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José Sarney

02/04/2012

às 16:28 \ Feira Livre

‘Jaz insepulto’, por Ricardo Noblat

PUBLICADO NO GLOBO DESTA SEGUNDA-FEIRA

RICARDO NOBLAT

A essa altura, quem são as mais ostensivas vítimas do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), acusado pela Polícia Federal de ser sócio do ex-bicheiro Carlinhos Cachoeira na exploração de jogos ilegais em Goiás?

Ora, são os 44 senadores estúpidos que hipotecaram solidariedade a ele quando Demóstenes ocupou a tribuna do Senado para jurar inocência.

Reagiram como sempre. E de suas bocas saíram as costumeiras palavras de desagravo com as quais socorrem amiúde colegas em dificuldades.

Foram feitos de bobo por um ator de primeira linha. Tamanho era o seu talento que, ao ser desmascarado, admitiu, aparentando resignação e traindo uma ponta de melancolia:

─ Eu não sou mais o Demóstenes.

Qual? O que imaginávamos que existia?

Enganou o distinto público numa atuação soberba como político acima de qualquer suspeita. E também a nós, jornalistas, céticos por obrigação.

Em momento algum nos perguntamos: poderá haver político tão ficha limpa?

Era uma preciosa fonte de informações. E isso basta para amolecer o coração do mais duro entre nós. O mensalão ocorreu nas nossas barbas. E se não fosse Roberto Jefferson…

O Senado é um luxuoso e exclusivo clube freqüentado por 81 privilegiados cidadãos. Todos ali se protegem apesar das diferenças políticas. Todos ali praticam os mesmos crimes.

Os que não praticam sabem quem o faz, mas fingem não ver. Em 188 anos de funcionamento do Senado, somente um senador foi cassado ─ Luiz Estevão de Oliveira (PMDB-DF), acusado de mentir aos seus pares.

Com a experiência de ex-chefe do Ministério Público de Goiás, Demóstenes mentia com engenho e arte. Há pouco, mentiu da tribuna do Senado grosseiramente. É por isso que morreu e sabe disso. Mas ainda jaz insepulto.

Resta-lhe ganhar tempo e torcer para que o acaso faça uma surpresa. Aos que pensam que renunciará ao mandato para abreviar a própria agonia, digo: esqueçam a hipótese.

Se renunciasse, baixaria à sepultura. Pior: na condição de ex-senador, não mais seria julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ficaria ao alcance de decisões de qualquer juiz da primeira instância.

Demóstenes coleciona inimigos em toda parte. Foram presas 30 pessoas suspeitas de integrar a quadrilha comandada por Cachoeira. Uma vez sem mandato, por que ele não acabaria preso pela mesma razão?

Existe uma boa chance de o STF declarar nulas as provas apresentadas pela polícia contra Demóstenes.

O grampeado foi Cachoeira. Mas o que ele disse ou ouviu de Demóstenes só poderia ser usado contra Demóstenes com a prévia autorização do STF.

Há duas semanas, Demóstenes acalentava a esperança de não ser julgado pelo Senado. O julgamento ali é político. Tem a ver com as idiossincrasias dos senadores.

Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais, comunicou a gente de sua confiança no Congresso que o governo não tinha interesse na cassação do mandato de Demóstenes.

Era preferível continuar convivendo com ele de crista baixa a correr o risco de agitar os ânimos no Senado. Os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL) se ofereceram para ajudar Demóstenes. Não deu certo.

Jayme Campos (DEM), senador por Mato Grosso, é o presidente em exercício do Conselho de Ética do Senado.

O PSOL pediu a cassação de Demóstenes. Jayme poderia arquivar o pedido, empurrando o problema com a barriga. Não topou.

Pedro Taques (PDT), outro senador por Mato Grosso, é voto certo pela cassação de Demóstenes. Jayme e ele podem disputar o governo do Estado em 2014. Sabe como é…

Do início da última semana para cá, abriu-se a torneira das revelações capazes de embaraçar Demóstenes ainda mais.

Resultado: a banda sadia do Senado largou-o de mão. E o DEM anunciou que irá expulsá-lo.

Diante disso, fazer o quê?

Então o governo recuou de sua intenção inicial. O PT pediu a cabeça de Demóstenes. E Sarney e Renan deram o caso por perdido.

Cumpram-se os trâmites previstos para tais ocasiões.

15/03/2012

às 22:22 \ Sanatório Geral

O mundo gira

“Eu disse para vocês que, se eu cair na besteira de falar uma coisa que não seja dessa obra, vocês não põem uma coisa dessa obra no jornal”.

Dilma Rousseff, nesta quinta-feira, em Goiás, aos jornalistas interessados em saber como andam as relações entre o governo e a base alugada no Congresso, avisando em dilmês primitivo que só falaria sobre a Ferrovia Norte-Sul, ou “Ferrovia do Sarney”, uma coisa que Lula, antes de virar amigo de infância de Madre Superiora, dizia que fora planejada para ligar a mansão em São Luiz onde se refugiava “o maior ladrão do Brasil” ao Palácio da Alvorada, residência oficial do “pior presidente da história”.

15/03/2012

às 7:24 \ Sanatório Geral

Madre sabida

“A visão política e administrativa da presidente Dilma a faz credora do respeito de todo o povo brasileiro”.

José Sarney, vulgo Madre Superiora, garantindo que aprendeu a decifrar as frases sem pé nem cabeça recitadas pela presidente  e consegue expressar-se em dilmês erudito para pedir à chefe de governo verbas, empregos e favores em geral para os filhos, netos, sobrinhos, irmãos, primos, vizinhos e agregados da Famiglia.

06/03/2012

às 13:51 \ Sanatório Geral

Madre malandra

“Eu acho que o ministro Aldo Rebelo não falou somente em seu nome e nem do ministério e do governo brasileiro. Ele falou em nome de todo o povo brasileiro, do nosso sentimento dessa intromissão indevida”.

José Sarney, vulgo Madre Superiora, patriota que vem arrasando o Maranhão há mais de 50 anos e o Brasil desde 1985, também atingido pelo chute no traseiro desferido pela Fifa,  achando que os brasileiros são tão idiotas que vão ficar ofendidos com o corretivo endereçado a pilantras que não fizeram o que prometeram fazer há cinco anos.

13/02/2012

às 12:36 \ Homem sem Visão

Desistência do mestre-sala Lula cancela estreia da Unidos do HSV na Sapucaí

PUBLICADO EM 6 DE MARÇO DE 2011

“Eu gostaria de comprimentá os brasileiros e brasileiras da arquibancada lá do meio da avenida, mas si ocê não fô tamém não vô”, disse a porta-bandeira Dilma quando Lula avisou por telefone, na manhã deste domingo, que desistira de desfilar como mestre-sala na estreia da Unidos do HSV na Sapucaí. “Ele falou que precisa escrever uma palestra, mas a chefa acha que foi por causa daquele negócio que aconteceu no Maracanã”, confidenciou uma das 34 assessoras de Dilma Rousseff.

Lula, declarado hors concours já no lançamento do prêmio Homem sem Visão, seria a maior atração da escola formada por ganhadores do troféu e finalistas das disputas mensais na enquete, além de parentes, vizinhos e centenas de foliões que lhes devem empregos, dinheiro e outros favores impublicáveis. “Não acredito!!!”, berrou a rainha da bateria, Ideli Salvatti, ao saber da notícia. “Tava todo mundo tão animado no ensaio!!! O Lula até me disse que a fantasia que fiz ia levantar a arquibancada!!!”

No ensaio geral, o traje audacioso da rainha da bateria, Ideli Salvatti, fez tanto sucesso quanto as luxuosas fantasias do mestre-sala Lula e da porta-bandeira Dilma

O gingado de Ideli em trajes sumários foi muito elogiado pelos companheiros de agremiação no último ensaio geral, realizado na madrugada de quinta-feira no Sambódromo fechado para o público. Também mereceu aplausos a performance de campeões filiados a outros escolas que se prontificaram, tão logo convidados, a cruzar a avenida neste ano sambando no pé ou no alto dos carros alegóricos da Unidos do HSV.

Os veteranos carnavalescos Fernando Collor, José Sarney e Antonio Palocci, por exemplo, mostraram muita garra no ensaio, comandando a movimentação da ala das baianas. José Dirceu estava ansioso por aparecer ao lado da musa Erenice Guerra como principal destaque masculino do carro alegórico Casa Covil. Atrás da vistosa alegoria viriam, entre outras atrações, Waldomiro Diniz, os filhos de Erenice e todos os funcionários da fábrica de dossiês. O desfile seria fechado pelos passistas Sérgio Cabral e Eduardo Paes, que atribuem o surgimento da Unidos do HSV à integração dos governos federal, estadual e municipal.

Cinco destaques da escola: Fernando Collor, puxador de samba da União da Casa da Dilma, José Dirceu, coordenador da comissão de frente da Acadêmicos do Mensalão, Antonio Palocci, mestre de bateria da Mocidade Alegre da República de Ribeirão, e José Sarney, fundador da Velha Guarda das Catacumbas do Congresso

No meio da tarde, Sarney informou que a proposta de cancelar a estreia na Sapucaí foi aprovada por unanimidade pelos integrantes da escola. “Dilma e Lula são insubstituíveis”, afirmou o fundador da Velha Guarda da Catacumbas do Congresso. A coluna apurou que o cancelamento da apresentação de hoje à noite tornou-se inevitável depois de exibido o vídeo reproduzido abaixo, que mostra as evoluções de Aloízio Mercadante e Marta Suplicy na campanha eleitoral em São Paulo.

“Eles se candidataram a mestre-sala e porta-bandeira substitutos”, contou um participante da reunião. “Quando a coisa terminou, a vaia foi tão grande que o Herói da Rendição vaiou também. Parecia a abertura dos Jogos Panamericanos”. Procurado pela coluna, Lula recusou-se a comentar a desistência. Mandou Gilberto Carvalho dizer que estava muito ocupado com o texto da palestra . “Tem mil linhas”, informou o carregador de malas. “Como ele começou a escrever faz dois dias, está na metade da segunda”.

03/02/2012

às 20:15 \ Sanatório Geral

Madre esperta

“Sendo uma das mais longas vidas públicas do país, vivi e envelheci servindo a suas instituições e procurando melhorar a vida de nosso povo, que em muitas conquistas tem a marca do meu trabalho. Quantos envelheceram no serviço da pátria, mostrando que a paixão pela política é mais forte que a paixão pela vida?”

José Sarney, vulgo Madre Superiora, na reabertura das atividades no Senado, preparando o discurso com que tentará escapar da merecidíssima condenação no Dia do Juízo Final.

02/02/2012

às 21:56 \ Sanatório Geral

Madre preocupada

“O juiz não deve ser objeto de ataques e contestações que visam ao enfraquecimento da autoridade”

José Sarney, vulgo Madre Superiora, assustado com o possível enfraquecimento da autoridade dos “juízes do Sarney”, que garantem a impunidade da Famiglia há mais de 30 anos.

24/01/2012

às 18:37 \ Feira Livre

Movimento contra a corrupção volta às ruas em São Paulo neste 25 de janeiro

Algemas de Ouro 2011 - José Sarney, José Dirceu e Jaqueline Roriz

José Sarney, Jaqueline Roriz e José Dirceu recebem as Algemas de Ouro

Pela quarta vez desde 7 de setembro de 2011, o movimento contra a corrupção vai aproveitar um feriado para manifestar-se nas ruas. Neste 25 de janeiro, dia do 458° aniversário de São Paulo, os manifestantes se concentrarão ─ como sempre ─ no vão livre do Masp. Mas desta vez os alvos se tornaram mais explícitos.

Além de continuarem exigindo o fim do voto secreto no Legislativo, os organizadores do ato vão apoiar as ações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e fechar a lente do protesto em José Sarney, José Dirceu e Jaqueline Roriz, ganhadores do prêmio Algemas de Ouro 2011. A votação mobilizou cerca de 7 mil internautas. Com 59,5% dos votos, José Sarney ganhou as Algemas de Ouro. José Dirceu ficou com as de prata e Jaqueline foi contemplada com um par de bronze.

Além dos inevitáveis e pouco eficientes megafones, a manifestação contará com um trio elétrico e uma banda de rock.  Já na noite desta terça-feira, começará a vigília que se estenderá até o início da manifestação, às 13h. Mais de 700 pessoas confirmaram presença na página oficial da manifestação no Facebook.

21/12/2011

às 20:19 \ Sanatório Geral

Beija-mão

“Só vim agradecer ao presidente Sarney.”

Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil, explicando que ficou conversando a sós com o senador José Sarney não para combinar o prêmio pela prorrogação da DRU, mas para agradecer, em nome de todos os brasileiros, os relevantes serviços prestados à nação por Madre Superiora ao longo do ano que vai chegando ao fim.

16/12/2011

às 16:48 \ Feira Livre

O mensalão transformou o PT num ajuntamento de notórios trambiqueiros

Mauro Pereira

A reportagem publicada na edição de VEJA desta semana sobre os meandros sórdidos de mais uma conspiração petista revela o grau de periculosidade de uma soma de quadrilheiros que se instalou nos saguões protetores do Congresso e do Palácio do Planalto ─ e, de lá, manipula o submundo da política de acordo com seus desejos e necessidades. Uma leitura mais aprofundada permite vislumbrar nas entrelinhas uma advertência sombria, chamando atenção para a possibilidade de uma ruptura marcada por dias de tensão, cujo desenlace poderá desembocar em grave retrocesso democrático. Estampa, ainda, nuances da fragmentação de um partido político que não suportou a grandeza democrática que jamais teve e sobrevive da ética diminuta que sempre o acompanhou. Sua trajetória conturbada fala por si.

Cansada da mesmice política que predominava no período pós-ditadura, e guardando a esperança de que algo inovador se apresentasse, a sociedade brasileira se pegou encantada com a mensagem muito bem articulada de um partido que, comandado por um ex-trabalhador, se intitulava o emissário do Brasil renovado, senhor de todas as virtudes, arauto da magnificência administrativa e cidadela indevassável da retidão. Para convencer os eleitores que a salvação do Brasil passaria inexoravelmente pelo virtuosismo petista, seus dirigentes não desperdiçaram uma única oportunidade de ocuparem os espaços generosos que a mídia lhes proporcionava. Astutos, foram preenchendo o vácuo político que se formou depois da morte do presidente Tancredo Neves, entrincheirando-se na mais selvagem oposição que o Congresso já abrigou. A desestabilização a qualquer preço era o mote. E a tática mostrou-se eficaz: em janeiro de 2003, o PT chegou ao poder.

Forjada na têmpera podre da falsidade, a decantada probidade dos petistas não resistiu a mais do que dois anos à frente do governo. Os rastros deixados pelo dinheiro sujo derrubou a máscara que escondia a verdadeira face dos democratas de araque e deu visibilidade a ação devastadora da mais sórdida canalha instalada nos porões da politicalha. Visando perpetuar-se no comando, os companheiros atuaram com a mesma desenvoltura dos mafiosos sicilianos e arquitetaram um dos mais atrevidos esquemas de corrupção da história republicana, que incluiu a compra do apoio de partidos que porventura estivessem à venda. Talvez até mesmo os próprios petistas tenham se surpreendido com tamanha disponibilidade tamanha. Estava inaugurado o mensalão.

A partir desse episódio que manchará sua história para sempre, o partido estrelado experimentou um processo célere de degeneração e o desgaste evidente serviu de justificativa para que seus dirigentes intensificassem uma campanha avassaladora que tinha como objetivo a dominação absoluta. Para atingir tal fim, os meios, liberados, encontraram na receita da promiscuidade o fermento mais indicado para fazer crescer aquela massa indigesta. Sem o menor trauma de consciência, cercaram-se de inimigos viscerais para inaugurar a forma mais abjeta de amizade, trouxeram para debaixo de suas asas parte significativa da imprensa e fizeram da miséria seu maior trunfo eleitoral. Dispostos a percorrer as últimas instâncias da inconseqüência, desbravaram os caminhos da corrupção como jamais ninguém ousara.

Num repente, encantaram-se com a biografia de José Sarney e o consagraram como político respeitável. Este, por sua vez, fez do Maranhão uma extensão do palanque petista e da presidência do Senado reduto dos interesses do governo federal. Uma mão suja emporcalha a outra.

Defensores intransigentes da liberdade de imprensa se dispuseram a patrocinar os jornais televisivos, principalmente os de alcance nacional, abrindo os cofres das estatais e dos ministérios. Deve ter carioca entediado com o marasmo em que se arrasta o seu cotidiano. A tropa de elite comandada por Sérgio Cabral e os paraquedistas liderados por Dilma Rousseff condenaram toda uma população a viver livre dos latrocínios, dos assaltos, dos assassinatos. Não restou sequer a alternativa de desentender-se com o vizinho. Tem mulher implorando por uma agressão, ainda que verbal. Pelo menos é o que sugere a gratidão vassala dos telejornais patrocinados pela Petrobras, pela Caixa, pelo Banco do Brasil e pelo ministério da vez.

O malfadado episódio do mensalão desencadeou um vendaval de denúncias envolvendo o partido comandado pelo ex-presidente Lula e aqueles que formam a base de apoio ao seu governo em um rosário interminável de falcatruas, cujo acúmulo de malfeitos resultou na queda de 16 ministros de Estado em menos de dez anos. Desses, 15 foram exonerados por envolvimento em casos de corrupção. Juntos, o PT e seus sequazes estão muito próximos de tornar o Brasil a maior referência entre os países mais corruptos do planeta.

Em apenas nove anos, o Partido dos Trabalhadores conseguiu transformar o conjunto de políticos notáveis acima de qualquer suspeita que o mantinha em mero ajuntamento de notórios trambiqueiros, abaixo de qualquer moral, que o sustenta. O PT como ele é.


 

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