Blogs e Colunistas

Nelson Jobim

22/10/2013

às 11:26 \ Direto ao Ponto

O submarino nuclear de Nelson Jobim foi dispensado de proteger o leilão do pré-sal

ATUALIZADO ÀS 11H26

Em 28 de agosto de 2008, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, resolveu animar os festejos do Dia da Independência com uma frota formada por um submarino nuclear e quatro convencionais (mas também moderníssimos), todos fabricados em parceria pela França e pelo Brasil Maravilha. Só faltava assinar o acordo com o presidente Nicolas Sarkozy, que visitaria o país para deslumbrar-se com o Sete de Setembro em Brasília.

“Entre as principais missões da Marinha, contidas na Estratégia Nacional de Defesa, encontra-se a defesa das plataformas petrolíferas e das áreas do pré-sal”, explicou Jobim, caprichando na pose de chefe civil das Forças Armadas. Se os submarinos de Jobim ainda não deram as caras em águas brasileiras, não foi por falta de aviso. “O Brasil precisa se preparar do ponto de vista militar”, reincidiu em abril de 2011.”Com o petróleo do pré-sal, o país vai ser um alvo do terrorismo”.

Passados dois anos e meio, o almirante honorário se foi, a frota franco-brasileira não está pronta e o  inimigo imperialista nunca foi visto por aqui. Se é que andaram espionando as jazidas que Lula promoveu a Dádiva de Deus, os ianques não viram nada que valesse uma guerra no Atlântico. Não viram sequer alguma coisa que justificasse a  presença de executivos de empresas petrolíferas dos EUA no leilão desta segunda-feira.

Sem marines por perto, a Marinha brasileira, ainda sonhando com maravilhas nucleares, foi dispensada de combates navais. Sobrou para o Exército, convocado por Dilma para proteger as jazidas do pré-sal não da cobiça dos gringos, mas do terrorismo dos black blocs. O petróleo vai ser meio chinês. Os terroristas e os idiotas são nossos.

 

29/12/2012

às 5:00 \ Direto ao Ponto

Reportagem de VEJA revela a obscena ofensiva de Lula para subjugar o Supremo e livrar do castigo a quadrilha do mensalão

PUBLICADO EM 26 DE MAIO

O ex-presidente Lula vem erguendo desde o começo de abril o mais obsceno dos numerosos monumentos à cafajestagem forjados desde 2005 para impedir que os quadrilheiros do mensalão sejam castigados pela Justiça. Inquieto com a aproximação do julgamento, perturbado pela suspeita de que os bandidos de estimação correm perigo, o Padroeiro dos Pecadores jogou o que restava de vergonha numa lixeira do Sírio Libanês e resolveu pressionar pessoalmente os ministros do Supremo Tribunal Federal. De novo, como informou VEJA neste sábado, o colecionador de atrevimentos derrapou na autoconfiança delirante e bateu de frente com um interlocutor que não se intimida com bravatas.

A reportagem de Rodrigo Rangel e Otávio Cabral reproduz os momentos mais espantosos do encontro entre Lula e o ministro Gilmar Mendes ocorrido, há um mês, no escritório mantido em Brasília pelo amigo comum Nelson Jobim, ex-ministro do Supremo e ex-ministro da Defesa. A conversa fez escala em assuntos diversos até que o palanque ambulante interrompeu o minueto para dar início ao forró do mensalão. “Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula”, disse Gilmar a VEJA. Não é para menos.

“É inconveniente julgar o processo agora”, começou Lula, lembrando que, como 2012 é um ano eleitoral, o PT seria injustamente afetado pelo barulho em torno do escândalo. Depois de registrar que controla a CPI do Cachoeira, insinuou que o ministro, se fosse compreensivo, seria poupado de possíveis desconfortos. “E a viagem a Berlim?”, perguntou em seguida, encampando os boatos segundo os quais Gilmar Mendes e Demóstenes Torres teriam viajado para a cidade alemã num avião cedido por Carlinhos Cachoeira, e com todas as despesas pagas pelo meliante da moda.

Gilmar confirmou que se encontrou com o senador na Europa. Mas esclareceu que foi e voltou em avião de carreira, bancou todas as despesas e tem como provar o que diz. “Vou a Berlim como você vai a São Bernardo. Minha filha mora lá”, informou, antes da recomendação final: “Vá fundo na CPI”. Lula preferiu ir fundo no palavrório arrogante. Com o desembaraço dos autoritários inimputáveis, o ex-presidente que não desencarnou do Planalto e dá ordens ao Congresso disse o suficiente para concluir-se que, enquanto escolhe candidatos a prefeito e dá conselhos ao mundo, pretende usar o caso do mensalão para deixar claro quem manda no STF.

Alguns dos piores momentos da conversa envolveram quatro dos seis ministros que Lula nomeou:

CARMEM LÚCIA
“Vou falar com o Pertence para cuidar dela”. (Sepúlveda Pertence, ex-ministro do STF e hoje presidente da Comissão de Ética Pública, é tratado por Carmen Lúcia como “guru”).

DIAS TOFFOLI
“Ele tem que participar do julgamento”. (O ministro foi advogado do PT e chefe da Advocacia Geral da União. Sua mulher defendeu três mensaleiros. Mas ainda não descobriu que tem o dever de declarar-se sob suspeição).

RICARDO LEWANDOWSKI
“Ele só iria apresentar o relatório no semestre que vem, mas está sofrendo muita pressão”. (Só falta o parecer do revisor do processo para que o julgamento comece. Lewandowski ainda não fixou um prazo para terminar o serviço que está pronto desde que ganhou uma toga).

Os outros dois ministros nomeados por Lula são Joaquim Barbosa (considerado “um traidor, um complexado”) e Ayres Britto, a quem Gilmar relatou na quarta-feira o encontro em Brasília. O atual presidente do STF soube pelo colega que Lula pretende seduzi-lo com a ajuda do jurista Celso Antonio Bandeira de Mello, amigo de ambos e um dos patrocinadores da sua indicação. Imediatamente, Ayres Britto associou o que acabara de escutar ao que ouviu de Lula num recente almoço no Palácio da Alvorada. “O ex-presidente me perguntou se eu tinha notícias do Bandeirinha e disse: ‘Qualquer dia a gente toma um vinho’”, contou o ministro a VEJA.

Na mesma quarta-feira, a chegada ao STF de um documento assinado por dez advogados de mensaleiros comprovou que Lula age em parceria com a tropa comandada pelo inevitável Márcio Thomaz Bastos. “Embora nós saibamos disso, é preciso dar mostras a todos de que o Supremo Tribunal Federal não se curva a pressões e não decide ‘com a faca no pescoço’”, diz um trecho desse inverossímil hino à insolência. A expressão foi pinçada da frase dita em 2007 pelo ministro Ricardo Lewandowski, num restaurante em Brasília, depois da sessão que aprovou a abertura do processo do mensalão. Faltou completar a frase do revisor sem pressa: “Todo mundo votou com a faca no pescoço. A tendência era amaciar pro Dirceu”.

O escândalo descoberto há sete anos se arrasta no STF há cinco, mas os dez doutores criticaram “a correria para o julgamento, atiçada pela grita”. Eles resolveram dar lições ao tribunal por estarem “preocupados com a inaudita onda de pressões deflagradas contra a mais alta corte brasileira”. O Brasil decente faz o que pode para manifestar seu inconformismo com o tratamento gentil dispensado pela Justiça a pecadores que dispõem de padrinhos poderosos e advogados que cobram por minuto. São pressões legítimas. Preocupante é o cerco movido a um Poder independente por um ex-chefe do Executivo. Isso não é uma operação política, muito menos uma ação jurídica. É um genuíno caso de polícia.

Se os bacharéis do mensalão efetivamente se preocupam com pressões ilegais, devem redigir outro documento exigindo que Lula aprenda a comportar-se como ex-presidente e pare de agir como um fora-da-lei.

 

02/07/2012

às 19:40 \ Homem sem Visão

Inscrito irregularmente, o hors concours Márcio Thomaz Bastos vence a enquete, mas fica fora da finalíssima de dezembro

“Gostaria de dedicar este galardão…”, começou a discursar Márcio Thomaz Bastos quando foi interrompido por um integrante da Comissão Organizadora incumbido de transmitir o recado da presidência da coluna aos participantes da festa de premiação do Homem Sem Visão de Junho. Em consequência de um suspeito descuido da CO, foi permitida a inscrição do advogado que, por ter conquistado o título de HSV de 2011, deveria ter sido promovido a hors concours em janeiro ─ e excluído das disputas mensais.

Por decisão da presidência da coluna, a Comissão Organizadora foi suspensa por duas semanas, ao fim das quais será concluído o inquérito aberto para apurar o caso. Embora autorizado a guardar o prêmio em sua sala de troféus, o vencedor da eleição de junho não participará da finalíssima de dezembro. O senhor Carlos Augusto Ramos, patrocinador da candidatura do ex-ministro, não terá de volta o dinheiro investido na campanha.

O advogado preferido da bandidagem de estimação venceu com 63% dos votos válidos, seguido por Ratinho (20%), José Dirceu (11%) e Nelson Jobim (6%). “Vou denunciar essa maracutaia na entrevista com Dilma Rousseff”, prometeu Ratinho. José Dirceu está convencido de que foi vítima de outra manobra envolvendo a elite golpista, o imperialismo americano e a mídia reacionária. “Vou mobilizar os movimentos sociais e os militantes”, esbravejou. Nelson Jobim, refugiado no seu escritório em Brasília, não fez declarações.

O rigoroso inquérito já está em andamento, leitores-eleitores! A luta de foice de julho já começou! Vários mensaleiros estão no aquecimento para entrar na campanha! Quem será o conquistador do troféu? Como sempre, que vença o pior!

 

28/06/2012

às 20:21 \ Direto ao Ponto

Doutor Márcio, Ratinho, Jobim e Dirceu disputam o título de HSV de Junho

O segundo turno da eleição do HSV juntou quatro lendas na enquete. Lutam pelo troféu de junho o Libertador de Cachoeira, o Apresentador do Chefe, o Conquistador da Amazônia e o Guerrilheiro de Festim. Veja como foi o primeiro turno na seção Homem sem Visão.

28/06/2012

às 20:15 \ Homem sem Visão

Doutor Márcio vai para a enquete com larga vantagem sobre Ratinho, Jobim e Dirceu

“Quero agradecer ao senhor Carlos Augusto Ramos por acreditar no trabalho que faço não por motivos financeiros, mas por amor à Justiça e à verdade”, emocionou-se Márcio Thomaz Bastos ao ser oficialmente informado do resultado do primeiro turno da disputa do título de Homem Sem Visão de Junho. Apoiado por 49% dos leitores-eleitores, o advogado de Carlinhos Cachoeira começará a luta na enquete com larga vantagem sobre os três concorrentes. “O chefe acha que o julgamento do mensalão vai facilitar a conquista do troféu”, confidenciou um dos 26 estagiários que o ajudam no caso Cachoeira. “Ele continua enxergando só inocentes no banco dos réus”.

Com 14% dos votos, Ratinho garantiu a segunda colocação. “Aqui tem café no bule!”, berrou,  abraçado ao padrinho e patrocinador Silvio Santos. Ao lhe perguntarem o que achava da multa que terá de pagar por ter feito campanha antecipada, o apresentador preferido de Lula foi enfático: “Crime? Crime é não apoiar o Lula, o cara é uma fênix!”. Na fase decisiva, Ratinho vai convidar Dilma Rousseff para discursar, cantar e preparar uma rabada durante um único programa.

Ambos com 9,5% dos votos, Nelson Jobim e José Dirceu dividiram o terceiro lugar e conquistaram as vagas restantes. “Nunca imaginei que marcar um encontro casual e não ver nada nem ouvir coisa nenhuma fosse uma ideia tão brilhante”, festejou o ex-ministro, fantasiado de general da selva. De olho no troféu, Jobim está tentando organizar uma reunião entre Gilmar Mendes, Lula e os demais ministros do Supremo.

“O HSV é uma disputa política!”, discursou José Dirceu. “Vou mobilizar os companheiros militantes, os movimentos sociais, o pessoal do Maluf e meus amigos amestrados da UNE”. Depois de informar que se acha cada vez mais inocente, acusou a imprensa golpista de antecipar o julgamento do mensalão para prejudicá-lo. “Desde aquele piquenique em Ibiúna eu falo que não róbo nem dexo robá”, encerrou o guerrilheiro de festim.

Fernando Haddad e Tourinho Neto, com 6,5% dos votos cada um, ficaram fora da enquete. Também não conseguiram chegar ao segundo turno os governadores Agnelo Queiroz (4%) e Marconi Perillo (1%). Foram lembrados pelos leitores-eleitores os ministros Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski, o prefeito Eduardo Paes e o candidato José Serra.

A briga de foice na enquete já começou, leitores-eleitores! Márcio Thomaz Bastos, Ratinho, Nelson Jobim e José Dirceu estão na parada! Só tem fera na Arena! Vote sem remorso num candidato que ninguém merece! E que vença o pior!

19/06/2012

às 11:05 \ Feira Livre

‘Erro com erro’, por J.R. Guzzo

PUBLICADO NA EDIÇÃO DE VEJA DESTA SEMANA

J.R. GUZZO

Vai ficando cada vez mais distante, no Brasil, a época em que existia uma fronteira clara en­tre o bem e o mal ─ o certo estava de um lado e o erro estava de outro, e por aí se cos­tumava parar. Hoje, estranhamente, a fronteira mais comum nos conflitos políticos é entre o mal e o mal. Poucas histórias, entre tantas que acontecem na vida pública atual, demonstram tal mudança tão bem quanto essa extraordinária conversa entre o ex- presidente Luiz Inácio da Silva e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, no escritó­rio do hoje advogado Nelson Jobim, ex-ministro de uma porção de coisas e amigo de ambos. Como se sabe, Mendes revelou a VEJA, e depois confirmou em várias entrevistas, que foi pressionado por Lula, durante o encontro, a favorecer os réus nesse malfadado mensalão que tanto desmoralizou o seu gover­no e está perto, enfim, de ser julgado pelo STF. Lu­la, é claro, negou tudo. O caso entrou em banho-maria e já está a caminho do congelador, mas deixa um retrato perfeito de situação em que não há nada que preste. É a briga do erro com o erro.

Em primeiro lugar, causa espanto, ou deveria causar, a conduta do ministro Gilmar Mendes ─ por aceitar, como se fosse a coisa mais normal do mundo, uma reunião absolutamente imprópria com o ex-presidente. Ele nunca poderia ter tido uma conversa em particular como a que teve; em sua condição de ministro do STF, que se prepara para um julgamento no qual Lula tem interesses diretos e importantes, Mendes está impedido de qualquer contato pessoal com o ex-presidente, ou outras pessoas de alguma forma ligadas ao caso. Afinal, ele será um dos julgadores do mensalão, e por um dever rudimentar de imparcialidade não tem nada a tratar com acusados ou com acusado­res. Conversar sobre o que com Lula, e para quê? O ministro talvez não se lembre, mas já houve um tempo neste país em que juízes, ou pelo menos juízes de verdade, não aceitavam nenhum tipo de conversa particular sobre qualquer caso em apre­ciação por eles próprios ou pelo Judiciário em ge­ral ─ com ninguém, e em nenhuma circunstância.

Se alguém quisesse falar com o juiz, que fosse ao fórum e, ali, na presença do escrivão ou de outros funcionários do juizado, dissesse tudo o que tinha a dizer. Mas a Justiça brasileira, como tantas ou­tras coisas, foi remasterizada durante os últimos anos; atitudes de simples decência por parte de um magistrado são consideradas, hoje, uma anomalia própria da idade da pedra. O ministro Mendes, é óbvio, tem de atender um ex-presidente da República que deseja falar com ele. Mas por que não fez isso em seu gabinete no Supremo, diante de testemunhas neutras, em vez de ter a tal conversa no escritório de um amigo? É um desastre ─ mas o mundo político não viu nada de estranho na his­tória, nesta época em que juízes, advogados de renome e até réus, quando são importantes ou ri­cos, convivem alegremente uns com os outros em churrascos, festas de casamento e a bordo de jatinhos particulares.

Em segundo lugar, deveria causar ainda mais espanto que o ex-presidente da República participe de um encontro a portas fechadas com um dos onze magistrados que vão julgar o mensalão. Se Mendes não tinha nada de conversar com Lula, Lula tam­bém não tinha nada de conversar com Mendes ─ sobretudo levando em conta as coisas para lá de esquisitas que disse, segundo garante o ministro. O momento pior dessa comédia, como de costume, foi a indi­ferença do ex-presidente dian­te do seu dever de dar alguma explicação coerente para o ca­so. Disse que estava “indigna­do”, e precisava se precaver contra “uma minoria que não gosta de mim”. Mas o problema não é saber quanta gente gosta e quanta gente não gosta dele; é saber o que foi fazer nessa conversa com o ministro e, principalmente, o que disse a ele. Mendes falou que houve pressão e algo muito parecido com chantagem. Como é que fica? Quanto a Nelson Jobim, nenhuma esperança de lu­zes ─ pelo pouco que disse, parecia uma dessas testemunhas que viram um homem nem alto nem baixo, que também poderia ser uma mulher, perto de um carro vermelho ou azul, que talvez fosse uma moto amarela.

Os homens públicos do Brasil, já há bom tem­po, desfrutam de uma espécie de indulgência plená­ria ─ aquela que não apaga o pecado, mas elimina as penas devidas pelo pecador, e que os papas de antigamente vendiam para fazer caixa. Todo mundo pode agir como bem entende e não acontece nada a ninguém. É o ambiente ideal para conversas que nunca deveriam ocorrer.

01/06/2012

às 20:02 \ Homem sem Visão

Márcio Thomaz Bastos e Jobim puxam a fila de concorrentes ao troféu de junho

“Nem troquei o terno porque vim da CPI direto para cá”, informou Márcio Thomaz Bastos ao chegar ao puxadinho instalado pela Comissão Organizadora em Brasília para facilitar a inscrição da multidão de celebridades sem visão que circulam pela capital. Como não enxergou nenhum problema ético nos serviços prestados a Carlinhos Cachoeira por um ex-ministro da Justiça, o ganhador do título de Homem sem Visão de 2011 tornou-se ainda em maio candidato natural ao troféu de junho.

Acompanhado por três clientes que permaneceram em silêncio por ordem do doutor, o especialista em absolver culpados não confirmou nem desmentiu os rumores de que pretende usar como bandeira de campanha a defesa dos mensaleiros. “Invoco o direito constitucional de ficar calado”, avisou. “Só posso adiantar que, dependendo dos honorários, consigo ver um inocente até num serial killer americano”.

Segundo campeão a formalizar a candidatura, Nelson Jobim garantiu que o cartel de Márcio Thomaz Bastos não o intimida. “Além da falta de visão, o chefe resolveu perder a audição e a memória”, confidenciou um dos 253 estagiários do escritório do jurista famoso pela história do furto do sino da faculdade. O ex-ministro da Defesa considera-se candidato natural desde o encontro que agendeou entre o companheiro Lula e o ministro Gilmar Mendes.

“Ele não viu nada e só lembra de ter escutado o Gilmar cumprimentando o Lula por ter virado doutor honoris causa”, revelou a fonte. Para conseguir uma vaga na enquete, Nelson Jobim quer acertar um encontro entre Lula e o promotor de justiça Roberto Wider Filho, que investiga a morte de Celso Daniel. “Depois que a imprensa souber da reunião, o chefe vai jurar que os dois só conversaram sobre a construção de uma creche da Dilma no ABC”.

A coisa já começou pegando fogo, leitores-eleitores! Para inscrever seu candidato, basta dizer quem é em algum comentário enviado à coluna! Não perca a chance de votar sem remorsos em gente que ninguém merece! E que vença o pior!

30/05/2012

às 12:35 \ Feira Livre

‘Criação coletiva’, por Dora Kramer

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA TERÇA-FEIRA

DORA KRAMER

Não, o ex-presidente Lula não perdeu o juízo como sugere em princípio o relato da pressão explícita sobre ministros do Supremo Tribunal Federal para influir no julgamento do mensalão, em particular da conversa com o ministro Gilmar Mendes eivada de impropriedades por parte de todas as partes.

Lula não está fora de si. Está, isto sim, cada vez mais senhor de si. Investido no figurino do personagem autorizado a desrespeitar tudo e todos no cumprimento de suas vontades.

E por que o faz? Porque sente que pode. E pode mesmo porque deixam que faça. A exacerbação desse rude atrevimento é fruto de criação coletiva e não surgiu da noite para o dia.

A obra vem sendo construída gradativamente no terreno da permissividade geral onde se assentam fatores diversos e interesses múltiplos, cuja conjugação conferiu a Lula o diploma de inimputável no qual ele se encontra em pleno usufruto.

Nesse último e bastante assombroso caso, produto direto da condescendência institucional ─ para dizer de modo leve ─ de dois ex-presidentes da Corte guardiã da Constituição: o advogado Nelson Jobim, que convidou, e o ministro Gilmar Mendes, que aceitou ir ao encontro do ex-presidente.

Nenhum dos dois dispõe da prerrogativa da inocência. Podiam até não imaginar que Lula chegaria ao ponto da desfaçatez extrema de explicitar a intenção de influir no processo, aconselhando o tribunal a adiar o julgamento e ainda insinuar oferta de “proteção” ao ministro.

Inverossímil é que não desconfiassem da motivação do ex-presidente que anunciou disposição de se dedicar diuturnamente ao desmonte da “farsa do mensalão” e provou isso ao alimentar a criação de uma comissão parlamentar de inquérito no intuito de embaralhar as cartas e embananar o jogo.

Mas, apenas para raciocinar aceitemos o pressuposto da ingenuidade, compremos a versão do encontro entre amigos e consideremos natural tanto o convite quanto a anuência.

À primeira questão posta ─ “é inconveniente julgar esse processo agora” ─, à primeira pergunta feita pelo ex-presidente ─ “não tem como adiar o julgamento?” ─, se o ministro Gilmar Mendes tivesse agradecido ao convite e polidamente se retirado, não teria ouvido o que viria a seguir, segundo o relato que fez depois ao presidente do STF, ao procurador-geral da República e ao advogado-geral da União.

Narrativa esta que se pressupõe verdadeira. Se aceitarmos a versão do desmentido apresentada por Nelson Jobim teremos de aceitar a existência de um caluniador com assento no Supremo Tribunal Federal e de esperar contra ele algum tipo de interpelação.

Tivesse dado por encerrado o encontro logo de início, o ministro Gilmar Mendes não teria ficado “perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula”.

Não teria ouvido alusões ao seu possível envolvimento com o esquema Cachoeira ─ razão da oferta de proteção na CPMI ─, não teria escutado o ex-presidente chamar o ministro Joaquim Barbosa de “complexado”.

Não teria testemunhado Lula desqualificar ao mesmo tempo o ex-ministro Sepúlveda Pertence e a ministra Cármen Lúcia ao sugerir a existência de uma cadeia de comando com a frase “vou falar para o Pertence cuidar dela”.

É verdade que se tivesse ido embora o ministro Gilmar Mendes teria poupado a si um enorme constrangimento.

Mas não daria ao País a oportunidade de saber que o ex-presidente tem acesso a informações de um inquérito na data da conversa (26 de abril) ainda protegido por sigilo de Justiça.

Não saberíamos que Lula diz orientar a conduta do ministro Dias Toffoli ─ “eu falei que ele tem que participar do julgamento”─ e que afirma acompanhar de perto os passos do ministro revisor do processo do mensalão, Ricardo Lewandowski ─ “ele só iria apresentar o relatório no semestre que vem”.

Em suma, ninguém fica bem nessa história, mas Lula fica pior ao deixar que a soberba e o ressentimento o façam porta-voz do pior combate: a desqualificação das instituições. Entre elas o papel de ex-presidente da República.

29/05/2012

às 14:57 \ Feira Livre

Reynaldo-BH reconstitui a reunião que pariu a nota concebida para assassinar a verdade

REYNALDO ROCHA

Resumo de reunião dos assessores de Lula. Marqueteiros, advogados e jornalistas chapa-branca. O próprio não está presente. Discute-se como formular uma resposta à imprensa sobre os fatos envolvendo o ex-presidente e o Ministro Gilmar Mendes.

Ambiente tenso. Televisores ligadas nos canais noticiosos. Tablets e computadores em permanente pesquisa nos blogs de colunistas e dos jornais e revistas. Lula recusa-se a participar da reunião, esperando o resultado final, que virá do conselho de próceres reunido.

A primeira questão é colocada em discussão. Lula deve dar uma entrevista? Se sim, a qual veículo de comunicação? Com qual teor?

A decisão é unânime. Lula tem que permanecer calado. Alguém, para ter certeza da decisão tomada, resolve consultar Lula por telefone. E sugere ─ como teste ─ o pronunciamento esclarecedor. Ouve um palavrão como resposta. Todos já sabem que Lula não falará.

A tensão cresce. As análises de jornalistas isentos e imparciais (os tais da dita grande imprensa) são demolidoras. Vão da revolta à vergonha. A esgotofesra não consegue conter a enxurrada de indignação. Estão, todos, sem argumentos. Esperam alguma orientação ─ como bons blogueiros de aluguel ─ para saber o que escrever.

Chegam a um acordo. Uma nota oficial.

Um ex-ministro da Justiça, atarefado com a defesa de bicheiros e bandidos do mesmo quilate, adverte para o risco de Lula declarar algo que possa ser desmentido posteriormente, até mesmo na esfera judicial.

Novo impasse. O homem não irá falar. E não dá para assinar uma nota oficial. Volta-se à estaca zero. Enfim aparece a solução! A nota será assinada pelo Instituto Lula. Pessoa jurídica que não mente por absoluta incapacidade (factual e legal) para tanto: empresas nunca mentem, só seus dirigentes. Se der problema, será coisa do administrador do Instituto. Que não é Lula.

Resolvido o detalhe da assinatura da nota (mais ou menos) oficial, passa-se ao texto.

O PARTO DO MONSTRENGO
A tensão está no limite. Todos têm na cabeça a mesma pergunta que ninguém tem coragem de expressar: alguém vai acreditar? Pior que todos sabem a resposta.

Depois de dez rascunhos e centenas de hesitações, a nota finalmente encontra um início.

“Sobre a reportagem da revista ‘Veja’ publicada nesse final de semana, que apresenta uma versão atribuída ao ministro do STF Gilmar Mendes sobre um encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 26 de abril, no escritório e na presença do ex-ministro Nelson Jobim, informamos o seguinte:”

Alguém lembra que Nelson Jobim, o estuprador de Constituições, já havia dito que não esteve presente em todos os momentos da conversa. Assim, a nota começa com o desmentido do desmentido. Ninguém se entende na sala. Afinal, o que seria melhor? Obrigar Jobim a desmentir o que disse ─ agora afirmando ter presenciado toda a conversa, o que era a única verdade ─ ou insistir na tese da ausência nos momentos cruciais da negociação/chantagem? Acabam decidindo que, se alguém ficar com a pecha de mentiroso, melhor que seja Jobim. Ele haveria de entender.

Mas como qualificar o fato? Reunião? Audiência? Conversa? Mais discussões. Melhor “encontro”, palavra suficientemente vaga para ser aplicada ao enlace do casal de amantes num motel ou à festa de fim de ano das ex-alunas do Colégio Sion.

Restam os fatos. Como tocar no assunto? Já estão todos de acordo quanto à citação expressa da revista VEJA. Lula não admitiria deixá-la de fora. Como foi citada (pior, foi ela quem divulgou a matéria),  então os fatos teriam de ser rebatizados de …versão! Suspiro de alívio. O monstrengo está tomando forma. Um mais esclarecido lembrou-se: versão do jornalista? Desta vez não dava para culpar o Policarpo. Versão do Cachoeira? De novo, problemas à vista. Ainda está preso. Versão da direita raivosa? Embora esteja sempre por trás de tudo, ela não compareceu ao “encontro”. A versão teria que ser do ministro!

Nova rodada de água com Lexotan. É suspensa a distribuição de cafés e chás de qualquer espécie. O homem é um ministro do Supremo! Solução: a versão é da revista VEJA, que a atribuiu ao ministro.

Mas a revista não afirmou que o ministro havia confirmado o teor do “encontro”?, pergunta alguém, imediatamente expulso do recinto para aprender a não tumultuar os trabalhos com meros detalhes. Não há tempo a perder com miudezas. Gilmar Mendes, afinal, há de entender o momento delicado urdido pelas oposições com vistas a derrubar Lula…derrubar Dilma … derrubar os avanços do governo mais popular da história deste país!

O ARGUMENTO QUE FALTAVA
Continua a confecção da nota quase oficial.

“1. No dia 26 de abril, o ex-presidente Lula visitou o ex-ministro Nelson Jobim em seu escritório, onde também se encontrava o ministro Gilmar Mendes. A reunião existiu, mas a versão da Veja sobre o teor da conversa é inverídica. ‘Meu sentimento é de indignação’, disse o ex-presidente, sobre a reportagem.”

Este trecho ─ todos concordam ─ é o cerne da nota oficiosa. A resposta. A porrada nas acusações mentirosas. O argumento que faltava aos blogs progressistas. Portanto, é necessário cuidado! Discute-se de início se seria razoável admitir que houvera (ou não) o “encontro”. Não dá para negar. Motoristas, ascensoristas, copeiros e serviçais (essa gente que gosta de aparecer em CPI’S) acabariam confirmando a presença de Lula e Gilmar no escritório de Jobim. A discussão esquenta. O “encontro” virou reunião.

Já que a reunião (o revisor será demitido amanhã pela manhã!) aconteceu, restam as alternativas de sempre. Lula não sabia! O problema é que desta vez não há o que “não saber”. Não sabia que não podia tentar corromper um ministro? Ou intimidar um juiz? Ou, ainda, chantagear um dos julgadores do mensalão? Não, definitivamente não é caso para outro “não sabia”.

Desta feita, o argumento sempre disponível não cabe. O pânico se espalha entre os escribas de aluguel. Algum gênio da linhagen frankliniana sugere a alternativa já largamente utilizada: “é algo que todo mundo faz”. Não, não é. Uma pesquisa no Google informa que não existe um único episódio na história do Brasil que possa sustentar o argumento do “sou, mas quem não é?” Nada. Desta vez – todos os arquitetos do lulopetismo admitem constrangidos – Lula foi longe demais. Inovou perigosamente.

Resta desmentir. Peremptoriamente. De modo cabal. Mas ─ alerta outro marqueteiro presente ─ não seria perigoso desmentir um ministro do Supremo Tribunal Federal?

Nova pausa para consultas e avaliações. Consulta-se o advogado ─ que interrompe de novo o esforço para livrar da cadeia o cliente de R$ 15.00.000,00 ─ em busca de (mais) uma saída. Até por ser caro e estar habituado a clientes com perfil de bandidos, o advogado alerta: não dá. É arriscado demais acusar de mentiroso ─ ou criminoso ─ um juiz do STF.

Então a coisa ficará assim, sem desmentido? Isso jamais! A versão passa a ser da revista VEJA. Não do ministro (ok, ok, vamos esquecer que o ministro, na mesma entrevista, confirmou o teor da reunião). Caso surjam problemas, Lula nunca disse que o ministro mentiu. A desmentida foi a revista, que publicou uma versão.

Em frente! Liberado o cigarro na sala. Alguém pergunta se a “porra da cachaça do Lula” ainda está na gaveta debaixo da escrivaninha.

Pronto! Dada a resposta. O resto será completado com declarações de princípios, uma das quais reafirmará que nunca antes neste país um presidente teve em tão alta conta o Poder Judiciário.

Por telefone, Lula ouve a leitura da nota oficiosa. Outro esporro. Quer dizer que o grupo reunido por mais de 6 horas não preparou sequer um discurso de “autoria” do chefe?

Voltam todos para o término da missão. Há que se colocar, na nota, uma declaração definitiva do próprio Lula. Mais 2 horas de intensas elucubrações sobre o momento doloroso que Lula enfrentava, frente à “versão da VEJA” sobre o “encontro”.

COMEMORAÇÃO PRECIPITADA
O resultado do esforço coletivo finalmente aparece: “Estou indignado!”. A declaração mais sucinta da história política do planeta. O poder de síntese levado ao extremo! O gênio da raça em seu momento mais glorioso. O bichinho palanqueiro resumindo numa frase outro episódio de mau-caratismo explícito de opositores.

E basta! Mais um é convidado a retirar-se da sala por ter proferido a inconveniência: “Gente, quem fica indignado se indigna com algo! Com que ou com quem Lula está indignado? Com Gilmar? Jobim? Com a VEJA? Com a vida? Com Obama?”

“2. Luiz Inácio Lula da Silva jamais interferiu ou tentou interferir nas decisões do Supremo ou da Procuradoria-Geral da República em relação a ação penal do chamado mensalão, ou a qualquer outro assunto da alçada do Judiciário ou do Ministério Público, nos oito anos em que foi presidente da República.”

“Ação penal do chamado mensalão”? Como assim? O correto não seria “ação penal derivada da FARSA do mensalão!”. A besta do revisor deixou passar….Como prudência e caldo de galinha nunca fazem mal, melhor limitar o prazo aos OITO anos de presidência. Depois, bem , depois destes anos a nota não tem nada a dizer.

“3. “O procurador Antonio Fernando de Souza apresentou a denúncia do chamado Mensalão ao STF e depois disso foi reconduzido ao cargo. Eu indiquei oito ministros do Supremo e nenhum deles pode registrar qualquer pressão ou injunção minha em favor de quem quer que seja”, afirmou Lula.”

Lula fica possesso ao saber que a nota já fora enviada aos jornais com a referência ao procurador Antonio Fernando. Quem foi o desavisado que esqueceu de lembrar a FARSA criada pelo ex-procurador? Parece até que Lula concorda com a denúncia! Tem motivos para comentar o escorregão com voz alterada.

“4. A autonomia e independência do Judiciário e do Ministério Público sempre foram rigorosamente respeitadas nos seus dois mandatos. O comportamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o mesmo, agora que não ocupa nenhum cargo público.”

Mais um deslize que só depois da publicação da nota oficiosa foi notado: a acusação de agir FORA da Presidência como agiu quando a exercia.

Fim da reunião. Todos respiram aliviados. O texto já está em circulação. Comemora-se mais uma crise vencida. A verdade oficial está apresentada. Lula não se expôs a nenhum processo. Nem precisou assinar a nota. Os participantes da reunião se preparam para a retirada quando Gilmar Mendes aparece na TV para reafirmar o que disse. Não foi uma versão da revista; foram fatos. Não foi uma reunião; foi uma cobrança recheada de ameaças. Jobim a tudo ouviu e até tentou ajudar Lula na argumentação, usando o suspeitíssimo Protógenes, o suplente de palhaço. E ainda acrescentou detalhes.

Faz-se um profundo silêncio na sala do Instituto Lula. Até que alguém se levanta e desliga a televisão. Alguém comenta: “Amanhã vai chover…” Todos vão embora.

Pano rápido.

Ficção? Certamente…

Nenhum autor conseguiria escrever um roteiro tão cheio de erros quanto este. Pleno de dubiedades. Um texto que começa e termina sem afirmar nada. Uma peça assim teria que ter, necessariamente, uma plateia de idiotas e imbecis.

Só gente assim acreditaria na verossimilhança do teatro de horrores, onde a ignorância faz par com a ofensa. Ignorância do autor que ofende a inteligência dos espectadores.

Melhor devolver o valor do ingresso.

29/05/2012

às 0:02 \ Sanatório Geral

Caso grave

“A conversa entre o ministro Gilmar Mendes e o ex-presidente Lula, intermediada por Nelson Jobim, não é um caso de polícia, mas, sim, um caso de manicômio judiciário”.

Miro Teixeira, deputado federal pelo PDT do Rio de Janeiro, admitindo que quem não desencarna do Planalto merece usar uma camisa-de-força sobre a faixa presidencial imaginária.

 

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