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estrada

11/07/2011

às 14:27 \ Sanatório Geral

Motosserra sabida (2)

“Vou te dar um exemplo bem simples. Você vai numa concessionária e compra um carro stand, com base no preço anunciado. Aí, você resolve botar um som, um ar-condicionado, vidro elétrico etc. Quando você vai efetuar o pagamento, claro que o preço já não é mais o mesmo”.

Blairo Maggi, codinome Terror da Amazônia, senador do PR matogrossense responsável pela indicação de Luiz Antonio Pagot para a direção geral do DNIT, ensinando, com a comparação, que o preço apresentado pelas empreiteiras nas licitações só cobre o projeto de uma rodovia, e só depois vem a conta que inclui a abertura da estrada, a pavimentação, os acostamentos, as placas de sinalização, os viadutos, as passarelas, o pedágio, os postos de gasolina, os andarilhos e meia dúzia de sem-carro pedindo carona, fora o resto.

12/08/2010

às 21:29 \ Direto ao Ponto

Vejam como está a rodovia que Lula prometeu em 2003 à capital do Fome Zero

Foto: André Pessoa

Em 3 de fevereiro de 2003, liderada pelo governador Wellington Dias, a comitiva encorpada por cinco ministros e dezenas de pais da pátria baixou em Guaribas, no interior do Piauí, para a festa de lançamento do Programa Fome Zero. Concebido pelo governo Lula, o programa garantiria três refeições por dia e uma vida de Primeiro Mundo aos 200 milhões de brasileiros ─ começando pela cidade de 5 mil habitantes oficialmente promovida a Capital do Fome Zero.

Três horas de discurseira celebraram as providências que haveriam de conferir feições europeias ao lugarejo distante de Teresina mais de 600 quilômetros. “Vamos começar pelo asfaltamento da estrada”, prometeu em nome do presidente Lula o governador piauiense, sob os sorrisos aprovadores dos figurões federais e a felicidade geral da população: nada merecia mais urgência que a pavimentação dos 54 quilômetros de terra que ligavam (ou separavam) Guaribas de Caracol, o município mais próximo.

O presidente Lula exigira o asfalto, explicou Wellington Dias, porque fazia questão de aparecer por lá de carro, não a bordo de helicópteros. Em novembro de 2009, os moradores de Guaribas foram informados de que o chefe de governo enfim daria as caras na capital que nunca visitou. O comício foi cancelado quando Lula soube que não havia nada a inaugurar. Nem havia estrada asfaltada.

Como se verá num dos posts desta sexta-feira, as promessas nunca saíram do papel. A construção do Memorial Fome Zero, iniciada em 2003, foi interrompida no ano seguinte. Ao virar ruína antes de existir, o memorial transformou-se num monumento à fantasia irresponsável. Passados sete anos e meio, a foto mostra como está a rodovia que leva à capital do Brasil do faz-de-conta que Lula inventou e Dilma Rousseff finge que enxerga.

Em 3 de fevereiro de 2003, liderada pelo governador Wellington Dias, a comitiva encorpada por cinco ministros e dezenas de pais da pátria baixou em Guaribas, no interior do Piauí, para a festa de lançamento do Programa Fome Zero. Concebido pelo governo Lula, o programa garantiria três refeições por dia e uma vida de Primeiro Mundo aos 200 milhões de brasileiros ─ começando pelos 5 mil habitantes da cidadezinha oficialmente promovida a Capital do Fome Zero.

Três horas de discurseira promoveram o desfile das providências que haveriam de conferir feições européis ao lugarejo perdido no sertão, a mais de 600 quilômetros de Teresina. “Vamos começar pelo asfaltamento da estrada”, prometeu o governador, sob os sorrisos aprovadores dos figurões federais e a felicidade geral da população: nada merecia mais urgência que a pavimentação dos 54 quilômetros que ligavam (ou separavam) Guaribas de Caracol, o município mais próximo.

Como se verá nesta sexta-feira, as promessas nunca saíram do papel. O Memorial Fome Zero virou ruína antes de existir. E a estrada, passados sete anos e meio, está assim.

18/03/2010

às 20:09 \ Direto ao Ponto

O implacável Celso Arnaldo viaja com Dilma por Minas Gerais

O jornalista Celso Arnaldo acompanhou o início da prometida viagem sentimental da Mãe do PAC por Minas Gerais. Vejam os melhores momentos, criteriosamente analisados pelo grande caçador de cretinices:

A Agência Estado selecionou ontem algumas pílulas de sabedoria de Dilma Rousseff durante a inauguração de uma estrada em Minas Gerais ─ a duplicação do trecho entre Monte Alegre e Uberlândia da BR-365, concluída há oito meses. Começam pelo esclarecimento definitivo de uma questão que atormenta mineiros e gaúchos, cada qual tentando empurrar a batata quente para o outro: afinal, o que é Dilma? Ela esclarece:

“Muita gente diz que a ministra diz que é mineira, mas não é. A gente não é de um estado ou de outro por conta da vida política, mas da infância, da adolescência, da juventude. Eu saí de Minas aos 23 anos. Nenhum político da oposição pode tirar Minas de minha experiência. Saí de Minas, mas Minas não saiu de mim”.

Pega no meio desse “diz que diz que”, a ministra tentou dizer, em outras palavras, que nosso estado natal é aquele onde a gente nasce, não onde a gente é eleito, ela que nunca foi eleita para nada. Satisfeita, a imprensa mineira então quis saber a opinião da ministra a respeito da pesquisa Ibope, que a aproxima ainda mais de Serra. Em Minas, como os mineiros:

“Vou repetir o que repito a horas: a pesquisa é retrato do momento. Nós tamu em março, a eleição é em outubro, e ninguém sobe de salto alto”.

Percebam que a Agência Estado, que tem uma revisão bastante atenta, escreveu “a horas”. Arrisco uma explicação: o redator presume que Dilma cometa erros de grafia até falando. De qualquer forma, intriga-me o fato de que ela precisou repetir durante horas algo que todo mundo está cansado de saber: pesquisa é retrato do momento. Ficou rouca à toa.

A informação de que “tamu em março” também não é inédita, bem como que a eleição é em outubro. De novo mesmo, só esse negócio de subir de salto. Não, pensando bem, Dilma já tinha dito algo parecido há uns dois meses ─ mas, pelo que lembro, ela falou “subir no salto alto”, querendo ilustrar uma imagem de pretensão ou arrogância, que seria contra seus princípios.

“De salto” é novidade, sim ─ se bem que uma amiga minha contraria a afirmação de Dilma de que ninguém sobe de salto alto: ela só usa salto de 9 centímetros, mora no quarto andar e prefere subir de escada, para fazer exercício. Sempre chegou ao apartamento, sem problemas.

Mas vamos adiante ─ agora é Dilma falando sobre esse novo Brasil, de oportunidades iguais para todos, em todos os campos, da fila do SUS à fila do caixa da Daslu:

“Não podemos deixar que se reproduza desigualdade na raiz da desigualdade”.

Parece que Dilma disse isso já preparando a visita seguinte ao Laboratório de Genética que vai dar um jeito nessa raiz de desigualdade que teima em dar desigualdade.

Mas há uma estrada para inaugurar. Palanque armado em frente ao canteiro de obras. A voz de Dilma, sempre alterada, ecoa pelas Alterosas:

“Nós estamos não mais só conquistando território, nós estamos melhorando o território, assegurando que o território hoje tem uma logística adequada”.

É Dilma tentando deixar bem claro, pela tripla ênfase, que o Brasil tem dimensões territoriais.

E depois de a secretária municipal de Monte Alegre de Minas lembrar que a primeira pista da estrada fora inaugurada por Juscelino em 1958, Dilma fez questão de dar um pitaco, com um sucinto mas precioso e inédito perfil de seu conterrâneo, que muda tudo o que sabemos de JK até hoje:

“Grande presidente desenvolvimentista, responsável, visão ampla de País”.

Carlos Heitor Cony, um dos biógrafos de JK, já solicitou à equipe de Dilma que libere a frase para a chamada da nova edição.

O trecho da rodovia ora inaugurado é conhecido como “Trevão” ─ e por certo terá esse apelido carinhoso ainda mais consagrado depois dos discursos de Dilma, a rainha da treva.


 

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