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Geisy Arruda

10/11/2009

às 20:27 \ Sanatório Geral

Selvageria modernizadora

“Às vezes precisamos de um certo estardalhaço para refletir”.

Ellis Brown, que tem nome de detetive de filme americano dos anos 50 mas é vice-reitor da Uniban, informando que a cada tentativa de linchamento no campus corresponde mais um avanço da universidade na busca permanente da perfeição.

09/11/2009

às 19:22 \ Direto ao Ponto

Constatação

A expulsão de Geisy Arruda acaba de ser revogada pelo reitor da Uniban. Um dia os brasileiros descobrirão que ninguém resiste à indignação coletiva.

08/11/2009

às 19:50 \ Sanatório Geral

O último virgem

“O foco não é o vestido. Tem menina que usa roupas até mais curtas. O foco é a postura, os gestos, o jeito de se portar. Ela tinha atitudes insinuantes”.

Décio Lencioni Machado, diretor jurídico da Uniban, na entrevista em que acusou Geisy Arruda de ter assediado centenas de colegas, informando que só se sentirá perturbado com meninas de saia curta e meninos de camiseta regata ou com o peito nu se a garotada exagerar nas atitudes insinuantes.

07/11/2009

às 23:40 \ Direto ao Ponto

A expulsão do vestido curto risca a fronteira que separa o país moderno do Brasil das cavernas

O monumento ao primitivismo que começou a ser erguido na noite de 22 de outubro, quando centenas de alunos do campus de São Bernardo protagonizaram a tentativa de linchamento da moça do vestido curto, foi inaugurado com a expulsão de Geisy Arruda e a aprovação, com louvor, dos agressores. A nota divulgada pela direção da Uniban, com o título A educação se faz com atitude e não com complacência, faz sentido nestes tempos estranhos. Num Brasil pelo avesso, o certo virou errado e o errado virou certo.

Como o culpado é inocente, Antonio Palocci pode estuprar a conta do caseiro, o MST pode invadir o que vier pela frente, José Sarney pode continuar engordando o prontuário de matar de inveja um general do PCC. Como o inocente é culpado, Francenildo Costa não pode queixar-se da condenação ao desemprego, os fazendeiros não podem invocar o direito de propriedade nem alegar que as terras são produtivas. Por divulgarem verdades sobre um homem incomum, o Estadão merece censura e merecem pancadas jornalistas que escrevem livros contando um pouco do muitíssimo que fez o dono do Maranhão.

Como o que era já não é, diplomas de universidades estrangeiras agora equivalem a atestados de elitismo. Devem ser transferidos da parede para o porão, antes que os diplomados sejam considerados inimigos do Grande Ignorante e, portanto, da pátria. Falar e escrever direito é coisa de preconceituoso, miudezas desprezíveis para um enviado da Divina Providência. Acumular conhecimentos é feio. Bonito é ser analfabeto. O presidente que subiu na vida sem ter estudado é a prova de que o brasileiro precisa aprender a desaprender, e revogar de vez o refinamento. É da vulgaridade que o povo gosta, é grosseria o que o povo quer.

A minissaia foi inventada em 1960, os trajes das universitárias hoje sessentonas eram bem mais ousados. Mas um microvestido ficou moderno demais, porque o país está avançando para trás. A sindicância interna concluiu que Geisy teve “uma postura incompatível com o ambiente da universidade, frequentando as dependências da unidade em trajes inadequados”.

A sorte é que jovens de boa família estavam lá para defender “os princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade” desrespeitados pela moça desvestida de vermelho. “A atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar”, descobriu a Uniban.

Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, a Uniban transformou o campus de São Bernardo no muro da boçalidade. A expulsão do vestido curto riscou a fronteira que separa o país moderno do Brasil primitivo. A turma das cavernas está do lado de lá.


 

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