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José Dirceu

10/02/2012

às 20:00 \ Sanatório Geral

Aula de cinismo

“O candidato a governador Geraldo Alckmin prometeu rever as tarifas dos pedágios, porque há alguns casos em que a população acaba pagando mais, mesmo. Só essa constatação serviria para atestar o fracasso da privatização de estradas feita pelo PSDB na década de 1990. Em dez anos, as concessionárias passaram a registrar altos ganhos”.

José Dirceu, em 25 de agosto de 2011, ensinando num artigo publicado em seu blog que concessão é a mesma coisa que privatização.

“Há que se diferenciar concessão de privatização”.

José Dirceu, nesta quinta-feira, ensinando num artigo publicado em seu blog que concessão não é a mesma coisa que privatização.

 

10/02/2012

às 0:33 \ Direto ao Ponto

O PT garante que acabou de inventar a privatização que não privatiza

Desde 1997, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu reduzir o peso e aumentar a eficácia do mamute estatal, o PT fez o que pôde para transformar a privatização no oitavo pecado capital. Sempre de olho na próxima eleição e de costas para as próximas gerações, a seita chefiada por Lula passou 15 anos enxergando mais uma perfídia infiltrada na “herança maldita” no que foi um notável avanço civilizatório. Graças ao governo FHC, o Brasil ficou menos primitivo.

A privatização dos três principais aeroportos informa que os pastores do atraso enfim capitularam, constatei nesta quarta-feira no comentário de 1 minuto para o site de VEJA. A teimosia insensata da companheirada custou muitos bilhões de reais, desperdiçados pelo governo em remendos, puxadinhos e outros monumentos ao improviso erguidos para distrair a atenção de eleitores tapeados por promessas que seguem acampadas nos  palanques.

Os defensores do Estado obeso também consumiram o estoque de paciência de multidões de passageiros flagelados por congestionamentos nos saguões, nas salas de embarque, nas imediações das esteiras de bagagens, nas filas de táxi. O tempo que se perdeu é irrecuperável. Mas antes tarde do que nunca. “O ‘reposicionamento dos petistas em relação aos aeroportos nos livrou, para todo o sempre, do estelionato eleitoral em torno das privatizações”, registrou o senador Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB paulista.

Ainda não, avisa a discurseira dos pastores decididos a ensinar ao rebanho que, embora os aeroportos tenham sido privatizados, não houve privatização nenhuma. “Querem confundir uma coisa com outra”, ensina o inevitável José Dirceu. “O que houve foi uma concessão”. O guerrilheiro de festim vive criticando o governo paulista por ter entregue à iniciativa privada, em regime de concessão, a administração das rodovias estaduais. “Os tucanos privatizaram o patrimônio rodoviário”, berra desde o século passado. É o que acaba de fazer o governo federal com a fatia mais valiosa do patrimônio aeroportuário, mas para isso existe a novilíngua companheira. “Privatização”, no dicionário do PT, virou “concessão”.

As ovelhas vão balir como ordenam os guias. Tomara que os eleitorado não seja tão paspalho. Ou que já não sejam tantos os brasileiros idiotizados com direito a voto.

06/02/2012

às 18:37 \ Direto ao Ponto

Gilberto Carvalho fugiu da entrevista sobre o caso Celso Daniel não por ter pouco a dizer, mas porque há muito a ocultar

“O ministro Gilberto Carvalho não lhe concederá entrevista”, capitula o secretário-geral da Presidência da República na primeira das três frases do email (endereçado “Ao Senhor Augusto Nunes“) que ditou ao “assessor de comunicação” Sérgio Alli. “Ele já prestou todos os esclarecimentos pertinentes em relação ao assassinato do ex-prefeito Celso Daniel”, mente na segunda. “As gravações, cujos trechos foram divulgados pelo senhor fora de contexto e como se fossem novidades, foram apresentadas à CPI dos Bingos e os questionamentos sobre elas foram todos devidamente respondidos”, repete a mentira na última frase o poltrão vocacional que recorre a estafetas até para informar que bateu em retirada.

Esclareceu coisa nenhuma, ouviria se ousasse recitar tais espertezas diante de um jornalista independente. Desde a descoberta das repulsivas gravações feitas pela polícia em janeiro e fevereiro de 2002, parcialmente destruídas por ordem de um juiz que vendia sentenças e favores, Gilberto Carvalho faz o que pode para escapulir  do fantasma que o assombra há dez anos. Foi o que fez na sessão da CPI dos Bingos realizada em 15 de setembro de 2005 ─ e fechada à imprensa por solicitação do depoente. Já no palavrório de abertura, o ex-secretário de Governo da prefeitura de Santo André disse que não responderia a perguntas que envolvessem os diálogos telefônicos reunidos nas fitas que comprovam a trama forjada para assassinar também a verdade.

O senador Álvaro Dias, do PSDB paranaense, quis saber se o então secretário particular de Lula pelo menos admitia que era o dono de uma das vozes capturadas pela escuta. “Eu não falarei nada”, esquivou-se o chefe do bando que, quando nem fora marcada a missa de 30° dia, esqueceu o companheiro massacrado para impedir o avanço das investigações. Nesta segunda-feira, ao recusar o convite para tratar do assassinato do prefeito de Santo André numa entrevista ao site de VEJA, Gilberto confirmou o que sabem milhões de brasileiros decentes: ele guarda distância do caso não por ter pouco a dizer, mas porque há muito a ocultar.

“Todos os questionamentos foram respondidos”, reincide no email o ex-seminarista sem chances no Juízo Final. Está convidado a informar em quais entrevistas, depoimentos, declarações avulsas ou conversas de botequim em que esclareceu as dúvidas expostas nos 11 tópicos seguintes:

1. Por que o grupo formado por dirigentes do PT, amigos e assessores de Celso Daniel,  além da viúva, resolveu interferir tão acintosamente e com tanta afoiteza no rumo das investigações, mantendo sob estreita vigilância o comportamento de testemunhas e suspeitos?

2. Por que Gilberto Carvalho e seus parceiros descartaram a hipótese do crime político quando as investigações mal haviam começado?

3. Por que dirigentes e militantes do PT demonstraram tanto interesse por um crime que, segundo eles próprios, não teve motivações políticas nem quaisquer ligações com o partido?

4. Numa conversa com Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, Gilberto Carvalho se esforça para acalmar o suspeito de ser o mandante do crime. “Marcamos às três horas na casa do Zé Dirceu”, diz Carvalho. “Vamos conversar um pouco sobre nossa tática da semana, né? Porque nós temos que ir para a contra-ofensiva”. Sombra parece mais tranquilo ao saber da operação de socorro. “Vou falar com meus advogados amanhã, nossa ideia é colocar essa investigação sob suspeição”. Gilberto Carvalho aprova a manobra: “Acho que é um bom caminho”. O intrigante diálogo exige esclarecimentos. Qual foi a “tática da semana”? Depoimentos à polícia não devem ser apenas verdadeiros? Por que os interlocutores resolveram “colocar a investigação sob suspeita”? O objetivo de um inquérito não é apurar a verdade?

5. Por que convidar para a reunião o presidente nacional do PT, José Dirceu? O que tem a ver um dirigente partidário com a apuração de um crime comum?

6. Numa conversa com Klinger Luiz de Oliveira, Sombra faz uma exigência: “Fala com o Gilberto aí! Tem que armar alguma coisa, meu chapa!”. Também esse diálogo merece ser esclarecido. O que foi (ou deveria ter sido) armado? Em quais trunfos se amparava o possível mandante do crime para fazer tais exigências? Se era inocente, a que atribuir o evidente descontrole emocional?

7. Em outra conversa, Luiz Eduardo Greenhalgh manifesta a Gilberto Carvalho sua preocupação com o que um dos irmãos de Celso Daniel vai dizer à polícia. “Está chegando a hora do João Francisco ir depor”, avisa Greenhalgh. “Antes do depoimento preciso falar com você para ele não destilar ressentimentos lá”. Gilberto Carvalho se alarma:  “Pelo amor de Deus, isso vai ser fundamental. Tem que preparar bem isso aí, cara, porque esse cara vai… “. O que viria depois das reticências? O que poderia dizer João Francisco? O que havia de “fundamental” a silenciar? Caso o depoente mentisse, não cumpriria exclusivamente à polícia restabelecer a verdade?

8. Por que Gilberto Carvalho se dispôs a contratar um criminalista para cuidar da defesa de Sombra, como informa Klinger Luiz de Oliveira numa conversa com o principal suspeito? Por que, na mesma conversa, Klinger diz que “o Dirceu está louco pra vir até aqui conversar com a gente”?

9. Por que Gilberto Carvalho e seus parceiros endossaram de imediato a versão de Sombra? Se o absolveram liminarmente, como explicam o estranho comportamento de Sombra na noite do sequestro? Por que assumiu a direção do carro blindado? Por que afirmou que houve um defeito mecânico que, como comprovaram os peritos, não existiu? Por que destravou as portas do veículo? Por que os participantes das conversas grampeadas, alheios às evidências em contrário, acreditaram desde o começo que os problemas mecânicos foram reais?

10. Por que Sombra não buscou socorro assim que os bandidos se afastaram? Por que os sequestradores pouparam a única testemunha que poderia reconhecê-los? Por que não levaram dinheiro ou objetos valiosos? Por que não pediram resgate?

11. Os defensores da tese do crime comum afirmam que os bandidos não sabiam quem era o sequestrado e que, ao identificá-lo, acharam melhor matá-lo e livrar-se do corpo. Como acreditar que uma quadrilha de bandidos experientes ignore o alvo do crime? Se isso tivesse ocorrido, saber quem era o sequestrado não serviria apenas para elevar o preço de resgate? Se quiseram apenas livrar-se do sequestrado, porque torturaram Celso Daniel antes da morte? O que procuravam? O que desejavam saber?

As interrogações contidas nesses 11 tópicos consumiriam a primeira metade da entrevista. A segunda parte fica para o próximo post. As perguntas restantes  conduzem à solução do caso. A conspiração do silêncio não conseguiu matar a verdade.

28/01/2012

às 9:45 \ Sanatório Geral

Companheiros de luta

“O fato é que a proposta de apoio à candidatura de Fernando Haddad, apresentada pelo atual prefeito, provocou um terremoto no partido na cidade. Primeiro, porque vem com o aval e o apoio entusiasta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo, porque apoio não se recusa.”

José Dirceu, sobre uma possível aliança entre o PT e o PSD na disputa da prefeitura de São Paulo, ao ensinar que o noivado com Gilberto Kassab merece dos companheiros o mesmo entusiasmo demonstrado no casamento com Fernando Collor, José Sarney, Renan Calheiros e outros prontuários, preparando a turma para fechar negócio com Fernandinho Beira-Mar, Nem e Marcola.

 

24/01/2012

às 18:37 \ Feira Livre

Movimento contra a corrupção volta às ruas em São Paulo neste 25 de janeiro

Algemas de Ouro 2011 - José Sarney, José Dirceu e Jaqueline Roriz

José Sarney, Jaqueline Roriz e José Dirceu recebem as Algemas de Ouro

Pela quarta vez desde 7 de setembro de 2011, o movimento contra a corrupção vai aproveitar um feriado para manifestar-se nas ruas. Neste 25 de janeiro, dia do 458° aniversário de São Paulo, os manifestantes se concentrarão ─ como sempre ─ no vão livre do Masp. Mas desta vez os alvos se tornaram mais explícitos.

Além de continuarem exigindo o fim do voto secreto no Legislativo, os organizadores do ato vão apoiar as ações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e fechar a lente do protesto em José Sarney, José Dirceu e Jaqueline Roriz, ganhadores do prêmio Algemas de Ouro 2011. A votação mobilizou cerca de 7 mil internautas. Com 59,5% dos votos, José Sarney ganhou as Algemas de Ouro. José Dirceu ficou com as de prata e Jaqueline foi contemplada com um par de bronze.

Além dos inevitáveis e pouco eficientes megafones, a manifestação contará com um trio elétrico e uma banda de rock.  Já na noite desta terça-feira, começará a vigília que se estenderá até o início da manifestação, às 13h. Mais de 700 pessoas confirmaram presença na página oficial da manifestação no Facebook.

23/01/2012

às 20:16 \ Direto ao Ponto

O silêncio das caixas-pretas é tão revelador quanto a mais minuciosa das confissões

O vídeo divulgado pela Band no dia em que a execução de Celso Daniel completou dez anos ─ sem desfecho à vista ─ escancara em pouco mais de quatro minutos um crime com claríssimas motivações políticas. Ouça o que dizem o promotor designado para o caso e o irmão do morto insepulto sobre a usina de dinheiro sujo, instalada na prefeitura de Santo André, que abasteceu com muitos milhões de reais os cofres do PT. Ouça as acusações explícitas feitas por Bruno Daniel a Gilberto Carvalho, José Dirceu e Miriam Belchior. E tente entender por que a trinca nem contesta as declarações nem aciona judicialmente o declarante.

Se a versão do crime comum não fosse apenas outro embuste, os Altos Companheiros estariam berrando há dez anos que a polícia de Geraldo Alckmin, que governava São Paulo em janeiro de 2002, é tão inepta que, além de não ter garantido a vida do prefeito, não consegue esclarecer o episódio e identificar todos os assassinos. Em vez disso, Gilberto, Dirceu e Miriam não comentam o episódio sequer para lamentar o trágico destino de Celso Daniel. Eles sabem o que não devem dizer. O silêncio estrepitoso das caixas-pretas é tão revelador quanto a mais minuciosa das confissões.

22/12/2011

às 20:09 \ Direto ao Ponto

O Supremo fica bem mais sensato com uma faca imaginária no pescoço

Às nove e meia da noite de 28 de agosto de 2007, o ministro Ricardo Lewandowski chegou ao restaurante em Brasília ansioso por comentar com alguém de confiança a sessão do Supremo Tribunal Federal que tratara da denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, sobre o escândalo do mensalão. Por ampla maioria, os juízes endossaram o parecer do relator Joaquim Barbosa e decidiram processar os 40 acusados de envolvimento na trama. Sem paciência para esperar o jantar, Lewandowski deixou a acompanhante na mesa, foi para o jardim na parte externa, sacou o celular do bolso do terno e, sem perceber que havia uma repórter da Folha por perto, ligou para um certo Marcelo. Como não parou de caminhar enquanto falava, a jornalista não ouviu tudo o que disse durante a conversa de 10 minutos. Mas qualquer das frases que anotou valia manchete.

“A tendência era amaciar para o Dirceu”, revelou de saída o ministro, que atribuiu o recuo dos colegas a pressões geradas pelo noticiário jornalístico. “A imprensa acuou o Supremo”, queixou-se. Mais algumas considerações e o melhor momento do palavrório: “Todo mundo votou com a faca no pescoço”.  Todo mundo menos ele: o risco de afrontar a opinião pública não lhe reduziu a disposição de amaciar para José Dirceu, acusado de “chefe da organização criminosa”. Só Lewandowski ─ contrariando o parecer de Joaquim Barbosa, a denúncia do procurador-geral e a catarata de evidências ─ discordou do enquadramento do ex-chefe da Casa Civil por formação de quadrilha. “Não ficou suficientemente comprovada  a acusação”, alegou. O mesmo pretexto animou-o a tentar resgatar também José Genoíno. Ninguém divergiu tantas vezes do voto de Joaquim Barbosa: 12. Foi até pouco, gabou-se na conversa com Marcelo: “Tenha certeza disso. Eu estava tinindo nos cascos”.

Ele está tinindo nos cascos desde 16 de março de 2006, quando chegou ao STF 26 dias antes da denúncia do procurador-geral. Primeiro ministro nomeado por Lula depois do mensalão, Lewandowski ainda não aprendera a ajeitar a toga nos ombros sem a ajuda das mãos quando virou doutor no assunto. Para tornar-se candidato a uma toga, bastou-lhe a influência da madrinha Marisa Letícia, que transmitiu ao marido os elogios que a mãe do promissor advogado vivia fazendo ao filho quando eram vizinhas em São Bernardo. Mas só conseguiu a vaga graças às opiniões sobre o mensalão, emitidas em encontros reservados com emissários do Planalto. Ele sempre soube que Lula não queria indicar um grande jurista. Queria um parceiro de confiança, que o ajudasse a manter em liberdade os bandidos de estimação.

Passados mais de quatro anos, Lewandowski é o líder da bancada governista no STF ─ e  continua tinindo nos cascos, comprovou a  recente entrevista publicada pela Folha. Designado revisor do voto do relator Joaquim Barbosa, aproveitou a amável troca de ideias para comunicar à nação que os mensaleiros não seriam julgados antes de 2013. “Terei que fazer um voto paralelo”, explicou com o ar blasé de quem chupa um Chicabon. “São mais de 130 volumes. São mais de 600 páginas de depoimentos. Tenho que ler volume por volume, porque não posso condenar um cidadão sem ler as provas. Quando eu receber o processo eu vou começar do zero”. Como o relatório de Joaquim Barbosa deveria ficar pronto em março ou abril, como precisaria de seis meses para cumprir a missão, só poderia cloncluir seu voto no fim de 2012. O atraso beneficiaria muitos réus com a prescrição dos crimes, concedeu, mas o que se há de fazer? As leis brasileiras são assim. E assim deve agir um magistrado judicioso.

A conversa fiada foi bruscamente interrompida por Joaquim Barbosa, que estragou o Natal de Lewandowski e piorou o Ano Novo dos mensaleiros com o presente indesejado. Nesta segunda-feira, o ministro entregou ao revisor sem pressa o relatório, concluído no fim de semana, todas as páginas do processo e um lembrete desmoralizante: “Os autos do processo, há mais de quatro anos, estão digitalizados e disponíveis eletronicamente na base de dados do Supremo Tribunal Federal”, lembrou Barboza. Lewandowski, portanto, só vai começar do zero porque quis. De todo modo, o que disse à Folha o obriga a terminar a tarefa no primeiro semestre. Se puder, vai demorar seis meses para formalizar o que já está resolvido há seis anos: vai absolver os chefes da quadrilha por falta de provas.

As sucessivas manobras engendradas para adiar o julgamento confirmam que os pecadores não estão convencidos de que a bancada governista no STF é majoritária. Ficarão menos intranquilos se Cezar Peluso e Ayres Brito, que se aproximam da aposentadoria compulsória, forem substituídos por gente capaz de acreditar que o mensalão não existiu. Para impedir que o STF faça a opção pelo suicídio moral, o Brasil decente deve aprender a lição contida na conversa telefônica de 2007. Já que ficam mais sensatos com a faca no pescoço, os ministros do Supremo devem voltar a sentir a carótida afagada pelo fio da lâmina imaginária.

20/12/2011

às 18:45 \ Homem sem Visão

Doutor Márcio recebe o troféu de HSV de 2011 aplaudido pelos 36 mensaleiros

“Era isso que faltava para que eu me sentisse completamente realizado”, emocionou-se Márcio Thomaz Bastos no discurso de agradecimento pela conquista do título de Homem sem Visão do Ano. O troféu, entregue pela primeira vez em 2009 a Dilma Rousseff, foi recebido pelo ex-ministro das mãos de Franklin Martins, HSV de 2010. A festa de premiação, realizada na sede do Supremo Tribunal Federal, contou com a presença dos 36 mensaleiros, que formaram um cortejo chefiado por José Dirceu, e de outros clientes notórios do jurista especializado em livrar da cadeia os mais ferozes atropeladores do Código Penal.

Olhos lacrimejantes, voz embargada, o guerrilheiro de festim afirmou que ninguém merecia tanto o prêmio quanto “o querido MTB, que é um gênio”. Segundo Dirceu,  “MTB enxergou recursos não contabilizados em vez de mensalão e viu só dinheiro de caixa dois nas malas do Marcos Valério”. Um estagiário do escritório do campeão confidenciou que o doutor do mensalão ficou comovido com o comparecimento maciço da clientela. “O chefe disse que só não apareceram os foragidos, como o doutor Abdelmassih”, revelou o jovem bacharel.

Um slide show preparado pelo Instituto Lula registrou alguns dos melhores momentos da carreira de MTB. Trechos de discursos em que o HSV de 2011 tenta provar que algum delinquente é coroinha se alternaram com depoimentos de pecadores absolvidos graças ao campeão. “Eu já nem me lembrava dos estudantes que queimaram aquele índio pataxó”, sorriu o homenageado. Outros depoentes se referiram ao vencedor como “Consultor Geral dos Quadrilheiros do Mensalão” e “Protetor Perpétuo dos Bandidos de Estimação”.

No fim do discurso de agradecimentos, o orador surpreendeu a plateia ao declinar o nome do mais novo cliente. “Decidi defender, de graça, o senhor Carlos Lupi, vice-campeão desta bonita disputa”, informou. Antes da cerimônia, o ex-ministro do Trabalho prometera impugnar o resultado. “O PT conspirou contra mim para eleger o doutor Márcio”, queixou-se o candidato que liderou a votação da enquete durante a maior parte do segundo turno. “Não amo mais a Dilma!”, desabafou. Depois da festa, Lupi e Márcio saíram para jantar abraçados. “De graça, o chefe topa até injeção na veia”, comentou um ex-assessor do ex-ministro despejado por ladroagem. “Você acha que vai recusar um Márcio Thomaz Bastos com o camburão por perto?”

Foi mais uma eleição histórica, leitores-eleitores! Todos cumpriram o dever cívico de escolher o pior entre os piores! O troféu continua em 2012! Quem se juntará a Dilma Rousseff (HSV de 2009), Franklin Martins (HSV de 2010) e Márcio Thomaz Bastos (HSV de 2011) na galeria dos campeões imortais? A luta continua! E que vença o pior!

09/12/2011

às 23:11 \ Sanatório Geral

Guerrilheiro assustado

“É imprescindível pensar na criação de um órgão específico para cuidar da aplicação e fiscalização da lei.”

José Dirceu, ainda em liberdade, cada vez mais inquieto com a aproximação do julgamento do mensalão, sonhando de novo com a implantação do “controle social da mídia” (novo codinome da censura à imprensa), agora acompanhada de um “órgão específico” que vai servir, simultaneamente, de sede de quadrilha e cabideiro de empregos para a companheirada.

06/12/2011

às 19:17 \ Homem sem Visão

Carlos Lupi leva o troféu de novembro e rouba a última vaga para a disputa da finalíssima que elegerá o HSV do Ano

“Dedico esta vitória à presidente! Dilma, eu te amo!”, berrou Carlos Lupi ao receber o título de Homem sem Visão de Novembro. “Se o Brasil não soubesse a quem pertence meu coração, eu não conseguiria um troféu que vale mais que o Ministério do Trabalho”. Estreante na briga de foice reprisada a cada mês, o canastrão apaixonado cresceu na enquete depois que Dilma foi ao encontro de Hugo Chávez na Venezuela e o deixou só em em Brasília. Exposto aos ataques de jornalistas e integrantes da Comissão de Ética Pública, Lupi resolveu deixar o governo e dedicar-se à disputa do título de HSV do Ano.

Lanterninha entre os quatro classificados para o segundo turno, o rufião de cabaré protagonizou uma emocionante virada na enquete. A vitória garantiu-lhe um lugar ao lado de outros nove campeões que disputarão o troféu de 2011. “O chefe ficou muito orgulhoso por ter derrotado José Sarney, que precisava vencer para tocar em frente o projeto de limpeza da imagem”, confidenciou um motorista cedido a Lupi por Paulinho da Força.

Com 1.409 votos (43% do total de 3.289), Lupi superou três concorrentes de peso.  Mesmo com o apoio de Marta Suplicy, o ministro Fernando Haddad conseguiu seduzir  708 eleitores (22%). A medalha de bronze ficou com José Dirceu (687 votos, 21% do total). Vitorioso no primeiro turno, José Sarney amargou o último lugar com apenas 484 votos (15%).

Foi uma eleição de tirar o fôlego, leitores-eleitores! Mais uma bonita demonstração de civismo e discernimento! Ainda nesta semana, dez ganhadores do troféu mensal  começarão a disputar na enquete o título menos cobiçado por qualquer candidato! O Homem sem Visão de 2011 vem aí! Que vença o pior!


 

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