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Mônica Veloso

04/07/2011

às 4:03 \ Sanatório Geral

Palanqueiro no velório

“A contribuição de Itamar Franco foi fundamental para a construção coletiva de um país democrático, mais justo e sem pobreza”.

Lula, no velório de Itamar Franco, suspendendo por algumas horas a discurseira segundo a qual precisou construir um país inteiro porque nenhum governante, desde Tomé de Souza, fez qualquer coisa que prestasse.

02/10/2009

às 19:00 \ Homem sem Visão

Ideli continua em campanha, Toffoli promete piorar e AAL quer imortalizar o casal Calheiros

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Minutos antes da entrega das medalhas ao segundo e ao terceiro colocados na disputa do título de Homem sem Visão de Setembro, a vice-campeã Ideli Salvatti, ainda na platéia, pediu a palavra para uma questão de ordem: “Posso somar minhas duas medalhas de prata e trocar por um troféu de HSV?”, berrou. Diante da negativa da Comissão Organizadora, a medalhista reincidente avisou que concorrerá de novo.  “Ainda faltam três meses para o fim do ano”, lembrou. “Meu assessor predileto acha que tenho chance”.

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José Antônio Toffoli soube da conquista da medalha de bronze durante a sabatina no Senado. “Tive que controlar a emoção”, confessou. ”Contei a um grupo de parlamentares amigos e eles me disseram que agora acabou essa conversa de currículo sem currículo”. Com voz embargada, declamou a promessa: “Vou piorar a imagem nos próximos meses com as minhas decisões no Supremo”. Ao saber da homenagem de Tarso Genro, que dedicou bonitos versos aos derrotados, o bacharel de toga decidiu comprar um livro do ministro da Justiça. “Sete já foram vendidos. O Tarso pode contar com o oitavo, porque me identifiquei com o tema das poesias”.

Inconformado com o quarto lugar, Lêdo Ivo, porta-voz da Academia Alagona de Letras, informou que os imortais estaduais vão partir para a radicalização. “Já convencemos Fernando Collor a aceitar a imortalidade de Renan Calheiros”, garantiu, antes de revelar a carta guardada na manga do fardão: ”Vamos exigir que o governador conceda o título de cidadã alagoana à Mônica Veloso, publicar em livro as legendas das fotos que saíram na Playboy e imortalizar também a segunda patroa do Renan”.

06/08/2009

às 18:44 \ Direto ao Ponto

O que faz Renan fora da cadeia?

No fim de maio de 2007, uma reportagem de VEJA escancarou a face horrível de Renan Calheiros, então presidente do Senado. Os homens de bem se estarreceram com o que viram, os colegas não viram nada de novo, Renan deixou o comando da mesa, foi para as coxias e esperou exatamente 24 meses para reaparecer na ribalta, neste fim de maio, no papel de parceiro preferido do presidente Lula. Por decisão do chefe de governo, cabe ao companheiro Renan, líder da bancada do PMDB e amigo de infância do presidente José Sarney, impedir que a CPI da Petrobrás consiga provar que a estatal praticou, permitiu ou patrocinou delinquências bilionárias.

Está com a sensação de que já leu isso? Leu mesmo. É o trecho de um post de 28 de maio, que antecipava ocorrências quase palpáveis de tão previsíveis: o jagunço a serviço de todos os governos logo despejaria sobre outros senadores os sórdidos dossiês que coleciona obsessivamente. Lula tomara uma decisão acertada, continua o texto. 

As nuvens que se avolumam sobre a Petrobras são formadas por denúncias, suspeitas, indícios e evidências. Quem melhor para enfrentá-las do que o alagoano que sobreviveu a um tsunami de provas tangíveis e pilantragens visíveis a olho nu? É o homem certo no lugar certo. Para assassinar os fatos no nascedouro, foi convocado um serial killer especializado no extermínio de verdades inconvenientes.

Fosse o Brasil um país sério e Renan não conseguiria pronunciar sequer uma vírgula sobre assunto nenhum. Primeiro teria de providenciar respostas verossímeis para questões que seguem pendentes. O que tem a dizer sobre as relações mais que promíscuas envolvendo as empreiteiras Gautama e Mendes Junior? E sobre as mesadas de R$ 16,5 mil entregues pelo amigo lobista a Mônica Veloso? E as notas fiscais que fraudou na tentativa de explicar o inexplicável? Que tal ensinar o truque da multiplicação de imaginários, que transformou um fazendeiro de araque em imperador do gado?

Com incontáveis acertos a fazer com a Justiça dos homens e o Juízo Final, o extorsionário alagoano continua a brincar de inquisidor. Pastoreia a base alugada com a arrogância sem remorsos do pecador vocacional, enquadra os vacilantes do PT, banca o capitão-do-mato com em parceria com Fernando Collor. Depois de começar a bandidagem forjada para inocentar José Sarney, quer punir os que o acusaram. É o que está fazendo neste momento no plenário do Senado.

Há algo de errado com a Justiça de um país que não consegue trancar na cadeia um fora-da-lei como Renan Calheiros.

16/06/2009

às 20:28 \ O País quer Saber

O coveiro da CPI da Petrobras escapou da cassação, livrou-se da Justiça e voltou a mandar no Senado

O homem do cafezinho e a mulher da limpeza, o jovem garçom do restaurante e a taquígrafa já aposentada, o segurança novato e o decano dos gráficos, o motorista do ponto de táxi e o motorista do carro oficial, o repórter aprendiz e o colunista oficial ─ todos os minimamente familiarizados com o Senado sabiam, no fim do inverno de 2007, que o presidente Renan Calheiros tinha culpa no cartório. Também sabiam que escaparia do merecidíssimo castigo sem maiores explicações.

Renan continua com culpa no cartório e continua devendo explicações, confirmou a enquete realizada pela coluna para identificar a lista de prioridades dos leitores. Para 264 (34% do total de 768), o atropelador compulsivo da lei e da ética deve começar pelo mistério das notas fiscais fraudadas e das empresas fantasmas. Outros 200 (26%) preferem o milagre da multiplicação dos rebanhos de gado inexistentes. Para 160 (21%), é mais urgente o caso da mesada paga pelo lobista de uma empreiteira a Mônica Veloso, mãe da criança nascida fora do casamento. E 144 (19%) acham que na frente da fila está o preço em dinheiro vivo das vitórias eleitorais em Alagoas.

Em 12 de setembro de 2007, fizeram de conta que não havia pecados a pagar nem explicações a oferecer os 40 pais da pátria que rejeitaram a cassação de Renan (aprovada por 35) e os seis senadores que se abstiveram. ”Achei melhor esperar o fim das investigações”, recitou Aloizio Mercadante, líder da coluna do meio. Na oposição, o senador do PT paulista nunca precisou de provas, nem sequer indícios, para decidir que um adversário inocente era culpado. Nomeado estafeta de Lula, foi à luta para absolver o neocompanheiro Renan por ordem do chefe. Certos atos de covardia exigem mais coragem que demonstrações de bravura em guerras de verdade.

A caminhada para fora do gabinete da presidência durou 139 dias. Começou em 30 de maio, quando a reportagem de capa de VEJA divulgou o teatrão fora-da-lei em que Renan contracena com a jornalista Mônica Veloso e um lobista da Construtora Mendes Júnior. Ao usar o amigo para o pagamento de despesas pessoais, quebrara o decoro parlamentar. Como tal infração justifica a cassação do mandato, a sensatez recomendava que deixasse a presidência para esperar com a discrição possível que a poeira baixasse.

Preferiu ficar onde estava, confiante na cumplicidade corporativista, e  transformou o que deveria ser um discurso de explicações numa declaração de guerra aos fatos, à verdade, à sensatez e aos códigos legais. O beija-mão liderado pelo comparsa Romero Jucá no fim do falatório sugeriu-lhe que a impunidade havia chegado. Ainda não, soube nos 100 dias seguintes.

Na edição de 8 de agosto, depois de outra drenagem no pântano, VEJA fez revelações que ampliaram notavelmente o prontuário do réu. Acuado, Renan empreendeu mais uma contra-ofensiva desastrosa. Apresentou ao Conselho de Ética do Senado notas fiscais com marcas evidentes de fraude e entregou documentos sobre uma única transação que apresentavam entre si uma diferença na venda declarada de 511 cabeças de gado — equivalentes a R$ 600 mil, quase um terço do que Renan dizia ter juntado com atividades agropecuárias desde 2003.

Convocados para o exame do papelório, três peritos da Polícia Federal informaram, num parecer de 20 páginas, que as notas fiscais continham uma série de “inconsistências formais”. A principal era a ausência ou a duplicidade do Selo Fiscal de Autenticidade, instrumento destinado ao controle da emissão dos documentos fiscais. Em duas notas, não havia o número do selo. Em outra, o número se referia a uma segunda nota. Algumas estavam sem data, outras exibiam campos rasurados ou haviam sido emitidas fora da ordem cronológica.

Aberrações semelhantes comprometeram também 100 Guias de Trânsito Animal reunidas pelo senador para provar que ganhara R$ 1,9 milhão com o comércio de gado nos quatro anos anteriores. “Várias informações preenchidas nas guias são divergentes daquelas presentes nas notas fiscais, apesar de as datas dos dois documentos serem as mesmas”, constataram os policiais. “E grande parte dos destinatários do gado vendido, cujos nomes constam das GTAs, não coincide com aqueles informados nas notas fiscais de venda apresentadas”.

Segundo os códigos em vigor, Renan Calheiros cometeu crimes contra a ordem tributária suficientes para que fosse punido com dois a cinco anos de prisão e uma multa de bom tamanho. Não houve castigo nenhum. No começo deste ano, virou líder da bancada do PMDB. Com a eleição que devolveu José Sarney ao centro da mesa diretora, Renan tornou-se presidente de fato e voltou a mandar no Senado. No momento, também exerce as funções de coveiro da CPI da Petrobras.


 

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