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kriptonita

02/03/2013

às 22:41 \ Direto ao Ponto

O vídeo de 64 segundos explica por que Lula sonha com o silêncio de FHC e prova que Dilma trata a verdade a pontapés

“Eu acho que o Fernando Henrique Cardoso deveria, no mínimo, ficar quieto”, sonhou Lula em voz alta ao saber das críticas formuladas pelo antecessor que está para o Lincoln de galinheiro como a kriptonita verde para o Super-Homem. O chefe da seita no poder fala todo dia sobre tudo ─ com exceção do caso de polícia que protagonizou ao lado de Rosemary Noronha. Mas não será feliz enquanto ouvir que a voz que o assombra desde sempre. “O que ele deveria fazer era contribuir para a Dilma governar o Brasil bem”, exigiu o palanque ambulante.

O alvo da grosseria fez muito mais do que isso: graças a FHC, tanto o sucessor quanto o poste instalado no Planalto puderam lidar com um país redesenhado pelo Plano Real. Se dependesse de Lula e do PT, o conjunto de medidas que fulminou a inflação indecente não teria existido, como prova o histórico vídeo divulgado em outubro de 2010 pelo blog do Coronel, reproduzido imediatamente por esta coluna e republicado agora na seção História em Imagens. Os 64 segundos são muito mais reveladores que 100 debates eleitorais, 400 estupros de sigilo promovidos pelo PT ou 500 dossiês fabricados pela Casa Civil, escrevi no texto que acompanha o vídeo.

Numa das cenas, os principais candidatos à sucessão presidencial de 1994 expressam opiniões antagônicas sobre o plano que acabou de nascer. Risonho, seguro, Fernando Henrique aposta no sucesso do Real. Crispado pelo ressentimento, tratando a gramática a pontapés, Lula garante que vai dar tudo errado. “O PT tem uma avaliação de que esse plano econômico é um estelionato eleitoral”, vaticina um dos piores momentos do besteirol. É compreensível que Lula odeie ouvir a voz de quem o surrou nas urnas duas vezes ─ ambas no primeiro turno.

O vídeo também atesta que, a exemplo do padrinho, a afilhada não tem compromisso com o que diz. Nesta semana, por exemplo, Dilma se juntou ao bloco dos amnésicos malandros liderado pelo chefe supremo. “Nós não herdamos nada, construímos tudo”, delirou. A frase colide frontalmente com o que se vê e ouve no trecho que eternizou o surto de honestidade sofrido pela candidata do PT durante a campanha eleitoral de 2010. “Acho que, sem sombra de dúvida, a estabilidade do Real foi uma conquista do governo Fernando Henrique Cardoso”, confessou.

FHC nem precisa dar-se ao trabalho de revidar às agressões: basta enviar uma cópia do vídeo a Lula e outra a Dilma. Os torturadores da verdade merecem rever o naufrágio que lhes foi imposto em pouco mais de um minuto.

01/03/2013

às 21:50 \ História em Imagens

O vídeo de 64 segundos registra a goleada imposta a Lula e Dilma por FHC

PUBLICADO EM 19 DE OUTUBRO DE 2010

O vídeo é muito mais revelador que 100 debates eleitorais, 200 discurseiras de Lula, 300 falatórios de Dilma Rousseff, 400 estupros de sigilo promovidos pelo PT ou 500 dossiês fabricados pela Casa Civil. Divulgado pelo Coturno Noturno, o excelente blog do Coronel, comprova que o padrinho tenta furtar a paternidade de planos cujo nascimento procurou impedir, reitera que a afilhada conta mentiras compulsivamente, confirma que o partido dos dois sempre apostou no quanto pior, melhor e escancara a superioridade de Fernando Henrique Cardoso sobre a dupla.

“O PT tem uma avaliação de que esse plano econômico é um estelionato eleitoral”, diz Lula aos companheiros e repete numa entrevista em meados de 1994, quando o Plano Real foi lançado. Segundos depois, ele retoma o palavrório ao lado de FHC, minutos antes do começo do debate com o candidato do PSDB em ascensão nas pesquisas por ter domado a inflação.

“Quando o Collor fez o programa dele, imediatamente o povo dava 90% de aceitação do Collor”, inventa, sem conseguir disfarçar o ressentimento, o agressor da gramática e da verdade. Também por ter decretado o confisco da poupança, Collor foi desde o começo do governo um campeão de impopularidade. “É preciso ver no longo prazo se a economia brasileira resiste”, torce Lula para dar tudo errado na continuação da lengalenga.

“Estou convencido de que a economia resiste, porque esse plano foi feito com cuidado”, replica FHC. “Com muita objeção do PT e do PDT, mas vamos fazer”. Estava coberto de razão, reconhece Dilma Rousseff no fecho perfeito do vídeo: “Acho que, sem sombra de dúvida, a estabilidade do Real foi uma conquista do governo Fernando Henrique Cardoso”, admite numa sabatina na Folha a candidata que agora jura que teve de ajudar o chefe na reconstrução do país que herdaram “em petição de miséria”.

A curta aparição conjunta dos presidentes ajuda a entender por que o SuperLula sai em desabalada carreira quando alguém sugere um debate com sua kriptonita verde. Ele extermina plurais e tropeça em sílabas no esforço para gaguejar frases insensatas. Fernando Henrique desmonta o falatório com poucas palavras e muita segurança.

O vídeo desenha mais um dos muitos caminhos que podem levar a oposição à vitória no segundo turno. Serra deve perguntar a Dilma o que acha do Plano Real. E repetir o que  a criatura e o criador disseram nos melhores 64 segundos do ano eleitoral.

28/04/2011

às 7:42 \ Sanatório Geral

A kriptonita do Superlula

“Não vou responder. Ele, como eu, vamos disputar no Além. Não temos mais idade para isso”.

Lula, nesta quarta-feira, em Guarulhos, num intervalo do 8º Congresso Nacional dos Metalúrgicos da CUT, ao lhe perguntarem se topava mais uma disputa nas urnas com Fernando Henrique Cardoso, confirmando que duas derrotas no primeiro turno ninguém esquece e revelando a esperança de que, no Além, a kriptonita do SuperLula não faça efeito.

21/04/2011

às 21:46 \ Direto ao Ponto

Lula critica a indefinição ideológica dos ‘antagônicos’ e ordena ao PT que pague qualquer preço para atrair os ‘diferentes’

Se os acordes de O Guarani avisam que vai começar A Voz do Brasil, se o bordão “Bem, amigos da Rede Globo…” informa que Galvão Bueno está no ar, a inconfundível voz roufenha anuncia o recomeço do assassinato simultâneo da lógica, da gramática, da sensatez e da verdade. Lula nunca nega fogo, reafirma o vídeo de 45 segundos que reproduz um trecho da entrevista concedida pelo ex-presidente à TVT, controlada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Segue-se a transcrição literal do falatório:

“A crise do PSDB é apenas a crise da fragilidade ideológica de um partido político. Ou seja, um partido que não sabe se é PSDB, se é PMDB, se é DEM, ou seja, é um partido com muitas dúvidas,  ou seja, é um partido que não tem um perfil ideológico definido. A crise do PSDB é uma crise de indentidade (sic), ou seja, primeiro tem uma crise interna… Serra, Alckmin e Aécio… ããnn… depois tem a briga nos Estados, ou seja, as pessoas estão desconfortáveis. Sabe… Agora, eles têm o PT como adversário principal. E o PT precisa juntar todos os diferentes para que a gente possa vencer os antagônicos”.

Em menos de um minuto, “ou seja” dá as caras cinco vezes. “Crise”, com seis citações, ganha por duas de “partido”. A língua portuguesa não escapou do golpe baixo: “indentidade” é de deixar grogue até um frei Betto. Dos quatro principais adversários, três foram mencionados. Previsivelmente, ficou fora da discurseira o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O SuperLula evita pronunciar o nome da sua kriptonita. Mas é FHC o destinatário do palavrório tão indigente quanto o raciocínio do analista político.

O PSDB, é verdade, não tem identidade (com um n só) nem perfil ideológico definido. Como todos os outros, berram os fatos. A exceção foi o PT entre o nascimento em 1980 e a chegada ao governo federal em 2003, quando perdeu primeiro a coerência ideológica, depois a identidade e finalmente a vergonha.  Qualquer partido em qualquer país enfrenta crises internas com alguma frequência, e abriga líderes e correntes que duelam permanentemente. Menos o PT, hoje reduzido a um rebanho obediente ao Grande Pastor.

Ali não há líderes. São todos seguidores do mestre, que começou por escolher a sucessora e agora escolhe até candidato a prefeito. Só cabeças toscas não têm dúvidas. Lula não tem nenhuma. É um poço de certezas sem fundamento. Acha-se, por exemplo, um esquerdista moderno ─ mesmo quando contempla fotografias em que aparece abraçado a abjeções do primitivismo ultraconservador como um José Sarney. Acha que o PSDB não pode aliar-se ao DEM, mas ordena ao PT que pague qualquer preço para andar em péssima companhia.

“Nada que atrapalhe os nossos aliados nós vamos votar na reforma política”, comunicou no fim de semana aos companheiros do PT paulista. Ou seja, deveria ter continuado o pregador, a seita está proibida de aprovar qualquer mudança que prejudique os superiores interesses de patriotas como Renan Calheiros (PMDB), Fernando Collor (PTB), Paulinho da Força (PDT), Aldo Rebelo (PCdoB), Valdemar Costa Neto (PR) ou Paulo Maluf (PP),  fora o resto. Há vagas para qualquer um, desde que se converta em devoto. É esse o recado emitido na última frase do vídeo.

“O PT precisa juntar todos os diferentes pra que a gente possa vencer os antagônicos”, decidiu o Guia. Depois de criticar sem ter lido o ensaio de FHC, que recomendou ao PSDB ouvir com mais atenção o eleitorado da classe C, Lula resolveu chegar ao mesmo alvo pelo caminho do pântano. Nada a ver com programas, projetos ou plataformas. Um contrato de aluguel é mais prático. Os “diferentes” da vez são o prefeito Gilberto Kassab, a senadora Kátia Abreu, o vice-governador Guilherme Afif Domingos e outros morubixabas do PSD. Segundo Kassab, o partido “não será de direita, nem de esquerda nem de centro”. O caçador de votos só exige perfil ideológico definido de partidos inimigos.

Um debate entre os ex-presidentes não se limitaria a confirmar a superioridade intelectual de FHC. Também acabaria escancarando a inferioridade moral de Lula. É disso que fogem o mestre e todos os seus discípulos. É aí que o medo mora.

14/04/2011

às 16:02 \ Direto ao Ponto

Lula comenta o que não leu, FHC dá o troco e a coluna reapresenta o convite para um debate ao vivo entre os ex-presidentes

Como nunca leu nada, é compreensível que Lula nem tenha tentado empreender a travessia das 5.481 palavras do texto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o papel da oposição. Como abre a boca sobre tudo que lhe parece eleitoralmente lucrativo, era previsível que o palanqueiro ambulante dissesse alguma coisa sobre o brilhante ensaio de FHC. Mas de longe, e sem mencionar expressamente o nome ou a sigla do homem que está para o SuperLula como a kriptonita verde para o Super-Homem.

“Sinceramente não sei como alguém estuda tanto e depois quer esquecer o povão”, derrapou Lula em Londres. “O povão é a razão de ser do Brasil. E do povão fazem parte a classe média, a classe rica, os mais pobres, porque todos são brasileiros”. Deveria ter ficado quieto. “Ora, eu venci duas eleições com o voto desse povão. E no primeiro turno, e contra o Lula”, deu o troco FHC. “Agora, temos de ter uma estratégia para esses novos setores, mais sensíveis. Temos de fincar o pé na internet e nas redes sociais”.

O ex-presidente aproveitou a chance para mais uma aula endereçada a oposicionistas trapalhões. “É de doer que políticos da oposição deixem de lado o conjunto dos argumentos e das propostas que fiz no artigo e, antes de o lerem, façam coro ao petismo, colocando-me como um insensato que despreza o voto das parcelas mais desfavorecidas da população”, replicou Fernando Henrique. “Fariam melhor se lessem com mais calma o que escrevi”. É o que devem fazer imediatamente, demorando-se ao menos 10 segundos no lembrete feito já no segundo parágrafo: “Cabe às oposições, como é óbvio e quase ridículo de escrever, se oporem ao governo”.

Nas linhas seguintes, mais afinado do que nunca com a resistência democrática que age à margem dos partidos e do Congresso, FHC ensina que “o PT e o governo dispõem de poderosos meios em amplos setores das camadas pobres, mas cooptadas por movimentos sociais”. E ressalva: “Também existe, é claro, um povão na nova classe média” ─ surgida, aliás, de programas sociais concebidos em seus dois mandatos. Lembra que há um legado valioso a defender e desfralda bandeiras atualíssimas. Traça com extraordinária lucidez, enfim, os caminhos que a oposição deve percorrer para “chegar aos ouvidos do povo”.

Quanto a Lula, chegou a hora de encerrar a desconversa, engavetar pretextos e desculpas, domar a insegurança, enjaular o medo e topar o convite, agora reiterado formalmente por esta coluna, para um debate com FHC. Só os dois, além do mediador escolhido de comum acordo. O site de VEJA está pronto para a transmissão ao vivo. Várias emissoras de TV também têm interesse em participar da divulgação do duelo democrático. Fernando Henrique acaba de repetir que aceita. Só falta o sim do adversário.

Coragem, Lula.

15/10/2010

às 12:54 \ Direto ao Ponto

A kriptonita chegou perto do SuperLula

(Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

Em fevereiro, a coluna propôs a realização de um debate entre Lula e Fernando Henrique Cardoso. Como o presidente vive dizendo que fundou o Brasil em 2003, como vivia sonhando com uma campanha eleitoral entre “nós e eles”, nada melhor que um duelo do gênero para que massacrasse o Grande Satã do PT.

Fernando Henrique topou imediatamente. Franklin Martins respondeu por Lula: o chefe de governo só debateria depois que encerrado o mandato. Como o chefe de governo abandonou o emprego há meses, a coluna reiterou o convite há 10 dias. FHC declarou-se pronto. Lula respondeu com o silêncio. Guardou a voz para despejar bravatas sobre plateias amestradas.

Nesta quinta-feira, FHC oficializou publicamente o desafio. “Quero ver o presidente Lula, que votou contra o Real, dizer que estabilizou o Brasil”. Elegantemente, propôs que o cara a cara seja promovido depois da eleição. Se o desafiado realmente acredita que a exposição do antecessor na TV prejudica a candidatura de José Serra, deve sugerir a antecipação do debate para a próxima semana, antes da consumação do naufrágio da sucessora que inventou.

Caso continue a esconder-se em comícios, para fartar-se com aplausos tão espontâneos quanto o sorriso de Dilma Rousseff, nem os devotos da seita companheira vão duvidar de que FHC é a kriptonita do SuperLula.

07/03/2010

às 6:40 \ Sanatório Geral

Sigla perigosa

“Se você encontrar o Fernando Henrique, não acredite no que ele fala da Dilma Rousseff”.

Lula para Hillary Clinton, ao saber que a secretária de Estado americana passaria por São Paulo antes de voltar a Washington, revelando que FHC, a kriptonita do superpresidente, provoca efeitos alarmantes também quando se aproxima da sucessora que escolheu.

 

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