15/03/2011
às 17:52 \ Direto ao PontoSeja feliz por 93 segundos
A fórmula está na seção História em Imagens.
15/03/2011
às 17:52 \ Direto ao PontoA fórmula está na seção História em Imagens.
14/03/2011
às 22:09 \ História em Imagens“Sou, várias vezes ao dia”, respondeu Tônia Carrero ao jornalista que lhe perguntara se era feliz. E não existe hora marcada para isso, acrescentou a grande atriz. Quem assistir às cenas reproduzidas abaixo, por exemplo, será feliz ao menos por 1 minuto e 33 segundos. Essa é a duração do vídeo que documenta a queda do Muro de Berlim em novembro de 1989.
A abjeção construída em agosto de 1961 foi, simultaneamente, um monumento à violência política e um colossal atestado da falência do regime comunista. Enquanto o Muro existiu, o tráfego humano teve mão única. Milhares de moradores de Berlim Oriental tentaram a fuga para a liberdade. Jamais se soube de alguém que tivesse trocado a vida na outra parte da cidade para desfrutar do sonho socialista.
Durante 28 anos, o Muro pareceu indestrutível. A queda demorou algumas horas. Veja o hino à Liberdade composto em pouco mais de um minuto e meio. E seja feliz.
Tags: Berlim Ocidental, Berlim Oriental, liberdade, Muro de Berlim, queda, Tônia Carreiro, vídeo
08/07/2010
às 20:41 \ Direto ao Ponto“Negócios são negócios”, recitou Celso Amorim para justificar a troca de afagos e elogios entre o presidente Lula e Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, ditador da Guiné Equatorial há mais de 30 anos. Se a França vende manteiga à nação africana, acrescentou no café da manhã seguinte, por que o Brasil ─ para garantir que empresários daqui continuem lucrando por lá ─ não pode aceitar alguns milhares de assassinatos, relevar um ou outro genocídio e, em respeito à soberania dos demais países, evitar interferências em problemas internos?
E Honduras?, dispensaram-se de retrucar os jornalistas que ouviram a frase que resume exemplarmente a diplomacia do cinismo. A discurseira do governo brasileiro, que rompeu relações diplomáticas com o país centro-americano entre juras de amor à democracia ameaçada, só existe quando o volume de exportações e importações é pouco relevante? Negócios são negócios, constata quem vê as coisas como as coisas são. E vão muito além de cifras, balanças comerciais ou acordos econômicos.
O governo que usa o Itamaraty para posar de esquerdista é também um negociante político-ideológico. Faz qualquer negócio para ajudar companheiros ou prejudicar o Grande Satã Ianque e os lacaios do imperialismo estadunidense. O venezuelano Hugo Chávez e o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, por exemplo, são bons companheiros. São inimigos o colombiano Alvaro Uribe e qualquer presidente hondurenho que não se chame Manuel Zelaya.
“Para defender a democracia, o governo americano tem o dever de aplicar sanções econômicas a Honduras”, reiterou o chanceler enquanto Zelaya gerenciava a embaixada reduzida a pensão. “Se as sanções econômicas ao Irã se tornarem mais apertadas, quem sofrerá serão os setores mais frágeis da sociedade”, continua a contradizer-se sem ficar ruborizado.
Amorim defendeu desde o primeiro minuto no emprego a volta de Cuba (que não sabe o que é uma urna desde os anos 50) à Organização dos Estados Americanos. Mas não admite a readmissão de Honduras, porque as eleições que levaram ao poder o candidato oposicionista Porfirio Lobo “foram realizadas pelo governo golpista”. O companheiro Fernando Lugo pode contar com a ajuda do Brasil na guerra contra a guerrilha paraguaia. Os companheiros das FARC podem contar com a omissão do Brasil na guerra contra o governo constitucional colombiano.
O legado da diplomacia do cinismo não poderá ser integralmente debitado na conta de Amorim. Ela faz o que Marco Aurélio Garcia e o PT acham certo ─ e Lula manda fazer. Mas Garcia é uma velharia perdida nos escombros do Muro de Berlim, e Lula é o resultado previsível do cruzamento da soberba com a ignorância. Amorim é outra coisa. É diplomata de carreira. Foi ministro das Relações Exteriores do presidente Itamar Franco. Conheceu o Itamaraty de outros tempos. Sabe que não deveria fazer o que faz. Faz por excesso de vassalagem e falta de vergonha.
“Você me despreza, não?”, pergunta o trapaceiro interpretado por Peter Lorre, num dos grandes momentos do filme Casablanca, ao protagonista eternizado por Humphrey Bogart. “Desprezaria, se pensasse em você”, responde Rick Blaine. Ugarte é uma figura exemplarmente desprezível, sublinha a expressão entediada de Bogart. Tão desprezível que nem vale a pena ocupar-se dele.
É provável que Celso Amorim escape de ser desprezado pelo Brasil do futuro por ser só mais um Ugarte. Não vai merecer sequer um asterisco em livros de História. Merece o desprezo eterno, mas o país que sobreviverá à Era Lula não terá tempo para lembrar-se de gente assim.
Tags: Casablanca, Celso Amorim, Honduras, Humphrey Bogart, Itamaraty, Lula, Manuel Zelaya, Marco Aurélio Garcia, Muro de Berlim, Peter Lorre, Rick Blaine
07/11/2009
às 23:40 \ Direto ao PontoO monumento ao primitivismo que começou a ser erguido na noite de 22 de outubro, quando centenas de alunos do campus de São Bernardo protagonizaram a tentativa de linchamento da moça do vestido curto, foi inaugurado com a expulsão de Geisy Arruda e a aprovação, com louvor, dos agressores. A nota divulgada pela direção da Uniban, com o título A educação se faz com atitude e não com complacência, faz sentido nestes tempos estranhos. Num Brasil pelo avesso, o certo virou errado e o errado virou certo.
Como o culpado é inocente, Antonio Palocci pode estuprar a conta do caseiro, o MST pode invadir o que vier pela frente, José Sarney pode continuar engordando o prontuário de matar de inveja um general do PCC. Como o inocente é culpado, Francenildo Costa não pode queixar-se da condenação ao desemprego, os fazendeiros não podem invocar o direito de propriedade nem alegar que as terras são produtivas. Por divulgarem verdades sobre um homem incomum, o Estadão merece censura e merecem pancadas jornalistas que escrevem livros contando um pouco do muitíssimo que fez o dono do Maranhão.
Como o que era já não é, diplomas de universidades estrangeiras agora equivalem a atestados de elitismo. Devem ser transferidos da parede para o porão, antes que os diplomados sejam considerados inimigos do Grande Ignorante e, portanto, da pátria. Falar e escrever direito é coisa de preconceituoso, miudezas desprezíveis para um enviado da Divina Providência. Acumular conhecimentos é feio. Bonito é ser analfabeto. O presidente que subiu na vida sem ter estudado é a prova de que o brasileiro precisa aprender a desaprender, e revogar de vez o refinamento. É da vulgaridade que o povo gosta, é grosseria o que o povo quer.
A minissaia foi inventada em 1960, os trajes das universitárias hoje sessentonas eram bem mais ousados. Mas um microvestido ficou moderno demais, porque o país está avançando para trás. A sindicância interna concluiu que Geisy teve “uma postura incompatível com o ambiente da universidade, frequentando as dependências da unidade em trajes inadequados”.
A sorte é que jovens de boa família estavam lá para defender “os princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade” desrespeitados pela moça desvestida de vermelho. “A atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar”, descobriu a Uniban.
Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, a Uniban transformou o campus de São Bernardo no muro da boçalidade. A expulsão do vestido curto riscou a fronteira que separa o país moderno do Brasil primitivo. A turma das cavernas está do lado de lá.
Tags: Geisy Arruda, Muro de Berlim, São Bernardo, Uniban