Blogs e Colunistas

mãe

31/07/2011

às 14:48 \ Sanatório Geral

A mãe pirou

“Entramos com o pé no acelerador, o que demonstra o aprendizado que tivemos no primeiro período. Mas isso não satisfaz. Vamos querer acelerar ainda mais e melhorar para que o PAC2 seja ainda melhor que o PAC 1″.

Dilma Rousseff, durante a divulgação do primeiro relatório do PAC em 2011, deixando claro que o fracasso do filho subiu à cabeça da Mãe do PAC.

11/06/2011

às 18:24 \ Direto ao Ponto

A bancada das togas agradecidas

Dos ministros que libertaram Cesare Battisti, só Marco Aurélio Mello ─ nomeado pelo primo Fernando Collor de Mello ─ não deve a toga a Lula. Os outros cinco chegaram ao Supremo Tribunal Federal pelas mãos do palanqueiro itinerante. E nenhum escapou da sabatina decisiva com Márcio Thomaz Bastos, advogado e amigo de Lula antes e depois da passagem pelo Ministério da Justiça.

Desde janeiro de 2003, cumpre a Márcio verificar pessoalmente se o chefe pode confiar no candidato, mesmo se indicado por padrinhos influentes. Coube a Frei Betto, por exemplo, apresentar Joaquim Barbosa ao presidente interessado em nomear um jurista negro. O nome de Ricardo Lewandowski foi soprado ao marido por Marisa Letícia, que havia sido vizinha da mãe do doutor em São Bernardo e vivia ouvindo referências elogiosas ao filho sabido.

Ayres Britto nem precisou de protetores: o presidente o conhecia desde 1990, quando tentou eleger-se deputado federal pelo PT de Sergipe. Carmen Lúcia ganhou a vaga porque o chefe do Executivo resolveu que o STF precisava de mais uma mulher. Luiz Fux, oficialmente nomeado por Dilma Rousseff, já estava escolhido quando o governo começou. Sempre depois de submeter o favorito à triagem de Márcio Thomaz Bastos, Lula incluiu em seu legado a vaga reservada ao candidato de Sérgio Cabral.

Numa das mais lastimáveis sessões da história do Supremo, os cinco, apoiados por Marco Aurélio Mello, transformaram o presidente da República no único e incontrastável árbitro de pedidos de extradição. Parece não fazer sentido. Mas faz.

13/05/2011

às 12:48 \ Feira Livre

‘Viagem no tempo’, um texto de Ivan Angelo

TEXTO PUBLICADO NA REVISTA VEJA SÃO PAULO DESTA SEMANA

Ivan Angelo

Falávamos sobre viagens e seus modernos confortos quando alguém se lembrou do tempo em que os viajantes levavam toalha e sabonete na mala. Não faz tanto tempo assim. Uma sobrinha, há poucos anos, chegou a minha casa com toalha de banho e caixinha de sabonete na mala. “Coisa da minha mãe”, explicou constrangida, sinal de que a mãe dela, que tem menos de 60 anos, levava toalha e sabonete quando viajava. Hotéis e hospedarias eram precários, tirando os melhores das capitais; e, ao pousar na casa de alguém, evitava-se “dar trabalho”.

Certas frases jogam a gente no tempo, escadaria abaixo. No trambolhão nos lembramos de coisas que já eram. Muitas não mudam porque atingiram a perfeição da simplicidade, como o prato, a mesa, a cachaça, a camiseta. Outras, tão indispensáveis num momento, descartáveis em outro.

Lembram-se do quebra-vento nos carros? Coisa anterior à difusão do ar-condicionado, pouco antes de o presidente Collor dizer que os automóveis brasileiros eram umas carroças. O quebra-vento era um vidro giratório colocado à frente das janelas dianteiras; quebrava o vento que entrava quando os vidros das portas estavam abaixados, ou permitia que o ar entrasse quando a janela estivesse fechada. Girando-o todo, direcionava-se o vento para dentro, a fim de refrescar a pessoa acalorada. Até há pouco tempo, no Nordeste, carro sem quebra-vento encalhava.

Carros não tinham luz piscante para o motorista indicar que ia entrar à esquerda ou à direita, nem luz de freio. Todos os sinais eram feitos pelo motorista com o braço esquerdo para fora do carro. Sinal de parar: mão espalmada para trás, baixa; sinal para entrar à esquerda: braço reto estendido; entrar à direita, braço alto dobrado para a direita. Quase não havia sinais luminosos de trânsito, o guarda apitava em códigos obrigatoriamente conhecidos.

Não faz muito tempo, as folhas dos livros em brochura vinham “fechadas”, não eram aparadas, prontas para folhear, como hoje. O leitor tinha de abrir as páginas quatro a quatro e depois duas a duas com uma faca ou com um “abridor de livros”. Sim, havia abridores de livros no comércio. E lia-se!

Ah, meninos, as fotos que se tiravam não se viam no mesmo instante, como agora. Só dias mais tarde, após reveladas e copiadas em laboratório. Depois veio a grande novidade das cópias em 24 horas, em duas horas, em uma hora e na hora. A fotografia popularizou-se. Com as câmeras nos telefones celulares, os fotógrafos amadores tornaram-se bilhões.

Seringas de injeção, antes das descartáveis, eram de vidro, tinha-se de fervê-las para esterilizar. Vinham em um estojo de metal, cuja tampa se usava para encher de álcool; sobre ela se acomodava uma armação de metal que também vinha no estojo e servia como trempe de um minifogareiro. Enchia-se o estojo de água, colocava-se dentro a seringa junto com o êmbolo e as agulhas, botava-se fogo no álcool, fervia-se por uns três minutos e pronto. Calculadora? Era a tabuada, que os estudantes sabiam de cor, e baseados nela faziam contas complicadíssimas das quatro operações, na ponta do lápis. Nos escritórios, e só lá, havia as famosas máquinas de calcular manuais Facit, que tinham um teclado de algarismos e uma manivela que os craques do cálculo viravam para a frente e para trás, produzindo exatidões mostradas em um pequeno visor. Não demorou e vieram as elétricas, as eletrônicas digitais…

Máquinas de escrever ainda se veem em delegacias e cartórios do interior. Num hospital da Zona Leste, um amigo me chamou: “Quer ver um flashback?”. E me levou a uma recepcionista de um dos consultórios, que datilografava impávida os dados dos clientes. Nas redações de jornais e revistas, com suas dezenas de máquinas de escrever batucando ao mesmo tempo, o encerramento de uma edição era uma zoeira. O alívio veio com o silêncio dos computadores.

Cartão amarelo, cartão vermelho? No futebol do tempo do beque e do centeralfe, cartão era o dedo do juiz, primeiro apontando o nariz do abusado, depois apontando o olho da rua. Os cartões derrotaram o dedo em riste porque são mais civilizados, impessoais e fáceis de entender em qualquer língua.

Você pensa que eram coisas da juventude do seu avô, ou do seu bisavô, mas não, são do tempo do seu pai. Um tempo em que as crianças tinham bons modos, obedeciam até a olhares, não abriam a geladeira dos outros, contentavam-se em ganhar apenas três presentes por ano, nas ocasiões propícias, e eram felizes.

O ritmo está cada vez mais rápido.

18/03/2011

às 13:04 \ Sanatório Geral

Miolo mole

“O fato de Obama vir com a família é uma demonstração de respeito à nação”.

Sérgio Cabral, governador do Rio, ensinando que, quando retribuir a visita do presidente dos Estados Unidos, Dilma Rousseff precisa levar a mãe, a tia, a filha e o neto para mostrar que respeita a nação americana.

09/03/2011

às 5:51 \ Sanatório Geral

Neurônio radiofônico (3)

“Imagino como é difícil para uma mãe ouvir um filho pedir comida e não ter. Isso talvez seja o maior benefício do Bolsa Família”.

Dilma Rousseff, no programa “Café com a presidenta” desta segunda-feira, revelando que o neurônio solitário descobriu que, antes de Lula acabar com a pobreza criada por FHC, era muito difícil passar fome.

21/09/2010

às 17:52 \ Sanatório Geral

Mamãe resolve

“Me dá isso aqui que minha mãe e minha tia resolvem isso”.

Israel Guerra, segundo reportagem do jornal O Globo, afirmando que, mediante módico pagamento (nunca inferior a R$ 200 mil), aceitaria entender-se com a mãe, Erenice Guerra, e a tia, Dilma Rousseff,  para resolver o problema de patrocínio do piloto de motovelocidade Luíz Corsini.

12/09/2010

às 16:47 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo revisita o único cérebro do mundo habitado por um neurônio solitário

Endereçado ao nosso grande Santeófilo, o comentário do Celso Arnaldo vale um post no Direto ao Ponto. É parte da tomografia computadorizada do cérebro de Dilma Rousseff, o único do mundo habitado por um neurônio solitário. Confira:

Santeófilo, amigo

Volto a insistir: a Dilma é perfeitamente compreensível. Como tentei mostrar aqui uma vez, Guimarães Rosa pode ser incompreensível. Este é um trechinho de seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, com uma hora e meia de duração, em 16/11/1967:

“Nada desandava, entretanto, nem desconchavando mesmo a quem não afeito a esse ritmo e velocidade de espírito. Inteligência que ao auge resplêndida se exercia, quando no aperreio do arrocho e já a horas de estalar, sem beirada o prazo. Dele então se inesperava: faísca, a inédita ideia, terminante, ou a útil definição, saltada acima, brasa. Ainda mais se em contenda. Parece mesmo que, para com toda a eficácia fixar-se a excogitar coisa do correr comum, primeiro carecesse ele de atribuir-lhe sentido adverso hostil, para acometida e de vencida.”

Eu levei duas horas e meia para decifrar o pleno sentido dessa passagem — belíssima, por sinal, como todo o discurso roseano, aliás o último texto de sua vida, pois morreria dois dias depois. Há mais de um ano estudo esse discurso. E não compreendi ainda a metade.

Quando Dilma diz “Mãe acha que vai quebrar, vó acha que não quebra”, o sentido é óbvio — mãe tem medo de mexer no bebê, que parece vir de fábrica com a etiqueta “cuidado, frágil”. A avó, pela experiência com a própria mãe, é mais despachada, mais confiante na lida com aquele ser tão pequeno.

O sentido, portanto, é claro. Dá sempre para perceber, com um pouco de treino, o que ela quer dizer. O problema de Dilma, Santeófilo, é a forma — não o conteúdo. Não existe na história da República — Velha, Nova, Lulista — sintaxe mais deformada. Que nao é fruto apenas de pouca intimidade com as letras — por si só fenomenal no caso dela — mas de absoluto distanciamento do mundo das ideias, até para expressar um sentimento pessoal.

Depois do bebê quebradiço, na mesma entrevista, ela se saiu com esta, para explicar sua pequena parada na campanha:

“Quem que tem filhos não quer ser avó ou avô? Acho que é compreensível porque todo mundo no Brasil tem filhos, netos”.

Esse “quem que tem” é Dilma puro, mas a gente entende o que ela quer dizer: ser avô ou avó está na alma das pessoas, é uma coisa natural da espécie. Mas é na generalização rasteira que o pensamento desaba. Eu, Celso Arnaldo, tenho filhos, mas não tenho netos. Meus filhos, portanto, não têm filhos. Basta um caso pessoal para desmentir cabalmente esse aberrante “porque todo mundo no Brasil tem filhos, netos”.

Dilma, Santeófilo, é incorrigível. Mas é perfeitamente compreensível — ela não tem status intelectual nem para não se fazer entender.

18/08/2010

às 23:33 \ Sanatório Geral

Sem pai nem mãe

“Eu quero ganhar as eleições para cuidar do meu povo como uma mãe cuida do seu filho, daqueles que mais necessitam”.

Lula, em Salgueiro, interior de Pernambuco, três dias depois de dizer que todo brasileiro será tratado por Dilma Rousseff como se fosse filho da candidata, reforçando a suspeita de que um povo com duas genitoras desse calibre acaba ficando sem pai nem mãe.

10/08/2010

às 20:30 \ Sanatório Geral

Broncas na molecada

“Sabe dona de casa? No papel de cuidar do governo, é meio como se a gente fosse mãe. Há a hora de cobrar e o momento de incentivar”.

Dilma Rousseff, no Jornal Nacional, explicando que aquela bronca que fez o companheiro José Sérgio Gabrielli cair na choradeira, por exemplo, foi só para mostrar que um presidente da Petrobras não pode fazer tanta molecagem.

01/08/2010

às 2:18 \ Sanatório Geral

Gente fina (18)

“Se tem alguém aqui com preconceito, não tenha preconceito por votar numa mulher. Deixa de ser besta. Ela é uma mãe. Foi ela que lhe pariu”.

Lula, na Federação das Indústrias do Estado do Paraná, acusando alguém na plateia de ser filho de Dilma.


 

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