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Maracanã

31/07/2011

às 0:27 \ Sanatório Geral

Tudo pronto

“Com o sorteio das eliminatórias, pode-se dizer que a Copa começa amanhã, e nós, do Rio, nos autodeclaramos desde hoje capital da Copa do Mundo”.

Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, fingindo ignorar que, se a Copa começasse amanhã, a final seria disputada nas ruínas do Maracanã.

19/05/2011

às 18:15 \ Direto ao Ponto

Os brasileiros caíram no conto da Copa

Em 15 de junho de 2007, numa cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Lula avalizou com um sorriso e aprovadores movimentos de cabeça o palavrório de Ricardo Teixeira, comandante perpétuo da CBF. “A Copa do Mundo é um evento privado”, garantiu o supercartola.  “O melhor da Copa do Mundo é que é um evento que consome a menor quantidade de dinheiro público do mundo. O papel do governo não é de investir, mas de ser facilitador e indutor”

Quatro meses depois, Teixeira repetiu no Rio a manifestação de apreço pelos pagadores de impostos. “Faço questão absoluta de garantir que a Copa de 2014 será uma Copa em que o poder público nada gastará em atividades desportivas”. Em 4 de dezembro de 2007, também no Rio, o ministro do Esporte, Orlando Silva, oficializou a promessa com o aval de Lula: “Os estádios para a Copa do Mundo serão construídos com dinheiro privado. Não haverá um centavo de dinheiro público para os estádios”.

Três anos e meio depois da discurseira, está claro que os brasileiros foram vítimas do conto da Copa. Lula queria transformar a festa esportiva em trunfo eleitoreiro. Ricardo Teixeira queria ampliar o cacife para disputar a presidência da FIFA ─ e continuar prosperando. Orlando Silva também queria continuar prosperando, e para tanto era necessário convencer os crédulos de que todo delinquente é recuperável. Como a farra dos Jogos Panamericanos de 2007, que deveria custar R$ 450 milhões, acabara de engolir R$ 5 bilhões, o campeão brasileiro de despesas superfaturadas achou prudente jurar que a Copa sairia de graça.

Conversa de vigaristas, confirmou a performance do ministro nesta quarta-feira. Com a arrogância dos condenados à impunidade, subiu a voz alguns decibéis e passou a exigir que o governo de São Paulo e a prefeitura da capital arranjem o dinheiro que falta para a construção do estádio do Corinthians. “Quando você se candidata a receber a abertura de uma Copa, eu imagino que você saiba das responsabilidades que possui”, falou grosso Orlando Silva.

Conforme o combinado, Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab estão investindo R$ 350 milhões em obras no entorno do local onde será erguido o estádio. O aprendiz de extorsionário acha pouco. Como a Odebrecht acaba de anunciar que o colosso orçado em R$ 650 milhões vai custar R$ 1 bilhão, quer que os paulistas banquem a diferença. E invoca o precedente aberto pelo governador Sérgio Cabral, que espetou nos bolsos dos fluminenses a conta da reforma do Maracanã. Deveria custar R$ 600 milhões. Acaba de saltar para R$ 950 milhões.

Como a Odebrecht, o consórcio que age no Maracanã aumentou a gastança em R$ 350 milhões. A quantia talvez tenha resultado da soma das comissões, propinas e taxas de sucesso. Até agora, a corrupção era medida em porcentagens. A bandidagem esportiva pode ter descoberto que fixar um preço para a roubalheira dá mais dinheiro e menos trabalho.

17/03/2011

às 21:14 \ O País quer Saber

A três anos da Copa do Mundo, já começou o espetáculo da gastança irresponsável

Bruno Abbud e Felipe Moraes

“Faço questão absoluta de garantir que a Copa de 2014 será uma Copa em que o poder público nada gastará em atividades desportivas”, prometeu em outubro de 2007 o supercartola Ricardo Teixeira, presidente da CBF e monarca do País do Futebol. A promessa já foi sepultada por obras em curso nos estádios de várias capitais. “Tudo será bancado pela iniciativa privada”, recitou o presidente Lula até o começo de 2010, quando o país ficou sabendo que, como de praxe, os pagadores de impostos teriam de bancar outro evento bilionário.

No dia 13 de janeiro, ao lado de Lula, o ministro do Esporte, Orlando Silva, informou que o governo federal  “investiria” R$ 23,3 bilhões na Copa do Brasil. Pelo andar da carruagem, a conta será muito mais salgada. A reforma do Mineirão, por exemplo, originalmente orçada em R$ 426,1 milhões, subiu já na licitação vencida pelo consórcio formado por três empreiteiras ─ Egesa, Hap e Construcap. A trinca vai embolsar R$ 743,4 milhões pela obra, mais de R$ 300 milhões acima do previsto. Por enquanto.

O estádio da Fonte Nova, em Salvador, deveria consumir R$ 591,7 milhões se fosse respeitada a primeira “matriz de responsabilidades” – documento que lista previsões de gastos e cronogramas de obras. Graças ao milagre da multiplicação das cifras, muito frequente no Brasil, a OAS e a Odebrecht vão receber R$ 1,6 bilhão. É o triplo do valor combinado. O salto sobre o orçamento é uma modalidade não-olímpica praticada também fora dos estádios. O preço da linha 1 do Veículo Leve sobre Trilhos em Brasília, por exemplo, quadruplicou: de R$ 364 milhões, saltou para R$ 1,5 bilhão.

A ARITMÉTICA DA CORRUPÇÃO
Segundo o ministro Valmir Campelo, do TCU, tais discrepâncias ocorrem porque “as previsões são feitas antes mesmo da elaboração dos projetos básicos das obras”.  Embora admita que é difícil antecipar com exatidão o custo final de uma obra, Adriano Biava, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP e especialista em contas públicas, lembra que “o que não pode acontecer é uma interferência premeditada para alterar custos, como superfaturamento, ou conluio entre as construtoras”. Essa aritmética da corrupção explica por que a gastança com os Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007, começou em R$ 414 milhões e acabou em suspeitíssimos R$ 4 bilhões. Dez vezes mais.

O papelório oficial sobre a Copa não identifica com clareza quem deve vigiar a trajetória dos bilhões de reais repassados pela União aos Estados e às prefeituras das 12 cidades que hospedarão jogos da Copa. Para evitar a reprise do escandaloso desperdício ocorrido no Pan-2007, Lula assinou um decreto em 14 de janeiro de 2010 criando o Comitê Gestor da Copa ─ o CGCOPA 2014. Coordenado por Orlando Silva, o comitê é formado por representantes de 16 ministérios, da Advocacia Geral da União, da Casa Civil, da Controladoria Geral da União, do Gabinete de Segurança Institucional e da Secretaria de Direitos Humanos. É muita gente e muito dinheiro para pouca vigilância.

Segundo o decreto, cabe ao grupo “definir, aprovar e supervisionar as ações previstas no Plano Estratégico das Ações do Governo Federal para a realização da Copa do Mundo FIFA 2014”. A coluna percorreu trilhas, desvios e labirintos na tentativa de descobrir quem faz parte do CGCOPA e como tem funcionado o órgão. Assessores do Ministério do Esporte garantiram que as informações estavam no decreto que criou a sigla. Mas o documento assinado por Lula não identifica os integrantes do grupo.

Márcia Gomes, assessora-chefe do Ministério do Esporte para assuntos da Copa do Mundo, explicou que seria impossível uma entrevista com qualquer representante do CGCOPA. “Nossos técnicos não falam com a imprensa”, informou. Na conversa seguinte, Márcia prometeu que tentaria quebrar o muro de silêncio. Não encontrou ninguém disposto a esclarecer dúvidas. Finalmente, pediu que as perguntas fossem encaminhadas por email. A coluna quis saber se ocorrem reuniões regularmente, o que é discutido, os nomes dos integrantes e quanto já se investiu na Copa do Mundo. O e-mail ficou sem resposta.

QUANTO FOI INVESTIDO
O Tribunal de Contas da União, encarregado de fiscalizar a liberação de recursos federais para a Copa de 2014, ignora o total investido até agora. “A União já repassou algo em torno de R$ 34 milhões, não sei bem”, calcula o ministro Campelo. “Mas é melhor conferir esses números com o CGCOPA”, sugeriu. Segundo a Controladoria-Geral da União, as despesas somam até agora R$ 248,1 milhões e estão especificadas no portal Copa 2014 – Transparência em 1.º lugar.

Criado especificamente para revelar o destino dos recursos federais reservados à Copa, o portal avisa que só em Natal, no Rio Grande do Norte, foram aplicados R$ 40,5 milhões ─ R$ 6,5 milhões acima dos cálculos feitos pelo TCU. “Existe divergência nos valores previstos e descumprimento de diversos prazos”, observa Campelo. Embora até os alambrados saibam que atrasos multiplicam despesas, os prazos fixados nos cronogramas são sistematicamente desrespeitados.

“Querer realizar uma obra com metade do tempo previsto demanda gasto com hora extra, congestionamento de serviços e o setor público acaba na mão do contratante, que estipula valores mais altos”, avisa o professor Biava. O tempo escasso é a justificativa evocada pelos fabricantes de aditamentos ─ palavrão que designa a anexação ao contrato de suspeitíssimas despesas fora do combinado. Os sinais de que vêm aí a farra da Copa já alarmam os brasileiros comuns. Governantes e cartolas parecem cada vez mais entusiasmados. E os donos de empreiteiras mal disfarçam a euforia.

05/03/2011

às 1:01 \ Direto ao Ponto

O campeão de popularidade achou perigoso desfilar diante da multidão não amestrada

O ex-presidente Lula desistiu da ideia de desfilar na Tom Maior, segunda escola a entrar no sambódromo paulista nesta madrugada. “Se vier, uma escola quer homenageá-lo e as outras também”, fantasiou o ministro da Saúde Alexandre Padilha. “Isso pode causar problema”. Áulicos de ofício não têm jeito. Sempre declamam a pior explicação.

Se o motivo fosse esse, bastaria que Lula o invocasse para recusar o convite de imediato. Como deixou a resposta para a última hora, é claro que passou alguns dias confrontando vantagens e riscos. Tudo somado, achou perigoso testar a popularidade na avenida em companhia de Marisa Letícia. Os recordes estabelecidos por lojas de pesquisas poderiam ser reduzidos a escombros pela multidão não amestrada.

Comprovou-se que Lula ainda convalesce do trauma sofrido na abertura dos Jogos Panamericanos de 2007. A primeira vaia a gente nunca esquece. Sobretudo uma vaia no Maracanã.

16/02/2011

às 16:07 \ Sanatório Geral

Carnaval perigoso

“Nunca desfilei, não sei sambar, mas quero ver como é essa emoção”.

Lula, convidado para desfilar na escola de samba Tom Maior, já planejando outra viagem ao exterior na época do carnaval para não correr o risco de agravar o trauma causado pela tremenda vaia no Maracanã.

31/01/2011

às 20:00 \ Direto ao Ponto

Lula precisa testar o truque da camisa mista num Fla-Flu no Engenhão

As cautelas adotadas para assistir ao jogo entre o Corinthians e o São Bernardo informam que Lula, passados três anos e meio, ainda convalesce da vaia que o impediu de discursar na abertura dos Jogos Panamericanos do Rio. O palco escolhido para a volta do torcedor foi o estádio em que estreou como líder sindical. Para agradar a todos os torcedores, fundiu as camisas dos dois times numa só, com o nome do craque e o número 13 nas costas. Declarou-se neutro e, ao ouvir o apito final, cumprimentou todo mundo pelo empate.

Por ter escapado da reprise do vexame de 2007, o ex-presidente acha que acabou de marcar um golaço. Mas a velha assombração só será exorcizada se a jogada der certo no Rio. Como o Maracanã está em obras, a coluna sugere que o teste seja repetido num Fla-Flu no Engenhão. O que acontecerá se Lula aparecer trajado como na foto abaixo? Vocês decidem.

02/12/2010

às 20:12 \ Direto ao Ponto

O campeão de popularidade está desafiado a repetir em Goiânia o teste do Maracanã

O País do Futebol aplaude um campeão de popularidade até no meio do Hino Nacional ou da reza no velório. O presidente Lula repete de meia em meia hora que nunca antes neste país houve um governante tão popular quanto ele. Vive falando em futebol, garante que foi um excelente meia-direita e é corintiano de brigar em arquibancada. Neste domingo, se vencer o Goiás, o Corinthians pode até conquistar o Campeonato Brasileiro ─ basta que o Fluminense tropece na partida contra o Guarani. Mesmo que perca, o Timão será tratado com carinho pela única torcida do mundo que caiu para a segunda divisão cantando seu amor ao clube.

Tudo somado, Lula não pode perder a chance de saborear na tribuna de honra do estádio Serra Dourada, em Goiânia, a reafirmação da popularidade incomparável.

Durante a campanha eleitoral, o palanqueiro incurável fez o que pôde e o que é proibido para impedir que o inimigo Marconi Perillo, candidato do PSDB, voltasse ao governo de Goiás. Não conseguiu por falta de tempo, alega. Como não pôde aparecer  por lá com a frequência desejada, explicou, milhões de devotos do presidente não ficaram sabendo que queria Iris Rezende no governo e Dilma na Presidência. Num mano a mano entre ele e Perillo, disse depois da eleição, o adversário saberia o que é desafiar um cracaço das urnas.

Tudo somado, Lula não pode perder a chance de saborear no Serra Dourada a ovação que, já consagradora em si, reduziria Marconi Perillo a um silêncio de carmelita descalça.

Nos últimos três anos, foram realizados mais de 1.100 jogos entre os times que participam do Brasileirão. O presidente não viu nenhum de corpo presente. A rodada deste domingo será a última do campeonato de 2010 ─ e a última da Era Lula. É a chance de despedir-se em público da gerência do País do Futebol em grande estilo. É mais um dos incontáveis motivos para ver o jogo no Serra Dourada.

Tudo somado, um único motivo o aconselha a ficar em casa: a lembrança da vaia que o fez desistir da discurseira que abriria, no Maracanã, os Jogos Panamericanos do Rio. Desde aquele 13 de julho de 2007, Lula não dá as caras em estádio nenhum. A oposição real acha que, aos olhos do vaiado, todos ficaram com cara de Maracanã. Neste domingo, Lula poderá, simultaneamente, livrar-se do trauma, desmoralizar os fracassomaníacos, confirmar os recordes estabelecidos em pesquisas, humilhar Marconi Perillo e, quem sabe, comemorar mais uma conquista do Corinthians.

Vá ao jogo, presidente. Coragem.

30/08/2010

às 20:02 \ Direto ao Ponto

A plateia não tirou o chapéu para Lula

O vídeo que documenta a performance do jornalista Jorge Kajuru no programa do Raul Gil é um dos grandes sucessos da internet. Vejam como foi, acompanhem a reação da plateia e tentem decifrar mais um mistério. O auditório do Raul Gil é formado basicamente por brasileiros das classes C e D, certo? Nessas faixas, o presidente Lula é tratado como divindade, certo? Então tentem rimar essas duas premissas com o conteúdo do vídeo. Kajuru faz duras críticas aos institutos de pesquisas. O público endossa. Kajuru informa que não tira o chapéu para Lula. Raul Gil quer saber se a plateia concorda. E a imensa maioria do auditório aprova a a atitude do jornalista com aplausos que repetem, pelo avesso, a vaia do Maracanã. Confiram.

04/07/2010

às 16:30 \ Sanatório Geral

Menos no Maracanã

“Vamos ver se o Ricardo Teixeira vai me convidar para ser técnico, ou bandeirinha”.

Lula, avisando que, depois de ter desistido da secretaria-geral da ONU, da presidência do mundo e da gerência do universo, está à disposição do Brasil até para orientar a Seleção sentado no banco de reservas ou para apitar impedimentos do adversário, desde que não seja no Maracanã, onde levou uma vaia mais traumática que a final da Copa de 1950.

02/05/2010

às 9:11 \ Sanatório Geral

Simples assim

“Vocês começam a dar muita importância para a revista Time e daqui a pouco meu ego cresce e não cabe mais nas calças. Vou ter que encomendar uma calça mais larga porque o ego vai crescendo e o ego engorda”.

Lula, sem que nenhum áulico por perto tivesse coragem de dizer que, se o chefe quiser mesmo reduzir o tamanho da ego, basta aparecer outra vez no Maracanã ou lançar a continuação do filme sobre o Filho do Brasil.


 

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