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Maranhão

21/10/2011

às 19:58 \ Homem sem Visão

Roseana Sarney entra na briga depois de estatizar os prejuízos e a tumba do pai

“A chefe topou entrar na disputa aos 45 do segundo tempo porque achou que fez um gol de placa”, confidenciou um dos 898 assessores de Roseana Sarney no lançamento da candidatura da governadora do Maranhão ao título de Homem sem Visão de Outubro. Nenhum integrante da Famiglia participa da eleição desde junho de 2009, quando o pai da candidata conquistou o troféu com uma votação extraordinária. Roseana entrou na briga graças à ideia de estatizar a Fundação José Sarney, instalada em 1990 no Convento das Mercês, uma relíquia arquitetônica criada pelo padre Antonio Vieira e tungada por Madre Superiora. Nesta quarta-feira, a Assembleia Legislativa aprovou o projeto que transfere para o governo estadual as dívidas, as ações trabalhistas e, se a Justiça deixar, até a tumba reservada ao presidente do Senado.

Segundo o mesmo assessor, Roseana está muito animada. “Se chegar à enquete, ela vai mandar um projeto de lei que transforma a estátua da Madre Superiora em patrimônio da humanidade”, revelou a fonte. Amigos da governadora vinham estudando a data mais adequada para o lançamento da candidatura desde janeiro, quando o Tribunal de Contas da União aceitou uma denúncia contra diretores da fundação acusados de desvio do dinheiro de convênios firmados com a Petrobras.

Além de Roseana Sarney, participam do primeiro turno Iriny Lopes, Gilberto Kassab, Guido Mantega, Roque Barbiere, Orlando Silva e Sepúlveda Pertence. Sete feras na disputa, leitores-eleitores! A jaula está superlotada! Roseana promete encarar qualquer um para levar o troféu do mês! Não deixe de votar sem remorso em quem ninguém merece! E que vença o pior!

16/09/2011

às 1:41 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo: a dupla Pedrinho e Gastão prova que o mais impune dos brasileiros tomou de assalto parte do governo

Celso Arnaldo Araújo

O novo ministro do Turismo se chama Gastão – homenagem sem graça ao país da piada pronta. Nem o mais fanático leitor de jornais, daqueles que devoram editais, obituários e classificados, jamais encontrou, nos últimos 20 anos, a mais remota referência a seu nome ou figura num rodapé de página– muito menos no mesmo parágrafo da palavra Turismo.

E após sua estreia fisionômica nos jornais de hoje, afaste-se de imediato a tentação politicamente incorretíssima de evocar a teoria lombrosiana. Nem nela Gastão se encaixa: feição mais comum, impossível — um despercebido permanente, até aqui amalgamado ao barro grosso do baixo clero da Câmara. Leu-se hoje, ao lado da foto inédita e da notícia espantosa de sua nomeação como ministro de Estado, que está no quinto mandato como deputado federal, é advogado e mestre em direito, milita na área de educação e é torcedor do Sampaio Corrêa. Agora, com todas as prerrogativas do melhor cargo de sua vida, assinará cheques, nomeará pessoas, controlará verbas vultosas.

O fato de ser um absoluto desconhecido da opinião pública e de não apresentar nenhuma credencial para o cargo não teve o menor peso no nihil obstat de Dilma – porque Gastão é deputado do PMDB do Maranhão e, desnecessário dizer, embora os jornais de hoje redundem na informação para os desavisados, “pertence ao grupo do senador José Sarney”.

É o grupo do mais impune dos brasileiros que afronta o país com sua liberdade plena para tomar de assalto parte da administração federal e desviar dinheiro público. É o grupo que teve o desplante de impor a Dilma, no começo do seu governo, um homúnculo moral como Pedro Novais, agora substituído por Gastão. O defeito de Novais não era em absoluto a velhice, mas a velhacaria e a assombrosa mediocridade de sua existência – plenamente confirmada em oito meses penosos à frente do Ministério do Turismo.

O Turismo, pasta absolutamente inútil para o desenvolvimento desse setor no país, mas resort burocrático com extraordinário potencial para um tour “all inclusive” às falcatruas da classe política brasileira, é da “cota” do PMDB. Não vale um décimo das diretorias da Petrobras também ocupadas por peemedebistas, em termos de oportunidade de negócios, mas é da cota, e o que é combinado não é caro.

Em nenhum momento, por um laivo de consciência ou de ínfimo pudor, nem por uma estratégia política para compensar o desatino da indicação anterior de Novais, os próceres do PMDB pensaram em deixar Dilma à vontade – se ela quisesse essa liberdade – para apontar ou pelo menos cogitar de alguém do ramo, fora da cota para larápios. Michel Temer, fiador do contrato de aluguel do PMDB com Dilma, não admitiria esse gesto de brasilidade. Voltou de um período de vilegiatura particular na Bahia, com um desarranjo intestinal que contraindicava até um pigarro, para fazer força por Gastão. É como se Novais não tivesse contado.

Quando estourou o escândalo da Operação Voucher, Sarney fez que não era com ele. Só conhecia Novais de vista – e para se ter vista de Pedrinho, com seu 1m46 de altura, era preciso chegar bem perto. Sarney se afastou. Era como se dissesse: “Esse não valeu”. Agora, com Gastão, preenche-se a lacuna que existia desde a posse de Pedro Novais.

Pelos primeiros sermões de Vieira hoje na TV, o novo ministro é troncho e igualmente medíocre – traços genéticos dos sarneyzistas. As outras características do DNA do grupo virão a seu tempo – cabendo a vigilância à imprensa naturalmente.

Dilma, que em absoluto se sentiu incomodada com as reinações de Pedrinho e com mais um ministro da legenda que cai no valão dos malandros, foi prestigiar o seminário do PMDB, hoje, e agradeceu, daquele seu jeitão destrambelhado, o “apoio” do partido a seu governo.

A presidente dá, todos os dias, prova de seu despreparo acintoso para o cargo – mas pelo menos ainda tentava mostrar um certo pendor pela autoridade de seu mandato. Ao ceder de novo à chantagem do PMDB, na qual o ministério do Turismo é só uma ponta minúscula, ela mostra também uma profunda ignorância política.

Governos de coalizão, como supostamente é este, de Lula/Dilma, são próprios de regimes parlamentaristas – onde a responsabilidade de mando e poder é compartilhada entre as forças que o apóiam, inclusive em eventuais desastres. Num sistema presidencialista, a divisão do governo ao nível de partilha entre políticos que se comportam como predadores de uma empresa privada, ávidos por lucros, gera uma situação esdrúxula: o bônus é dos acionistas – Sarney, Temer e companhia bela. O ônus pelas indicações cegas, sem filtro protetor, é todo do presidente. O Brasil é hoje o único país do globo com essa patológica dinâmica de poder.

Quem perdeu mais com as travessuras de Pedrinho Novais: Dilma ou Sarney?

11/09/2011

às 19:58 \ Sanatório Geral

E$tratégia é i$$o

“É estratégica para o desenvolvimento do Estado”.

Pedro Novai$, mini$tro do Turi$mo, ao ju$tificar a emenda de R$ 10 milhõe$ que infiltrou no Orçamento de 2011, quando agia como deputado federal, para “apoio a projeto$ de infrae$trutura turí$tica” no Maranhão, e que de$tinou parte dos recurso$ à con$trução de uma ponte em Barra do Corda, que não e$tá na li$ta dos 50 município$ indutore$ de turi$mo do e$tado, en$inando o que é e$tratégia.

09/09/2011

às 23:09 \ História em Imagens

Se quisesse ‘democratizar a mídia’, o PT teria de começar o serviço pelo Maranhão

Divulgado no fim da quermesse dos companheiros sem remorso, promovida há uma semana em Brasília, o documento com as conclusões do encontro da companheirada resume o que deve ser feito com os meios de comunicação nesta sopa de letras reproduzida em itálico:

“O 4º Congresso Nacional do PT convoca o partido e a sociedade na luta pela democratização da comunicação no Brasil, enfatizando a importância de um novo marco regulatório para as comunicações no País, que, assegurando de modo intransigente a liberdade de expressão e de imprensa, enfrente questões como o controle de meios por monopólios, a propriedade cruzada, a inexistência de uma Lei de Imprensa, a dificuldade para o direito de resposta, a regulamentação dos artigos da Constituição que tratam do assunto, a importância de um setor público de comunicação e das rádios e televisões comunitárias. A democratização da mídia é parte essencial da luta democrática em nossa terra”.

Com um só parágrafo, os redatores do PT ergueram um monumento ao duplipensar, criado por George Orwell no livro 1984. Censura é “democratização”, submissão ao governo é “marco regulatório”, controle estatal é “liberdade de expressão”, pensamento único é “luta democrática”. Até as velhas máquinas de escrever sabem que o sonho dos devotos de Lula é subjugar a imprensa independente. O resto é conversa fiada.

Se fosse para valer, o combate aos cardeais das comunicações que enriquecem enganando leitores, telespectadores e ouvintes começaria pela Famiglia Sarney. No momento, o patrimônio do clã que explora há 50 anos a capitania hereditária inclui  o jornal O Estado do Maranhão, a TV Mirante, a TV Difusora, um punhado de sites e dez emissoras de rádio. Caso se animasse a enquadrar o velho parceiro, o PT teria de consultar os humores do chefe. Como informa o vídeo abaixo, Lula pode enxergar em José e Roseana Sarney tanto uma dupla de vigaristas impunes quanto dois patriotas admiráveis. Depende das conveniências eleitorais.

Vale a pena ver de novo.

25/08/2011

às 15:53 \ Feira Livre

‘Não tem nada de mais…’, um artigo de Carlos Alberto Sardenberg

PUBLICADO NO GLOBO DESTA QUINTA-FEIRA

Carlos Alberto Sardenberg

Nossa série “Não tem nada de mais” recebeu colaboração notável do senador José Sarney. Flagrado em um helicóptero da PM do Maranhão – aparelho comprado para transporte de doentes e feridos -, e na companhia de um empreiteiro que tem negócios com o governo maranhense, fazendo um voo de São Luís para sua ilha particular, em fim de semana, Sarney reagiu conforme o figurino da série: por ser chefe de poder, tem direito “a segurança e transporte de representação em todo o território nacional”, em qualquer circunstância, mesmo a lazer.

Ou seja: não tem nada de mais.

Mas considerando que Sarney representa um poder federal e que o helicóptero é estadual e não destinado a “transporte de representação”, ou seja, não é para dar carona a autoridades, não haveria aí algo errado ou ao menos estranho? Não, argumenta o senador, pois viajou a “convite” de autoridade estadual máxima, a governadora do Maranhão. A circunstância de a governadora ser sua filha, Roseana, tudo bem?

Resposta: qual o problema?

Pois vamos imaginar um problema. Suponha, caro leitor, que um presidente do Senado – não o Sarney, claro, que não é disso – resolva patrocinar, digamos, uma festinha com amigos e amigas numa mansão de praia e peça “transporte de representação” ao governador local, que coloca à disposição um avião da PM.

Pode?

O simples bom-senso e o mínimo de ética dizem que não, não pode. Este caso imaginado está no limite, mas é exatamente a mesma situação da viagem real de Sarney. Ele não ia à farra, mas a descanso. Ok, mas continua sendo lazer absolutamente pessoal e privado. Estava levando não uma turma, mas só um convidado, certo. Ocorre que o cidadão, o empreiteiro, não tem direito legal a “transporte de representação” e, pela ética, nem devia receber a hospitalidade do senador, por haver um claro conflito de interesses.

Alguém da turma do “Não tem nada de mais” poderia argumentar que o empreiteiro tem negócios com o governo estadual, não com o Senado. Mas o helicóptero era estadual. Além disso, como disse o senador, os dois estavam ali a “convite” da governadora que, aliás, é herdeira da tal ilha.

Poderiam também argumentar que o presidente do Senado precisa de segurança. Mas ali? Ele? Um segurança do Senado para carregar as malas já dava conta do serviço, não é mesmo? Quem precisa de segurança é juíza que condena bandidos perigosos, não chefe de poder que distribui benesses como os supersalários no Senado.

Em resumo, não existe a menor possibilidade de se justificar com um mínimo de lógica e decência a viagem do senador e seu amigo.

Só cabe mesmo a resposta do vice-líder do governo Roseana Sarney na Assembleia Legislativa do Maranhão, o deputado estadual Magno Bacelar (PV): “Queria que o presidente do Senado fosse andar de jumento? Enfrentar um engarrafamento? Esse helicóptero, é claro, tem que servir aos doentes. Mas tem que servir às autoridades, esta é a realidade.”

Perfeito. O deputado leva, até aqui, o título de campeão nacional do “Não tem nada de mais”. O ex-presidente Lula concorre por fora, com a justificativa, digamos teórica. Ele disse, – lembram-se? – que Sarney, pela sua biografia, “não pode ser tratado como uma pessoa comum”.

Para registrar parte da biografia: a família Sarney, que controla o Maranhão há décadas, vai muito bem, obrigado. Quantos brasileiros têm ilha particular? Quanto ao Maranhão, disputa o título de mais miserável do país.

“Para o bem do povo”

O presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (Brasília), Olindo Menezes, inaugurou uma versão paralela do “Não tem nada de mais”.

O caso é simples. A lei determina que nenhum funcionário público pode ganhar mais que o salário de um juiz da Suprema Corte, uns 26 mil reais.

Cerca de 700 funcionários passavam do teto e tiveram seus vencimentos reduzidos, por ordem judicial. A mesa diretora do Senado, presidida por Sarney, recorreu ao juiz Menezes, que mandou a Casa voltar a pagar os chamados supersalários.

Entre outros motivos, disse que o corte dos salários “atenta contra a ordem pública”, pois coloca “de joelhos o normal funcionamento” do Senado.

O que quer dizer isso? Que os funcionários não trabalhariam mais caso a decisão judicial não os favorecesse? Eles não podem fazer isso. E mesmo que fizessem, de onde o juiz tirou que o Senado pararia?

Os funcionários envolvidos certamente têm o direito de discutir o caso na Justiça. Mas a mesa do Senado não deveria ir à Justiça contra uma lei aprovada ali mesmo.

Tudo, porém, fica mais fácil de entender quando se sabe que muitos senadores passam do teto salarial, inclusive Sarney, possivelmente com mais de R$60 mil mensais.

Quanto ganha exatamente o presidente do Senado? O site Congresso em Foco perguntou diretamente a ele. Sarney respondeu que não diria, “resguardado pelo direito constitucional à privacidade sobre os meus vencimentos, que tenho como qualquer cidadão brasileiro”.

Repararam? Para voar no helicóptero da PM, é autoridade, uma pessoa não comum. Para esconder quanto ganha dos cofres públicos, é cidadão qualquer.

25/08/2011

às 9:18 \ Sanatório Geral

Perfeita cavalgadura

“Queria que o presidente do Senado fosse andar em jumento? Queria o quê? Enfrentar um engarrafamento? Esse helicóptero, é claro, tem que servir os doentes, mas tem que servir as autoridades, esta é a realidade.”

Magno Bacelar, deputado estadual do PV e vice-líder do governo na Assembléia Legislativa do Maranhão, explicando que, como é uma perfeita cavalgadura, vai sentir-se muito honrado se José Sarney lhe ordenar que carregue o chefe no lombo.

22/08/2011

às 21:33 \ Sanatório Geral

Boa dupla

“Se peguei uma carona… Eu estando lá e ver o helicóptero vazio, não posso ir?”.

Henry Duailibe Filho, empreiteiro maranhense, parceiro do governo estadual em contratos de bom tamanho e amigo de José Sarney, sobre o passeio em companhia de Madre Superiora no helicóptero da Polícia Militar, reiterando em dilmês primitivo que brasileiro, de graça, topa até injeção na testa.

22/08/2011

às 19:36 \ Sanatório Geral

O passeio da Madre

“A aquisição é uma demonstração de que estamos investindo em uma polícia moderna, afastando de vez a bandidagem”.

Roseana Sarney, governadora do Maranhão, ao discursar na cerimônia de entrega à Polícia Militar do helicóptero que foi usado por seu pai numa viagem particular, explicando que o passeio aéreo de Madre Superiora serviu para testar os nervos da tripulação escalada para voar com bandidos a bordo.

10/08/2011

às 21:43 \ Sanatório Geral

Celso Arnaldo captura escritor

“Está à frente do governo do Maranhão um jovem político, também poeta e prosador, José Sarney, a quem vou visitar no Palácio dos Leões. O bigodinho preto, em vez de torná-lo mais velho, acentua-lhe a mocidade. (…) Há em Sarney uma curiosa ambivalência: a do poeta lírico, que constrói os seus sonhos, e a do político, que se preocupa em realizar os sonhos do poeta. Por mais de uma hora, ei-lo a falar-me de pontes, estradas, novas cidades, indústrias, usinas, com entusiasmo, com eloquência, por entre números e cifras, e eu também começo a ver o Maranhão novo com que ele nos acena”.

Josué Montello, escritor maranhense, bom memorialista e péssimo analista — na anotação relativa ao dia 23 de janeiro de 1967 de seu “Diário da Tarde”, só acertando na descrição do bigodinho preto do conterrâneo que, nos 45 anos seguintes, à medida que o jovem político se transformava no político velhaco, fez de seus sonhos de poeta, além de textos tenebrosos e cifras milionárias para sua famiglia, um pesadelo sem fim para o povo do “Maranhão novo”, o Maranhão dos Sarney, hoje o mais miserável estado da Federação.

12/03/2011

às 1:28 \ Sanatório Geral

Madre invejosa

“Neste ano, uma novidade raríssima apareceu. Um pé de maracujá cuja fruta tem a forma nada convencional do órgão genital masculino ─ de fazer inveja aos anjos barrocos e comedidos que o Aleijadinho esculpiu nas igrejas de Minas”.

José Sarney, vulgo Madre Superiora, na Folha desta sexta-feira, tão assanhado com o carnaval no Maranhão que deixou escapar a inveja que sentiu do maracujá.


 

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