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Itália

08/06/2011

às 22:05 \ Direto ao Ponto

O desfecho do caso Battisti é vergonhoso. Mas nada tem de surpreendente

A trama destinada a impedir que o assassino Cesare Battisti fosse extraditado para a Itália começou a ser forjada quando Tarso Genro virou ministro da Justiça do governo Lula. Dois posts de 2009, reproduzidos na seção O País quer Saber, ajudam a desmontar o embuste concluído nesta quarta-feira pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão de manter Battisti por aqui, aprovada por 6 votos a 3, consumou um aleijão jurídico perturbador: voluntariamente, a maioria dos ministros entregou ao chefe do Executivo poderes que a Constituição atribui ao STF. E a libertação de um condenado por quatro homicídios avisa que a impunidade institucionalizada dos bandidos com amigos poderosos passou a valer também para estrangeiros.

É um desfecho vergonhoso. Mas nada tem de surpreendente.

08/06/2011

às 18:10 \ O País quer Saber

Como foi tramada a libertação de Battisti

Dois posts publicados em 2009 ajudam a desmontar a trama, que envolveu o governo e o Supremo Tribunal Federal, costurada para impedir que o terrorista em recesso Cesare Battisti fosse extraditado para a Itália. O país quer saber como se preparou a agressão à Justiça italiana e aos brasileiros democratas? Basta conferir os textos abaixo reproduzidos:

O carrasco uruguaio e o terrorista italiano merecem o mesmo destino (7 de agosto de 2009)

O Supremo Tribunal Federal autorizou nesta quinta-feira a extradição para a Argentina do coronel uruguaio Manuel Cordero Piacentini. Participante da Operação Condor, que tornou mais sinérgicas e brutais as ofensivas conjuntas dos órgãos de repressão a serviço de ditaduras sul-americanas, Piacentini será julgado pelo sequestro do argentino Adalberto Valdemar Soba Fernandes, ocorrido em 1976. Adalberto tinha 10 anos de idade.

O STF acertou. Quem faz o que Piacentini fez deve ser exemplarmente punido. Até o fim de setembro, os ministros julgarão o pedido de extradição de Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália. Quem faz o que ele fez deve sofrer tal castigo. Não há diferenças relevantes entre o carrasco da Operação Condor e o terrorista em recesso. Merecem o mesmo destino, tem certeza disso Adriano Sabbadin, filho de uma das vítimas de Battisti.

Ele tinha 17 anos quando testemunhou a execução de Lino Sabbadin, um açougueiro que morreu por não saber distinguir um assalto a mão armada de uma expropriação revolucionária. Em janeiro de 1979, quando rechaçou a bala o bando que invadiu o açougue na cidadezinha perto de Roma, Lino atirou num ladrão sem imaginar que acertaria um guerrilheiro designado para expropriar o capital de um comerciante burguês. A chefia do grupo Proletários Armados para o Comunismo decidiu-se pela pena de morte. Em 16 de fevereiro, os assaltantes do mês anterior voltaram para executar a sentença.

O que Adriano viu e ouviu tinha jeito de assassinato e cara de assassinato. Depende da posição do espectador, ensinaram panfletos distribuídos pelo PAC para festejar a vitória na Batalha do Açougue. Visto da extremidade esquerda da platéia, por exemplo, o que parece assassinato é um justiçamento revolucionário, e o que se assemelha a um grupo de extermínio é um comando de heróicos guerrilheiros.

“Eles chegaram às quatro e meia”, lembra Adriano. Os pais atendiam um freguês no balcão e ele falava ao telefone na parte dos fundos quando os tiros começaram. “Fiquei apavorado e subi correndo para o segundo andar, onde ficava a casa da família. Esperei uns dois ou três minutos intermináveis e me aproximei da janela que dava para a rua”. Três jovens sairam pela porta da frente e entraram num carro estacionado metros além. Adriano desceu e viu o pai estirado numa poça de sangue, ao lado da mãe com o avental branco manchado de vermelho.

Ele se espantou com a versão dos matadores nos depoimentos à Justiça: haviam cometido um crime político. É o que acha o governo brasileiro, espantou-se mais ainda 30 anos depois daquela tarde, ao saber da decisão do ministro Tarso Genro. Punido pela participação no assassinato de Sabbadin e de mais três “contrarrevolucionários”, Battisti foi inocentado pelo juiz ocasional, que o promoveu a “refugiado político” e pôs na conta das motivações ideológicas o prontuário de um ladrão vocacional com mestrado em latrocínio.

Na Itália dos anos 70, não havia tiranias a combater ou déspotas a derrubar. Muito menos guerrilheiros dispostos a matar ou morrer pela liberdade. Textos produzidos pelo grupo entre 1976 e 1979 comprovam que Battisti e seus comparsas roubaram e mataram para implantar a ditadura. O atrevimento de Tarso, avalizado pelo presidente, foi mais que um insulto à Itália. Foi também a reafirmação do menosprezo do governo Lula pela liberdade, pela democracia e por outros caprichos burgueses.

Cumpre ao STF corrigir o erro premeditado de Tarso Genro. Se a extradição for recusada, o PCC não pode esperar um só dia para trocar esse Primeiro Comando da Capital da certidão de batismo por um bem mais conveniente Partido dos Comunistas Convertidos. O primeiro nome costuma dar cadeia. O segundo permite roubar e matar sob a proteção do governo brasileiro.

Cinco ministros subordinam o STF ao Grande Juiz do Planalto (19 de novembro de 2009)

“Decisão do Supremo não se discute, cumpre-se”, vivia repetindo Ulysses Guimarães. Uma boa frase e um evidente exagero. Como tudo o mais, em países democráticos também decisões do Supremo Tribunal Federal estão sujeitas a discussões, debates e, se for o caso, críticas veementes. Quanto ao que vinha depois da vírgula, nenhum reparo a fazer: o que foi resolvido pelo STF é coisa para se cumprir. Supremo, segundo o dicionário, é “o que está acima de tudo”.

Não necessariamente, relativizou a espantosa decisão de entregar ao presidente da República o julgamento em última instância do caso Cesare Battisti. Na primeira parte da sessão desta quarta-feira, por 5 votos a 4, o tribunal resolveu que os crimes cometidos por Battisti não têm caráter político e aprovou o pedido de extradição formulado pela Itália. Na segunda parte, pela mesma contagem, ressalvou que, por se tratar de “um caso de política internacional”, o que parecera uma sentença era uma autorização para que o delinquente italiano seja extraditado. A palavra final é de Lula.

Pela primeira vez na história, a Corte que, por ser suprema, deveria estar acima de tudo, colocou-se voluntariamente abaixo do chefe do Executivo. Se quiser extraditar o homicida condenado à prisão perpétua pela Justiça italiana, Lula terá a bênção do STF. Também a terá se resolver que o terrorista de estimação do ministro Tarso Genro deve ficar por aqui. Mas não pode incluir Battisti na categoria dos refugiados políticos, porque a primeira etapa da sessão inverossímil anulou a promoção decretada por Tarso Genro. É o Brasil.

Incorporados desde o começo à trama costurada para livrar Battisti do cumprimento da pena, os ministros Marco Aurélio Mello, Carmen Lúcia, Eros Grau e Joaquim Barbosa ao menos agrediram a lógica com coerência. Derrotados na tentativa de rejeitar a extradição, os quatro se juntaram para os trabalhos de parto da criatura assombrosa: o Grande Juiz do Planalto. Mais desconcertante foi o monumento à contradição erigido pelo comportamento pendular de Ayres Britto.

Em 9 de setembro, o ministro afirmou que Battisti deveria ser extraditado por não ter sido movido por motivos políticos. Menos de três meses mais tarde, invocando motivos políticos, defendeu enfaticamente a ideia de transferir para Lula a palavra final. Entre uma sessão e outra, não foram acrescentados ao processo quaisquer indícios, evidências ou provas. A única novidade foi a incorporação à tropa dos advogados de defesa do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, que sugeriu a nomeação de Ayres Britto para a vaga no Supremo.

“O presidente é chefe de Estado e titular da política internacional”, tentou explicar-se o ministro. Se é assim, por que o STF andou desperdiçando tempo, dinheiro e a paciência dos brasileiros que pensam e pagam a conta? “O tribunal entra no circuito para garantir os direitos humanos”, complicou Ayres Britto. Difusas razões humanitárias provavelmente serão evocadas por Lula para driblar o tratado de extradição assinado pelos dois países.

“Não faz sentido entregar um perseguido ao carrasco”, declamou Tarso Genro. Foi exatamente o que fez o ministro da Justiça ao deportar para Cuba os pugilistas Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, capturados no Rio quando tentavam a fuga para a Alemanha. A misericórdia de Tarso é seletiva. Como é amigo de Battisti, estende-lhe a mão solidária que negou aos dois cubanos por ser amigo de Fidel Castro. Em ambos os casos, Lula avalizou as decisões do companheiro gaúcho.

O tratamento dispensado aos dois episódios informa que a subordinação do STF ao Executivo abre um precedente perturbador. Imagine-se, por exemplo, que os ministros tenham de julgar um caso semelhante ao dos cubanos, e decidam que um estrangeiro perseguido no país de origem merece viver em segurança no Brasil. Se quiser, Lula poderá deportá-lo. Nesta quarta-feira, o Supremo autorizou o presidente da República a fazer a opção pela infâmia sem nenhum risco de ser corrigido. É ele quem decide em última instância.

29/01/2011

às 23:02 \ Sanatório Geral

Devolve o homem, Dilma!

“O que a mídia passa é muita mentira. Na Itália tem muita gente que me defende”.

Cesare Battisti, revelando que, ao contrário do que dizem o presidente Lula, o padrinho Tarso Genro e seus advogados, ele pode ser devolvido à Itália sem se expor a perseguições políticas, já que conta com o carinho, o apoio e a simpatia de multidões de admiradores.

03/06/2010

às 19:41 \ Vídeos: Entrevista

Marcelo Copello, jornalista e especialista em vinhos

Degustar um bom vinho é tão prazeroso quanto assistir a um grande filme ou ouvir a melhor música, ensina o jornalista Marcelo Copello. Eleito ‘Best Journalist’ pela revista alemã Wine Business International, Copello começou a especializar-se em vinhos em 1994, quando ainda trabalhava na área de informática. Depois de muita leitura e numerosas degustações, passou a reunir amigos que desejavam saber mais sobre a bebida e resolveu mudar de carreira ─ e de vida. As aulas tornaram-se um negócio. Em 1999, escreveu o livro O vinho para quem tem estilo. Os exemplares esgotaram-se rapidamente e o jornalista foi convidado a assumir uma coluna na Gazeta Mercantil. Viveu dois anos na Itália, onde aperfeiçoou sua técnica, e tornou-se o primeiro brasileiro a escrever sobre vinhos na Europa, em colaborações para a Revista de Vinhos, de Portugal. Atualmente, promove cursos e mantém o site Mar de Vinho.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

31/03/2010

às 18:09 \ Direto ao Ponto

O pensador de festa de batizado só refundou a história da Itália

Em fevereiro de 2009, de saída do Jornal do Brasil, publiquei um texto inspirado em trapalhadas recentes do então ministro Tarso Genro, pai da palavra “refundação” e padrinho do homicida italiano Cesare Battisti. Como o príncipe da poesia onanista ameaça o Rio Grande do Sul com outra tentativa de ocupação do Palácio Piratini, como a expressão infeliz que ele inventou está na moda no verão companheiro, como Lula logo decidirá o destino do terrorista de estimação, o artigo que a Thuya acabou de resgatar continua atual. Confira:

Se não padecesse de prolixidade incurável, se não sofresse de admiração aguda por si próprio, se não contemplasse a catarata de ideias que lhe despenca da cabeça com o deslumbramento de turista na primeira vez em Foz do Iguaçu, o companheiro Tarso Genro poderia ter livrado da cadeia o assassino de estimação sem reforçar a suspeita de que o Brasil não é sério. Mas quem o conhece sabe que Tarso derrapa na tentação de defender alguma tese delirante até em festa de batizado.

Se não lhe faltasse a sensatez que deveria sobrar a um ministro da Justiça, o magistrado acidental teria comprimido em cinco ou seis linhas a sentença que absolveu Cesare Battisti de todos os pecados. Era só alegar que a legislação brasileira é meio confusa, tanto que manda promover a refugiado político um terrorista condenado à prisão perpétua na Itália, mas nem por isso a nação amiga deve sentir-se injuriada, essas coisas ─ e afastar o amigo da cadeia. Encerrada a concisa exposição de motivos, o ministro da Justiça capricharia na pose de constrangido, sairia à francesa e ficaria alguns dias na muda.

Em vez disso, Tarso Genro resolveu redimir-se do fiasco da refundação do PT com um parecer que refundaria, além do caso Battisti, a história recente da Itália. Acabou produzindo um samba do crioulo doido de deixar pálido de espanto o mais delirante compositor da Sapucaí. Bandidos viraram mocinhos, heróis viraram vilões. E uma democracia suficientemente musculosa para erradicar a praga do terrorismo sem recorrer a qualquer medida de exceção transformou-se numa tirania dissimulada, “que usou leis que reduziram as prerrogativas da defesa para coibir organizações revolucionárias”. Para libertar o companheiro, Tarso matou a verdade e humilhou a Itália.

O que o gaúcho sem siso qualifica de “guerra civil” foi o duelo que opôs a governos eleitos pelo povo grupos de liberticidas tão despovoados quanto ferozes, decididos a implantar a ditadura comunista. Tarso rebaixou a perseguidores perversos autoridades que defenderam o estado de direito sem quaisquer concessões ao autoritarismo.

Se representavam efetivamente a vontade do povo, as “organizações revolucionárias” poderiam liquidar a tirania com uma única disputa eleitoral. Ou porque não tinham votos para eleger um síndico, ou por acharem pouco heróica a luta nas urnas, os patriotas de Tarso resolveram, em 1975, que seria mais emocionante chegar ao poder pela trilha da violência. E então começaram os assaltos, atentados, seqüestros e assassinatos. Os terroristas capitularam na década seguinte. A procissão de horrores se estendeu até o fim do século, prolongada pelo primitivismo brutal dos mafiosos.

Os jovens generais da guerra sem sentido revogaram os limites da fúria. A nação ainda convalesce da perplexidade dolorosa provocada pela explosão da estação ferroviária de Bolonha, pela execução do primeiro-ministro Aldo Moro, pelo assassinato do general Carlo Alberto Dalla Chiesa, pelo extermínio de juízes engajados na Operação Mãos Limpas. Para Tarso, nada disso é importante. Guerras são assim mesmo. E nenhuma é mais justa que a guerra pela refundação do paraíso socialista.

20/11/2009

às 18:17 \ Sanatório Geral

Pensador de botequim

“A Itália não é um país nazista nem fascista, mas vem sendo constatado um crescimento preocupante do fascismo em parte da população italiana”.

Tarso Genro, Homem sem Visão de Setembro, autor da tese de que a democracia italiana sempre foi uma ditadura, revelando que o Brasil não é um país comunista, mas vem sendo constatado um crescimento preocupante do comunismo em parte do governo Lula.

19/11/2009

às 21:26 \ Direto ao Ponto

Cinco ministros subordinam o STF ao Grande Juiz do Planalto

“Decisão do Supremo não se discute, cumpre-se”, vivia repetindo Ulysses Guimarães. Uma boa frase e um evidente exagero. Como tudo o mais, em países democráticos também decisões do Supremo Tribunal Federal estão sujeitas a discussões, debates e, se for o caso, críticas veementes. Quanto ao que vinha depois da vírgula, nenhum reparo a fazer: o que foi resolvido pelo STF é coisa para se cumprir. Supremo, segundo o dicionário, é “o que está acima de tudo”.

Não necessariamente, relativizou a espantosa decisão de entregar ao presidente da República o julgamento em última instância do caso Cesare Battisti. Na primeira parte da sessão desta quarta-feira, por 5 votos a 4, o tribunal resolveu que os crimes cometidos por Battisti não têm caráter político e aprovou o pedido de extradição formulado pela Itália. Na segunda parte, pela mesma contagem, ressalvou que, por se tratar de ”um caso de política internacional”, o que parecera uma sentença era uma autorização para que o delinquente italiano seja extraditado. A palavra final é de Lula.

Pela primeira vez na história, a Corte que, por ser suprema, deveria estar acima de tudo, colocou-se voluntariamente abaixo do chefe do Executivo. Se quiser extraditar o homicida condenado à prisão perpétua pela Justiça italiana, Lula terá a bênção do STF. Também a terá se resolver que o terrorista de estimação do ministro Tarso Genro deve ficar por aqui. Mas não pode incluir Battisti na categoria dos refugiados políticos, porque a primeira etapa da sessão inverossímil anulou a promoção decretada por Tarso Genro. É o Brasil.

Incorporados desde o começo à trama costurada para livrar Battisti do cumprimento da pena, os ministros Marco Aurélio Mello, Carmen Lúcia, Eros Grau e Joaquim Barbosa ao menos agrediram a lógica com coerência. Derrotados na tentativa de rejeitar a extradição, os quatro se juntaram para os trabalhos de parto da criatura assombrosa: o Grande Juiz do Planalto. Mais desconcertante foi o monumento à contradição erigido pelo comportamento pendular de Ayres Britto.

Em 9 de setembro, o ministro afirmou que Battisti deveria ser extraditado por não ter sido movido por motivos políticos. Menos de três meses mais tarde, invocando motivos políticos, defendeu enfaticamente a ideia de transferir para Lula a palavra final. Entre uma sessão e outra, não foram acrescentados ao processo quaisquer indícios, evidências ou provas. A única novidade foi a incorporação à tropa dos advogados de defesa do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, que sugeriu a nomeação de Ayres Britto para a vaga no Supremo.

“O presidente é chefe de Estado e titular da política internacional”, tentou explicar-se o ministro. Se é assim, por que o STF andou desperdiçando tempo, dinheiro e a paciência dos brasileiros que pensam e pagam a conta? ”O tribunal entra no circuito para garantir os direitos humanos”, complicou Ayres Britto. Difusas razões humanitárias provavelmente serão evocadas por Lula para driblar o tratado de extradição assinado pelos dois países.

“Não faz sentido entregar um perseguido ao carrasco”, declamou Tarso Genro. Foi exatamente o que fez o ministro da Justiça ao deportar para Cuba os pugilistas Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, capturados no Rio quando tentavam a fuga para a Alemanha. A misericórdia de Tarso é seletiva. Como é amigo de Battisti, estende-lhe a mão solidária que negou aos dois cubanos por ser amigo de Fidel Castro. Em ambos os casos, Lula avalizou as decisões do companheiro gaúcho.

O tratamento dispensado aos dois episódios informa que a subordinação do STF ao Executivo abre um precedente perturbador. Imagine-se, por exemplo, que os ministros tenham de julgar um caso semelhante ao dos cubanos, e decidam que um estrangeiro perseguido no país de origem merece viver em segurança no Brasil. Se quiser, Lula poderá deportá-lo. Nesta quarta-feira, o Supremo autorizou o presidente da República a fazer a opção pela infâmia sem nenhum risco de ser corrigido. É ele quem decide em última instância.

07/09/2009

às 17:26 \ Direto ao Ponto

O PCC está de olho na TV Justiça

Há um mês, comentei num post o caso Cesare Battisti. Como o Supremo Tribunal Federal vai julgar nesta quarta-feira o pedido de extradição formulado pelo governo italiano, seguem-se trechos que compõem o resumo da ópera.

Adriano Sabbadin tinha 17 anos quando testemunhou a execução do pai, um açougueiro que morreu por não saber distinguir um assalto a mão armada de uma expropriação revolucionária. Em janeiro de 1979, quando rechaçou a bala o bando que invadiu o açougue na cidadezinha perto de Roma, Lino Sabbadin mirou num ladrão. Nem desconfiou de que atingira um guerrilheiro designado para expropriar o capital de um comerciante burguês.

A chefia do grupo Proletários Armados para o Comunismo (PAC: boa sigla para coisas delirantes) achou que aquilo merecia a pena de morte, executada em 16 de fevereiro . Pelo que Adriano viu e ouviu, foi assassinato. Engano, ensinaram panfletos distribuídos pelo PAC para festejar a vitória na Batalha do Açougue. O que lhe pareceu assassinato fora um “justiçamento revolucionário”.

“Eles chegaram às quatro e meia”, lembra. Os pais atendiam um freguês no balcão e ele falava ao telefone na parte dos fundos quando os tiros começaram. “Fiquei apavorado e subi correndo para o segundo andar, onde ficava a casa da família”. Esperou uns dois ou três minutos intermináveis até encorajar-se a olhar da janela que dava para a rua. Três jovens sairam do açougue com passadas rápidas e entraram num carro estacionado metros além.

Desceu e encontrou o pai estirado numa poça vermelha, ao lado da mãe com o avental branco ensopado de sangue. Trinta anos depois de espantar-se com a versão dos matadores, ficou ainda mais espantado ao saber que o governo brasileiro concorda com o grupo de extermínio: houve um “crime político”. Punido com a prisão perpétua pela participação no assassinato de Sabbadin e de mais três “contrarrevolucionários”, Battisti foi inocentado pelo ministro Tarso Genro. que promoveu a herói do povo um ladrão vocacional com mestrado em latrocínio e transformou em “perseguido político” um homicida de carteirinha.

Na Itália dos anos 70, não havia tiranias a combater nem déspotas a derrubar. Battisti não foi julgado por tribunais de exceção, mas pelo Poder Judiciário de um regime exemplarmente democrático. Caberá ao Supremo Tribunal Federal decidir se um juiz acidental homiziado no Ministério da Justiçda pode absolver um homicida e arquivar o pedido de extradição formulado pelo governo italiano.

Se revogar a rabulice atrevida protagonizada por Tarso Genro, o STF terá reafirmado que a última instância não foi transferida para o Executivo. Se capitular, estará aconselhando o PCC a trocar  esse Primeiro Comando da Capital da certidão de batismo por um bem mais moderno Partido dos Comunistas Convertidos. O primeiro nome costuma dar cadeia. O segundo permite roubar e matar sob a proteção do governo brasileiro.

07/08/2009

às 1:17 \ Direto ao Ponto

O carrasco uruguaio e o terrorista italiano merecem o mesmo destino

O Supremo Tribunal Federal autorizou nesta quinta-feira a extradição para a Argentina do coronel uruguaio Manuel Cordero Piacentini. Participante da Operação Condor, que tornou mais sinérgicas e brutais as ofensivas conjuntas dos órgãos de repressão a serviço de ditaduras sul-americanas, Piacentini será julgado pelo sequestro do argentino Adalberto Valdemar Soba Fernandes, ocorrido em 1976. Adalberto tinha 10 anos de idade.

O STF acertou. Quem faz o que Piacentini fez deve ser exemplarmente punido.  Até o fim de setembro, os ministros julgarão o pedido de extradição de Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália. Quem faz o que ele fez deve sofrer tal castigo. Não há diferenças relevantes entre o carrasco da Operação Condor e o terrorista em recesso. Merecem o mesmo destino, tem certeza disso Adriano Sabbadin, filho de uma das vítimas de Battisti.

Ele tinha 17 anos quando testemunhou a execução de Lino Sabbadin, um açougueiro que morreu por não saber distinguir um assalto a mão armada de uma expropriação revolucionária.  Em janeiro de 1979, quando rechaçou a bala o bando que invadiu o açougue na cidadezinha perto de Roma, Lino atirou num ladrão sem imaginar que acertaria um guerrilheiro designado para expropriar o capital de um comerciante burguês. A chefia do grupo Proletários Armados para o Comunismo decidiu-se pela pena de morte. Em 16 de fevereiro, os assaltantes do mês anterior voltaram para executar a sentença.

O que Adriano viu e ouviu tinha jeito de assassinato e cara de assassinato. Depende da posição do espectador, ensinaram panfletos distribuídos pelo PAC para festejar a vitória na Batalha do Açougue. Visto da extremidade esquerda da platéia, por exemplo, o que parece assassinato é um justiçamento revolucionário, e o que se assemelha a um grupo de extermínio é um comando de heróicos guerrilheiros.

“Eles chegaram às quatro e meia”, lembra Adriano. Os pais atendiam um freguês no balcão e ele falava ao telefone na parte dos fundos quando os tiros começaram. “Fiquei apavorado e subi correndo para o segundo andar, onde ficava a casa da família. Esperei uns dois ou três minutos intermináveis e me aproximei da janela que dava para a rua”. Três jovens sairam pela porta da frente e entraram num carro estacionado metros além. Adriano desceu e viu o pai estirado numa poça de sangue, ao lado da mãe com o avental branco manchado de vermelho.

Ele se espantou com a versão dos matadores nos depoimentos à Justiça: haviam cometido um crime político. É o que acha o governo brasileiro, espantou-se mais ainda 30 anos depois daquela tarde, ao saber da decisão do ministro Tarso Genro. Punido pela participação no assassinato de Sabbadin e de mais três “contrarrevolucionários”, Battisti foi inocentado pelo juiz ocasional, que o promoveu a  ”refugiado político” e pôs na conta das motivações ideológicas o prontuário de um ladrão vocacional com mestrado em latrocínio.

Na Itália dos anos 70, não havia tiranias a combater ou déspotas a derrubar. Muito menos guerrilheiros dispostos a matar ou morrer pela liberdade.  Textos produzidos pelo grupo entre  1976 e 1979 comprovam que Battisti e seus comparsas roubaram e mataram para  implantar a ditadura. O atrevimento de Tarso, avalizado pelo presidente, foi mais que um insulto à Itália. Foi também a reafirmação do menosprezo do governo Lula pela liberdade, pela democracia e por outros caprichos burgueses.

Cumpre ao STF corrigir o erro premeditado de Tarso Genro. Se a extradição for recusada, o PCC não pode esperar um só dia para trocar esse Primeiro Comando da Capital da certidão de batismo por um bem mais conveniente Partido dos Comunistas Convertidos. O primeiro nome costuma dar cadeia. O segundo permite roubar e matar sob a proteção do governo brasileiro.

09/07/2009

às 20:49 \ Sanatório Geral

Tremenda novidade

“O Brasil é um país com uma juventude muito jovem”.

Presidente Lula, na Itália, sem explicar se a velhice muito velha também deve ser incluída entre as realizações do maior governante de todos os tempos.


 

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