Blogs e Colunistas

Orlando Silva

09/11/2011

às 14:37 \ Feira Livre

‘A garantia sumiu’, um artigo de J. R. Guzzo

TEXTO PUBLICADO NA REVISTA VEJA DESTA SEMANA

J. R. Guzzo

Eles, os ministros demitidos nestes dez últimos meses, vão embora, provavelmente rumo a um merecido esquecimento. O que fica nos lugares que desocuparam? Ou melhor: o que muda?  Agora já são seis; mais um pouco e já se poderia formar uma Associação dos Ex-Ministros do Governo Dilma Rousseff. Parece, em todo caso, que a quantidade de gente posta na rua até agora é suficiente para pensar em alterações no bioma onde vivem as nossas mais notáveis autoridades. O mais provável é que só com a passagem do tempo, muita pesquisa e trabalho sério será possível descobrir, no futuro, se toda essa mudança na fauna, vegetação e clima do mundo oficial deixou as coisas mais ou menos na mesma, ou se o país ganhou. Por exemplo: a demissão do ministro dos Transportes vai resultar em mais estradas? A demissão do ministro da Agricultura vai melhorar a agricultura? Haverá mais turistas? O cidadão comum praticará mais esporte? É muito positivo, sem dúvida, que a presidente Dilma Rousseff tenha mostrado que denúncias de corrupção podem causar perda de emprego para os envolvidos. Mas os governos existem, no fim das contas, para tornar a vida das pessoas mais cômoda. Se não fizerem isso, para que poderiam servir?

Desde já, provavelmente, dá para dizer uma coisa: pior do que estava não fica. Parece pouco, mas não é; a experiência brasileira mostra que sempre pode ficar pior. No caso, a impressão é que não ficou. Os substitutos, pelo menos até agora, não chamaram a atenção de ninguém por saírem da linha ou por provocarem uma nova bateria de acusações. Também é bom sinal que os infames contratos com entidades dedicadas à vigarice, atualmente uma das práticas mais populares para colocar dinheiro público em bolsos particulares, tenham sido suspensos temporariamente. Se houver aí um esforço verdadeiro para separar o joio do trigo, o Erário vai sair ganhando – naturalmente, desde que se guarde o trigo e não o joio, como tantas vezes acontece. O horizonte, ao mesmo tempo, parece menos carregado. Quando veio a primeira demissão, dava para perceber que muita água ainda ia rolar debaixo da ponte; os ministérios cinco-estrelas em matéria de corrupção, inépcia e desordem ainda não tinham sido tocados. Parece, agora, que as barras mais pesadas já foram atingidas; a esta altura ainda não se tem certeza de nada, claro, mas não há dúvida de que houve progressos, mesmo porque ninguém mais pode achar que está garantido no cargo. O ministro do Esporte, por exemplo, dizia pouco antes de ser demitido que era “indestrutível”.  Talvez fosse, mas o seu emprego de ministro com certeza não era.

É interessante notar, nesta caminhada, uma outra particularidade: num país onde não existe oposição de verdade, e onde os institutos de opinião garantem que a presidente da República tem índices descomunais de popularidade, não haveria necessidade de demitir ministro nenhum. Para quê? Os acusados poderiam perfeitamente continuar em seus lugares. Mas não é o que está acontecendo. Depois de seis demissões seguidas, é visível que o Palácio do Planalto está preocupado com a opinião pública, e se sente na obrigação de dar satisfações a ela – não parece inclinado a conviver com o “malfeito”, como diz a presidente Dilma. Ou seja: ministros e outros mandarins da esfera superior do governo precisam tomar cuidado. Eles não têm como esconder, por exemplo, contratos ou pagamentos feitos nas suas áreas – e, mais do que tudo, não têm controle sobre o que sai na imprensa a respeito desses assuntos, ou quaisquer outros. É um problema e tanto. O que sai na imprensa, hoje, pode ter consequência direta, rápida e desastrosa para o doutor que circula em carro oficial e anda de elevador privativo. Não adianta ele dizer, quando seu nome aparece no noticiário de teor criminal, que “ninguém lê nada” ou que está havendo “uma campanha de difamação” contra o seu nome. Essa conversa continua, inclusive em volta da Presidência, mas é da boca para fora. Na vida real, todos sabem muito bem que a publicação de uma denúncia pesada, hoje em dia, pode ser o fim da linha. Também não adianta ter a TV Brasil, comprar blogs e manter veículos chapa-branca; essas coisas servem para elogiar, mas não seguram ninguém no emprego.

Quantos quilômetros a mais de estrada, e outros benefícios, vamos ter por conta da limpeza ora em curso? Como dito acima, vai se saber mais tarde. Sem o empenho de manter a casa limpa, porém, nada mudará para melhor.

08/11/2011

às 20:34 \ Sanatório Geral

Um ministro depois do outro

“Estou firme como uma rocha.”

Wagner Rossi, em agosto, ainda ministro da Agricultura, garantindo que continuaria no emprego que perdeu dez dias depois.

“Me sinto indestrutível.”

Orlando Silva, em outubro, ainda ministro do Esporte, garantindo que continuaria no emprego que perdeu quatro dias depois.

“Sou osso duro de roer.”

Carlos Lupi, nesta segunda-feira, ainda ministro do Trabalho, começando a despedir-se do emprego.

08/11/2011

às 19:28 \ Direto ao Ponto

Agnelo: um corrupto com nome de cordeiro

Celso Arnaldo Araújo

Denunciados por flagrantes delitos, através de um rosário de testemunhos sólidos, evidências robustas e rastros pegajosos, autoridades do primeiro escalão costumam encher o peito para soltar o berro falsamente indignado e carregado de perdigotos que, pelo volume, ganham a densidade da baba bovina e elástica dos boçais de Nelson Rodrigues:

─ E as provas? Onde estão as provas?

Os ladravazes de dinheiro público, dinheiro nosso, clamam pelo implausível. A roubalheira deixa um rastilho de imundícies, patifarias, malandragens, subtrações – mas, com exceções que podem ser imputadas à distração dos perpetradores, não produz notas promissórias assinadas e registradas em cartório, confissões de própria voz ou imagens que teriam sua autenticidade atestada pelo sempre disponível perito Ricardo Molina.

Bem, isso até hoje. A Folha acaba de atender ao apelo dos larápios. Revela, com documentos oficiais, uma transferência de 5.000 reais da conta de um lobista de indústria farmacêutica para a conta de Agnelo Queiroz, em 2008, quando o atual governador de Brasilia (ex-PCdoB e hoje PT) era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a versão brasileira da FDA norte-americana.

Sim, Agnelo, que logo em seguida iria bater um bolão no Ministério do Esporte, preparando o campo para Orlando Silva, também foi colocado um dia para tomar conta de remédios – nenhum deles, por sinal, eficaz contra o vírus Corruptus brasiliae.

Não há território da administração pública que seja inóspito a um petista – ainda mais com o DNA do PCdoB. Eles se adaptam a todos os ambientes e esquemas, neutralizando sistemas de vigilância sanitária e financeira. Gente como Agnelo é capaz de tirar proveito até como gerente dos restaurantes Bom Prato, onde um PF custa 1 real. Imagine-se seu raio de ação, agora, como governador do DF.

Mas o Agnelo que nos interessa agora é o vigilante diretor da Vigilância, guardião da saúde dos brasileiros. A descarga de cinco mil reais se deu, por curiosíssima coincidência, horas antes de a indústria representada pelo lobista, a União Química, receber uma certidão de “nihil obstat” da Anvisa. Sem ela, estaria impedida de participar de licitações para fornecimento de medicamentos à rede pública e até de registrar novos medicamentos.

A liberação foi automática, como as transferências eletrônicas: caiu o dinheiro, saiu o certificado. A liberação dependia exclusivamente de Agnelo. E aqui nem cabe discutir se a decisão foi baseada em critérios técnicos.

Mas, espere. Uma merreca dessas remunera uma decisão que influi diretamente no futuro de uma grande empresa? Agnelo é barateiro ou é barato? Na verdade, como confirmou a VEJA Daniel Almeida Tavares, o lobista, os cinco mil eram apenas uma parcela do acerto de cinquentinha feito com Agnelo. Isto é: o subornador não nega o suborno. E o subornado?

Coloque-se no lugar de Agnelo Queiroz, pintando e bordando como governador da capital do país, mas envolvido até a glote nas escandalosas tabelinhas do Ministério do Esporte. Você está sendo ameaçado de impeachment como governador e, de repente, surge não apenas uma prova, mas um atestado de corrupção de seu caráter chancelado pelo Banco Central. Os cinco mil não foram para a conta de laranjas – mas do espremedor em pessoa, com seu nome de batismo e de inscrição no TER, sem nenhuma reserva, nenhum receio. Como contestar a mulher nua encontrada languidamente em sua cama? É preciso tentar alguma saída.

Não sei quanto tempo teve Agnelo entre a revelação cabal do malfeito e a providência de uma explicação. Se foram minutos ou horas, se foi improvisada ou estudada, foi a pior possível: uma emenda mais canalha que o soneto da corrupção. Um ladrão comum não ousaria uma desculpa desse teor.

Diz a Folha:

“O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), admitiu ontem que recebeu em sua conta pessoal R$ 5.000 de um lobista quando trabalhava como diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em 2008 (…) Em nota divulgada ontem, Agnelo voltou a rejeitar a versão do lobista de que recebeu dinheiro de propina e disse que os R$ 5.000 representavam o pagamento de um empréstimo que ele havia feito para Tavares. O governador admitiu à Folha que o empréstimo foi feito informalmente, sem documento ou contrato que comprove a transação. E disse que emprestou o dinheiro ao lobista em espécie, portanto não teria como comprovar sua versão”. E ele, valente, batendo no peito com a mesma empáfia dos ministros na véspera da queda:

“É mais uma tentativa desesperada da oposição de construir algo que relacione o governador a qualquer irregularidade (…) (o depósito) foi a devolução de quantia concedida em empréstimo à referida pessoa. Associar esse depósito a origem irregular é tentativa criminosa de acusação vazia”.

A desculpa de Agnelo não vale um fio de sua barba. Além da ladroagem desenfreada, essa gente não tem limites em seu cinismo sórdido. Ele acha que alguém, fora os asseclas da base aliada, comprará a história de que um dia levou cinco mil reais, em dinheiro vivo, para socorrer um lobista em apuros que mal conhecia – e justamente quem representava uma causa milionária que dependia de decisão de governo, no caso dele, para uma solução que seria efetivamente dada. Por essa versão, os cinco mil que apareceram em sua conta apenas retornaram ao local onde já pertenciam antes do empréstimo.

Ou seja: havia, sim, uma mulher nua em sua cama. Mas já era sua e nua antes de chegar à cama.

Agnelo Queiroz tem tudo para ser o novo ídolo dos milicianos.

07/11/2011

às 22:39 \ Direto ao Ponto

No faroeste brasileiro, o bandido brinca de xerife antes de fingir que foi morto e depois gasta sem sustos o dinheiro que tungou

“Sou osso duro de roer”, gabou-se Carlos Lupi nesta segunda-feira. (Orlando Silva se sentia “indestrutível” quando o velório já ia chegando ao fim). “Eu quero ver até onde vai essa onda de denuncismo”, foi em frente o ministro do Trabalho. Vai acompanhá-lo até a hora do enterro em cova rasa, logo saberá. (“Vou mostrar que todas essas denúncias são falsas”, prometeu o ministro do Esporte quando o tsunami de provas contundentes ainda lhe parecia uma marolinha. Não conseguiu desmentir nenhuma).

“Alguns nascem para se acovardar, outros para lutar”, declamou Lupi. “É o meu caso. Topo a luta. Vou até o fim”. É a Teoria do Casco Duro. Inventada por Lula, recomenda ao companheiro delinquente que resista entrincheirado no gabinete aos que tentam confiscar-lhe o empregão e a senha do cofre. A queda inevitável de Carlos Lupi repete o nauseante roteiro que orienta a cerimônia do adeus de ministros bandalhos.

Há menos de um mês, solidário com o camarada Orlando Silva, o PCdoB enxergou uma insidiosa conspiração contrarrevolucionária na descoberta de que o Ministério do Esporte se transformou na casa da moeda do partido. Solidário com o comparsa infiltrado no primeiro escalão, o deputado Paulinho da Força promete agora mobilizar as centrais sindicais que seu bando controla para a feroz resistência a inimigos de alta periculosidade.

Além da Força Sindical, quatro siglas descobriram que Carlos Lupi “está sendo vítima, assim como o movimento sindical, de uma sórdida e explícita campanha difamatória e de uma implacável perseguição política, que visa a desestabilização do governo e o linchamento público do titular da pasta.”  Essa conversa de gatuno pilhado em flagrante já passou da conta, como passaram da conta todos os outros capítulos, tão previsíveis quanto repulsivos, do espetáculo do cinismo reencenado pela sexta vez em cinco meses. O país decente já não suporta a lengalenga dos canastrões desprovidos de vergonha.

De novo, Dilma Rousseff invocou a presunção de inocência. De novo, Gilberto Carvalho avisou que, “por enquanto”, não surgiu nenhum fato que incrimine diretamente o chefe do bando. De novo, a Comissão de Ética da Presidência abriu uma sindicância para nada apurar. De novo, o governo tenta ganhar tempo. Quando a tempestade se intensificar, será costurado o acerto malandro com o partido premiado com o Ministério do Trabalho: o PDT aceita a saída de Lupi e indica o substituto. Muda-se o ministro para que tudo continue como está.

Qualquer detetetive americano que tropeçar num Carlos Lupi não resistirá à tentação de repetir o ritual celebrizado pela TV. Depois de algemado pelas costas, o ministro saberá que tem o direito de chamar um advogado e de ficar em silêncio, porque tudo o que disser será usado contra ele no tribunal. Nem será necessário especificar o motivo da prisão. Lupi sabe que merece. Aperfeiçoado pelo governo Lula-Dilma, o faroeste brasileiro é diferente. Só aqui o bandido é autorizado a posar de mocinho e brincar de xerife antes de fingir que morreu. Depois, gasta em sossego o dinheiro que tungou.

07/11/2011

às 19:29 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo: ‘Depois de dez meses desastrosos, continua a farsa da supergerente Dilma Rousseff’

Ilustrados pela foto do auditório deserto, quatro trechos pinçados por Celso Arnaldo Araújo foram suficientes para escancarar de novo, sempre com apavorante nitidez, a superlativa mediocridade de Dilma Rousseff. Mas o jornalismo oficialista é duro na queda: colunistas de grandes jornais continuam enxergando na chefia do governo a supergerente que nunca existiu. Justificadamente espantado com o que a turma andou escrevendo sobre a presidente que não diz coisa com coisa, Celso Arnaldo valeu-se de outro texto irretocável para tratar da epidemia de cegueira voluntária. (AN)

As dezenas de profissionais que integram a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República são pagos para defender a chefe. E não há melhor forma de defesa do que a mistificação — arte de mentir sem faltar com a verdade, que no caso é uma questão de crença pessoal. Por isso, não questiono jamais o tom e o teor das matérias do Blog do Planalto, que faz um trabalho parecido com o website oficial da monarquia britânica. Nós pagamos para essa gente defender a rainha. É a regra do jogo.

Mas a coisa muda de figura quando a tarefa de mistificar o perfil de Dilma se estende à nata de nosso jornalismo político – que, depois de dez desastrosos meses de governo, continua comprando, e vendendo aos leitores, a velha farsa de Dilma como a supergerente que comandou a escalada do Brasil das cavernas para o Primeiro Mundo, no governo Lula.

Na página A11 da Folha deste domingo, o sempre comedido Fernando Rodrigues ainda insiste no surrado mito, desmontado a cada razia da mídia no ministério da presidente, da chairwoman perfeccionista, onipresente e onisciente, perto de quem Steve Jobs se pareceria com o dono de uma falida oficina de máquinas de escrever.

Escreve FR, a pretexto de justificar o ritmo lento, quase parado, com que o governo toma decisões e implementa programas fartamente anunciados pela máquina de propaganda: “Não há hipótese de a presidente receber algum interlocutor para tratar de alguma obra ou projeto governamental sem estar devidamente brifada a respeito (…) Dilma raramente vai se contentar com primeiras explicações. Fará perguntas adicionais e o encarregado terá de voltar aos estudos”.

Que lindo. A presidente não se contenta com primeiras explicações, mas achou o programa Segundo Tempo mais perfeito que uma jogada de Neymar – aquele que “eu vi, deixei de ver, voltei a ver”. Quem a brifou? Na certa, Orlando, depois de estudar muito o modus operandi dos ongueiros amigos.

Não fosse VEJA, o encarregado Orlando e sua quadrilha de malandros que roubam por esporte estariam ainda na zona do agrião, livres de marcação para estufar o cofre. Quantos níveis de explicações – segundas, terceiras, quartas? – Dilma exigiu para compreender a tática “ladrão de bola” do Segundo Tempo?

Não é só. Ao lado da “análise” de FR na Folha há outro texto, assinado por Natuza Nery, que traz o seguinte olho: “Dilma criou ritual de ‘espancamento’ de projetos, em que faz questionamentos para ver se a ideia fica de pé”.

Quem, em sã consciência, de posse de suas faculdades mentais e decentes, realmente acredita nessa imagem tão pífia? Essa postura “épica-ética” de governar combina com os 10 meses da Presidência Dilma? Não fosse a imprensa, a roubalheira dos projetos de ministérios até aqui implodidos ainda estaria de pé, apesar de cruelmente “espancados” por Dilma.

A mistificação se ramifica por todos os segmentos da mídia. No circuito Elizabeth Arden, a revista Poder dedica sua capa a Dilma. Mas a presidente manchetada na capa se parece com a que tomou posse em janeiro, não com a que vaza um ministro por corrupção a cada mês e meio:

SENHORA DO DESTINO – Rigorosa com subordinados e aliados, elogiada até pela oposição, como a presidente Dilma vem mudando o jeito de governar o país.

Qual é, exatamente, o novo jeito de governar dessa mocinha da novela das 9? O jeito de entregar ministérios com porteira fechada a larápios da base aliada? O jeito de levar a sério a promessa de construir 6 mil creches em quatro anos de governo? Madame, by the way, já inaugurou alguma, nesses 10 meses? No corpo da matéria de oito páginas, a revista explica esse jeito novo de governar o país, reproduzindo fielmente o delírio de um assessor direto:

“A presidente só faz perguntas difíceis. Na hora de despachar, é melhor estar preparadíssimo para respondê-la, caso contrário, é bronca na certa”.

Notaram? É preciso estar preparado para “respondê-la” — bem ao estilo Dilma. Um assessor com algum nível deveria estar preparado para responder ou responder a ela. Na verdade, a presidente só faz perguntas difíceis porque não sabe fazê-las fáceis. Quando se leu ou se ouviu em algum lugar uma pergunta ou uma resposta de Dilma que fosse fácil de fazer sentido?

É o caso de dizer: roubem à vontade – mas nos poupem.

06/11/2011

às 23:15 \ Sanatório Geral

Isto é Aldo Rebelo

“Tenho plena confiança na honestidade do ministro Orlando. É um rapaz de bem, de boa origem, como militante do movimento estudantil. Agora, na vida pública, somos muitas vezes tragados pelos acidentes e incidentes. Temos de enfrentar”.

Aldo Rebelo, ministro do Esporte e comunista juramentado, na ao Estadão deste domingo, entrando espetacularmente na luta pela liderança do Campeonato Mundial de Cinismo.

04/11/2011

às 21:43 \ Direto ao Ponto

O sexto andor da procissão dos despejados

Neste sábado, pela sexta vez em dez meses, a presidente Dilma Rousseff será confrontada com evidências contundentes da presença de outro prontuário de bom tamanho no primeiro escalão. E terá de escolher: ou se livra imediatamente da abjeção ou cede à tentação de varrê-la para baixo do tapete ─ o que só servirá para retardar por alguns dias a despedida inevitável do morto-vivo.

Os amigos da coluna estão com a sensação de que já leram esse texto? Leram mesmo, com duas mudanças: “quinta” no lugar de sexta e “nove meses e meio” em vez de dez meses. Assim começava o primeiro dos dois parágrafos que comunicaram, em 14 de outubro, a iminente agonia do ministro do Esporte. O segundo parágrafo só requer a incorporação de Orlando Silva para ser repetido sem retoques:

Depois de Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novais e Orlando Silva, sempre por envolvimento em bandalheiras, o ministério do Brasil Maravilha vai perder mais um. O país que presta vai ganhar mais uma.

Para o poeta T. S. Eliot, abril é o mais cruel dos meses. No Brasil, sábado costuma ser o pior dos dias para quem tem culpa no cartório. Vem aí o sexto andor da procissão dos despejados por corrupção. Carrega outro ultraje que Lula pescou no pântano e Dilma Rousseff manteve no emprego enquanto pôde. Logo saberá que não pode mais.

04/11/2011

às 9:11 \ Sanatório Geral

Revelação do ano

“Tenho que procurar emprego para viver. Eu vou mandar uns currículos para empresas para ver se consigo uma atividade produtiva.”

Orlando Silva, ex-ministro do Esporte, um dos craques mais promissores da geração revelada pelo especialista Lula, caprichando na pose de humilde para explicar que, apesar de sondado pela máfia italiana e pela máfia russa, prefere ganhar experiências em equipes brasileiras, como o PCC ou o Comando Vermelho, antes de fazer carreira no exterior.

03/11/2011

às 3:38 \ Sanatório Geral

Tremendo legado

“Esse é o meu time que quero dar para você.”

Orlando Silva, doando formalmente ao sucessor Aldo Rebelo a equipe de craques que fez aquilo com o programa Segundo Tempo.

02/11/2011

às 22:35 \ Direto ao Ponto

A festa dos vigaristas camaradas

Agora que Dilma Rousseff já renovou o contrato de arrendamento do Ministério do Esporte ao PCdoB, entregou a chave do cofre a Aldo Rebelo, decidiu que “Orlando Silva fez um excepcional trabalho, foi incansável para a preparação do Brasil para os grandes eventos esportivos que sediaremos” e infiltrou na discurseira uma ameaçadora metáfora futebolística: “Hoje colocamos a bola no chão, reiniciamos o jogo e vamos para o ataque”;

Agora que o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, já aproveitou a troca da guarda do cofre para promover uma festinha íntima dos comunistas do Brasil, aquecida pela descoberta de que “o partido sai engrandecido desses últimos acontecimentos”;

Agora que Orlando Silva já jurou incontáveis vezes que é inocente e vai vingar-se dos misteriosos carrascos, sempre caprichando na voz embargada e na lágrima furtiva que engrossava a cada buquê de flores entregue à companheira;

Agora que Aldo Rebelo, olhos nos olhos do antecessor, já resumiu numa frase besuntada de açúcar e de afeto (“Mais do que inocente, o senhor é vítima”) a beleza da camaradagem delinquente;

Agora que acabaram as comemorações da turma que tungou até o dinheiro das crianças, enfim, está mais que na hora de o Tribunal de Contas da União, a polícia, o Ministério Público e o Judiciário tratarem de entrar em campo para completar o serviço que a imprensa começou e o governo pretende encerrar com a mudança que deixa tudo como está. Demissão é ato administrativo. Não é o fim, mas a primeira etapa da história. Chegou o momento da aplicação dos códigos legais. Só cadeia não basta. O país decente exige também a devolução do dinheiro roubado.


 

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