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livros

12/09/2011

às 22:22 \ O País quer Saber

A devoradora de livros só não consegue lembrar o título e o autor do que acabou de ler

Na fantástica entrevista deste domingo, Dilma Rousseff contou que seu recanto preferido no Palácio da Alvorada é a biblioteca. E voltou a jurar que é apaixonada por livros. Já anda lendo até no iPad, mas prefere os convencionais porque o cheiro de papel lembra a infância. Pena que não consiga lembrar o título e o autor do que acabou de ler, como comprova o antológico palavrório gravado em abril de 2010. Não deixe de ver, no mesmo vídeo, dois dos melhores momentos da Era da Mediocridade.

13/05/2011

às 12:48 \ Feira Livre

‘Viagem no tempo’, um texto de Ivan Angelo

TEXTO PUBLICADO NA REVISTA VEJA SÃO PAULO DESTA SEMANA

Ivan Angelo

Falávamos sobre viagens e seus modernos confortos quando alguém se lembrou do tempo em que os viajantes levavam toalha e sabonete na mala. Não faz tanto tempo assim. Uma sobrinha, há poucos anos, chegou a minha casa com toalha de banho e caixinha de sabonete na mala. “Coisa da minha mãe”, explicou constrangida, sinal de que a mãe dela, que tem menos de 60 anos, levava toalha e sabonete quando viajava. Hotéis e hospedarias eram precários, tirando os melhores das capitais; e, ao pousar na casa de alguém, evitava-se “dar trabalho”.

Certas frases jogam a gente no tempo, escadaria abaixo. No trambolhão nos lembramos de coisas que já eram. Muitas não mudam porque atingiram a perfeição da simplicidade, como o prato, a mesa, a cachaça, a camiseta. Outras, tão indispensáveis num momento, descartáveis em outro.

Lembram-se do quebra-vento nos carros? Coisa anterior à difusão do ar-condicionado, pouco antes de o presidente Collor dizer que os automóveis brasileiros eram umas carroças. O quebra-vento era um vidro giratório colocado à frente das janelas dianteiras; quebrava o vento que entrava quando os vidros das portas estavam abaixados, ou permitia que o ar entrasse quando a janela estivesse fechada. Girando-o todo, direcionava-se o vento para dentro, a fim de refrescar a pessoa acalorada. Até há pouco tempo, no Nordeste, carro sem quebra-vento encalhava.

Carros não tinham luz piscante para o motorista indicar que ia entrar à esquerda ou à direita, nem luz de freio. Todos os sinais eram feitos pelo motorista com o braço esquerdo para fora do carro. Sinal de parar: mão espalmada para trás, baixa; sinal para entrar à esquerda: braço reto estendido; entrar à direita, braço alto dobrado para a direita. Quase não havia sinais luminosos de trânsito, o guarda apitava em códigos obrigatoriamente conhecidos.

Não faz muito tempo, as folhas dos livros em brochura vinham “fechadas”, não eram aparadas, prontas para folhear, como hoje. O leitor tinha de abrir as páginas quatro a quatro e depois duas a duas com uma faca ou com um “abridor de livros”. Sim, havia abridores de livros no comércio. E lia-se!

Ah, meninos, as fotos que se tiravam não se viam no mesmo instante, como agora. Só dias mais tarde, após reveladas e copiadas em laboratório. Depois veio a grande novidade das cópias em 24 horas, em duas horas, em uma hora e na hora. A fotografia popularizou-se. Com as câmeras nos telefones celulares, os fotógrafos amadores tornaram-se bilhões.

Seringas de injeção, antes das descartáveis, eram de vidro, tinha-se de fervê-las para esterilizar. Vinham em um estojo de metal, cuja tampa se usava para encher de álcool; sobre ela se acomodava uma armação de metal que também vinha no estojo e servia como trempe de um minifogareiro. Enchia-se o estojo de água, colocava-se dentro a seringa junto com o êmbolo e as agulhas, botava-se fogo no álcool, fervia-se por uns três minutos e pronto. Calculadora? Era a tabuada, que os estudantes sabiam de cor, e baseados nela faziam contas complicadíssimas das quatro operações, na ponta do lápis. Nos escritórios, e só lá, havia as famosas máquinas de calcular manuais Facit, que tinham um teclado de algarismos e uma manivela que os craques do cálculo viravam para a frente e para trás, produzindo exatidões mostradas em um pequeno visor. Não demorou e vieram as elétricas, as eletrônicas digitais…

Máquinas de escrever ainda se veem em delegacias e cartórios do interior. Num hospital da Zona Leste, um amigo me chamou: “Quer ver um flashback?”. E me levou a uma recepcionista de um dos consultórios, que datilografava impávida os dados dos clientes. Nas redações de jornais e revistas, com suas dezenas de máquinas de escrever batucando ao mesmo tempo, o encerramento de uma edição era uma zoeira. O alívio veio com o silêncio dos computadores.

Cartão amarelo, cartão vermelho? No futebol do tempo do beque e do centeralfe, cartão era o dedo do juiz, primeiro apontando o nariz do abusado, depois apontando o olho da rua. Os cartões derrotaram o dedo em riste porque são mais civilizados, impessoais e fáceis de entender em qualquer língua.

Você pensa que eram coisas da juventude do seu avô, ou do seu bisavô, mas não, são do tempo do seu pai. Um tempo em que as crianças tinham bons modos, obedeciam até a olhares, não abriam a geladeira dos outros, contentavam-se em ganhar apenas três presentes por ano, nas ocasiões propícias, e eram felizes.

O ritmo está cada vez mais rápido.

21/04/2011

às 21:45 \ Direto ao Ponto

Vargas Llosa discursa na Feira do Livro de Buenos Aires: a derrota dos liberticidas

Convidado para discursar na abertura da Feira do Livro de Buenos Aires, o escritor Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura de 2010, teve de enfrentar a ofensiva das patrulhas kirchneristas. Acusado de “reacionário e neoliberal” pelos pastores da intolerância, o romancista peruano revidou nesta quinta-feira com uma admirável dissertação sobre o tema “A liberdade e os livros”. Veja na seção Feira Livre o vídeo em que a coragem e a inteligência contracenam harmoniosamente. Vargas Llosa ensina que vale a pena resistir à Era da Mediocridade.

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21/04/2011

às 21:35 \ Feira Livre

A lição de Vargas Llosa aos patrulheiros

Leia na coluna do Ricardo Setti o texto sobre a campanha organizada por patrulheiros kirchneristas para impedir que o escritor Mario Vargas Llosa discursasse na abertura da Feira do Livro de Buenos Aires. E confira no vídeo abaixo a lição ministrada aos liberticidas pelo grande romancista peruano. Ele explica por que “não é surpreendente que os livros tenham despertado, ao longo da História, a desconfiança, o receio e o temor dos inimigos da liberdade, que se creem donos de verdades absolutas”.

Para tornar ainda mais agradável um feriado prolongado, nada melhor que o espetáculo da inteligência.

27/03/2011

às 12:32 \ Vídeos: Entrevista

Caco Barcelos, jornalista: “A maior qualidade de um repórter é a inquietude intelectual. As coisas estão boas? Podem ficar melhores”

Um dos maiores repórteres do Brasil, Caco Barcelos comanda atualmente o programa Profissão Repórter, da TV Globo. E está feliz. Ali, consegue concretizar um sonho praticamente impossível de ser consumado no tempo habitualmente concedido a  reportagens investigativas na televisão: oferecer olhares diferentes de uma mesma história. Nesta entrevista dividida em cinco blocos, Caco narra sua trajetória profissional, desde a militância na imprensa alternativa até a chegada à TV, passando por jornais, revistas e livros.

A paixão por boas histórias acabou levando Caco, ainda no início da carreira, ao lugar certo na hora certa. Ele estava na Guatemala quando ocorreu o maior terremoto da história do país, com 26 mil mortos. Aproveitou o dramático imprevisto para emplacar uma série de reportagens especiais, publicadas durante uma semana no Jornal da Tarde.

O que faz um bom repórter?, ouve no fim da conversa.  “A inquietude intelectual”, resume a resposta. “As coisas estão boas? Podem ficar melhores”.

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5


31/01/2011

às 20:17 \ Vídeos: Entrevista

Marcos Lopes, escritor: “Fui para o Rio de Janeiro ser aprendiz de estelionatário”

Aos 14 anos, Marcos Lopes fugiu de São Paulo para o Rio de Janeiro e virou, na própria definição, “aprendiz de estelionatário”. Nos meses seguintes, aperfeiçoou-se na arte de manejar fuzis, embalar e negociar drogas ─ até voltar para a casa no Parque Santo Antônio, um dos lugares mais violentos da Zona Sul paulistana. Envolveu-se em assaltos e furtos até os 16 anos, quando passou a dedicar-se exclusivamente à gerência de uma boca de fumo. A história que tinha tudo para acabar mal terminou bem: aos 19 anos, chocado com o assassinato da melhor amiga, conseguiu abandonar a rotina criminosa com a ajuda da Tia Dag e sua Casa do Zezinho, uma das Ongs mais atuantes na luta pela reabilitação de crianças e adolescentes em situação de risco. Autor do livro “Zona de Guerra”, Marcos hoje é professor, educador cultural e mediador de conflitos em áreas conflagradas. “É preciso atravessar a ponte”, adverte Marcos, referindo-se à fronteira invisível marcada pelo Rio Pinheiros que separa pobres e ricos em São Paulo. “Tem muita coisa boa acontecendo na periferia”.

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


19/12/2010

às 5:34 \ Sanatório Geral

Madre inconformada

“Nossos escritores estão esquecidos, e os enlatados ocuparam seus lugares”.

José Sarney, vulgo Madre Superiora, na Folha desta sexta-feira, inconformado com a descoberta de que qualquer leitor prefere uma lata de goiabada de qualidade duvidosa ao melhor romance do pior escritor do mundo.

10/11/2010

às 16:11 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo acompanha a viagem da leitora que dorme na segunda página

O jornalista Celso Arnaldo Araújo nem precisou embarcar com Dilma Rousseff para acompanhá-la numa espantosa viagem pelo mundo dos livros. Entre outros assombros, o caçador de cretinices descobriu uma das grandes diferenças entre a presidente eleita e Lula. O criador não esconde a invencível aversão por leituras. A criatura finge que lê. Confira:

“Dilma Rousseff não viaja se não tiver três livros na bagagem”, avisa a repórter Catia Seabra, enviada especial da Folha à Alemanha, confiando cegamente em sua fonte – no caso, a própria Dilma.

A jornalista viajou, na First da TAM para Frankfurt, a caminho de Seul, por intermináveis 11 horas, ao lado da presidente eleita – que voa em aviões de carreira enquanto não puder estrear o Aerodilma.

Sim, “três livros na bagagem”, relata a Folha de hoje. Pode ter sido apenas uma força de expressão da repórter – aliás, um surrado clichê jornalístico. Algo como: “Paul McCartney chegou ao Brasil trazendo na bagagem o desejo de fazer aqui os melhores shows de sua vida”. Isto é: o “na bagagem”, nesses casos, tem o sentido metafórico de continente de um conteúdo também imaginário.

Mas nada mais adequado à dobradinha Dilma-livros. Mesmo porque, a jornalista volta à fantasia no final de sua crônica aérea: “Na bagagem, carrega um iPad e três livros”. E aspeando Dilma: “Se eu não tiver três livros, sei lá. Não fico bem.”

Sei lá: Dilma se contenta apenas em “ter” os três livros? Ler não está nos planos de viagem? E o que significa esse “não fico bem?” Será que, para Dilma, livros em viagem têm o efeito daqueles paninhos de estimação que crianças carregam pra baixo e pra cima e sem os quais não dormem?

De qualquer forma, como a repórter não conta ter visto a presidente sequer folheando um dos três anônimos livros-paninhos durante as 11 horas de voo, presumo que eles tenham mesmo apenas função terapêutica-cognitiva: Dilma precisa saber que eles estão lá, “na bagagem”, para “ficar bem”.

Não fica bem é com as letras. Como notaram os colaboradores desta coluna, ao longo dos últimos meses, Dilma dá permanentemente a impressão de nunca ter lido nenhum livro, sobre qualquer assunto. Sua bagagem literária, porém, é enorme. A repórter, no penúltimo parágrafo de seu relato, menciona, em passant, tê-los visto ao lado de cremes e maquiagem — mas certamente se esqueceu de perguntar os títulos dos três livros trazidos pela presidente eleita em sua primeira viagem internacional.

Preferiu puxar conversa sobre seus genéricos hábitos de leitura, aérea ou terrestre. E resume assim as preferências presidenciais: “Dilma enaltece autores angolanos, rasga elogios ao belga Georges Simenon e admite que dormiu na segunda página de um livro do mexicano Carlos Fuentes”.

Eu gostaria de saber o nome, apenas o nome, sem a necessária correspondência de obra, de um, apenas um, desses enaltecidos autores angolanos. E de conhecer o teor dos “rasgados elogios” de Dilma a Simenon, sobre cuja obra vale o mesmo repto: Georges Simenon assinou 190 livros e 154 novelas e escreveu, sob uns 20 diferentes pseudônimos, mais uns 150 romances — Dilma bem que poderia citar um só. E bem que o Inspetor Maigret, criação imortal de Simenon, poderia ser chamado para comprovar a existência e a autoria desses três misteriosos livros que Dilma carregou para a viagem a Seul.

Quanto a Carlos Fuentes, o fascinante Carlos Fuentes, diplomata mexicano com status intelectual para dar aulas em Harvard, Princeton e Cambridge, é mesmo um sonífero para passageiros como Dilma – será esta, aliás, a função basal dos três livros da presidente eleita?

Nesta viagem a Frankfurt, especificamente, não. Catia relata que Dilma, sem nenhuma leitura, dormiu 7 das 11 horas a bordo – de pijaminha marrom da Primeira Classe. Antes, deu corda ao repórter e ao fotógrafo, mas fez um pedido: “Não vá tirar uma foto minha dormindo. Todo mundo baba quando dorme”.

Esse estado quase catatônico em voo é produto, talvez, de um também misterioso “remedinho francês” para insônia a que ela recorre, como revelou à repórter da Folha.

Bem, aí o assunto deixa o âmbito literário para invadir a seara do Temporão. Esse remedinho já está disponível no SUS?

Se a repórter quisesse detalhes sobre as três obras, Dilma Rousseff iria consumir as 11 horas do voo caçando respostas em vão. Como comprova o vídeo, o neurônio solitário não sabe sequer o nome do autor nem o título do livro que está lendo. Só o timaço de comentaristas pode desvendar o enigma: que livros estavam na bagagem da viajante, amigos?

10/11/2010

às 14:56 \ Sanatório Geral

Viagem literária

“Se eu não tiver três livros, sei lá. Não fico bem”.

Dilma Rousseff, no começo da viagem aérea de 11 horas, das quais dedicou sete ao sono, três a conversas e uma aos preparativos para pouso e decolagem, informando à repórter da Folha que não consegue viajar sem levar três livros dentro da mala.

18/08/2010

às 20:05 \ Direto ao Ponto

A primeira traição: ‘Lula é Minha Anta’ ocupa um lugar de honra na estante de Dilma

O detalhe ampliado da foto publicada pelo Estadão nesta quarta-feira exibe parte da estante que aparece no programa eleitoral de Dilma Rousseff. Parece montagem. Mas é isso mesmo: entre Mutações, autobiografia da atriz Liv Ulmann, e um exemplar da Constituição brasileira, lá está o livro Lula é Minha Anta, de Diogo Mainardi ─ “o crítico mais mordaz e ácido do presidente da República”, segundo a repórter Denise Madueño.

“Discriminação! Cadê O País dos Petralhas???”, bradou Reinaldo Azevedo, que reproduziu o texto do Estadão em seu blog. Meu amigo e vizinho de site está coberto de razão. Se a equipe do marqueteiro João Santana quis mostrar que Dilma se converteu numa democrata tão radical que lê até as obras dos grandes satãs do PT, não poderia ter esquecido o best-seller de Reinaldo. A menos que a entrada em cena de Lula é Minha Anta tenha sido coisa de algum tucano infiltrado, admirador de Reinaldo Azevedo, que deixou em casa o exemplar autografado para não ser identificado pela dedicatória.

Lula, que nunca leu nada na vida, já teria motivos para sentir-se afrontado com a mera presença da estante. A ideia de juntar com estudada displicência livros de diferentes gêneros e autores é ofensa grave. Se o padrinho não passou sequer da orelha daquele livro de Paulo Coelho, a afilhada deveria ter-se dispensado de fingir que leu todos os poemas de Manuel Bandeira, os clássicos de William Faulkner, livros de química e física, lançamentos recentíssimos e até obras por traduzir.

Mais que afronta, mais que ofensa grave, a inclusão de Lula é Minha Anta talvez seja o primeiro indício veemente da ruptura inevitável. É possível que a criatura, anabolizada pelas últimas pesquisas de opinião, já esteja desconfiando de que não deve tanto assim ao criador. Nessa hipótese, Dilma começou a trair Lula ─ com Diogo Mainardi.


 

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