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metrô

13/04/2013

às 18:33 \ Sanatório Geral

Nunca houve metrô neste país

“Eu não sei se vocês sabem, mas na década de 80 tentaram fazer metrô no Brasil. E houve… Tem sempre aquele pessoal que fala: ´Não faz metrô, isso não é adequado porque o Brasil é pobre, metrô é coisa de gente rica´. E não fizeram o metrô e o que acontece nas nossas grandes cidades? Nós temos grandes problemas de trafegabilidade, as pessoas ficam muito tempo dentro dos ônibus indo para o trabalho e do trabalho para os ônibus”.

Dilma Rousseff, durante cerimônia de repactuação do Programa Brasil sem Miséria, em outra grave crise de trafegabilidade de neurônios, internada por Celso Arnaldo ao insinuar que aqueles trens correndo debaixo da terra em São Paulo e no Rio são barcas subterrâneas e que, no fim do expediente, os trabalhadores brasileiros gastam mais tempo indo do trabalho para os ônibus do que destes para casa.

11/04/2012

às 13:00 \ Feira Livre

‘São Paulo é uma calamidade pública’, por Arnaldo Jabor

PUBLICADO NO GLOBO DESTA TERÇA-FEIRA

ARNALDO JABOR

Será que ninguém vai tomar uma providência? Imaginem um terremoto ignorado, sei lá, um tsunami despercebido: “Terremoto, onde? Não estou vendo…” Pois é o que está acontecendo na cidade de São Paulo. Ninguém vê o óbvio: a cidade vai parar com 680 carros entrando por dia nas ruas.

Ou melhor, vê sim, mas com olhos burocráticos, entreabertos, com  tédio de trabalhar: “Sim, vamos formar comissões, estamos consultando os técnicos em urbanismo e tal”.

É isso ─ estamos diante de uma calamidade pública e ninguém se toca. Em poucos meses, as cidades japonesas arrasadas já foram limpas.

E aqui? Aqui, “cidade” é considerada uma coisa inferior, “prefeitura”, idem. Num país formado pela abstração lusitana, brotam ideologias e teorias que justificam a inação; “prefeitura” só cuida de “coisas menores”, como água, esgotos, chuvas, enchentes, transporte, trânsito, ou seja, as coisas mais importante da vida, muito além de votos, de busca de hegemonia política como quer o PT, ou de discursos inflamados pelo poder.

No entanto, São Paulo é um país. São Paulo é o lugar mais importante do Brasil. “Ahhh…, mas vai melhorar”, diz o vulgar desejo brasileiro de protelação e autoengano. Não vai melhorar não. Vai  piorar; aliás, o pior já aconteceu… “Ah… o Rodoanel vai ficar pronto…” Quando? Por que não ficou antes? Porque, na época do Lula, não mandavam dinheiro federal para o metrô…

Claro que eu reclamo como um burguês; tenho carro, me incomoda levar duas horas para ir ao trabalho.  Mas, e a população que sofre agarrada em ganchos de ônibus ou esmagada dentro dos trens? Os milionários compram helicópteros e a classe média muge, reclama com aquele tom de desesperança conformada, tipo: “Ah… isso não tem jeito mesmo… que se há de fazer?” A verdade é que ninguém sabe o que fazer e a cidade está virando um retrato trágico do País; é o inverso da miséria nordestina ou da seca, é a esclerose múltipla da riqueza, é o câncer da pujança econômica, a doença do crescimento desorganizado. Só que essa morte anunciada prejudica o País todo.  Calcula-se que o prejuízo anual dos engarrafamentos eternos seja de R$ 30 bilhões/ano. Esses R$ 30 bilhões seriam uma solução. Mas, instalou-se aqui uma nova prática : já que quase nada tem solução, porque o patrimonialismo corrupto não deixa, já que nada se resolve, cuidaremos de “desnecessidades”. “Ah… não pode fumar no bar, ah… temos de combater a obesidade, ahh… vamos construir um trem-bala”, diz o governo federal. Trem-bala faz vista, causa boa impressão e tem no Japão.. “Ah… vamos gastar uns (exatamente) 30 bilhões para unir São Paulo ao Rio”…

Ninguém quer atacar os problemas principais do País. Aí, os técnicos aparecem na TV: “Temos de terminar o Rodoanel, temos de criar novas linhas de metrô, temos de criar pedágios para o centro da cidade, temos de fazer rodízio no par ou ímpar das chapas, o dia inteiro… temos de tirar os caminhões das ruas, temos de…”

São até boas sugestões, mas elas morrem depois da entrevista, elas somem no dia a dia da preguiça burocrática. Por quê? Porque o poder político no Brasil odeia administrar, porque a coisa mais chata do mundo é cuidar do bem público. O sujeito entra para a política para subir na vida, é eleito vereador e já pensa em ser presidente.

Mas fiquemos no engarrafamento transcendental que nos ronda. A situação de São Paulo precisa despertar um sentimento inexistente entre nós: a urgência. São Paulo não é apenas um problema urbano; é um fato gravíssimo até em termos ecológicos, tão grave como o desmatamento de florestas ou a violência do tráfico. Existem milhares de motoqueiros fazendo o serviço das empresas da cidade. Dizem que morre um por dia. Chego a desejar que esses pobres homens mal pagos, batalhando na “vida lôca”, organizem um sindicato para fazer greves de “motoca”. A cidade parava. Os escritórios fechavam e talvez aí nossa burguesia alienada percebesse o drama.

Aliás, a grande dificuldade seria desfazer a aura preciosa que atribuímos aos automóveis: poder fálico, quase sexual, como vemos nos anúncios de TV, em que carrões prateados pescam louras e morenas, carros que nos trazem a ilusão de superioridade com que contemplamos com vaga malignidade os passageiros apinhados em ônibus que passam. Vai ser muito difícil convencer as classes médias emergentes a utilizarem transportes coletivos.

Talvez só um engarrafamento definitivo possa conscientizar os cidadãos da bolha brasileira a participar da vida comunitária ─ temos horror ao coletivo, somos individualistas patéticos, sem causas. Outro dia, vi no filme sobre a Pina Bausch os trens elevados que circulam em Wuppertal, na Alemanha. Movem-se suavemente sobre armações de aço que atravessam a cidade toda e devem ser muito mais baratos que os túneis cavernosos dos metrôs. São soluções civilizadas de países inteligentes. Por que não se podem fazer coisas imaginosas como essa?

Os motoristas de táxi são excelentes projetistas de soluções. Um deles me falou no meio da Marginal do Pinheiros, imprensado entre uma escavadeira e um caminhão de lixo: “Por que não fazem barcas pelos rios da cidade? Acabava esse inferno aí…”

Por que não? Ferrry boats descendo os Rios Tietê e Pinheiros… Talvez seja uma bobagem, mas é um exemplo de imaginação que nos falta. E não é só criatividade, mas também a coragem de contrariar interesses: desapropriar casas e abrir novas ruas, prejudicar, sim, gente como eu mesmo que só anda de carro, criar regras coletivas que choquem os egoístas enfatuados que somos. “Ah… não podemos fazer isso porque a gente perde votos…” Ah… bom, então danemo-nos todos.

A crise de São Paulo não é problema do município apenas; é do governo do Estado e do Planalto. Nos anos 20, o presidente Washington Luis lançou a frase famosa: “Governar o Brasil é abrir estradas”. O mesmo vale para São Paulo: governar a cidade é resolver a calamidade do trânsito. Para começar.

02/03/2012

às 9:11 \ Sanatório Geral

Neurônio em parafuso

“O que eu vi hoje aqui me enche de aligria e orgulho. Orgulho pro ver que o governo do Ceará tem a capacidade de planejar a sua infraestrutura de metrô e quero dizer pra vocês que quando esta estrutura estiver pronta, ligando o metrô, o VLT, os ônibus, todo esse sistema, eu quero dizer pra vocês que poucas cidades do Brasil terão uma estrutura de transporte coletivo da qualidade da que eu vejo aqui sendo construída em Fortaleza”.

Dilma Rousseff, emocionada com o metrô de Fortaleza, em construção desde o século passado e sem data para ficar pronto, garantindo que em quase todas as cidades do Brasil a situação é muito pior.

28/02/2012

às 21:48 \ Direto ao Ponto

Outro monumento à vigarice

A reportagem de Júlia Rodrigues sobre o metrô de Fortaleza desmonta outra fantasia malandra costurada pelos arquitetos do Brasil Maravilha: onde Dilma Rousseff enxerga mais um capítulo do espetáculo do desenvolvimento qualquer brasileiro capaz de identificar vigarices vê com nitidez um monumento à gastança irresponsável. Confira na seção Feira Livre.

28/02/2012

às 21:37 \ Feira Livre

A revolução prometida por Dilma ocorreu em Londres no século XIX

JÚLIA RODRIGUES

Vinte e cinco anos depois da aprovação do projeto, mais de 13 depois do início das obras, o metrô de Fortaleza não transportou até hoje um único passageiro. Mas as promessas não param de percorrer trilhos imaginários que saem dos palanques e não levam a lugar nenhum. Nesta segunda-feira, Dilma Rousseff tentou animar a plateia com o anúncio de que vai despejar mais R$ 2 bilhões na miragem sucessivamente adiada desde o século passado. Risonho, o governador Cid Gomes marcou para junho a viagem inaugural do primeiro metrô do Ceará.

Quem consulta o site da empresa responsável pelas obras é induzido a acreditar que o metrô de Fortaleza, por ter sido incluído entre as urgências urgentíssimas do PAC, ficou pronto em 2010. “A inclusão do Sistema de Fortaleza no PPI 2007-2010, além da segurança do não contingenciamento dos recursos programados, possibilitará, principalmente, o aporte significativo e suficiente de recursos para a conclusão do projeto até 2010″. Desde 1999, o colosso cearense engoliu mais de 1,7 bilhão de reais. Mas só é visto pela turma no palanque.

Como só quatro dos 40 quilômetros de trilhos são subterrâneos, o metrô de Fortaleza lembrará um trem metropolitano com boa aparência. Dilma Rousseff decidiu que é muito mais que isso. “Nós vamos ter de fato uma revolução na área do transporte de massa”, desandou na discurseira a presidente que parece ter acabado de descobrir um meio de transporte familiar aos europeus desde meados do século 19.

“O Brasil mudou”, foi em frente a oradora. “O Brasil não acha que o metrô seja uma coisa, uma coisa muito sofisticada pra sua população, uma coisa que é um luxo”. Tradução: segundo Dilma Rousseff, o metrô só demorou a chegar ao Brasil ─ e ainda não deu as caras em Fortaleza ─ porque os possíveis passageiros proibiram o governo de investir em futilidades. Até que chegasse a Era Lula, todos preferiam locomover-se de bonde, ônibus, carro, a cavalo ou a pé.

A presidente não escaparia de apupos se o discurso fosse feito em Londres, que desde 1863 dispõe do meio de transporte que Dilma considera “revolucionário”, ou Nova York, onde o metrô começou a circular em 1868. O Brasil só foi apresentado à velha novidade em 1974, com a inauguração em São Paulo da linha subterrânea que ligou os bairros de Santana e Jabaquara. Dilma Rousseff provavelmente acha que o Brasil Maravilha lidera ao menos o ranking da América do Sul. Engano. O metrô de Buenos Aires funciona desde 1913.

Confira abaixo um infográfico e um vídeo preparados pela TV Jangadeiro. São duas provas do embuste bilionário: o governo cearense e o Planalto fingem enxergar mais um capítulo do espetáculo do desenvolvimento onde quem tem juízo só vê outro monumento à irresponsabilidade.

28/02/2012

às 8:13 \ Direto ao Ponto

No comando do metrô de Fortaleza, a maquinista-presidenta de chanchada vai de encontro ao desejo da população

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Dizem que Dilma adora a imitação grosseira ─ao nível de palavrões cabeludíssimos ─ que dela faz na internet o humorista mineiro Gustavo Mendes. Mas sua meninona dos olhos, no perigoso terreno da galhofa, é a comediante Fabiana Karla, que interpreta a personagem Dil Maquinista no quadro “Metrô Zorra Brasil” ─ o ponto alto (no caso baixo) do programa Zorra Total, chanchada cativa das noites de sábado na Globo.

Celso Kamura, o samurai de aplique que cuida das madeixas presidenciais, confessou outro dia à revista Época que foi ele quem introduziu sua mais ilustre cliente à imitação de Fabiana. “Dilma morreu de rir e disse que é igual mesmo”, disse o coiffeur, sem revelar quem é a original.

Depois de assistir a este vídeo ─ com o triunfal discurso de Dilma na futura Estação Virgílio Távora, do metrô de Fortaleza, que deve começar a funcionar mais ou menos na mesma época em que correr o primeiro trem da Transnordestina e a primeira gota d´água da Transposição do Rio São Francisco ─ quem costuma ver o Zorra ficará em dúvida sobre quem imita quem. Dilma Rousseff não será uma sátira de Fabiana Karla?

Todos os 16 minutos do vídeo — que começa com um estranhíssimo pedido de licença da presidente ao governador Cid Gomes para “comprimentar esse povo fantástico do meu Ceará”, como se o povo pertencesse a ele ─ têm aquele diapasão de agonia característico da fala de Dilma, no qual as palavras erradas, para expressar pensamentos completamente sem nexo, vão saindo aos solavancos, escoltadas pateticamente por mímicas de esforço e esgares atônitos, como se estivessem sendo trazidas a fórceps de um arquivo morto que há anos não é consultado. Espremendo-se tudo, escorre a pataquada de sempre: antes de Lula/Dilma, o Brasil não tinha água, televisão, casa própria, muito menos metrô.

Não recomendaria a audição do discurso inteiro nem aos espectadores fiéis do Zorra ─ ao contrário de Dil Maquinista, a maquinista desgovernada não tem graça nenhuma. Mas destaco este trecho, que começa aos 9:14 do vídeo, como síntese de um esquete típico do Dilma Total:

“E isso significa que ela tem de ter uma estrutura de transporte de massa, que faça, que faça, mais do que jus, mais do que…… que vá de encontro ao desejo da população, mas que ela garanta pra Fortaleza que ela possa crescer sem ter aqueles problemas que hoje nós vemos ocorrer nas grandes cidades que cresceram antes no Brasil”.

Massa, que faça, que faça: não seria uma solução para o transporte em Fortaleza ou em qualquer das cidades “que cresceram antes” – mas talvez uma boa rima para Caetano.

“Mais do que jus, mais do que…”: está com jeito de desfecho de poesia concreta ─ se bem que, da família Campos, Dilma prefira Eduardo. Mas o mergulho da presidente num mundo sem palavras, por intermináveis nove segundos, entre “mais do que” e “que vá de encontro ao desejo da população” soa como o prenúncio silencioso do desastre de quem ainda confunde “ao encontro de” com “de encontro a”.

No fim do túnel do metrô de Fortaleza havia uma luz – mas era o trem do Zorra vindo de encontro a Dilma.

28/02/2012

às 4:48 \ Sanatório Geral

Neurônio descarrilado

“O Brasil mudou. O Brasil não acha que o metrô seja uma coisa, uma coisa muito sofisticada pra sua população, uma coisa que é um luxo. O metrô não é isso, o metrô é uma realidade em todas as grandes cidades do mundo”.

Dilma Rousseff, no palavrório em Fortaleza, ensinando que o Brasil que antes do começo do governo Lula nem sabia o que era metrô hoje acha barato até o trem-bala que foi inaugurado em 2009 mas ainda não apitou na curva porque o maquinista não sabe onde estão os trilhos.

27/02/2012

às 20:32 \ Sanatório Geral

Neurônio veloz

“Nós vamos ter de fato uma revolução na área do transporte de massa”.

Dilma Rousseff, durante a discurseira em Fortaleza, revelando que o neurônio solitário acabou de descobrir, com 150 anos de atraso, uma coisa chamada metrô.

20/07/2011

às 22:46 \ Frases

É só fazer as contas

“O orçamento do PAC previa, entre 2007 e 2010, para obras do metrô em todo o Brasil, 3,1 bilhões de reais. Com os 53 bilhões previstos hoje para o trem-bala, será gasto dezessete vezes mais do que o governo pensou em investir em metrô em todo o Brasil”.

Aécio Neves, senador pelo PSDB mineiro, ao criticar o projeto do Trem de Alta Velocidade.

12/05/2011

às 16:01 \ Feira Livre

‘Trem-bala: não há nada que o justifique’, um artigo de Alberto Goldman

TEXTO PUBLICADO NA FOLHA DESTA SEXTA-FEIRA

Alberto Goldman

Milhões de brasileiros não têm transporte público de qualidade nas regiões metropolitanas. Os congestionamentos são cada vez mais torturantes. As rodovias e as vias públicas estão cada vez mais cheias de carros e caminhões. O sistema aeroviário está em colapso.

Resultado: menos tempo para trabalho e lazer, maior preço dos produtos, menos exportações e condições de vida insatisfatórias.

Todos sabem a solução: trens metropolitanos e corredores de ônibus nas cidades, transporte de cargas por ferrovias entre as regiões, transporte ferroviário de passageiros para médias distâncias e eficiente sistema de transporte aéreo.

Os estados e municípios do país não têm condições financeiras e nem sempre têm competência legal para enfrentar esse enorme desafio. O governo federal, no entanto, não assume as suas responsabilidades.

Se fosse possível, como havia sido divulgado, que o projeto do trem-bala (TAV) tivesse a sua execução por capitais privados, nada haveria a opor.

Mas a licitação prevê a construção e operação quase que exclusivamente com dinheiro público: recursos do Orçamento da União, empréstimos do BNDES, a juros baixos e com a incrível garantia da própria União, e recursos dos fundos de pensão das estatais, fora a desoneração fiscal de R$ 14 bilhões.

O capital privado não chega a 20% dos R$ 35 bilhões previstos para a obra (especialistas preveem R$ 50 bi). Uma montanha de dinheiro para alimentar interesses econômicos e o ego de governantes.

Marta Suplicy, em seu artigo sobre o TAV, publicado na Folha de S. Paulo (“Trem-bala: ousar e pensar grande”, 12/4), usa argumentos falsos sobre o número de empregos que o TAV irá criar. Eles serão menos do que se tivermos os mesmos investimentos promovendo a indústria em número maior de regiões do país.

Também é falso o argumento da maior proteção ao meio ambiente, pois a maior emissão de CO2 se dá justamente nas áreas metropolitanas, não na maior parte do trajeto do TAV. Nem mesmo o argumento de desenvolvimento de centros habitacionais é correto: o TAV tem poucas paradas e, por isso, é menos indutor de moradias do que um sistema de trens regionais.

Nem o fator tempo justifica o TAV. O cidadão da cidade de São Paulo, para acessá-lo, terá de atravessar a cidade até a estação prevista no Campo de Marte, na zona norte. Dependendo de onde estiver, poderá levar mais tempo para usar o TAV e atingir o seu destino final do que se usasse os meios de transporte atuais.

O metrô de São Paulo, em 2010, transportou 1 bilhão e 40 milhões de pessoas. Hoje, transporta 3,7 milhões nos dias normais: só na linha vermelha, 1,5 milhão de pessoas por dia. As novas linhas projetadas transportarão mais de 400 mil pessoas por dia. E a sua demanda é cada vez maior. Quanto mais linhas e estações, mais as pessoas deixam outras formas de transporte, migrando para o metrô.

O TAV tem previsão de transportar só 50 mil por dia, em média. É transporte para poucos. Dar a ele a prioridade que se dá é mais que ousadia e pensar grande: é esquecer dos milhões que sofrem com mobilidade tão deficiente.

A rede de metrô de São Paulo é de 70 km. Custaria hoje, para ser construída, de R$ 21 a R$ 28 bilhões. Menos que o TAV, que não transportará 5% do que uma linha do metrô paulista transporta. Com os seus recursos, poderíamos construir mais de 100 km de metrô em todo o país, atendendo milhões de brasileiros.

O TAV só se justificaria econômica, social e moralmente se as demandas por transporte público, metropolitano, regional e aéreo, e pelo transporte ferroviário de cargas estivessem equacionadas.

Cumprida essa missão, aí, sim, colocar-se-ia a questão da construção de um trem de alta velocidade.

*Engenheiro civil, foi governador do Estado de São Paulo (2010), deputado federal, ministro dos Transportes (governo Itamar Franco) e secretário da Administração do Estado de São Paulo (governo Quércia).

 

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