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Minha Vida

03/10/2011

às 8:46 \ Sanatório Geral

Ministro do azulejo

“Por exemplo, a cobertura de azulejos dos imóveis do Minha Casa, Minha Vida”.

Mário Negromonte, ministro das Cidades, surpreendido pela notícia de que está tão mal no retrato do primeiro escalão que não tem poderes sequer para chamar o homem do cafezinho, invocando o caso dos azulejos para garantir que continua às voltas com missões das quais depende o futuro da pátria.

14/07/2011

às 16:20 \ Feira Livre

‘Não precisa fazer, basta anunciar’, de Carlos Alberto Sardenberg

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL O GLOBO DESTA QUINTA-FEIRA

Construção da refinaria Abreu e Lima (PE): obras se arrastam desde 2005

Carlos Alberto Sardenberg

Corria o ano de 1978 e o grande debate nacional era sobre a lei de anistia, que indicava o começo do fim do regime militar. Na economia, a discussão era igualmente intensa: como o país deveria reagir à crise internacional? Outro ponto, porém, chamava a atenção: onde construir o novo aeroporto de São Paulo, destinado a ser o principal do Brasil e da América do Sul?

Viracopos, em Campinas – foi a resposta dada pelo então ministro da Aeronáutica, Délio Jardim de Mattos, em entrevista nas páginas amarelas de “Veja”, a mim concedida. Mas Campinas está muito longe de São Paulo – tal era a objeção que todos faziam. Isso já foi estudado, tem solução fácil e já encaminhada, garantia o ministro.

Qual? Adivinharam, o trem rápido para São Paulo. Como verificam os leitores, não é de hoje que os governantes garantem projetos e obras que depois ficam rodando por aí. No caso, o novo aeroporto acabou sendo o de Guarulhos, também com a garantia de um trem fazendo a ligação com o centro de São Paulo. Viracopos, hoje, está de novo nos projetos do governo federal para se tornar o maior aeroporto da América do Sul – 33 anos depois! – e o trem evoluiu. Agora é um trem de alta velocidade, e que ligará o aeroporto a São Paulo e daqui até o Rio de Janeiro – esse mesmo cuja licitação acaba de fracassar.

Se é para não fazer, melhor projetar uma coisa grande, não é mesmo? Não faz do mesmo jeito, mas o anúncio dá muito mais propaganda. Aliás, os diversos anúncios.

Este projeto é mais recente. O governo Lula começou a falar disso em 2007. Em janeiro de 2008, anunciou que o trem-bala seria licitado em março de 2009. Seis meses depois dessa data, em agosto de 2009, novo anúncio, agora mais ambicioso, ou seja, com mais propaganda: o edital sairia em outubro de 2009, o contrato em janeiro de 2010 e o trem começaria a rodar no início de 2014, a tempo da Copa. Nessa época, custava em torno dos R$10 bilhões – o número redondo indicando que se tratava de uma, digamos, suposição.

Foi também em 2007 que o governo Lula anunciou pela primeira vez a refinaria de petróleo Abreu e Lima, a ser construída em Pernambuco por uma associação entre a Petrobras e a venezuelana PDVSA. Ficaria pronta em três anos e custaria cerca de US$4 bilhões.

A refinaria foi “inaugurada” várias vezes por Lula e Hugo Chávez: no projeto, no memorando de intenção, no acordo em princípio, na placa do início da terraplenagem.

Só que a PDVSA simplesmente ainda não entrou no negócio. Não formalizou sua participação, não colocou dinheiro e está duvidando das contas da Petrobras, que garante ter feito 35% da obra, aplicando cerca de R$7 bilhões.

No intervalo, a data de inauguração foi empurrada para frente e o preço já pulou de US$4 bilhões para US$14,4 bilhões.

Como o trem-bala, que ficaria pronto para a Copa e, agora, nem para a Olimpíada, e isso se tudo estivesse dando certo. E o preço, do governo já saltou para R$35 bilhões, considerado subestimado pelas companhias privadas nacionais e estrangeiras interessadas no negócio.

Se isso não é improvisação, o que seria?

O ainda diretor do Dnit, Luiz Antonio Pagot, em depoimento no Congresso nesta semana, apresentou outra resposta para essa ampliação dos prazos e, sobretudo, dos preços: “mudança de escopo”.

Sabe como é, no andar do projeto o pessoal verifica que faltou um trecho, que se poderia ampliar a capacidade, mais uma mão de tinta – e pronto, o preço triplica. Novo escopo, novo preço, novas licitações, e assim vai.

Tudo considerado, há uma mistura de improvisação, incompetência técnica, corrupção e… propaganda.

Sabe-se como a propaganda é importante para a política. E sabe-se que uma das maiores habilidades de um governante é escapar de desastres. No caso de planos cujos objetivos não são realizados, a receita é direta: lance um novo plano, ainda mais ambicioso.

Um milhão de moradias no primeiro lançamento do Minha Casa, Minha Vida. Não deu? Pois agora são dois milhões. Não saiu o trem Campinas-São Paulo? Pois agora é Campinas-São Paulo-Rio e de alta velocidade.

Por essas e outras, Lula conseguiu realizar tarefas que pareciam difíceis, inclusive a eleição de Dilma Rousseff. E ainda convenceu boa parte das pessoas que se tratava de profissional e política muito competente, especialmente para tocar obras como o trem-bala.

10/04/2011

às 20:38 \ Direto ao Ponto

Na Região Serrana, cem dias parecem mil

Em 27 de janeiro, a presidente em começo de mandato voltou de uma ligeiríssima incursão à Região Serrana do Rio pronta para mostrar, na entrevista coletiva concedida ao lado do governador Sérgio Cabral, como seria o Brasil Maravilha com uma Dilma Rousseff no poder. Já que mulher é mais sensível que qualquer homem, caprichou na cara de luto em homenagem aos mais de mil mortos. Já que uma gerente-geral do governo Lula é de matar de inveja qualquer superexecutivo de multinacional, foi logo tirando da bolsa o kit de primeiros socorros que concebera em homenagem à multidão de flagelados.

O milagre mais vistoso tinha o selo de qualidade do programa Minha Casa, Minha Vida. “Vamos construir 6 mil unidades para as famílias desabrigadas”, avisou. O sorriso abobalhado de Sérgio Cabral informou que o parceiro de entrevista dividia o microfone com uma gestora incomparável. A foto da dupla merecia ilustrar todos os balanços dos 100 primeiros dias de Dilma publicados pelos jornais neste domingo. Com a seguinte legenda: “O governador do Rio contempla as casas que ninguém mais viu”.

Nenhuma começou a ser construída. Nenhuma família conseguiu sair dos abrigos improvisados. Mas nem se passaram três meses, vão certamente balbuciar os vigaristas, os devotos da seita e os iludidos vocacionais. Mirem-se no exemplo de países sérios, devem retrucar os brasileiros sensatos. Mirem-se, sobretudo, no exemplo recentíssimo do Japão, castigado em 14 de março por um terremoto seguido de um tsunami. Sem conversa fiada, o governo encomendou 4 mil casas pré-fabricadas. As primeiras 39 foram entregues em 9 de abril — menos de um mês depois da catástrofe.

Quando todos os japoneses surpreendidos pela tragédia estiverem sob um novo teto, milhares de sobreviventes da tragédia na Região Serrana ainda estarão aglomerados em abrigos provisórios. Os institutos de pesquisa deveriam averiguar o que acham do país e do governo. Podem acabar lucrando com a descoberta de que, ao contrário do que imaginam os eternos pessimistas, muitos flagelados estão confiantes no futuro no país, qualificam de “bom” (ou “ótimo”) o desempenho de Dilma e se sentem mais felizes nos acampamentos. Desde que sejam garantidas duas refeições a cada 24 horas, cem dias não parecem mil. Parecem cem minutos.

No Ano 9 da Era da Mediocridade, os ibopes e sensus repetem a cada pesquisa que milhões de brasileiros, sobretudo os alojados no miserável universo do Bolsa Família, aprenderam a renunciar ao sonho, a render-se sem lamentos ao assassinato da esperança e a contentar-se com o adiamento da morte. É suficiente a vida envilecida, sem horizontes, embrutecida. Uma vida não vivida.

 

14/08/2010

às 16:47 \ Sanatório Geral

Brasil Maravilha

“Estamos dando um show porque tem mais de 500 mil unidades contratadas, quando se dizia que não conseguiríamos 200 mil”.

Dilma Rousseff, feliz com os resultados do Minha Casa, Minha Vida, confirmando que o Brasil de Lula e da Mãe do PAC, que prometeu entregar 400 mil imóveis a famílias de baixa renda, não é o mesmo habitado pelos brasileiros comuns, que tiveram de contentar-se com 3.500 casas em um ano e não sabem se as 396.500 restantes vão ficar prontas neste século.

30/03/2010

às 16:19 \ Sanatório Geral

O naufrágio vem aí

“O Minha Casa, Minha Vida é uma mostra do esforço para garantir que o lar das pessoas seja uma coisa sagrada”.

Dilma Rousseff, caprichando na declamação da frase que, ao ser repetida na abertura do primeiro debate eleitoral, vai anunciar o começo do naufrágio da candidata mais despreparada da história do Brasil.

30/03/2010

às 13:56 \ Direto ao Ponto

A charlatã búlgara e suas promessas trilionárias

por Celso Arnaldo

O PAC 2 soa como um escandaloso amontoado de mentiras e impossibilidades matemáticas ─ e, evidentemente, com a promessa de 1 trilhão em investimentos, é um cheque em branco para o butim desenfreado e incontrolável da cumpanheirada.

Entre outras miragens, Dilma Rousseff agora promete aquecimento solar para todos os novos projetos do Minha Casa, Minha Vida ─ ouro de tolo que agrada aos ambientalistas ingênuos, muitos deles petistas. E lembra-se da fantasia do “1 milhão de casas”, que Dilma vivia apregoando em cada inauguração de pedra fundamental de conjuntinho habitacional, como se elas já estivessem construídas?

Pois bem, na semana passada, as 65 mil casas já entregues, e algumas mal entregues, tinham se transformado em 2 milhões. No discurso de hoje, teve outro superfaturamento: agora são 3 milhões. Leu Dilma:

“Com PAC 1 e PAC 2, serão construídas três milhões de moradias. Considerando que o déficit até 2008 estava em 6 milhões, estamos reduzindo o déficit pela metade”.

Ou seja, ainda não há cem mil casas construídas e Dilma já dá por fato consumado que o governo Lula/Dilma está reduzindo o déficit de 6 milhões pela metade.

E ficamos só na questão do Minha Casa. A agenda do PAC 2 tem itens mágicos com os nomes de Comunidade Cidadã, Cidade Melhor, Água e Luz para Todos, todos com metas escandinavas.

Mas, só pela “questão da moradia”, como ela gosta de dizer, não vejo diferença de Dilma PAC 2 para aqueles estelionatários de turbante que prometem um trabalhinho para “trazer de volta o amor perdido” ou alcançar a prosperidade.

Mãe Dilmá, pelo conjunto da obra e o volume trilionário das promessas, é uma charlatã búlgara ─ a primeira da espécie que cruza nosso caminho e que temos a oportunidade de despachar para bem longe, agora em outubro, com o trabalhinho de uma só teclada na urna eletrônica.

26/03/2010

às 14:40 \ Direto ao Ponto

Se mentira desse cadeia

Uma das normas relacionadas na página 8 do Manual do Programa Minha Casa, Minha Vida exige que os apartamentos sejam entregues “com azulejo 1,50m nas paredes hidráulicas e box”. Nesta quinta-feira, o presidente Lula revogou malandramente a exigência no meio de outro improviso: ”A gente entregava com o azulejo mas o pessoal tirava para colocar outro. Então agora entregamos sem o azulejo para que cada um faça do jeito que quiser”, mentiu de novo.

Se mentira desse cadeia, o presidente da República estaria preso desde o primeiro dia de mandato. Por enquanto, só foi punido com duas multas por “propaganda eleitoral antecipada”. Se não tirar da conta bancária os R$ 15 mil que deve, e ultrapassam o salário mensal, terá cometido mais um crime ─ e zombado da Justiça outra vez.

Os movimentos para o drible já começaram. ”Espero que a multa seja anulada, uma vez que, no meu entendimento, não houve nem tem havido campanha antecipada, nem dissimulada”, fantasiou na quinta-feira o  arquiteto da mais ostensiva campanha presidencial financiada por dinheiro público da história do Brasil.

Ou a Justiça obriga o infrator a pagar a conta do próprio bolso ou se rende a um chefe do Poder Executivo que age à margem da lei.

01/11/2009

às 6:00 \ Direto ao Ponto

A mentira como rotina tenta camuflar a grande fraude

O perfil não autorizado de Dilma Rousseff, que será publicado no começo da semana, prova que entre a candidata à Presidência e as encarnações anteriores – a guerrilheira, a secretária municipal, a secretária estadual, a ministra de Minas e Energia e a chefe da Casa Civil – há uma única diferença relevante: as outras Dilmas não falavam. Depois que desandou na discurseira, o monumento à eficiência começou a escancarar perturbadoras rachaduras. E o Brasil que pensa vai descobrindo que a cria de Lula é um Pacheco de terninho que passou a vida conversando com o Conselheiro Acácio e mente compulsivamente para ocultar a grande fraude: a maior gerente-de-país desde o Descobrimento não existe. Nunca existiu.

Estava na primeira linha do perfil quando chegou este comentário do excelente jornalista Celso Arnaldo. Tudo a ver. Confiram. Volto no fim do texto.

Diante de uma fala gravada de Dilma, qualquer jornalista, mesmo completamente despreparado, se sente compelido a reescrevê-la, para não martirizar seu leitor com a tortura iletrada do pensamento da ministra.

Engano meu, pois há uma exceção: a tropa de choque do pessoal que cuida do site da Casa Civil… Já na primeira página, além do áudio da entrevista dela ao programa Bom dia Ministro, há a transcrição na íntegra da gravação. Eles não mudaram uma vírgula, uma respiração, erros de concordância e raciocínio que, enfileirados, iriam daqui a Brasília. Obrigado, Casa Civil! Vocês não sabem o que fazem.

Vejam o que ela responde a uma crítica sobre o Minha Casa, Minha Vida:
“Olha, não é isso que nós estamos vendo. Não é isso que a gente tá vendo e eu vou te falar a partir do que. Hoje, já tem mais de 400 projetos apresentados para a Caixa, “dominantemente” naquela distribuição em que zero a três é o pessoal que faz a moradia para renda de zero a três salários mínimos é a grande maioria. Lá dentro da Caixa já tem aprovado mais de 100 mil contratações. A gente não esperava que tivesse nenhuma casa pronta a não ser que essa casa tivesse começado a ser construída antes da gente lançar o programa, o que seria impossível porque, em média, você reduzindo o máximo que você puder toda burocracia que envolve a construção de casa, o nosso objetivo é chegar 11 meses, ou seja, dada a escolha do terreno até a hora que a chave foi entregue na mão da pessoa que vai morar, o mínimo é 11 meses. No Brasil nós estamos tentando reduzir isso porque era 22, nós estamos tentando chegar nessa meta de 11″.

Sobre um tal “anel de Belo Horizonte”:
“A boa notícia é o seguinte. O anel nós estamos agora com ele em fase final de aprovação. O Ministério dos Transportes já avaliou, nós consideramos que o projeto está bom, então ele entra no PAC, a gente considerando aquilo que ele vai ser licitado imediatamente, não vai ficar parado nem nada. Então, acho que essa é uma boa notícia”.

De novo sobre o Minha Casa:
“Porque nós não vamos ter de dar conta de resolver o problema de seis milhões de habitações. São seis milhões de lares, de moradias, de casas que falta no Brasil. Daqui para frente o que nós estamos fazendo é o seguinte: nós vamos provar para esse um milhão que é possível fazer. E vamos, eu acho, a partir do final desse programa, nós teremos de estar em perfeitas condições para iniciar já fazendo os outros seis milhões sem o que o déficit habitacional brasileiro não vai ser resolvido”.

Dispensa comentários, mas me permito um: já pensou se, na hora de defender a tese que nunca defendeu para o doutorado que nunca fez, a Dilma falasse desse jeito para a banca examinadora?

Não seria pau direto até na Uniban?

Dilma é isso aí. Sempre foi. Prisioneiro da  formação intelectual indigente, Lula não sabe se alguém está pronto para lecionar em Harvard ou naufragar no Enem. É compreensível que tenha resolvido transformar em sucessora a companheira de cabeça confusa. Deve achar bonito o que Dilma diz. Deve achar que só uma sumidade consegue pilotar um projetor enquanto fala do PAC. Mas muitos espertalhões da base alugada montam frases com começo, meio e fim, e distinguem um cérebro em bom estado de outro severamente avariado. Essa gente já suspeita de que está a bordo do barco errado.

Nenhuma outra espécie de rato sabe desembarcar com tanta ligeireza.  


 

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