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livros

10/11/2010

às 14:56 \ Sanatório Geral

Viagem literária

“Se eu não tiver três livros, sei lá. Não fico bem”.

Dilma Rousseff, no começo da viagem aérea de 11 horas, das quais dedicou sete ao sono, três a conversas e uma aos preparativos para pouso e decolagem, informando à repórter da Folha que não consegue viajar sem levar três livros dentro da mala.

18/08/2010

às 20:05 \ Direto ao Ponto

A primeira traição: ‘Lula é Minha Anta’ ocupa um lugar de honra na estante de Dilma

O detalhe ampliado da foto publicada pelo Estadão nesta quarta-feira exibe parte da estante que aparece no programa eleitoral de Dilma Rousseff. Parece montagem. Mas é isso mesmo: entre Mutações, autobiografia da atriz Liv Ulmann, e um exemplar da Constituição brasileira, lá está o livro Lula é Minha Anta, de Diogo Mainardi ─ “o crítico mais mordaz e ácido do presidente da República”, segundo a repórter Denise Madueño.

“Discriminação! Cadê O País dos Petralhas???”, bradou Reinaldo Azevedo, que reproduziu o texto do Estadão em seu blog. Meu amigo e vizinho de site está coberto de razão. Se a equipe do marqueteiro João Santana quis mostrar que Dilma se converteu numa democrata tão radical que lê até as obras dos grandes satãs do PT, não poderia ter esquecido o best-seller de Reinaldo. A menos que a entrada em cena de Lula é Minha Anta tenha sido coisa de algum tucano infiltrado, admirador de Reinaldo Azevedo, que deixou em casa o exemplar autografado para não ser identificado pela dedicatória.

Lula, que nunca leu nada na vida, já teria motivos para sentir-se afrontado com a mera presença da estante. A ideia de juntar com estudada displicência livros de diferentes gêneros e autores é ofensa grave. Se o padrinho não passou sequer da orelha daquele livro de Paulo Coelho, a afilhada deveria ter-se dispensado de fingir que leu todos os poemas de Manuel Bandeira, os clássicos de William Faulkner, livros de química e física, lançamentos recentíssimos e até obras por traduzir.

Mais que afronta, mais que ofensa grave, a inclusão de Lula é Minha Anta talvez seja o primeiro indício veemente da ruptura inevitável. É possível que a criatura, anabolizada pelas últimas pesquisas de opinião, já esteja desconfiando de que não deve tanto assim ao criador. Nessa hipótese, Dilma começou a trair Lula ─ com Diogo Mainardi.

11/06/2010

às 5:20 \ Sanatório Geral

Usina de ideias

“Ouvi centenas de pessoas e li dezenas de livros para encontrar uma solução equilibrada”.

Aldo Rebelo, deputado da base alugada, setor PC do B, guichê de São Paulo, revelando que só depois de muita conversa e muita leitura descobriu que o país continuará a descansar em berço esplêndido se não conceder passaporte brasileiro à jaca e transferir do cachorro para o boi a faixa de Melhor Amigo do Homem.

05/05/2010

às 19:43 \ Feira Livre

A feira livre que faltava

Reportagens de fina estampa, sinopses de livros recém-lançados, textos jornalísticos antológicos, dicas de programas culturais, obras literárias  de leitura obrigatória, museus que exigem visitas imediatas, sugestões de viagens por lugares próximos ou distantes, conversas que mantêm nas cordas os entrevistados, perfis que radiografam a cabeça e alma ─ onde encontrar tudo isso e mais um pouco? Na seção Feira Livre, que está nascendo neste momento.

Para festejar o 1° aniversário, a coluna decidiu presentear os leitores com novas seções. A primeira delas promete justificar o nome: como uma feira livre, será abrangente, diversificada, barulhenta, inventiva, alegre, excitante  e saborosa. O espaço será administrado pela trinca de repórteres da coluna. Branca Nunes, Bruno Abbud e Domitila Becker estarão comandando as barracas. Mas a seção, como todas, pertence aos leitores. A freguesia vai garantir a movimentação intensa, determinar o que deve ser oferecido e, também, expor os produtos que merecem ser consumidos.

A feira será inaugurada na segunda-feira. Até lá, digam o que mais deve ser exposto aqui.

22/12/2009

às 22:04 \ Vídeos: Entrevista

Paulo Tadeu, dono da editora Matrix

Jornalista diplomado sem experiência em redações e publicitário militante há mais de 20 anos, faz 10 que Paulo Tadeu decidiu fundar uma editora ao ver recusado um de seus livros. Especializada em obras de humor, a Matrix tem um catálogo de 250 títulos ─ 40 escritos pelo dono ─  e lança 5 novos livros por mês. Paulo Tadeu, que também colabora com o blog Éramos 6, junto com oito escritores, conta que, no Brasil, um livro que vende apenas 1500 cópias já é considerado uma publicação de sucesso. Mas esse é um quadro em mutação. A cada ano, o brasileiro fica mais alfabetizado. E a Matrix aposta nesse futuro.

Parte 1

Parte 2

10/09/2009

às 16:58 \ Vídeos: Entrevista

André Garcia, criador do site Estante Virtual

Criador do maior portal da internet para busca e compra de livros usados, André Garcia conta nesta entrevista como o site Estante Virtual, fundado em 2005, conseguiu reunir mais de 1.500 sebos espalhados pelo Brasil e hoje atende, por dia, 300 mil pessoas. Formado em administração, Garcia percebeu a lacuna existente no mercado enquanto garimpava os livros necessários para a tese de mestrado. Responsável pela venda diária de 5 mil exemplares, este executivo das letras acredita que, ampliando o acesso a diferentes enredos e autores nas escolas e universidades, é possível multiplicar o número de leitores brasileiros.

26/08/2009

às 20:45 \ Direto ao Ponto

A celebração da ignorância é um insulto aos brasileiros que lutam para estudar

“Eu cheguei à Presidência mesmo sem ter um curso superior”, repetiu Lula a frase que nasceu como pedido de desculpas, tornou-se desafio, foi promovida a motivo de orgulho e acabou virando refrão do hino à ignorância. ”Talvez até quando eu deixar a Presidência possa até cursar uma universidade”, disse nesta terça-feira o único chefe de governo do mundo que não sabe escrever e nunca leu um livro.

Desse perigo estão livres os professores universitários. Lula evita livros e cadernos como o Super-Homem evita a kriptonita verde. Longe do trabalho duro há  30 anos, não estudou porque não quis. Tempo teve de sobra. Vai sobrar mais tempo ainda quando sair do Planalto, mas continua sobrando preguiça. E ele botou na cabeça que foi formalmente dispensado de aprender qualquer coisa pelos companheiros que sabem juntar sujeito e predicado.

A lastimável formação escolar foi tratada como pecado venial até que o crítico literário Antonio Candido ensinou que, dependendo do portador, ignorância é virtude. “Essa história de despreparo é bobagem”, decretou há dois anos, entre um ensaio e a leitura de um clássico, o professor que não perdoava sequer cacófatos.  ”Lula tem uma poderosa inteligência e uma capacidade extraordinária de absorver qualquer fonte de ensinamento que existe em volta dele ─  viajando pelo país, conversando com o povo, convivendo com os intelectuais”.

Amigo do fenômeno há 20 anos, Antônio Candido descobriu um doutor de nascença.  ”Nunca vi Lula ser um papagaio de ninguém”, garantiu.  “Nunca vi Lula repetir o que ouviu. Ele tem uma grande capacidade de reelaborar o que aprende. E isso é muito importante num líder”. O líder passou a reelaborar o que aprende com tal desembaraço que anda dando lições a quem sabe.

Em junho, numa entrevista à RBS, explicou que a ministra Ellen Gracie não conseguiu o emprego no Exterior porque não estudou como deveria.  “Mas ela é moça, ainda tem tempo”, consolou-a. Em julho, enquadrou os críticos do programa que provocou o sumiço da miséria,  o extermínio da fome e a promoção de todos os pobres a brasileiros da classe média.

“Alguns dizem assim: o Bolsa Família é uma esmola, é assistencialismo, é demagogia e vai por aí afora”, decolou o exterminador de plurais. “Tem gente tão imbecil, tão ignorante, que ainda fala ‘o Bolsa Família é pra deixá as pessoas preguiçosa porque quem recebe não quer mais trabalhá”. Quem discorda do presidente que ignora a existência da fronteira entre o Brasil e a Bolívia, reincidiu,  ”é uma pessoa ignorante ou uma pessoa de má-fé ou uma pessoa que não conhece o povo brasileiro”.

Povo é com ele, gabou-se outra vez nesta terça-feira. No meio da aula, recomendou o estudo de português. ”É muito importante para as crianças não falarem menas laranjas, como eu”, exemplificou. Mas não tão importante assim: ”Às vezes, o português correto as pessoas nem entendem. Entendem o menas que eu falo”.

Mesmo os que não se  expressam corretamente também entendem quem fala menos. Não falta inteligência ao povo. Falta escola. Falta educação. Falta gente letrada com disposição e coragem para corrigir erros cometidos por adultos que nasceram pobres. Lula deixou de dizer menas quando alguém lhe ensinou que a palavra não existe. O exemplo que invocou foi apenas outra esperteza. Poucas manifestações de elitismo são tão perversas quanto conceder a quem nasce pobre o direito de nada aprender até a morte.

Milhões de meninos muito mais pobres do que Lula foi enfrentam carências desoladoras para assimilar conhecimentos. A celebração da ignorância é sobretudo um insulto aos pobres que estudam. É também uma agressão aos homens que sabem. Num Brasil pelo avesso, os que se aprenderam português logo terão de pedir licença aos analfabetos para expressar-se corretamente, e os que estudaram em Harvard esconderão o diploma iploma no sótão.

A boa formação intelectual não transforma um governante em bom presidente. Mas quem se orgulha da formação indigente e despreza o conhecimento só se candidata a estadista por não saber o que é isso. Lula será apenas outra má lembrança destes tempos estranhos.

26/05/2009

às 18:46 \ Vídeos: Entrevista

Deonísio da Silva (partes 3 e 4)

O escritor e professor aponta as diferenças entre a universidade pública e a universidade privada, diz que muitos reitores da rede federal não tem preparo sequer para servir café, sugere que os diplomas tenham prazo de validade, fala da vida de seminarista, lamenta o desapreço do presidente Lula por livros, acha que os autores da reforma ortográfica deveriam ter consultado os professores, comenta as mudanças e a afirma que a língua portuguesa já não pertence a Portugal, mas ao Brasil.

Parte 3

Parte 4


 

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