Blogs e Colunistas

PCdoB

29/12/2011

às 12:54 \ Frases

Adeus ao companheiro

“Em nome dos militantes e do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil, expressamos nossas sentidas condolências e nossa homenagem à memória do camarada Kim Jong-il.”

Nota do PCdoB lamentando a morte do ditador norte-coreano.

 

16/11/2011

às 19:10 \ Direto ao Ponto

Agnelo tenta fugir do Sanatório Geral e, por falta de cadeia para governadores, é internado na ala de segurança máxima

Às 8h11 desta quarta-feira, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, foi internado no Sanatório Geral a bordo de uma frase de assustar enfermeiro aposentado: “Palavra de um governador de estado já é, por si, uma prova”. Envolvido até o pescoço em maracutaias, Agnelo achou uma boa ideia lembrar que o que diz merece tanto respeito quanto o palavrório de antecessores como Joaquim Roriz e José Roberto Arruda. Não é um caso simples, deduziu o corpo clínico do movimentado nosocômio.

É mais grave do que parece, soube-se às 10h30, quando o governador tentou escapar  usando como salvo-conduto uma “Nota de esclarecimento sobre frase do governador Agnelo Queiroz publicada no blog do colunista Augusto Nunes“. Transcrevo sem correções a íntegra do documento encaminhado à coluna pela Secretaria de Comunicação do Governo do Distrito Federal:

“Lamentamos que uma frase descontextualizada, tirada de uma das inúmeras notas emitidas pela Secretaria de Estado de Comunicação Social do Governo do Distrito Federal em resposta à imprensa e que, mais uma vez, não teve seu inteiro teor levado ao conhecimento público, tenha resultado na publicação, na edição desta quarta-feira (15/11) do jornal FOLHA DE SÃO PAULO, da matéria Palavra de um governador já é prova, diz Agnelo.

O governador Agnelo Queiroz reafirma a boa fé no empenho de sua palavra. E relembramos que cabe a quem acusa apresentar provas. No geral, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, tem apresentado um conjunto de provas que é ignorado quando ele se manifesta nas respostas aos veículos de comunicação.

Uma sequência de entrevistas, trocas de emails e remessas de documentos que provam a ausência de processos criminais e administrativos que tragam o nome de Agnelo Queiroz como réu ou responsável por quaisquer irregularidades têm sido ignoradas nos últimos dias por parte da imprensa. Mais uma vez encaminhamos o conjunto de documentos disponíveis. Esperamos que venha ao conhecimento público a totalidade das informações prestadas”.

Se a nota é anêmica, padece de raquitismo agudo o “conjunto de documentos disponíveis” ─ uma certidão negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União, uma certidão atestando que o nome do governador não figura em ação movida pelo Ministério Público Federal contra sete acusados, uma certidão negativa criminal, uma certidão negativa de contas julgadas irregulares e um comunicado oficial. Resumo da ópera bufa: para fugir, Agnelo valeu-se de um papelório tão consistente quanto um depoimento de Carlos Lupi.

Recapturado ainda no corredor e transferido para a ala de segurança máxima, o governador só vai sair dali quando parar de esconder-se sob o terninho de Dilma Rousseff e tentar desmentir o que escreveu Celso Arnaldo Araújo no post “Agnelo: um corrupto com nome de cordeiro”, publicado em 8 de novembro. Alguns trechos:

A Folha revelou, com documentos oficiais, uma transferência de 5.000 reais da conta de um lobista de indústria farmacêutica para a conta de Agnelo Queiroz, em 2008, quando o atual governador de Brasilia (ex-PCdoB e hoje PT) era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

A descarga de cinco mil reais se deu, por curiosíssima coincidência, horas antes de a indústria representada pelo lobista, a União Química, receber uma certidão de “nihil obstat” da Anvisa. Sem ela, estaria impedida de participar de licitações para fornecimento de medicamentos à rede pública e até de registrar novos medicamentos.

A liberação foi automática, como as transferências eletrônicas: caiu o dinheiro, saiu o certificado. A liberação dependia exclusivamente de Agnelo. E aqui nem cabe discutir se a decisão foi baseada em critérios técnicos.

Como confirmou a VEJA Daniel Almeida Tavares, o lobista, os cinco mil eram apenas uma parcela do acerto de cinquentinha feito com Agnelo. Isto é: o subornador não nega o suborno. E o subornado? Coloque-se no lugar de Agnelo Queiroz. Você está sendo ameaçado de impeachment como governador e, de repente, surge não apenas uma prova, mas um atestado de corrupção de seu caráter chancelado pelo Banco Central. Os cinco mil não foram para a conta de laranjas – mas do espremedor em pessoa, com seu nome de batismo e de inscrição no TER, sem nenhuma reserva, nenhum receio.

Não sei quanto tempo teve Agnelo entre a revelação cabal do malfeito e a providência de uma explicação. Se foram minutos ou horas, se foi improvisada ou estudada, foi a pior possível: uma emenda mais canalha que o soneto da corrupção. Um ladrão comum não ousaria uma desculpa desse teor.

Diz a Folha:

“O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), admitiu ontem que recebeu em sua conta pessoal R$ 5.000 de um lobista quando trabalhava como diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em 2008 (…) Em nota divulgada ontem, Agnelo voltou a rejeitar a versão do lobista de que recebeu dinheiro de propina e disse que os R$ 5.000 representavam o pagamento de um empréstimo que ele havia feito para Tavares. O governador admitiu à Folha que o empréstimo foi feito informalmente, sem documento ou contrato que comprove a transação. E disse que emprestou o dinheiro ao lobista em espécie, portanto não teria como comprovar sua versão”.

A desculpa de Agnelo não vale um fio de sua barba. Além da ladroagem desenfreada, essa gente não tem limites em seu cinismo sórdido. Ele acha que alguém, fora os asseclas da base aliada, comprará a história de que um dia levou cinco mil reais, em dinheiro vivo, para socorrer um lobista em apuros que mal conhecia – e justamente quem representava uma causa milionária que dependia de decisão de governo, no caso dele, para uma solução que seria efetivamente dada. Por essa versão, os cinco mil que apareceram em sua conta apenas retornaram ao local onde já pertenciam antes do empréstimo.

Concluo: internar uma figura dessas na ala de segurança máxima do Sanatório é o que pode fazer a coluna. O Ministério Público e o Judiciário podem muito mais. O que esperam promotores e juízes para estender aos bandidos com padrinhos poderosos os castigos aplicados à gente comum? Se a lei vale para todos, está mais que na hora de mandar para a cadeia os agnelos que infestam o Brasil.

15/11/2011

às 19:31 \ Feira Livre

Diário da Dilma: Em festa de jacu inhambu não pia

PUBLICADO NA EDIÇÃO DE NOVEMBRO DA REVISTA PIAUÍ

1º de outubro – Ê lerê. Serginho Cabral veio chorar a distribuição dos royalties. O menino está magoado, mas sabe argumentar: imitou o Lula duas vezes, fez troça com a Iriny Lopes e soltou um trocadilho com o nome do presidente da Renault. Ainda disse que eu emagreci. Me convenceu.

2 de outubro – Bulgária, terra boa e sestrosa. Antes de deixá-la, meu pai profetizou que os Rousseff retornariam, trazendo orgulho e laquê à nação. Duro é ter de ir antes à Bélgica. Esse pessoal da Fifa está passando dos limites. Querem acabar com a meia-entrada, exigem os estádios no prazo e ainda pretendem abolir o superfaturamento nacional. Por sugestão do Temer, com quem aprendi que futebol se joga com onze, contrapus que cada time jogasse com doze. Seria um modo de empregar mais gente, a base aliada ia ficar feliz. A resposta veio curta e grossa. Non! Vou mostrar a eles o que é non. Marquei uma reunião com o Blatter para dizer umas verdades.

3 de outubro – Blatter deu o bolo por causa dos boatos infundados sobre o meu jeito ríspido de negociar. Mandou o secretário-geral. Já não basta estar aterrissando em Bruxelas, que, do alto, parece mais sem graça do que um fim de semana com o Alckmin. Assim que eu entrei na sala, encarei o sujeito e soltei um “meu querido”. Se a gente não se impõe, a Fifa faz o que quer.

4 de outubro – Dei uma prensa nos dirigentes da Europa. Só porque eles representam o berço das civilizações ocidental, pensam que podem afundar o mundo numa crise econômica e estabelecer a capital deles na Bélgica. Sugeri que se mudassem para Londres, onde tem sempre um bom musical em cartaz e a gente pode esbarrar na princesa Kate. Deixei claro que, caso precisem, posso indicar um excelente consultor em Ribeirão Preto.

5 de outubro – Foi lindo voltar à terra do papai. É bom visitar a família com verba pública. Presidenta tem dessas coisas, não é só demitir ministro, não. Ganhei até a ordem Stara Planina. Não aguentei e acabei emprestando 32 bilhões de reais a fundo perdido. Fico só pensando na cara daquela sirigaita que se insinuava para Tzvetan Todorov, a Kubrika Ksibeleya, quando me vir com a Stara Planina. Vai se roer de inveja.
Será que o Tzvetan envelheceu bem? Era um pedaço de mau caminho.

6 de outubro – Ai, início do mês e já estou exausta! Se eu pudesse emendar até 12 de outubro! Mas o feriado cai bem numa quarta-feira… fica chato enforcar quinta e sexta. Podia decretar a semana do saco cheio presidencial. Estudante não tem? A bem da verdade, ainda bem que papai veio para o Brasil. Deus me livre morar na Bulgária. E aquelas primas que visitei em Gabrovo! Ô gente feia…

8 de outubro – Fui periquitar em Istambul. O chato do Luiz Sérgio pediu uns temperos para aquela sardinha na panela de pressão com banana-de-são-tomé. Isso é que dá ficar concentrando tudo. O Patriota nem para arrumar uma brecha para eu dar uma voltinha no Grand Bazaar. Dizem que tem joias baratíssimas e cada bolsa! Ninguém percebe que é falsa. Como a Turquia é bonita. Fico pensando como esses bigodes todos cairiam no Lobão.

9 de outubro – Aecinho declarou que está pronto para ser candidato à Presidência. Ansioso esse menino. Nem parece mineiro. Mas não vou me meter. Em festa de jacu inhambu não pia. Mamãe nem me viu chegar e já foi perguntando se eu trouxe miçangas, a ceroula e a touca que ela pediu. Nem boto o pé em Brasília e começam a me pedir coisas. Só me falta ter que demitir mais um ministro. Me preparei para ver A Fazenda e pimba! A pasta de ricota que tinha deixado na geladeira azedou. Não posso deixar mamãe tomar conta de casa.

10 de outubro – Você chega de viagem e é só e-mail, telefonema, greve e o Lula ligando sete vezes por dia para me perguntar onde vai ser a próxima inauguração. Tem até recado do Kassab para falar da posição dele sobre o Código Florestal: “Presidenta, o PSD é a favor de anistia ampla, geral e irrestrita aos pequenos e grandes fazendeiros que atuam de forma produtiva, sem desmatar. Mas o partido quer deixar claro que também apoia os que desmatam.” Por que perco tempo com isso?

14 de outubro – Gente, está uma calmaria isso aqui. Estou até estranhando. A Mônica Salmaso não ia lançar um cd novo? Sonhei com o Lobão de ceroula búlgara dizendo que estourou o limite do cartão corporativo. Achei catito.

15 de outubro – Fiquei morrendo de medo quando vi no jornal que o Toddynho quase matou não sei quantas crianças. Todo dia eu tomo um de madrugada. Acordo com aquela fome e faço uma boquinha com goiabada e um Toddynho, às vezes dois. Minha tia fica de olho. Quando ela pergunta, me faço de morta e digo que servi para o Gabriel. Ela finge que acredita.

16 de outubro – Já decidi: não tem meia-entrada na Copa, se quiserem podem servir até cicuta nos estádios, enfim, a Fifa que faça o que quiser.
Não entendo nada de futebol, acho uma chatice, meu interesse é zero. Foi o Lula que tratou com a Fifa e eu é que tenho que pagar a conta. Conserta aeroporto, constrói estádio, faz linha de ônibus, aguenta esse PCdoB com suas ONGs. Mas uma herança do Fofo…

17 de outubro – Ai, meu santo Stálin. Até tu, Orlando Silva? Até tu, PCdoB? É bem verdade que o último PM histriônico que apareceu na tevê era marido da Susana Vieira. Deu no que deu.

18 de outubro – Agora é na marra: vou cortar o ponto desses grevistas dos Correios. Quer moleza? Senta no pudim.

20 de outubro – Digam o que quiserem, foi-se um líder fashion das Arábias. Não fossem aquelas roupas divinas, teria apoiado bem mais cedo os insurgentes. Ando pensando em sapecar um “meu querido” no Orlando Silva. Melhor dosar para o momento certo.

21 de outubro – Não entendo esses jornais todos noticiando “Dilma mantém ministro dos Esportes”. Isso lá é notícia? Injustiça maior foi a final de A Fazenda: estava na cara que a Monique merecia ganhar.

22 de outubro – Aquele negócio de Pan já começou? É em Cochabamba, né? Ninguém atende minhas ligações lá no Ministério dos Esportes.

23 de outubro – Lá vamos nós inaugurar uma ponte estaiada. É bom deixar claro que não é só a oposição que detém a tecnologia.

24 de outubro – Santa periquita! Aquela foto de cocar é um horror! Negócio de índio dá o maior azar. De qualquer jeito, estou melhor que o Lula. Pelo amor de Deus, como está gordo o Fofo. Prosperidade dá nisso.

25 de outubro – Fiquei discutindo com a empregada o que servir no jantar dos velhinhos. Tive que convidar o Jimmy Carter e aquele bando da quarta idade para não ficar dando pinta que estava louca para encontrar o Fernando Henrique de novo. Ele é incrível! Quanta pertinácia! Pena que não ficou mais um pouco para tomar um licor lá de Uberaba.

26 de outubro – Não teve jeito: governar é demitir ministros. O Orlandinho bem que tentou continuar agarrado à rapadura, mas lhe dei um chega pra lá. Que venha outro albanês!

27 de outubro – Pelo menos não tem perigo de o Aldo Rebelo desmatar campos de futebol. Amanhã é dia de São Judas Tadeu, o das causas impossíveis. Será que se eu pedir para me livrar do Lula o santo atende?

08/11/2011

às 19:28 \ Direto ao Ponto

Agnelo: um corrupto com nome de cordeiro

Celso Arnaldo Araújo

Denunciados por flagrantes delitos, através de um rosário de testemunhos sólidos, evidências robustas e rastros pegajosos, autoridades do primeiro escalão costumam encher o peito para soltar o berro falsamente indignado e carregado de perdigotos que, pelo volume, ganham a densidade da baba bovina e elástica dos boçais de Nelson Rodrigues:

─ E as provas? Onde estão as provas?

Os ladravazes de dinheiro público, dinheiro nosso, clamam pelo implausível. A roubalheira deixa um rastilho de imundícies, patifarias, malandragens, subtrações – mas, com exceções que podem ser imputadas à distração dos perpetradores, não produz notas promissórias assinadas e registradas em cartório, confissões de própria voz ou imagens que teriam sua autenticidade atestada pelo sempre disponível perito Ricardo Molina.

Bem, isso até hoje. A Folha acaba de atender ao apelo dos larápios. Revela, com documentos oficiais, uma transferência de 5.000 reais da conta de um lobista de indústria farmacêutica para a conta de Agnelo Queiroz, em 2008, quando o atual governador de Brasilia (ex-PCdoB e hoje PT) era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a versão brasileira da FDA norte-americana.

Sim, Agnelo, que logo em seguida iria bater um bolão no Ministério do Esporte, preparando o campo para Orlando Silva, também foi colocado um dia para tomar conta de remédios – nenhum deles, por sinal, eficaz contra o vírus Corruptus brasiliae.

Não há território da administração pública que seja inóspito a um petista – ainda mais com o DNA do PCdoB. Eles se adaptam a todos os ambientes e esquemas, neutralizando sistemas de vigilância sanitária e financeira. Gente como Agnelo é capaz de tirar proveito até como gerente dos restaurantes Bom Prato, onde um PF custa 1 real. Imagine-se seu raio de ação, agora, como governador do DF.

Mas o Agnelo que nos interessa agora é o vigilante diretor da Vigilância, guardião da saúde dos brasileiros. A descarga de cinco mil reais se deu, por curiosíssima coincidência, horas antes de a indústria representada pelo lobista, a União Química, receber uma certidão de “nihil obstat” da Anvisa. Sem ela, estaria impedida de participar de licitações para fornecimento de medicamentos à rede pública e até de registrar novos medicamentos.

A liberação foi automática, como as transferências eletrônicas: caiu o dinheiro, saiu o certificado. A liberação dependia exclusivamente de Agnelo. E aqui nem cabe discutir se a decisão foi baseada em critérios técnicos.

Mas, espere. Uma merreca dessas remunera uma decisão que influi diretamente no futuro de uma grande empresa? Agnelo é barateiro ou é barato? Na verdade, como confirmou a VEJA Daniel Almeida Tavares, o lobista, os cinco mil eram apenas uma parcela do acerto de cinquentinha feito com Agnelo. Isto é: o subornador não nega o suborno. E o subornado?

Coloque-se no lugar de Agnelo Queiroz, pintando e bordando como governador da capital do país, mas envolvido até a glote nas escandalosas tabelinhas do Ministério do Esporte. Você está sendo ameaçado de impeachment como governador e, de repente, surge não apenas uma prova, mas um atestado de corrupção de seu caráter chancelado pelo Banco Central. Os cinco mil não foram para a conta de laranjas – mas do espremedor em pessoa, com seu nome de batismo e de inscrição no TER, sem nenhuma reserva, nenhum receio. Como contestar a mulher nua encontrada languidamente em sua cama? É preciso tentar alguma saída.

Não sei quanto tempo teve Agnelo entre a revelação cabal do malfeito e a providência de uma explicação. Se foram minutos ou horas, se foi improvisada ou estudada, foi a pior possível: uma emenda mais canalha que o soneto da corrupção. Um ladrão comum não ousaria uma desculpa desse teor.

Diz a Folha:

“O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), admitiu ontem que recebeu em sua conta pessoal R$ 5.000 de um lobista quando trabalhava como diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em 2008 (…) Em nota divulgada ontem, Agnelo voltou a rejeitar a versão do lobista de que recebeu dinheiro de propina e disse que os R$ 5.000 representavam o pagamento de um empréstimo que ele havia feito para Tavares. O governador admitiu à Folha que o empréstimo foi feito informalmente, sem documento ou contrato que comprove a transação. E disse que emprestou o dinheiro ao lobista em espécie, portanto não teria como comprovar sua versão”. E ele, valente, batendo no peito com a mesma empáfia dos ministros na véspera da queda:

“É mais uma tentativa desesperada da oposição de construir algo que relacione o governador a qualquer irregularidade (…) (o depósito) foi a devolução de quantia concedida em empréstimo à referida pessoa. Associar esse depósito a origem irregular é tentativa criminosa de acusação vazia”.

A desculpa de Agnelo não vale um fio de sua barba. Além da ladroagem desenfreada, essa gente não tem limites em seu cinismo sórdido. Ele acha que alguém, fora os asseclas da base aliada, comprará a história de que um dia levou cinco mil reais, em dinheiro vivo, para socorrer um lobista em apuros que mal conhecia – e justamente quem representava uma causa milionária que dependia de decisão de governo, no caso dele, para uma solução que seria efetivamente dada. Por essa versão, os cinco mil que apareceram em sua conta apenas retornaram ao local onde já pertenciam antes do empréstimo.

Ou seja: havia, sim, uma mulher nua em sua cama. Mas já era sua e nua antes de chegar à cama.

Agnelo Queiroz tem tudo para ser o novo ídolo dos milicianos.

06/11/2011

às 23:15 \ Sanatório Geral

Isto é Aldo Rebelo

“Tenho plena confiança na honestidade do ministro Orlando. É um rapaz de bem, de boa origem, como militante do movimento estudantil. Agora, na vida pública, somos muitas vezes tragados pelos acidentes e incidentes. Temos de enfrentar”.

Aldo Rebelo, ministro do Esporte e comunista juramentado, na ao Estadão deste domingo, entrando espetacularmente na luta pela liderança do Campeonato Mundial de Cinismo.

06/11/2011

às 20:44 \ Sanatório Geral

Novilíngua comunista

“Escolhi o PCdoB exatamente pelos compromissos com as mudanças, as transformações, a luta pela igualdade, o direito das pessoas mais simples”.

Aldo Rebelo, ministro do Esporte e exemplo de comunista que todo capitalista selvagem adoraria ter como genro, ensinando que, na novilíngua do PCdoB, “compromissos com as mudanças” quer dizer tudo por dinheiro e “luta pela igualdade” é a mesma coisa que assalto aos cofres públicos.

06/11/2011

às 14:50 \ O País quer Saber

A degradação da UNE

TEXTO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTE DOMINGO

Quase um ano depois de ter recebido R$ 30 milhões do governo Lula para construir sua sede na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, a União Nacional dos Estudantes (UNE) até agora não conseguiu ir além da pedra fundamental, que foi lançada pelo presidente Lula da Silva em dezembro do ano passado. A concessão desse valor foi justificada por Lula como pagamento de indenização devida pelo Estado brasileiro pelos danos patrimoniais à entidade durante o regime militar.

Como a UNE não é uma entidade pública, o governo não podia transferir dinheiro dos contribuintes para custear as obras. A indenização por danos patrimoniais foi o expediente encontrado pelo governo Lula para contornar essa proibição legal. Primeiro, o governo reconheceu a responsabilidade da União na destruição do prédio da entidade, que foi incendiado em 1.º de abril de 1964. Em seguida, Lula autorizou a União a promover uma “reparação” no montante equivalente a seis vezes o valor de mercado do terreno.

É muito dinheiro, mas nada garante que os dirigentes da UNE terão a competência necessária para a obra sem precisar pedir mais dinheiro público, em troca de apoio político aos governantes de plantão.

Ao contrário do que ocorreu no passado, quando lutou efetivamente, tanto contra a ditadura Vargas quanto contra a dos militares, a UNE é hoje uma força auxiliar do governo e um reduto do PC do B. Desde a ascensão de Lula ao poder, em 2003, a UNE age como um órgão chapa-branca, apoiando todas as iniciativas administrativas e políticas do Palácio do Planalto.

Pelos serviços prestados, ficou com o direito de indicar antigos dirigentes da entidade para o Ministério do Esporte – vários deles envolvidos no escândalo de repasses irregulares de recursos públicos a ONGs fantasmas – e ganhou polpudas verbas tanto da administração direta como da indireta, sob a justificativa de divulgar programas dos Ministérios da Educação, da Saúde, da Cultura e da Igualdade Racial, promover “caravanas da cidadania” em universidades federais, realizar jogos estudantis e organizar ciclos de debates.

Só do Ministério do Esporte, a UNE ganhou um total de R$ 450 mil, entre 2004 e 2009, para promover eventos de “esporte educacional” e capacitação de gestores de esporte e lazer. Ao que parece, como os dirigentes da UNE transformam-se, em geral, em estudantes profissionais que não costumam frequentar salas de aulas, o lazer se converteu em sua principal “especialização”.

Desde 1995, quando começou a obter verbas governamentais, a UNE já recebeu mais de R$ 44 milhões dos cofres públicos. Do montante acumulado nesses 17 anos, 97,4% foram desembolsados durante os oito anos de governo do presidente Lula. Os 2,6% restantes foram repassados pelo governo do presidente Fernando Henrique. Os números foram coletados pelo site Contas Abertas, com base no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi).

A exemplo do que está ocorrendo com a maioria das ONGs financiadas pelo Ministério do Esporte, a maneira como a UNE gasta o dinheiro dos contribuintes também é, no mínimo, perdulária. Depois de identificar recibos frios e gastos com restaurantes de luxo e bebida importada nas contas da entidade, o Ministério Público Federal pediu as cópias das prestações de contas da entidade aos Ministérios e empresas públicas e sociedades de economia mista com que mantém convênios. E, no dia 6 de agosto, a Procuradoria-Geral do Ministério da Fazenda lançou a UNE como inadimplente no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin).

Procurados para esclarecer o atraso da construção de sua sede com dinheiro público, os motivos das suspeitas do Ministério Público Federal e o que levou à inadimplência no Ministério da Fazenda, os dirigentes da entidade limitaram-se a afirmar que as obras da nova sede começarão em 2012 e que as verbas recebidas do governo têm sido gastas em “congressos e bienais da cultura”. Isso mostra a que nível de degradação política chegou a UNE.

03/11/2011

às 10:19 \ Sanatório Geral

Importante é o bando

“Perco um colaborador, mas preservo o apoio de um partido cuja presença no meu governo considero fundamental.”

Dilma Rousseff, explicando que a saída do chefe não dispersou o bando.

02/11/2011

às 22:35 \ Direto ao Ponto

A festa dos vigaristas camaradas

Agora que Dilma Rousseff já renovou o contrato de arrendamento do Ministério do Esporte ao PCdoB, entregou a chave do cofre a Aldo Rebelo, decidiu que “Orlando Silva fez um excepcional trabalho, foi incansável para a preparação do Brasil para os grandes eventos esportivos que sediaremos” e infiltrou na discurseira uma ameaçadora metáfora futebolística: “Hoje colocamos a bola no chão, reiniciamos o jogo e vamos para o ataque”;

Agora que o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, já aproveitou a troca da guarda do cofre para promover uma festinha íntima dos comunistas do Brasil, aquecida pela descoberta de que “o partido sai engrandecido desses últimos acontecimentos”;

Agora que Orlando Silva já jurou incontáveis vezes que é inocente e vai vingar-se dos misteriosos carrascos, sempre caprichando na voz embargada e na lágrima furtiva que engrossava a cada buquê de flores entregue à companheira;

Agora que Aldo Rebelo, olhos nos olhos do antecessor, já resumiu numa frase besuntada de açúcar e de afeto (“Mais do que inocente, o senhor é vítima”) a beleza da camaradagem delinquente;

Agora que acabaram as comemorações da turma que tungou até o dinheiro das crianças, enfim, está mais que na hora de o Tribunal de Contas da União, a polícia, o Ministério Público e o Judiciário tratarem de entrar em campo para completar o serviço que a imprensa começou e o governo pretende encerrar com a mudança que deixa tudo como está. Demissão é ato administrativo. Não é o fim, mas a primeira etapa da história. Chegou o momento da aplicação dos códigos legais. Só cadeia não basta. O país decente exige também a devolução do dinheiro roubado.

01/11/2011

às 17:58 \ Sanatório Geral

Chefe orgulhoso

“A participação de militantes do PCdoB em ONGs é minoria.”

Renato Rabelo, presidente do PCdoB, disfarçando o orgulho pela constatação de que os camaradas são tão eficientes que nem precisam de muitas entidades para bater o recorde nacional da ladroagem ongueira.


 

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