Coluna do

Augusto Nunes

Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido.
E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido.

Posts com a tag ‘Mahmoud Ahmadinejad’

SEÇÃO » Sanatório Geral

Fala, Lula

2 de fevereiro de 2010

“Dois foram executados e os outros nove o serão em breve por participação nos protestos”.

Seyyed Ebrahim Raïssi, figurão do Poder Judiciário no Irã, anunciando as punições aplicadas a participantes das manifestações de protestos contra as eleições fraudadas, que o presidente Lula comparou a choro de perdedor de jogo de futebol.

SEÇÃO » Homem sem Visão

Começou a votação que elegerá entre os piores do planeta a trinca dos HSV da década

2 de fevereiro de 2010

A coluna acabou de receber o seguinte comunicado da Comissão Organizadora do Homem sem Visão: :

AOS LEITORES/ELEITORES

Durante três dias, os integrantes desta Comissão estiveram reunidos em sigilo para a montagem da relação dos concorrentes ao título de Homem sem Visão da Década. A opção pela clandestinidade foi determinada pela descoberta de que vários pré-candidatos planejavam comemorar a entrada na enquete com atentados a bomba, discursos de 12 horas ou sequestros de adversários. Para garantir o bom andamento dos trabalhos e a integridade física dos participantes do encontro, a Comissão espalhou que as reuniões ocorreriam numa das sete fazendas que o senador Romero Jucá faz de conta que tem na Amazônia. Vários concorrentes enviaram à selva patrulhas encarregadas de descobrir o local do evento. Os patrulheiros continuam desaparecidos. A Comissão está onde sempre esteve.

O principal objetivo era juntar numa única disputa figuras que, daqui a muitos séculos, continuarão obrigando milhões de pessoas civilizadas a repetir a mesma pergunta: como é que o mundo sobreviveu a tantos trastes, incapazes de enxergarem um palmo adiante do nariz, governando ao mesmo tempo? A missão foi cumprida, como atesta o time formado por 12 cracaços. Confira os nomes, arrolados por ordem alfabética, e o país que representam:

Daniel Ortega (Nicarágua)

Evo Morales (Bolívia)

Fidel Castro (Cuba)

George W. Bush (Estados Unidos)

Hugo Chávez (Venezuela)

Kim Jong-íl (Coreia do Norte)

Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil)

Mahmoud Ahmadinejad (Irã)

Manuel Zelaya (Honduras)

Muammar Khadafi (Líbia)

Omar al-Bashir (Sudão)

Osama Bin Laden (Iêmen do Norte)

Agora é com vocês, leitores/eleitores. Escolham os três piores entre os piores do mundo neste começo de século! E que vença o pior!

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Chanceler de bolso (10)

2 de fevereiro de 2010

“É importante que seja dada oportunidade para discussões com o presidente Ahmadinejad. É preciso evitar soluções que causem sofrimento ao povo iraniano”.

Celso Amorim, em Paris, explicando que o companheiro Mahmoud Ahmadinejad é um estadista tolerante, disposto a tudo para evitar que o povo sofra e muito interessado em dialogar com todos os governos, principalmente os que entregam a chefia do Ministério das Relações Exteriores a uma besta quadrada.

SEÇÃO » Homem sem Visão

Doze campeões na largada do Homem sem Visão da Década

14 de janeiro de 2010

“Esse troféu vale mais que o Nobel do Obama!”, exultou o presidente Lula ao saber que o Homem sem Visão da Década será eleito entre os dias 2 e 10 de fevereiro na enquete da coluna. Já em campanha, o representante do Brasil na épica disputa internacional ordenou a Gilberto Carvalho que buscasse  “aquele isopor que o Jacques Wagner encheu de livro de poesia”, abriu a primeira e avisou que festejará a vitória na Marquês de Sapucaí. ”Vou desfilar com o calção que usei na Bahia pra mostrar o bronze que peguei na praia”, riu debochado.

Até 1° de fevereiro, paralelamente à escolha do Homem sem Visão de Janeiro, os leitores-eleitores poderão ampliar com indicações nos comentários a lista de pré-candidatos organizada pela Comissão Organizadora. Nesta quinta-feira, pelo celular pré-pago que ganhou de Celso Amorim, o presidente sem país a presidir Manuel Zelaya aceitou oficialmente representar Honduras na competição.

Além de Lula e Zelaya, o elenco de celebridades é valorizado pela presença de  10 campeões mundialmente conhecidos: Mahmoud Ahmadinejad (Irã), Omar al-Bashir (Sudão), Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Muammar Khadafi (Líbia), George Bush (EUA), Fernando Lugo (Paraguai), Daniel Ortega (Nicarágua), Kim Jong-il (Coreia do Norte) e Fidel Castro (Cuba). Doze feras, um troféu e duas medalhas. Não é pouca coisa. Para tornar a decisão menos sofrida, a Comissão Organizadora decidiu que cada eleitor poderá votar em três candidatos.

Nos próximos dias, num esforço jornalístico à altura do elevado espírito cívico que caracteriza o timaço de comentaristas, a coluna acompanhará simultaneamente a disputa do HSV de Janeiro e a movimentação dos concorrentes ao título de HSV da Década.

A luta começou, gente boa! É a chance de votar sem remorso em gente que não enxerga um palmo adiante do nariz! Não é todo dia que se pode votar em figuras que atormentam o planeta em diferentes idiomas, sotaques e dialetosui! E que vença o pior entre os piores!

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O conselheiro do mundo

4 de dezembro de 2009

A distância que separa a civilização da caverna, e a modernidade democrática do primitivismo populista, escancarou-se quando o Irã atômico entrou em pauta na entrevista coletiva em Berlim. Com clareza, concisão e sobriedade. a primeira-ministra Angela Merkel informou que as molecagens cada vez mais atrevidas de Mahmoud Ahmadinejad esgotaram a paciência das grandes nações. À advertência da Alemanha seguiram-se os acordes da Aquarela do Brasil e a letra improvisada pelo visitante.

Na primeira parte do falatório, Lula pediu que a criatura dos aiatolás fosse contemplada com mais paciência e um voto de confiança. Se o amigo iraniano já disse que não pensa em bomba, não há por que duvidar. Na segunda parte, o monoglota que ama a própria voz engatou uma ré e desandou: e os Estados Unidos? E a Rússia? Enquanto todos não desativarem seu arsenal, decolou, ninguém terá autoridade para exigir que o Irã deixe de fazer o que o orador acabara de garantir que não fará.

Ignorante em geografia, Lula mal sabe onde ficam os países cujo destino pretende influenciar. Analfabeto em geopolítica, incapaz de gaguejar a palavra realpolitik, flutua na estratosfera com a placidez de quem passeia num carrossel ─ e passou a berrar enormidades que nem os napoleões de hospício e os doidos de pedra ousariam sussurrar.

O protagonista do formidável fiasco em Honduras não esperou nem uma semana para comunicar a americanos e russos que, a menos que entreguem as armas nucleares, o Brasil não os autorizará a castigarem o Irã. Por achar que é mesmo o cara, atesta a patética performance em Berlim, Lula virou conselheiro do mundo.

Antes que se candidate à presidência da Terra, alguém poderia soprar-lhe que não há esperança de salvação para quem não sabe rir de si próprio, olhar-se com ironia, reconhecer os próprios limites e proibir-se de brincar de onisciente. O Lula sindicalista e o Lula do PT ainda no berço pareciam saber.

Se é que sabiam, o presidente não sabe mais. O Brasil que se cuide. 

 

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Soldados da paz

26 de novembro de 2009

“Na verdade, parece uma brincadeira que acusem a nós de violência”.

Hugo Chávez, depois de ordenar o deslocamento de mais tropas para a fronteira com a Colômbia, conversando com o companheiro Mahmoud Ahmadinejad, que já executou 125 iranianos condenados à morte por acharem que a eleição foi fraudada.

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Nascidos um para o outro (6)

26 de novembro de 2009

“Eu o chamaria até de gladiador das lutas antiimperialistas, exemplo de firmeza, de constância, de batalha pela liberdade de seu povo, pela grandeza da pátria persa, da pátria iraniana. A pátria de Bolívar dá-lhe as boas-vindas”.

Hugo Chávez, reencarnação degenerada de Simon Bolivar, para Mahmoud Ahmadinejad, fusão de todos os napoleões de hospício da história persa.

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Nascidos um para o outro (5)

25 de novembro de 2009

“Com estas duas bandeiras hasteadas, a do Irã e a da Venezuela, símbolos livres de países livres, bandeiras revolucionárias, estamos aqui para dar as boas-vindas ao irmão Ahmadinejad”.

Hugo Chávez, que merece um Ahmadinejad, para Mahmoud Ahmadinejad, que merece um Chávez.

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A trinca que apostou na crise está a poucas milhas do naufrágio

24 de novembro de 2009

“Cada povo decide a democracia que quer ter e ele foi legitimado pela eleição”, recitou Lula outra vez, sempre para justificar o noivado indecoroso com Mahmoud Ahmadinejad. O que vale para o Irã dos aiatolás e seu capataz não vale para Honduras nem se estende ao vencedor das eleições presidenciais do dia 29. O governante que topa qualquer negócio com qualquer abjeção continua a produzir explicações malandras para recusar-se a validar uma escolha limpa, livre e decidida pelo voto popular.

Honduras  só terá de volta a amizade do Brasil e a vaga na OEA se, quando domingo chegar, Lula telefonar para o palácio em Tegucigalpa e ouvir, do outro lado da linha, a voz do companheiro Manuel Zelaya. O governo só quer conversa com o chapéu amigo, endossou Marco Aurélio Garcia. Excitado com os preparativos para a recepção ao parceiro iraniano, já escolhendo a gravata que não combinaria com o terno mal cortado, o conselheiro para complicações cucarachas reiterou que quem deve escolher o chefe de governo hondurenho é o Brasil. ”Não consideramos legítima a votação”, advertiu. ”Não vamos dar um atestado de bons antecedentes aos golpistas”.

Informado de que o presidente interino Roberto Micheletti resolvera afastar-se do cargo na semana da eleição, o chanceler Celso Amorim por pouco não sucumbiu a outro chilique. “Ele não pode sair de onde não poderia estar”, desdenhou. ”Isso para mim soa quase que como… enfim, não vou dar palpite nos assuntos dos outros agora”. Por ter apostado na crise muito mais do que tinha, resta à trinca agarrar-se à esperança esfumaçada. E fazer de conta que diplomacia rima com teimosia também na linguagem da política externa.

“O presidente Lula, seu infeliz chanceler Amorim e o nefasto Marco Aurelio Garcia são claramente parte do problema e não parte de sua solução”, constatou o senador americano Richard Lugar. ”Esses três brasileiros deveriam preocupar-se com a violação da Carta Democrática da OEA por Hugo Chávez em vez de caminhar contra o óbvio desejo de milhões de hondurenhos”. E da multidão de candidatos, confirmou o mais recente dos incontáveis fiascos protagonizados pelo presidente sem país a presidir.

Hospedado há mais de dois meses na embaixada que rebatizou de ”escritório político do presidente da República”, Zelaya divulgou um manifesto ordenando aos aliados, devotos e simpatizantes que boicotassem a campanha eleitoral e a votação. Os hondurenhos preferiram comparecer aos comícios. Dos mais de 13.500 candidatos, só 31 desistiram da disputa. Como o boicote teve o apoio militante também de Lula, Amorim, Garcia e da primeira-dama Xiomara, o mundo descobriu que o rebanho que só topa ser conduzido por Zelaya junta no momento 35 cabeças.

O reconhecimento antecipado do novo governo de Honduras pelos Estados Unidos e pela União Europeia colocou na rota do naufrágio o plano concebido para consolidar a liderança internacional do Brasil. Lula achou que, resolvida a crise, a vaga no Conselho de Segurança da ONU ficaria ao alcance da mão.  Ficou com um Zelaya no colo.

SEÇÃO » Sanatório Geral

Maluco beleza

23 de novembro de 2009

“Estamos procurando construir um mundo distanciado de discriminação e injustiça, com fraternidade e cooperação entre as nações”.

Mahmoud Ahmadinejad, revelando na visita ao Brasil, entre uma ameaça a Israel e a condenação à morte de algum homossexual, que sonha com um  mundo que faça o contrário do que faz no Irã.