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Paulo Duque

01/09/2009

às 18:55 \ Homem sem Visão

Ideli recita no pódio o bilhete que recebeu da amiga campeã

Homem sem Visão - Agosto - Ideli 2° lugar

“Posso recitar o bilhete que minha melhor amiga mandou?”, perguntou Ideli Salvatti no momento de subir ao pódio para receber a medalha de prata conquistada na enquete que elegeu o Homem sem Visão de Agosto. Autorizada pela comissão organizadora, a segunda colocada berrou o recado manuscrito internado nesta terça-feira no Sanatório Geral : “Ideli: Este é um momento em que fica claro que vale a pena essa luta toda. Minha certeza de que o melhor de tudo é ter parceiras como vc. Este é meu orgulho. Um abração! Dilma”. Para o berreiro à procura de uma ideia, “perder para a futura presidenta é uma vitória”.

Homem sem Visão - Agosto - Collor 3° lugar

Terceiro colocado na votação, Fernando Collor não compareceu à cerimônia de premiação. “Ele olhou a gente de um jeito estranho e disse que medalha de bronze é pra pau mandado como o Paulo Duque, não pra quem foi presidente da República”, revelou um assessor. O lanterninha Dácio Vieira mandou um ofício à coluna comunicando que a censura baixada por ordem de José Sarney valia também para o Homem sem Visão. Foi informado de que a ordem não seria cumprida porque Sarney anda  jurando que nunca censurou nenhum jornalista e isso vale também para a coluna.

20/08/2009

às 1:20 \ Direto ao Ponto

Eles fugiram da escola, escaparam da cadeia e já governam o Senado

Parece que foi há muitos séculos, e no entanto faz menos de 20 anos. No começo de 1990, já não era numericamente desprezível o bloco dos senadores cujo prontuário implora por longas temporadas na cadeia, em regime de estudos forçados. Mas havia vida inteligente e homens de bem no Senado. Os melhores e os mais capazes conseguiam, simultaneamente, enquadrar os imbecis sem remédio, manter os delinquentes sob estreita vigilância, conduzir a instituição e garantir-lhe a independência. Eles sabiam remover tumores que colocassem em risco valores morais irrevogáveis. Nada a ver com a Casa do Espanto que Lula criou e o clube dos cafajestes agora administra.

O presidente nem tentaria fazer em 1990 o que anda fazendo há meses com um Senado em estado terminal. Mesmo que tivesse atingido os 103% de popularidade prometidos pelos institutos de pesquisa, logo saberia com quem estava falando. O mais loquaz dos governantes perderia a fala no segundo minuto de conversa com Afonso Arinos ou Roberto Campos. O capitão-do-mato não iria além da primeira grosseria se o aliado fosse Darcy Ribeiro. O palanqueiro debochado não se atreveria a insultar oposicionistas como Mário Covas ou Franco Montoro.

É por saber com quem está falando que Lula humilha antigos companheiros e ofende adversários. Sabujice não inspira respeito. Não se teme o revide que não virá. É por saber com quem está lidando que Lula abençoa a base alugada com salvo-condutos, absolvições sumárias, agrados retóricos e presentes em dinheiro. Não há um acordo político entre o ex-sindicalista que ficou moderno e os velhos oligarcas que se tornaram menos antigos. O que houve foi um acerto entre um presidente deslumbrado e gente que se alia a qualquer governo para manter-se no poder e ganhar muito dinheiro com a corrupção institucionalizada.

Quem acompanhou na terça-feira o depoimento de Lina Vieira e, nesta quarta, a sessão do Conselho de Ética viu em ação um bando fora-da-lei, esbanjando truculência e cinismo no cumprimento de missões confiadas pelo chefe. A quadrilha do faroeste subjugou o lugarejo. O presidente honorário é José Sarney. Paulo Duque comanda o Conselho de Ética. Romero Jucá lidera a bancada do governo e é o relator da CPI da Petrobras presidida pelo suplente amazonense. Renan Calheiros chefia a base alugada. Fernando Colllor comanda uma comissão. Abjeções como Wellington Salgado e Almeida Lima aceitam qualquer encomenda. Tudo parece dominado.

O PT foi reduzido por Lula a duas consoantes descartáveis. A líder do governo no Congresso é Ideli Salvatti, um berreiro à procura de uma ideia. O líder da bancada é Aloízio Mercadante, promovido a Herói da Rendição por atos de bravura em defesa de capitulações ultrajantes. Nesta semana, constatou-se que aprendeu com Eduardo Suplicy a fazer de conta que acha intragável o que não para de engolir.

Para fazer de conta que não gostou da absolvição de Sarney, crime que ajudou a tramar por ordem de Lula, colocou o cargo à disposição da bancada. O cargo sempre esteve, está e estará à disposição da bancada. Quem finge não saber disso topa qualquer negócio para ficar. Quem quer sair se demite ─ e em caráter irrevogável. Por acharem que há limite para tudo (e por lembrarem que a eleição vem aí), os senadores Flávio Arns e Marina Silva deixaram o partido. Os que permanecerem no rebanho pastoreado pela quadrilha são comparsas.

O Senado em decomposição ensina que só os cretinos sem cura e os farsantes juramentados dividem o Brasil em esquerda e direita, soldados do povo e carrascos da elite. O que se vê é um país que acredita na democracia, ama a liberdade e respeita a lei ameaçado pela ofensiva do primitivismo. Para os dirceus e berzoinis, os burgueses malandros são apenas companheiros de viagem que encurtam o caminho que conduz ao paraíso socialista. Para os renans e jucás, os comunistas de araque são apenas os sócios do momento. Os casos para psiquiatra e os casos de polícia só acham antiético perder a eleição e a gazua. Todos têm como objetivo comum o arrombamento dos cofres federais.

É hora de cortar-lhes o avanço. O general parece invencível? A tropa parece crescer em tamanho e agressividade? A maioria parece satisfeita com a vida não vivida? Não importa. Movimentos de resistência não costumam tomar forma no ventre da multidão. Quase sempre a precedem. Nem é preciso nascer grande para ter força. Basta ter razão.

13/08/2009

às 22:39 \ Homem sem Visão

Paulo Duque festeja promoção a velhote-propaganda e recomenda: “Fiquem de olho no Cabeleira”

“Isso aí dá grana?”, perguntou o suplente de suplente de senador Paulo Duque (base alugada – turma do Rio) ao saber que fora eleito, por decisão de 75% dos mais de 1.300 participantes da enquete, modelo da campanha educativa “Cafajestagem não tem idade”. “Vou pedir ao Renan que pague um extra pelo meu serviço no Conselho de Ética”, riu debochado ao saber que não receberia nenhum cachê para lembrar ao país o que é capaz de fazer um octogenário irrecuperável.

Duque acredita que a vitória na enquete vai melhorar seu desempenho na disputa do título de Homem sem Visão de Agosto. ”Tem o Collor, tem o Renan, tem esse juiz do Sarney, mas estou mostrando meu potencial”, animou-se. “Nada está decidido. E tem muita gente aparecendo”. O  suplente doado ao Senado pelo governador Sérgio Cabral ficou feliz ao saber que o suplente Wellington Salgado (base alugada – turma de Minas) é o tema da nova enquete. Depois de analisar as quatro opções de emprego sugerida pela coluna, Duque apostou na promoção do suplente doado ao Senado pelo ministro Hélio Costa ao posto de gerente de bordel.

“Fiquem de olho no Cabeleira”, recomendou o velhote-propaganda. “Esse promete”.

10/08/2009

às 18:31 \ Homem sem Visão

Collor brilha na enquete e busca o apoio de Paulo Duque na disputa pelo HSV: ‘Ele é moço, pode esperar’

“Os leitores da coluna atenderam ao pedido que não foi ouvido há quase vinte anos: não me deixaram só”, disse com voz embargada o senador Fernando Collor ao saber do resultado da movimentadíssima enquete que elegeu o melhor companheiro de chapa para a candidata a presidenta Dilma Rousseff. Do total de 2671 eleitores, 1.269 (48%) votaram no ex-presidente hoje a serviço da base alugada.

Seguiram ao campeão os senadores Renan Calheiros (597 votos, 22%), Paulo Duque (477, 18%) e José Sarney (328, 12%). Com exceção do supercraque maranhense, que conquistou o troféu de junho, todos disputam o título de Homem sem Visão de Agosto. ”A votação que obtive prova que sou favorito”, disse, olhando feio para o repórter da coluna. Em seguida, fez cara de coroinha, sorriu humildemente e repetiu o apelo: “Continuem a meu lado na disputa do troféu. Não me traiam como vai fazer o Renan”.

Convencido de que os eleitores de Sarney vão apoiá-lo, Collor tenta atrair os votos obtidos por Paulo Duque, a revelação da enquete. ”Ele mostrou que tem potencial, mas pode esperar mais alguns meses”, declarou o parceiro ideal de Dilma. ”Paulo ainda é muito moço. Tem tempo de sobra para prestar grandes serviços à coletividade”.

A luta continua! Que vença o pior!    

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09/08/2009

às 16:51 \ Direto ao Ponto

O silêncio que começou há cinco meses está barulhento demais

O governador José Serra não tem nada a dizer sobre o colapso do Senado? Acha que José Sarney é um homem incomum, autorizado a fazer o que fez pela biografia que Lula tanto aprecia? O que pensa do filme de horror protagonizado pelo quarteto que juntou Lula, Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros? Sentiu algum desconforto com a performance da base alugada? Não vai comentar o comportamento de Paulo Duque na presidência do Conselho de Ética? Conversou com Sérgio Cabral, de quem é amigo, sobre o suplente do suplente que o governador do Rio doou ao Senado? Não acha que a Petrobras anda merecendo mais que uma CPI? Não o ofendem as provocações de Lula ao PSDB? Para Dilma Rousseff, “estão querendo demonizar o Sarney”. Concorda? Discorda? Fernando Henrique declarou-se envergonhado com o que vem acontecendo no Senado. Concorda? Discorda? Enfim, o que tem a dizer o governador de São Paulo sobre qualquer coisa que não seja a administração paulista?

A mais medonha crise da história do Senado, que arrastou o Planalto para o pântano, começou há cinco meses. Serra não dá um pio faz cinco meses (nem ele nem Aécio Neves). O candidato à Presidência pela oposição vive lembrando que só dirá que é candidato à sucessão no ano que vem. Ok, está desobrigado de antecipar o que fará se for eleito. Mas nenhum político tem o direito de não ter opinião. O silêncio de Serra tornou-se tão barulhento quanto a discurseira de Lula.

07/08/2009

às 23:07 \ Direto ao Ponto

Três missas negras em sete dias

O olhar homicida e o estoque de insultos ficaram na portaria. O Fernando Collor que apareceu na sede provisória do governo no começo da noite de terça-feira era o católico compassivo  que anda assombrando a tribuna do Senado com leituras de escritos do Papa. O encontro foi excluído da agenda oficial, como deve ocorrer com conversas entre bons companheiros.

Oficialmente, Lula só queria explicar a Collor, contrário à entrada da Venezuela no Mercosul, que Hugo Chávez é gente fina. Trataram exclusivamente das coisas do Congresso. O anfitrião, acusado pelo ex-presidente de tentar forçar o aborto da filha, cumprimentou o visitante que acusou de corrupto. Acharam positivo o balanço do primeiro dia da ofensiva tramada para socorrer José Sarney, que ambos chamaram mais de uma vez de ladrão. Ficou combinado que o ataque seria retomado por Renan Calheiros na quarta-feira e encerrado na sexta por Paulo Duque.

O presidente do Conselho de  Ética, nomeado pelo governador Sérgio Cabral, fez o serviço sujo com muita animação. Sepultou entre comentários debochados as denúncias restantes e deu o assunto por liquidado. Está longe do fim. Os sacerdotes da seita dos primitivos rezaram três missas negras em sete dias. Terão de celebrar muitas outras. Collor vai virar gente da casa. Se Lurian aparecer por lá em noite de visita, o pai pedirá que traga um prato de salgadinhos (e um balde de gelo) para o tio Fernando.

05/08/2009

às 23:11 \ Direto ao Ponto

As urnas acabam punindo quem ignora que há limites para o ultraje

Em 1970, o presidente Emilio Medici era ovacionado nos estádios por multidões sem queixas a fazer: a Seleção triunfara no México, não faltavam empregos, a censura escondia a face escura. Os que tinham razão imaginaram que aquilo duraria eternamente. Muitos ficaram longe das urnas,  muitos anularam o voto. O governo se apoderou de dois terços do Congresso.

Em 1974, a oposição conquistou 16 das 22 vagas em disputa no Senado. Vários vitoriosos se mostrariam bem piores que os derrotados, mas o recado foi dado: os brasileiros estavam insatisfeitos. Não votaram num candidato; votaram contra o governo. A direção dos ventos havia mudado. A História não aceita becos para sempre sem saída. Nenhum governante é popular todo o tempo. As urnas às vezes demoram para punir, mas punem. E nunca deixam de castigar quem esquece que há limites para tudo.

Foram longe demais os participantes da farsa encenada no Conselho de Ética para livrar José Sarney de punições. Só os suplentes não têm o que temer. São apenas vigaristas que ajudaram a financiar a campanha do titular. Mas quem olhar o candidato à reeleição Sérgio Cabral pode enxergar Paulo Duque. Quem recusar o cumprimento do candidato a governador Hélio Costa pode estar devolvendo os insultos despejados por Wellington Salgado.

Mais de um limite foi superado pelo espetáculo ultrajante. Boa parte da platéia ainda ignora que foi Lula quem o produziu.

05/08/2009

às 20:21 \ Direto ao Ponto

O patriarca em seu crepúsculo mostra a face repulsiva do Brasil

Foi patética a performance do patriarca em seu crepúsculo. Mãos trêmulas, voz claudicante, boca semicerrada pela insegurança, o senador José Sarney fez o que pôde para provar que não conhece gente conhecida, que não tem parentesco com parentes, que não fez o que fez. Como na primeira aparição depois da crise,  consumiu parte dos 50 minutos na tribuna lembrando atos de bravura imaginários e protagonizando façanhas alheias. Em seguida, caiu fora de ilegalidades que protagonizou. Nunca ouviu falar de atos secretos. Nem desconfiava do milagre da multiplicação dos diretores do Senado.

Eleito deputado há 54 anos, parecia um novato. Foi impiedoso com regras gramaticais, perdeu-se em falatórios erráticos sempre que saiu do script, tropeçou numa vogal a cada 15 consoantes, conseguiu até trocar o nome da filha. “Roseana Macieira”, confundiu-se ao atribuir a Roseana Sarney a nomeação de Maria do Carmo Macieira. Avesso a audácias, o donatário da capitania do Maranhão teria enveredado por uma trilha que seria perigosa ─ mentir configura quebra de decoro, punida com a perda do mandato ─ se o Conselho de Ética não estivesse reduzido a uma caricatura medonha.  Sarney confia na tropa de choque escalada para prolongar-lhe a agonia na presidência do Senado.

Alguns comparsas apareceram nos flashes da TV, que exibiu ao vivo o espetáculo do primitivismo. Fernando Collor endossando o discurso com movimentos verticais de cabeça, simulando a sobriedade que nunca teve. O sorriso cafajeste de Wellingon Salgado. A senilidade envilecida de Paulo Duque. Renan Calheiros com ar pensativo, planejando a próxima tramóia. Somadas, as imagens ofereceram a milhões de brasileiros a face cafajeste do Brasil. E é dessa gente que Sarney depende. E é esse o bando a que o PT se juntou “para garantir a governabilidade”. E é essa a turma que entra sem bater no gabinete de Lula.

Embora aposte na competência dos companheiros recrutados para o serviço sujo no Conselho de Ética, o orador desfechou no fim do discurso o que lhe pareceu um golpe de misericórdia. Revelou que um jornalista invadiu o escritório de um parceiro de negócios, capturou documentos particulares que estavam sobre a mesa e saiu em disparada. Para azar do vilão, tudo foi gravado. ”Aqui está a fita”, mostrou-a Sarney na mão direita. Mas seria magnânimo: para não prejudicar o gatuno (“que é uma figura humana”), resolveu engavetar a prova do crime. Só divulgará as imagens se alguém duvidar do que disse.

Não seja por isso: eu duvido, senador. Mostre a fita.

04/08/2009

às 19:48 \ Sanatório Geral

Reserva moral

“Na presidência do Conselho de Ética do Senado, vou tomar decisões de acordo com os meus princípios éticos”.

Paulo Duque, como se os tivesse.

03/08/2009

às 13:20 \ Sanatório Geral

O preço das circunstâncias

“Eu posso democraticamente arquivá-las, mas não sei o que vou fazer. Vai depender das circunstâncias”.

Paulo Duque, presidente do Conselho de Ética do Senado, revelando que não pode prometer desde já arquivar as denúncias contra José Sarney porque as circunstâncias ainda não chegaram à quantia que pediu.


 

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