Blogs e Colunistas

Marco Aurélio Garcia

15/02/2013

às 2:18 \ Sanatório Geral

Mensagens do Além

“Tudo que eu tinha para falar eu já falei. Perguntem ao Chávez”.

Marco Aurélio Garcia, conselheiro presidencial para complicações cucarachas e uma boca à espera de um dentista, sobre o estado de saúde do presidente venezuelano, revelando que o companheiro internado num hospital cubano está pronto para esclarecer quaisquer dúvidas com mensagens psicografadas.

02/02/2013

às 17:39 \ Direto ao Ponto

Demetrio Magnoli: O ex-presidente Lula e a falência da ‘Doutrina Garcia’

Trecho do artigo sobre a política externa da cafajestagem:  “Não tem explicação, depois de mais de 500 anos, eu inaugurar a primeira ponte entre Brasil e Bolívia; não tem explicação, depois de mais de 500 anos, eu inaugurar a primeira ponte entre Brasil e Peru”, proclamou o ex-presidente Lula, sem ser corrigido por nenhum dos intelectuais que decoravam o ambiente. O trem inaugural da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré chegou a Guajará-Mirim em abril de 1912. Os presidentes Café Filho e Paz Estenssoro inauguraram a Estrada de Ferro Brasil-Bolívia em Santa Cruz de La Sierra, em janeiro de 1955. A Ponte da Amizade, sobre o Rio Paraná, uma ousada obra de engenharia, foi inaugurada em 1965, conectando o Paraguai às rodovias brasileiras e ao porto de Paranaguá. As pontes que Lula inaugurou estavam previstas na Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), aprovada na conferência de chefes de Estado de Brasília, em 2000, no governo FHC. De lá para cá, sob o lulismo, integração regional converteu-se em eufemismo para alianças políticas entre governantes “progressistas”.

Leia a íntegra na seção Feira Livre.

02/02/2013

às 14:00 \ Feira Livre

‘Lula e a falência da ‘Doutrina Garcia’, por Demétrio Magnoli

PUBLICADO NO GLOBO DESTA QUINTA-FEIRA

Marco Aurélio Garcia

DEMÉTRIO MAGNOLI

Lula sabe mais que os “intelectuais progressistas” reunidos em seu instituto para, nas palavras do assessor Luiz Dulci, “definir um plano de trabalho para o desenvolvimento e integração” da América Latina. Há muito reduzidos à condição de intelectuais palacianos, os convidados celebraram os “avanços” na integração regional e a miraculosa clarividência do ex-presidente. O anfitrião, contudo, pediu-lhes algo diferente da bajulação habitual: a formulação de uma “doutrina” da integração latino-americana. No décimo-primeiro ano de poder lulista, o pedido traz implícito o reconhecimento de um fracasso estrondoso de política externa ─ e da crise regional que se avizinha.

“Não tem explicação, depois de mais de 500 anos, eu inaugurar a primeira ponte entre Brasil e Bolívia; não tem explicação, depois de mais de 500 anos, eu inaugurar a primeira ponte entre Brasil e Peru”, proclamou o ex-presidente, sem ser corrigido por nenhum dos intelectuais que decoravam o ambiente. O trem inaugural da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré chegou a Guajará-Mirim em abril de 1912. Os presidentes Café Filho e Paz Estenssoro inauguraram a Estrada de Ferro Brasil-Bolívia em Santa Cruz de La Sierra, em janeiro de 1955. A Ponte da Amizade, sobre o Rio Paraná, uma ousada obra de engenharia, foi inaugurada em 1965, conectando o Paraguai às rodovias brasileiras e ao porto de Paranaguá. As pontes que Lula inaugurou estavam previstas na Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), aprovada na conferência de chefes de Estado de Brasília, em 2000, no governo FHC. De lá para cá, sob o lulismo, integração regional converteu-se em eufemismo para alianças políticas entre governantes “progressistas”.

Desde 2003, com a nomeação de Marco Aurélio Garcia como assessor especial da Presidência, a política brasileira para a América Latina foi transferida da alçada do Itamaraty para a do lulopetismo, impregnando-se de reminiscências políticas antiamericanas, terceiro-mundistas e castristas. O coquetel conduziu-nos ao impasse atual, que Lula é capaz de identificar mesmo se tenta disfarçá-lo pelo recurso à bazófia autocongratulatória.

A “Doutrina Garcia” rejeita a ideia de livre comércio, que funcionou como pilar original do Mercosul. A Argentina dos Kirchner aproveitou-se disso para violar sistematicamente as regras do Mercosul, desmontando o edifício da zona de livre comércio. No seu instituto, Lula denunciou a “preocupação maior de relação preferencial com os EUA ou com a Europa ou com qualquer um, menos entre nós mesmos”. Entretanto, na celebrada última década, a América Latina não aprofundou o comércio intrarregional, limitando-se a estabelecer uma “relação preferencial” com a China, que absorve nossas exportações de commodities. O primitivismo ideológico impede até mesmo a conclusão de um tratado comercial Brasil-México, elemento indispensável em qualquer projeto de integração latino-americana.

A “Doutrina Garcia” acalenta a utopia de uma integração impulsionada por investimentos estatais e de grandes empresas financiadas por recursos públicos. Contudo, a estratégia de expansão regional do “capitalismo de estado” brasileiro esbarrou nas resistências nacionalistas de argentinos, bolivianos e equatorianos, que assestaram sucessivos golpes em negócios conduzidos pela Petrobras e por construtoras beneficiadas por empréstimos privilegiados do BNDES. Numa dessas amargas ironias da história, o espectro do “imperialismo brasileiro” reemergiu como acusação dirigida por líderes latino-americanos “progressistas” contra o governo “progressista” de Lula.

A “Doutrina Garcia” almeja promover a liderança regional do Brasil, preservar o regime autoritário cubano e erguer uma barreira geopolítica entre América Latina e EUA. Em busca da primeira meta, o Brasil colidiu com as pretensões concorrentes da Venezuela de Hugo Chávez, que criou a Aliança Bolivariana das Américas (Alba). A concorrência entre o lulopetismo e o chavismo paralisa a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), esvaziando de conteúdo suas reuniões de cúpula. Em busca das outras duas metas, que compartilha com o chavismo, o Brasil ajudou a converter a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) numa ferramenta de proteção da ditadura castrista e de desmoralização da Carta Democrática da Organização dos Estados Americanos (OEA). Dias atrás, Cristina Kirchner definiu a ascensão de Cuba à presidência rotativa da Celac como o marco de “uma nova época na América Latina”. Ela tem razão: é o fim da curta época na qual os Estados da região levaram a sério seus proclamados compromissos com os direitos humanos e as liberdades públicas.

Distraídos, os intelectuais palacianos nada perceberam, mas a falência da “Doutrina Garcia” foi registrada no radar de Lula. De um lado, abaixo do celofane brilhante da Unasul e da Celac, desenvolve-se um processo que deveria ser batizado como a desintegração da América Latina. A principal evidência disso encontra-se na emergência da Aliança do Pacífico, uma área de livre comércio formada sem alarido por México, Colômbia, Chile e Peru, aos quais podem se juntar o Panamá e outros países centro-americanos. De outro, lenta mas inexoravelmente, desmorona a ordem castrista em Cuba, aproxima-se uma incerta transição na Venezuela chavista e dissolve-se o consenso político kirchnerista na Argentina. Quando clama por uma nova “doutrina” da integração latino-americana, o ex-presidente revela aguda consciência da encruzilhada em que se colocou a política externa brasileira.

A consciência de um problema é condição necessária, mas não suficiente, para formular suas possíveis soluções. Lula e seu cortejo de intelectuais não encontrarão uma “doutrina” substituta sem lançar ao mar o lastro de anacronismos ideológicos do lulopetismo. Isso, porém, eles não farão.

01/02/2013

às 23:10 \ Direto ao Ponto

Toptop Garcia dedica o troféu ao inventor da posse sem a presença do empossado

No discurso de vitória, o HSV de Janeiro lembrou que Hugo Chávez está mostrando ao mundo como se governa um país por aparelhos. Leia mais na seção Homem sem Visão.

31/01/2013

às 23:40 \ Homem sem Visão

Marco Aurélio Garcia vence a disputa de janeiro e puxa a fila dos campeões de 2013

“Dedico o troféu ao companheiro que inventou a posse sem a presença do empossado e está mostrando como se governa um país por aparelhos”, emocionou-se Marco Aurélio Garcia ao saber que, com 34% dos votos válidos, conquistou o título de Homem sem Visão de Janeiro. “O chefe jura que foi orientado pelo Chávez durante a campanha”, confidenciou um dos 212 assessores do conselheiro presidencial para complicações cucarachas.

Segundo a mesma fonte, o revolucionário bolivariano acampado numa UTI em Cuba baixava toda semana num terreiro em Salvador frequentado pelo governador Jaques Wagner, que recebia os conselhos da entidade e os repassava por telefone a Toptop Garcia. Jaques Wagner confirmou a informação e revelou que, em todas as aparições, o bolívar-de-hospício aconselhou o discípulo brasileiro a exibir com mais frequência seu bonito sorriso.

Logo atrás do vencedor, o deputado federal e futuro presidiário José Genoino conseguiu a medalha de prata com 31% dos votos. Com 24% do total, o fabricante de apaguinhos Edison Lobão garantiu o bronze e um lugar no pódio. Teotônio Vilela (13%)  o pódio. Com apenas 13% da preferência, o governador Teotônio Vilela ficou com a lanterninha. “Enfrentei candidatos fortíssimos na minha estreia”, conformou-se o tucano de Alagoas. “Mas acho que consolidei a imagem de oposicionista mais governista do Brasil”.

Marco Aurélio Garcia já tem assegurou a vaga na finalíssima que apontará o Homem sem Visão do Ano, leitores-eleitores! Quem terá de enfrentar??!! A briga de foice pelo troféu de janeiro acabou de começar! O que os candidatos farão no Carnaval? Que vença o pior!

19/01/2013

às 22:34 \ Feira Livre

‘Crônicas do fim do mundo’, um artigo de Fernando Gabeira

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA SEXTA-FEIRA

FERNANDO GABEIRA

“Feliz fim de mundo”, dizia a manchete do jornal venezuelano Tal Cual no dia de dezembro marcado para ser o último, com base no calendário maia. De certa forma, o mundo acabou e, de tão felizes, não nos demos conta.

Como baratas que sobrevivem ao inverno nuclear, o PMDB prepara-se para assumir o controle do Congresso Nacional. São os mesmos de sempre, como diz o personagem de Beckett ao perguntarem quem lhe deu uma surra na rua.

O calendário de Marco Maia terminou com uma ação importante: a compra de 1.500 iPads para os deputados. Medida econômica destinada a poupar montanhas de papel. Acontece que os iPads serão pregados nas mesas. É compreensível o medo de serem subtraídos. Tantos recursos, conhecimento e inovação foram gastos para criar uma tecnologia móvel e os deputados vão usá-la pregada. A esquerda no poder sempre pode argumentar: se a aristocracia reacionária pregou Cristo na cruz, qual o problema de pregar uma conquista tecnológica? O problema é que, se fizessem um aplicativo para celular, poderiam economizar os iPads, montanhas de papel e, naturalmente, os pregos. Todos os deputados têm celulares e do bolso dos assessores brotam celulares como dinheiro amassado do bolso dos bicheiros.

Do iPad vamos para o Photoshop. É um programa, com muitas funções, para tratar imagens. Com o Photoshop, os políticos sempre parecem mais novos do que sua idade real e as contas, mais arrumadinhas do que autoriza a crise real. Algumas rugas em forma de débito foram suprimidas. Dizem as notícias que as manobras feitas pelo governo para formalizar a maquiagem, mobilizando estatais e o BNDES, deram um prejuízo de R$ 4,7 bilhões, via mecanismo, forçado pela urgência, de comprar ações na alta e vendê-las na baixa.

Na energia, Edison Lobão é a cara do fim do mundo. Ele aconselhou a usar energia à vontade num momento em que os reservatórios estão baixos, as empresas hidrelétricas se desidratam na Bolsa e as térmicas a todo vapor emitem milhões de toneladas de gases de efeito estufa. Em todo o mundo, o conselho dos dirigentes é usar energia com critério e procurar economizá-la sempre que possível.

Lobão é generoso. Como Dilma, que nos promete uma redução de 20% na conta de luz, nesta conjuntura complicada. Como as térmicas encarecem a energia, a única saída será subsidiar uma parte da redução. Parte do que Dilma nos dá com toda a pompa devolvemos silenciosamente ao pagar a conta.

O sistema brasileiro é considerado bom por muitos analistas do setor. Precisa de investimento e gestão. Hidrelétrica fechada há quase 20 anos e central eólica funcionando sem linhas de transmissão para distribuir a energia são sinais de desgoverno. Costumo dizer que Barack Obama escolheu um Prêmio Nobel de Física para a pasta de Energia; quis o destino, graças à coligação vitoriosa, que nosso ministro fosse Lobão. Os vitoriosos impõem-nos condições constrangedoras. No passado, decisões brasileiras com repercussão continental eram pelo menos comunicadas às Comissões de Relações Exteriores do Congresso. Em alguns casos, falava-se até com a oposição.

A Venezuela está sendo governada por aparelhos. Eles são o vínculo de Hugo Chávez com a vida. Os chavistas poderiam respeitar a Constituição e eleger Nicolás Maduro dentro de um mês. Resolveram suprimir esse caminho, afirmando ser apenas uma formalidade constitucional.

Um assessor especial brasileiro viaja para Havana, discute com cubanos e venezuelanos e afirma: a posição do Brasil é apoiar o adiamento das eleições na Venezuela. Os vitoriosos não deveriam poder tudo. A política externa do Brasil não precisa coincidir totalmente com a do PT. Ela é o resultado de um pacto com a maioria que elegeu Dilma. E quando se trata de decisão de peso é preciso ao menos comunicar à oposição.

Marco Aurélio Garcia encarnou o PT, o governo e o Brasil. Que viagem! Enquanto espera as malas na esteira, proclama: a posição do Brasil é pelo adiamento das eleições na Venezuela.

Com o esfacelamento da oposição, os vitoriosos deixaram de fazer política. Desfilam solitários. Um partido substitui o País, que, por sua vez, é substituído por um assessor especial.

Na crise energética de 2001, fazíamos comissões, íamos ao Planalto, chamávamos o Pedro Parente, responsável pela gestão do problema, ao Congresso. Hoje está tudo morto por lá. E o PMDB prepara-se para roer os escombros. Esses dois momentos em que um setor vital como a energia invade a agenda revelam a devastadora decadência da política no Brasil.

Aos vencedores, as baratas. Pena que a paisagem na oposição seja também tão desoladora. O calor do debate político poderia levar-nos a pensar numa alternativa para tudo isso. A alternativa não é fácil. Os grandes partidos da oposição parecem não se interessar por ela. No mínimo, estariam se reunindo, discutindo os temas, lançando notas sobre a energia, a posição do Brasil nas eleições da Venezuela, a maquiagem das contas públicas.

Se a imprensa se tornou o único setor que questiona tudo isso, melhor talvez fosse distribuir os iPads aos repórteres. De que vale ser eleito como oposição e não realizar a tarefa?

Um certo mundo acabou. Ainda não apareceram aquelas brumas do amanhecer nos rios do Pantanal. Elas nos dão a ilusão de uma nova gênese, um outro mundo despontando gradualmente da névoa. Não espero nenhum paraíso. É pedir muito que o Brasil tenha um ministro da Energia à altura da importância do tema, que a política externa seja mais democraticamente exercida, que as contas públicas não sejam maquiadas? E que o Congresso funcione, a oposição se oponha?

Começam pregando iPads, daqui a pouco vão comprar aviões para a linha de ônibus Madureira-Central do Brasil, desativando sua capacidade de decolar. Começam com o ministro da Energia estimulando o consumo e, daqui a pouco, o da Saúde aconselhará a fumar.

O mundo acabou de certa forma. De tão felizes, não percebemos que está de pernas para o ar.

11/01/2013

às 18:37 \ Direto ao Ponto

O bobo da corte de Hugo I

Sempre que alguma crise política irrompe na América Latina ou em outras paragens igualmente flageladas pelo primitivismo endêmico, é fácil descobrir quem tem razão: o lado errado é o apoiado por Marco Aurélio Garcia. Como registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, a fórmula disponível desde janeiro de 2003 é infalível. Faz dez anos que o órfão da União Soviética se mete em todas. Nunca acertou nenhuma, comprova o post reproduzido na seção Vale Reprise.

Garcia enxerga uma democracia em Cuba e uma ditadura no Paraguai, chora a perda de um Bin Laden e insulta vítimas de desastres aéreos com repulsivo toptops. Coerentemente, resolveu abrir a boca à espera de um dentista para anunciar que se alistou no exército que luta pela criação do Reino da Venezuela e promete garantir a tiros a sagração de Hugo Chávez. O trono ainda não foi encomendado. O monarca agoniza num hospital da ilha-presídio dos irmãos Castro. Sempre afoito, Garcia nem pediu licença para instalar-se no emprego mais que merecido.

Enquanto esperam por Hugo I, os súditos do rei de bloco carnavalesco  se distraem com o brasileiro que nasceu para bobo da corte.

10/01/2013

às 21:00 \ Direto ao Ponto

Para a tribo de Dilma e Chávez, só existe um crime imperdoável: perder o poder

Em 18 de setembro de 2010, a coluna exibiu pela primeira vez o vídeo em que o venezuelano Hugo Chávez registra o carinho e a admiração que nutre pela presidente do Brasil. “Dilma Rousseff, uma grande companheira, uma grande patriota sul-americana”, derrama-se o chefe da revolução bolivariana no meio da discurseira reproduzida na seção História em Imagens. “Eu a conheci em uma reunião”, capricha no sotaque de milongueiro apaixonado e no olhar 171. “O que me impressionou foi sua claridade do conceito de sua profundidade”.

Em junho de 2011, depois de um encontro reservado em Brasília, Hugo e Dilma mantiveram em segredo o que haviam dito um ao outro. Como artistas de cinema de antigamente na fase dos arrulhos, limitaram-se a informar  que eram apenas bons amigos. “Ninguém sabe se ainda é só amizade ou se já virou namoro”, conformou-se o post sobre o diálogo misterioso. É algo bem maior que ambas as hipóteses, esclareceu há dias o apoio escancarado do Planalto à vigarice que pretende estuprar a Constituição venezuelana para substituir uma democracia em frangalhos pela monarquia à cucaracha.

Se o mandato de Chávez for estendido por prazo indeterminado, como tramam os golpistas , o trono mudará de dono só depois da morte do rei Hugo I. (Isso se a oposição conseguir provar que é impossível comandar do Além um grotão sul-americano). “Todos sabem do apreço que o governo brasileiro tem pelo presidente Chávez”, recitou Marco Aurélio Garcia, uma boca que à espera de um dentista e, desde 2003, conselheiro  presidencial para complicações internacionais.

É verdade. Em 2009, por exemplo, o Exterminador do Plural até localizou no cérebro baldio uma mesóclise perdida para homenagear o amigo de fé: “Poder-se-ia até dizer que a Venezuela tem excesso de democracia”, ensinou Lula. Na mesma época, Garcia voltou de outro beija-mão em Caracas impressionado com a liberdade de imprensa vigente por lá. “Os jornais publicam o que querem”, garantiu a figura que saúda desastres aéreos apavorantes com um sorriso e um toptoptop.

Mas é preciso ressalvar que, visto de perto, o “governo brasileiro” infiltrado na frase de Garcia é o mais recente codinome da presidente. Foi Dilma quem resolveu, entre um pito no salva-vidas mais próximo e um passeio de lancha, que o trapalhão incurável deveria interromper as férias no México, baixar em Cuba e descobrir se a situação do parceiro hospitalizado recomenda um telegrama com palavras de conforto ou sugere um convite para o desfile na Sapucaí.

Foi Dilma quem ordenou ao teórico da política externa da safadeza que consolasse o paciente com a prova de afeto: no peito da gerente durona também bate um coração. Caprichosamente seletivo, só guarda vagas para presidentes venezuelanos que se chamem Hugo Chávez. Para afagar um farsante, a presidente mandou às favas as leis venezuelanas, as normas que regem o convívio internacional, o respeito à soberania nacional, a lógica, o bom senso e a noção do ricículo. Para acariciar um bolívar-de-hospício, a doutora em Nada envergonhou o Brasil que pensa.

O lado bom do episódio foi ter revelado que o que une a dupla vai muito além da amizade, é mais forte que qualquer namoro. Dilma e Chávez são comparsas nascidos e criados na tribo cujos integrantes se permitem todos os pecados, menos um: só é crime ─ imperdoável ─ perder o poder.

 

10/01/2013

às 20:04 \ Homem sem Visão

José Genoino e Toptop Garcia abrem a procissão de brigas de foice de 2013

A temporada de brigas de foice no escuro pelos troféus mensais foi inaugurada com a espetacular entrada em cena de uma dupla de prontuários mundialmente respeitados. Já na segunda semana do ano, a Comissão Organizadora teve o prazer de oficializar as candidaturas de José Genoino e Marco Aurélio Garcia ao título de Homem sem Visão de Janeiro. Escaldados por derrotas sofridas em disputas anteriores, ambos voltaram ao palco com trunfos que só nascem em cabeça de craque.

O ex-presidente do PT do mensalão, por exemplo, não consegue enxergar no espelho um quadrilheiro condenado a dormir num catre para aprender que corrupção ativa dá cadeia. Só vê um inocente perseguido pela imprensa golpista e punido pela miopia do Supremo Tribunal Federal. “De perto, ele enxerga direitinho um deputado federal a serviço da lei, da moral e dos bons costumes”, confidenciou um dos 415 assessores parlamentares já nomeados por Genoíno.

Igualmente criativo, Marco Aurélio Garcia sempre viu uma democracia em Cuba e um bando de pacifistas iranianos disfarçados de aiatolás atômicos. Mas a principal bandeira da campanha foi fabricada na Venezuela, em parceria com o companheiro e cabo eleitoral Hugo Chávez. “O chefe foi o primeiro a enxergar que o bolívar-de- hospício tem jeito de rei”, revelou um dos 212 assessores do conselheiro presidencial para complicações cucarachas. Para conseguir a vaga na enquete que apontará o HSV de Janeiro, Garcia planeja convocar uma cadeia de emissoras de TV bolivarianas para proclamar a monarquia vestido de bobo da corte.

A coisa mal começou e a paisagem já é assustadora, leitores-eleitores! Não deixem de participar da única eleição que permite votar sem remorso em gente que ninguém merece! Para indicar seu candidato, é só escrever o nome num comentário enviado a qualquer post desta seção! Os quatro mais votados no primeiro turno disputarão o troféu de janeiro na enquete da coluna! Que vença o pior!

10/01/2013

às 0:25 \ Sanatório Geral

Toptoptop na Venezuela

“Todos sabem do apreço que o governo brasileiro tem ao presidente Chávez”.

Marco Aurélio Garcia, conselheiro presidencial para complicações cucarachas e uma boca à espera de um dentista, pronto para sugerir que, depois de partir tão logo parta desta para pior, o comandante Hugo Chávez continue governando a Venezuela do Além, à frente da trinca completada por Simón Bolivar e, daqui a pouco, Fidel Castro.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados