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obras

23/05/2012

às 17:29 \ Sanatório Geral

Olho no pontapé

“Não trabalhamos com o conceito e a ideia do atraso. Temos um olho no estágio atual das obras e outro olho na conclusão das obras. Acreditamos que as obras estarão prontas antes do prazo de entrega”.

Aldo Rebelo, ministro do Esporte, sobre o balanço divulgado pelo governo que revela que 41% das obras da Copa nem sequer saíram do papel, com cara de quem tem um terceiro olho na reprise iminente do pontapé no traseiro.

18/04/2012

às 2:11 \ Sanatório Geral

Tudo em ordem

“As obras dos estádios estão dentro do cronograma. Há um pequeno atraso, estatisticamente desprezível”.

Aldo Rebelo, ministro do Esporte, em entrevista ao Estadão, sobre a situação dos estádios incluídos no roteiro da Copa de 2014, ensinando que, se não estiver cumprindo os prazos combinados, as obras do Beira-Rio, que nem começaram, merecem o desprezo estatístico de todos os torcedores, principalmente os gremistas.

11/04/2012

às 23:22 \ Sanatório Geral

Comunista religioso

“O Brasil já fez coisas muito mais difíceis. Vamos agora nos atrapalhar com a Copa do Mundo? Não, pelo amor de Deus”.

Aldo Rebelo, ministro do Esporte e figurão do PCdoB, durante audiência na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, confirmando que as coisas estão tão complicadas que, embora comunista, passou a acreditar que Deus não só existe como é brasileiro e faz questão de ver seu país natal fazer bonito na Copa de 2014.

10/02/2012

às 22:00 \ Sanatório Geral

Trem fantasma

“O objetivo é concluir essa obra até o final de 2014″.

Dilma Rousseff, em visita a canteiros de obras desertos da ferrovia Transnordestina, explicando que o bom e paciente povo da região terá de esperar pelo menos mais dois anos pela passagem dos trens que, no Brasil Maravilha que Lula registrou em cartório, já apitam na curva desde dezembro de 2010.

09/02/2012

às 17:25 \ Direto ao Ponto

Os milagreiros fanfarrões do São Francisco

Leia o post de 17 de outubro de 2009 reproduzido na seção Vale Reprise. Reveja na seção História em Imagens o texto e o vídeo publicados pela coluna em 28 de abril deste ano.  Confira o noticiário sobre a visita de Dilma Rousseff a outra concentração de iludidos às margens do Rio São Francisco. E tente entender por que nenhum jornal resumiu a ópera dos malandros numa manchete de três palavras: A TAPEAÇÃO CONTINUA.

Em dezembro de 2010, depois de incontáveis adiamentos, Lula garantiu que as obras só não ficariam prontas em 2012 se ocorresse a  segunda edição do dilúvio. A chuvarada bíblica que não veio decerto teria produzido menos estragos que a ação conjunta de governantes ineptos, empreiteiros insaciáveis e outros parceiros corruptos. Na imagem de Nelson Rodrigues, os canteiros abandonados têm a aridez de três desertos.

Nesta quarta-feira, Dilma anunciou que a inauguração prometida para este ano terá de esperar mais dois. Em 2014, pedirá mais paciência aos brasileiros e empurrará para o fim da década, ou do século, o colossal embuste que vem devorando  bilhões de reais desde 2003. O cinismo dos pais-da-pátria só não é maior que a estupidez das plateias que continuam aplaudindo promessas que não descerão do palanque.  Os brasileiros idiotizados e os milagreiros fanfarrões do São Francisco nasceram uns para os outros.

30/07/2011

às 18:20 \ Sanatório Geral

O preço do sucesso

“O PAC vive um overbooking de obras no país. As empresas acabam escolhendo as obras que querem executar, largando uma e fazendo outras. Isso é o preço do sucesso”.

Miriam Belchior, ministra do Planejamento e coordenadora do PAC, explicando que o programa está parado porque os empreiteiros e consultores resolveram que só vão continuar tocando só obras com superfaturamento acima de 100% e mais de 200 aditivos superfaturado.

25/07/2011

às 15:41 \ Feira Livre

É, sim, o dinheiro do povo

ARTIGO PUBLICADO NO GLOBO DESTA QUINTA-FEIRA

Ao lado do governador Geraldo Alckmin, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, descumpre promessa e assina lei de incentivo fiscal para o estádio do Corinthians, clube presidido por Andrés Sanchez

Carlos Alberto Sardenberg

Copa do Mundo sai muito caro para o país organizador. A maior parte do dinheiro sai do governo, ou seja, do bolso do contribuinte. Por isso mesmo, a decisão de pleitear a sede da Copa é política e vai além dos órgãos esportivos.

Que vai muito dinheiro público para a Copa de 2014 no Brasil — estamos verificando a cada dia. Também constatamos que foi praticamente inexistente o debate sobre a disposição de realizar (ou não) os jogos. O então presidente Lula carregou a candidatura brasileira como um esforço e, depois, uma conquista pessoal, sem enfrentar resistências. Quem podia ser contra a chance de recuperar o título numa final no Maracanã? Logo, hoje, não se pode reclamar dos custos cada vez mais elevados, não é mesmo? Verdade que algumas autoridades haviam garantido que não haveria doação de dinheiro público para os estádios da Copa. Mas essa tese não resistiria a dois minutos de conversa. Havia o precedente do Pan e, além do mais, autoridades sempre recorrem a um sofisma. Dizem que conceder financiamentos, empréstimos especiais e isenções de impostos não é doar dinheiro, mas fazer investimentos que resultarão em benefícios sociais e fiscais mais à frente.

Essa tese faz sentido. Com ou sem Copa, o país precisa de aeroportos maiores e melhores. A Copa faz dessa necessidade uma urgência. Depois dos jogos, permanecem os equipamentos urbanos à disposição do público. O tal legado. Cabe discussão. Um superaeroporto na cidade de Natal será uma adequada prioridade de gasto público? Um estádio na Zona Leste da cidade de São Paulo, o do Corinthians, é a melhor maneira de desenvolver aquela região? Ou seja, é possível que, por causa da Copa ou a pretexto dela, obras desnecessárias no momento tornem-se prioritárias e urgentes. São aquelas que se transformam em elefantes brancos. Tudo considerado, a verdadeira questão não é saber se e quanto dinheiro público vai para a Copa, mas se a coisa toda está sendo bem ou mal feita. Isso pode e deve ser discutido.

Estamos atrasados, é verdade. Mas vale a pena mesmo, ainda que seja como aprendizado. Não se pode esquecer que ainda temos as Olimpíadas pela frente. Por exemplo, está em tempo de reduzir o número de cidades que receberão jogos. Aquelas que estão muito atrasadas na preparação poderiam simplesmente ser eliminadas. É muito mais econômico concentrar mais jogos em menos estádios. E fazer menos arenas, claro.

A reforma do Maracanã, para ser no mínimo o palco da finalíssima, é muito cara mas passou assim como absolutamente natural. Caberia um debate sobre o que se poderia fazer com o dinheiro da reforma? Quantas UPPs, por exemplo? E a própria reforma? Não seria mais barato um estádio novo em algum outro lugar ou no lugar do atual? Mas não. Parece que há um consenso nacional: vamos ganhar a Copa no mesmo Maracanã, reformado, mas o mesmo de 1950. Se acontecer isso mesmo, será o modo mais caro do mundo de lavar a alma. Se perder… Em São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab e o governador Geraldo Alckmin sustentam que a capital paulista não pode ficar sem a abertura da Copa e que isso exige investimentos públicos. Ora, por que não pode? Qual o prejuízo para os paulistanos? Orgulho ferido se a abertura (o jogo Espanha, atual campeã, contra um time menor) fosse em Belo Horizonte? O outro argumento diz que a realização da abertura traz negócios para a cidade. Mas que custo?

Tal como está montada a engenharia financeira até o momento, o estádio do Corinthias, para ser também o da abertura, tem dinheiro dos três níveis de governo. O federal, via BNDES, vai emprestar R$ 400 milhões, aos juros subsidiados. A prefeitura oferece R$ 420 milhões em incentivos. O prefeito dizia que era apenas isenção para o estádio. Mas não será simples assim. A prefeitura emitirá Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento para o Fundo de Investimento Imobiliário responsável pela construção da arena. O Fundo poderá vender esses certificados para empresas que tenham IPTU e ISS a pagar. Assim, contribuintes que pagariam em dinheiro para a Prefeitura vão entregar Certificados comprados do Fundo. A Prefeitura deixa de receber os R$ 420 milhões, dinheiro que fica como financiamento para o Fundo aplicar no estádio. E finalmente, o governo paulista vai colocar algo entre R$ 60 e R$ 70 milhões para instalar na arena corintiana 20 mil lugares provisórios e assim chegar aos 68 mil necessários para um “estádio abertura de Copa”. Como dizem diretores do Corinthians: o timão precisa de um estádio de 48 mil lugares se a prefeitura e o governo estadual querem a abertura têm de pagar por isso.

É mais um dinheiro do contribuinte. Haverá muito mais país afora. E tudo na conta do “agora não tem mais jeito”. Não queriam ganhar a Copa aqui? E o pior de tudo é que o mais importante, a Seleção, não vai lá das pernas.

Sempre com dinheiro público, há Copas e Olimpíadas bem feitas e outras que deixam um rastro de desperdício. Ainda daria para salvar as Olimpíadas?

22/07/2011

às 7:01 \ Sanatório Geral

Sabe tudo

“Sou bagrinho”

Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, sobre a roubalheira no Ministério dos Transportes, confessando que, por nadar no mesmo cardume, conhece e sabe o que fizeram todos os peixes grandes.

29/06/2011

às 10:33 \ Sanatório Geral

A serviço da nação

“Ao se colocar o termo sigiloso, que foi um cuidado para transformar em crime se houvesse o vazamento do preço licitatório, ficou a impressão que ninguém saberia  esses preços. Mas haverá o acompanhamento permanente da obra pelo órgãos de controle”.

Romero Jucá, líder do governo na Câmara, sobre a instituição da roubalheira secreta e sem risco de cadeia na gastança com as obras da Copa do Mundo e da Olimpíada, informando que o governo tentou tornar tudo mais transparente ao infiltrar o termo “sigiloso” no texto aprovado pelos parlamentares comparsas.

28/06/2011

às 17:52 \ Sanatório Geral

Homem de bem

“Diferentemente do que se está propagando, não se está fazendo licitação sigilosa. O que se está fazendo é uma licitação em que não se dá publicidade ao preço-base, exatamente para que se baixe o preço das obras”.

Romero Jucá, líder do governo no Senado, sobre o Regime Diferenciado de Contratações, comunicando aos brasileiros que devem confiar na palavra de quem até hoje não devolveu o empréstimo de R$ 10 milhões que tungou no Basa depois de oferecer em garantia sete fazendas na Amazônia que nunca existiram.

 

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