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imprensa

13/11/2011

às 13:33 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo e o estilo da capataz do pior ministério da história: ‘Drogado, são 18 horas. Tchau, drogado, volta amanhã’

Na edição deste domingo, a Folha dedicou duas páginas ao que seria o modo Dilma Rousseff de administrar a nação. Acabou revelando o estilo da capataz que desgoverna o Brasil à frente do pior ministério de todos os tempos. Sempre atento, o jornalista Celso Arnaldo Araújo capturou oito manifestações do neurônio solitário que Lula legou à nação, anexou um curto parecer e devolveu a freguesa ao quarto presidencial do Sanatório Geral. Depois de acuradas análises, o corpo clínico do mais eficaz nosocômio do país (o segundo deve ser o Sírio-Libanês) achou que era outro caso para um atendimento de emergência na UTI do Direto ao Ponto. E é. (AN)

– Tchau, dinheiro.

– Drogado, são 18 horas. Tchau, drogado, volta amanhã.

– Pô, general!

– Pode tocar!

– Não tô preocupada com repercussão de imprensa.

– Vocês estão me entendendo?

– De jeito nenhum!

– Eu quero que o embaixador…

Comentário do implacável caçador de cretinices:

Como pretende a Folha deste domingo, em duas páginas assombrosas que a esta altura já devem estar sendo emolduradas por um dos 218 funcionários do setor de clipping do Palácio do Planalto, sete explosões de candura pessoal, sabedoria republicana e supereficiência administrativa da presidente que conhece tudo, controla tudo, enquadra todos – mas só é capaz de perceber quando as drogas de seus ministros dão um tchau ao dinheiro público com a repercussão da imprensa.

09/11/2011

às 19:11 \ Sanatório Geral

Assim não dá

“Não dá para aceitar que a imprensa fique derrubando ministro de 15 em 15 dias.”

Paulo Pereira da Silva, vulgo Paulinho da Força, deputado do PDT e presidente da Força Sindical, proibindo a imprensa de denunciar mais de um ministro corrupto por mês.

29/10/2011

às 18:42 \ Feira Livre

‘Brados retumbantes’, de Nelson Motta

TEXTO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA SEXTA-FEIRA

Nelson Motta

A cada ministro que cai, ainda ecoam vozes do Planalto repetindo o bordão de que a presidenta não será pautada pela imprensa, não irá a reboque da mídia, não decidirá sob pressão. Embora todos os escândalos que levaram a quedas de ministros tenham sido levantados justamente pela imprensa.

Nunca na história desse governo a mídia e a opinião pública foram surpreendidas com algum ministro demitido por malfeitos flagrados e revelados pelo próprio governo e seus órgãos de controle.

Se a imprensa não gritasse, o ministério inicial de Dilma/Lula estaria intacto e, como dizia o ministro Orlando Silva, seria indestrutível. É por isso que o Zé Dirceu e seus colunistas militantes gritam tanto contra a “mídia golpista”. Por ser legalista demais.

Daí a obsessão de controlar os meios de comunicação por meio de conselhos a serem aparelhados por partidos e sindicatos. Inspirada nos modelos venezuelano e argentino, uma das bandeiras dessa “democratização da mídia” é a limitação da “propriedade cruzada”: quem tem televisão não pode ter rádio, jornal, portal de internet ou canal de TV paga ao mesmo tempo.

Apesar da competição acirrada no bilionário mercado publicitário brasileiro, eles querem nos proteger de monopólios imaginários, ignorando que a interação entre várias mídias é hoje uma exigência dos grupos de comunicação independentes, que os viabiliza economicamente. A produção de informação e entretenimento custa, e vale, cada vez mais.

Para manter a TV Globo, seus acionistas teriam de vender suas revistas, rádios e canais pagos. A Folha de S. Paulo teria de se desfazer do UOL. A Band teria de escolher entre suas rádios ou TVs. A RBS perderia a Zero Hora. Coitado do Sarney, teria de abrir mão de sua Rede Mirante ou da Tribuna do Maranhão.

O sonho dirceuzista é ver empresários “progressistas” comprando a CBN, a Época, o UOL e a Band News, financiados pelo BNDES, por supuesto, para “democratizar” as comunicações brasileiras. Como jamais conseguiram criar, mesmo com rios de dinheiro publico, um veículo de sucesso e credibilidade, desistiram de tentar fazer, agora querem comprar feito.

22/10/2011

às 3:31 \ Sanatório Geral

Dilmês 171 (2)

“Esse processo comunicacional faz vibrar a classe média ingênua e interessada e também os adversários políticos dos condenados, sejam de que partidos forem. Todos esquecem que podem ser os próximos réus do justiçamento paralelo”.

Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul, em outro trecho da discurseira no Congresso Nacional da Campanha do Ministério Público Brasileiro contra a Corrupção, explicando em dilmês 171 que, se a imprensa continuar publicando notícias sobre a roubalheira desavergonhada, todos os partidos da aliança governista serão fechados por falta de quórum.

10/09/2011

às 16:59 \ Direto ao Ponto

O carnaval temporão do PT e a segunda Quarta-Feira de Cinzas dos corruptos

O carnaval temporão do PT, concebido para permitir que os devotos da seita tirassem do baú  fantasias usadas nos 80, começou numa quinta-feira com um palavrório de José Dirceu e terminou no domingo, com a divulgação do documento que agrupa as conclusões do congresso do partido realizado em em Brasília.  De 1° a 4 de setembro, os companheiros puderam reviver os tempos em que o chefe da quadrilha do mensalão podia berrar que “o PT não róba nem dêxa robá” sem se arriscar a ouvir de volta uma vaia de Maracanã em tarde de Fla-Flu.

Merecidamente escalado para abrir os festejos, Dirceu apareceu na TV fantasiado de especialista na recuperação de larápios compulsivos. “O congresso do PT vai reafirmar nossa luta contra a corrupção”, avisou horas antes do início da quermesse dos pecadores sem remorso. Há quase 50 anos colecionando anotações no prontuário, há cinco sentado no banco dos réus do Supremo Tribunal Federal, o guerrilheiro de festim à espera de julgamento por formação de quadrilha e corrupção ativa descobriu que a cura para gatunos juramentados não está no velho Código Penal, mas numa nova lei eleitoral.

“Voto em lista e financiamento público são a bandeira do PT para eliminar o poder econômico, a corrupção, o caixa dois e democratizar o sistema eleitoral”, receitou o doutor em bandalheiras. “A reforma política é um dos principais antídotos contra a corrupção”. No dia seguinte, depois de trocar o paletó sempre curto demais pela guayabera de cubano honorário, Rui Falcão não hesitou em trucidar a verdade e a língua portuguesa para juntar-se a Dirceu na luta em defesa da moral e dos bons costumes.

“Apoiamos incondicionalmente o combate sem tréguas da corrupção”, recitou o presidente do PT para a plateia de quase 2 mil militantes. Todos já sabiam, graças a um documento com as propostas da tendência majoritária, que o partido havia retomado o monopólio da ética, confiscado há seis anos pelo escândalo do mensalão. Como nos velhos tempos, o comando da sigla voltou a decidir, sem fazer consultas nem admitir palpites, quem é ou quem não é corrupto, quem já foi, quem deixou de ser e quem será.

“A oposição, apoiada – ou dirigida – pela conspiração midiática que tentou sem êxito derrubar o presidente Lula, apresenta-se agora liderando uma campanha de ‘apoio’ à presidente Dilma, para que esta faça uma ‘faxina’ no governo”, adverte um trecho do documento, que logo adiante acusa os governadores do PSDB de “omissão no combate à corrupção em seus próprios Estados”. No sábado, um orador lembrou que ninguém tem mais ojeriza que Lula a parlamentares picaretas, sejam eles 300 ou 3 mil. No domingo, o documento com as decisões aprovadas na quermesse fechou com tambores e clarins o carnaval fora de hora.

“Mais que um desafio, combater sem tréguas a corrupção é um compromisso inarredável do PT e do nosso governo, que há de ser honrado sem esvaziar a política ou demonizar os partidos, sem transferir acriticamente, para setores da mídia que se erigem em juízes da moralidade cívica, uma responsabilidade que é pública”, alertou a sopa de letras. Tradução: o combate à roubalheira é coisa séria demais para ser tratada pela imprensa ou por partidos de oposição.

Ou por jovens brasileiros inconformados com a ladroagem em escala industrial, emendaram as velhas vestais despudoradas quando o carnaval acabou. Se o falatório dos dias anteriores fosse sincero, os foliões ficariam entusiasmados com o movimento contra a corrupção. Acabaram traídos pela irritação causada pelos atos de protesto programados para o dia 7. Todos enxergaram, por trás do alvo abrangente, uma estrela vermelha. A reação colérica só serviu para confirmar que, aos olhos dos próprios companheiros, PT e corrupção são hoje coisas indissociáveis.

O abraço de afogado foi exposto nas manifestações da quarta-feira. Multiplicados por fotos, inscrições em faixas ou cartazes e palavras de ordem, os nomes e os rostos de um casal de celebridades foram lidos e ouvidos em todas as manifestações. Ela é a deputada Jaqueline Roriz, que aproveitou uma meiga troca de sussurros com Cândido Vaccarezza, líder do governo no Congresso, para agradecer a ajuda do PT e da base alugada no plano montado para livrá-la da cassação e da cadeia. Ele é o inevitável José Dirceu.

Os corruptos que brilharam no carnaval temporão viveram neste Sete de Setembro uma segunda Quarta-Feira de Cinzas.

03/09/2011

às 17:22 \ Sanatório Geral

Berreiro amedrontado

“Todos os setores da economia brasileira tem regulamentação, menos a mídia. Por que não?”.

Ideli Salvatti, um berreiro à procura de uma ideia fantasiado de ministra, chamando liberdade de imprensa de “setor da economia” e censura de “regulamentação”,  em mais uma demonstração de que topa qualquer negócio para impedir que sejam divulgados os donativos que fez para a Ong do assessor, os passeios pelo exterior por conta do Senado e as trocas de favores com Renan Calheiros e José Sarney, fora o resto.

21/08/2011

às 18:03 \ Direto ao Ponto

O bilionário acasalamento de cabrais e cavendishs irriga os canteiros de obras

Depois de deixar eventuais explicações por conta da assessoria de imprensa, Sérgio Cabral saiu de seus cuidados para comentar a descoberta de que o governo do Rio acabou de beneficiar a Delta Construções, pertencente ao empresário Fernando Cavendish, com outro lote de “contratos para obras emergenciais” ─ sem licitação, naturalmente ─ que somam R$ 37,6 milhões. “Eu tomei conhecimento com a imprensa, não estava nem sabendo”, desconversou Cabral.

Com apenas 10 palavras, o declarante conseguiu, simultaneamente, agredir a língua portuguesa, atropelar a verdade, menosprezar a inteligência alheia, zombar da polícia, do Ministério Público e da Justiça ─ e deixar claro que se trata de um reincidente patológico. Ele prometera criar juízo ao emergir do período de luto decretado em 17 de julho pela queda de um helicóptero no litoral da Bahia. Pelo jeito, piorou.

Só no primeiro semestre deste ano, Cabral irrigou com R$ 58,7 milhões os canteiros de obras sem licitação da Delta. Abalroado pelo acidente que escancarou as relações mais que promíscuas que o ligam à família do amigo, anfitrião, patrocinador, agente de viagens e contraparente Fernando Cavendish, encomendou um código de conduta para vigiar-se. A nova safra de negócios malandros confirma que a encomenda foi mais um monumento ao cinismo.

Os contratos foram assinados por Luiz Fernando Pesão, secretário de Obras, vice-governador e candidato à sucessão do chefe e amigo. Um porta-voz da secretaria lembrou que as obras “têm alta complexidade” e que parte do dinheiro vem do governo federal. Uma nota da Delta engrossou o discurso sobre o nada: “A motivação para a escolha da Delta para obras emergenciais é o fato da empresa ter capacidade e agilidade para atender a essas demandas”.

Deve ser a única no mundo. Nos últimos quatro anos e sete meses, a empresa Cavendish faturou, em contratos com o governo do Rio, R$ 1,3 bilhão. A coisa fica mais espantosa quando exposta pela procissão de zeros à direita: R$ 1.300.000.000.00. O bilionário acasalamento de cabrais e cavendishs não é caso para código de conduta. É coisa para o Código Penal.

09/08/2011

às 4:56 \ Sanatório Geral

Esse conhece

“A imprensa escolhe o escândalo que quer novelizar”.

Ciro Gomes, ex-menino maluquinho, cinquentão doidão, admitindo que os escândalos são tantos e tão portentosos que a imprensa tem de escolher uns dois ou três entre dezenas porque não existem no Brasil jornais ou revistas com mais de mil páginas.

15/07/2011

às 2:51 \ Direto ao Ponto

Lula continua invocado com a imprensa. Que tal criar coragem e enfrentar a entrevista coletiva que sempre evitou?

Convidado para animar o segundo dia da quermesse da União Nacional dos Estudantes em Goiânia, Lula repetiu nesta quinta-feira o numerito obrigatório nas apresentações para plateias amestradas: uma discurseira contra a imprensa livre, sempre adaptada às circunstâncias. Já no terceiro minuto, entusiasmou o auditório ao indignar-se com a pouca importância atribuída ao evento pelos grandes jornais, que não descansarão até convencer os leitores de que a UNE é uma irrelevância comprada pelo governo.

Mas não é preciso perder o sono com a grande imprensa, ressalvou o palanque ambulante. De olhos postos no presidente da entidade, Augusto Chagas, ensinou que parece grande mas não é. “Você, Chagas, não tenha preocupação com quem diz que vocês são chapa branca”,  ordenou. “Você pensa que o jornal tem caráter nacional. Não sai do Rio de Janeiro. Vai na Baixada Fluminense e vê quantos jornais chegam lá”. Sempre evitando identificar os destinatários, estendeu à Folha e ao Estadão o recado remetido ao Globo: “Os grandes de São Paulo quase não chegam ao ABC, que está a 23 quilômetros da capital”.

A continuação do palavrório revelou que, embora não ultrapassem os limites da capital paulista, o que sai nos jornais chega pelo menos ao apartamento em São Bernardo, o B do ABC, onde mora a família do ex-presidente. Ou por ter superado por alguns instantes a ojeriza a leituras, ou porque algum amigo lhe fez o favor de ler trechos em voz alta, Lula ficou sabendo (e não gostou), por exemplo, do noticiário sobre seu desempenho na crise que resultou no segundo despejo de Antonio Palocci.

“Eles aproveitam qualquer coisa pra me comparar com a Dilma e dizer que a Dilma é fraca”, decidiu.  “Só diz que ela é fraca quem não conhece a personalidade dela. Se o babaca que escreveu isso já tivesse sentado com a Dilma dez minutos, ele ia saber que ela pode ter todos os defeitos do mundo, menos ser fraca”. Ao perceber que acabara de admitir que a sucessora tem defeitos, engatou uma quinta marcha e acelerou em direção ao tema predileto: Lula. “Já faz seis meses que eu deixei a Presidência, mas eles não saem do meu pé”, irritou-se. Eles, presume-se, são os jornais. E arrematou o desabafo com a advertência tremenda: “Eu estou ficando invocado”.

Lula jura que, quando ficou invocado com George Bush, telefonou para a Casa Branca e ordenou-lhe que mantivesse longe do Brasil a crise econômica nascida nos Estados Unidos. Pouco tempo depois, invocado com Barack Obama, mandou o colega importar o modelo do SUS para resolver os problemas do sistema de saúde americano. Como agora anda invocado com a imprensa, deveria criar coragem e convocar a entrevista coletiva que evita há mais de oito anos. Uma entrevista de verdade, sem restrições espertas, franqueadas a genuínos jornalistas providos, livres para tratar de qualquer assunto e com direito a réplica.

Se tal duelo ocorresse logo depois da apresentação em Goiânia, por exemplo, não ficaria em pé sequer uma vírgula da discurseira no congresso financiado por empresas estatais, diante de uma plateia composta por figuras tão representativas do universo estudantil quanto instrutores de grupos de escoteiros. Dez minutos de perguntas e respostas bastariam para que até o presidente da UNE admitisse que Lula reduziu a velha sigla a um departamento universitário do governo, dirigido por jovens pelegos recrutados no PCdoB, corrompido por subvenções repulsivas,  empregos federais, verbas escandalosas, até dinheiro para a construção da sede nova.

Como o palanqueiro já voltou de Goiânia, a UNE é coisa do passado. Caso aceite a ideia, a entrevista se ocupará de questões  muito mais urgentes, mais relevantes, sobretudo mais complicadas. Em menos de meia hora, Lula descobrirá a diferença que existe entre um sarau com blogueiros estatizados e uma conversa com jornalistas independentes.

27/06/2011

às 12:05 \ Direto ao Ponto

Os comandantes da ofensiva contra a liberdade de imprensa ignoram que nem todos os jornalistas estão à venda

Entre uma rodada de palestras financiadas por empresários amigos e uma missa negra pela salvação da pele dos pecadores de estimação, Lula retomou na terceira semana de junho a ofensiva contra a liberdade de imprensa. Coerentemente, a discurseira que tenta estigmatizar o jornalismo independente e faz a louvação da censura, rebatizada pelo PT de “controle social da mídia”, foi ressuscitada no Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que juntou em Brasília o bando que age na internet a serviço do governo e, sobretudo, do ex-presidente que ainda não desencarnou do Planalto.

“Nunca me preocupei com crítica, mas que elas sejam verdadeiras”, mentiu Lula para a plateia de blogueiros estatizados pelo companheiro Franklin Martins com verbas, empregos e favores providenciados pelo Ministério da Propaganda. “O que me preocupam são as inverdades, como aquela pedra, meteorito, que bateu na cabeça de um candidato na eleição”, voltou a tratar os fatos a socos e pontapés, insistindo em debochar da agressão sofrida pelo candidato tucano José Serra numa passeata no Rio de Janeiro.

Anabolizado por salvas de palmas, o palanque ambulante caprichou nos afagos aos coadjuvantes das sucessivas farsas encenadas para transformar afrontas à democracia em piadas ─ ou para negar que aconteceram. “Vocês evitaram que a sociedade brasileira fosse manipulada como durante muito tempo ela foi manipulada”, inverteu as coisas o falsário patológico. “Vocês evitaram que os falsos formadores de opinião pública ditassem regras do que deveria acontecer no país”.

Nessa versão pilantra, o Brasil escapou de afundar nas fantasias urdidas pela imprensa não domesticada graças aos progressistas eletrônicos ─ uma tribo que agrupa fanáticos estacionados no começo do século 20, exotismos que ainda empunham garruchas da Guerra Fria e ex-jornalistas que arrendaram a alma ao governo para garantir uma velhice poupada ao menos de achaques financeiros. Todos incondicionalmente subordinados ao morubixaba, não acham nada sem prévia autorização, nem ousam pensar por conta própria. Esses requintes são para quem têm autonomia intelectual. Limitam-se a fazer o que o dono ordena.

No Brasil dos blogs governistas, não existem safadezas, roubalheiras, corrupção, ladroagem, quadrilhas federais, nada disso. E o escândalo do mensalão, claro, foi uma invencionice da elite golpista. Nesse país sem pecados, Erenice Guerra é uma dama de reputação ilibada, Antonio Palocci prosperou honestamente, Aloízio Mercadante e seus aloprados jamais fabricaram dossiês, Dilma Rousseff é uma pensadora onisciente, Lula é o gênio da raça e o partido segue honrando a frase recitada por José Dirceu no século passado: “O PT não róba nem deixa robá”.

O inevitável Dirceu apareceu no segundo dia da quermesse em Brasília disposto a explicitar o que o chefe sugerira e, de novo, esvaziar o estoque de bravatas. “É uma vergonha que a regulação da mídia não seja realidade”, irritou-se. “Se o Poder Legislativo é soberano e autônomo, ele fará a reforma”. Se não fizer, avisou o palavrório, terá de haver-se com as tropas do combatente diplomado em Cuba. “Estou disposto a travar essa luta junto com vocês”, avisou o guerrilheiro de festim.

Declarações beligerantes formuladas por Dirceu só conseguem matar de rir. Vencido pelo padeiro de Ibiúna em 1968, pelo medo paralisante nos anos 70, pela própria arrogância no restante do século, ele foi definitivamente derrotado pelo prontuário em 2005. Mas o revolucionário de araque está sempre pronto para perder mais uma. Ele se recusa a morrer antes de monitorar, de preferência instalado no gabinete do ministro da Propaganda, a implantação do controle social da mídia.

Enquanto durasse a experiência liberticida, o que merece ou não virar notícia seria decidido por comitês formados por gente de confiança do governo, como os participantes do encontro em Brasília. “Os blogueiros progressistas não têm rabo preso com ninguém, a não ser com a própria consciência”, garantiu Dirceu. Os que conheci nunca souberam o que é isso. Dependendo do preço, suariam a camisa com o mesmo entusiasmo num campo de concentração nazista ou num gulag soviético.

A recidiva autoritária de Lula e Dirceu foi concebida para inibir os que não se deixam intimidar e açular os blogueiros federais. Além dos incontáveis casos de polícia já eviscerados pela imprensa, vêm aí a Copa da Roubalheira, a Olimpíada da Ladroagem e, antes dos dois espantos, o julgamento da organização criminosa envolvida no mensalão. Para que o governo do padrinho e da afilhada não fique ainda pior no retrato, é essencial reduzir o espaço de quem insiste em contar o caso como o caso foi e ver as coisas como as coisas são.

Os comandantes da ofensiva, intensificada neste fim de semana, vão constatar de novo que manobras liberticidas naufragam já nos primeiros artigos da Constituição. E descobrirão que não são poucos os profissionais que ilustram a lição de Cláudio Abramo: “O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, o exercício cotidiano do caráter”. Jornalistas independentes são prisioneiros voluntários da paixão pela verdade. Enxergam e denunciam delinquências seja qual for a filiação partidária do bandido. Sabem que a liberdade não tem preço. E não estão à venda.


 

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