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Israel

22/01/2012

às 18:33 \ Sanatório Geral

Ah, bom!

“Na realidade ele não queria dizer que Israel deveria desaparecer do mapa, mas sim desaparecer da história”.

Antonio Salgado, embaixador do Brasil no Irã, capturado pelo comentarista Otavio ao tranquilizar o mundo com a informação de que o companheiro Mahmoud Ahmadinejad não vai sossegar até destruir Israel e varrer o país da história, mas depois disso não exigiria que os mapas da região fossem atualizados.

05/05/2011

às 15:52 \ Feira Livre

Adeus, ”Geronimo”: a vitória dos árabes moderados

TEXTO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUINTA-FEIRA

Thomas L. Friedman

Só há uma coisa boa no fato de Osama bin Laden ter sobrevivido por quase dez anos após o assassinato em massa planejado por ele no World Trade Center e no Pentágono. Ele viveu tempo suficiente para ver tantos jovens árabes repudiarem sua ideologia. Para ver árabes da Tunísia ao Egito, no Iêmen e na Síria, levantarem-se pacificamente para conquistar dignidade, justiça e conquistas que Bin Laden afirmava que só poderiam ser obtidas pela violência e a volta ao islamismo puro.

Fizemos a nossa parte. Matamos Bin Laden com uma bala. Agora os povos árabes e muçulmanos têm a chance de fazer a deles – matar o bin-ladenismo com o voto. Isto é, com eleições reais, com constituições reais, partidos políticos reais e uma política progressista real.

Sim, os vilões foram golpeados em todo o mundo árabe nos últimos meses – não só a Al-Qaeda, mas toda a galeria de ditadores, cujo fanatismo brando de baixas expectativas para seu povo manteve o atraso do mundo árabe. Agora, questão é se as forças da decência conseguirão se organizar, escolher e começar a construir um futuro árabe diferente. O resto é ruído.

Para compreender esse desafio, precisamos lembrar a origem do bin-ladenismo. Ele surgiu de uma negociata do diabo entre países consumidores de petróleo e ditadores árabes. Nós todos – Europa, América, Índia, China – tratamos o mundo árabe como uma coleção de grandes postos de gasolina, e enviamos a mesma mensagem aos petro-ditadores: mantenham o petróleo fluindo, os preços baixos e não perturbem Israel e poderão tratar seus povos como quiserem.

Bin Laden e seus seguidores foram um produto de todas as patologias que prosperaram no escuro – déficits incapacitantes de liberdade, direitos de mulheres e educação por todo o mundo árabe. Esse déficits nutriram um profundo senso de humilhação entre os árabes pelo tanto para trás que haviam ficado, uma fome profunda de controle sobre seus próprios futuros e um senso penetrante de injustiça em seu cotidiano.

Esses aspectos foram os mais espantosos nos levantes árabes no Egito e na Tunísia. Eles foram quase apolíticos, não envolveram ideologia. Foram impulsionados por anseios humanos básicos por dignidade, justiça e controle da própria vida. Lembrem, uma das primeiras coisas que os egípcios fizeram foi atacar seus próprios postos policiais – os instrumentos da injustiça do regime. E como milhões de árabes compartilham esses anseios por dignidade, justiça e liberdade, as revoluções não vão desaparecer.

Durante décadas, porém, os líderes árabes eram muito adeptos de recolher toda essa raiva fermentando e redirecioná-la para os Estados Unidos e Israel. Sim, o comportamento particular de Israel às vezes alimentou o senso de humilhação e impotência árabe, mas não foi sua causa principal. Pouco importa. Enquanto os autocratas chineses diziam a seu povo, “Tiraremos a sua liberdade e, em troca, lhe daremos educação e nível de vida crescentes”, os autocratas árabes diziam “Tiraremos sua liberdade e lhe daremos o conflito árabe-israelense”.

Foi nesse cenário tóxico que surgiu Bin Laden. Psicopata e falso messias, pregou que somente pela violência – destruindo esses regimes árabes e seus apoiadores americanos – o povo acabaria com a humilhação, restauraria a justiça e construiria um califado mítico impoluto.

Pouquíssimos árabes apoiavam ativamente Bin Laden, mas no início ele atraiu um apoio passivo importante por seu punho erguido contra os EUA, os regimes árabes e Israel. À medida que a Al-Qaeda começava a ser perseguida e a gastar a maior parte de suas energias matando outros muçulmanos que não rezavam pela sua cartilha, até seu apoio passivo se desfez.

Nesse vazio, sem qualquer esperança de alguém sair em seu socorro, parece que os públicos árabes na Tunísia, Egito, Iêmen e outras partes se despiram de seus medos e decidiram assumir o controle de forma pacífica. É o exato oposto do bin-ladenismo. Alguns preferem identidades mais religiosas e sectárias. É aí que estará a luta.

Não podemos prever o desfecho. Haverá uma luta de ideias – em uma região onde os extremistas ganhavam todas e os moderados se omitiam. Desta vez será diferente. Os moderados serão tão passionais e comprometidos como os extremistas. Se isso ocorrer, tanto Bin Laden como o bin-ladenismo estarão sepultos no fundo do oceano.

18/03/2010

às 19:30 \ Sanatório Geral

Na zona do agrião

“Se os palestinos, Israel e outros países tivessem dito: ‘Olha, nós não queremos mais ninguém conversando sobre isso’, eu estaria comentando com vocês agora o gol do Ronaldão ontem”.

Lula, aos jornalistas que o acompanham na viagem ao Oriente Médio, avisando que, quando for dispensado de arrumar mais confusões no Oriente Médio, voltará a concentrar-se na prioridade número 1 do presidente da República: os jogos do Corinthians.

18/03/2010

às 1:10 \ Direto ao Ponto

Os culpados são sempre os outros

“Quem sabe a divergência entre Estados Unidos e Israel seja a coisa mágica que faltava para se chegar a um acordo”, entusiasmou-se o presidente Lula nesta quarta-feira, declamando o que lhe sopraram Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia. ”Em  fala tão breve, boçalidade tão longa, que reafirma o que o pior do antiamericanismo pode produzir”, resumiu meu amigo e vizinho Reinaldo Azevedo, sempre em ótima forma.

A frase contém mais cretinices do que sugere uma leitura ligeira. Não se limita a informar que, para Lula,  o eventual esgarçamento dos laços históricos entre os dois parceiros encerraria a crise no Oriente Médio. Também confirma que a atual política externa brasileira é um conjunto de ações internacionais contrárias aos ianques e seus aliados, ou favoráveis a quem hostiliza os Estados Unidos e seus amigos.

Deformado por esse antiamericanismo de grotão, o olhar de Lula é tão imparcial quanto opinião de mãe de candidata a miss. O Oriente Médio visto pelo monoglota militante é uma região pertencente a nações companheiras cercadas por uma província palestina rebatizada de Israel por invasores judeus. Para chegar-se à paz, o mais forte deve render-se ao vizinho sem chances no confronto militar. E qualquer acordo começa pelo enquadramento do Grande Satã do planeta, porque da crise no Oriente Médio ao primitivismo da América Latina, fora o resto, é tudo culpa dos americanos.

“Eu disse ao Bush e tenho dito a todo o governo americano que está na hora deles apresentarem uma política sadia e objetiva para a América Latina, os Estados Unidos nunca fazem nada para ajudar os pobres”, lamuriou-se Lula no ano passado, na reunião do clube dos cucarachas em Trinidad-Tobago. De novo, a comparação com um trecho do discurso lido no mesmo encontro pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, é perturbadora para o Brasil que pensa.

“Quase sempre culpamos os Estados Unidos por nossos males passados, presentes e futuros”, constatou o ganhador do prêmio Nobel da Paz. ”Não creio que isso seja de todo justo. Em 1950, cada cidadão norte-americano era 4 vezes mais rico que um cidadão latino-americano. Hoje em dia, é 10, 15 ou 20 vezes mais rico. Não por culpa dos Estados Unidos. A culpa é nossa. Não podemos esquecer que pelo menos até 1750 todos os americanos eram praticamente iguais: todos eram pobres”.

“Alguma coisa fizemos de errado”, ensinou Arias já no título do discurso. Lula continua achando que foi tudo culpa dos americanos ─ isso quando está longe do Brasil. Nos palanques domésticos, não para de cumprimentar-se por ter reconstruído um país devastado por todos os antecessores, principalmente FHC. São todos brasileiros.

Os culpados, afinal, são nativos ou estrangeiros? Qual dos discursos é o verdadeiro? Nenhum, sabe quem tem mais de dez neurônios.

17/03/2010

às 20:10 \ Sanatório Geral

Miniatura em trânsito

“Em briga de jacu, nhambu não entra. Não vou me meter nas discussões entre Hillary Clinton e Binyamin Netanyahu”.

Celso Amorim, miniatura de chanceler, durante a visita à Cisjordânia, mostrando com a troca de ”piar” por “entrar” que erra até verbo de ditados popularíssimos e confessando que, na hora do pega pra capar, o chefe falastrão não entra em briga de gente grande porque conhece o seu lugar.

17/03/2010

às 13:55 \ Sanatório Geral

A descoberta do século

“De vez em quando, acontecem coisas impossíveis. O que parecia impossível aconteceu: os Estados Unidos tendo divergências com Israel. Quem sabe essa divergência era a coisa mágica que faltava para que se chegasse ao acordo”.

Lula, em discurso na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, acabando de descobrir que a solução para a crise do Oriente Médio é um pouco mais complicada que uma negociação com a base alugada.

17/03/2010

às 12:19 \ Sanatório Geral

É, mas pode não ser

“Tudo andando bem, mas a gente vê que alguma coisa não está andando bem”.

Lula, horas depois de afirmar que “não está longe o dia em que será assinado um acordo entre Israel e Palestina”, dizendo que, embora ache o contrário, a coisa parece andar mal.

16/03/2010

às 21:11 \ Direto ao Ponto

Lula atira no inimigo e acerta no ídolo do companheiro Morales

Entre um soco nas regras diplomáticas, um pontapé na sensatez política e outra pancada na verdade histórica, o presidente Lula abriu espaço na discurseira sobre o Oriente Médio para ampliar, em Israel, a coletânea de absurdos inspirados na América Latina. Nesta segunda-feira, convidado a  justificar o tratamento especialmente fraternal dispensado a Evo Morales, o viajante mais loquaz de todos os tempos só precisou de 23 palavras para mais uma incursão desastrosa pela Bolívia.

“Índio votar em índio é normal. É uma anormalidade uma pessoa loira de olhos azuis, que quase não fala espanhol, governar a Bolívia”, decretou.  Escorado em meia dúzia de bobagens transmitidas por assessores levianos, ele resolvera declarar inelegível o ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, que tem sotaque de turista americano, cabelos louros e olhos verdes (para o presidente, toda iris clara que não é castanha é azul). Deveria ter identificado com nitidez o inimigo, que governou o país em dois períodos (1993-1997 e 2002-2003). Ao esconder o nome do alvo, conseguiu erguer com duas frases outro monumento à ignorância.

Primeiro, fundou a ramificação daltônica da Ku Klux Klan. Sabe-se agora que, para Lula, discriminações baseadas em critérios étnicos não têm nada a ver com racismo se endereçadas a gente com cabelos e olhos claros.  Em seguida, o exterminador do plural decidiu que falar com sotaque é muito mais grave que assassinar o idioma de meia em meia hora. Conjugadas, as frases escancararam mais uma vez a ignorância do declarante.

Lula não sabe que o ódio devotado por Evo Morales a Sánchez de Lozada é tão intenso quando o apreço do vizinho por Gualberto Villarroel, presidente entre dezembro de 1943 e julho de 1946. Em dois anos e meio no poder, legalizou os sindicatos, instituiu um sistema de aposentadoria e convocou a primeira assembléia indígena da história da América Latina.

Assassinado no palácio pela multidão de anônimos durante uma rebelião popular, Villarroel está para Morales como Simón Bolívar para Hugo Chávez ─ foi o único antecessor citado no discurso de posse do companheiro índio. ”Não sou inimigo dos ricos, mas mais amigo dos pobres”, repetiu Morales a profissão de fé enunciada por Villarroel (e declamada por Lula, em infinitas variações, em todos os comícios). Em seguida, recitou o mantra que ainda hipnotiza os órfãos do Muro de Berlim: ”Os povos do mundo devem ficar sempre de pé, nunca de joelhos frente ao capitalismo”.

O ídolo de Morales, cujo nome batiza a maior refinaria da Bolívia, não falava com sotaque. Mas tinha cabelos louros, como Sánchez de Lozada, e os olhos verdes eram mais claros. Lula não sabe disso. Nunca ouviu falar em Villarroel. Tampouco sabe quem é Sanchez de Lozada. Lula não sabe de quase nada. A área do cérebro reservada à acumulação de conhecimentos é um terreno baldio. Mas continua a discursar sobre tudo.

15/03/2010

às 19:49 \ Sanatório Geral

Comparação criativa

“Eu já fiz muita disputa política, pertenço a um partido complicado. Temos divergências políticas de causar inveja a qualquer pessoa do mundo”.

Lula, ao lado do presidente Shimon Peres, no falatório a empresários isralenses, sugerindo que as brigas que envolvem as alas do PT e os bandos da base alugada são tão explosivas quanto os conflitos no Oriente Médio.

14/03/2010

às 22:03 \ Sanatório Geral

Conversa fiada

“Mediante o diálogo, acho que poderemos resolver os problemas, todos os conflitos que hoje parecem não ter solução”.

Lula, neste domingo em Israel, sem explicar por que até agora não dialogou com o presidente eleito de Honduras , Porfírio Lobo, nem dialogou com os irmãos Castro sobre os presos políticos cubanos


 

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