Blogs e Colunistas

Obama

20/03/2011

às 12:16 \ Direto ao Ponto

O revisor mental instantâneo de Dilma sumiu

Celso Arnaldo Araújo

Depois de quase dois anos fazendo um intensivão em dilmês, é natural que eu tenha um ouvido para dilmices mais apurado que a média. Escutando nossa presidente ler nervosamente, com entonação de redação escolar, o discurso que Patriota e Marco Aurélio escreveram para ela recitar a Obama, também achei ter ouvido “alimentares”.

Mas até eu, dilmista de primeira hora, cheguei a ficar na dúvida: será que foi “alimentares” mesmo? Não teria sido ilusão cacofônica? Sim, porque ninguém comete um lapsus linguae desse porte diante do presidente dos Estados Unidos, em discurso de repercussão mundial, sem se corrigir imediatamente – ainda mais quando se é o presidente de seu país. O Bruno Abbud, em boa hora, veio dissipar minha dúvida: foi “alimentares” mesmo e não se fala mais nisso.

Mas fica a certeza: além de suas profundas carências de expressão, articulação e raciocínio, inéditas num presidente na história de nossa República, Dilma tem um problema adicional e incomum.

Todos nós, a partir de um certo nível de educação formal, somos dotados de um revisor mental instantâneo, uma espécie de liquid paper neuronal, que nos avisa, num átimo de segundo, que acabamos de dizer a palavra errada, uma bobagem que requer correção imediata — ação praticamente simultânea à palavra mal enunciada.

Com Dilma, não ocorre isso: palavra dita é palavra que fica, independentemente da cretinice envolvida nela. Isso, numa pessoa comum, não tem maior importância — a não ser reforçar sua mediocridade e sua inconveniência. Num presidente da República, cujas palavras são elementos de uma história que está sendo escrita, isso é gravíssimo.

Mas também é engraçadíssimo. Desconfio que o discurso do presidente José Serra a Obama, ontem, não teria tido a menor graça.

19/03/2011

às 20:38 \ Frases

Sempre assim

“Alguém ainda acha interessante ver presidente americano vendo capoeira, batendo palminha, acompanhando o ritmo do berimbau?”

David Zylberstajn, empresário da área de energia.

19/03/2011

às 15:29 \ Sanatório Geral

Só pelas costas

“Julgamos que opiniões sobre temas controversos não deveriam aparecer neste momento. Afinal, Obama é convidado do nosso governo”.

Elói Pietá, secretário-geral do PT, recomendando aos companheiros socialistas revolucionários que só insultem o imperialismo ianque quando o presidente dos Estados Unidos não está ouvindo.

19/03/2011

às 14:58 \ Feira Livre

Fernando Henrique Cardoso: “EUA não têm mais como impor nada para o mundo”

ENTREVISTA PUBLICADA NA FOLHA DESTE SÁBADO

Eliane Cantanhêde

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 79, diz que o presidente Barack Obama chega hoje ao Brasil num novo momento mundial, em que “os EUA vão parar de gritar, vão ter de sussurrar”.

Em entrevista à Folha, acrescentou que os EUA precisam mudar com o mundo: “Não dá para ser mais aquele isolacionismo imperial, do “eu quero” e acontece”.

Na opinião dele, o abalo nas relações Brasil-EUA na era Lula foi por causa do Irã, mas a presidente Dilma Rousseff não está promovendo guinada, “só ajustes”.

Dilma convidou FHC e todos os outros ex-presidentes para participar de um almoço oferecido a Obama hoje em Brasília.

O que esperar da vinda de Obama?

Fernando Henrique Cardoso – É um sinal importante que ele venha e que venha agora, num momento em que não dá mais para pensar mais o mundo em termos de Norte e Sul. O Brasil olhou os EUA a vida inteira com o complexo de eles serem Norte e nós, Sul. Apesar da retórica, o fato de discriminar os EUA indicava inferioridade. Não precisamos mais disso.

Por que o abalo nas relações Brasil-EUA?

Sobretudo por causa do Irã. Você se meter no Irã sem ter cartas para jogar era e é arriscado. O que você ganha com isso? E com direitos humanos não dá para brincar. O Lula era visto como homem que vinha da esquerda e fazia uma política sensata. Aí, todo mundo se perguntou: “Ele teve recaída insensata?”

E com a Dilma?

Com os poucos sinais que a Dilma deu, as coisas já começam a se desanuviar.

A decisão do Obama de não vir ao Brasil no governo Lula foi um sinal de insatisfação?

Acho que sim. Nem diria de insatisfação, mas de reserva, de cuidado, por causa do Irã. O governo Lula não foi um governo antiamericano. Você pode falar que foi leniente na questão de direitos humanos, mas os americanos também são. Quando é do interesse deles, eles não se preocupam tanto assim com direitos humanos.

O que gerou a cambalhota da balança comercial? De um superavit de quase US$ 10 bilhões com os EUA em 2006 o Brasil passou a um deficit de quase US$ 8 bilhões em 2010.

Nós deixamos de exportar para os EUA, o que é uma coisa grave. Eles são o maior mercado do mundo. Como houve essa supervalorização do Sul… Não que eu ache errada em si, o que está errado é que foi em detrimento do Norte. Não sou contra a relação com o Sul, não. Sou contra é a ideologia Sul-Sul.

No discurso oficial, a cambalhota foi resultado do câmbio baixo. E o viés ideológico?

No mínimo, é um conjunto. E uma boa questão é o que o governo Dilma vai fazer para desvalorizar o real. Neste momento, é impossível. A saída é atacar o custo-Brasil, o custo-transporte, o custo do imposto, a falta de uma reforma tributária, para não falar na trabalhista.

Qual sua opinião sobre a possibilidade de os EUA fazerem compra antecipada do pré-sal, como a China já fez antes, na base do financiamento?

Tem que ir com jeito com os EUA e com a China, porque você está vendendo o futuro e não houve uma discussão profunda sobre o pré-sal.

E a política externa, o sr. está sentindo uma guinada?

Guinada é forte, pode ser ajuste. A Dilma já enviou sinais de ajustes, já avisou: “Eu não posso… pra mim, direitos humanos é universal”.

Como o Brasil deve se colocar na polaridade EUA-China?

Há interesse do Brasil e dos EUA em se aliar. Os EUA, sozinhos, já não têm mais como impor nada ao mundo, mas é preciso o Brasil entender que os nossos interesses não se alinham numa só direção. Vamos ver que sinal o Obama vai emitir. Se for de que, em certas matérias, vamos jogar juntos, nós não devemos achar que estamos nos subordinando aos EUA.

Em que matérias?

Em meio ambiente, eventualmente na questão nuclear, na Rodada Doha. Vamos forçar a China a entrar num jogo mais puro para todos nós. E mantém-se a política tradicional nossa, de defesa da democracia e dos direitos humanos, sem incensar ditadores na expectativa de que votem em nós para o Conselho de Segurança.

O sr. apostaria que Obama vai repetir aqui o que fez na Índia e apoiar o Brasil para o Conselho? Se não, a viagem vai ficar carimbada como fiasco?

Fiasco eu não diria, mas frustra. E frustra o governo, porque o país nem nota, nem sabe. Acho muito mais vantajoso ter uma ação mais efetiva no G-20, no FMI, no Banco Mundial do que no CS.

Como o sr. imagina os EUA daqui a 20, 30 anos?

O polo mundial se deslocou para os EUA depois que eles ganharam a guerra, porque tiveram capacidade de inventar novas tecnologias e formas de produção. E, agora, a internet, toda essa onda de nova mídia, foi feita lá. A competição estratégica vai ser entre quem vai ter mais capacidade de inovar.

Efeitos da crise?

Eles vão ter de entender que a governança global não se dá mais num diretório fechado. Não dá mais para ser aquele isolacionismo imperial do “eu quero” e acontece.

E o Obama?

Ele entrou num mau momento, pegou uma crise gigante, teve dificuldade imensa em fazer o avanço social e algum ele fez. Se as coisas continuarem assim, pode se reeleger, porque não tem nome forte no outro lado.

E a política externa?

O Obama fez aquele discurso no Egito com uma proposta de conciliação. E daí? Assim como foram surpreendidos pelo fim da URSS, também foram agora com as revoltas no mundo árabe. E ficam atônitos, porque têm essa contradição de apoiar o errado. O chinês só grita quando pisam no calo dele, nós gritamos sem ter calo, e os EUA gritam sempre com e sem calo… Mas vão parar de gritar, vão ter de sussurrar.

18/03/2011

às 21:21 \ Sanatório Geral

Conta outra, prefeito

“Pelo menos, não entro para a história como o prefeito que fechou o Amarelinho”.

Eduardo Paes, sobre a tranferência da apresentação de Barack Obama da Cinelândia para o Theatro Municipal, fazendo de conta que estava preocupado com a ideia de entrar para a história como o prefeito que fechou por algumas horas um dos bares mais conhecidos do Rio, não como o oposicionista que virou parceiro do partido que, embora ataque o imperialismo ianque de meia em meia hora, acha que manifestações de protesto contra o imperialismo ianque devem ser reprimidas pela polícia.

18/03/2011

às 13:04 \ Sanatório Geral

Miolo mole

“O fato de Obama vir com a família é uma demonstração de respeito à nação”.

Sérgio Cabral, governador do Rio, ensinando que, quando retribuir a visita do presidente dos Estados Unidos, Dilma Rousseff precisa levar a mãe, a tia, a filha e o neto para mostrar que respeita a nação americana.

18/03/2011

às 4:35 \ Sanatório Geral

Mesma coisa

“Não haverá medidas como fechar o espaço aéreo brasileiro. Não se fecha o espaço aéreo americano para receber um presidente do Brasil”.

Paulo Teixeira, líder do PT na Câmara, explicando que tanto Barack Obama quanto Dilma Rousseff, quando viajam, ficam expostos a organizações terroristas que odeiam o imperialismo ianque e amam o governo brasileiro.

17/03/2011

às 20:48 \ Sanatório Geral

A luta continua

“É certa a intervenção dos Estados Unidos no Brasil durante a ditadura? O PT não é dono dos movimentos sociais, os movimentos sociais são do povo”.

Indalécio Wanderley Silva, secretário de Movimentos Populares do PT do Rio, ao confirmar a realização de um ato de protesto contra o imperialismo ianque durante a visita de Barack Obama, explicando que ouviu falar que há 47 anos, quando nem tinha nascido, houve uma intervenção americana no Brasil e um gringo chamado Lyndon Johnson proclamou a ditadura.

17/03/2011

às 12:08 \ Sanatório Geral

Amizade sem namoro

“Ninguém pense que vai sentar ao lado do presidente americano. Nós ficaremos em uma mesa separada”.

Cândido Vaccarezza, líder do governo na Câmara, comunicando aos parceiros da base alugada convidados para o almoço com Barack Obama no Itamaraty que todos poderão tentar flertar com o visitante, mas sem chances de pegar na mão.

16/03/2011

às 16:16 \ Sanatório Geral

Miopia seletiva

“É provável que os manifestantes fiquem longe, mas vamos tentar fazer a nossa parte, numa manifestação pacífica. Os presidentes dos Estados Unidos estão acostumados a ser hostilizados no mundo todo”.

Wagner Gomes, presidente da central sindical Conlutas, que prepara uma manifestação contra o presidente Barack Obama, revelando que recebe com atos de protesto democratas habituados a tolerar divergências e com comícios a favor quem trancafia dissidentes na prisão, como os companheiros Fidel Castro e Muammar Kadafi.


 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados