Blogs e Colunistas

Itamaraty

03/04/2011

às 15:40 \ Direto ao Ponto

A homenagem do sindicato dos delegados da PF a Sarney criou outra brasileirice ultrajante: o investigado condecorado

“Polícia é polícia, bandido é bandido”, ensinou ao Brasil dos anos 70 o delinquente Lúcio Flávio Vilar Lírio, um tipo raro de criminoso que rejeitava ligações promíscuas com os homens da lei. Se tivesse sobrevivido, ele ficaria certamente perplexo com a homenagem prestada a José Sarney pelo Sindicato dos Delegados da Polícia Federal (Sindepol). Investigador é investigador, investigado é investigado, diria Lúcio Flávio ao delegado Joel Zarpellon Mazo, presidente do Sindepol.

Invocando os “bons serviços” prestados à instituição pelo presidente do Senado, Mazo entregou-lhe a medalha Deferência Polícia Federal. “Alguém só é considerado culpado depois do trânsito em julgado”, alegou. “A medalha é concedida aos que fizeram e fazem pela Polícia Federal e seus policiais”. O doutor está convidado a revelar que tipo de bom serviço Sarney andou prestando. A julgar pelo noticiário político-policial, o que mais tem feito o clã liderado por José Sarney é dar trabalho aos agentes da PF.

“Tudo isso foi levado em conta pelo conselho ao escolher o seu nome”, retrucou o delegado sindicalista. “Quem responde diante do Poder Judiciário brasileiro não é o presidente Sarney, mas o seu filho, e isso não se relaciona diretamente à pessoa dele”. Como se o primogênito pudesse fazer com qualquer sobrenome as coisas que faz impunemente. Como se o filho agisse agisse escondido do pai.

Os policiais que honram a instituição não podem perder a chance de mostrar que o Sindepol acabou de encenar mais um ato do interminável espetáculo da pouca vergonha. Basta confrontar o presidente da entidade com as conversas telefônicas gravadas pelos colegas escalados para a Operação Boi Barrica. Mazo ficará sabendo, por exemplo, que nos diálogos em código travados por integrantes da quadrilha José Sarney é o “Madre Superiora”, Fernando Sarney é o “Bomba” (ou “Bombinha”, ou “Madre”) e Edison Lobão é o “Magro Velho”.

Saberá, sobretudo, o que a turma andou fazendo. E talvez entenda que, se tivesse aprendido com Lúcio Flávio, não teria piorado o país com a criação de outra brasileirice ultrajante: o investigado condecorado.

Erenice Guerra, Ana Maria Amorim, Mariza Campos e Marisa Letícia

A gestação do tributo a Sarney pode ter começado em 20 de abril de 2010, quando Erenice Guerra foi condecorada com a Grã-Cruz da Ordem do Rio Branco. Agraciada em 2005 com a medalha de Grande Oficial, a melhor amiga de Dilma Rousseff esperou cinco anos para emocionar-se com a mais alta honraria conferida pelo Itamaraty, um privilégio reservado aos que “por qualquer motivo se tenham tornado merecedores do reconhecimento do Governo Brasileiro, servindo para estimular a prática de ações e feitos dignos de honrosa menção, bem como para distinguir serviços meritórios e virtudes cívicas”.

Em setembro passado, soterrada por provas e evidências de que reduzira a Casa Civil a um esconderijo da quadrilha formada por parentes e agregadas, a companheira meliante perdeu o status de ministra, perdeu a pose e perdeu a companhia permanente da Dilma. Mas manteve a medalha. Desde quarta-feira, tem um argumento a mais para recusar-se a devolvê-la. Pode exigir que Sarney devolva a dele primeiro.

22/02/2011

às 18:27 \ Direto ao Ponto

Para que os brasileiros deixem a Líbia, basta um pedido de Lula ao amigo e irmão Kadafi

Desde domingo, centenas de brasileiros em perigo na Líbia aguardam o pouso do avião fretado pelo Itamaraty. Desde domingo, o chanceler Antonio Patriota espera sentado a autorização do governo local para o pouso em algum aeroporto. Desde domingo, Lula faz de conta que conhece só de vista o homem que há 42 anos manda e desmanda no país. O que espera Patriota para interromper a amnésia malandra e recordar ao ex-presidente os tempos em que entrava sem bater na tenda beduína onde Muammar Kadafi conversa, descansa e dorme escoltado pela guarda pessoal só de mulheres?

Há pouco mais de um ano e meio, na reunião da União Africana realizada em Sirte, na Líbia, Lula e Kadafi andaram protagonizando cenas que, infiltradas em qualquer dramalhão de cinema, fariam a plateia inteira chorar lágrimas de esguicho.  “Meu amigo, meu irmão e líder”, derramou-se o convidado de honra, olhos nos olhos com o anfitrião, na abertura da discurseira. Kadafi pareceu especialmente comovido, naquele 1º de julho de 2009, ao ouvir o parceiro responsabilizar os países industrializados pelo “caráter perverso da ordem internacional”.

Em seguida, o orador acusou a imprensa em geral e os jornalistas brasileiros em particular de tratar com “preconceito premeditado” as relações amistosas entre os governos latino-americanos e as ditaduras da região. Só gente preconceituosa poderia fingir que não vê “a persistência e a visão de ganhos cumulativos que norteia os líderes africanos”, todos muito conscientes de que  “consolidar a democracia é um processo evolutivo”. Kadafi ficou tão animado com o palavrório que no encontro seguinte, promovido na Venezuela, propôs uma aliança militar, “nos moldes da OTAN”, entre os liberticidas africanos e os companheiros cucarachas.

No momento, o terrorista vocacional não tem tempo para pensar nessas grandezas: está inteiramente absorvido pela guerra de extermínio movida contra o povo líbio. Mas atenderá imediatamente ao telefone se souber que é Lula quem está do outro lado da linha. E, se ouvir o pedido, não se negará a suspender por algumas horas o bombardeio aéreo da população civil para permitir que o avião do Itamaraty recolha os brasileiros. Ninguém recusa o que pede um amigo e irmão. (Se recusar, o Brasil colherá mais uma prova de que a política externa da cafajestagem, parida pelo que Ricardo Setti batizou de “lulalato”, serviu apenas para envergonhar o país governado por um megalomaníaco).

Além de acionar o ex-presidente, Antonio Patriota deve reforçar urgentemente o esquema de segurança da embaixada na Líbia. Assustado com a força da insurreição popular, Kadafi tem consultado o companheiro Hugo Chavez sobre planos de fuga e refúgios seguros. O último a tratar desses assuntos com o imaginoso venezuelano foi o hondurenho Manuel Zelaya. Os dois decidiram que um bom esconderijo seria a embaixada brasileira em Tegucigalpa. Kadafi avisou nesta terça-feira que prefere morrer a deixar o país. Se Patriota não abrir o olho, o bolívar-de-hospício e o ditador acuado tentarão abrir em Tripoli mais uma Pensão do Lula.

16/02/2011

às 18:54 \ Direto ao Ponto

Patriota acha que os filhos e netos de Lula adquiriram o direito de defender os interesses do país até na montanha-russa

O chanceler Antonio Patriota teria encerrado outro capítulo vergonhoso da história do Itamaraty se, com uma portaria de dois parágrafos, atendesse ao pedido do Ministério Público Federal e anulasse os passaportes diplomáticos concedidos irregularmente nos últimos quatro anos. Em vez disso, informa a Folha desta quarta-feira, preferiu endossar as imoralidades fabricadas pelo antecessor Celso Amorim com argumentos tão consistentes quanto as encostas da Região Serrana que sumiram no temporal.

“Não vou fazer isso porque isso estaria ferindo direitos adquiridos”, fantasiou Patriota ao recusar a anulação dos superpassaportes que premiaram cinco filhos e três netos do ex-presidente Lula, líderes religiosos bons de lábia e bons de voto e uma penca de viajantes de estimação dos donos do poder. Em janeiro, ao mudar as regras que condicionam a liberação do documento, o ministro das Relações Exteriores proibiu a entrada de novos sócios no clube. Mas quem está dentro não sai, soube-se nesta quarta-feira.

A farra continua ao som da lira do delírio. Para atender ao pedido do presidente em fim de mandato, Celso Amorim alegou dizer amém “em função dos interesses do país”. Para justificar a concessão de passaportes especiais a 22 chefes de seitas evangélicas, Patriota invocou a necessidade de “garantir a simetria com os cardeais da CNBB”,  portadores de documentos semelhantes expedidos pelo Vaticano. E o que o tem a ver o Brasil com o que faz ou deixa de fazer um Estado independente e soberano?, berra o bom senso. E por que não estender o critério da simetria aos pais-de-santo, aos espíritas graduados ou ao alto comando do Santo Daime?

O chanceler acha que até 2014, quando expira o prazo de validade do papelório malandro, os netos de Lula merecem exercer o direito adquirido de furar filas no aeroporto de Miami para chegar mais cedo à Disney World e defender os interesses nacionais na montanha-russa. Até lá, segundo o palavrório mambembe do chanceler, a turma da sacolinha merece exercer o direito adquirido de passar por alfândegas com as malas afiveladas ─ algumas abarrotadas de dólares ─ e sem se expor a revistas.

Por ter-se aliado aos autores da delinquência e seus beneficiários, Patriota deve ser tratado como cúmplice. Autoridades que desrespeitam a lei e a Constituição estão sujeitas a um processo por improbidade administrativa. Ele poderia ter abolido a abjeção com uma portaria. Como não atendeu ao pedido do Ministério Público Federal, como não fez o que deveria ter feito, que seja obrigado a fazê-lo por decisão judicial.

10/02/2011

às 20:08 \ Direto ao Ponto

A mudança nas regras não encerrou a farra dos passaportes imorais

Certos atos de sabujice exigem mais audácia do que qualquer demonstração de bravura em combate. Se valessem condecorações, o smoking do ex-chanceler Celso Amorim estaria tão enfeitado quanto a farda de um herói da Segunda Guerra Mundial. E o dono continua em ação, avisaria a medalha conquistada em 29 de dezembro de 2010, quando concluiu o monumento à vassalagem erguido ao longo de oito anos com a entrega de passaportes diplomáticos aos filhos do presidente Lula.

A presteza em atender ao pedido do chefe já configura uma ousadia e tanto. A justificativa é ainda mais impressionante. Para contemplar a primeira família com o documento, Amorim invocou o trecho de um decreto de 2006 que autoriza o ministro das Relações Exteriores a conceder o passaporte “em caráter excepcional” e “em função de interesse do país”. Excepcional a coisa foi. Mas as viagens que os lulinhas fazem ou deixam de fazer têm tanto a ver com os interesses nacionais quanto um torneio de luta-livre no Nepal.

Os delinquentes cinco estrelas se tornam especialmente atrevidos no fim do governo pelo mesmo motivo que induz bandido de livro policial a agir na calada da noite: eles acham que não há ninguém olhando. É um equívoco perigoso, constatou Amorim. Antes que terminasse a primeira semana do governo Dilma Rousseff, a Folha de S. Paulo descobriu a bandalheira consumada no penúltimo dia útil da Era Lula.

Fora o twitteiro Marcos Cláudio Lula da Silva, um dos marmanjos presenteados com o passaporte especial, e Marco Aurélio Garcia, que qualificou a patifaria de “irrelevância”, ninguém se apresentou para defender o pecador. Nem o próprio Amorim, que continua sumido. Nem Lula: sempre disposto a falar sobre tudo, não deu um pio sobre a chuva de privilégios irregulares. O Itamaraty encarregou um diplomata de informar que o ex-ministro agiu “de acordo com a lei”. Pressionado pela imprensa e pela Ordem dos Advogados do Brasil, achou melhor mudar a lei.

De acordo com a portaria divulgada em 25 de janeiro, passaportes diplomáticos só serão emitidos depois de aprovada “uma solicitação formal e fundamentada por parte da autoridade máxima do órgão competente que o requerente integre ou represente”. O autor do pedido também precisará  “provar que o requerente está desempenhando ou deverá desempenhar missão oficial”. Terminada a missão, o documento será devolvido ao Itamaraty. As mudanças são bem-vindas, mas não encerraram a farra dos passaportes diplomáticos. Como a portaria é omissa em relação aos passaportes já concedidos, cujo prazo de validade é de quatro anos, a família Lula poderá usá-los impunemente até 2014.

O chanceler Antonio Patriota pode resolver a pendência de duas maneiras, e a escolha dirá se merece o sobrenome. A primeira é publicar mais uma portaria declarando inválidos os passaportes que não tenham atendido às exigências da portaria, confiscar os documentos ilegais e livrar o país da insolência de lulinhas, pastores malandros e outros portadores de delírio ambulatório lucrativo. A segunda é suprimir o acento agudo e o s da última palavra da expressão usada por Amorim para justificar a imoralidade.

Nesta hipótese, o Brasil saberá oficialmente que a emissão do passaporte que fura filas e protege malas não precisa levar em conta o interesse do país. Basta o interesse do pai.

29/11/2010

às 7:31 \ Sanatório Geral

Vassalagem internacional

“Não dá certo fazer as duas coisas. Se você ficar condenando, você se descredencia como interlocutor. Precisamos ter uma atitude que propicie o diálogo e nossa estratégia deu certo”.

Celso Amorim, candidato a chanceler de qualquer governo, ensinando que o Brasil dialoga fluentemente com regimes ditatoriais porque fala fino.

20/11/2010

às 17:24 \ Direto ao Ponto

O espetáculo da canalhice não pode parar

Foi aprovada por 80 votos a resolução da ONU que expressa “profunda preocupação” com as violações dos direitos humanos promovidas pelo governo do Irã, critica a pena de morte e rejeita a violência contra a mulher. Trata-se de mais uma tentativa de salvar Sakineh Ashtiani, condenada a morrer apedrejada — e de colocar o regime dos aiatolás no caminho que leva para longe da Idade da Pedra. Sobre o caso Sakineh, não tenho muito a acrescentar ao texto republicado neste sábado na seção Vale Reprise.

Os 44 países que votaram contra a resolução se tornaram comparsas confessos de uma ignomínia assim justificada pelo embaixador iraniano, Mohammad-Javad Larijani:”O apedrejamento significa que você deve fazer alguns atos, jogando um certo número de pedras, de uma forma especial, nos olhos de uma pessoa. Apedrejamento é uma punição menor que a execução, porque existe a chance de sobreviver. Mais de 50% das pessoas podem não morrer”. Como optou pela abstenção, o governo brasileiro acha que a argumentação faz sentido. Por omissão, transformou-se em cúmplice do horror.

“A maneira pela qual algumas situações de direitos humanos são destacadas, enquanto outras não, serve apenas para reforçar que questões de direitos humanos são tratadas de forma seletiva e politizada”, miou em nome do Itamaraty o diplomata Alan Sellos. “Eu, pessoalmente, sou contra, mas não posso dizer a quem tem isso na sua cultura que seja contra”, emendou o ministro da Defesa e comerciante de aviões Nelson Jobim. No caso do Irã, o jurista de araque só autoriza discurseiras federais a favor da bomba atômica e de eleições fraudadas. Haja cinismo.

Jobim e o resto da turma sabem que a falsa neutralidade só reafirmou que o presidente Lula não hesita em envergonhar a nação para curvar-se à vontade do companheiro Mahmoud Ahmadinejad. A política externa da cafajestagem ao menos é coerente. Tão coerente, aliás, quanto o silêncio dos líderes oposicionistas, que entre uma e outra derrota eleitoral mergulham no recesso de quatro anos. Como está em férias, a oposição oficial não vocalizou — de novo — a indignação do país que presta com mais um ultrajante tapa na cara da nação.

“Acho o apedrejamento uma barbárie”, recitou Dilma Rousseff logo depois de eleita. Como não deu um pio sobre a abstenção pusilânime, ou não acha nada ou o que acha não tem importância. Dilma tem murmurado que gostaria de instalar uma mulher no Ministério das Relações Exteriores. Se a execução de Sakineh não ocorrer até o fim deste ano, a Era da Mediocridade vai produzir outro espanto: o apoio do Brasil às forças da escuridão será formalizado por uma mulher na Presidência da República e outra na chefia do Itamaraty.

O espetáculo da canalhice não pode parar.

19/07/2010

às 21:03 \ Homem sem Visão

Lewandowski, Otacílio Cartaxo e Luís Inácio Adams tentam lançar candidatura tripla, mas disputarão sozinhos


“Eles queriam lançar uma trinca, mas a Comissão Organizadora não deixou e ficou resolvido que é cada um por si e Deus contra”, confidenciou um assessor de Ricardo Lewandowski durante o lançamento das candidaturas do ministro do Supremo, de Otacílio Cartaxo e de Luís Inácio Adams ao título de Homem sem Visão de Julho. Os três chegaram juntos ao local da inscrição e insistiram em protocolar uma chapa tripla com Lewandowski como titular, o secretário da Receita Federal como 1° suplente e o advogado-geral da União como 2º suplente. Informados de que o pedido seria recusado por flagrante inconstitucionalidade, os parceiros ficaram com cara de quem não sabe o que é isso.

Indicado por não ter enxergado nada de ilegal na discurseira no Itamaraty em que Lula fingiu desculpar-se pela delinquência da véspera para reincidir na campanha eleitoral criminosa em favor de Dilma Rousseff, Lewandowski é o primeiro representante do Supremo a entrar na disputa pelo troféu de 2010. Na mesma bancada dos juristas que não enxergam normas legais está Luís Inácio Adams, que não vê a máquina pública usada há três anos para eleger a sucessora que Lula inventou.

O caso de Otacílio Cartaxo é ainda mais complexo: ele viu os criminosos que estupraram a declaração de Imposto de Renda do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas, sabe o dia e a hora em que o crime aconteceu, mas ainda não vê motivos para divulgar os nomes dos deliquentes antes das eleições de outubro.

São mais três craques a entrar na disputa! Leiam as regras e ajudem a decidir quem será o vencedor, ou a vencedora. É briga de foice no escuro! Mais candidatos ainda vão surgir! Quem merece o troféu que ninguém quer ganhar? Que vença o pior!

17/07/2010

às 1:08 \ Direto ao Ponto

Os brasileiros que sustentam a gastança vão acabar mandando Lula para Tuvalu

Se alguém perguntar se sabe o que é Funafuti, Lula vai imediatamente exigir, com uma expressão maliciosa, um punhado de detalhes picantes. Se alguém sugerir que vá para Tuvalu, estará exposto a um acesso de cólera do presidente perplexo com o insulto. Ele acabou de autorizar a instalação em Funafuti, capital do país, da embaixada do Brasil em Tuvalu. Como não lê o que assina, nem conferiu na diagonal o texto do decreto 7.1297 de 2 de junho de 2010, que acrescentou mais uma extravagância à procissão de representações diplomáticas ampliada irresponsavelmente pelo Itamaraty de Celso Amorim. É compreensível que pense que Funafuti é alguma coisa proibida para menores e que Tuvalu é um palavrão em língua estranha.

A agenda de 2 de junho informa que Lula assinou a certidão de nascimento do filhote caçula do Itamaraty às 11 da manhã de uma quarta-feira mansa.  Despachou com Gilberto Carvalho, foi entrevistado pela TV Esporte Interativo, depois pela TV Bandeirantes e, antes da audiência com o ministro da Educação, Fernando Haddad, subscreveu o papelório que Amorim lhe entregou. Teve tempo de sobra para leituras. Faltaram ânimo e interesse. Há mais de sete anos empenhado na obtenção de uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, o presidente não cria embaixadas: espalha comitês de campanha. Deve haver ao menos um em qualquer país com direito a voto. Pode ser a Bélgica. E pode ser Tuvalu.

Encarregado de “chefiar cumulativamente” o exotismo, o embaixador na Nova Zelândia recebeu a missão de garantir o endosso de Tuvalu aos devaneios megalomaníacos da potência emergente. É tudo. Não há outros interesses a defender, muito menos negócios a fazer, nesse agrupamento de nove atóis coralinos perto da Polinésia, nas lonjuras do Pacífico, habitado por menos de 13 mil tuvaluanos, 4.500 dos quais alojados na capital, Funafuti. Todos são súditos da rainha da Inglaterra desde que foi instituída a monarquia constitucional associada à Commonwealth.

Elizabeth II é a chefe de Estado e nomeia o governador-geral. Mas quem manda mesmo é o primeiro-ministro, escolhido pelos 15 integrantes do Parlamento. Por falta de emissoras de rádio e televisão, quem deseja informar-se tem de comprar as edições quinzenais do único jornal do lugar. A tiragem segue estacionada em 500 exemplares.

A economia é baseada na exportação de copra, a polpa seca do coco, e pandano, planta comestivel também usada em artesanato.  Complementadas pelo arrendamento da bandeira nacional a navios de origem tão suspeita quanto as atividades dos tripulantes, essas fontes de renda mantêm o PIB na faixa dos US$ 15 milhões.

Enquanto perde eleições sucessivas na sede da ONU em Nova York, o governo Lula estreita relações com aberrações longínquas, cobre de favores os vizinhos cucarachas, fecha acordos com ditaduras repulsivas, perdoa dívidas de larápios africanos ─ e planta embaixadas compulsivamente nos grotões do planeta, como atesta o caso de Funafuti. Para quê? Para nada.

A seis meses do fim do mandato, Lula continua torrando o dinheiro dos pagadores de impostos com a placidez do inquilino que prorrogou unilateralmente o contrato de aluguel. Alguém precisa avisá-lo de que o prazo para a saída não mudou. Se não quiser voltar para casa, os brasileiros que sustentam a gastança vão acabar mandando Lula para Tuvalu.

08/07/2010

às 20:41 \ Direto ao Ponto

O Brasil que sobreviverá à Era Lula talvez nem tenha tempo para desprezar Amorim

“Negócios são negócios”, recitou Celso Amorim para justificar a troca de afagos e elogios entre o presidente Lula e Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, ditador da Guiné Equatorial há mais de 30 anos.  Se a França vende manteiga à nação africana, acrescentou no café da manhã seguinte, por que o Brasil ─ para garantir que empresários daqui continuem lucrando por lá ─ não pode aceitar alguns milhares de assassinatos, relevar um ou outro genocídio e, em respeito à soberania dos demais países, evitar interferências em problemas internos?

E Honduras?, dispensaram-se de retrucar os jornalistas que ouviram a frase que resume exemplarmente a diplomacia do cinismo. A discurseira do governo brasileiro, que rompeu relações diplomáticas com o país centro-americano entre juras de amor à democracia ameaçada, só existe quando o volume de exportações e importações é pouco relevante? Negócios são negócios, constata quem vê as coisas como as coisas são. E vão muito além de cifras, balanças comerciais ou acordos econômicos.

O governo que usa o Itamaraty para posar de esquerdista é também um negociante político-ideológico. Faz qualquer negócio para ajudar companheiros ou prejudicar o Grande Satã Ianque e os lacaios do imperialismo estadunidense. O venezuelano Hugo Chávez e o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, por exemplo, são bons companheiros. São inimigos o colombiano Alvaro Uribe e qualquer presidente hondurenho que não se chame Manuel Zelaya.

“Para defender a democracia, o governo americano tem o dever de aplicar sanções econômicas a Honduras”, reiterou o chanceler enquanto Zelaya gerenciava a embaixada reduzida a pensão. “Se as sanções econômicas ao Irã se tornarem mais apertadas, quem sofrerá serão os setores mais frágeis da sociedade”, continua a contradizer-se sem ficar ruborizado.

Amorim defendeu desde o primeiro minuto no emprego a volta de Cuba (que não sabe o que é uma urna desde os anos 50) à Organização dos Estados Americanos. Mas não admite a readmissão de Honduras, porque as eleições que levaram ao poder o candidato oposicionista Porfirio Lobo “foram realizadas pelo governo golpista”. O companheiro Fernando Lugo pode contar com a ajuda do Brasil na guerra contra a guerrilha paraguaia. Os companheiros das FARC podem contar com a omissão do Brasil na guerra contra o governo constitucional colombiano.

O legado da diplomacia do cinismo não poderá ser integralmente debitado na conta de Amorim. Ela faz o que Marco Aurélio Garcia e o PT acham certo ─ e Lula manda fazer. Mas Garcia é uma velharia perdida nos escombros do Muro de Berlim, e Lula é o resultado previsível do cruzamento da soberba com a ignorância. Amorim é outra coisa. É diplomata de carreira. Foi ministro das Relações Exteriores do presidente Itamar Franco. Conheceu o Itamaraty de outros tempos. Sabe que não deveria fazer o que faz. Faz por excesso de vassalagem e falta de vergonha.

“Você me despreza, não?”, pergunta o trapaceiro interpretado por Peter Lorre, num dos grandes momentos do filme Casablanca, ao protagonista eternizado por Humphrey Bogart. “Desprezaria, se pensasse em você”, responde Rick Blaine. Ugarte é uma figura exemplarmente desprezível, sublinha a expressão entediada de Bogart. Tão desprezível que nem vale a pena ocupar-se dele.

É provável que Celso Amorim escape de ser desprezado pelo Brasil do futuro por ser só mais um Ugarte. Não vai merecer sequer um asterisco em livros de História. Merece o desprezo eterno, mas o país que sobreviverá à Era Lula não terá tempo para lembrar-se de gente assim.

06/07/2010

às 21:18 \ Sanatório Geral

Bom saber

“Os países renovaram sua continuada adesão aos princípios da democracia, ao respeito aos direitos humanos”.

Nota do Itamaraty, comunicando que foi muito animada a conversa sobre democracia entre Lula e Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, ditador da Guiné Equatorial há mais de 30 anos.


 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados