08/05/2009
às 17:49 \ Sanatório GeralO que vai pela cabeça do presidente do Sanatório (edição especial)
(Segunda edição, revista e atualizada, da colagem organizada pelo colunista de frases ditas pelo presidente Lula entre janeiro de 2003 e o Dia das Mães do Ano da Graça de 2009)
“Minha mãe foi uma mulher que nasceu analfabeta. Então, eu já nasci no meio de uma crise, porque era filho de mãe pobre e sem marido. Crise é comigo mesmo. Tem gente que não gosta que eu sou otimista. Se vocês fossem médico e tratassem de um doente em situação grave, o que falariam pra ele? Dos avanços da medicina ou diriam: “meu, sifu”?. Mas eu digo verdades pra qualquer um quando é preciso. Um dia acordei invocado, telefonei pro Bush e disse: Bush, meu filho, cuida da tua crise, porque não vou deixar ela atravessar o Atlântico.
Foi a crise que elegeu pra presidente o primeiro americano negro. Estou me dando bem com o companheiro Obama. A gente conversa muito por telefone. Ele está começando, tenho mais experiência de presidente que ele. Aquilo de falar que eu sou o cara foi pra fazer gentileza. Eu disse que se ele morasse na Bahia todo mundo ia achar que era baiano. Ele me ouve bastante. Se Chicago não ganhar a eleição pra sede da Olimpíada de 2016, vou pedir pra ele ajudar a candidatura do Rio.
Passei anos achando que ser antiamericano era não beber Coca-Cola, depois fui ficando mais maduro e percebi que, quando a gente levanta de madrugada, e tem uma Coca-Cola gelada na geladeira, não tem nada melhor. Contei pro companheiro Khadaffi, quando conversei com ele, que o Brasil ficou um tempão sem conversar com a Líbia porque os americanos não gostavam dos libaneses.
Não precisa estudar em Harvard pra governar melhor que os outros. É a primeira vez que o Brasil tem um presidente e um vice que não têm diploma universitário. Isso não é mérito, mas é histórico. Possivelmente, se tivéssemos, poderíamos fazer muito mais. Cheguei à Presidência para fazer as coisas que precisavam ser feitas e que muitos presidentes antes de mim foram covardes e não tiveram coragem de fazer. Porque se depender de Deus e de mim as coisas vão ser resolvidas. Deus é brasileiro mesmo. Deus pôs os pés no Brasil e falou: olha, aqui vai ter tudo, agora é só homens e mulheres terem juízo que as coisas vão dar certo.
Fiz em cinco anos o que não tinham feito em 500, não sou de deixar pra depois: minha galega engravidou logo no primeiro dia. Nunca antes neste país existiu um presidente como eu. O povo me entende porque sempre falei a língua do povo. O resto a gente aprende. Aprendi a contar até dez, apesar de só ter nove dedos, que é para não cometer erros. Um erro em qualquer outro governo é mais um erro. No nosso, não pode acontecer.
É importante falar onde o povo está, como foi num dia em que fui falar de biodiesel no Nordeste, quando eu expliquei: vim aqui trazer uma mensagem positiva que já falei na fábrica porque pensei que vocês estavam lá, e se eu soubesse que vocês estavam aqui não tinha feito o discurso lá, tinha feito aqui. O que não adianta, nunca tem jeito, é falar com essa gente que vive torcendo todo santo dia pra que dê tudo errado no governo do operário nordestino que virou presidente.
Todo santo dia vem uma acusação sem prova contra amigo ou parente do Lula. Quem acusa finge que não sabe que ninguém é inocente até ser provado culpado. Falam mal de deputado que fez coisa que acontece desde a descoberta do Brasil. Qual é o crime de deputado dar passagem pra mulher, pra sindicalista? Eu mesmo dei muita passagem pra sindicalista ir pra Brasília. Estou pensando em criar o Dia da Hipocrisia. Brasileiro é a favor do combate à corrupção nos outros, não nele.
Presidente tem de viajar bastante, eu sou como um camelô do Brasil. É um aprendizado lascado. Fui pro Gabão aprender como é que um presidente consegue ficar 37 anos no poder e ainda se candidatar à reeleição. Em qualquer lugar do mundo que eu vou, eu tenho que levar flores ao túmulo do herói nacional. No Brasil não tem. O Panamá conheço só de dormir. Sempre que eu ia pra Cuba, tinha que dormir uma noite lá. De avião, o mundo ficou pequeno. Até falei pro presidente do Gabão que o Atlântico é apenas um rio caudaloso, de praias de areias brancas, que une os países.
O continente sul-americano e o continente árabe não podem mais, no século XXI, ficar à espera de serem descobertos. O Brasil tem de liderar esse movimento, é natural, só não temos fronteira com Chile, Equador e Bolívia. Não gasto nada nas viagens, porque só vou pra onde me convidam e quem convida tem que pagar as despesas. Sempre ganho presente. O que já ganhei de cachaça de presente dá um estoque que não acaba nem em 50 anos. Gosto de ficar no fogão tomando minha cachacinha. É chato político falar que toma cachaça, porque se criou a idéia no Brasil de que político tem que ser santo. Aqui ninguém é santo. Tomar minha cachacinha faz parte da vida. Respeito quem não gosta.
O Brasil passou mais de 25 anos sem investimento porque fomos criando uma poderosa máquina de fiscalização que agora é superior à máquina da produção. Atrasaram a construção das hidrelétricas do Rio Madeira por causa de um tal bagre gigante que caiu no meu colo. Agora tem a história da perereca . Vou contar a história da perereca e do viaduto pra vocês verem que assim não é possível.
A gente está fazendo um grande viaduto no Rio Grande do Sul, ligando a estrada que vai trazer muita gente da Argentina para o Brasil e muita gente do Brasil para a Argentina. Esse túnel tem mil e poucos metros, e encontraram do lado do túnel uma perereca. Todo mundo aqui sabe o que é uma perereca. Pois bem, aí resolveram fazer um estudo para saber se aquela perereca estava em extinção. Aí teve que contratar gente para procurar perereca, e procure perereca, e procure perereca… Demorou sete meses pra descobrir que a perereca não estava em extinção. Espero que no Acre não apareça nenhuma perereca na ponte do Rio Juruá. Assim não é possível. O Juscelino Kubitschek, se fosse eleito presidente e quisesse fazer Brasília hoje, ia terminar o mandato sem conseguir a licença pra fazer a pista pra descer o piloto pra começar a estudar o Planalto Central.
A imprensa fica vigiando pra ver se faço alguma coisa errada. Prestam mais atenção no papel que joguei no chão, no cigarro que fumei escondido, nem escuta o discurso. Se estou com uma dor no pé, não posso nem mancar, para não dizerem que estou mancando porque estou num encontro com os companheiros portadores de deficiência. Os companheiros deficientes não querem ser chamados de coitadinhos. Está cheio de gente que tem duas pernas, duas mãos, enxerga com os dois olhos e tem deficiência que o mundo inteiro não conserta.
Do que gosto mesmo é de um improviso, falo sobre qualquer coisa sem dificuldade, graças a Deus. Numa vez que falei de doença mental, falei que isso não deve ser difícil para ninguém. Sabemos que o problema não atinge apenas os que já foram identificados como pessoas com algum problema de deficiência, porque a dura realidade é que todos nós temos um pouco de louco dentro de nós. Quem não acreditar, é só fazer uma retrospectiva do seu comportamento pessoal nos últimos 10 anos.
Quando me aposentar, não vou pra Harvard, nem quero ganhar dinheiro fazendo palestra. Volto pra São Bernardo, pra ficar com meus amigos do sindicato. Vocês, quando se aposentarem, têm que procurar alguma coisa pra fazer. Ficar em casa só atrapalha o resto da família.”
Tags: colagem, frases do presidente, Lula, mãe analfabeta






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