Blogs e Colunistas

MST

09/01/2012

às 21:26 \ Feira Livre

‘Ministério da Verdade’, um artigo de Marco Antonio Villa

PUBLICADO NA FOLHA DESTA SEGUNDA-FEIRA

escher-encounter

escher-encounter

Marco Antonio Villa

Estamos vivendo um tempo no qual os donos do poder exigem obediência absoluta.

No Congresso, a oposição representa apenas 17,5% das cadeiras. O governo tem uma maioria digna da Arena. Em 1970, no auge do regime militar, o MDB, partido de oposição, chegou a examinar a proposta de autoextinção. Quatro anos depois, o mesmo MDB venceu a eleição para o Senado em 16 dos 22 Estados existentes (no Maranhão, o MDB nem lançou candidato).

Ou seja, a esmagadora maioria de hoje pode não ser a de amanhã. Mas, para que isso aconteça, é necessário fazer algo básico, conhecido desde a antiga Grécia: política.

É nesse terreno que travo o meu combate. Sei que as condições são adversas, mas isso não significa que eu tenha de aceitar o rolo compressor do poder. Não significa também que eu vá, pior ainda, ficar emparedado pelos adversários que agem como verdadeiros policiais do Ministério da Verdade.

Faço essas ressalvas não para responder aos dois comentários agressivos, gratuitos e sem sentido do jornalista Janio de Freitas, publicados nesta Folha nos textos “Nada mais que o Impossível” (1º de janeiro) e “Meia Novidade” (3 de janeiro). Não tenho qualquer divergência ou convergência com o jornalista. Daí a minha estranheza pelos ataques perpetrados sem nenhuma razão (aparente, ao menos).

A minha questão é com a forma como o governo federal montou uma política de poder para asfixiar os opositores. Ela é muito mais eficiente que as suas homólogas na Venezuela, no Equador ou, agora, na Argentina.

Primeiro, o governo organizou um bloco que vai da direita mais conservadora aos apoiadores do MST. Dessa forma, aprova tudo o que quiser, com um custo político baixo. Garantindo uma maioria avassaladora no Congresso, teve as mãos livres para, no campo da economia, distribuir benesses ao grande capital e concessões aos setores corporativos. Calou também os movimentos sociais e sindicatos com generosas dotações orçamentárias, sem qualquer controle público.

Mas tudo isso não basta. É necessário controlar a imprensa, único espaço onde o governo ainda encontra alguma forma de discordância. No primeiro governo Lula, especialmente em 2005, com a crise do mensalão, a imprensa teve um importante papel ao revelar as falcatruas ─ e foram muitas.

No Brasil, os meios de comunicação têm uma importância muito maior do que em outras democracias ocidentais. Isso porque a nossa sociedade civil é extremamente frágil. A imprensa acaba assumindo um papel de enorme relevância.

Calar essa voz é fechar o único meio que a sociedade encontra para manifestar a sua insatisfação, mesmo que ela seja inorgânica, com os poderosos.

Já em 2006, quando constatou que poderia vencer a eleição, Lula passou a atacar a imprensa. E ganhou aliados rapidamente. Eram desde os jornalistas fracassados até os políticos corruptos -que apoiavam o governo e odiavam a imprensa, que tinha denunciado suas ações “pouco republicanas”.

Esse bloco deseja o poder absoluto. Daí a tentativa de eliminar os adversários, de triturar reputações, de ameaçar os opositores com a máquina estatal.

É um processo com tinturas fascistas, que deixaria ruborizado Benito Mussolini, graças à eficiência repressiva, sem que se necessite de esquadrões para atacar sedes de partidos ou sindicatos. Nem é preciso impor uma ditadura: o sufrágio universal (sem política) deverá permitir a reprodução, por muitos anos, dessa forma de domínio.

Os eventuais conflitos políticos são banais. Por temer o enfrentamento, a oposição no Brasil tenderá a ficar ainda mais reduzida e restrita às questões municipais e, no máximo, estaduais.

19/11/2011

às 7:44 \ Sanatório Geral

Como é que é?

“Por que não propor a mudança do teor ermo e rural do campus por sua urbanização efetiva, o aumento de cursos noturnos etc.?”

Trecho do artigo publicado na Folha desta sexta-feira sobre as arruaças promovidas por baderneiros da USP, redigido em dilmês erudito e assinado pelos professores Francisco Alambert, Francisco de Oliveira, Jorge Grespan, Lincoln Secco, Luiz Renato Martins e Marcos Soares, aparentemente propondo a ocupação dos espaços da Cidade Universitária por conjuntos habitacionais do Programa Minha Casa Minha Vida e por acampamentos do MST.

09/09/2011

às 19:21 \ Feira Livre

Internet contorna cooptação lulopetista

EDITORIAL PUBLICADO NO GLOBO DESTA SEXTA-FEIRA

O feriado do Dia da Independência se tornou um marco na história das manifestações populares no país. Menos pela quantidade de pessoas que levou às ruas, e muito mais pela forma e contexto em que foram mobilizadas. Fica registrado que em 7 de setembro de 2011 alguns milhares de brasileiros decidiram protestar contra a onda de corrupção na esfera pública, sem atender qualquer das entidades outrora de praxe — UNE, sindicatos —, apenas conectando- se por meio de redes sociais, via internet. Aliás, decidiram fazer o que fizeram contra os interesses de UNE, sindicatos etc.

Este tipo de mobilização política espontânea entre cidadãos, à margem de governo, partidos e corporações, ganhou grande destaque mundial na luta (frustrada) da oposição iraniana contra a vitória eleitoral fraudada de Ahmadinejad, em 2009. Mensagens de twitter convocaram protestos, e cenas de conflitos registradas por telefones celulares foram transmitidas ao redor do mundo, fato inédito na fechada ditadura persa dos aiatolás. No final, venceu a ditadura, inclusive valendo-se de recursos de tecnologia de ponta para rastrear opositores e jogá-los nas terríveis masmorras do regime.

No Brasil, a internet não é usada contra uma ditadura, óbvio, mas, no 7 de setembro, para romper uma couraça criada nos oito anos de poder lulopetista a fim de proteger o governo e o PT de qualquer ameaça política.

Na Primavera Árabe, ainda em andamento, foi de vez institucionalizado o manejo da rede mundial de computadores, das mais diversas formas, para inimigos das ditaduras se comunicarem e planejarem ações.

Longe de ser o caso do Brasil, também é claro. A peculiaridade brasileira é que desde 2003, com a chegada de Lula ao Planalto, entidades estudantis, organizações ditas sociais como o MST e grandes centrais sindicais (CUT e Força) — apenas para citar os elos mais importantes desta cadeia fisiológica — passaram a ter assento no grande banquete pago pelo dinheiro do Tesouro Nacional (leia-se, o contribuinte). Na política de obter apoio em troca de vagas e verbas, o governo doou o Incra ao MST, o Ministério do Trabalho aos sindicatos, encheu os cofres da UNE de numerário, e, assim, chegamos ao ponto atual, em que, por conveniências bastante concretas, aguerridas entidades fingem que não há corrupção em Brasília. Tampouco que a multiplicação de casos em que o Tesouro é assaltado deriva do toma lá dá cá adotado em Brasília há oito anos.

Forjou-se, até, a anedótica comparação entre os que pedem hoje lisura no manejo do dinheiro do Erário com a UDN de Carlos Lacerda, da década de 50, na campanha contra Vargas, acusado de corrupção. Os momentos históricos são distintos como água e vinho.

No fundo, paira a visão de que o roubo de direita tem de ser denunciado, enquanto o roubo de esquerda deve ser tolerado, em nome da “causa”. Lamentável.

A mobilização que resultou nas quase 30 mil pessoas no asfalto de Brasília, sem que fossem admitidas faixas e cartazes alusivos a partidos, pode ser a ponta de algo maior existente no subsolo da sociedade. Merece alguma reflexão dos atuais donos do poder.

28/08/2011

às 8:43 \ Sanatório Geral

A mesada aumentou

“Abrimos as portas para um diálogo que é tenso. Chegamos no limite das nossas possibilidades. Esperamos que tenhamos atendido às principais reinvindicações”.

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e maleiro-chefe de Lula e Dilma Rousseff, explicando por que o reajuste do contrato de aluguel com o MST não pôde passar de R$ 400 milhões.

23/08/2011

às 20:09 \ Sanatório Geral

Só no Brasil

“Esperamos que esta ação possa sensibilizar o governo, que sejamos ouvidos e atendidos. Se isso não ocorrer, vamos avaliar novas pressões para lidar com o governo daqui para frente. Queremos negociar, mas não adianta só negociar. Precisamos de uma solução. A corrupção instalada é a prova que tem dinheiro no governo, mas está indo para o lugar errado”.

Valdir Misnerovicz, integrante da Coordenação Nacional do MST, exigindo que o dinheiro embolsado pelos corruptos seja desviado para os únicos lavradores do mundo que só lidam com foice e martelo.

23/08/2011

às 19:32 \ Direto ao Ponto

A sigla fora da lei exige aumento de mesada

Promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, a “jornada nacional de lutas” iniciada nesta segunda-feira pretende exibir até domingo uma edição compacta do “abril vermelho” ─ o espetáculo fora-da-lei reprisado todos os anos pelas tropas da lona preta. Talvez por falta de imaginação, talvez por excesso de atrevimento, provavelmente pelos dois motivos, o script se mantém inalterado há muitos anos. Enquanto os guerreiros do campo, incapazes de distinguir um abacaxi de uma beterraba, atacam simultaneamente dezenas de propriedades rurais e prédios públicos em diferentes regiões do país, os chefões do MST baixam em Brasília para pedir ao governo outro aumento de mesada.

Desta vez, nem os alvos mudaram. Foi invadida pela quinta vez, por exemplo, a fazenda Santo Henrique, pertencente à Cutrale e encravada no município de Borebi, a 300 quilômetros da capital. A quarta invasão, ocorrida em outubro de 2009, incluiu a destruição de 12 mil pés de laranja, parcialmente documentada pela Polícia Militar. Confira o vídeo de 50 segundos:

As imagens avisam que o bando está cada vez mais ousado, constatou o post reproduzido na seção Vale Reprise. Também informam que a Justiça tem uma chance das boas de revogar a suspeita de que o MST foi condenado à impunidade. “Vamos dar uma resposta à sociedade”, prometeu o delegado de Borebi, Jader Biazon. “Alguns dos responsáveis pelo que aconteceu vão responder criminalmente”. O que aconteceu foi mais que outra invasão ilegal consumada por 250 famílias. Foi um assalto praticado por centenas de ladrões sem medo.

Mais uma vez, deu em nada. Passados dois anos, os estupradores do direito de propriedade, com o apoio do PT e a omissão cúmplice do governo federal, atropelam o Código Penal. Nesta tarde, o juiz de Lençóis Paulista deu um prazo de 24 horas para que os atacantes desocupem o lugar. É pouco. Até que os comandantes da sigla sejam exemplarmente punidos pelos crimes que cometem, o MST será a única organização fora-da-lei da história do Brasil que o Executivo patrocina, o Legislativo protege e o Judiciário trata como inimputável.

02/08/2011

às 7:28 \ Sanatório Geral

Vadiagem subsidiada

“Não é o primeiro ano de Dilma. É o nono ano do governo do PT”.

João Paulo Rodrigues, dirigente do MST, avisando à companheira presidente que está na hora de aumentar a mesada.

30/07/2011

às 13:58 \ Feira Livre

Vale-tudo ideológico

EDITORIAL PUBLICADO NO GLOBO DESTA SEGUNDA-FEIRA

Entidades com longa história de vigilância sobre governos, como a UNE, se mantêm em silêncio diante da enxurrada de casos de corrupção ocorridos desde 2003, quando Lula assumiu o primeiro mandato. Dois anos depois estourou o mensalão, em que há crimes de lavagem de dinheiro e também de desvio de recursos públicos, entre outros. Silêncio total. E assim tem sido até agora, na sucessão de escândalos nestes quase sete meses de governo Dilma. Sequer apoio à presidente, petista, é dado.

Forja-se, agora, uma curiosa desculpa para essa imobilização: tudo seria fruto do “udenismo” da oposição e, claro, da imprensa independente e profissional. Quer-se, com isso, importar das décadas de 50 e 60 uma luta ideológica entre a UDN de Carlos Lacerda e o PTB de Getúlio, Jango e Brizola, um anacronismo. Além de se considerar que havia mesmo corrupção no Palácio do Catete daqueles tempos, hoje a conjuntura é muito diferente. Não há qualquer campanha ideológica orquestrada contra qualquer governo, apenas — o que não é pouco — fatos concretos, substantivos, de malfeitos na esfera do poder.

O mensalão, de tão substantivo, virou peça de acusação do Ministério Público Federal aceita pelo Supremo, que se prepara para julgar o histórico processo em 2012, salvo chicanas advocatícias. Nele estão figuras estreladas do PT, como José Dirceu, Genoino, o tesoureiro Delúbio Soares – recebido de volta pelo partido sem pudores -, João Paulo Cunha etc. Talvez isto iniba a UNE, sindicatos e movimentos ditos sociais, também dependentes de verbas públicas. Fica evidente que, na ótica de algumas organizações, há corrupções e corrupções. Se o escândalo envolve o governo Collor de Mello, a postura é uma; caso atinja o PT, o silêncio impera. (Não se deve mesmo esquecer que existe um mensalão tucano mineiro no Supremo, à frente dele o ex-governador Eduardo Azeredo). Não há como ressuscitar no século XXI os embates ideológicos do início da metade do século passado. Não está em questão a tomada do poder, mas a lisura no manejo do dinheiro do contribuinte, o que não pode ser considerado desimportante. Mas, em nome da manutenção do poder, faz-se vista grossa a escabrosos assaltos ao Tesouro, cometidos à vista de todos.

Há o perigo de UNE, MST e entidades sindicais reeditarem algo também tão carcomido quanto o embate de “udenismo” versus “trabalhismo/getulismo”: o “rouba mas faz” do populismo de Adhemar de Barros da política paulista daqueles mesmos tempos. Uma ideologia distorcida que se manteve na vida pública de São Paulo até Paulo Maluf.

Recoloca-se a também antiga questão dos “fins que justificam os meios”, cacoete de movimentos de esquerda que terminou desaguando no mensalão e em outras impropriedades em certas empresas estatais. O fato de a UNE fazer um congresso patrocinado pelo dinheiro público é apenas um aspecto, seja uma caneta petista ou tucana que libere as verbas. Há mesmo eventos de organizações da sociedade que precisam e devem contar com apoio do poder público.

O ponto é outro: o que UNE, sindicatos, MST e similares dão em troca do acesso ao dinheiro do contribuinte. O silêncio diante da enxurrada de casos de desvio de dinheiro do Tesouro é grave. Inevitável que se faça ligação entre uma coisa e outra. Há – ou deveria haver – preceitos éticos que pairam sobre partidos e ideologias, bem como o compromisso inegociável com eles. Se não, a vida pública se resume a um vale-tudo de quinta categoria, sem aprimorar a sociedade.

30/07/2011

às 7:24 \ Sanatório Geral

Aliança patriótica

“Ninguém chamou de violência a brutal grilagem de terras neste país”.

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República e maleiro-chefe de Lula e Dilma Rousseff, ensinando que os companheiros do MST têm todo o direito de invadir terras alheias porque companheiros como Jader Barbalho, José Sarney e Blairo Maggi, segundo a discurseira do PT quando estava na oposição, enriqueceram com brutais grilagens de terras.

28/07/2011

às 17:36 \ Sanatório Geral

Vale tudo

“Ele está mudado. Não está mais raivoso como antigamente”.

João Paulo Rodrigues, dirigente nacional do MST, sobre o encontro com o prefeito Gilberto Kassab, que anda flertando até com os sem-terra para parir o partido que não é de direita, nem de esquerda e nem de centro.


 

Serviços

 

Assinaturas

Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados