Blogs e Colunistas

Palácio do Planalto

24/10/2014

às 14:10 \ Opinião

‘Tudo junto e desregrado’, de Dora Kramer

Publicado no Estadão desta sexta-feira

Na última segunda-feira a repórter Tânia Monteiro fez as contas: há exatos 31 dias a presidente Dilma Rousseff não pisava no Palácio do Planalto. Hoje faz 35 e há muito mais tempo que isso não se tem notícia de um ato dela que não seja como candidata à reeleição.

O mais grave é que não parece fazer falta. Ou pior: só vamos saber disso depois da eleição, quando o País voltar a funcionar – se é que voltará – ao ritmo normal. Quando, por exemplo, o governo liberar os números sobre economia, desempenho do ensino público, desmatamento e pobreza no País, cuja divulgação foi adiada para não afetar a votação da presidente, considerando indicações de que os resultados seriam negativos.

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11/08/2014

às 21:50 \ Sanatório Geral

Indignação seletiva

“Isso é absolutamente inadmissível por parte do Planalto, do governo federal ou de qualquer governo. Quero lembrar a vocês que o meu e-mail foi pirateado, abriram totalmente meu e-mail em 2010. Repudio totalmente esse tipo de ação, como fiz diante de todos os vazamentos. Neste caso específico, é algo que se alguém individualmente quiser fazer que o faça, mas não coloque o governo no meio”.

Dilma Rousseff, ao comentar o uso de computadores do Palácio do Planalto para alterar perfis de jornalistas na Wikipédia, deixando muito claro que acha inadmissível usar computadores do Planalto para a execução de crimes que coloquem em risco a candidatura à reeleição.

10/08/2014

às 21:13 \ Opinião

‘À margem da lei’, de Miriam Leitão

Publicado na coluna de Miriam Leitão

MIRIAM LEITÃO

No princípio, eu me assustei como cidadã. Era difícil acreditar que da Presidência da República foram postados ataques caluniosos a pessoas, porque na democracia o aparato do Estado não pode ser usado pelo governo para atingir seus supostos adversários. A propósito: não sou adversária do governo; sou jornalista e exerço meu ofício de forma independente.

Só no segundo momento é que pensei no fato de que os ataques eram contra mim e meu colega Carlos Alberto Sardenberg. Ninguém, evidentemente, tem que concordar com o que eu escrevo ou falo no rádio e na televisão. Há, em qualquer democracia, um debate público, e eu gosto de estar nele. Mas postaram mentiras, e isso pertence ao capítulo da calúnia e difamação.

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29/07/2014

às 2:46 \ Sanatório Geral

Botox eletrônico

“Padilha é um dos pré-candidatos petistas à disputa pelo governo de São Paulo, tendo transferido seu título eleitoral de Santarém para São Paulo em junho de 2013″.

Texto da Wikipédia sobre Alexandre Padilha, antes da alteração provocada por um computador misterioso localizado no Palácio do Planalto.

“Com o sucesso do Mais Médicos, Padilha se torna um dos pré-candidatos petistas à disputa pelo governo de São Paulo”.

Texto da Wikipédia sobre Alexandre Padilha, depois da alteração provocada por um computador misterioso localizado no Palácio do Planalto.

26/06/2014

às 15:13 \ Opinião

‘Aparências, nada mais’, de Dora Kramer

Publicado no Estadão desta quinta-feira

DORA KRAMER

Na condição de secretário-geral da Presidência da República, interlocutor do governo junto aos movimentos sociais e braço avançado de Lula no Palácio do Planalto, Gilberto Carvalho não seria quem é nem estaria onde está se andasse ou falasse em completa desconexão com os mandamentos do “projeto”.

Quando pareceu divergir do tom ufanista do PT estava dourando a pílula, contornando na superfície um discurso que no conteúdo reforça o lema central de ataque escolhido pelo partido para essas eleições. Senão, vejamos.

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23/06/2014

às 11:36 \ Opinião

‘Tudo culpa da mídia’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão deste domingo

O PT não desiste: é tudo culpa da mídia. Depois de Lula ter proclamado aos quatro ventos que o lamentável episódio das ofensas dirigidas a Dilma Rousseff no jogo de abertura da Copa do Mundo foi obra da “zelite”, seu homem de confiança no Palácio do Planalto, o ministro Gilberto Carvalho, manifestou opinião diversa, mas não necessariamente divergente, que na verdade “aprimora” o argumento petista: a culpa é da “pancadaria diária” dos meios de comunicação no lombo do PT e de seu governo.

Ajudam a entender as intenções do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência as circunstâncias em que ele se manifestou. Circunstâncias que, de resto, demonstram claramente o que o PT entende por “democratização da mídia”: uma reunião, no Palácio do Planalto – patrocinada, portanto, com recursos de todos os brasileiros -, com blogueiros e ativistas militantes ou simpáticos ao lulopetismo, convocados para tratar da necessidade de se articularem e unificarem o discurso contra a “direita militante que não havia antes”, para fazer “o debate da mídia para valer” (não ficou claro se o “para valer” se referia ao debate ou à mídia).

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27/05/2014

às 17:27 \ Vídeos: Entrevista

O Roda Viva com Eduardo Campos

O entrevistado do Roda Viva desta segunda-feira foi Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco e pré-candidato do PSB à Presidência da República. O programa foi o primeiro da série com os principais concorrentes ao Palácio do Planalto. No dia 2 de junho, estará no centro da roda o senador Aécio Neves, do PSDB.

A bancada de entrevistadores foi formada por Dora Kramer (colunista do Estadão), Maria Cristina Fernandes (editora de Política do Valor Econômico), Sérgio Dávila (editor-executivo da Folha de S. Paulo), Luiz Antônio Novaes (chefe da sucursal do Globo em São Paulo) e Felipe Patury (colunista da revista Época).

Veja também:

O Roda Viva com Aécio Neves

O Roda Viva com Alexandre Padilha

22/03/2014

às 16:21 \ Opinião

‘Autoinsuficiência’, de Dora Kramer

Publicado no Estadão desta sexta-feira

Não há mistério nem mérito na confissão da presidente Dilma Rousseff de que aprovou sem ler os termos do contrato de compra da refinaria de Pasadena, no Texas, quando era ministra da Casa Civil e presidia o Conselho de Administração da Petrobrás.

Ela simplesmente quis tirar o corpo fora de um negócio altamente suspeito, investigado pelo Ministério Público, Tribunal de Contas e Polícia Federal devido aos prejuízos causados à estatal, que pagou US$ 1,18 bilhão por uma refinaria negociada a US$ 42 milhões sete anos antes.

Pela singeleza da nota oficial divulgada pela assessoria de comunicação do Palácio do Planalto, transferindo sem mais nem menos a responsabilidade a um resumo “incompleto” da diretoria internacional da Petrobrás, a presidente da República acreditou-se na posse dos mesmos poderes do antecessor a quem todos se dobravam calados e reverentes.

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19/12/2013

às 17:59 \ Direto ao Ponto

O vídeo com as três lições de Dilma: a porta de saída é uma porta de entrada, pintar a unha acelera a inclusão social e a crise é um W com uma perna mais profunda

ATUALIZADO ÀS 17H59

Nesta quarta-feira, os jornalistas que dão plantão no Palácio do Planalto ganharam de Dilma Rousseff um café da manhã e uma entrevista coletiva. Durante mais de uma hora e meia, a presidente despejou sucessivas provas de que o Brasil é governado por alguém capaz de não dizer coisa com coisa sobre tudo. Seguem-se três dos melhores-piores momentos do falatório. Como parece mentira, quem duvidar pode conferir o vídeo, que reúne a trinca de declarações amalucadas, ou consultar a transcrição da conversa no Blog do Planalto. Breves observações do colunista aparecem entre parênteses:

NEURÔNIO LETRADO
“Então, do meu ponto de vista acho que 2013 foi o momento em que a chamada crise, que muitos… muitos economistas internacionais discutiam se era em U, se era em V, se era em W, né? Ela é, eu acho, que num W mais profundo para esse momento, se você olhar do ponto de vista da economia internacional como um todo. De alguma economia pode até dizer: olha, foi pior no primeiro momento, lá em 2009. Eu acho que foi pior quando se aprofunda a crise da Europa que se combina com a crise americana, e além disso, com uma redefinição da economia chinesa. E isso indica uma perna para baixo do W mais profunda”.

(Primeiro, Dilma esclarece que 2013 não foi um ano, mas o momento em que a “chamada crise” decidiu virar letra. Depois, avisa que estudou suficientemente o tema para garantir que a crise não é um U nem um V. É um W, só que diferente. Os interessados em conhecer a letra com cara nova precisam olhar ao mesmo tempo a confusão europeia, a crise americana e a economia chinesa. Quem faz isso enxerga nitidamente um W com uma perna para baixo e mais profunda. A doutora em nada não contou se a perna é a esquerda ou a direita).

NEURÔNIO EDUCATIVO
“A questão da educação é uma questão fortíssima no Brasil. Acho que ela é, o Brasil hoje é um país, do meu ponto de vista, que tem na educação o seu grande caminho, porque, através da educação eu estabilizo a saída da miséria e a ida pra classe média. Só através da educação que nós vamos estabilizar, e educação de qualidade, senão você não estabiliza, ou então a pessoa fica lá. Então, discutiam muito porta de sauída (sic). A grande porta de saída é uma porta de entrada: é a educação”.

(Segundo Dilma, a estrada que leva da miséria para a classe média, ou vice-versa, passa por uma porta que abre, fecha, ameaça cair ou esbanja estabilidade conforme os humores do sistema educacional. O Celso Arnaldo talvez saiba que lugar é esse onde “a pessoa fica lá”. Mas mesmo o nosso grande especialista em dilmês terá dificuldades para resolver a complexa charada exposta pelo neurônio solitário: se a porta de saída é uma porta de entrada, como alguém vai saber se entrou ou saiu?)

NEURÔNIO INCLUSIVO
“Nesse Pronatec do Brasil Sem Miséria nós já formamos 850 mil pessoas. E formar 850 mil pessoas é dar a eles condição de ter uma profissão. Você forma de ajudante para tratamento de idoso até a quantidade imensa de cabeleireira que tem nesse país, né meninas? Vocês sabem que nós somos um dos países com maior consumo na área de indústrias da beleza. E, não… e prolifera essa questão. É uma… é uma… Faz parte da inserção, eu acho, da mulher no mercado de trabalho. Não sei se vocês viram essa mulher formada no Pronatec, era engraçadíssima, a unha era desse tamanho assim, pintada assim, toda bonita pintada, e ela era torneira mecânica. Estava formando em torneira mecânica. Mulher vai para torneira mecânica de unha pintada. Acho que esse é um processo inclusivo”.

(“Estava formando em torneira-mecânica” tem jeito de enigma a ser desvendado por Celso Arnaldo, mas é só um besteirol à procura do “se” que sumiu. Também não deve perder tempo tentando descobrir o que significa “E prolifera essa questão”. É só outro desfile de vogais e consoantes sem começo, sem meio e sem fim. Mora na última frase o espesso mistério a decifrar: como é que se faz para transformar em “processo de inclusã”o uma unha pintada? E qual é a cor ideal para a unha de quem caça algum emprego que lhe permita trabalhar menos e ganhar mais?)

Não é fácil entender como alguém assim ganha uma eleição presidencial. Mais difícil ainda é entender como é que se consegue ser derrotado numa eleição por alguém assim.

09/07/2013

às 11:41 \ Feira Livre

‘Freio de arrumação’, de Dora Kramer

Publicado no Estadão desta terça-feira

DORA KRAMER

Há um mês, desde que saíram as primeiras pesquisas de opinião registrando queda na avaliação positiva da presidente Dilma Rousseff – inicialmente de sete e, em seguida aos protestos, de 27 pontos porcentuais – o governo vive sob o efeito de um choque de realidade ao qual ainda não se adaptou.

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