Coluna do

Augusto Nunes

Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido.
E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido.

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SEÇÃO » Direto ao Ponto

A fantasia em frangalhos assombra os patrulheiros

22 de janeiro de 2010

“Por que vocês não param de falar da Dilma?”, não param de berrar, cada vez mais estridentes, as patrulhas do stalinismo farofeiro. Porque não se deve parar no meio o serviço que começou com a destruição da fantasia da superexecutiva incomparável, costurada para camuflar a gerente de microempresa de subúrbio. É preciso concluir a desmontagem da farsa forjada para instalar na presidência da República uma Dilma Rousseff que não há.

O Brasil que vê as coisas como as coisas são já enxerga com nitidez uma candidata sem brilho, sem modos, sem ideias, sem rumo. E ouviu nesta semana uma oradora bisonha despejando palavrórios indecifráveis sobre plateias sonolentas. O Brasil do faz-de-conta enxerga o que quer e transforma em tribuno até aprendiz de camelô. Na passagem de Dilma por Minas, viu o nascimento de uma estrela dos palanques.

“Uma boa estreia no debate político”, diz o título da nota publicada pelo jornalista Ilimar Franco no Globo desta quinta-feira. ”Muito comemorado no governo o discurso de Dilma Rousseff sobre a oposição e o PAC”, informa o texto. “O presidente Lula e seus assessores avaliam que ela dissipou quase todas as dúvidas existentes quanto ao traquejo e a sensibilidade da candidata do PT. (…) A reação da oposição (…) mostrou, segundo eles, que Dilma é boa de briga”.

Nesta sexta-feira, num sindicato em São Paulo, Dilma exibiu-se outra vez ao lado do padrinho. ”É preciso discutir o que será do país pós-Lula”, ensinou num trecho da discurseira. . “Isso não significa dizer que será preciso começar tudo outra vez. Será uma continuidade do processo e precisamos de vontade política para mudar o país”. Lula ouviu aquilo com cara de pai da noiva. E condecorou a afilhada. “A bichinha está palanqueira, palanqueira de primeira”, fantasiou. Ninguém ousou discordar.

Prisioneiro da formação intelectual indigente, incapaz de descobrir se alguém deve inscrever-se no Enem ou reinvidicar uma cátedra em Harvard, é possível que Lula ache mesmo que Dilma é um colosso. Mas o coro dos contentes não é feito só de lulas. Muitos sabem que nenhum campeão de popularidade tem cacife para eleger uma nulidade de alto risco. Sabem que Dilma seria pulverizada por um Jânio Quadros no primeiro minuto do primeiro debate. Sabem que José Serra é um adversário temível. Sabem, sobretudo, que a mulher que mente compulsivamente é ela própria uma mentira.

É possível que os grandes eleitores de Dilma andem mentindo a si mesmos. É possível que tenham resolvido acreditar na mentira que inventaram. Talvez acreditem que a oposição não se oporá. Talvez imaginem que eleitor engole tudo — até uma Dilma Rousseff. Seja qual for a alternativa correta, cumpre à imprensa independente impedir o assassinato da verdade e cabe à parte saudável do país extirpar o tumor. O destino da fraude dirá se o Brasil faz sentido.

SEÇÃO » Direto ao Ponto

O nome certo da coisa

17 de novembro de 2009

O conteúdo dos capítulos que compõem o retrato sem botox de Dilma Rousseff determinou a mudança do título da série. ”Vida e obra”, apesar da ironia evidente, é coisa que se aplica a figuras à espera de um biógrafo. Não é o caso. Os cinco textos que vêm aí (e não serão publicados em sequência, para permitir que a seção Direto ao Ponto trate de outros temas também urgentes) completam a radiografia de uma fraude. Uma fraude que, apesar da espantosa inconsistência, vem sendo vendida há quase 40 anos.

O Discurso sobre o Nada nasceu com a guerrilheira de festim, foi retomado pela secretária estadual inepta, depois repassado à ministra travestida de supergerente e é agora recitado por uma candidata à Presidência da República que nunca foi sequer candidata a síndica. Quando a série for concluída, pelo menos para o Brasil que pensa ficará claro que Dilma Rousseff é mais do que alguém que mente. Ela própria é uma mentira.