Coluna do

Augusto Nunes

Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido.
E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido.

Posts com a tag ‘José Serra’

SEÇÃO » Direto ao Ponto

O implacável Celso Arnaldo viaja com Dilma por Minas Gerais

18 de março de 2010

O jornalista Celso Arnaldo acompanhou o início da prometida viagem sentimental da Mãe do PAC por Minas Gerais. Vejam os melhores momentos, criteriosamente analisados pelo grande caçador de cretinices:

A Agência Estado selecionou ontem algumas pílulas de sabedoria de Dilma Rousseff durante a inauguração de uma estrada em Minas Gerais ─ a duplicação do trecho entre Monte Alegre e Uberlândia da BR-365, concluída há oito meses. Começam pelo esclarecimento definitivo de uma questão que atormenta mineiros e gaúchos, cada qual tentando empurrar a batata quente para o outro: afinal, o que é Dilma? Ela esclarece:

“Muita gente diz que a ministra diz que é mineira, mas não é. A gente não é de um estado ou de outro por conta da vida política, mas da infância, da adolescência, da juventude. Eu saí de Minas aos 23 anos. Nenhum político da oposição pode tirar Minas de minha experiência. Saí de Minas, mas Minas não saiu de mim”.

Pega no meio desse “diz que diz que”, a ministra tentou dizer, em outras palavras, que nosso estado natal é aquele onde a gente nasce, não onde a gente é eleito, ela que nunca foi eleita para nada. Satisfeita, a imprensa mineira então quis saber a opinião da ministra a respeito da pesquisa Ibope, que a aproxima ainda mais de Serra. Em Minas, como os mineiros:

“Vou repetir o que repito a horas: a pesquisa é retrato do momento. Nós tamu em março, a eleição é em outubro, e ninguém sobe de salto alto”.

Percebam que a Agência Estado, que tem uma revisão bastante atenta, escreveu “a horas”. Arrisco uma explicação: o redator presume que Dilma cometa erros de grafia até falando. De qualquer forma, intriga-me o fato de que ela precisou repetir durante horas algo que todo mundo está cansado de saber: pesquisa é retrato do momento. Ficou rouca à toa.

A informação de que “tamu em março” também não é inédita, bem como que a eleição é em outubro. De novo mesmo, só esse negócio de subir de salto. Não, pensando bem, Dilma já tinha dito algo parecido há uns dois meses ─ mas, pelo que lembro, ela falou “subir no salto alto”, querendo ilustrar uma imagem de pretensão ou arrogância, que seria contra seus princípios.

“De salto” é novidade, sim ─ se bem que uma amiga minha contraria a afirmação de Dilma de que ninguém sobe de salto alto: ela só usa salto de 9 centímetros, mora no quarto andar e prefere subir de escada, para fazer exercício. Sempre chegou ao apartamento, sem problemas.

Mas vamos adiante ─ agora é Dilma falando sobre esse novo Brasil, de oportunidades iguais para todos, em todos os campos, da fila do SUS à fila do caixa da Daslu:

“Não podemos deixar que se reproduza desigualdade na raiz da desigualdade”.

Parece que Dilma disse isso já preparando a visita seguinte ao Laboratório de Genética que vai dar um jeito nessa raiz de desigualdade que teima em dar desigualdade.

Mas há uma estrada para inaugurar. Palanque armado em frente ao canteiro de obras. A voz de Dilma, sempre alterada, ecoa pelas Alterosas:

“Nós estamos não mais só conquistando território, nós estamos melhorando o território, assegurando que o território hoje tem uma logística adequada”.

É Dilma tentando deixar bem claro, pela tripla ênfase, que o Brasil tem dimensões territoriais.

E depois de a secretária municipal de Monte Alegre de Minas lembrar que a primeira pista da estrada fora inaugurada por Juscelino em 1958, Dilma fez questão de dar um pitaco, com um sucinto mas precioso e inédito perfil de seu conterrâneo, que muda tudo o que sabemos de JK até hoje:

“Grande presidente desenvolvimentista, responsável, visão ampla de País”.

Carlos Heitor Cony, um dos biógrafos de JK, já solicitou à equipe de Dilma que libere a frase para a chamada da nova edição.

O trecho da rodovia ora inaugurado é conhecido como “Trevão” ─ e por certo terá esse apelido carinhoso ainda mais consagrado depois dos discursos de Dilma, a rainha da treva.

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Liquidificador doidão

12 de março de 2010

“Minas foi violentada, traída como está sendo de novo. O Júlio Prestes, eu disse, chama-se José Serra”.

Ciro Gomes, misturando no seu liquidificador mental a política do café com leite da República Velha, o presidente eleito cuja posse tropeçou na Revolução de 1930, a campanha deste ano, a vontade de ser candidato a vice de Aécio Neves e a vassalagem ao chefe Lula para produzir a besteira do dia.

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Que venha a eleição plebiscitária

6 de março de 2010

A divulgação do Programa Nacional de Direitos Humanos confirmou que a eleição de 2010 será mesmo plebiscitária. O Brasil que pensa entendeu que terá de escolher entre a democracia representativa e o stalinismo farofeiro, entre a liberdade e o autoritarismo , entre o mundo civilizado e as cavernas onde conspiram os pastores do atraso.

A reportagem de capa da edição de VEJA, outra reafirmação do mergulho sem volta do PT no pântano, é a prova definitiva de que o desejo de Lula (”Gostaria que fosse nós contra eles, olho no olho”) será atendido. O governador José Serra é um homem sem prontuário. Basta que vire ostensivamente as costas aos pecadores do PSDB e do DEM ─ uma tribo diminuta se confrontada com a imensidão de companheiros fora-da-lei ─ para que os eleitores entendam que estarão escolhendo entre a honestidade e a roubalheira, entre a honradez e a corrupção.

Serra vencerá se compreender que a oposição brasileira é muito maior, mais tenaz, mais corajosa e mais combativa que a oposição formal. Ele precisa ser mais que o candidato de uma aliança partidária assustadiça, excessivamente cautelosa. Tem de transformar-se no porta-voz do Brasil decente, que não teme porque não deve, que respeita a lei e exige que todos sejam obrigados a respeitá-la, que lutou pela restauração do regime democrático e dele não admite abrir mão.

“A oposição não tem programa, a Dilma tem”, vangloriou-se em Cuba o ministro Franklin Martins, ainda com o olhar de quem viu o homem que quer ser quando crescer. “Qual é programa do Serra?” O candidato do PSDB acha que ainda é cedo para apresentar um plano de governo. Mas já passou da hora de apanhar a luva atirada por Lula, aceitar o repto lançado por Franklin e desfraldar o quanto antes as duas bandeiras que o PT jogou no lixo. O partido que reivindicava o monopólio da ética caiu na vida. O partido que se fingia de libertário ama Fidel Castro e flerta com Hugo Chávez.

Serra, ex-militante da Ação Popular, converteu-se num genuíno democrata. Dilma jamais renegou o script de coadjuvante da Polop e Var-Palmares, organizações comunistas que recorreram à luta armada para substituir a ditadura militar pela ditadura do proletariado. Serra não tem contas a acertar com a Justiça. Dilma foi escolhida por um presidente que acoberta todos os delinquentes de estimação, é candidata pelo partido do mensalão e entregou a coordenação da campanha a José Dirceu.

Só faltava Delúbio Soares. A reportagem de VEJA mostrou que não falta mais nada: João Vaccari, o novo tesoureiro da direção nacional do PT, é um Delúbio piorado. A sucessão presidencial de 2010 não passará ao largo de critérios políticos e morais. Eleger Dilma Rousseff é entregar o poder aos carrascos da liberdade. É entregar a chave do cofre à bandidagem que, por ter perdido de vez o medo do xerife, já nem usa lenço para esconder o rosto.

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A cara do PT

1 de março de 2010

“A pressão para Aécio ser vice demonstra a fragilidade da candidatura de Serra”.

José Eduardo Dutra, o presidente que o PT merece, ensinando que, para mostrar que é eleitoralmente forte, o candidato José Serra deveria proibir Aécio Neves de disputar a vice-presidência.

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Celebridade planetária

12 de fevereiro de 2010

“O que está acontecendo é coisa de nostalgia, porque o Alckmin não quis ele em 2006 e o Serra não quer ele agora. Acho que é uma coisa pequena da parte dele. Ele ter uma mágoa do meu governo ser tão reconhecido no país e o Brasil ser tão reconhecido internacionalmente”.

Lula, na entrevista à Rádio Difusora de Goiânia, ainda sem responder se topa o debate em que poderia mostrar que é mais conhecido no mundo que Pelé, avisando a FHC que o próximo passo do maior presidente da história é ser catedrático em Harvard.

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O povo do Vaccarezza

11 de fevereiro de 2010

“Em 2002 o Serra foi o candidato da continuidade quando o povo queria mudança. Agora ele vai ser o da mudança quando o povo quer continuidade”.

Cândido Vaccarezza, líder do governo na Câmara, informando que o povo pendurado pelo PT no quadro de funcionários do Congresso quis a mudança em 2002 para conseguir emprego, e quer a continuidade agora para manter o emprego.

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Chama o enfermeiro

10 de fevereiro de 2010

“As críticas de FHC à ministra Dilma Rousseff derivam de uma vaidade misturada com inveja que tem de Lula”.

Ciro Gomes, revelando que Fernando Henrique Cardoso, que morre de inveja de quem sabe falar português sem plural e sempre quis ser Lula quando crescesse, está com a vaidade em frangalhos pelo sucesso espetacular do filme sobre o Filho do Brasil.

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FHC merece adversários menos boçais e aliados mais corajosos

9 de fevereiro de 2010

“Para ganhar sua guerra imaginária,  o presidente distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos”, constata Fernando Henrique Cardoso já no primeiro parágrafo do artigo publicado no domingo. O que faz o governo Lula para “desconstruir o inimigo”?, pergunta-se linhas adiante. A resposta resume a tática que o pastor ensinou ao rebanho: “Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido”.

Surpreendida pela contundência do ex-presidente, que desmontou com menos de mil palavras vigarices reiteradas há sete anos, a matilha companheira foi à luta, desta vez sem o comandante. Como faz sempre que sabe com quem está falando, Lula achou melhor perder a voz. Enquanto ensaia o que dizer, falarão por ele os sarneys e os dirceus, os jucás e os berzoinis, os renans e os vaccarezzas, as dilmas e as idelis, os tarsos e os mercadantes, os destaques e os figurantes do elenco de filme de terror.

Não falarão por Fernando Henrique os aliados, incapazes sequer de compreender que, mais que um artigo-manifesto, acabam de ganhar a segunda parte do roteiro para a montagem do discurso que, segundo Lula, a oposição não tem. A primeira foi publicadoa há três meses, no artigo com o título “Para onde vamos?”. O texto demonstra que o autoritarismo popular instituído por Lula pode desembocar, num Brasil presidido por Dilma Rousseff, no que qualificou de “subperonismo”.

A previsão foi confirmada em dezembro pela aparição do Programa Nacional de Direitos Humanos. Nenhum tucano associou o artigo ao documento, que pretende chegar ao futuro pela estrada que termina no século 19. Se o horizonte próximo o inquieta, Fernando Henrique se mostra sem medo do passado, título do segundo artigo. Discurso, portanto, a oposição já tem. Falta agora descobrir que tem. Falta criar coragem para pronunciá-lo. Falta o candidato que tem jeito de candidato, modos de candidato, cara de candidato e vontade de ser candidato enfim confessar que é candidato.

Tolerante, bem-humorado, substantivamente democrata, Fernando Henrique merecia adversários menos boçais e aliados mais corajosos. Há algo de muito errado com os partidos de oposição quando um grande governante tem de recordar ele próprio o muito que fez. Há algo de muito estranho quando FHC tenta impedir, sem a solidariedade ativa dos militantes, que se consume outra morte da verdade, sucessivamente assassinada desde janeiro de 2003.

Há mais de sete anos, patrulhas federais  se valem da meia verdade ou da mentira grosseira  para transformarem em herança maldita um legado de estadista. A cada avanço dos vendedores de fumaça corresponde uma rendição sem luta do PSDB, do DEM e do PPS. A oposição vive comprando como verdades milenares as mentiras que o governo vende. Lula, que precisou do segundo turno até para vencer Geraldo Alckmin, virou um imbatível campeão de votos. FHC, que o surrou duas vezes no primeiro turno, é apresentado como má companhia eleitoral.

Depois da vaia no Maracanã, Lula só testa a popularidade em institutos de pesquisa. Mas ficou estabelecido que ninguém foi tão amado desde Tomé de Sousa. Fernando Henrique anda pelas ruas sozinho entre cumprimentos e saudações da gente anônima. Foi mais de uma vez aplaudido no Viaduto do Chá, foi homenageado pela multidão de cariocas na praia do Leblon. O Planalto espalhou que o país inteiro gostaria de vê-lo na guilhotina. A oposição acredita. É o Brasil.

As reações ao artigo escancararam o abismo existente entre a tibieza da oposição oficial e o ânimo combatente dos incontáveis brasileiros inconformados com a Era Lula que se movem e se agrupam na internet. Centenas de milhares de adversários do governo transformaram o artigo em bandeira e se juntaram à ofensiva de FHC. Sabem que não se ganha uma eleição sem confrontos nem se chega ao poder com mesuras. Sabem que disputa presidencial não é concurso de biografias, e que não é possível ser tão gentil com seitas primitivas.

Por tudo isso, aceitaram com entusiasmo o repto do Planalto. Lula quer uma disputa plebiscitária, certo? Por que não começar com um debate público entre Lula e Fernando Henrique? Pelo falatório governista, seria o duelo entre o pai dos pobres e o grande satã neo-liberal. Já estão descobrindo que tal simplificação é suicida. Uma coisa é discursar num palanque, cercado de amigos que agem como garotas de auditório e sob os olhos de plateias amestradas. Outra é expor-se ao contraditório, à réplica, ao aparte, à divergência, à cobrança, ao desmentido. Lula foge de entrevistas com jornalistas independentes como foge o vampiro do crucifixo. Vai precisar de coragem para enfrentar um adversário que tem razão.

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Só no Brasil

9 de fevereiro de 2010

“Então a campanha vai ser com FHC? Mas os tucanos, governadores-candidatos, Aécio Neves e José Serra, não teriam como explicar? O ex-presidente se sente na obrigação de defender seu governo”.

José Dirceu, ainda em liberdade, com tempo de sobra para a campanha por ter conseguido ser expulso do Congresso, aconselhando meio mundo a defender-se para não ficar pensando, pelo menos durante o Carnaval, na defesa que terá de apresentar ao STF para escapar do constrangimento de presidir na cadeia a próxima reunião do bando dos 40.

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Chama o enfermeiro

8 de fevereiro de 2010

“Quantas eleições a Dilma já disputou? Lamento, e pouco importa se parece com o que o Serra diz ou não. Às vezes, o Serra fala a verdade também”.

Ciro Gomes, criticando Dilma e elogiando Serra um dia depois de elogiar Dilma e criticar Serra e um dia antes de criticar Serra e elogiar Dilma.