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Mário Covas

19/11/2010

às 20:40 \ Vídeos: Entrevista

Bruno Covas, neto de Mario Covas e deputado estadual pelo PSDB de São Paulo

Em 2006, aos 26 anos, Bruno Covas elegeu-se deputado estadual pela primeira vez. Conseguiu 122.312 votos. Em outubro, foi reeleito com a maior votação do Estado ─ 239.150 votos. Neto do governador Mario Covas, presidente da Juventude Nacional do PSDB, Bruno apareceu neste ano no topo do ranking dos melhores da Assembleia Legislativa, organizado pela ONG Movimento Voto Consciente. Um dos critérios utilizados na avaliação é a participação nos debates no plenário, nas comissões e nas CPIs. Nesta primeira parte da entrevista dividida em três blocos, o deputado relembra a contundência inconfundível do avô, aponta as origens da corrupção endêmica e afirma que, depois da decolagem favorecida pelo sobrenome, já é um político com autonomia de voo. “Parente de político é igual a parente de cantor: ajuda para lançar o primeiro CD. Depois, precisa mostrar que sabe cantar”.

04/11/2010

às 17:25 \ Direto ao Ponto

O ovo da serpente não resiste à claridade

Num dos intervalos do Roda Viva desta segunda-feira, traindo no rosto crispado a irritação com as perguntas dos jornalistas, o entrevistado olhou para o chão do estúdio e fez o comentário que os espectadores da TV Cultura mereciam ter ouvido:

─ Zé Dirceu… Zé Dirceu… Já tô cansado desse personagem ─ disse a voz em surdina.

Para escapar do castigo merecidíssimo, o mineiro José Dirceu de Oliveira e Silva, nascido em Passa Quatro há 64 anos, resolveu debitar os incontáveis pecados que cometeu na conta de um personagem inventado pela mídia reacionária e pela elite golpista. Chama-se Zé Dirceu, é perseguido desde o berço e, por representar uma grave ameaça ao sistema capitalista, os inimigos fingem não entender que é um inocente.

A dupla identidade é só mais um sintoma de esquizofrenia malandra. José Dirceu de Oliveira e Silva e Zé Dirceu são uma coisa só ─ uma usina de culpas no cartório, que nega ter protagonizado sequer uma contravenção de trânsito com a placidez de estelionatário aposentado. Nega até ter dito o que está registrado em vídeo, como fez quando entrou em pauta, durante o Roda Viva, o episódio da agressão sofrida pelo governador Mário Covas em 1° de junho de 2000.

“Não usei a expressão”, afirmou o entrevistado ao ser convidado a explicar a frase beligerante pronunciada em 25 de maio daquele ano: “Eles têm de apanhar nas ruas e nas urnas”. Com assombroso cinismo, jurou que não disse o que disse. “Não usei a expressão”, garantiu, agarrado à versão de que só pregou a surra nas urnas. O vídeo reproduz a mentira na TV Cultura, o comício em que fez a celebração da violência e imagens do obsceno ataque a Mário Covas, já visivelmente em luta contra o câncer. A agressão ocorreu uma semana depois do discurso de Dirceu.

Respeito a opinião dos leitores que criticam o espaço concedido a tal figura por uma TV pública. Mas discordo veementemente. Como atesta a reação histérica dos devotos do ministro despejado da Casa Civil, é ele o chefe, o símbolo e o heroi das milícias do PT. É preciso mostrar-lhes que jornalistas independentes não temem guerrilheiros de araque. É preciso deixar claro que quem enfrenta uma tropa comandada por Dirceu só corre o risco de morrer de rir.

Se o entrevistado quis usar os holofotes para destacar-se no palco, teve uma péssima ideia. Como informa a reportagem reproduzida na Feira Livre, o governo federal e o PT consideraram desastrosa a aparição do companheiro definitivamente associado ao escândalo do mensalão. O Roda Viva não exibiu o monólogo de um farsante. Documentou um confronto entre a verdade e a mentira. E a verdade sempre prevalece.

O ovo da serpente é chocado nas sombras, longe dos olhos dos ameaçados. Não resiste à claridade. Quando não o destroi de imediato, a luz devassa e identifica o perigo a eliminar.

20/10/2010

às 19:20 \ História em Imagens

A gestação do ataque a Serra começou com a agressão sofrida por Mário Covas

As milícias companheiras que agrediram fisicamente o candidato José Serra reprisaram em escala nacional a metodologia que o partido utiliza em âmbito estadual desde a virada do século. Na temporada grevista de 2000, o deputado federal José Dirceu, presidente nacional do PT, decidiu que as imunidades parlamentares se estendiam ao Código Penal ─ e fuzilou com o ímpeto que faltou ao guerrilheiro de araque o artigo 286: “Incitar, publicamente, a prática de crime”.

Foi o que fez ao afirmar que os adversários tucanos “têm de apanhar nas ruas e nas urnas”. Dias depois, o governador Mário Covas foi acuado e agredido por professores grevistas acampados na Praça da República, em São Paulo. Em 2010, como comprova o mesmo vídeo, a história se repetiu. Em outra manifestação nas imediações do Palácio dos Bandeirantes, Maria Izabel Noronha, presidente do sindicato dos professores estaduais, incitou a plateia a transformar em alvo o governador José Serra. “Nós estamos aqui para quebrar a espinha dorsal desse partido e desse governador”, gritou a companheira Bebel.

O segundo vídeo mostra o que aconteceu a Covas ─ e poderá acontecer a Serra caso os manifestantes tomem ao pé da letra a palavra-de-ordem da dirigente. A lei prescreve a pena de três a seis meses, ou multa, para quem incide no crime de incitação ao crime. Veja as cenas e responda: Dirceu merecia ou não a curta temporada na cadeia? E Bebel? Merece ou não merece?

Revejam em seguida as cenas do ataque a Serra. O elogio da radicalização recitado pelo chefe da tropa nos comícios diários deu nisso. Lula quer erradicar a oposição. Os milicianos parecem convencidos de que o método mais eficaz é o da eliminação física.

15/10/2010

às 19:51 \ O País quer Saber

Conheça os melhores momentos dos debates eleitorais na TV

Domitila Becker

Jamais se saberá quantos eleitores resolveram em quem votariam baseados no confronto ocorrido em 26 de setembro de 1960 no estúdio da CBS em Chicago. Também é impossível saber qual seria o desfecho da campanha presidencial se não tivesse acontecido o duelo testemunhado por mais de 70 milhões de americanos. O que se pode afirmar com segurança é que naquela noite o debate eleitoral transmitido pela TV deixou de ser coisa de amadores ─ e que John Kennedy foi superior a Richard Nixon na histórica troca de golpes verbais, menos pelo conteúdo do que disse que pela forma impecável do candidato do Partido Democrata.

Recém-saído do hospital onde se submetera a uma cirurgia no joelho, Nixon estava dez quilos abaixo do peso normal e a aparência cansada era acentuada pela palidez do rosto. Como não aceitou ser maquiado, a tela em branco e preto destacou a barba por fazer e o terno cinza se confundiu com o cenário. Em contrapartida, Kennedy lembrava alguém que vive entre o chuveiro e uma sala com ar-condicionado. Expressão confiante, pele bronzeada, transpirava dinamismo. E parecia mais saudável do que nunca.

Passados 50 anos, a fórmula original continua essencialmente a mesma nos Estados Unidos: os dois principais candidatos se enfrentam num duelo que um moderador (eventualmente escoltado por dois ou três jornalistas) se limita a estimular. O tempo é controlado, mas suficiente para que ninguém interrompa a frase no meio.

No Brasil, o debate na TV continua engatinhando, asfixiado pela legislação eleitoral, que exige a participação de todos os concorrentes, e por camisas-de-força costuradas pela cautela exagerada dos marqueteiros. Para destacar-se na multidão, os candidatos precisam valer-se da verve, do raciocínio rápido ou da agressividade.

Foi assim desde o primeiro, realizado em 1982, que reuniu nove concorrentes ao governo de São Paulo. Vitorioso nas urnas, Montoro foi vencido por Jânio no melhor momento do debate. Ao constatar que uma citação sobre o episódio da renúncia fora extraída de um livro de Carlos Lacerda, seu mais feroz adversário, o ex-presidente aparteou Montoro para dispensá-lo de continuar a leitura. “O senhor acaba de querer citar as escrituras valendo-se de Asmodeu ou de Satanás”, comparou. Todos riram. Até Franco Montoro.

Só em 1989 os telespectadores puderam assistir a um debate entre candidatos à Presidência da República. O primeiro confronto mostrou Mário Covas em ótima forma. Desafiado por Guilherme Afif Domingos, interessado em saber “com qual das duas caras” disputaria a eleição, o candidato do PSDB esbanjou agilidade: “Eu acho que eu tenho uma única cara. Mas certamente se eu tivesse várias, todas elas teriam vergonha”. Previsivelmente, prevaleceu a experiência dos remanescentes do Brasil pré-1964.

Também no duelo de 1989, Leonel Brizola ressuscitou a agressividade dos velhos tempos quando Paulo Maluf se recusou a conceder um aparte. O adversário qualificou-o de “desequilibrado”. Brizola revidou com um “filhote da ditadura”. Os risos da plateia hostil açularam o gaúcho brigão, que reagiu com o que lhe parecia um insulto: “Malufistas! Vocês são malufistas”.

Covas e Maluf enfrentaram-se em 1998 no segundo turno da disputa pelo governo paulista. Segundo colocado na primeira etapa, o governador em campanha pela reeleição resolveu substituir a discussão de programas administrativos pelo embate político e pela comparação do histórico de cada um. “Eu discuto programa, mas eu acho que o telespectador quer discutir caráter”, disse no clímax do debate. “Você quer saber como nós nos comportamos historicamente, como nós somos como pessoa. Quer saber que tipo de compromisso a gente tem. Que tipo de caráter e de antecedência a gente tem”. Deu certo: Covas venceu com quase 10 milhões de votos.

O único duelo semelhante aos promovidos nos Estados Unidos foi travado por Lula e Fernando Collor no segundo turno da eleição presidencial de 1989. Como as regras e restrições eram poucos, sobrou tempo para o confronto. Em vez de defender ideias, contudo, os candidatos optaram por ataques pessoais. Lula comparou Collor a Pinóquio. O adversário devolveu a acusação com uma agravante: “O Pinóquio pelo menos lia. Eu não sei se ele sabe ler”. A tréplica de Lula: “Ele faz parte daquele grupo de políticos que age como se fosse aquela… Aquele início do Programa da Xuxa. Antes das eleições, beijinho, beijinho. Depois das eleições, tchau, tchau”.

Dias antes dessa batalha feroz, Collor exibiu no horário gratuito o depoimento em que Miriam Cordeiro, ex-namorada de Lula, acusava o candidato do PT de tê-la pressionado para abortar a filha Lurian. Temeroso de que o assunto emergisse durante o debate, Lula mostrou-se apreensivo e inseguro. O mau desempenho facilitou a célebre edição do confronto divulgada pela Globo no Jornal Nacional.

De lá para cá, o excesso de medidas preventivas resultou no engessamento do debate. Orientados pelos marqueteiros, os candidatos procuram não perder pontos e parecem satisfeitos com o empate. Escolhem cuidadosamente o traje, ensaiam o sorriso, aprendem a olhar para a câmera certa, driblam os temas propostos e consomem incontáveis minutos em generalidades e miudezas. Concentrados na defesa, raramente atacam. O tempo excessivamente curto os dispensa de respostas claras. E tanto os moderadores quanto os jornalistas convidados não têm direito a réplicas.

Os telespectadores, que pareciam condenados a morrer de tédio, foram surpreendidos pelo primeiro debate do segundo turno transmitido pela Band. Pela primeira vez houve um duelo entre os candidatos de 40 perguntas feitas diretamente de um para o outro.

Se no primeiro turno os principais candidatos procuravam fugir do embate direto, no segundo turno o confronto parece inevitável. A fórmula ainda não é a ideal, mas o Brasil começa a caminhar em direção ao modelo americano.

06/09/2010

às 20:26 \ História em Imagens

A comparação escancarou o abismo

No segundo turno da eleição de 1998, um folheto sem maiores refinamentos nem requintes marqueteiros transformou-se na mais didática peça de propaganda da disputa pelo governo de São Paulo ─ e numa poderosa arma política de Mário Covas, que buscava a reeleição no duelo com Paulo Maluf. Para comparar os dois candidatos, os assessores do governador relacionaram nove contrastes. Tanto bastou para escancarar o abismo que separava Covas de Maluf.

O que espera a oposição para recorrer à mesma fórmula, agora comparando os candidatos à Presidência da República? Basta substituir Mário Covas por José Serra, Paulo Maluf por Dilma Rousseff e repetir o texto quase integralmente. Os retoques são poucos. Na coluna da esquerda, só o nono item precisa ser corrigido. Como Covas já salvou São Paulo, Serra foi dispensado de fazê-lo. Limitou-se a melhorar o que recebeu em bom estado.

Na coluna da direita, dois itens devem ser revistos. Dilma Rousseff não poderia ter quebrado um Estado que não governou. Mas pode quebrar o Brasil. Também está longe dos 50 processos acumulados por Maluf. Em contrapartida, Maluf não se meteu com grupos armados que queriam trocar a ditadura militar pela ditadura do proletariado.

25/08/2010

às 20:44 \ Direto ao Ponto

O que espera a oposição para fazer com Dilma o que fez Mário Covas com Maluf?

Surpreendido pela mudança de tom no discurso de Mário Covas, que decidira transformar o segundo turno da eleição de 1998 numa disputa essencialmente política, Paulo Maluf tentou retomar a ofensiva durante o debate na TV Globo. “É uma falácia, é uma mentira, não é verdade que se gerou emprego neste Estado”, endureceu na réplica a uma resposta do governador de São Paulo que tentava a reeleição. Covas precisou de meio minuto para devolver o adversário às cordas. “Se há alguém aqui que pode ser qualificado de mentiroso, não sou eu”, começou a tréplica que, em seguida, estimulou o eleitorado a comparar o histórico e o caráter dos participantes do duelo.

O jornalista Carlos Nascimento avisou que era hora de Covas formular uma pergunta quando  Maluf estava ainda grogue. Primeiro, o candidato do PSDB informou que não fora fácil encontrar o programa de governo do oponente do PDS. Feita a ressalva, contou que não conseguira entender o significado de um dos itens incluídos na parte que tratava da política cultural. E pediu a Maluf que traduzisse em língua de gente o seguinte palavrório:  “Adoção de uma vertente social em complemento às vertentes patrimonialistas e de fomento dominantes”.

O velho alquimista fugiu da resposta, contornou o tema, viajou por paragens distantes, garantiu que ninguém na história de São Paulo fizera tanto pela cultura e repetiu que Covas mentia. Irritantemente sereno, Covas ponderou que Maluf poderia acusá-lo do que quisesse, desde que desvendasse o enigma. Releu em voz alta o item indecifrável e insistiu na resposta. Maluf acabou na lona.

Por que José Serra não faz com Dilma Rousseff o que fez Covas com Maluf? A sucessora que Lula inventou, como sabem até os móveis da Casa Civil, não tem compromisso com a verdade. Pilhada em flagrante ao encomendar um dossiê contra Fernando Henrique e Ruth Cardoso, transformou a fábrica de papelórios malandros em “banco de dados”. Pilhada em flagrante intercedendo por José Sarney na Receita Federal, ainda faz de conta que não conversou com Lina Vieira. Depois de inventar um diploma de doutorado, anuncia de meia em meia hora uma obra fantasma do PAC. O que espera Serra para reprisar a pancada desferida por Covas?

E o que espera a oposição para exigir de Dilma a imediata tradução dos palavrórios que vem despejando há muitos meses? Ao prometer “a ampliação do mercado de trabalho com o uso de tecnologia moderna”, por exemplo, assim resumiu a fórmula do milagre:  “Vamos ter uma política de conteúdo nacional que vai depender da nossa capacidade de internalizar e transformar essa demanda em empregos brasileiros e tecnologia nacional”. Por que está animada com o pré-sal?, perguntou-lhe um jornalista. Resposta:  “A grande questão do pré-sal é o fato de que são recursos que nós sabemos onde estão. São de alta qualidade”.

Qual será, enfim, a marca principal de um possível governo Dilma Rousseff?, quis saber outro repórter. Dilma devolveu de bate-pronto: “Nós trocamos o pneu do carro com ele andando. Eu não vou precisar de trocar o pneu do carro com ele andando. Se eu elencar uma porção de ‘se’ para você, poderia ser feito mais no governo Lula: ‘se’ a gente tivesse encontrado um projeto, nós não encontramos; ‘se’ o Brasil tivesse uma experiência de crescimento, não tinha; Então, tem uma quantidade de ‘se’ que não vale a pena a gente tratar”.

O que Dilma quis dizer com isso? Por que Serra não exige que traduza o que nem ela entende? É o que deve fazer qualquer candidato disposto a ganhar, mais que um debate, a eleição presidencial.

httpv://www.youtube.com/watch?v=MATYBq3vV6Y

24/08/2010

às 21:13 \ Direto ao Ponto

São Paulo sepulta a 7ª ameaça em 16 anos

Se Lula não fosse um redundante incurável, pareceria coisa combinada. “Os tucanos que governam São Paulo faz 15 anos não fizeram nada de importante para o povo”, mentiu em 24 de agosto de 2009 o presidente que desde o primeiro dia no Planalto discriminou financeira e politicamente o Estado que o acolheu. Os institutos de pesquisa informam que o povo discorda, repliquei neste espaço no mesmo dia: a grande maioria dos brasileiros de São Paulo está muito satisfeita com o que Mário Covas e Geraldo Alckmin fizeram ─ e aprova o que José Serra tem feito.

Nesta terça-feira, exatamente um ano depois, o palanqueiro em campanha reprisou a malandragem eleitoreira: “Os tucanos que governam São Paulo faz 16 anos não fizeram nada de importante para o povo”, plagiou-se o único presidente da história que (se não há por perto outro escândalo recomendando silêncio) discursa todos os dias. Como Lula repetiu a mentira, tenho de repetir a verdade.

Boa parte do povo paulista não se limita a achar que os governadores tucanos fizeram muita coisa: também deixa claro que se sentiria devedora dos eleitos mesmo que não tivessem feito nada além de tomarem posse. Mereceriam a gratidão dos paulistas por terem impedido que outros fizessem o que tramaram. Manter o perigo longe do Palácio dos Bandeirantes vale um programa de governo inteiro, sugere o histórico das eleições estaduais.

Em 1982, por exemplo, quando o PSDB nem existia, a vitória de Franco Montoro não só desencadeou a agonia da seita malufista como retardou o início da Era da Mediocridade, que teria começado duas décadas mais cedo se o candidato Luiz Inácio Lula da Silva ganhasse a eleição. Mário Covas livrou São Paulo de José Dirceu em 1994 e, quatro anos mais tarde, de Marta Suplicy (além de Paulo Maluf). Em 2002, Geraldo Alckmin evitou que José Genoíno se homiziasse no Palácio dos Bandeirantes. Em 2006, José Serra devolveu Aloízio Mercadante à rotina de retiradas prematuras, rendições sem luta e capitulações degradantes.

Desde 1994 tem sido assim: quando a eleição estadual se aproxima, o PT não lança candidatos; lança ameaças. Em 14 anos, foram neutralizadas seis candidaturas de alto risco. É uma obra e tanto. Caso fossem consumadas, a galeria dos governadores teria de incorporar dois retratos dos mesmos personagens. Marta Suplicy sorriria para a posteridade no dia da posse e, muitos anos mais nova, no fim do mandato. Os demais teriam um retrato de frente e outro de perfil.

Lula parece decidido a, simultaneamente, eleger uma ameaça e vingar-se de São Paulo. Antes de ofender os paulistas com a recidiva de Mercadante, o presidente planejou castigá-los com Antonio Palocci e Ciro Gomes. O cortejo que inclui o chefe da organização criminosa sofisticada e o gerente do PT mensaleiro, que afundaram no maior escândalo do Brasil republicano, poderia ter incorporado um estuprador de sigilo bancário e um tribuno de cortiço, ambos desviados do fiasco pelo instinto de sobrevivência. Restou a Lula ordenar a Mercadante que naufragasse outra vez.

O senador em fim de mandato teria diminutas chances de vitória mesmo nos tempos em que São Paulo, uma perfeita tradução do mosaico brasileiro, escolhia governadores com muita ligeireza e pouco juízo ─ pecados ainda frequentes na escolha de representantes no Congresso. Antes de consolidar-se a opção preferencial pela honestidade, pela sensatez e pela competência administrativa, os paulistas elegeram meia dúzia de gatunos, duas ou três cavalgaduras, até a um napoleão-de-hospício. Mas nunca entregaram o comando do Estado a um governador poltrão.

17/08/2010

às 22:37 \ Direto ao Ponto

O candidato da oposição precisa rever Mário Covas e reler os discursos de José Serra

Por orientação dos marqueteiros, o governador Mário Covas atravessou a primeira etapa da campanha de 1998 como se disputasse não a reeleição, mas o cargo de gerente da maior empresa paulista. Chegou ao segundo turno menos de 100 mil votos à frente de Marta Suplicy e mais de 1,5 milhão atrás de Paulo Maluf. O susto despertou o líder vocacional, Covas assumiu imediatamente o comando das próprias ações e, no debate seguinte, surpreendeu o adversário pronto para mais comparações numéricas com o discurso essencialmente político.

A mudança foi explicitada na mensagem final de dois minutos. “Eu quero discutir programas, sim”, ressalvou. “A Bandeirantes colocou quatro jornalistas justamente para tratar sobre temas como educação, saúde, segurança etc. Mas eu acho que o telespectador quer ver discussão de caráter. Quer comparar os candidatos a governador do ponto de vista do caráter de cada um, da história de cada um, dos compromissos de cada um, do que cada um fez ao longo de sua vida política”.

Veemente, seguro, altivo, Covas recordou que lutara pela ressurreição da democracia assassinada pelo regime que teve em Maluf um filhote e um cúmplice. Contou que dias antes, ao topar com uma foto do comício das diretas-já em São Paulo, havia tentado inutilmente localizar o opositor  no meio da multidão. “Maluf não estava lá porque aquilo tudo era contra ele, contra o que ele representa”, fustigou. Era o começo do nocaute, avisa o vídeo que mostra a fala de Covas e o desconcerto de Maluf acuado no canto do ringue.

No segundo turno, com mais de 9,8 milhões de votos, Covas superou Maluf por quase 2 milhões. “O caráter fez a diferença”, entendeu o vitorioso. O ex-governador José Serra precisa rever o histórico confronto de 1998. Decerto compreenderá que o duelo que trava com Dilma Rousseff é, como toda eleição, uma disputa política. E precisa reler com urgência o que ele próprio afirmou ao despedir-se do Palácio dos Bandeirantes.

“Os governos, como as pessoas, têm caráter”, disse Serra em 31 de março de 2010. “Caráter é índole. Ele se expressa na maneira de ser e de agir. E este é um governo de caráter, que manteve a sua coerência: nem cedeu à demagogia, às soluções fáceis e erradas para problemas difíceis, nem se deixou pautar por particularismos e mesquinharias”. Deveria ter repetido tais palavras na abertura do horário eleitoral gratuito.

“Os governos, como as pessoas, têm de ter honra”, alertou no mesmo discurso. “E assim falo não apenas porque aqui não se cultivam escândalos, malfeitos, roubalheira. Mas também porque nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito”. Como a usina de imoralidades administrada pelo governo Lula funciona em tempo integral, Serra poderia repetir esse trecho todos os dias. Neste momento, por exemplo, pode usá-lo para resumir o que acha das mais recentes bandallheiras estreladas pela Famiglia Sarney.

Também deveria ter reprisado tais palavras para responder à pergunta sobre o escândalo do mensalão no Jornal Nacional. Dado o recado, não custaria ensinar aos inquisidores que houve um erro de destinatário: quem deve explicações sobre escândalos produzidos, dirigidos e protagonizados pelo PT, pelo Planalto e por pajés do PMDB é a candidata do PT, do Planalto e dos pajés do PMDB.

“No nosso governo, deputados não nomeiam diretores de empresa ou secretários. No nosso governo, deputados ajudaram a estabelecer as prioridades para o desenvolvimento do estado e o bem-estar das pessoas”, disse Serra em março. “O governo deve servir ao povo, não a partidos e a corporações que não representam o interesse público”, sublinhou em 10 de abril, no discurso de lançamento da candidatura. Isso sim é discurso de oposicionista.

Caso Serra se recuse a fazer oposição, Dilma Rousseff continuará a mentir impunemente ─ e, como fez no programa de estreia, a exibir fotos de manifestações de protesto das quais não participou. Nesta terça-feira, reincidiu na farsa da Passeata dos Cem Mil. Serra não compareceu à Cinelândia porque estava no exílio. Dilma, militante de uma organização decidida a trocar a ditadura militar pela ditadura comunista, não foi por achar aquilo tudo coisa de estudante pequeno-burguês. O programa do PT também mostrou imagens da campanha das diretas-já. Serra compareceu a todos os comícios. Dilma não foi vista em nenhum.

O candidato do PSDB sabe o que deve fazer. Basta rever Mário Covas e reler José Serra.

08/08/2010

às 15:08 \ Direto ao Ponto

Eles querem revisitar o passado? Ótima ideia

Entre uma lágrima e outra pela perda iminente do empregão, o presidente Lula resolveu queixar-se do Senado que, sob o comando do amigo de infância José Sarney, vêm há anos consumando, com zelo de vassalo interesseiro, todos os serviços sujos encomendados pelo Planalto. E continua criticando obsessivamente Fernando Henrique Cardoso. Dilma Rousseff, entre uma frase sem final e outra sem começo, tenta dizer que oposição “quer baixar o nível da campanha”. E desafia José Serra a discutir o passado.

O que espera a oposição para aproveitar essas bolas levantadas pela dupla e partir para a goleada? A viagem pelo tempo poderia começar em 1969. O Brasil saberia que Dilma Rousseff jamais renegou a opção pelo stalinismo farofeiro feita na juventude, trocou o PDT de Leonel Brizola (que a qualificou de “traidora”) pelo PT para continuar no secretariado gaúcho e — fora o resto — não tem uma única foto que a mostre numa das incontáveis manifestações em defesa da democracia. Só aquela em que se fantasiou e Norma Bengell.

E o que espera Serra para uma esclarecedora mirada no retrovisor? Tanto Lula quanto Dilma precisam ser urgentemente confrontados com os incontáveis momentos vergonhosos que escurecem a trajetória do PT. Foram resumidos no post publicado em novembro de 2009 sob o título Anotações para uma Reedição da História Universal da Infâmia.

Em novembro de 1984, por não enxergar diferenças entre Paulo Maluf e Tancredo Neves, o Partido dos Trabalhadores optou pela abstenção no Colégio Eleitoral que escolheria o primeiro presidente civil depois do ciclo dos generais. Em janeiro de 1985, por entenderem que não se tratava de um confronto entre iguais, três parlamentares do PT ─ Airton Soares, José Eudes e Bete Mendes ─ votaram em Tancredo. Foram expulsos pela direção.

Em 1988, num discurso em Aracaju, o deputado federal Luiz Inácio Lula da Silva qualificou o presidente José Sarney de “o grande ladrão da Nova República”. No mesmo ano, a bancada do PT na Constituinte recusou-se a assinar o texto da nova Constituição. Lula e Sarney hoje são bons companheiros e cúmplices em manobras políticas imorais ou ilegais.

Em 1989, derrotados no primeiro turno da eleição presidencial, Ulysses Guimarães, candidato do PMDB, e Mário Covas, do PSDB, declararam que ficariam ao lado de Lula na batalha final contra Fernando Collor. Rechaçado de imediato, o apoio acabou aceito por insistência dos parceiros repudiados. Num comício em frente do estádio do Pacaembu, Ulysses e Covas apareceram no palanque ao lado do candidato do PT. Foram vaiados pela plateia companheira.

Durante a campanha, o candidato à presidência do PT acusou o adversário Fernando Collor de “filhote da ditadura”. Depois do impeachment, qualificou-o mais de uma vez de “corrupto” mais de uma vez. Hoje Lula e Collor são comparsas. O ex-presidente disputa o governo de Alagoas com o apoio do atual, que em 1989 considerava “ignorante”, “cambalacheiro” e “incapaz de distinguir uma fatura de uma duplicata”.

Em 1993, a ex-prefeita Luiza Erundina, uma das fundadoras do partido, aceitou o convite do presidente Itamar Franco para assumir o comando de um ministério. Foi suspensa e acabou empurrada para fora do PT. Em 1994, ainda no governo de Itamar Franco, os parlamentares petistas lutaram com ferocidade para impedir a aprovação do Plano Real. No mesmo ano, transformaram a revogação da providencial mudança de rota na economia, que erradicou a praga da inflação, numa das bandeiras da campanha presidencial.

Entre o começo de janeiro de 1995 e o fim de dezembro de 2002, a bancada do PT votou contra todos os projetos, medidas e ideias encaminhados ao Legislativo pelo governo Fernando Henrique Cardoso. Todos, sem exceção. Uma das propostas mais intensamente combatidas foi a que instituiu a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Em janeiro de 1999, mal iniciado o segundo mandato de Fernando Henrique, o deputado Tarso Genro, em nome do PT, propôs a deposição do presidente reeleito e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte. O lançamento da campanha com o mote “Fora FHC!” foi justificado por acusações, desacompanhadas de provas, que Tarso enfeixou num artigo publicado pela Folha de S. Paulo. Trecho: Hoje, acrescento que o presidente está pessoalmente responsabilizado por amparar um grupo fora da lei, que controla as finanças do Estado e subordina o trabalho e o capital do país ao enriquecimento ilegítimo de uns poucos. Alguns bancos lucraram em janeiro (evidentemente, por ter informações privilegiadas) US$ 1,3 bilhão, valor que não lucraram em todo o ano passado!

O que diriam Tarso, Lula e o resto da companheirada se tal acusação, perfeitamente aplicável ao atual chefe de governo, fosse subscrita por alguém do PSDB, do DEM ou do PPS? Coisa de traidor da pátria, inimigo da nação, gente que aposta no quanto pior, melhor, estariam berrando todos. “Tem gente que torce pra que tudo dê errado”, retomaria Lula a ladainha desde janeiro de 2003. Desde a ressurreição da democracia brasileira, a ação do PT oposicionista foi permanentemente orientada por sentimentos menores, miúdos, mesquinhos. É compreensível que os Altos Companheiros acreditem que todos os políticos são movidos pelo mesmo combustível de baixíssima qualidade.

Depois da eleição de 2002, Fernando Henrique Cardoso impediu que a inflação fosse ressuscitada pelo medo decorrente da folha corrida do PT, comandou a primeira transição civilizada da história republicana e entregou a casa em ordem. Para manter a política econômica fixada pelo governo anterior, Lula entregou a direção do Banco Central a Henrique Meirelles, eleito deputado federal pelo PSDB de Goiás. Assim que tomou posse, o sucessor começou a recitar a falácia da “herança maldita.

Desfigurado pela metamorfose nauseante, o chefe de governo não teria sossego se o intratável chefe da oposição ainda existisse. O condutor do rebanho não tem semelhanças com o Lula do século passado, mas continua ouvindo os balidos aprovadores do rebanho companheiro. O caçador de gatunos hoje é padroeiro da quadrilha federal. O parlamentar que recusou a conciliação proposta por Tancredo é o presidente que se reconcilia com qualquer abjeção desfrutável. O moralizador da República presidiu e abafou o escândalo incomparável do mensalão.

Mas não admite sequer criticas formuladas sem aspereza pelo antecessor que atacava com virulência. É inveja, grita Lula. O espelho reflete o contrário. Nenhum homem culto prefere ser ignorante, nenhum homem educado sonha com a grosseria, gente honrada não quer conversa com delinquentes.

Lula jamais esquecerá que foi derrotado por FHC duas vezes, ambas no primeiro turno. E sabe que o vencedor nunca inveja o vencido.

03/05/2010

às 0:05 \ Sanatório Geral

Gente que mente (4)

“Obrigado presidente Lula, pelo Rodoanel”

Inscrição na faixa instalada na passarela da Volkswagen por pelegos sindicais do ABC, que estão gratos ao chefe pela obra idealizada por Mário Covas e construída nos governos de Geraldo Alckmin e José Serra, capturados pelo Newton Sgobbi e remetidos ao Sanatório com a seguinte observação: A faixa ficou incompleta. Eles devem um agradecimento a Lula por ter criado o céu, o mar e o ar que respiramos.


 

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