01/12/2011
às 22:09 \ FrasesBoa noite
“Separação é só profissional.”
Fátima Bernardes, jornalista, anunciando sua saída do Jornal Nacional, programa que apresenta ao lado do marido, William Bonner.
01/12/2011
às 22:09 \ FrasesFátima Bernardes, jornalista, anunciando sua saída do Jornal Nacional, programa que apresenta ao lado do marido, William Bonner.
03/06/2011
às 21:48 \ Direto ao PontoO rosto pálido, as mãos trêmulas, os lábios secos, a voz gaguejante, os pigarros interrompendo a frase como vírgulas bêbadas, a impossibilidade de consumar o gesto de agarrar o copo d’água ─ os incontáveis sintomas de nervosismo bastariam para transformar a entrevista concedida por Antonio Palocci à TV Globo numa confissão de culpa. Mas o conteúdo foi pior que a forma: o chefe da Casa Civil não explicou nada. Enredou-se em fantasias desconexas, negou-se a revelar os nomes dos clientes, confundiu-se com números e porcentagens, buscou refúgio na amnésia malandra, inventou a única empresa do mundo que ganhou mais dinheiro quando resolveu fechar as portas. Palocci naufragou num palavrório tão raso que, na imagem de Nelson Rodrigues, uma formiga conseguiria atravessá-lo com água pelas canelas.
Em 17 de julho de 2005, levado às cordas pelo escândalo do mensalão, o presidente Lula fez de conta que aprendera a lição antiga como o mundo: “A desgraça da mentira é que, ao contar a primeira, você passa a vida inteira contando mentiras para justificar a primeira que você contou”, constatou numa entrevista ao Fantástico. “Trabalhar com a verdade é muito melhor”. O problema é que a verdade é incompatível com mitômanos e megalomaníacos. Portador das duas patologias, Lula seguiu contando um mentira atrás da outra. No momento, jura que o mensalão nem existiu.
Em 2006, no depoimento à Corregedoria do Senado, o caseiro Francenildo Costa repetiu, com sinceridade, a lição que Lula declamou por esperteza: “O lado mais fraco não é o do caseiro, é o da mentira”, ensinou a vítima de Palocci. “Duro é falar mentira que você tem que ficar pensando. A verdade é fácil”. Como Lula, Palocci foi longe demais para reconciliar-se com a verdade. Vai seguir mentindo até a queda, que só falta agora ser formalizada.
Se foram essas as explicações oferecidas à Procuradoria-Geral da República, Roberto Gurgel não pode alegar que ainda não conseguiu enxergar com nitidez um traficante de influência instalado na chefia da Casa Civil. Se o que tem a dizer é o que disse à Globo, a presidente Dilma Rousseff tem o dever de demiti-lo imediatamente. O que não pode ser repetido é o embuste desta sexta-feira.
Os brasileiros honestos não merecem ver pela segunda vez na TV, protagonizando o espetáculo do cinismo mal ensaiado, o homem que não merecia uma segunda chance.
Tags: Antonio Palocci, Casa Civil, Dilma Rousseff, Francenildo Costa, Jornal Nacional, Lula, mentira, Nelson Rodrigues
18/10/2010
às 20:18 \ Direto ao Ponto“Ninguém controla o governo inteiro”, repetiu no Jornal Nacional desta segunda-feira Dilma Rousseff, ainda agarrada à versão tão convincente quanto um sorriso de Marco Aurélio Garcia: uma chefe da Casa Civil não consegue enxergar uma quadrilha em ação na sala ao lado. A roubalheira promovida pela turma da melhor amiga Erenice Guerra correu solta, mas Dilma descobriu só agora que qualificou de “factoide” um balaio de crimes capitulados no Código Penal.
“Estou indignada”, informou com a voz de quem está ensaiando a Ave Maria. A indignação não tem nada a ver com as patifarias do sobrinho honorário Israel Guerra, nem com as negociatas envolvendo os Correios, a Anac e a Infraero, muito menos com a transformação da Casa Civil em covil. O que a deixa irritada é nepotismo.
“A Erenice errou”, disse. “Erro”, como ensina o Mestre Lula, é um crime cometido por bandidos de estimação. E Dilma sempre fez questão de expor publicamente a especial estima devotada à figura que indicou para substituí-la no ministério mais importante da República. Ao despedir-se do cargo para dedicar-se à campanha presidencial, como mostra o vídeo, ela deixou o Planalto de braços dados com Erenice. A demonstração de afeto ficou com jeito de coisa de comparsa.
William Bonner quis saber o que produziu a mais recente conversão protagonizada por Ciro Gomes. Ainda outro dia, o companheiro do Ceará achava que José Serra está muito mais preparado que Dilma para assumir a Presidência, que o PMDB é um “ajuntamento de assaltantes” e que o candidato a vice Michel Temer é “o chefe da turma”. Como é que virou coordenador da campanha da aliança governista?
“O Ciro ficô magoado pela circunstância que levô ele a não sê candidato”, respondeu Dilma. Simples assim. Amainado o chilique, Ciro entendeu que quem não tem preparo é o outro, que o PMDB é um exército de voluntários da pátria e que Temer sempre serviu aos interesses da nação.
Ao saber que o tempo da entrevista estava no fim, fingiu que queria mais. Está na hora de ter o desejo atendido por José Serra num debate na TV.
Tags: Ciro Gomes, Dilma Rousseff, Erenice Guerra, Israel Guerra, Jornal Nacional, José Serra, Willian Bonner
13/08/2010
às 19:00 \ Sanatório GeralHenrique Eduardo Alves, deputado da base alugada, setor PMDB, guichê do Rio Grande do Norte, começando a apresentar os mesmos sintomas que atordoam Marcelo Branco, o Cabeleira Cibernética.
Tags: comício eletrônico, Henrique Eduardo Alves, Jornal Nacional, Serra
11/08/2010
às 22:33 \ Homem sem Visão“O chefe não para de dizer que, em julho, só foi citado oito vezes na coluna e que a média dos meses anteriores era de dez”, contou um assessor de Marcelo Branco durante o lançamento da candidatura do Cabeleira Cibernética ao título de Homem sem Visão de Agosto. Segundo candidato a entrar na disputa, o coordenador da campanha de Dilma Rousseff na internet foi indicado por não enxergar Lula no Jornal Nacional, onde Lula aparece todos os dias.
“Ele acha que é tudo conspiração”, confidenciou a fonte. “A coisa começou com o 45 do comercial dos 45 anos da Globo e piorou agora com esses 20% a menos na Globo”. No momento, Branco se dedica à tarefa de contar quantas vezes o nome da Dilma apareceu nos cinco maiores jornais desde o começo da campanha, para provar que os editores são tucanos e ajudam José Serra. “Até agora são 30.479 Serra contra 30.470 Dilma”, revelou o assessor.
A disputa está cada vez mais emocionante, leitores-eleitores! É briga de foice no escuro! Mais candidatos ainda vão surgir! Quem merece o troféu que só piora o prontuário? Que vença o pior!
Tags: assessor, Cabeleira Cibernética, Dilma Rousseff, Globo, Jornal Nacional, Marcelo Branco, troféu
11/08/2010
às 19:34 \ Direto ao PontoO presidente da República conta piadas obscenas na presença de mulheres, relata intimidades conjugais em palavrórios no palanque e, pelos arrulhos que anda trocando com o neocompanheiro, não achou grave a afronta infligida à filha Lurian e a ele próprio por Fernando Collor na campanha de 1989, quando sua ex-namorada Miriam Cordeiro foi alugada pelo adversário para acusar Lula de ter tentado forçá-la a interromper a gravidez com um abordo. Piadas grosseiras, revelações personalíssimas, agressões brutais ─ nada disso pode parecer constrangedor aos olhos e ouvidos femininos.
O que Lula considera intolerável é perguntar a uma mulher que disputa a Presidência da República o que o eleitorado deseja saber. “Eu esperava que o entrevistador tivesse um pouco mais de gentileza”, queixou-se nesta terça-feira durante a discurseira em Belo Horizonte. Sempre escondendo o nome do acusado, Lula decidiu que o jornalista William Bonner, no Jornal Nacional de segunda-feira, foi descortês descortês com a entrevistada Dilma Rousseff. Deveria tratá-la com muita delicadeza, ensinou, “pelo fato de ser mulher e ser candidata”.
Lula assistiu ao mesmo programa em que milhões de brasileiros viram apenas um William Bonner incisivo, como deve ser todo entrevistador, mas exemplarmente educado. Por que resolveu enxergar agressões inexistentes? Para agredir a liberdade de imprensa, inibir os donos de empresas jornalísticas e, sobretudo, ameaçar os entrevistadores. O padrinho só ficará satisfeito quando todos perguntarem o que a afilhada acha da beleza da mulher brasileira, do Carnaval do Rio ou do presidente Lula.
Se acha mesmo que William Bonner protagonizou um caso de descortesia com mulheres, Lula deve apresentar-se imediatamente à delegacia mais próxima pelo caso de polícia que estrelou em 1984. Acusada de votar em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, a deputada Bete Mendes ─ mulher, até prova em contrário ─ foi expulsa por Lula do PT. Em Belo Horizonte, jurou que “aprendeu muito” com Tancredo. Se fosse sincero, enviaria a Bete Mendes centenas de buquês de rosas semelhantes à que a candidata que inventou ganhou do chefe “pela calma e tranquilidade que teve no Jornal Nacional”.
Lula ficou indignado com William Bonner por ter castigado Dilma Rousseff com três ou quatro perguntas muito pertinentes. Acha que, por ser mulher, só merece gentilezas. A iraniana Sakineh Ashtiani foi condenada à morte por apedrejamento pelo companheiro Mahmoud Ahmadinejad. Ontem, Lula não tinha nada a dizer sobre a mulher que vai morrer. Estava indignado com a aplicação das sanções aprovadas pela ONU. Acha que um homem como Ahmadinejad não deve ser castigado. Não é mulher nem candidata, mas merece tratamento tão gentil quanto o que exige para Dilma Rousseff.
Tags: Dilma Rousseff, entrevista, Fernando Collor, Jornal Nacional, Lula, Lurian, Mirian Cordeiro, mulher, Willian Bonner
10/08/2010
às 12:07 \ Direto ao PontoAté ser promovida a candidata, Dilma Rousseff só fez de conta que nunca foi contrária ao Plano Real. Há dois meses, começou a insinuar que o governo Lula pôde reconstruir o Brasil por ter, primeiro, liquidado a inflação. Na entrevista ao Jornal Nacional, dispensou-se de pudores: para justificar as anêmicas taxas de crescimento registradas nestes sete anos e meio, garantiu que o chefe herdou um país flagelado pela inflação sem controle.
Está claro que é a cabeça de Dilma que não tem controle, mas é improvável que tenha esquecido o que testemunhou já perto dos 50 anos. Como recordam até os feirantes amnésicos, a inflação selvagem se aproximava do índice mensal de 40% quando foi domada em meados de 1994 pelo Plano Real, concebido no governo Itamar Franco por uma equipe de economistas liderada pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso.
Comandado por Lula, e amparado em argumentos emprestados pela professora Maria da Conceição Tavares ao aluno Aloízio Mercadante, o melhor da turma dos piores, o PT se opôs com virulência à aprovação do plano. Comandado por Leonel Brizola, o PDT endossou a ideia de matar no berço as medidas que erradicaram a praga inflacionária. Dilma Rousseff endossou sem ressalvas a posição do partido a que foi filiada até ser atraída por uma proposta de emprego do PT.
Enjaulado abaixo de 1% ao mês durante oito anos, o monstro ameaçou acordar em novembro de 2002, contagiado pela excitação dos investidores internacionais com a vitória de Lula, O próprio Fernando Henrique Cardoso cuidou de tranquilizar os amedrontados, o presidente eleito reafirmou publicamente que manteria as diretrizes da política econômica e já em dezembro o índice caiu. Lula assumiu um país em ordem.
Com um sorriso de aeromoça, Dilma fuzilou a verdade diante de milhões de espectadores. Com a naturalidade de quem nunca viu nada de errado na expropriação do patrimônio alheio, protagonizou a tentativa de assalto, transmitida ao vivo, que tem por alvo a maior façanha de Fernando Henrique Cardoso. Cabe à oposição impedir a consumação do roubo. E cumpre a José Serra ordenar à adversária, com todas as letras e sem rapapés, que pare imediatamente de contar mentiras.
Tags: Dilma Rousseff, Fernando Henrique Cardoso, inflação, Jornal Nacional, Lula, Plano Real
22/07/2010
às 22:57 \ Sanatório GeralPaulo Vannuchi, secretário dos Direitos Humanos em campanha permanente pela implantação do controle social da mídia, explicando que o Brasil só será um país justo quando a audiência do Jornal Nacional for dividida por decreto entre as demais emissoras, reservando-se à TV Brasil uma fatia maior que as outras.
Tags: controle social da mídia, Jornal Nacional, Paulo Vannuchi
15/06/2010
às 20:47 \ História em ImagensA coluna descobriu há alguns meses por que o presidente foge de debates com o antecessor como o diabo foge da cruz: a sigla FHC produz sobre o SuperLula os mesmos efeitos causados ao Super-Homem pela kriptonita. O vídeo gravado na campanha de 2006, que reproduz um trecho da entrevista concedida ao Jornal Nacional pelo candidato à reeleição, mostra o que acontece quando o palanqueiro louco por um microfone ouve duas palavras mágicas: mensalão e ética.
Convidado a explicar o que fará para afastar a sensação generalizada de que o Planalto se associou aos mensaleiros, Lula precisa de poucos segundos para a derrapagem espetacular: olhos baços, voz insegura, cara de preso em flagrante, afirma que uma das principais bandeiras do seu governo é “o combate à ética”. Foi muito mais que uma resposta, sabe-se hoje. Foi uma confissão.
Tags: 2006, combate à ética, Jornal Nacional, Lula, mensalão
17/12/2009
às 21:13 \ História em ImagensEm 19 de julho de 2007, numa sala do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia assistia ao Jornal Nacional em companhia de um assessor sem saber que uma câmera de TV vigiava suas reações. Perto das 20h30, o apresentador informou que a tragédia com o avião da TAM em Congonhas, ocorrida dias antes, fora provavelmente provocado por falhas mecânicas, não pelo péssimo estado da pista.
Quer dizer que o governo não tem culpa?, animou-se o conselheiro presidencial para assuntos cucarachas. Feliz, esqueceu os mortos, a compostura, a sensatez, a compaixão. Só pensou na imprensa golpista, que incluíra, entre as causas possíveis, a comprovada incompetência do governo para lidar com a aviação civil em geral e, em particular, com os aeroportos. E revidou com um gesto assombroso, secundado pela movimentação repulsiva do assessor.
Foi o mais obsceno top-top-top da história. Vale replay.
Tags: avião da TAM, Congonhas, Jornal Nacional, Marco Aurélio Garcia, Palácio do Planalto, top-top-top, tragédia