27/07/2010
às 21:18 \ Direto ao PontoCelso Arnaldo descobre onde fica a coleção de obras de arte que Dilma fingiu que tinha
O jornalista Celso Arnaldo acaba capturando Dilma Rousseff até quando não sai à procura do alvo preferido. Nesta terça-feira, por exemplo, o grande caçador de cretinices topou com a candidata quando estava posto em sossego na sala de espera de um consultório médico. Confira:
“Também gosto muito de pintura e tenho a minha galeria”, fantasia Dilma Rousseff numa entrevista dada a duas repórteres da revista Claudia, publicada no ano passado sob o título “A mulher que quer governar o Brasil”, que pretendia revelar o “lado mulher” da então poderosa chefe da Casa Civil ungida por Lula. Só descobri essa entrevista hoje cedo, num consultório médico.
Descobrir que uma candidata à Presidência da República tem uma galeria de pinturas na residência oficial seria, por si só, uma outra pauta de matéria. Antes disso, ela já tinha revelado às jornalistas sua paixão por música (“Bach e Vivaldi estão sempre comigo”) e leitura (“estou na fase dos angolanos”). Enfim, uma ministra ligada às mais altas manifestações do espírito. Mas uma das repórteres de Claudia quer confirmar a informação:
“A senhora coleciona obras de arte em casa?”
A resposta de Dilma deve ter deixado as moças atônitas – mas elas ainda não conheciam a Dilma que nós conhecemos hoje. Provavelmente tomaram por excentricidade o que era apenas uma galeria de empulhação, mentira, contrafação, ignorância:
“No computador. Entro nos sites dos museus famosos, como o Metropolitan, acesso as que quero e baixo. Se estou numa fase impressionista, seleciono obras impressionistas. Atualmente, prefiro as japonesas. Para mim, literatura, música e pintura são instrumentos de descoberta. A nossa aventura neste mundo passa por compartilhar a arte. Por meio dela, acesso um pouco a raça humana. Se não tiver essa dimensão, entendo bem menos as pessoas.”
É realmente impressionante, mais do que impressionista, esse museu virtual da Dilma. Instalada num pen drive, a pinacoteca está distribuída em diversas alas e salas. No hall nipônico, as obras escolhidas são da escola Shinkansen – o trem-bala japonês. Mas a ala preferida de Dilma é a das pinturas rupestres, onde ela acessa a raça humana em seus primórdios. Ali há também uma reconstituição do crânio de Luzia, a primeira brasileira, sua conterrânea mineira – e símbolo de um Brasil de 11 mil anos atrás que Lula começou a mudar em 2003.
De Luzia, Dilma herdou a sintaxe primitiva.
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