Blogs e Colunistas

EUA

05/09/2011

às 9:32 \ Frases

Em nome de Deus

“Não sei o que Deus deve fazer para chamar a atenção dos políticos. Tivemos um terremoto, tivemos um furacão. Ele está dizendo: vão começar a me escutar?”

Michele Bachmann, pré-candidata republicana à presidência dos EUA.

28/08/2011

às 9:10 \ Frases

Estado de alerta

“Temos de encarar essa tempestade com seriedade. Ouçam as autoridades estaduais e municipais e, se receberem ordem de retirada, por favor, cumpram”.

Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, alertando a população para a chegada do furacão Irene na Costa Leste do país.

07/08/2011

às 20:35 \ Feira Livre

‘Davi e Golias’, um artigo de Fernando Henrique Cardoso

TEXTO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTE DOMINGO

Fernando Henrique Cardoso

A propósito do atual dilema americano, a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que pela primeira vez em muito tempo não havia um abismo tão grande entre poder, economia e sociedade. Pode parecer banal, mas não é: nos Estados Unidos, o “ideal americano” dava solidez a um caminho em comum para o país. Havia tensões, tendências mais progressistas chocavam-se com outras mais conservadoras, o grande business sempre quis controlar mais de perto o governo, os governos ora se inclinavam para atender aos reclamos das maiorias, ora assumiam a cara mais circunspecta de quem ouve as ponderações da ordem, da econômica em primeiro lugar. Mas, bem ou mal, liberdade, democracia, prosperidade e ação pública caminhavam mais ou menos em conjunto.

E agora?, poderia perguntar, perplexa, a secretária de Estado. Agora, digo eu, parece que as classes médias e os mais pobres querem gasto público maior e emprego mais abundante, os conservadores querem ortodoxia fiscal sem aumento de impostos, os muito ricos pouco se incomodam com o gasto social reduzido, desde que a propriedade de cada um continue intocável. No meio de tudo isso, a crise provocada pelo cassino financeiro surgiu como um terremoto. Logo depois veio o marasmo da semiestagnação e, pior ainda, se desenha o que há pouco era impensável, a moratória do país mais rico do mundo! Por trás da peleja econômica corre a outra, mais profunda, a do poder: o Tea Party – os ultrarreacionários do Partido Republicano – levou o governo Obama às cordas. A agenda política, mesmo depois de “resolvida” a questão do endividamento, passou a ser ditada por eles: onde e quanto cortar mais no orçamento de um país que clama por muletas para reavivar a economia.

Na Europa as coisas não andam melhores. Cada solavanco da economia americana aumenta o contágio, essa doença internética: as taxas de juros cobrados dos países ultraendividados vão às nuvens. A rua agita-se, não faltam movimentos dos “Indignados” que veem o povo sofrer as agruras do desemprego e da desesperança e ainda ser cobrado para que as contas se ajustem. E, naturalmente, como nos Estados Unidos, os que mais têm e os que mais especularam ou esbanjaram (inclusive governantes imprevidentes) balançam a poeira e querem dar a volta por cima. Esperam que mais aperto, mais rigidez no gasto público e menos salários resolvam o impasse. Não se estão dando conta de que a cada xis meses uma nova tormenta balança os equilíbrios instáveis alcançados. É como se daqui a 30 anos os historiadores olhassem para trás e dissessem: ah, bom, a Grande Crise dos Derivativos começou em 2007/2008, foi mudando de cara, mas prosseguiu até que novas formas de produzir e de distribuir o poder começaram a dar sinais de vida lá por 2015/2020…

E nós aqui, nesta periferia gloriosa, a quantas andamos? Longe do olho do furacão, cantamos glória pelo que fizemos, pelo que de errado os outros fizeram e pelo que não fizemos, mas, pensamos, pouco importa, o vendaval do mundo varreu a riqueza de uma parte do globo para outra e nos beneficiou. Será que é assim mesmo? Será que a proeza de evitar as ondas do tsunami impede que a malignidade do resto do mundo nos alcance? Tenho minhas dúvidas. Falta-nos, como impuseram os reacionários americanos a Obama, uma agenda, mas que seja nova, e não a desgastada do “clube do chá” americano. A nova agenda existe, está exposta cotidianamente pela mídia e não é propriedade de um partido ou de um governo. Mas onde está a argamassa, como o antigo ideal americano, para conter as divergências, o choque de interesses, e guiar-nos para um patamar mais seguro, mais próspero e mais coeso como nação?

Mal comparando, a presidenta Dilma está aprisionada num dilema do gênero daquele que agarrou Obama. Só que, se no caso americano a crise apareceu como econômica para depois se tornar política, em nosso caso ela surgiu como política, mas poderá tornar-se econômica. Explico-me: a presidenta é herdeira de um Sistema, como dizíamos no período do autoritarismo militar. Este funciona solidificando interesses do grande capital, das estatais, dos fundos de pensão, dos sindicatos e de um conjunto desordenado de atores políticos que passaram a se legitimar como se expressassem um presidencialismo de coalizão no qual se troca governabilidade por favores, cargos e tudo o mais que se junta a isso.

Essa tendência não é nova. Ela se foi constituindo à medida que o capitalismo burocrático (ou de Estado, ou como se queira qualificá-lo) amealhou apoios amplos entre sindicalistas, funcionários e empresários sedentos por contratos e passou a conviver com o capitalismo de mercado, mais competitivo. Na onda do crescimento econômico as acomodações foram-se tornando mais fáceis, tanto entre interesses econômicos quanto políticos (incluindo-se neles os “fisiológicos” e a corrupção). No início parecia fenômeno normal das épocas de prosperidade capitalista, que seria passageiro. Pouco a pouco se foi vendo que era mais do que isso: cada parte do Sistema precisa da outra para funcionar e o próprio Sistema necessita da anuência dos cooptáveis pelas bolsas e por empregos de baixo salários e precisa de símbolos e de voz. Esta veio com o “predestinado”: o lulismo anestesiou qualquer crítica não só ao Sistema, mas a suas partes constitutivas.

É neste ponto que o bicho pega. A presidenta é menos leniente com certas práticas condenáveis do Sistema. Entretanto, quando começa a fazer uma faxina, quebram-se as peças da engrenagem toda. Sem leniências e cumplicidades entre as várias partes, como obter apoios para a agenda necessária à modernização do País? E sem ela, como fazer frente à concorrência da China, à relativa desindustrialização, ou melhor, “desprodutividade” da economia, e como arbitrar entre interesses legítimos ou não dos que precisam de mais apoio do governo, advenham eles de setores populares ou empresariais? É cedo para prever o curso dessa história, que apenas começa. Mas não há dúvidas de que para se desfazer da herança recebida será preciso não só “vontade política”, como, o que é tão difícil quanto, refazer os sistemas de alianças. É luta para Davis e, no caso, Golias é pai de Davi.

27/07/2011

às 22:51 \ Sanatório Geral

Neurônio estressado

“O mundo está de pernas para o ar”.

Dilma Rousseff, sobre a ameaça de calote da dívida americana, mostrando que o neurônio solitário não conseguiu decorar a receita que transforma qualquer crise em marolinha.

27/07/2011

às 9:05 \ Frases

Sem fronteiras

“Terrível para os EUA, terrível para o mundo”.

Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, sobre as consequências de um possível calote americano por falta de acordo político no Congresso sobre o teto da dívida do país

21/07/2011

às 10:05 \ Frases

Fim do apoio

“Bashar Assad perdeu legitimidade. Ele pediu e recebeu ajuda dos iranianos para reprimir seu povo”.

Hillary Clinton, secretária de Estado americana, sobre as manifestações por democracia que ameaçam o presidente da Síria.

20/07/2011

às 10:11 \ Frases

Devo e não nego

“Os Estados Unidos nunca deixaram nem deixarão de pagar suas dívidas”.

Barack Obama, presidente americano, afirmando que não haverá moratória.

28/04/2011

às 20:52 \ Feira Livre

O pesadelo de Guantánamo

EDITORIAL DO ESTADÃO DESTA QUARTA-FEIRA

Os mais de 700 documentos militares sigilosos sobre os suspeitos de terrorismo presos na base americana de Guantánamo, em Cuba, recém-divulgados pelo site WikiLeaks e o jornal The New York Times, formam o quarto conjunto de papéis confidenciais do governo dos EUA trazidos a público desde o ano passado. A nova batelada deixa claro que à incapacidade da maior potência global de conservar os seus segredos se soma a incompetência para distinguir quem é quem entre os presumíveis agentes do seu inimigo número um – a rede terrorista Al-Qaeda, de Osama bin Laden.

Os seus ataques ao país em 11 de setembro de 2001 estão na origem da transformação de Guantánamo numa penitenciária sui generis, que afronta os direitos consagrados na pátria das liberdades e nem assim constitui um instrumento eficaz de combate à ameaça fundamentalista homicida. Já se sabia da rotina de violências, humilhações e desproteção legal que se abatia sobre os encarcerados no enclave americano em Cuba. Sabia-se também que não poucos deles, depois da captura, tinham sido enviados clandestinamente a outros países para ser torturados – e dali para Guantánamo.

Mas não se sabia do surrealismo que imperava nessa que se tornou uma “duradoura instituição americana”, como diz o New York Times, em alusão à desistência do presidente Barack Obama de fechar o que Washington chama delicadamente de “centro de detenção”, uma de suas mais fortes promessas de campanha. Os papéis vazados são quase todos “relatórios de avaliação”, escritos entre fevereiro de 2002 e janeiro de 2009, ainda no governo Bush, portanto. São as fichas de 759 dos 779 detentos que passaram pelo lugar ao longo do período, entre eles um jovem de 14 anos e um ancião senil de 89.

Em relação a pelo menos 150 “combatentes inimigos”, nem os seus próprios guardiães conseguiram estabelecer vínculo algum com a Al-Qaeda ou o Taleban. Foram parar em Guantánamo pelas razões mais implausíveis, como terem sido confundidos com homônimos ou acusados de atos terroristas pelos verdadeiros perpetradores, sem que a versão fosse investigada. Passaram anos, porém, até que fossem devolvidos aos seus países de origem. Um cinegrafista sudanês que trabalhava para a TV Al Jazeera passou 6 anos respondendo a perguntas sobre programas de treinamento, equipamentos e coberturas jornalísticas da emissora. Foi solto em 2008 (e voltou ao emprego).

Continuam na base 172 suspeitos. A maioria é considerada de “alto risco”. No entanto, conforme os documentos expostos, assim também eram classificados cerca de 200 dos 600 já libertados. Culpado ou inocente, nenhum poderia ser levado a um tribunal penal pela fragilidade das evidências reunidas contra eles e as circunstâncias de suas confissões. Mesmo o mais conhecido de todos, Khalid Shaikh Mohammed, operador-chefe confesso do 11 de Setembro, será julgado por uma corte militar; o governo desistiu de submetê-lo a um tribunal de Manhattan, onde se erguiam as torres gêmeas contra as quais mandou que se lançassem os aviões tomados pelos bandos suicidas naquela terrível manhã.

Muito do que consta nos “relatórios de avaliação” dos prisioneiros é o que deles disse um punhado de outros. Além disso, membros dos serviços de inteligência de uma dezena de países – todos árabes ou muçulmanos, salvo a Rússia e a China – estiveram em Guantánamo para interrogar os seus nacionais. Verificou-se depois que o que eles lhes diziam não conferia necessariamente com o que haviam dito aos americanos. O que é verossímil é o retrato degradante do cotidiano da base, a tensão irrespirável no ar, as juras de desforra e os revides. Dificilmente isso terá mudado com o advento do governo Obama.

Não está claro o que ele possa fazer, sob os ataques da virulenta oposição republicana, para se livrar do pesadelo herdado – que continua a ferir, como nenhuma outra questão singular, a imagem dos Estados Unidos. E tudo para quê? “Quanto mais se sabe de Guantánamo, pior parece como meio de enfrentar o terrorismo”, resume o diário londrino The Guardian, que também publicou os documentos. “É um símbolo de vingança, não um sistema de justiça”.

12/04/2011

às 22:00 \ Sanatório Geral

Essa não tem cura

“Temos a mesma posição que tivemos com os Estados Unidos”.

Dilma Rousseff, nesta terça-feira, depois da reunião em Pequim com o colega Hu Jintao, confirmando que, em matéria de respeito aos direitos humanos, o neurônio solitário não consegue enxergar diferenças entre a democracia americana e a ditadura comunista chinesa.

21/03/2011

às 21:21 \ Sanatório Geral

Guerra civil

“Gostei dele, é inteligente. Mas está muito preocupado com os problemas internos dos EUA”.

Dilma Rousseff, ao contar a um ministro o que achou de Barack Obama, revelando que o neurônio solitário acha que a Líbia fica nos Estados Unidos e que o visitante chegou atrasado para o encontro no Planalto porque precisou começar por telefone uma guerra civil.


 

Serviços

 

Assinaturas

Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados