Blogs e Colunistas

O País quer Saber

06/04/2013

às 14:31 \ Direto ao Ponto

O que você levaria se tivesse que deixar sua casa às pressas e fugir para outro país?

A pergunta que aparece no título foi feita a dezenas de refugiados sírios e sudaneses pelo fotógrafo e jornalista Brian Sokol. Veja algumas respostas e as imagens dos desterrados na seção O País quer Saber.

28/03/2013

às 22:10 \ Direto ao Ponto

Rose ganhou de presente o Programa Conheça o Mundo com o Presidente

Confira na seção O País quer Saber o roteiro de viagens da única brasileira premiada com uma vaga no programa que misturou assuntos públicos e prazeres privados.

23/03/2013

às 20:31 \ Direto ao Ponto

O cartola trapalhão emplaca mais uma na lista das piores gravações da internet

José Maria Marin, presidente da Confederação Brasileira de Futebol, garantiu a prorrogação da insônia com a conversa em que bate o recorde de palavras cabeludas por minuto.

Confira na seção O País quer Saber.

17/03/2013

às 1:17 \ Direto ao Ponto

J. R. Guzzo: O PT ressuscita Getúlio para socorrer Lula, Dilma e os companheiros que frequentam o noticiário policial

Trecho: O estado-maior do PT está dizendo isso mesmo: um personagem de outro mundo, de uma época  morta e de um Brasil que não existe mais está de volta entre nós. Ele foi tirado do túmulo numa tentativa de convencer o público de que episódios  de corrupção, sejam lá quais forem os fatos que comprovam a sua existência, são apenas uma invenção das forças antipovo para armar “golpes de estado” contra governos democráticos e dedicados à causa popular, como teria sido o de Getúlio ─ e como seriam hoje os de Lula e sua sucessora, Dilma Rousseff.

Confira a íntegra do texto publicado na edição de VEJA na seção O País quer Saber.

03/03/2013

às 19:34 \ Direto ao Ponto

A face sombria da figura que Dilma e o PMDB quase infiltraram no primeiro escalão

A reportagem de VEJA que mostra o verdadeiro Gabriel Chalita está na seção O País quer Saber.

24/02/2013

às 22:10 \ Direto ao Ponto

Os cúmplices de toga insistem em retardar o desfecho do processo do mensalão

Trecho: Depois de publicado o acórdão, os réus têm cinco dias para recorrer da decisão. Não há limite de tempo para o julgamento dos chamados embargos. Por isso, apesar de tais recursos raramente resultarem na extinção das penas impostas, o fim do processo  depende do empenho dos próprios ministros. Jogar com o tempo, prorrogando a tomada de decisões, foi uma estratégia urdida pelo  próprio Lula quando era travada a discussão sobre a data do início do julgamento do mensalão. O petista queria que o caso ficasse para  2013. Falou isso diretamente a ministros, mas não conseguiu convencer a maioria deles. O fato de o revisor prever o desfecho apenas  em novembro ou dezembro alimenta especulações nada edificantes.

Confira na seção O País Quer Saber

04/02/2013

às 19:12 \ Direto ao Ponto

Um grande escritor ressuscita o Brasil em construção da metade do século 20

Na edição de VEJA desta semana, resumi o que achei do livro em que o jornalista e escritor John dos Passos conta o que viu nas três viagens ao Brasil da metade do século 20.  É mais do que uma grande reportagem. É um documentário que prescinde de som e imagem para mostrar aos leitores um país em construção. Confira na seção O País quer Saber.

04/02/2013

às 18:42 \ O País quer Saber

O livro de John dos Passos sobre o Brasil em construção da metade do século 20

PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA DE VEJA DESTA SEMANA

Augusto Nunes

Em 1948, os editores da revista Life contrataram o jornalista e escritor John dos Passos para saber como andavam as coisas no imenso grotão sul-americano que parecia ter localizado a  trilha que leva para longe das cavernas. Aos 52 anos, ele figurava no primeiríssimo time da imprensa desde a cobertura da Guerra Civil espanhola, e os livros já publicados não demorariam a incluí-lo entre os principais romancistas do século 20. Foi a primeira incursão de Passos pelo país que voltaria a visitar em 1958 e 1962.

A reedição de O Brasil em Movimento, lançado em 1964, comprova que o repórter da Life era o homem certo no lugar onde, até então, tudo parecia dar errado. As anotações feitas durante as três viagens desdobraram-se em textos que compõem mais do que uma grande reportagem. Trata-se de um documentário que prescinde de som e imagem. Quem recua no tempo em companhia de John dos Passos e ouve o que lê.

O livro destinado à estante das leituras indispensáveis se John dos Passos não fosse traído pela tradução (que, entre outros pecados, polui todos os parágrafos com pronomes possessivos sem serventia) e se não tivesse sucumbido à tentação de explicar o inexplicável. O Brasil não é para amadores, ensinou Tom Jobim. Nem para profissionais, sugerem as incontáveis tentativas de enxergar alguma lógica no cortejo de maluquices inaugurado pelas chegada das primeiras caravelas. Leitores e autor sairiam ganhando se fossem guardados para um livro de ficção os parágrafos que resumem as origens do país ou recordam acontecimentos históricos.

É comovente o esforço empreendido por um americano de Chicago para decifrar enigmas que o impedem de desfrutar sem interrogações do caso de amor à primeira vista. Rendido à hospitalidade loquaz dos nativos, aos exotismos e aos deslumbramentos do país em construção, o forasteiro habituado a ver as coisas como as coisas são  faz o que pode para evocar sem um ponto de exclamação a cada linha a saga sem similares.

Como reconhece o mais patriota dos historiadores, o Brasil nasceu por engano, virou Terra de Santa Cruz depois que se constatou que era muito litoral para uma ilha só, passou 200 anos na praia antes de animar-se a escalar o paredão que separava o mar do outro lado da mata, teve como primeira e única rainha Maria, a Louca, acolheu o filho da doida de hospício que roubou a matriz na vinda e a colônia na volta e instalou no trono um menino de cinco anos que, sem pai nem mãe, seria promovido a avô da nação. Não é pouco. E não é tudo.

John dos Passos não é um entendido em Brasil. É provável que não haja nenhum. Em contrapartida, entende de gente como poucos. O jornalista em ação na Espanha não contou nada de novo sobre a gestação da guerra civil, mas precisou de poucas linhas para eternizar personagens do conflito. Foi assim no Brasil. Em todos os encontros com as figuras da terra, bastavam a Passos alguns minutos de conversa para enxergar no interlocutor um traço louvável ou um defeito de fabricação. E uma ligeira mirada nas coisas da terra ─ a vermelhidão do solo do noroeste do Paraná, os matizes de verde da baía de Guanabara ─ era suficiente para o olhar que fazia as vezes de câmera.

Viajante compulsivo, Passos viu de perto a Amazônia no Dia da Criação, o início da extração de minério de ferro no Vale do Rio Doce, o Brasil Central saindo da infância, o Nordeste dos coronéis que governavam as jurnas, o Paraná invadido por colonizadores paulistas. Aprendeu a dormir em hotéis repulsivos, a beber cafezinho o dia inteiro e a gostar de arroz com feijão. Descobriu que vastidões territoriais sobreviviam sem latrinas, hospitais e médicos ao cerco das doenças desaparecidas havia décadas do circuito frequentado por americanos cosmopolitas. E, sobretudo, conversou. Conversou com gente da rua e com gente destinada a virar nome de rua. Nada lhe pareceu tão fantástico quanto a parto de Brasília. Nenhum agrupamento humano pareceu-lhe mais interessante que a tribo formada pelos inventores da nova capital.

“Só depois de conversar com Oscar Niemeyer por algum tempo comecei a perceber aquele homem pequeno, tímido, com olhos desconfiados, tinha uma firmeza robusta de pedreiro”, lembra. “Parecia que as palavras saíam direto do coração. Ele era desprovido de ambiguidades”. O registro elogioso contrasta com a má impressão causada por conhecidos produtos da grife Niemeyer. Num jantar, endossou em silêncio o parecer da anfitriã: “Ele não é arquiteto de jeito nenhum. É um escultor que trabalha com materiais de construção”.

Se o Brasil não canonizasse seus mortos famosos antes que o velório comece, o obituário de Niemeyer teria incluído o trecho que descreve o Palácio da Alvorada. “É um prédio singularmente belo feito de vidro e concreto branco. Flutua com tanta leveza quanto um bando de cisnes no lago de águas claras. As divisões internas também são de vidro. Perguntei-me  onde, com aquelas paredes de vidro, o pobre presidente poderia encontrar um lugar para trocar de roupa ou escrever uma carta”.

“Dai-me um repórter que seja ao menos parecido com este”, deveria implorar todo chefe de redação ao estacionar no ponto final. A sorte é que poucos leitores lembram que  uma reportagem pode ser assim.

25/01/2013

às 15:42 \ Direto ao Ponto

Um duelo entre o currículo e o prontuário decide o destino do cacique capixaba

O currículo de Theodorico Ferraço informa que, entre 1967 e este começo de ano, o atual presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo foi quase tudo que um político pode ser. O prontuário igualmente alentado avisa que fez quase tudo que não devia fazer. Aos 75 anos, em campanha pela permanência no comando do Legislativo estadual, Ferraço acaba de entrar em companhia da mulher, ex-prefeita de Itapemirim, na mira da Operação Derrama, que investiga uma quadrilha especializada em bandalheiras envolvendo o dinheiro dos royalties do petróleo.

Como demonstra a reportagem de Júlia Rodrigues na seção O País Quer Saber, o prontuário ameaça derrotar o currículo e encerrar a carreira política do cacique capixaba.

 

19/01/2013

às 0:35 \ Direto ao Ponto

Os oposicionistas dispostos a engolir o prontuário de Renan merecem ganhar a carteirinha de sócio do clube dos cafajestes que controla a Casa do Espanto

Em fevereiro de 2011, depois de uma semana de investigações, os repórteres Bruno Abbud e Branca Nunes conseguiram identificar só oito dos 11 senadores que votaram contra a permanência de José Sarney na presidência da Casa do Espanto. Três, sabe Deus por quê, jamais assumiram publicamente a opção pela decência. Se tornou incompleta a reportagem agora republicada na seção O País quer Sabertal esquisitice ─ uma entra tantas ─ permitiu que se produzisse um retrato perturbador da bancada oposicionista no Senado. É o tipo de oposição com que sonham todos os governos.

Na sessão que elegeu Sarney, os quatro partidos da oposição oficial foram representados por 18 senadores. Quatro ─ dois do PSOL e dois do PSDB ─ completaram o grupo que se negou a reverenciar Madre Superiora. Como votaram os 14 restantes? Alguns confessaram o crime, um alegou que o voto é secreto, outros se refugiaram  falatórios ininteligíveis. Para justificar o injustificável, todos evocaram a necessidade de respeitar o que chamam de “tradições da Casa”. Como não aparecem em nenhum código, manual, regulamento ou coisa parecida, não existem oficialmente. São normas não escritas que não têm força de lei. Como as vacinas, podem pegar ou não.

Uma das “tradições da Casa” recomenda que a formação da Mesa Diretora se baseie no critério da proporcionalidade, que confere à maior bancada partidária o direito de indicar o candidato à presidência. Nenhum senador é obrigado a votar no indicado. Se a escolha atropelar normas éticas e morais, se agredir o bom senso, se não atender às expectativas dos eleitores, a maioria está à vontade para mandar às favas o critério da proporcionalidade e eleger qualquer um. O dono da capitania hereditária do Maranhão livrou-se desse risco no momento em que o PSDB, o DEM e o PPS se dispuseram a engolir sem engasgos um símbolo do Brasil primitivo.

Passados dois anos, a oposição oficial ameaça reprisar o tapa na cara dos milhões de brasileiros agrupados na resistência democrática: de novo invocando o critério da proporcionalidade, o PSDB está pronto para encampar a candidatura de Renan Calheiros, orgulho do PMDB alagoano e líder da bancada do cangaço. Ao ajoelhar-se diante de Sarney, os oposicionistas que não se opõem mostraram que haviam perdido a vergonha. Caso se curve a Renan, a oposição oficial deixará claro que perdeu também o juízo, o instinto de sobrevivência e a última chance de conectar-se com a imensidão de brasileiros honestos decididos a encerrar a era lulopetista.

Sem chances de vitória, os eleitos pela oposição real terão de escolher entre a capitulação ultrajante e o combate desigual que engrandece o vencido. Os que engolirem o prontuário de Renan ganharão uma carteirinha de sócio do clube dos cafajestes que controla o Senado. Daqui a alguns anos, estarão todos amontoados num asterisco do capítulo brasileiro da história universal da infâmia.

 

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