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Farouk Hosni

08/09/2012

às 13:13 \ Direto ao Ponto

O companheiro egípcio que o governo Lula tentou instalar na direção-geral da Unesco é mais um ladrão a caminho da cadeia

Em maio de 2009, durante uma audiência no Congresso, o então chanceler Celso Amorim confessou que o governo Lula não queria o engenheiro brasileiro Márcio Barbosa na direção-geral da Unesco ─ sigla que identifica a Organização das Nações Unidas para a Educação e a Cultura. Vice-diretor da entidade, Barbosa tinha o apoio da maioria dos 58 integrantes do comitê executivo. Só faltava o endosso do Itamaraty à candidatura. Mas Lula e Amorim nunca perderam uma chance de errar: preferiram um egípcio.

E que egípcio: Farouk Hosni, ministro da Cultura do ditador Hosni Mubarak, dormia sonhando com a destruição de Israel e acordava com alguma idéia cretina inspirada no Holocausto. Uma delas era a queima em praça pública  de todos os livros editados em hebraico. No sarau com os parlamentares, Amorim argumentou que Márcio Barbosa seria sacrificado no altar dos superiores interesses da pátria.

“Fizemos uma opção geopolítica”, pipilou o Pintassilgo do Planalto. “O Brasil tem uma política de aproximação com os países árabes e africanos, que apoiam a candidatura egípcia”. E as maluquices ditas e feitas pelo candidato? Algumas haviam sido “pouco felizes”, concedeu o executor da diplomacia da cafajestagem. “Mas tenho certeza de que ele pautará sua gestão à frente da Unesco por um diálogo de civilizações”.

Em junho de 2009, Barbosa desistiu formalmente da disputa.Para sorte da Unesco, Farouk Hosni foi derrotado em setembro por 31 votos a 27 pela diplomata búlgara Irina Bokova. Para alívio do mundo civilizado, meses depois perdeu o emprego e o poder com o desabamento da ditadura de Mubarak.

Na semana passada, enquanto Márcio Barbosa continuava concentrado na execução de megaprojetos culturais encomendados por países árabes, o escolhido por Amorim para aproximar o Brasil dos países árabes estava preso no Cairo. Nesta quarta-feira, Farouk Hosni começou a ser julgado pelo roubo de 2,35 milhões de euros dos cofres públicos. Vai ficar um bom tempo na gaiola.

Enfurnado no gabinete de ministro da Defesa, o Pintassilgo do Planalto avisou que não fala sobre assuntos externos. Lula faz de conta que nunca ouviu falar no ex-ministro da Cultura e quase diretor-geral da Unesco. Atarantado com os pedidos de socorro de mensaleiros em pânico e candidatos a prefeito em parafuso, o Protetor dos Pecadores não tem tempo nem cabeça para pensar no companheiro egípcio.

É só mais um bandido internacional de estimação em apuros. Se fingiu que mal conhecia o “amigo, irmão e líder” quando Muamar Kadafi matava oposicionistas em busca da sobrevivência impossível, não é com um Farouk Hosni que Lula vai desperdiçar o tempo que pode ser usado num comício.

Em janeiro de 2003, o presidente da República decidiu que a política externa brasileira faria a opção  preferencial pela canalhice. Gente assim não se aflige por tão pouco, nem perde o sono com parceiros em desgraça.

23/02/2011

às 18:32 \ Direto ao Ponto

Na novilíngua companheira, o oportunismo incurável virou ‘metamorfose ambulante’

Na discurseira em Dakar, onde baixou no começo de fevereiro para animar a plateia amestrada do Forum Social Mundial, a metamorfose ambulante informou que o Lula do primeiro mandato não tem nada a ver com o Lula do segundo. O presidente de 2003, por exemplo, enxergou no ditador egípcio Hosni Mubarak  “um homem preocupado com a paz no mundo, com o fim dos conflitos, com o desenvolvimento e com a justiça social”. O país demorou oito anos para saber que mudara de ideia.

Com exceção da ONU e dos Estados Unidos, garantiu em Dakar, “todo mundo sabia há muito tempo que era preciso voltar a democracia no Egito”. Vá mentir assim no Senegal, ordena o post de maio de 2009 republicado na seção Vale Reprise. O texto trata do acordo celebrado entre o Brasil e o Egito para transformar em secretário-geral da UNESCO o ministro da Cultura de Mubarak, Farouk Hosni, um antissemita de carteirinha cujo currículo incluía a queima de livros escritos em hebraico.

Para reafirmar a amizade entre Lula e o ditador preocupado com a justiça social, o chanceler Celso Amorim dinamitou a candidatura do brasileiro Márcio Barbosa, até então o franco favorito. “Há um acordo entre nossos países, e isso está acima da nacionalidade dos eventuais concorrentes”, recitou Amorim. O acordo que estava acima do lugar de nascimento determinava que o escolhido seria um candidato nascido no Egito.

A leitura do post prova que em setembro de 2009, quando os dois parceiros choraram juntos a derrota de Farouk Hosni, o governo brasileiro não estava entre os  que sabiam que “era necessário voltar a democracia no Egito”. Há pouco mais de um ano, portanto, continuavam em vigor os elogios feitos por Lula a Mubarak em 2003. Os fatos reiteram que Celso Amorim é apenas um vassalo pronto para executar a mais abjeta das ordens, e que Lula é um eterno candidato sem compromisso com a verdade e a serviço de si mesmo. Metamorfose ambulante é a expressão adotada pela novilíngua companheira para não deixar tão mal no retrato um oportunista incurável.

21/05/2009

às 17:20 \ Homem sem Visão

Aliança com incendiário egípcio faz de Celso Amorim o favorito de maio

O chanceler Celso Amorim assumiu a dianteira na disputa do título de Homem sem Visão de Maio graças à entrada na  campanha do companheiro Farouk Hosni. Ministro da Cultura do Egito há 20 anos e antissemita desde criancinha,  é ele o candidato do Itamaraty a diretor-geral da UNESCO, cargo disputado pelo brasileiro Márcio Barbosa, n° 2 da entidade, com o apoio de 20 países.  Se vencer, Hosni terá mais cacife cumprir a promessa de juntar numa bonita fogueira todos os livros editados em hebraico.

Dois dias depois da divulgação do acerto com o incendiário egípcio, o Pintassilgo do Planalto ultrapassou o deputado Sérgio “Estou me lixando” Moraes, a revelação da escuderia Legislativo. O parlamentar gaúcho tentou recuperar a liderança com uma entrevista ao Programa do Jô em que garantiu, com cara de coroinha que bebeu todo o vinho da missa, não ter dito o que disse.  O esforço levou a enquete promovida pela coluna para decidir o destino de Moraes a superar a extraordinária marca de 1.100 votos (confira a apuração parcial). Mas foi insuficiente para neutralizar a ajuda proporcionada a Amorim pelo cabo eleitoral conhecido mundialmente.

Faltam 9 dias. A luta continua. Que vença o pior.

20/05/2009

às 18:30 \ Sanatório Geral

Cérebro em chamas

“Eu disse que queimaria os livros escritos em hebraico, mas não pretendia que isso acontecesse. Foi um uso metafórico”.

Farouk Hosni, ministro da Cultura do Egito e candidato à direção-geral da UNESCO com o apoio do governo Lula, que trocou pelo incendiário o brasileiro Márcio Barbosa, n° 2 da organização e candidato com o apoio de 20 países.

15/05/2009

às 19:31 \ Direto ao Ponto

O pintassilgo do Planalto só desafina

Celso Amorim nunca desperdiça uma chance de errar, confirmam as primeiras semanas do outono. Já aproveitou três. A primeira resultou no chapéu desmoralizante que levou do iraniano Mahmoud Ahmadinejab, que cancelou sem maiores explicações a visita ao Brasil quando o ministro das Relações Exteriores já aprendera a dizer em farsi “pois não”, “sim senhor” e “disponha deste seu criado”.

Em seguida, Amorim resolveu trazer ao Brasil o paraguaio Fernando Lugo, que acumula o cargo de presidente da República com o título de Pai do Ano, conquistado pelo que andou fazendo nos tempos de bispo reprodutor. Momentaneamente liberado da maratona de exames de DNA, o visitante fez questão de dizer “não” pessoalmente a todas as propostas apresentadas por Lula sobre a hidrelétrica de Itaipu.

Na quarta-feira, os brasileiros souberam da última do Amorim: em audiência no Congresso, ele confirmou que o Itamaraty não quer o brasileiro Márcio Barbosa na direção-geral da UNESCO, sigla que identifica a Organização das Nações Unidas para a Educação e a Cultura. Prefere um egípcio.

E que egípcio: depois de passar a noite sonhando com o afogamento de Israel inteiro no Mar Morto, Farouk Hosni, ministro da Cultura, acorda com alguma idéia cretina na cabeça. Uma das melhores foi a queima em praça pública todos os livros escritos em hebraico. Aos olhos de quem enxerga apenas os superiores interesses da pátria, coisas assim são miudezas.

“Fizemos uma opção geopolítica”, explicou o chanceler. “O Brasil tem uma política de aproximação com os países árabes e africanos, que apoiam a candidatura egípcia”. O governo Lula não é de abandonar nações amigas no meio do caminho. E tem especial predileção por integrantes da grande aliança dos primitivos.

Isso já bastaria, mas há mais: também está em jogo, informou o depoente, o esforço feito pela cartolagem do COI e pelo Ministério do Esporte para que o Rio de Janeiro tenha a honra de hospedar a Olimpíada de 2016. “Cada candidatura que você lança tem um custo para outras”, ensinou o ministro. “Pode ser gerado um desgaste em termos de apoio. Nós, no momento, temos duas candidaturas: a da ministra Ellen Gracie para a Organização Mundial do Comércio e a do Rio para sede dos Jogos Olímpicos”. Melhor deixar no sereno o brasileiro Márcio Barbosa.

Vice-diretor da organização mundialmente respeitada, Barbosa já tem votos suficientes para tornar-se o número 1. Só não será vitorioso se o Brasil fizer um bom trabalho como cabo eleitoral do adversário. É exatamente o que o Itamaraty planeja, desafinou de novo Amorim, com a candura de quem ergue um brinde à paz entre os povos. Nada a dizer sobre as declarações delirantes de Hosni? ”Foram pouco felizes”, concedeu. “Mas tenho certeza de que ele pautará sua gestão à frente da Unesco por um diálogo de civilizações”.

Por algum motivo, Ruy Barbosa é lembrado como a Águia de Haia. Por todos os motivos, Celso Amorim será esquecido como um pintassilgo do Planalto que só desafinava.

 

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