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Judas

18/11/2009

às 17:43 \ O País quer Saber

Entrevista com FHC, 2° bloco: “Pactos com o diabo são perigosos. Às vezes ele ganha”

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“A impunidade é a mãe da corrupção”, lembra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso neste segundo bloco da entrevista exclusiva concedida a VEJA.com. Ele próprio ressalva que a frase não é original. Mas parece uma novidade extraordinária ouvi-la na voz de um político brasileiro. No paraíso da ladroagem impune, no grande viveiro de quadrilhas federais, só homens públicos honrados ousam dizer coisas que soam elementares em paragens civilizadas.

A preservação da honradez num país assolado pela corrupção o autoriza a afirmar, também, que “temos tudo da democracia, menos a igualdade perante a lei”. Ou a contestar a regra recentemente enunciada por Lula. ”Nunca fiz aliança com Judas”, discorda Fernando Henrique. Esse tipo de acerto conduz ao mensalão, exemplifica. Portador de um currículo sem parentesco com prontuários, o ex-presidente discorre sobre todos os temas invocados por adversários interessados em arranhar-lhe a imagem.

Nas cinco partes do segundo bloco, fala sobre o Proer, o Proesp, a emenda da reeleição, a versão da compra de votos, a nomeação de Renan Calheiros para o Ministério da Justiça, o Congresso que conheceu e o que hoje espanta o Brasil. Entre outras revelações históricas, conta que o governo do PT negou-se a examinar um acordo de princípios com o PSDB que, sem eliminar a fronteira que separa governo e oposição, garantisse a aprovação de projetos de interesse nacional.

Favorável à reeleição, aponta os riscos embutidos num terceiro mandato. Analisa o aparelhamento de fundos de pensão e empresas estatais por militantes partidários. Rememora a recuperação do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, qualifica o PAC de peça publicitária e enumera algumas obras físicas de especial relevância concluídas durante seu governo. Milhões de brasileiros provavelmente ignoram, por exemplo, que Fernando Henrique inaugurou o gasoduto que liga a Bolívia ao Rio Grande do Sul.

Não foi pouca coisa, mas ele acredita que será lembrado por outros feitos ─ a vitória sobre a inflação, por exemplo. Talvez seja lembrado também por ter rejeitado a fórmula do vale-tudo. Pactos com o diabo são perigosos, adverte. “Às vezes, o diabo ganha”. Ultimamente, tem ganhado todas.

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Parte 7

Parte 8

Parte 9

Parte 10

30/10/2009

às 20:50 \ História em Imagens

A imitação de Cristo fechou contrato com os judas de verdade

“Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão”, disse Lula na recente entrevista à Folha de S. Paulo. A menção ao apóstolo cujo nome é sinônimo de traidor foi a mais ousada, mas não a primeira. Na entrevista gravada em 1997, depois de comparar a Câmara e o Senado a ”uma bolsa de valores” e a ”um balcão de negócio”, o chefe da oposição afirma que o presidente da República, para aprovar projetos importantes, tinha de entender-se com “os judas do Congresso”.

A declaração à Folha confirma que Lula resolveu fazer por atacado o que acha que outros faziam no varejo. Em vez de negociar projeto por projeto com os comerciantes de votos, chamou os Judas “para fazer coalizão”. Transformou velhos inimigos em amigos de infância, promoveu verbas e cargos a moedas de troca e combinou que o prazo de validade do apoio teria a duração do mandato presidencial. O contrato de aluguel escancarado em 2005 pelo escândalo do mensalão foi renovado em 2006, depois de submetido a camuflagens que dificultam a chegada do camburão.

Lula fala de acordos criminosos e acertos abjetos com a bancada das 30 moedas com a naturalidade de quem está contando como foi a missa. Mentor, sócio e padrinho de pecadores, exibe a candura de quem está acima do pecado. Pelo jeito, acredita mesmo que é uma reencarnação de Jesus Cristo.

22/10/2009

às 22:30 \ Sanatório Geral

Judas e o mensalão

“Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão”.

Lula, espalhando a suspeita de que se inspirou no episódio bíblico para antecipar-se aos romanos da oposição e liberar a companheirada para combinar com Marcos Valério a distribuição de 30 moedas por cabeça (convertidas em reais, dólares ou euros) entre a turma do mensalão.


 

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