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Itamar Franco

10/10/2010

às 22:11 \ Feira Livre

Lula é um mito, mas mitos e muros são derrubados, diz Itamar Franco

ENTREVISTA PUBLICADA NA FOLHA DESTE DOMINGO

Eliane Cantanhêde

Um dos articuladores do voto “Lulécio” em 2002, a favor do petista Lula para a Presidência e do tucano Aécio Neves para o governo de Minas, o ex-presidente da República Itamar Franco (1992-1994) agora critica duramente Luiz Inácio Lula da Silva e diz que ele tem de parar de falar “nunca antes neste país”: “O Lula não é dono do Brasil e não inventou o Brasil”.

Segundo ele, “Lula não é democrata”: “Um presidente que vai a Minas dizer que não pode ter um senador de oposição, que zomba da imprensa, que zomba da Constituição, não é democrata.”

Ex-senador (1975-1990), Itamar, 80, volta à Casa pelo PPS com a língua afiada. Ao lembrar de Getúlio Vargas, diz que “Lula tornou-se um mito, mas mitos e muros também são derrubados”.

Folha – Por que Serra e não Dilma?

Itamar Franco – Porque ela tem um discurso monotemático. Se fosse uma estudante, seria uma aluna boa para decorar as lições, não para fazer cálculos. Ela vem com um discurso preparadinho que o presidente ensinou. Já o Serra tem pensamento próprio. Mas, se não mudar o discurso, vai perder.

Mudar em quê?

Tem de parar de elogiar ou de ser condescendente com o Lula. Imagine o cidadão que está em casa ouvindo isso: “Puxa, se o candidato da oposição elogia tanto o presidente, para que mudar?”

E o argumento que Lula tem 80% de popularidade e não dá para bater nesse muro?

Ele tornou-se um mito, mas mitos e muros também são derrubados.

Não foi o sr. que criou o voto “Lulécio” de 2002?

Procurado pelo Zé Dirceu, desisti da disputa e apoiei o Aécio para o governo e o Lula para presidente. Daí surgiu o voto Lula-Aécio.

O que aconteceu depois?

Sabe o que o Lula fez em 2006? Foi na minha terra, levou todo mundo e subiu no palanque até com o Celso Amorim, que também foi meu chanceler, para falar mal de mim. Fiquei triste. Agora o Lula fez uma campanha muito violenta em Minas contra a gente de novo, uma campanha que raiou o imoral, agredia os princípios democráticos. Bem, um presidente que faz no Senado o que ele faz, que nem presidente militar fez…

O que foi imoral?

Teve nove pessoas presas, distribuindo santinhos apócrifos com as maiores aleivosias contra nós. Saíam de onde? De um comitê do PT.

Se Aécio, Anastasia e o sr. foram eleitos, por que o Serra perdeu em Minas?

Nós trabalhamos pelo Serra, mas ele não teve organização nenhuma em Minas.

E o PSDB mineiro?

Nós fazíamos um discurso afirmativo, falávamos o que o povo queria ouvir, e o povo mineiro gosta de pegar no candidato, gosta de alisar a gente, e nós atendíamos isso. Serra, não. E até nos debates ele perdeu boas chances de chutar em gol, como quando a Marina levantou uma bola para ele contra a Erenice e ele deixou passar. Foi falar em assunto técnico, oras!

O sr. votou mesmo no Serra?

Votei no Serra por causa da coligação, mas muitos amigos votaram na Marina Silva e queriam que eu ficasse com ela. Não fiquei.

Como vê o segundo turno?

Em toda a minha vida só vi um homem transferir maciçamente os votos do seu partido: Leonel Brizola para Lula, no segundo turno de 1989. Então, não sabemos. Depende muito da Marina e dos votos dela, mas esse eleitorado é muito disperso e múltiplo.

A Dilma saiu com 14,3 pontos na frente. É possível virar?

Isso dá uns 13 milhões de votos e, mais um pouquinho, Serra chega lá. Possível é, e já vimos viradas duas vezes em Minas. Mas ele precisa ser mais afirmativo no campo social, econômico, político.

Como enfrentar Lula?

Ele tem de mostrar que o Lula não é dono do Brasil e não inventou o Brasil. Do jeito que as coisas vão, o Lula vai dizer que quem abriu os portos foi ele, não d. João 6º. Tudo é ele, é ele. Por que não dizer o que o Real fez pelo país? Por que não dizer que o pãozinho custava um preço de manhã, outro preço à tarde, outro preço à noite?

Como está a sua relação com Fernando Henrique Cardoso?

Não está. Mas se eu defendo escondê-lo? Não defendo. Apesar das minhas desavenças com ele, acho um absurdo escondê-lo. Se não aparece, batem nele de qualquer jeito. Então ele deve aparecer, rebater, xingar.

Como o sr. imagina um Senado com três ex-presidentes?

Eu fico olhando o Sarney dizer que o melhor presidente que ele já teve foi o Lula, e penso: sim, senhor, hein, presidente Sarney?

E o Collor?

Prefiro falar da chuva.

Que Senado vai encontrar?

Um Senado subjugado pelo Executivo. A interferência do presidente é a todo instante, em tudo, até em questões internas. Uma das coisas mais sagradas do Congresso são as CPIs. Pois eu era de oposição e fui presidente da CPI das “polonetas” no governo Geisel e depois da CPI das diretas. E, agora, o presidente diz que não pode ser e não é. Onde já se viu isso? O Senado diz amém, amém.

Em 2011, a bancada lulista vai ser um rolo compressor. Como furar o bloqueio?

Fácil não é, mas não é impossível. A ditadura durou 20 anos, mas ela se tornou frágil e caiu. Hoje, se há essa ditadura que o PT quer impor ao país, se acha que só ele sabe o que é bom para o país, é preciso reagir. Quando o Lula diz que “nunca antes neste país”, eu penso: o que que é isso? Como é que o sr. Sarney aceita isso? Então, ninguém fez nada? Ao longo do processo, cada um de nós, o Sarney, eu, o Fernando Henrique, foi passando o bastão.

Com maioria lulista, é possível o Aécio presidir o Senado?

O Aécio hoje é a maior liderança nacional.

Mais do que o Lula?

Mais do que o Lula, porque o Aécio é democrata.

O Lula não é democrata?

Não, basta ver as ações dele todos os dias. Um presidente que vai a Minas dizer que não pode ter senador de oposição, que zomba da imprensa, que zomba da Constituição, não é democrata.

Qual sugestão o sr. daria a Lula para o pós-Presidência?

O Lula gostou do poder, mas ele vai ver o que é bom depois, quando deixar o poder. Não se pode acostumar com os palácios, os aviões, os helicópteros, com o sujeito que carrega a sua mala, porque isso não é o dia a dia do homem simples, que nós todos somos. O Lula deve saber que, um dia, tudo isso acaba. O poder não é eterno. Nós já tivemos no Brasil um grande presidente que era também o “pai dos pobres” e que depois foi derrubado, não é?

05/10/2010

às 22:10 \ Direto ao Ponto

Serra tem tudo para derrotar a adversária. Mas antes precisa vencer a teimosia

PUBLICADO EM 5 DE OUTUBRO DE 2010

Até os bebês de colo, os índios isolados e os napoleões-de-hospício sabem que José Serra chegou ao segundo turno não pela campanha que fez, mas apesar dela. O marqueteiro Luiz Gonzales discorda. Acha que o chefe vai enfrentar Dilma Rousseff graças aos mutirões da saúde, às escolas com dois professores e ao salário mínimo de R$ 600. E pretende repetir na segunda etapa da eleição presidencial todos os erros da primeira. Como Serra ainda hesita sobre o caminho a seguir, só na sexta-feira, com a volta do horário eleitoral na TV, o Brasil que presta saberá se vai votar por sentir-se representado ou por exclusão.

Com o aval de 999 em cada mil eleitores que votaram em Serra, os principais líderes dos partidos de oposição, a começar pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, recomendam quase por unanimidade o duelo sem medos, acanhamentos, cautelas, mesuras e afagos. Os governadores eleitos pelo PSDB e pelo DEM, os senadores Aécio Neves e Aloysio Nunes Ferreira ─ todos acreditam que é possível ser afirmativo sem escorregar na deselegância. Todos sabem que a altivez não tem parentesco com a arrogância.

A candidatura de Dilma Rousseff foi sangrada pelo espanto provocado por escândalos na sala ao lado,  roubalheiras impunes, declarações desastradas, contradições patéticas, discurseiras cínicas e outras incontáveis derrapagens. Alarmados, milhões de brasileiros resolveram examinar melhor a qualidade do produto oferecido por Lula. As causas do desgaste de Dilma não podem ser creditadas aos responsáveis pela campanha de Serra. Ganharam uma farta munição de presente e não souberam usá-la. O candidato tucano subiu alguns pontos, mas a principal beneficiária foi Marina Silva.

Se depender de Gonzales, nada mudará. Ainda no domingo, o PSDB de Minas colocou à disposição da campanha presidencial tanto os aliados vitoriosos quanto a equipe que cuidou do horário eleitoral. O marqueteiro-chefe respondeu no dia seguinte. Por e-mail, avisou que vai estudar a oferta e, assim que puder, comunicar o que será feito. Serra não deu um pio.

Aécio Neves e Itamar Franco já disseram com todas as letras que, se a campanha não abandonar o artificialismo, subordinar-se ao instinto político do candidato, esquecer o teleprompter e procurar afinar-se com a voz das ruas, a derrota terá sido apenas adiada. Até sexta, outros líderes oposicionistas endossarão a advertência.  Ou Serra ouve a voz da sensatez ou se curva aos conselhos dos marqueteiros.

Ele tem tudo para derrotar Dilma Rousseff. Mas antes precisará vencer a teimosia.

29/09/2010

às 21:02 \ Direto ao Ponto

O trunfo que não foi usado na TV

Ao som do empolgante discurso de Aécio Neves na convenção do PSDB que lançou a candidatura de José Serra, a sequência de cenas exibe os ex-governadores de Minas Gerais e São Paulo trocando abraços, confraternizando com o povo ou dividindo palanques ao lado de Itamar Franco e Antonio Anastasia. Durante um minuto e meio, Aécio alterna críticas contundentes ao governo federal e duros ataques ao PT com veementes declarações de apreço pelo candidato da oposição à Presidência. O vídeo sepulta de vez a suspeita de que o líder absoluto da corrida pelo Senado preferiu concentrar-se nas disputas que desenharão o quadro político mineiro, certo?

Errado. A desconfiança só seria pulverizada se o vídeo que viaja pela internet, produzido por publicitários desvinculados do marqueteiro-chefe Luiz Gonzales, pousasse no horário eleitoral do PSDB de Minas. Como o vídeo não deu as caras sequer no espaço administrado diretamente pela equipe de Serra, é possível que o uso desse trunfo nem tenha sido sugerido aos tucanos mineiros pela coordenação das campanha presidencial. De qualquer forma, não há mais tempo: os últimos programas do primeiro turno irão ao ar nesta quinta-feira. O incisivo discurso de Aécio só terá chances de aparecer na TV se houver um segundo turno.

28/09/2010

às 22:45 \ Sanatório Geral

Carregador de bolsa

“É preciso cabeça fria, capacidade de diálogo e, sobretudo, muito equilíbrio para defender os interesses do nosso Estado. Uma palavra mal colocada, uma discussão, um bate-boca, pode prejudicar a aprovação de um projeto da maior importância para Minas”.

Fernando Pimentel, candidato a senador pelo PT de Minas Gerais, depois ter acusado o adversário Itamar Franco de ter nascido antes dele, agora acusando o ex-presidente de não ter a serenidade exibida pelo ex-prefeito de Belo Horizonte quando Dilma Rousseff lhe ordena que carregue a bolsa da patroa.

27/09/2010

às 14:01 \ Sanatório Geral

Ânimo delinquente

“O Senado é um lugar de disputas extremamente importantes e cansativas. É fundamental ter muita disposição”.

Fernando Pimentel, candidato a senador pelo PT de Minas Gerais, que continua a correr atrás da vaga que vai ficar com Itamar Franco, do PPS, insinuando que, aos 80 anos, o ex-presidente não tem a mesma disposição esbanjada pelo ex-prefeito de 59 como fabricante de dossiês cafajestes e carregador de bolsas de Dilma Rousseff.

14/06/2010

às 20:49 \ Baú de Presidentes

O duelo entre o colunista e meio presidente (em dois capítulos)

CAPÍTULO 1

Sou o único jornalista contemplado com mensagens malcriadas por um presidente e meio. O presidente é Itamar Augusto Cautiero Franco, vice promovido a titular pelo despejo de Fernando Collor. A metade que fecha a conta é Antônio Paes de Andrade, que acumulou a presidência da Câmara e a chefia do Executivo durante as viagens internacionais de José Sarney, vice promovido a titular pelos micróbios do Hospital de Base de Brasília. Numa delas, o cacique do PMDB do Ceará fundou na cidade natal a República de Mombaça. A soma disso tudo vale meio presidente. No mínimo.

Não foi difícil despertar a cólera de Itamar Franco: dois ou três artigos bastaram para que o mineiro briguento revidasse com um manuscrito desaforado. Essa história fica para depois. Hoje sai do baú o relato, dividido em duas partes, do entrevero que me rendeu um texto enviado por fax em 5 de janeiro de 2005.  Subscrito pelo então embaixador do Brasil em Portugal, o documento histórico começou a nascer em 1985, quando garanti a Paes de Andrade um mandato imaginário de 15 dias.

Já contei esse caso mais detalhadamente num post. Duas semanas antes da eleição municipal, numa reportagem publicada na VEJA, incluí o candidato a prefeito de Fortaleza pelo PMDB  entre os cinco ou seis que já podiam preparar a festa da posse. Baseada nas pesquisas do Instituto Gallup, a informação foi espetacularmente desmentida pelo triunfo de Maria Luiza Fontenelle, do PT. E então o dono do Gallup explicou o naufrágio: Paes de Andrade parecia tão favorito que as pesquisas foram suspensas em 1° de novembro. Os ventos mudaram, as urnas desmentiram a pesquisa e o derrotado só foi prefeito na revista.

Em vez de ficar agradecido pelo mandato imaginário, Paes de Andrade resolveu dividir com a reportagem a culpa pelo fiasco. Os cabos eleitorais ficaram tão certos da vitória, alegou, que relaxaram na reta final. A hora do troco chegou em fevereiro de 1989, quando José Sarney foi passear no Japão por uma semana e o presidente da Câmara decidiu fazer bonito no Planalto.

Sarney acabara de decolar quanto Paes de Andrade entrou em ação. Requisitou um Boeing 707 da presidência e voou para Fortaleza com os 66 integrantes da comitiva. Da capital cearense, a multidão deslocou-se para Mombaça ─ a 300 quilômetros de distância ─ em dois Buffalo da FAB, que pousaram no aeroporto ampliado em tempo recorde especialmente para receber o filho mais ilustre da cidade.

Acomodados em 25 carros oficiais, os viajantes seguiram para a festa de inauguração da agência do Banco do Nordeste, em funcionamento desde o ano anterior.  Era o pretexto para a cerimônia de fundação da República de Mombaça. A população inteira compareceu ao comício estrelado pelo presidente conterrâneo. Voz embargada, chorando em alguns momentos, Paes de Andrade fez um discurso de quatro horas. Recordou a história da cidade natal, celebrou a bravura do sertanejo e citou, entre outros, Jesus Cristo, Getúlio Vargas, Napoleão Bonaparte, Padre Cícero, Lampião, José Sarney, Pelé, Frei Damião, Tiradentes, Buda e Nelson Ned.

Traduzi meu espanto em alguns artigos no Estadão. Paes de Andrade ficou irritado, mas engoliu em seco. O que achou insuportável foi o texto que publiquei no Jornal do Brasil 15 anos mais tarde. Mas isso fica para quinta-feira, quando aqui se lerá a segunda e última parte do duelo entre o colunista e meio presidente.

11/06/2010

às 19:55 \ Sanatório Geral

Conselheiro de Deus

“Podem comparar os oito anos do nosso governo com 20 anos dos outros governos. Que grandes obras fizeram os ex-presidentes João Figueiredo, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso?”

Lula, em Aracaju, onde inaugurou um conjunto habitacional, reiterou a promessa de duplicar a BR-101 e entregou alguns ônibus escolares, agora culpando também os amigos de infância e companheiros de luta José Sarney e Fernando Collor pela trabalheira que teve para construir um país em sete anos.

03/05/2010

às 20:19 \ O País quer Saber

A seção que nasceu para lembrar o que não pode ser esquecido

selo_aniversario51O que aconteceu com o ministro que estuprou o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa? Que fim levou o cearense que tentou embarcar com US$ 100 mil escondidos na cueca? Onde está a modelo sem calcinha que foi primeira-dama por uma noite? Qual foi o  escândalo inaugural dos casos de corrupção protagonizados pelo PT?

Quem é o dono do castelo de 36 suítes avaliado em R$ 25 milhões? Como foi a saga dos dois irmãos de 12 e 13 anos esquartejados pelo pai e pela madrasta? Como vivem os envolvidos no mensalão? Cadê os algozes da menina que ficou trancada 32 dias numa cela com mais de 20 homens?

O País quer Saber nasceu para investigar histórias expulsas do noticiário jornalístico por falta de espaço para tantas abjeções. O país não pode esquecê-las. Nem deve permitir que a verdade seja encoberta pela mentira incessantemente repetida até que pareça real. É o que tem feito o PT com os dois governos presididos por Fernando Henrique Cardoso, como comprovou a longa entrevistacom o ex-presidente, dividida em 15 blocos.

Interessados em saber como foram efetivamente os oito anos da Era FHC,  os leitores transformaram os vídeos com a entrevista no maior sucesso da seção. O bloco que conta a gestação e os resultados do Plano Real, por exemplo, teve mais de 11 mil visualizações.

Para comemorar o 1° aniversário, a coluna republica a entrevista histórica.

Resumo

Bloco 1

Bloco 2

Bloco 3

09/12/2009

às 19:56 \ O País quer Saber

Em quatro partes, o resumo da entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

Parte 1

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conta como foi a montagem da equipe que coordenou a transição entre o governo que saía e o que entrava e recorda o nervosismo do mercado às vesperas da eleição com o  chamado de “efeito Lula”. FHC também comenta a oposição implacável dos congressistas do PT, que votaram contra todos os projetos do governo, entre os quais o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Parte 2

Fernando Henrique diz que não mudaria nada no processo de privatização acelerado durante o seu governo. Afirma que, entre outras mudanças saudáveis, a redução do mamute estatal transformou a Vale do Rio Doce, de um cabide de empregos, na Vale que é hoje uma das empresas mais lucrativas do mundo. O ex-presidente realça a importância das agências reguladoras e oferece explicações para parcerias com personagens como  Renan Calheiros ou Romero Jucá.

Parte 3

O ex-presidente garante que jamais fez acordos com Judas para conseguir governar ou para fechar alianças com o PFL e o PMDB. Para FHC, o mensalão foi a grande moeda de troca dos petistas, que a usaram não para conseguir a aprovação de projetos, mas para assegurar a submissão do Legislativo. Ele conta que o governo Lula recusou a ideia de elaborar, em parceria com o PSDB, uma pauta de grandes questões nacionais a resolver.  FHC analisa semelhanças e diferenças entre os projetos sociais que implantou e os conduzidos pelo atual governo.

Parte 4

FHC lembra que seu governo tinha 23 ministérios, 13 a menos que o atual, e se diz preocupado com o inchaço da máquina administrativa. Ao analisar o quadro da América Latina redesenhado por governos que se qualificam de esquerdistas, Fernando Henrique critica as mudanças na política externa brasileira. Na crise de Honduras, exemplifica, o Brasil perdeu uma excelente oportunidade de agir como um pacificador de conflitos regionais. A entrevista termina com a descrição do dia a dia do ex-presidente que acaba de escolher o título do próximo livro: ”Lembrando o que escrevi”.

13/11/2009

às 20:01 \ O País quer Saber

Entrevista com Fernando Henrique Cardoso (bloco 1)

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Na primeira viagem ao exterior como ex-presidente, Fernando Henrique embarcou para Paris e se hospedou, com Ruth, na casa de um amigo. Ali, foi surpreendido por um telefonema de Lula, que estava a caminho de Davos, na Suiça. Depois da introdução amistosa, o novo presidente informou ao antecessor que Antonio Palocci, ministro da Fazenda, gostaria de dizer-lhe algo. “Só queria agradecer pelo bom trabalho”, ouviu Fernando Henrique.

A frase se referia ao comportamento de FHC no período que separou o triunfo eleitoral e a posse de Lula. O governo não só abriu as portas a todas as informações disponíveis como condicionou à aprovação do sucessor a tomada de decisões que produzissem efeitos a longo prazo. Mas, como a política econômica não sofreu mudanças relevantes, é possível que Palocci estivesse pensando num universo mais abrangente ao dizer a frase revelada só agora, quase sete anos depois.

Esta e outras revelações temperam o longo e denso depoimento a VEJA.com que começa a ser divulgado hoje. Nestas cinco partes, que compõem o primeiro dos três blocos da entrevista,  Fernando Henrique reconstitui pedagogicamente fatos históricos deformados pela má memória, pela má vontade ou pela má fé. A inflação, por exemplo, não foi derrotada por Lula em 2003, mas por FHC em 1994, quando o então ministro da Fazenda de Itamar Franco comandou a implantação do Plano Real, que o PT primeiro rechaçou e, depois, prometeu revogar.

O ex-presidente conta que, ao longo de oito anos, todos os projetos enviados ao Congresso pelo governo foram rejeitados pelo PT. Comenta o processo de privatização, analisa o papel das agências reguladoras, pulveriza acusações e invencionices, fala com franqueza dos erros que cometeu, diz o que pensa sobre a Petrobras ou a Vale, trata sempre com desembaraço e serenidade os numerosos temas propostos.

Tudo somado, o primeiro bloco do depoimento informa que o Brasil de 2009 não existiria se não tivesse existido um governo que modernizou extraordinariamente o país ─ apesar da resistência feroz do PT.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5


 

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