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fraude

12/09/2011

às 23:09 \ Sanatório Geral

Da guerrilha ao mensalão

“É como aquela peça ‘Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá’. A trajetória do ex-presidente do PT é de um guerrilheiro que virou mensaleiro. Ele é uma grande fraude”.

Roberto Jefferson, ex-deputado federal, sobre as alegações finais enviadas ao Supremo Tribunal Federal pelos advogados de José Genoino, nas quais o escândalo do mensalão é apresentado como uma fantasia gerada por “um chilique” do presidente do PTB.

10/03/2011

às 11:06 \ Direto ao Ponto

Auditoria do TCU confirma fraude em licitação de R$6,2 milhões da TV Brasil

O título no alto da página 4 do Estadão desta quinta-feira informa: AUDITORIA DO TCU CONFIRMA FRAUDE EM LICITAÇÃO DE R$ 6,2 MILHÕES DA TV BRASIL. A ilegalidade se consumou no último dia de 2009, quando a emissora controlada por Franklin Martins contratou por essa bolada a Tecnet Comércio e Serviços Ltda. Cláudio Martins, filho do ex-ministro da Comunicação Social, é funcionário da empresa. Confira a reportagem na seção Feira Livre.

Nada disso seria divulgado se existisse no Brasil o que Franklin chama de “controle social da mídia”. É o atual codinome da censura.

10/03/2011

às 11:04 \ Feira Livre

Auditoria do TCU confirma fraude em licitação de R$ 6,2 milhões da TV Brasil

REPORTAGEM PUBLICADA NO ESTADÃO DESTA QUINTA-FEIRA

Leandro Colon

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) obtida pelo Estado aponta uma série de irregularidades, inclusive uso de documento falso e favorecimento, na licitação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), do governo federal, que contratou por R$ 6,2 milhões a Tecnet Comércio e Serviços Ltda. Cláudio Martins, filho do ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins, é funcionário da empresa. Segundo o TCU, a Tecnet não poderia disputar a licitação, nem a EBC deveria ter aceito a sua participação.

A auditoria foi concluída no dia 20 de janeiro deste ano pela Secretaria de Fiscalização de Tecnologia da Informação (Sefti) do TCU. O Estado revelou no dia 22 de setembro de 2010 que a Tecnet havia sido contratada no dia 31 de dezembro de 2009 para cuidar do sistema de arquivos digitais da TV Brasil, administrada pela EBC, num processo de licitação com indícios de fraude.

A auditoria do TCU, aliás, menciona a reportagem e confirma, por exemplo, que a empresa Media Portal, única adversária da Tecnet na concorrência, auxiliou a EBC a preparar o edital público do pregão 85/2009.

Atestado falso. O resultado da auditoria, elaborado após a EBC ser ouvida, aponta que a Tecnet falsificou um atestado para comprovar que atendia aos requisitos da concorrência. “A declaração apresentada pela empresa Tecnet acerca do integral atendimento de seu sistema aos requisitos especificados no termo de referência do Pregão 85/2009 é falsa”, diz o relatório. “Esse fato é de extrema gravidade”, ressalta trecho do documento.

A investigação do tribunal afirma ainda que “a empresa Tecnet Comércio e Serviços Ltda. não possui nos dias atuais, tampouco possuía à época da licitação, o sistema de gestão de ativos digitais em consonância com as especificações do instrumento convocatório”. E continua: “A Empresa Brasil de Comunicação S.A. aceitou sistema de gestão de ativos digitais em desconformidade com os requisitos especificados no termo de referência do Pregão 85/2009, potencialmente lesando direitos de terceiros”.

Segundo o relatório, não há, nos autos, “quaisquer documentos evidenciando a conferência dos requisitos exigidos”.

Negação. Na época da publicação da reportagem do Estado, Franklin Martins defendeu os procedimentos da EBC e negou influência do filho Cláudio Martins, funcionário da Tecnet há mais de dois anos, na contratação. “Não houve qualquer irregularidade na licitação, que foi conduzida com transparência e obedeceu a todas as normas legais”, disse. E-mails internos mostram que Franklin pediu “prioridade zero” para o caso.

A auditoria do TCU destaca essa rapidez por parte da EBC, que realizou o pregão, às pressas, no dia 30 de dezembro de 2009. O relatório afirma que a contratação da Tecnet, fechada no dia seguinte, “prescindiu de planejamento prévio adequado, não se encontrando em seus autos estudos técnicos preliminares, cuja elaboração é mandatória” segundo a Lei 8.666/93 (de licitações).

Os auditores contestam atestado de capacidade técnica da Tecnet fornecido pela Rede TV!. O TCU lembra que o sócio majoritário da emissora, Amilcare Dallevo Júnior, é também dono da Tecnet. “Esse vínculo, o qual dificilmente passaria despercebido em uma empresa de comunicação, por si só, põe sob suspeita o atestado de capacidade técnica emitido pela empresa Rede TV!”, destaca a auditoria. A Tecnet é fornecedora da RedeTV!.

Preço. A análise do TCU derruba ainda um dos argumentos da EBC de que a Tecnet venceu porque ofereceu o menor preço, de R$ 6,2 milhões, bem abaixo dos R$ 16 milhões estimados pelo governo. Segundo o tribunal, não costuma existir, numa licitação, uma diferença tão grande entre valores estimado e finalizado.

Para os técnicos, a proposta da Tecnet é inviável ou a EBC errou na estimativa: “O valor ofertado pela empresa vencedora é indício da existência de uma de duas situações: proposta inexequível ou estimativa de preços incorreta”. “Pode-se concluir que a estimativa de preço elaborada pela EBC encontrava-se com valor acima do preço realmente praticado no mercado”, enfatizam técnicos do TCU.

Os auditores também encontraram pagamentos indevidos à Tecnet. “A empresa Tecnet Comércio e Serviços Ltda. tem realizado serviços não previstos no âmbito do contrato.” Os valores repassados pela EBC à empresa estão, alerta a auditoria, “em desarmonia com o preconizado” na Lei de Licitações. O contrato da Tecnet já foi prorrogado duas vezes e, agora, está com vigência até o próximo dia 31.

PARA LEMBRAR

TV estatal foi prioridade do governo Lula

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) foi criada em outubro de 2007 como um grande projeto do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para criar uma TV Pública. Surgiu assim a TV Brasil.

Ministro da Comunicação Social à época, Franklin Martins comandou o setor até o fim do governo Lula, quando deixou o cargo. A EBC é presidida pela jornalista Tereza Cruvinel. Ex-diretora da empresa, Helena Chagas assumiu o ministério no lugar de Franklin no governo da presidente Dilma Rousseff.

A EBC tem planos de crescimento também no exterior. No ano passado, foi lançada, inclusive, a TV Brasil Internacional, um canal para os brasileiros que vivem fora do País, com operações iniciais em países africanos.

26/10/2010

às 18:51 \ Direto ao Ponto

A pergunta ainda sem resposta

Os debates anteriores informaram reiteradamente que Dilma Rousseff não precisa de ajuda para perder qualquer duelo verbal: inimiga jurada de ss e rr, quase inteiramente desprovida de raciocínio lógico, Dilma ou não diz coisa com coisa ou despeja platitudes, obviedades e rematadas cretinices. No confronto na TV Record, pela primeira vez José Serra pareceu compreender que disputa a Presidência da República contra a adversária que todo candidato pede a Deus ─ e foi à luta. No penúltimo debate da campanha, enfim ajudou a mostrar Dilma como ela é.

As perguntas que fez e as respostas que deu contribuíram para escancarar a impostura. Os espectadores com mais de 10 neurônios entenderam que a gerente de país nunca existiu: o PAC é uma piada, as obras não saem do papel, a executiva genial só conjuga no futuro verbos como fazer e construir . Entenderam que a administradora onipresente e onisciente é tão real quanto o diploma de doutora: quem ignora ou nem percebe as bandalheiras da melhor amiga na sala ao lado não pode pilotar sequer um triciclo. Entenderam que Dilma Rousseff, antes e acima de tudo, tem tanto compromisso com a verdade quanto um estelionatário vocacional.

Para desmontar a fraude, Serra não precisou ser agressivo, nem áspero, muito menos grosseiro. Bastou falar sem rodeios. Durante duas horas, respondeu com firmeza e fez as perguntas que deveria ter feito. Por isso mesmo, restou uma pergunta ainda sem resposta: por que o candidato da oposição não agiu assim desde o primeiro segundo do primeiro debate do primeiro turno?

19/10/2010

às 23:33 \ Direto ao Ponto

Vox Populi abre o segundo ato da farsa

Às 20:02 de 3 de outubro, sob o título O grande naufrágio, um texto de três linhas fez aqui no Direto ao Ponto a constatação necessária:

Embora a apuração não tenha terminado, as pesquisas de intenção de voto, somadas, já permitem identificar os protagonistas do maior fiasco das eleições de 2010.

Foram os institutos de pesquisa.

No dia 9, o tema foi retomado pelo post que resumia a ópera dos malandros no título: Os comerciantes de porcentagens estão prontos para o segundo ato da farsa. Trecho:

Um dia antes da eleição, a última pesquisa do Vox Populi liquidou a fatura em favor de Dilma Rousseff: com 57% das intenções de voto, a candidata de Lula e do instituto foi dispensada da disputa do segundo turno por uma diferença de muitos milhões de cabeças. “Fomos os primeiros a identificar o crescimento de Dilma”, gabou-se Marcos Coimbra, presidente da loja de porcentagens. Esqueceu-se de combinar com as urnas: terminada a contagem dos votos, os 57% foram reduzidos a 46%.

Entre a profecia de Coimbra e o encerramento da apuração, quase 14 milhões de brasileiros sumiram misteriosamente no buraco negro escavado por 11 pontos percentuais. Em paragens civilizadas, os coimbras da vida passariam a semana sentados no meio fio, chorando lágrimas de esguicho e examinando as opções possíveis: sair em desabalada carreira ou apresentar-se à delegacia mais próxima, escoltado por um advogado que cobra por minuto. Mas o País do Carnaval ainda não aprendeu a tratar como criminosos os especialistas em estelionato estatístico. Sem medo de cadeia, os ilusionistas preparam outro lote de pesquisas forjadas para que se dissemine a certeza da vitória governista. Sem terem sequer balbuciado desculpas pelo fiasco no primeiro turno, estão prontos para o segundo ato da farsa.

Eles regressaram à cena do crime com movimentos furtivos de punguista. Para que a plateia iludida não explodisse em vaias, o Vox Populi, o Ibope e o Sensus trataram de aproximar seus resultados dos obtidos pelo DataFolha, o único que erra sem evidências de má fé. Seria demais instalar Dilma Rousseff, já na primeira pesquisa do recomeço da campanha, na folgada dianteira que ocupou até receber o corretivo das urnas. Mas comerciantes gulosos são impacientes. Nesta terça-feira, o Vox Populi inventou uma distância de 12 pontos entre a candidata do grande cliente e o adversário oposicionista.

A vantagem imaginária ajuda a abastecer o caixa da campanha, mantém elevado o moral das milícias, pode eventualmente reduzir o entusiasmo do inimigo. Brasileiro, raciocinam os fabricantes de algarismos, acredita em assombração, alma do outro mundo, ET de Varginha, até no que Lula diz. Por que não iria acreditar em institutos agrupados no Departamento de Pesquisas e Boas Notícias do PT?

Entre o levantamento da semana passada e o desta terça-feira, Aécio Neves desencadeou a vigorosa ofensiva do PSDB mineiro, Geraldo Alckmin acelerou a mobilização para ampliar a votação do candidato tucano em São Paulo, os governadores eleitos do Paraná e de Santa Catarina lançaram-se à consolidação da frente sul com o apoio dos chefes do PMDB gaúcho, os programas do horário eleitoral se tornaram mais consistentes — os ventos, enfim, sopraram a favor de Serra.

No mesmo período, Dilma reencontrou o palanque mineiro esvaziado pelo sumiço de Hélio Costa e Patrus Ananias, tripulantes do barco governista começaram a estender uma perna em direção à caravela da oposição, a candidata aprendiz atravessou um debate inteiro à beira do chilique, Lula perdeu a voz por alguns dias, Sérgio Cabral foi passear na Europa. Tudo somado, a coisa estaria de bom tamanho se Dilma ficasse no mesmo lugar. Marcos Coimbra achou pouco. E foram providenciados os 12 pontos.

Só quando os brasileiros estiverem a alguns metros das urnas virão as correções de curvas e súbitas mudanças nos índices, atribuídas a tendências de última hora. A metodologia é a de sempre. O que há de novo é a insolência que resulta da certeza da impunidade. Entre o estelionato do primeiro turno e o começo da reprise, passou-se apenas uma semana. Os envolvidos nas delinquências sabem que serão desmoralizados pelos votos e expostos ao deboche. Como não se assustam com isso, resta interromper-lhes o avanço com o Código Penal.

10/09/2010

às 18:33 \ Sanatório Geral

Vovó pirada

“Não falo mais sobre fraude, vocês perguntem isso ao meu adversário, porque isso é pauta dele”.

Dilma Rousseff, ao jornalista que apressou o encerramento da entrevista coletiva por ter incluído a palavra “fraldas” no começo da pergunta, mostrando que a vovó-candidata ainda vai esquecer o neto na banheira porque passa o dia inteiro pensando no escândalo da Receita Federal.

16/05/2010

às 18:12 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo sobre Dilma Rousseff: a desmontagem da farsa exige mais que galhofa

“A galhofa já não basta”, escreveu Celso Arnaldo neste ótimo texto sobre a ameaça que representa para o país a candidatura de Dilma Rousseff. Também acho. A sucessora que Lula inventou é uma piada, mas uma piada no poder é um perigo, e perigos devem ser tratados com seriedade. Ressalvo, contudo, que nunca nos limitamos a galhofas, que aliás é coisa muito séria. Galhofa não é brincadeira, sobretudo quando incorpora a ironia localizada na fronteira do sarcasmo.
Para desmontar a fraude aqui identificada há oito meses, a coluna procura dosar corretamente o humor que desconcerta o farsante e o ataque frontal que traduz a indignação do país que presta. A fórmula tem sido aplicada com eficácia? Boa pergunta para o timaço de comentaristas. Leia e diga o que acha.

Por enquanto, levamos a coisa na brincadeira ─ e nos divertimos muito. Mas acho que a coisa ficou séria. Porque ela não é a Hebe Camargo ou a Ana Maria Braga ─ ainda pode ser eleita presidente da República.

Há oito meses ouço tudo o que Dilma diz em público. Não lhe ouvi ainda uma frase inteligente. Um raciocínio límpido, criativo. Uma tirada esperta. Um jogo de palavras que faça sentido lógico e tenha algum requinte metafórico. Uma boa ideia própria. Uma resposta satisfatória e sincera. Um pensamento sobre o Brasil que denote um juízo superior sobre nossas raízes, nossas mazelas e nosso futuro. Um cacoete de estadista. Uma réplica ferina. Sequer uma grosseria fina tirada do bolso do casaquinho como recurso dialético.

Só sandices, pensamentos toscos, construções que não param de pé, só o mais absoluto desconhecimento das leis básicas da argumentação, da sintaxe, da gincana política e da articulação de modernos conceitos de estado. Uma incultura geral inédita entre pessoas públicas.

Decorou de orelhada meia dúzia de conceitos primários ─ o Brasil como quinta potência, a creche como berço de tudo, a casa como identidade pessoal ─ e os repete país afora, com um detalhe: a repetição, que normalmente produz aprimoramento, só piora sua capacidade de expressão. Não consegue sequer reproduzir, sem erros grosseiros, máximas, ditados e aforismos que já fazem parte da psique popular.

Políticos cometem gafes, dizem asneiras, cometem atentados de estilo. Mas não todos os dias. Não em todos os discursos, todas as entrevistas, todas as frases. Todas, literalmente todas. Qualquer pessoa tem lampejos.

Em Dilma, nada se salva, rigorosamente nada. Não domina nenhum tema, nada lhe é familiar. Nem sua doença, nem os livros que (não) leu, os filmes que (não) viu. Nem sequer sua família lhe é familiar. Pior: apresenta a forma mais profunda de ignorância, que é não saber que não sabe. Se se assistisse no estarrecedor vídeo do Neymar/Ganso, diria que deu um show de bola.

Dilma Rousseff não chega a ser uma dona de casa caindo de paraquedas na disputa da Presidência. Ela não tem nem mesmo os dons mínimos para ser “do lar” – haja vista o omelete Superpop, cujos ovos ela mexeu antes de quebrar, se é que isso era possível. Palmirinha seria uma candidata mais viável. Dilma é nosso Zelig ─ e de Woody Allen só tem a feiúra. E olha nós aqui de novo fazendo piada com algo seriíssimo.

Acho que basta. Uma coisa é chutar de canela ao falar de Vidas Secas, dos instintos paternos, de Neymar e Ganso. Outra é divagar tão ignorantemente sobre um hipotético arsenal atômico de um país hoje aliado. Dilma não é uma ameaça ao vernáculo ─ mas à segurança nacional.

Essa mulher evidentemente não tem a menor condição de representar um único brasileiro ─ sequer seu neto Gabriel, ainda “unborn”. O que dirá de representar o Brasil, sujeitando-nos à galhofa, ao escárnio, a incidentes diplomáticos irreparáveis ─ do que são prova o “meio ambiente como ameaça ao desenvolvimento” e as agora reveladas bombas nucleares do Irã, país que ela nem sabe onde fica. Impô-la ao país, sem medir as consequências, é uma afronta ─ e, de todos os malfeitos do PT, o mais criminoso.

A bem da verdade: ela não tem culpa. Os escândalos do mensalão e dos aloprados privaram Lula de suas duas apostas para a sucessão ─ Dirceu e Palocci. Então, por instinto de sobrevivência, ele se lembrou da gerentona do sub-solo, a mineira-gaúcha de poucas e duras palavras, que exigia para ontem o que não podia ser feito hoje e nem seria feito amanhã — como as obras do PAC.

Durante anos, a inegável eficiência dos técnicos do segundo escalão do governo camuflou a fraude da falsa competência. No dia em que o Criador, depois da última cinzelada na criatura, ordenou “Fala Dilma”, o mito começou a ruir.

Mas, na busca desesperada pela continuidade da Ptcracia, os criadores fingem que não percebem o cruel desmoronamento da criatura Dilma ─ e ainda fazem questão de exibi-la, como uma avis rara mais primitiva que os Pterossaurus.

Se não me falha a memória, o mito começou a ruir aqui.

Mas a galhofa já não basta.

Agora, com a ameaça da bomba nuclear, é preciso falar sério sobre Dilma Rousseff.

02/03/2010

às 17:29 \ Direto ao Ponto

A fraude mascara o fiasco do PAC

Primeiro o presidente Lula debitou os atrasos nas obras do PAC na conta dos fiscais do Ibama. Depois, garantiu que o Brasil só não fora transformado no maior canteiro de obras do planeta por culpa da perereca gaúcha, do bagre do rio Madeira e das machadinhas indígenas. Em seguida, descobriu que a rede de sabotadores da grandeza da pátria agia sob o comando dos ministros do Tribunal de Contas da União. Até que não restou ninguém mais a responsabilizar ─ e o maior governante desde Tomé de Souza, em parceria com Dilma Rousseff, resolveu acobertar a coleção de fiascos com truques de estelionatário.

Uma reportagem publicada pela Folha de S. Paulo na edição desta terça-feira revela que os balanços do PAC têm sido discretamente maquiados ou grosseiramente fraudados para induzir o país a acreditar que vai muito bem o que se arrasta, patina ou não sai do lugar. Se o governo não adotasse a metodologia da vigarice, o mapa das obras seria um oceano de carimbos vermelhos (“preocupante”) e amarelos (“atenção”), com um punhado de ilhas assinaladas em verde (“adequado”). Graças à maquiagem operada por trocas de datas e palavras, o desastre administrativo é apresentado como a prova definitiva de que não há outra gerente de país como Dilma Rousseff.

O trecho norte do Ferroanel de São Paulo não vai ficar pronto no quarto trimestre deste ano, como se previu em 2007? Troque-se “conclusão da obra” por “conclusão do projeto”. O eixo norte da transposição do Rio São Francisco, com inauguração prevista para dezembro de 2012, vai esperar até o fim de 2014? Altere-se a data com discrição de punguista e não se fale mais nisso. O trecho Lapa-Pirajá do metrô de Salvador será só parcialmente concluído em dezembro? Inaugure-se a fatia possível e o próximo governo que cuide do resto.

A leitura da reportagem reafirma que Lula e Dilma são incompatíveis com a verdade. Fosse outro o país, a dupla de fraudadores, como na imagem de Nelson Rodrigues, estaria sentada no meio-fio chorando lágrimas de esguicho. Como o Brasil deu de tratar mentirosos compulsivos com a complacência reservada a meninos travessos, Lula vai continuar inaugurando pedras fundamentais e zombando, com o desembaraço dos inimputáveis, da inteligência do Brasil que presta.

“Tem gente que devia ter vergonha de torcer pra que dê tudo errado no governo do operário que virou presidente”, declamará outra vez.  Tem presidente que não tem vergonha de nada.

22/01/2010

às 23:23 \ Direto ao Ponto

A fantasia em frangalhos assombra os patrulheiros

“Por que vocês não param de falar da Dilma?”, não param de berrar, cada vez mais estridentes, as patrulhas do stalinismo farofeiro. Porque não se deve parar no meio o serviço que começou com a destruição da fantasia da superexecutiva incomparável, costurada para camuflar a gerente de microempresa de subúrbio. É preciso concluir a desmontagem da farsa forjada para instalar na presidência da República uma Dilma Rousseff que não há.

O Brasil que vê as coisas como as coisas são já enxerga com nitidez uma candidata sem brilho, sem modos, sem ideias, sem rumo. E ouviu nesta semana uma oradora bisonha despejando palavrórios indecifráveis sobre plateias sonolentas. O Brasil do faz-de-conta enxerga o que quer e transforma em tribuno até aprendiz de camelô. Na passagem de Dilma por Minas, viu o nascimento de uma estrela dos palanques.

“Uma boa estreia no debate político”, diz o título da nota publicada pelo jornalista Ilimar Franco no Globo desta quinta-feira. ”Muito comemorado no governo o discurso de Dilma Rousseff sobre a oposição e o PAC”, informa o texto. “O presidente Lula e seus assessores avaliam que ela dissipou quase todas as dúvidas existentes quanto ao traquejo e a sensibilidade da candidata do PT. (…) A reação da oposição (…) mostrou, segundo eles, que Dilma é boa de briga”.

Nesta sexta-feira, num sindicato em São Paulo, Dilma exibiu-se outra vez ao lado do padrinho. ”É preciso discutir o que será do país pós-Lula”, ensinou num trecho da discurseira. . “Isso não significa dizer que será preciso começar tudo outra vez. Será uma continuidade do processo e precisamos de vontade política para mudar o país”. Lula ouviu aquilo com cara de pai da noiva. E condecorou a afilhada. “A bichinha está palanqueira, palanqueira de primeira”, fantasiou. Ninguém ousou discordar.

Prisioneiro da formação intelectual indigente, incapaz de descobrir se alguém deve inscrever-se no Enem ou reinvidicar uma cátedra em Harvard, é possível que Lula ache mesmo que Dilma é um colosso. Mas o coro dos contentes não é feito só de lulas. Muitos sabem que nenhum campeão de popularidade tem cacife para eleger uma nulidade de alto risco. Sabem que Dilma seria pulverizada por um Jânio Quadros no primeiro minuto do primeiro debate. Sabem que José Serra é um adversário temível. Sabem, sobretudo, que a mulher que mente compulsivamente é ela própria uma mentira.

É possível que os grandes eleitores de Dilma andem mentindo a si mesmos. É possível que tenham resolvido acreditar na mentira que inventaram. Talvez acreditem que a oposição não se oporá. Talvez imaginem que eleitor engole tudo — até uma Dilma Rousseff. Seja qual for a alternativa correta, cumpre à imprensa independente impedir o assassinato da verdade e cabe à parte saudável do país extirpar o tumor. O destino da fraude dirá se o Brasil faz sentido.

17/11/2009

às 17:58 \ Direto ao Ponto

O nome certo da coisa

O conteúdo dos capítulos que compõem o retrato sem botox de Dilma Rousseff determinou a mudança do título da série. ”Vida e obra”, apesar da ironia evidente, é coisa que se aplica a figuras à espera de um biógrafo. Não é o caso. Os cinco textos que vêm aí (e não serão publicados em sequência, para permitir que a seção Direto ao Ponto trate de outros temas também urgentes) completam a radiografia de uma fraude. Uma fraude que, apesar da espantosa inconsistência, vem sendo vendida há quase 40 anos.

O Discurso sobre o Nada nasceu com a guerrilheira de festim, foi retomado pela secretária estadual inepta, depois repassado à ministra travestida de supergerente e é agora recitado por uma candidata à Presidência da República que nunca foi sequer candidata a síndica. Quando a série for concluída, pelo menos para o Brasil que pensa ficará claro que Dilma Rousseff é mais do que alguém que mente. Ela própria é uma mentira.


 

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