda convenceu boa parte das pessoas que se tratava de profissional e política muito competente, especialmente para tocar obras como o trem-bala.

12/07/2011

às 13:28 \ Sanatório Geral

Países baixos

“Minha vida é dedicada ao meu país”.

Eunício Oliveira, senador eleito pelo PMDB do Ceará e parceiro da Petrobras em contratos sem licitação, nesta segunda-feira, ao garantir aos colegas da Comissão de Constituição e Justiça que nada fez de errado, ensinando que, na novilíngua da base alugada, “meu país” significa enriquecimento ilícito.

12/07/2011

às 10:37 \ Sanatório Geral

Tudo explicado (231)

“A Petrobras rechaça com veemência as insinuações de favorecimento”.

Nota da Petrobras, garantindo que a estatal, ao presentear o empresário Eunício Oliveira, dono da Manchester, com contratos sem licitação no valor de R$ 57 milhões, não favoreceu o senador governista Eunício Oliveira, dono da Manchester.

11/07/2011

às 6:40 \ Direto ao Ponto

Silvinho Land Rover atropelou o show de cinismo ensaiado pelos mensaleiros

Decidido a escapar do processo em curso no Supremo Tribunal Federal, o mensaleiro Silvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, fechou em janeiro de 2008 um acordo com a Procuradoria Geral da República. Em troca da suspensão do julgamento por formação de quadrilha, o integrante do bando dos 40 dispôs-se a cumprir uma pena alternativa ─ três anos de serviço comunitário numa subprefeitura de São Paulo.

As duas partes julgaram ter feito um bom negócio. A Procuradoria conseguiu do réu uma confissão de culpa. O delinquente, além do castigo extraordinariamente suave para quem se enfiou até o pescoço nas bandalheiras do mensalão, conseguiu voltar a dormir sem sobressaltos. Ele não sabia o que é isso desde julho de 2005, quando perdeu o cargo na direção do PT e ganhou a alcunha de Silvinho Land Rover, marca do veículo presenteado por um fornecedor da Petrobras ao figurão que lhe abrira as portas do Planalto.

Submerso há mais de três anos, ele pode ser ruidosamente devolvido à ribalta pelo julgamento de que escapou. Depende do resultado. Se o STF sucumbir ao show de cinismo ensaiado por Lula e seus devotos, ignorar a montanha de provas contundentes e absolver os pecadores que continuam no banco dos réus, ficará estabelecido que não houve mensalão nem mensaleiros. Caso seja erguido esse monumento ao absurdo, espera-se que algum ministro togado tenha a bondade de desvendar o enigma produzido por Silvinho Land Rover: pela primeira vez na história do Judiciário, um inocente quis ser punido por crimes que não cometeu.

04/07/2011

às 0:59 \ Sanatório Geral

Tudo certo

“Os contratos têm prazos curtos porque estima-se concluir a nova licitação em curto espaço de tempo, o que não ocorreu. Os valores variam de acordo com o prazo”.

Nota da Petrobras, explicando que fechar contratos sem licitação no valor de R$ 57 milhões, para beneficiar um empresário de estimação, está de acordo com as regras da empresa, os valores morais, as normas éticas e os bons costumes.

29/06/2011

às 6:41 \ Sanatório Geral

Pito cibernético

“A Petrobras dá generoso patrocínio ao River Plate da Argentina. Por que não ao Bahia e ao Vitória?”.

Geddel Vieira Lima, vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, usando o twitter para convencer Dilma Rousseff de que está na hora de fazer José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, cair no choro com outro pito por telefone e aprender que nasceu na Bahia, não na Argentina.


 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados