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Guido Mantega

15/02/2012

às 2:33 \ Sanatório Geral

Sai daí, Guido!

“Liguei para mamãe logo cedo e disse: ‘Sou o homem mais poderoso da República. Derrubei o Zé Dirceu e agora vou derrubar o Mantega’”.

Roberto Jefferson, presidente do PTB, ao saber dos rumores que lhe atribuem a autoria da ação de despejo contra o ministro da Fazenda, disfarçando com o sorriso irônico a vontade de berrar: “Sai daí, Guido!”

14/02/2012

às 23:25 \ Sanatório Geral

Tremenda piada

“Acho que são piadas de mau gosto”.

Guido Mantega, ministro da Fazenda, sobre os rumores segundo os quais a perda do emprego é iminente, fingindo ignorar que nenhuma piada pode ser tão pouco divertida para os brasileiros do que a permanência de um guidomantega por mais de nove anos no primeiro escalão federal.

14/02/2012

às 12:47 \ Feira Livre

Muita inocência

EDITORIAL PUBLICADO NA FOLHA DESTA SEGUNDA-FEIRA

Já não é pouco desplante ─ num desmentido da imagem gerencial que cerca a presidente Dilma Rousseff ─ o hábito generalizado de lotear cargos técnicos entre partidos que compõem a base do governo. O observador já conformado com o fisiologismo da política brasileira poderia, entretanto, esperar que esse loteamento tivesse, ao menos, um mínimo de critério.

Com a demissão do presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci Martins, por suspeitas de contratos irregulares com fornecedores, produziu-se um fato raro, até mesmo nos anais pouco edificantes da vida partidária nacional. Desmoralizou-se o apadrinhamento. O PTB, suposto autor da indicação de Denucci para a vaga, jura não ter papel algum no episódio.

O padrinho teria sido o próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, que se exime da acusação. Nada mais teria feito a não ser aceitar, de um deputado petebista, o currículo do candidato. Eis que a fisiologia, assim, torna-se argumento em defesa do ministro ─ cuja responsabilidade ao nomear Denucci, entretanto, continua indeclinável.

Há pouco a dizer quanto aos efeitos do caso sobre a imagem do PTB. Continuará a mesma, marcada por décadas de oportunismo, tenha ou não sido sua a indicação do ex-presidente da Casa da Moeda. Quanto aos efeitos sobre a imagem do ministro Mantega, o mínimo que se pode dizer é que foram negativos. Mesmo sem nenhum envolvimento pessoal nas irregularidades da Casa da Moeda, resta o fato de que sabia das suspeitas sobre seu subordinado. Sabia e pouco fez  ─ até o momento em que se tornou iminente a revelação do caso em reportagem da Folha.

Convocado às pressas a Brasília, num fim de semana, Denucci foi então demitido. A decisão lhe foi transmitida por funcionário do terceiro escalão. Conste todavia, para todos os efeitos, que Mantega o demitiu. Demitiu e nada disse. Foi preciso que a presidente determinasse ao ministro que viessem algumas explicações ─ como aquela, inconsistente, de que acusações contra Denucci já haviam sido feitas, investigadas e arquivadas em 2010. Sim, mas não as que emergiram em seguida, das quais o ministro estava ciente desde agosto de 2011.

Terá desprezado tais denúncias por sua proveniência suspeita ─ a saber, o próprio PTB? Ou seria o caso de dizer, precisamente, que a proveniência era insuspeita? Na troca de versões entre o ministro e o PTB, ambos declaram inocência. Que seja; fica, no entanto, a questão da responsabilidade.

Não se trata de um cargo menor, a ser entregue ao primeiro protegido que apareça. O posto não é apenas técnico, mas tem contratos de vulto a celebrar e acompanhar de muito perto. Pelo menos quando se ventilam suspeitas que, por desinteresse ou conivência, nenhuma autoridade tem o direito de minimizar.

13/02/2012

às 16:49 \ Feira Livre

‘A cara do Brasil’, de J.R. Guzzo

TEXTO PUBLICADO NA EDIÇÃO DE VEJA DESTA SEMANA

J.R. Guzzo

A cena, registrada com fotos na semana passada em Brasília, poderia servir como um belo documento sobre os usos e costumes da vida política brasileira neste começo de século. Na área central do retrato, a presidente da República, Dilma Rousseff, afaga com a mão direita o rosto do ministro das Cidades, Mário Negromonte, no exato momento em que ele estava virando ex-ministro das Cidades. Um sorriso de beato ilumina o seu semblante ─ como se ele estivesse tomando posse no cargo, em vez de estar sendo demitido. O novo titular, deputado Aguinaldo Ribeiro, também em estado de graça, aguarda a sua vez de receber a bênção presidencial. Entre os grão-duques da política nordestina presentes à cerimônia, na qualidade de donos hereditários do atual Ministério das Cidades ─ Negromonte é da Bahia, Ribeiro vem da Paraíba, e ambos são do mesmo partido, o PP ─, dá para ver o senador José Sarney, vice-rei do Nordeste e do governo em geral, deslizando quietamente no cenário.

Deveria ser um momento de drama. Afinal, mais um ministro de estado, o sétimo em seguida deste governo, acabava de ser posto na rua por atolar-se em indícios de má conduta, e alguém com ficha limpíssima estaria vindo para consertar o desastre. Mas o que se podia ver, nesta fotografia do Brasil-2012, era uma comemoração. Em alegre harmonia, a presidente e seus parceiros pareciam estar dando o seguinte recado: “Atenção, respeitável público: garantimos que por aqui continua tudo igual”. Continua igual, em primeiro lugar, o que já se pode chamar de “sistema brasileiro” de mexer no ministério. Quando um ministro atinge uma cota crítica de “malfeitos” em sua área e precisa ser demitido, porque se tornou impossível, inútil ou simplesmente cansativo segurá-lo no emprego, é obrigatório nomear para seu lugar alguém que seja uma fotocópia dele ─ mesmo partido, mesma região, mesmo estilo e mesma folha corrida. Há uma salva de palmas para o ministro que sai, outra para o que entra e todo mundo fica aliviado, porque não há perigo de mudar nada. Continua igual, acima de tudo, a privatização do estado brasileiro, com áreas inteiras da máquina pública transformadas em propriedade particular de partidos e de políticos que apoiam o governo, mais suas famílias, amigos e redondezas. É a cara do Brasil de hoje.

O ex-ministro Negromonte, como os companheiros de infortúnio que o antecederam, viveu nas últimas semanas um processo de torrefação acelerada, por conta de suspeitas cada vez mais feias e cada vez menos explicadas; também como os outros, começou “blindado” e acabou virando farinha de rosca. Para seu lugar, privatizado pelo governo em favor do PP, foi nomeado praticamente um sósia. O homem já vem carimbado na frente e no verso. Está envolvido no tráfego de dinheiro público, por via de “emendas parlamentares”, em favor da mãe, prefeita de uma cidade da Paraíba, e da irmã, deputada estadual e possível candidata à prefeitura de outra. Não declarou à Justiça eleitoral nas últimas eleições, como era obrigado a fazer, a propriedade de quatro empresas. Tem duas emissoras de rádio, sempre na Paraíba, registradas em nome de pessoas ligadas a ele ─ um assessor e um ex-contador. Emprega em seu gabinete de deputado um primo que não bate ponto em Brasília; ele mora na Paraíba, onde, aliás, é dono de uma construtora. (O novo ministro acha que não há nada de mais nisso: segundo explicou, primo é parente “de quarto grau”.)

Num país com 190 milhões de habitantes, a presidente Dilma Rousseff não encontrou ninguém melhor que esse deputado Aguinaldo para o seu Ministério das Cidades; no Brasil de hoje, ao que parece, uma ficha como a sua é recomendação, e não problema, para nomear um ministro de estado. É triste, mas o que se há de fazer? O cargo pertence ao PP, e foi ele que o PP escolheu. Pior ainda é a história da Casa da Moeda, a mais recente na coleção de verão do governo; não deu nem para fingir, aí, que existe algum tipo de autoridade pública na repartição que fabrica todo o dinheiro do país. Seu presidente, Luiz Felipe Denucci, foi subitamente para o espaço, ao se descobrir a movimentação de 25 milhões de dólares em contas de empresas que ele mantinha em paraísos fiscais. O que esse cidadão estava fazendo lá? Ninguém sabe. O cargo é do PTB; o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que nunca tinha falado com ele, nem sequer visto sua cara, antes de assinar sua nomeação para presidir a Casa da Moeda ─ um caso único no mundo, sem dúvida.

Estamos, de fato, em plena privatização.

09/02/2012

às 4:11 \ Sanatório Geral

Dupla de patriotas

“Estou muito satisfeito porque, além de tudo, a Casa da Moeda está dando lucro”.

Guido Mantega, ministro da Fazenda, durante uma cerimônia na Casa da Moeda em agosto de 2010, festejando o lucrativo desempenho na presidência da instituição do companheiro Luiz Antonio Denucci, que agora jura ter conhecido só de vista.

08/02/2012

às 6:33 \ Sanatório Geral

Pastelão reprisado

“O ministro já deu as explicações necessárias”.

Romero Jucá, líder do governo no Senado, sobre a história muito mal contada envolvendo Guido Mantega, a Casa da Moeda e o PTB, rpetindo a frase que recitou quando apareceram maracutaias protagonizadas por Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novais, Orlando Silva, Carlos Lupi e Mário Negromonte.

07/02/2012

às 5:11 \ Sanatório Geral

Critério técnico (3)

“As acusações não eram sólidas. Mas ele estava sendo pressionado”.

Guido Mantega, ministro da Fazenda, explicando que Luiz Felipe Denucci foi demitido da presidência da Casa da Moeda por falta de provas e excesso de pressões.

07/02/2012

às 2:18 \ Sanatório Geral

Dupla do barulho

“Vocês vejam só o que eu virei: agora sou assessora econômica do Mantega!”.

Dilma Rousseff, na reunião ministerial realizada em 23 de janeiro, reforçando a suspeita de que os dois decidem juntos quem deve ser presidente da Casa da Moeda.

05/02/2012

às 14:47 \ Sanatório Geral

Critério técnico (2)

“Eu nunca o tinha visto, não o conhecia”.

Guido Mantega, sobre Luiz Felipe Denucci, demitido por suspeita de envolvimento em maracutaias, explicando que escolheu o presidente da Casa da Moeda porque o sobrenome, como o do ministro, é de origem italiana.

04/02/2012

às 20:16 \ Sanatório Geral

Critério técnico

“Costumamos trocar os funcionários que cumprem sua missão”.

Guido Mantega, ministro da Fazenda, ao tentar explicar a demissão do presidente da Casa da Moeda, revelando que está há mais de nove anos no governo por não ter cumprido missão nenhuma.


 

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