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Honduras

28/02/2011

às 20:01 \ Direto ao Ponto

Os cúmplices das ditaduras só tratam como inimigo o governo democrático de Honduras

O governo brasileiro ainda não rompeu relações diplomáticas com a ditadura de Muamar Kadafi, há 42 anos no controle da Líbia. Anualmente, o Itamaraty abastece com boladas consideráveis as embaixadas que garantem um amistoso convívio com a Coreia do Norte (que não sabe o que é eleição há 62 anos, com Cuba (52 anos), com o Gabão (45), com a Guiné Equatorial (43) e dezenas de outros países subjugados há décadas por tiranias abjetas. A política externa da Era da Mediocridade adotou a velha regra dos bordeis: desde que pague a conta, em dinheiro, bens materiais ou favores, qualquer um pode ser freguês.

Como toda regra exige uma exceção, sobrou para Honduras. Em 2009, para neutralizar os projetos golpistas de Manuel Zelaya e garantir a realização da eleição prevista para novembro, a Corte Suprema, o Congresso e o Exército despejaram do palácio o presidente arrendado por Hugo Chávez. A crise agravada pela intromissão da Venezuela e do Brasil nos assuntos internos de uma nação soberana não impediu que o governo interino cumprisse o prometido. Candidato por um partido de oposição, Porfírio Lobo foi eleito presidente na data programada e empossado em fevereiro de 2010.

Passado um ano, o Brasil só não mantém relações diplomáticas com o governo democrático de Honduras. O decassílabo recitado pelo ex-chanceler Celso Amorim resume a discurseira dos farsantes: “As eleições não foram democráticas”. Conversa fiada. Coisa de sabujo. A disputa nas urnas foi chancelada sem ressalvas por observadores internacionais. A presidente Dilma Rousseff e o chanceler Antonio Patriota precisam livrar-nos imediatamente da herança absurda. Os hondurenhos talvez nem tenham notado que a embaixada que virou pensão continua fechada. Mas os brasileiros decentes não merecem contemplar por mais tempo outro monumento ao farisaísmo.

26/02/2011

às 1:38 \ Direto ao Ponto

A turma que sonha com o extermínio dos imperialistas ianques não conseguiria viver num mundo sem os Estados Unidos

“Os Estados Unidos precisam usar sua influência para que os golpistas aceitem um acordo”, começou a miar o chanceler Celso Amorim no fim de 2009, depois de descobrir que o governo interino de Honduras não se dispunha a perder tempo com bravatas em mau português. Se o governo americano não tivesse articulado o acordo que restabeleceu a normalidade política no país caribenho, o companheiro Manuel Zelaya ainda estaria hospedado na pensão a que foi reduzida a embaixada brasileira em Tegucigalpa, jogando lenha na fogueira que Hugo Chávez acendeu e Lula alimentou.

A recente conversa entre Antonio Patriota e Hillary Clinton sobre a retirada dos brasileiros em perigo na Líbia atesta que o Planalto gostou tanto da fórmula inaugurada em Honduras que pretende induzir a Casa Branca a engolir uma exótica parceria: o Brasil sempre entra com o problema e os Estados Unidos entram sempre com a solução. Confrontado com a insurreição popular que surpreendeu Muamar Kadafi, Patriota nem sequer sugeriu a Lula que conseguisse do seu “amigo e irmão”, como recitou o então presidente no encontro da União Africana em 2009, autorização para a entrada de embarcações estrangeiras em águas líbias. Tratou de pedir socorro à secretária de Estado do governo Barack Obama.

Sem a ajuda dos Estados Unidos, mais de 600 brasileiros ainda estariam a ver navios no litoral de Tripoli e Benghazi. Mas Obama não vai ouvir de Lula, quando o mais loquaz dos governantes recuperar a voz, um único e escasso tanquiú gaguejado em surdina. Tampouco deve esperar agradecimentos formais do Itamaraty. Nessa parceria à brasileira, o País do Carnaval não só entra sempre com o problema como, entre um socorro e outro, debita na conta de quem o socorreu todos os males e pecados do mundo.

É o que fez a companheirada nos oito anos do que Ricardo Setti batizou de lulalato. É o que sempre fizeram os esquerdopatas que passam a vida sonhando com o extermínio do Grande Satã, mas não conseguiriam viver sem ele. “Nós precisamos do imperialismo norte-americano, assim como um retirante precisa de sua rapadura”, ironizou o grande Nelson Rodrigues em março de 1968. “Ele é a água da nossa sede, o pão da nossa fome, é o nosso gesto, é a nossa retórica. Quem nos justifica e quem nos absolve? O imperialismo”.

No parágrafo seguinte, o cronista previu o que aconteceria “se Deus convocasse as nossas elites, as nossas esquerdas, inclusive a católica; se chamasse os estudantes, se chamasse os escritores e lhes perguntasse: ‘Venham cá. Vocês querem que eu expulse o imperialismo americano?”". Nem pensar, concordariam prontamente os consultados, prontos para a cena descrita por Nelson Rodrigues: ‘”Cairíamos de joelhos, na calçada, soluçando o apelo: ‘Não faça isso, Excelência, não faça isso!’”.

A ÚLTIMA BÚSSOLA
Se as coisas eram assim na metade do século passado, pioraram extraordinariamente com o sumiço das demais referências que orientavam os combatentes da Guerra Fria na frente tropical. De lá para cá, desapareceram a União Soviética, o Muro de Berlim, a Cortina de Ferro, o Pacto de Varsóvia, a China maoísta, o Partidão, até a Albânia. Os guerrilheiros de festim lutam contra a calvície, a moral e os bons costumes. Os revolucionários de passeata atacam cofres públicos e facilitam negociatas de capitalistas selvagens. Fidel Castro virou garoto-propaganda da Adidas e agoniza numa Cuba em decomposição. A última bússola é o imperialismo ianque.

A hostilidade aos Estados Unidos é o derradeiro traço comum da tribo que junta stalinistas farofeiros, vigaristas cucarachas, bufões bolivarianos, terroristas islâmicos, populistas de bolerão,  genocidas patológicos e ditadores africanos de diferentes túnicas e contas bancárias na Suiça. Neste começo de milênio, caso acordassem num mundo sem os Estados Unidos, todos se sentiriam mais órfãos que um Pedro II sem pai nem mãe, sem trono e sem José Bonifácio.

“O tal ódio aos americanos não chega a ser um sentimento, não chega a ser uma paixão. É uma defesa”, diagnosticou Nelson Rodrigues. “O imperialismo é culpado de tudo e nós, de nada”. A acreditar na lengalenga dos que despertam no meio da noite berrando insultos ao Tio Sam, é por culpa da nação que garantiu em duas guerras o triunfo da liberdade sobre o totalitarismo que o Brasil ainda não acabou de vez com a fome, o analfabetismo, a seca do Nordeste, o impaludismo, os vexames do Enem, os naufrágios do PAC, a mortalidade infantil, o déficit público, a impunidade dos corruptos e dos assassinos, o desmatamento da Amazônia e a pouca vergonha epidêmica.

É também a Casa Branca que impede a paz planetária, avisa toda semana o assessor presidencial Marco Aurélio Garcia. Enquanto o ministro das Relações Exteriores pedia ajuda a Hillary, o conselheiro para complicações cucarachas, agora promovido a chanceler sem Itamaraty, tirou do armário a farda e a espingarda de veterano da Guerra Fria ─ desta vez para fuzilar a ideia, esboçada pelos EUA, de apressar o despejo de Kadafi com sanções políticas e econômicas.

Inimigo do meu inimigo é meu amigo, acredita Garcia. Se os americanos não gostam dele, então o ditador da Líbia é gente fina. Quem deve ser tratado como psicopata é o presidente da mais vigorosa e admirável democracia da História. Por coerência, o governo brasileiro tem de colocar sob suspeição qualquer figura elogiada por Barack Obama, certo? Errado, ensina o título honorífico que Lula mais aprecia.

Ao ouvir do intérprete servil que o colega americano dissera que era ele “o cara”, o alvo da lisonja deveria ter ficado tão ruborizado quanto uma virgem de antigamente: para merecer um afago da personificação do Mal, algum pecado mortal teria cometido. Que nada. Com um sorriso de candidata a Miss Simpatia, Lula amparou-se na expressão arbitrariamente atribuída a Obama para passar a enxergar no espelho o maior dos pais-da-pátria desde Tomé de Souza.

Há três anos, ele lustra o ego com a mesma gabolice: “Não fui eu quem falou que eu era o cara”. Tem razão. Foi nomeado pelo homem que a tribo acusa de chefiar o imperialismo ianque.

04/02/2011

às 7:08 \ Sanatório Geral

Tradição & coerência

“Nossa política externa estará baseada nos valores clássicos da tradição diplomática brasileira: promoção da paz, respeito ao princípio de não intervenção, defesa dos direitos humanos e fortalecimento do multilateralismo”.

Dilma Rousseff, aparentemente convencida por Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim de que a embaixada em Honduras foi transformada na Pensão do Zelaya porque atender aos desejos do vizinho Hugo Chávez faz parte dos valores clássicos da tradição diplomática brasileira.

09/11/2010

às 18:44 \ Direto ao Ponto

Como vai ser o 2 de janeiro de Lula

Em 12 e 20 de dezembro de 2009, os amigos da coluna se divertiram com a descrição, dividida em dois textos premonitórios, do último dia de funcionamento da pensão instalada na embaixada do Brasil em Honduras para abrigar a turma de Manuel Zelaya. Vale a pena revê-los, porque vem aí o post que vai contar como será o 2 de janeiro de Lula.

29/07/2010

às 2:40 \ Sanatório Geral

Almoço da pesada

“Não podemos admitir que o golpe de 28 de junho de 2009, em Honduras, se torne incentivo a novas aventuras antidemocráticas no nosso continente”.

Lula, capturado em VEJA.com pelo Guilherme Macalossi e remetido ao Sanatório com o seguinte bilhete: Depois do almoço, ao lado de Daniel Ortega, ex-ditador e candidato a gerente vitalício da Nicarágua, o presidente brasileiro resolveu ensinar que a defesa da democracia em Honduras foi um golpe e que o avanço do totalitarismo chavista na Venezuela, o assassinato de opositores no Irã e o genocídio patrocinado pelo governo do Sudão em Darfur contribuíram para a consolidação da democracia liberal.

23/07/2010

às 0:56 \ Sanatório Geral

Errou por pouco

“El Salvador sofreu um golpe de Estado”.

Dilma Rousseff, na entrevista à TV Brasil, enxergando El Salvador onde fica Honduras e confundindo com um golpe de Estado o despejo do companheiro Manuel Zelaya.

08/07/2010

às 20:41 \ Direto ao Ponto

O Brasil que sobreviverá à Era Lula talvez nem tenha tempo para desprezar Amorim

“Negócios são negócios”, recitou Celso Amorim para justificar a troca de afagos e elogios entre o presidente Lula e Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, ditador da Guiné Equatorial há mais de 30 anos.  Se a França vende manteiga à nação africana, acrescentou no café da manhã seguinte, por que o Brasil ─ para garantir que empresários daqui continuem lucrando por lá ─ não pode aceitar alguns milhares de assassinatos, relevar um ou outro genocídio e, em respeito à soberania dos demais países, evitar interferências em problemas internos?

E Honduras?, dispensaram-se de retrucar os jornalistas que ouviram a frase que resume exemplarmente a diplomacia do cinismo. A discurseira do governo brasileiro, que rompeu relações diplomáticas com o país centro-americano entre juras de amor à democracia ameaçada, só existe quando o volume de exportações e importações é pouco relevante? Negócios são negócios, constata quem vê as coisas como as coisas são. E vão muito além de cifras, balanças comerciais ou acordos econômicos.

O governo que usa o Itamaraty para posar de esquerdista é também um negociante político-ideológico. Faz qualquer negócio para ajudar companheiros ou prejudicar o Grande Satã Ianque e os lacaios do imperialismo estadunidense. O venezuelano Hugo Chávez e o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, por exemplo, são bons companheiros. São inimigos o colombiano Alvaro Uribe e qualquer presidente hondurenho que não se chame Manuel Zelaya.

“Para defender a democracia, o governo americano tem o dever de aplicar sanções econômicas a Honduras”, reiterou o chanceler enquanto Zelaya gerenciava a embaixada reduzida a pensão. “Se as sanções econômicas ao Irã se tornarem mais apertadas, quem sofrerá serão os setores mais frágeis da sociedade”, continua a contradizer-se sem ficar ruborizado.

Amorim defendeu desde o primeiro minuto no emprego a volta de Cuba (que não sabe o que é uma urna desde os anos 50) à Organização dos Estados Americanos. Mas não admite a readmissão de Honduras, porque as eleições que levaram ao poder o candidato oposicionista Porfirio Lobo “foram realizadas pelo governo golpista”. O companheiro Fernando Lugo pode contar com a ajuda do Brasil na guerra contra a guerrilha paraguaia. Os companheiros das FARC podem contar com a omissão do Brasil na guerra contra o governo constitucional colombiano.

O legado da diplomacia do cinismo não poderá ser integralmente debitado na conta de Amorim. Ela faz o que Marco Aurélio Garcia e o PT acham certo ─ e Lula manda fazer. Mas Garcia é uma velharia perdida nos escombros do Muro de Berlim, e Lula é o resultado previsível do cruzamento da soberba com a ignorância. Amorim é outra coisa. É diplomata de carreira. Foi ministro das Relações Exteriores do presidente Itamar Franco. Conheceu o Itamaraty de outros tempos. Sabe que não deveria fazer o que faz. Faz por excesso de vassalagem e falta de vergonha.

“Você me despreza, não?”, pergunta o trapaceiro interpretado por Peter Lorre, num dos grandes momentos do filme Casablanca, ao protagonista eternizado por Humphrey Bogart. “Desprezaria, se pensasse em você”, responde Rick Blaine. Ugarte é uma figura exemplarmente desprezível, sublinha a expressão entediada de Bogart. Tão desprezível que nem vale a pena ocupar-se dele.

É provável que Celso Amorim escape de ser desprezado pelo Brasil do futuro por ser só mais um Ugarte. Não vai merecer sequer um asterisco em livros de História. Merece o desprezo eterno, mas o país que sobreviverá à Era Lula não terá tempo para lembrar-se de gente assim.

08/06/2010

às 16:40 \ Sanatório Geral

Tremendo patriota

“É essencial criar condições para a participação do ex-presidente Zelaya”.

Antonio Patriota, secretário-geral do Itamaraty, envergonhando a pátria no Peru ao avisar que Honduras só será readmitida na Organização dos Estados Americanos se for representada pelo golpista desempregado Manuel Zelaya.

13/05/2010

às 12:43 \ Sanatório Geral

Neurônio alucinado

“Não acredito que o governo brasileiro possa interferir nas questões internas dos outros paises da região e ser bem sucedido. A exceção de Honduras, porque lá não houve uma eleição, e sim um golpe de Estado. Nós não concordamos com a deposição de ninguém”.

Dilma Rousseff, em Porto Alegre, convencida de que o presidente Porfirio Lobo, eleito democraticamente pelo povo hondurenho, chegou ao poder por ter derrubado o companheiro Manuel Zelaya.

05/05/2010

às 22:41 \ Direto ao Ponto

A ultrapassagem das últimas fronteiras da canalhice

Parida por stalinistas farofeiros, avalizada por um presidente ignorante também em geopolítica e executada por um chanceler poltrão, a política externa do governo brasileiro ultrapassou uma das últimas fronteiras da canalhice ao retomar a sequência de agressões a Honduras. Pronto para a viagem ao Irã, em fase de aquecimento para a tarefa de distrair aiatolás atômicos com afagos subalternos e anedotas vulgares, Lula voltou a absolver um governo infame enquanto reiterava a excomunhão de um presidente democraticamente eleito.

O bando de Mahmoud Ahmadinejad fraudou as eleições, reprimiu com ferocidade todas as manifestações de protesto e há meses vem assassinando dissidentes. O presidente Porfirio Lobo candidatou-se por um partido de oposição, foi escolhido pelo voto direto e governa um país sem presos políticos. Mas só merecerá alguma atenção do Brasil quando o ex-presidente Manuel Zelaya voltar a conspirar em Honduras. Só depois disso Lula decidirá se a pequena nação centro-americana terá o privilégio de ver estendida a mão misericordiosa da potência de araque.

O Itamaraty já não se orienta por normais morais. Não existem mais diretrizes regidas por princípios éticos. Existem  manobras e jogadas urdidas por sacerdotes da esquerda psicótica, todas engolidas sem engasgos pelo chanceler sabujo. O país que se nega a reatar relações diplomáticas com Honduras é o mesmo que há seis meses festejou a abertura da embaixada na Coreia do Norte.

O governo que enxerga uma tirania em Tegucigalpa é o mesmo que protege o genocida sudanês Omar al-Bashir. O presidente que hostiliza um chefe de governo livremente escolhido pelo povo é o mesmo que chama de “irmão” o sociopata líbio Muammar Khadaffi, ou culpa presos políticos cubanos pela própria morte para inocentar a ditadura mais antiga do mundo.

Não há mais uma política externa brasileira.  O Itamaraty deixou de servir aos interesses da nação. Hoje é só um braço do PT no exterior.


 

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