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Joaquim Barbosa

22/08/2011

às 21:25 \ Direto ao Ponto

Lembranças do pai de todos os escândalos

Relator do processo do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa informa que o prazo para a prescrição do crime de formação de quadrilha começou a ser contado a partir da aceitação pelo Supremo Tribunal Federal da denúncia da Procuradoria Geral da República. Nenhum dos acusados, portanto, poderá valer-se desse trunfo legal para escapar do julgamento previsto para março de 2012. O companheiro José Dirceu, por exemplo, não será julgado apenas por corrupção ativa. O STF terá de decidir o que fazer com o chefe da organização criminosa.

As lembranças do mensalão escavadas pelos repórteres Aiuri Rebello e Fernanda Nascimento, reunidas na seção História em Imagens, ajudam a refrescar a curta memória nacional. E reafirmam que o desfecho do processo que trata do pai de todos os escândalos da Era Lula dirá se o Brasil está a caminho do mundo civilizado ou do tempo das cavernas.

22/08/2011

às 19:23 \ História em Imagens

Lembranças do mensalão

Aiuri Rebello e Fernanda Nascimento

Em maio de 2005, o chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho, foi filmado embolsando 3 mil reais de um empresário. O que parecia ser apenas um flagrante de propina transformou-se na origem do pai de todos os escândalos quando Marinho revelou que o dinheiro iria para o PTB, dirigido pelo deputado Roberto Jefferson. Ao perceber que o governo não se esforçaria para impedir a instauração de uma CPI para investigar o assunto, Jefferson afundou atirando. A memória curta dos eleitores não consegue guardar todas as cenas de um dos maiores shows de horrores que tiveram como palco o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto. Veja alguns dos melhores momentos do caso que monopolizou a atenção do Brasil durante três meses.

Acusados nominalmente por Roberto Jefferson, os integrantes da cúpula do PT, com o endosso do presidente Lula, dispararam negativas. “Nunca ouvi, nunca conversei, nunca tratei com nenhum parlamentar de troca de apoio por dinheiro”, rebateu José Genoíno, então presidente do Partido dos Trabalhadores. “Nunca tinha ouvido falar”, emendou o ex-secretário-geral do partido Silvio Pereira.

O dinheiro utilizado para pagar os parlamentares vinha de “recursos não contabilizados” doados por empresas para o financiamento de campanhas políticas e de verbas desviadas de estatais. No dia 12 de agosto, o publicitário Duda Mendonça, que organizou a campanha vitoriosa de Lula, contou que recebeu milhões de dólares em contas no exterior, orientado pelo empresário Marcos Valério.

O deputado Valdemar Costa Neto, acusado de receber dinheiro do PT em nome da sigla que presidia, o Partido Liberal (atual PR), ensaiou o mesmo discurso. Mas o depoimento de sua ex-mulher Maria Christina Mendes Caldeira esmagou a argumentação do deputado. Em menos de duas semanas, Valdemar renunciou ao mandato para não ser cassado.

As repercussões do mensalão atrapalharam por algum tempo os projetos políticos dos envolvidos no escândalo, mas não encerraram a carreira dos réus. José Genoíno, que não conseguiu se eleger deputado federal em 2010, hoje despacha numa sala no Ministério da Defesa, contratado como assessor especial. Valdemar Costa Neto aproveitou-se da sobra de votos do palhaço Tiririca para ganhar uma cadeira na Câmara dos Deputados, de onde continuou comandando o PR. Aos indignados, resta aguardar o destino dos 38 acusados no Superior Tribunal Federal (STF), que aceitou a denúncia em 2007, no processo relatado pelo ministro Joaquim Barbosa.

11/06/2011

às 18:24 \ Direto ao Ponto

A bancada das togas agradecidas

Dos ministros que libertaram Cesare Battisti, só Marco Aurélio Mello ─ nomeado pelo primo Fernando Collor de Mello ─ não deve a toga a Lula. Os outros cinco chegaram ao Supremo Tribunal Federal pelas mãos do palanqueiro itinerante. E nenhum escapou da sabatina decisiva com Márcio Thomaz Bastos, advogado e amigo de Lula antes e depois da passagem pelo Ministério da Justiça.

Desde janeiro de 2003, cumpre a Márcio verificar pessoalmente se o chefe pode confiar no candidato, mesmo se indicado por padrinhos influentes. Coube a Frei Betto, por exemplo, apresentar Joaquim Barbosa ao presidente interessado em nomear um jurista negro. O nome de Ricardo Lewandowski foi soprado ao marido por Marisa Letícia, que havia sido vizinha da mãe do doutor em São Bernardo e vivia ouvindo referências elogiosas ao filho sabido.

Ayres Britto nem precisou de protetores: o presidente o conhecia desde 1990, quando tentou eleger-se deputado federal pelo PT de Sergipe. Carmen Lúcia ganhou a vaga porque o chefe do Executivo resolveu que o STF precisava de mais uma mulher. Luiz Fux, oficialmente nomeado por Dilma Rousseff, já estava escolhido quando o governo começou. Sempre depois de submeter o favorito à triagem de Márcio Thomaz Bastos, Lula incluiu em seu legado a vaga reservada ao candidato de Sérgio Cabral.

Numa das mais lastimáveis sessões da história do Supremo, os cinco, apoiados por Marco Aurélio Mello, transformaram o presidente da República no único e incontrastável árbitro de pedidos de extradição. Parece não fazer sentido. Mas faz.

09/05/2011

às 17:30 \ Direto ao Ponto

Isto é José Genoíno

Quem quiser conhecer a obra de José Genoíno só precisa consultar o relatório da CPI dos Correios, a denúncia de Antonio Fernando de Souza, então procurador-geral da República, e o parecer do ministro Joaquim Barboza que resultou no processo que registra as pilantragens de 40 mensaleiros. Quem quiser conhecer a alma do réu condecorado pelo ministro Nelson Jobim só precisa ver o vídeo de 9 minutos reprisado na seção O País quer Saber. Não perca.

22/03/2011

às 20:56 \ Frases

Moreno escuro

“Essa história de foro privilegiado não dá em nada. O nosso Ronaldo Cunha Lima precisou ter a coragem de renunciar ao cargo para não sair daqui algemado, e, depois, você cai nas mãos daquele moreno escuro lá no Supremo. Aí, já viu”.

Júlio Campos, deputado federal do DEM do Mato Grosso, durante a reunião da bancada do partido, ao criticar a eficácia do foro privilegiado e defender a prisão especial para autoridades, referindo-se ao ministro Joaquim Barbosa .

22/03/2011

às 20:33 \ Sanatório Geral

O soneto e a emenda

“Essa história de foro privilegiado não dá em nada. O nosso Ronaldo Cunha Lima precisou ter a coragem de renunciar ao cargo para não sair daqui algemado, e, depois, você cai nas mãos daquele moreno escuro lá no Supremo. Aí, já viu”.

Júlio Campos, deputado federal do DEM do Mato Grosso, durante a reunião da bancada do partido, ao criticar a eficácia do foro privilegiado e defender a prisão especial para autoridades, referindo-se com a polidez habitual ao ministro Joaquim Barbosa .

“Eu falei: ‘O ilustre ministro moreno escuro’, que não me lembro o nome. Não foi com nenhuma maldade. Não foi desdém com ninguém. Foi porque eu não me lembrava”.

Júlio Campos, ao ser confrontado com o comentário depois da reunião, esclarecendo que o ministro Joaquim Barbosa é um moreno escuro ilustre.

17/12/2010

às 20:01 \ História em Imagens

Confira 13 momentos da denúncia do procurador-geral que mostram José Dirceu no comando da quadrilha do mensalão

No depoimento em que escancarou as catacumbas do mensalão, o deputado Roberto Jefferson ordenou ao ministro José Dirceu que deixasse imediatamente a chefia da Casa Civil. “Rápido! Sai daí rápido, Zé!”, determinou o presidente do PTB em 14 de junho de 2005, diante da plateia de parlamentares aglomerada na sala da CPI dos Correios. Despejado do Planalto dias depois, Dirceu teria o mandato cassado em dezembro.

Passados cinco anos, Dirceu repete que foi vítima de uma vingança política da oposição e se proclama inocente. A esperteza do guerrilheiro de festim é implodida pela denúncia apresentada em 30 de março de 2006 pelo então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, encampada quase integralmente no ano seguinte pelo ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal. Confira 13 momentos do histórico arrazoado em que aparece o nome de José Dirceu:

1)
A análise das movimentações financeiras dos investigados e das operações realizadas pelas instituições financeiras envolvidas no esquema demonstra que estes, fazendo tabula rasa da legislação vigente, mantinham um intenso mecanismo de lavagem de dinheiro com a omissão dos órgãos de controle, uma que possuíam o apoio político, administrativo e operacional de José Dirceu, que integrava o Governo e a cúpula do Partido dos Trabalhadores (…)

2)
O núcleo principal da quadrilha era composto pelo ex Ministro José Dirceu, o ex tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares, o ex Secretário-Geral do Partido dos Trabalhadores, Sílvio Pereira, e o ex Presidente do Partido dos Trabalhadores, José Genoíno. Como dirigentes máximos, tanto do ponto de vista formal quanto material, do Partido dos Trabalhadores, os denunciados, em conluio com outros integrantes do Partido, estabeleceram um engenhoso esquema de desvio de recursos de órgãos públicos e de empresas estatais e também de concessões de benefícios diretos ou indiretos a particulares em troca de ajuda financeira (…)

3)
As provas colhidas no curso do Inquérito demonstram exatamente a existência de uma complexa organização criminosa, dividida em três partes distintas, embora interligadas em sucessivas operações: a) núcleo central: José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoíno e Sílvio Pereira (…)

4)
Ante o teor dos elementos de convicção angariados na fase pré-processual, não remanesce qualquer dúvida de que os denunciados José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoíno e Sílvio Pereira, objetivando a compra de apoio político de outros Partidos Políticos e o financiamento futuro e pretérito (pagamento de dívidas) das suas próprias campanhas eleitorais associaram-se de forma estável e permanente aos denunciados (…) para o cometimento reiterado dos graves crimes descritos na presente denúncia (…)

5)
É certo que José Dirceu, então ocupante da importante Chefia da Casa Civil, em razão da força política e administrativa de que era detentor, competindo-lhe a decisão final sobre a indicação de cargos e funções estratégicas na administração pública federal, foi o principal articulador dessa engrenagem, garantindo-lhe a habitualidade e o sucesso. Sua atuação, na verdade, teve origem no período que presidiu o Partido dos Trabalhadores no curso da eleição presidencial de 2002 (…)

6)
Roberto Jefferson, com o conhecimento de quem vendia apoio político à organização delitiva ora denunciada, em todos os depoimentos prestados, apontou José Dirceu como o criador do esquema do “mensalão”. (…) Roberto Jefferson afirmou que todas as tratativas sobre a composição política, indicação de cargos, mudança de partidos por parlamentares para compor a base aliada em troca de dinheiro e compra de apoio político foram tratadas diretamente com o ex Ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu. Tratavam, inclusive, sobre o “mensalão”, matéria que foi objeto de conversa entre ambos em cinco ou seis oportunidades (…)

7)
Com a base probatória colhida, pode-se afirmar que José Genoíno, até pelo cargo partidário ocupado, era o interlocutor político visível da organização criminosa, contando com o auxílio direto de Sílvio Pereira, cuja função primordial na quadrilha era tratar de cargos a serem ocupados no Governo Federal. Delúbio Soares, por sua vez, era o principal elo com as demais ramificações operacionais da quadrilha (Marcos Valério e Rural) repassando as decisões adotadas pelo núcleo central. Tudo sob as ordens do denunciado José Dirceu, que tinha o domínio funcional de todos os crimes perpetrados, caracterizando-se, em arremate, como o chefe do organograma delituoso (…)

8 )
Merece destaque, para o completo entendimento de todos os mecanismos de funcionamento do esquema, a relevância do papel desempenhado por José Dirceu no Governo Federal. De fato, conforme foi sistematicamente noticiado pela imprensa após o início do Governo atual, José Dirceu inegavelmente era a segunda pessoa mais poderosa do Estado brasileiro, estando abaixo apenas do Presidente da República. Assim, a atuação voluntária e consciente do ex Ministro José Dirceu no esquema garantiu às instituições financeiras, empresas privadas e terceiros envolvidos que nada lhes aconteceria, como de fato não aconteceu até a eclosão do escândalo, e também que seriam beneficiados pelo Governo Federal em assuntos de seu interesse econômico, como de fato ocorreu (…)

9)
Marcos Valério, diante das claras evidências no sentido de que Delúbio Soares não atuava sozinho no Partido dos Trabalhadores, pois não teria a autonomia necessária para estruturar operações do porte das investigadas nos autos, admitiu que o então Ministro José Dirceu, representando a cúpula do Partido dos Trabalhadores e como alto integrante do Governo Federal, estava ciente dos esquemas de repasse de dinheiro estabelecidos com Delúbio Soares, tendo garantido as operações (…)

10)
Toda a estrutura montada por José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoíno e Sílvio Pereira tinha entre seus objetivos angariar ilicitamente o apoio de outros partidos políticos para formar a base de sustentação do Governo Federal. Nesse sentido, eles ofereceram e, posteriormente, pagaram vultuosas quantias a diversos parlamentares federais, principalmente os dirigentes partidários para receber apoio político do Partido Progressista (PP), Partido Liberal (PL), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e parte do Partido do Movimento Democrático Brasileiro ─ PMDB (…)

11)
Para a execução dos pagamentos de propina, José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoíno e Sílvio Pereira valeram-se dos serviços criminosos prestados por Marcos Valério, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, Rogério Tolentino, Simone Vasconcelos e Geiza Dias (…)

12)
Ao longo dos anos de 2003 e 2004, os denunciados Valdemar Costa Neto, Jacinto Lamas e Antônio Lamas receberam aproximadamente dez milhões e oitocentos mil reais a título de propina. O acordo criminoso com os denunciados José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoíno e Sílvio Pereira foi acertado na época da campanha eleitoral para Presidência da República em 2002, quando o PL participou da chapa vencedora (…)

13)
José Dirceu,
Delúbio Soares, José Genoíno e Sílvio Pereira, mediante pagamento de propina, adquiriram apoio político de Parlamentares Federais do Partido Trabalhista Brasileiro – PTB. Os pagamentos foram viabilizados pelo núcleo publicitário-financeiro da organização criminosa. Os parlamentares federais que receberam vantagem indevida foram José Carlos Martinez (falecido), Roberto Jefferson e Romeu Queiroz. Todos contaram com o auxílio direto na prática dos crimes de corrupção passiva do denunciado Emerson Palmieri (…)

José Dirceu foi acusado de formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa. Somadas as penas previstas para cada delito, pode ser engaiolado por cinco a 27 anos.

19/04/2010

às 18:22 \ História em Imagens

O presidente do time comete até perjúrio para ajudar o ex-capitão

Com o depoimento incorporado ao processo sobre o mensalão, o presidente Lula assumiu ostensivamente o posto de cúmplice do  antigo capitão do time do Planalto. “Desconheço qualquer fato desabonador sobre José Dirceu, que lutou pela democratização do Brasil, pagando com o exílio”, afirmou a testemunha sem compromisso com a verdade no começo de abril. “É um quadro político de grande relevância”.

Na denúncia encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, o então procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza entrou em colisão frontal com o chefe de governo. Dirceu aparece no documento como “chefe de uma organização criminosa sofisticada”. Ao encampar a denúncia, o ministro Joaquim Barbosa endossou o parecer: “José Dirceu agia como mentor do bando”, resumiu o relator.

Confira o vídeo e decida qual das três qualificações se ajusta ao figurino do ex-chefe da Casa Civil que hoje coordena a campanha de Dilma Rousseff.

21/12/2009

às 21:53 \ Homem sem Visão

Dilma manda passar o terninho. Amorim e Tarso disputam voto a voto a medalha de prata

A poucas horas da festa de premiação do maior evento cívico d3 2009, a Comissão Organizadora do Homem sem Visão do Ano compilou algumas singularidades da disputa que já tem campeã ─ Dilma Rousseff, a Pacheco de Terninho ─ mas ainda não definiu o nome do vice. No momento, com a votação avançando para a histórica marca dos 4.000 votos, Tarso Genro luta para eliminar a reduzida diferença que o separa de Celso Amorim e conquistar a medalha de prata. Para diminuir a tensão dos leitores-eleitores e dos concorrentes, a coluna divulga a lista montada pela Comissão Organizadora.

O berço dos HSVs – Dos seis Estados representados na eleição, três emplacaram trincas de campeões: Rio Grande do Sul (Marco Aurélio Garcia, Tarso Genro e João Pedro Stedile), Minas Gerais (Dilma Rousseff, Edmar Moreira e Joaquim Barbosa) e São Paulo (Celso Amorim, Aloísio Mercadante e José Antonio Toffoli). Os candidatos restantes são filhos de Sergipe (Ayres Britto), de Pernambuco ( Dom José Cardoso Sobrinho) e do Maranhão (José Sarney).

Berço de feras – Dos três paulistas, dois brincaram na mesma rua, frequentaram a mesma praia, tomaram sorvete na mesma sorveteria e faltaram às aulas nas mesma escolas. Ambos nascidos em Santos, Celso Amorim e Aloízio Mercadante não foram amigos de infância pela diferença de idade, mas os caprichos do destino acabaram por reuni-los no mesmo governo, no mesmo partido e na mesma finalíssima. Bonito, isso.
Não para a terra natal, acha a Câmara de Vereadores de Santos: num manifesto aprovado por unanimidade, o legislativo municipal comunicou nesta tarde que a boa gente da aprazível cidade litorânea não tem nada a ver com isso.

O decano e o caçula – Com 79 anos, Sarney é o mais idoso dos concorrentes. O mais novo é Toffol, com 42. Dono da maior votação individual do ano (973 votos em junho), Madre Superiora é um dos três representantes do Poder Legislativo.

Grupo de elite – Computados mais de 3.600 votos, os três primeiros colocados, todos produzidos pela montadora do Executivo, somavam 60% do total.  O índice sobe para 90% se forem incluídos os três seguintes.

Mulher é o Homem - Única mulher a conquistar uma vaga na finalíssima, Dilma Rousseff estreou nas urnas com o pé direito: a caminho dos 1.000 votos, já garantiu o troféu de 2009.  Ao ganhar a disputa de agosto, a filhote do Lula exigiu que o título não fosse adaptado às circunstâncias. ”Não quero ser a Mulher sem Visão do Ano”, explicou. ”Quero ser o Homem sem Visão do Ano, porque isso vai mostrar que uma mulher pode ser presidenta das brasileiras e também dos brasileiros”. Um assessor confidenciou que a versão feminina de Pacheco já mandou passar o terninho de gala que usará na cerimônia de premiação.

A luta está chegando ao fim, mas continua! A enquete só tem fera! Que os três piores subam ao pódio! E que vença o pior!

15/12/2009

às 17:25 \ Homem sem Visão

Começou a sensacional eleição que todo candidato quer perder

Qual é o pior entre os piores? Desafiados pela pergunta aflitiva, milhares de leitores-eleitores terão de escolher, a partir deste dia 15, o supercraque do time formado por 12 campeões da lambança, a estrela principal da constelação de espantos, o melhor da classe que reúne os gênios da sub-raça ─ o  Homem sem Visão do Ano.  É uma missão cívica e tanto.

As vagas do primeiro trimestre já tinham donos quando a coluna nasceu, em 22 de abril. Os vencedores de abril e maio foram escolhidos pelo colégio eleitoral composto pelos comentaristas. A partir de junho, o ganhador do troféu mensal foi apontado na enquete disputada pelos quatro mais votados no colégio eleitoral.

É um desafio histórico apontar apenas um entre tantos candidatos de quinta. A sorte é que o eleitorado é de primeira, como mostra a relação dos finalistas, apresentada a seguir em ordem alfabética:

Aloízio Mercadante (julho)

Paulista de Santos, 55 anos, o Herói da Rendição ficou mais de um mês sem enxergar direito as ordens de Lula. Exigiu, sempre na hora errada, que Sarney deixasse a presidência do Senado, ficasse no cargo ou pensasse melhor. Demitiu-se em caráter irrevogável pelo twitter. Revogou o irrevogável na tribuna.

Carlos Ayres Britto (novembro)

Sergipano de Propriá, 67 anos, o ministro do Supremo viu em Cesare Battisti um terrorista, mas também enxergou no chefe do Poder Executivo o chefe do Poder Judiciário. Acabou  concedendo ao presidente Lula o direito de cumprir ou rejeitar uma decisão do STF.

Celso Amorim (maio)

Paulista de Santos, 67 anos, o Pintassilgo do Planalto viu uma democracia no Irã, uma ditadura em Honduras, muita liberdade em Cuba, pouca nos Estados Unidos. O cartão de visitas diz que é chanceler do Brasil. Quem vê Amorim enxerga um chanceler de bolso da Frente Bolivariana.

Dilma Rousseff (agosto)

Mineira de Belo Horizonte, 62 anos, a Mãe do PAC e Tia do Pré-Sal passou o ano concentrada no Discurso sobre o Nada. Viu o que não existe, como o trem-bala e a chance de ser “presidenta”. Não enxerga direito onde fica o sujeito ou o predicado. Não viu sequer Lina Vieira dizendo “boa-noite” ao entrar na sala.

Edmar Moreira (fevereiro)

Mineiro de São João Nepomuceno, 70 anos, o Barão da Roça não enxergou, na hora de declarar seu patrimônio à Receita Federal, o castelo que construiu no interiorzão porque teve uma visão que mostrava milhares de fregueses chegando para a jogatina que o amigo Fernando Collor prometeu liberar quando fosse presidente.

João Pedro Stédile (janeiro)

Gaúcho de Lagoa Vermelha, 55 anos, o Solano Lopez de Hospício viu quartéis onde há barracas de lona preta e, no começo do ano, colocou-se à disposição do  bispo reprodutor Fernando Lugo para combater o Brasil, à frente das tropas do MST, no segundo tempo da Guerra do Paraguai.

Joaquim Barbosa (abril)

Mineiro de Paracatu, 55 anos, o ministro brigão foi eleito graças ao bate-boca com o presidente Gilmar Mendes em que viu togas caminhando pelas ruas e jagunços em fazendas de Goiás. Não enxergou nenhuma razão para processar o ilustre acusado.

José Antônio Dias Toffoli

Paulista de Marília, 42 anos, o Doutor em Nada não viu nada demais em assumir a vaga no Supremo que ganhou do chefe com duas reprovações em concursos para a magistratura no currículo, sem livros publicados, sem experiência jurídica e sem saber português.

José Cardoso Sobrinho, Dom (março)

Pernambucano de Caruaru, 76 anos, o arcebispo de Olinda e Recife enxergou pelo avesso no caso da menina que engravidou ao ser estuprada. Viu um inocente no responsável pelo crime e viu pecadores a excomungar na equipe médica que fez o aborto e na família da vítima.

10- José Sarney (junho)

Maranhense de Pinheiro, 79 anos, Madre Superiora é o campeão de votos do HSV. Elegeu-se por não conseguir enxergar a montanha de atos secretos nem a multidão, aglomerada no cabideiro de empregos do Senado, formada por parentes, amigos, vizinhos e protegidos em geral.

Marco Aurélio Garcia (dezembro)

Gaúcho de Porto Alegre, 68 anos, provou que uma boca à espera de um dentista não enxerga além de um milímetro de distância. Contemplou com toptoptops quem estava certo e sorriu com todos os 12 dentes para companheiros bolivarianos, psicopatas amigos e vigaristas internacionais.

Tarso Genro (setembro)

Gaúcho de São Borja, 62 anos, o Príncipe da Poesia Onanista viu um perseguido político onde existe o terrorista Cesare Battisti e enxergou uma ditadura na democracia italiana. Fantasiado de ministro da Justiça, discursou até em festa de batizado para absolver todos os culpados companheiros.

São esses os craques em campo! Escolha o vencedor da eleição que todos os candidatos querem perder! Depende do gosto do freguês! Não deixe de votar sem remorso em quem ninguém merece! E que vença o pior entre os piores!


 

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