Blogs e Colunistas

futebol

30/04/2013

às 20:02 \ Sanatório Geral

Neurônio recluso

“Hoje, além de mostrar um futebol fantástico, mostramos também que somos um país mais estável, que controla sua inflação”.

Dilma Rousseff, em Campo Grande, mostrando que o neurônio solitário não anda nem assistindo aos jogos da Seleção nem acompanhando o noticiário sobre a economia.

06/12/2012

às 1:44 \ Sanatório Geral

Maravilhas da fauna brasileira

“É uma forma de colocar a presença brasileira e estimular a ida ao Brasil para além do futebol”.

Marta Suplicy, ministra da Cultura, sobre a ideia de instalar no primeiro semestre de 2013 uma penca de “CEUs das Artes” em capitais estrangeiras, começando por Londres e Lisboa, para ensinar aos turistas interessados na Copa do Mundo que, além de futebol, o Brasil Maravilha tem para mostrar muita coisa que só existe aqui, como um doutor honoris causa que não lê nem escreve, uma faxineira que odeia vassouras, uma ministra que recomenda aos flagelados do apagão aéreo que relaxem e gozem e até um Eduardo Suplicy.

05/12/2012

às 16:37 \ Feira Livre

‘Cada um no seu lugar’, por Carlos Brickmann

PUBLICADO NA COLUNA DE CARLOS BRICKMANN

CARLOS BRICKMANN

Ele começou sua carreira jornalística cobrindo futebol. Não, não era um especialista em táticas, nem um frio observador do jogo ─ ao contrário, passional como poucos, festejou um gol do seu Palmeiras na tribuna da imprensa e por pouco não apanhou da torcida adversária (chegou à conclusão de que futebol não era com ele e mudou de setor). Passou para a cobertura da indústria automobilística. Não, não se interessou por bielas e correias dentadas: continuou entendendo de automóvel aquilo que todos os que têm carro entendem. Ampliou seu foco para a economia. Fez um sucesso estrondoso, sem nunca tentar entender de economia mais do que os especialistas: seu grande trabalho foi traduzir para os consumidores de informação, pelos jornais, rádio, tevê, aquilo que os economistas pensavam do assunto. Joelmir Beting fez sucesso por exercer a profissão de jornalista.

Acrescente-se a isso o talento, claro: Joelmir percebeu que, para o grande público não especializado, nem especialmente interessado em economia, não bastava traduzir o economês para o português. Seu texto privilegiado, seu talento para a criação de bordões, ajudou-o a divulgar o que acontecia no hermético mundo econômico. Quando a Daimler-Benz testou um Mercedes com motor a metano, gás extraído da decomposição de material orgânico, criou a frase “um carro de luxo movido a lixo”. Quando se iniciou o Proálcool, com a produção de motores movidos a álcool hidratado, foi dele o bordão “água no álcool em vez de álcool na gasolina”. Nem sempre o entendimento era de alta precisão, mas não há dúvida de que deixava o público mais bem informado sobre o tema. Chamaram-no de Chacrinha da economia e ele se divertiu com isso.

Joelmir tinha muito de italiano ─ levado pelo forte temperamento de sua esposa, a matriarca Lucila Zioni Beting. Um de seus filhos chamava-se Gianfranco, seu time era o Palmeiras, no casamento de seu filho Mauro a tarantella correu solta. Mas Joelmir descendia de austríacos. E seu rigor profissional nada tinha da informalidade atribuída popularmente aos italianos e seus descendentes: na TV, Joelmir era o primeiro a transmitir a “deixa” (última frase de seu comentário, para que o diretor soubesse a hora exata de focalizar outro apresentador) e o tempo preciso de seu comentário. Nos jornais, nunca se soube de coluna do Joelmir entregue depois do horário ─ isso simplesmente não existia.

Este colunista trabalhou alguns anos com Joelmir, embora nunca tivesse realizado seu objetivo de ficar a seu lado no rádio. Normalmente, Joelmir era o astro, embora nunca se comportasse como astro. Era gentil, brincalhão, sempre de bom humor. Num meio como o jornalístico, onde inventam defeitos se não os encontram, foi uma das raríssimas pessoas a alcançar sucesso sem provocar inveja e a circular por diversos empregos sem criar um só inimigo.

Adeus, Joelmir. E, cético embora (por exemplo, só festejei a queda do Palmeiras para a Segunda Divisão depois que não havia possibilidade matemática de virada), tenho uma certeza: como no caso de Irene, a personagem do poema de Manuel Bandeira, Joelmir entrou no céu sem precisar pedir licença.

O ódio e o preço do ódio

Um grande portal noticioso, ligado a uma rede de TV, foi condenado a pagar R$ 50 mil de indenização ao jornalista William Waack, da Rede Globo. Motivo: transcreveu a falsa informação segundo a qual Waack era informante do Governo americano e da CIA, serviço secreto dos Estados Unidos. De onde surgiu a besteira? Waack, como qualquer jornalista de alto nível, mantém encontros com diplomatas, para conversar sobre as relações de seus países com o Brasil e trocar ideias sobre questões internacionais. Foi então acusado por um pequeno blog de ser espião. O grande portal copiou a notícia do pequeno blog.

Ridículos, os dois: Waack é jornalista sério, de reputação estabelecida, respeitado pelos colegas e pelo público. Os dois acusadores foram processados. O pequeno blog se retratou, admitiu que a notícia era mentirosa e fez um acordo que incluiu a publicação de um desmentido. O grande portal, mesmo sabendo que a acusação era falsa, resolveu bancá-la, tentando afetar a Globo e desmoralizar o jornalista concorrente. Foi então condenado a pagar a indenização por danos morais.

Muitas vezes, o jogo é combinado: a notícia falsa sai num veículo sem importância, sem repercussão, para ser reproduzida num meio de grande visibilidade, que depois se defenderá dizendo que apenas acreditou no que já estava publicado. Com a decisão da Justiça, no caso de William Waack, esse tipo de jogada fica mais arriscado.

03/08/2012

às 15:03 \ Sanatório Geral

Não acerta uma

”Este país é grande, goza de respeito e está tão bom que a gente nunca ganhou as Olimpíadas e vai ganhar agora, no futebol. Não sei se outros pioraram ou nós melhoramos”.

Lula, na véspera da desclassificação da seleção feminina, espalhando o pânico entre os jogadores do time masculino.

19/02/2012

às 10:00 \ Feira Livre

A felicidade a um palmo e meio da mão

Augusto Nunes

Descobri num certo crepúsculo que menos de 15 centímetros me haviam separado, durante quase vinte anos, da felicidade absoluta. Ao longo dessa eternidade, fora proibido pela estatura de conhecer o orgasmo do basquete: enterrar uma bola na cesta com as duas mãos, proeza virtualmente inalcançável para quem mede, como no meu caso, 1m86. Até que, num inesquecível fim de tarde, sozinho numa quadra, topei com uma tabela adaptada para equipes infantis, meio metro abaixo da altitude oficial. Então, ao longo de 40 minutos fantásticos, eu soube o que é ser Michel Jordan. Bolas de chuá, jumpings impecáveis, bandejas acrobáticas, passes picados ─ esses e outros prazeres eu pudera saboreá-los como competente armador nas quadras da Araraquarense. Mas faltava a enterrada.

Desde aqueles momentos de sonho, virei feroz partidário de uma tese do cartunista Ziraldo: os jogadores de basquete deveriam ser distribuídos, como os lutadores de boxe, por categorias distintas. No mundo dos ringues, peso-pesado é uma coisa, peso-mosca é outra ─ circunstância que permitiu a um Eder Jofre, por exemplo, entrar para a história sem ter de trocar ganchos no fígado, diretos no queixo e devastadores uppercuts com um Mohammad Ali. A sugestão de Ziraldo conduziria à criação de categorias separadas para jogadores com 1m50 a 1m60, com 1m60 a 1m70 e assim por diante. É uma ideia que passo de graça ao cartolas do basquete.

Passei a endossá-la com especial entusiasmo ao ver de perto Michael Jordan, o magnífico ala do Chicago Bulls ─ experiência francamente desanimadora para um antigo craque do time de basquete do Instituto de Educação 9 de Julho. Conheci a fera em 1984, durante a Olimpíada de Los Angeles: à minha frente, erguia-se um armário com quase 2 metros de altura. Suponhamos que a natureza me tivesse dotado de todos os atributos que fazem um atleta muito singular. Como neutralizar a abissal centimetragem que nos separava (e lastimavelmente, continua a separar)?

A inexistência desses abismos físicos figura entre os muitos encantos que fazem do futebol o esporte das multidões. Não há tais abismos a separar os artistas entre si, como também não existem distâncias do gênero entre os artistas em campo e as plateias nas arquibancadas.  O peso e a altura não configuraram requisitos essenciais para a identificação de um craque, conforme têm atestado, desde que a primeira bola rolou num gramado, esplêndidas exibições oferecidas por gênios cujos biotipos decididamente recomendariam ─ em tese ─ sua imediata transferência para outras profissões. A silhueta do grande Maradona, por exemplo, perfeita para ornamentar o balão de algum açougue no subúrbio de Buenos Aires, convida ao sonho os que se acham gordos demais para a glória ─ como antes dele haviam sido convidados ao sonho pelo perfil do grande Pagão os que para a glória se achavam magros demais.

E Garrincha? Ele viera de um miserável grotão do Brasil, parecia lesado pela escassez de neurônios. Tinha ambas as pernas arqueadas para a direita, circunstância que fazia do seu andar um apelo quase irresistível à pronta intervenção de ortopedistas. Pois esse anjo torto operaria, além do milagre do equilíbrio, a improvável conjugação do drama e da comédia sobre um par de chuteiras, em espetáculos que o transformariam no maior de todos os solistas. Ao menos em tese, o mundo mágico dos estádios é acessível a gordos e magros, ricos e miseráveis, altos e baixos. Está, enfim, ao alcance do povo brasileiro.

Não é assim no basquete, tampouco no vôlei e em outros esportes hoje restritos a atletas que alcançam altitudes sequer sonhadas pelo brasileiro padrão. Talvez seja o caso de acrescentar à Declaração dos Direitos do Homem um artigo decretando que todos têm o direito de ser feliz independentemente de centimetragens. Milhões de seres humanos descobrirão que a felicidade é uma enterrada de costas ─ com as duas mãos.

19/02/2012

às 8:49 \ Frases

Melhor do mundo

“Abriu-me as portas para ser o melhor jogador do mundo e melhor jogador da Europa”.

Romário, deputado federal e ex-jogador de futebol, sobre quando atuava pelo Barcelona.

21/12/2011

às 21:31 \ Direto ao Ponto

O recado dos deuses do futebol

Poderia ter sido qualquer time brasileiro, ou qualquer seleção formada depois de 1982. Mas os deuses dos estádios entenderam que não haveria portador mais credenciado que o Santos para o recado aos habitantes do que foi ─ até perder o rumo e a alma ─ o País do Futebol. Em 90 minutos (mais de 70 com a bola nos pés, o restante do tempo preparando-se para retomá-la), o campeão do Mundial de Clubes fez, a rigor, o que fizeram Pelé e seus parceiros de espetáculo na seleção de 1958, na seleção de 1970 e no Santos dos anos 60. “Pelo que ouvi do meu pai, os brasileiros jogavam assim”, disse depois da goleada o técnico Pep Guardiola. O Barcelona é a versão moderna daquele Santos que transformou numa forma de arte a velha e brasileiríssima pelada.

O que se viu na manhã de domingo, a rigor,  foi uma sublime pelada regida por 11 craques. E os 4 a 0 em Yokohama (que poderiam ter sido 6, 8, 9 a 0) liquidaram muito mais que um adversário sem chances desde o primeiro segundo. Liquidaram os técnicos medrosos, as táticas retranqueiras, a discurseira defensivista,  o cabeça de área, o volante que só desarma, o centroavante de ofício, o chutão do goleiro em direção ao imponderável, o jogo aéreo, o zagueiro que rifa a bola, o carrinho homicida, o atacante que não volta para marcar, os brucutus que trocam golpes de luta-livre na hora do escanteio e outras flores do buquê de cretinices tropicais.

A superioridade de dimensões amazônicas também desmoralizou os cartolas que desprezam as equipes de base para caçar medalhões em fim de carreira, que demitem o técnico depois de cinco derrotas, que desmontam a equipe vencedora depois do título conquistado, que acham que o importante é ganhar, mesmo com um gol de mão aos 47 do segundo tempo. E escancarou os estragos causados pelo sumiço da várzea e seus campos de grama rala por escolinhas que formam jogadores de futebol americano e proíbem a fantasia. Hoje, caso disputasse uma peneira, Garrincha não iria além da primeira ginga: seria expulso a pauladas como as ratazanas grávidas das crônicas de Nelson Rodrigues. E substituído por um volante de contenção.

Depois do que se viu no domingo, o que têm a dizer os devotos do futebol de resultados? Quem ousará recitar que o futebol bonito é incompatível com o sucesso duradouro? Muricy Ramalho vai declamar de novo que quem quer ver espetáculo deve ir ao teatro ou ao circo? Mano Menezes vai continuar murmurando que o Barcelona é de outro planeta? O recado dos deuses do futebol será certamente ignorado por Ricardo Teixeira: se depender do dono da CBF, os calendários assassinos permanecerão intocados e a seleção seguirá desperdiçando o que lhe resta de prestígio no papel de cabo eleitoral do chefe. Para Teixeira e seus comparsas, é irrelevante o que se passa nos gramados. Ganhar ou não a Copa é secundário. Eles só pensam em ganhar com a Copa.

Ou os times brasileiros redescobrem o drible, a finta, a tabelinha, a audácia, o improviso, a fome de gol, o prazer de jogar bola, ou vão acabar perseguindo a pontapés títulos sem importância em arenas entregues ao controle de quadrilhas uniformizadas às quais interessa a vitória a qualquer preço, se possível com a eliminação física dos inimigos. O aparecimento de um Neymar só serve para reafirmar, por contraste, o que se perdeu. O futebol brasileiro tornou-se banal, comum, sem brilho, triste. Cada vez mais parecido com Ricardo Teixeira,  vai ficando com cara de fraude.

13/12/2011

às 20:53 \ Sanatório Geral

Ofensa grave

“Ô, Ideli, eu acho assim: você conseguiu aprovar a emenda 29, o Código Florestal… Se conseguir emplacar também a prorrogação da DRU e a criação do Funpresp, você bem que poderia virar técnica do Palmeiras!”

Ricardo Berzoini, deputado federal do PT de São Paulo, para a ministra Ideli Salvatti, insultando a torcida do Palmeiras.

“Nem vem que eu sou corintiana….”

Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais, na resposta a Ricardo Berzoini, insultando a torcida do Corinthians.

01/12/2011

às 18:32 \ Sanatório Geral

Ideia fenomenal

”Não se faz Copa do Mundo com hospitais e sim com estádios”.

Ronaldo Nazário, ex-jogador de futebol, depois de dois dias de estreito convívio com Ricardo Teixeira, recomendando aos doentes que não conseguirem atendimento médico durante a Copa de 2014 que se dirijam aos guichês dos estádios construídos com dinheiro público ou, em caso de emergência, procurem qualquer cambista com cara de enfermeiro.

09/07/2011

às 15:03 \ Direto ao Ponto

Aqui entre nós

Uma vitória sobre a Argentina, seja qual for o esporte, é sempre mais vitoriosa que as outras. Derrotar por 3 sets a 0 o ótimo time dos hermanos, e numa semifinal da Liga Mundial de Vôlei, melhora qualquer sábado. Vencer o segundo set por 42 a 40 deixa qualquer fim de semana com cara de feriadão.

Tomara que a seleção de Mano Menezes consiga ampliá-lo. Não é tão difícil. Basta que os garotões do futebol enfrentem o Paraguai, nesta tarde, com a mesma valentia e altivez que sublinham permanentemente a competência e o talento da seleção de Bernardinho.

 

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