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Estado

10/05/2013

às 6:12 \ Sanatório Geral

Aula magna

“Eu sei que eu governo um país que é um país com municípios, com habitantes, é lá nos municípios que ocorre a vida das pessoas. Ninguém mora no estado, ninguém mora na União, as pessoas moram em cidades e eu sei disso profundamente”.

Dilma Rousseff, num trecho da discurseira no II Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável, reproduzida sem retoques pelo Portal do Planalto, ensinando que os brasileiros e as brasileiras moram em cidades que não fazem parte de nenhum estados e ficam fora da União.

21/06/2011

às 1:37 \ Sanatório Geral

Missa negra em Sumaré (5)

“Nunca antes na história deste país tivemos condições tão favoráveis para ganhar as eleições no Estado”.

Lula, na missa negra do PT paulista em Sumaré, animado com a repercussão entre a população carcerária da reportagem de VEJA sobre o escândalo dos aloprados, protagonizado por Aloízio Mercadante.

07/06/2011

às 20:05 \ Feira Livre

“A obra de arte tem de ser imperfeita”, um texto de Arnaldo Jabor

TEXTO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA TERÇA-FEIRA

Arnaldo Jabor

Outro dia, o Nelson Rodrigues baixou em mim. De vez em quando, eu o psicografo. É impressionante como escrevo rápido quando o espírito de Nelson me toma. Escrevo com a liberdade de não ser “eu”. Talvez seja por isso que F. Pessoa inventou heterônimos para se sentir livre da cangalha do “eu”.

Muitos jovens me perguntam: “Afinal, quem foi o Nelson?”

Não sabem direito. Ficou apenas a vaga lenda de “pornográfico” ou até de “fascista” por ter puxado o saco do ditador Médici (lembram?) para tirar seu filho da prisão. Não conseguiu, mas ganhou a pecha “de direita” por ter criticado futuros mensaleiros e pelegos, os “marxistas de galinheiro”, como ele os chamava, pois intuiu claramente, na época, que a ideologia que “absolve e justifica os canalhas” era apenas o ópio dos intelectuais.

Eu mesmo sofri por causa dele. Em 1973, ousei filmar Toda Nudez Será Castigada e dei uma entrevista na Veja em que dizia que “fascismo é amplo: existe fascista de direita e de esquerda também”. Pra quê? Os patrulheiros ideológicos mandaram um manifesto ao Jornal do Brasil, onde me esculhambavam indiretamente, dizendo que o sucesso imenso que o filme fazia “não era a missão política do cinema novo”. Foi das grandes dores que senti, pois até amigos assinaram o maldito texto, que só não foi publicado porque, um dia antes, os generais tiraram o filme de cartaz, com soldados de metralhadora, levando as cópias dos cinemas porque, dizia o chefe da Censura: “Ele faz apologia do homossexualismo…”

Aí, meus “amigos” comunas desistiram do texto “para não dar razão ao inimigo principal”, que era a ditadura. Eu e Nelson éramos “inimigos secundários”, para usar a língua de Mao Tsé-tung. Isso é verdade e nunca contei aqui. Doeu, mas já passou.

Aí, o filme voltou a cartaz porque ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim; os generais ficaram com medo da repercussão internacional (imensa) e liberaram meu filme, baseado numa peça do “fascista pornô”. Mas a importância de Nelson continua subestimada.

Hoje, a “pornopolítica” tomou conta de tudo e Nelson é que tem fama de “pornográfico” ─ logo quem: um moralista que corava diante de um palavrão. Nelson é muito mais. Filho do jornalismo policial, formado nas delegacias sórdidas, vendo cadáveres de negros plásticos, metido no cotidiano “marrom” do jornal do pai, Nelson flagrou verdades imortais que estavam ali, no meio da rua, na nossa cara, e que ninguém via.

Consideram-no o maior dramaturgo do País, sem dúvida, mas não o colocam no pódio da literatura culta, ao lado de gente como Guimarães Rosa, por exemplo, que o irritava muito: “Jabor, diga-me pelo amor de Deus, qual a profundidade da frase “Viver é muito perigoso”?” Ou: “A gente morre para provar que viveu…?” Nelson implicava com a pose do Rosa.

Uma vez, ele me disse ao telefone que o “problema da literatura nacional é que nenhum escritor sabe bater um escanteio”. É luminoso.

Outra vez, ele falou: “Se Deus me perguntar se eu fiz alguma coisa que preste na vida, eu responderei a Deus: “Sim, Senhor, eu inventei o óbvio!”"

Sua literatura nos ensina o óbvio e isto é muito profundo numa literatura eivada de engajamentos “corretos” ou de intenções formais rocambolescas. Gilberto Freyre sacou sua “superficialidade profunda”, assim como André Maurois entendeu que a genialidade de Proust era justamente “a épica das irrelevâncias…” E isto é muito saudável, num país onde ninguém escreve um bilhete sem buscar a eternidade. Nelson é um escritor contemporâneo.

Até hoje, muita gente não entendeu que sua grandeza está justamente na sincronia com os detritos do cotidiano. A faxina que Nelson fez na prosa é semelhante à que João Cabral fez na poesia.

Nelson baniu as metáforas a pontapés “como ratazanas grávidas” e criou o que podemos chamar de antimetáforas feitas de banalidades condensadas. Suas comparações sempre nos remetem a um “mais concreto”. Shakespeare tinha isso, Cervantes, também. E algumas crônicas de Nelson são superiores a muitas peças.

Suas frases famosas jamais aspiravam ao “sublime”: “o torcedor rubro-negro sangra como um César apunhalado”, “a mulher dava gargalhadas de bruxa de disco infantil”, “em seu ódio ele dava arrancos de cachorro atropelado”, “seu peito se encheu de heroísmo como anúncio de fortificante”, “a bola seguia Didi com a fidelidade de uma cadelinha ao seu dono”, “a virtude é bonita, mas exala um tédio homicida; não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera”, “o sujeito vive roendo a própria solidão como uma rapadura”, “somos uns Narcisos às avessas que cuspimos na própria imagem”.

Ele me dava lições de arte e literatura: “Enquanto o Fluminense foi perfeito, não fez gol nenhum. A partir do momento em que o Fluminense deixou de ser tão elitista, tão Flaubert, os gols começaram a jorrar aos borbotões. E aí vem a grande verdade: “A obra-prima no futebol e na arte tem de ser imperfeita”. Isso. Contemporâneo e minimalista, via, como Oswald, que a poesia está nos fatos, no vatapá no outro e na dança – “o que estraga a obra de arte é a unidade”.

A lição política de Nelson é: o Brasil não se salvará com planos messiânicos ou ideias gerais de “epopeias de Cecil B. de Mille”, sejam elas epopeias operárias ou epopeias neoliberais.

Nelson, sem cultura política nenhuma, profetizou que os atos “indutivos”, as providências parciais eram muito mais importantes que generalidades utópicas e “dedutivas”. O “óbvio ululante” é limpar a casa e cuidar do detalhe, do enxugamento do Estado, “chupando a carótida dos chefes das estatais como tangerinas” quando se mostrarem ladrões ou favorecendo correligionários, como vemos todo dia.

Nossa opinião pública está muito mais informada hoje, mas ainda é precária e desinformada. Como ele dizia: “Consciência social de brasileiro é medo da polícia”. Até hoje.

31/05/2011

às 15:16 \ Sanatório Geral

Réu confesso

“A Lei Orgânica do Ministério Público é clara ao afirmar que ministros de Estado devem ser investigados pelo procurador-geral da República”.

José Roberto Batochio, advogado de Antonio Palocci, contando quem ele acha que deve investigar o caso do misterioso enriquecimento do primeiro cliente que o contratou para defendê-lo sem ter virado réu oficialmente.

13/05/2011

às 11:11 \ Sanatório Geral

Ré confessa

“O Brasil precisa de um Estado meritocrático e profissional, e precisa também de uma relação produtiva entre o setor público e o setor privado. Uma relação que não pode ser de oposição, uma relação que não pode ser de conflito ou de interesses conflitantes. Mas uma relação em que Estados e empresas privadas, trabalhadores e sociedade tenham clareza do seu objetivo”.

Dilma Rousseff, na abertura dos trabalhos da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, confessando que o governo já provocou estragos demais com essa mania de nomear incompetentes por conveniência política e interferir em empresas privadas para obrigá-las a mudar de presidente, como acabou de fazer na Vale.

09/05/2011

às 12:44 \ Sanatório Geral

Delinquente ofendido

“A tentativa de imposição de sanções político-morais, em afronta às decisões absolutórias, importa, mais do que uma constrição cívica recorrente, uma negação insidiosa do Estado de Direito”.

Renan Calheiros, líder do PMDB no Senado, em artigo na Folha desta segunda-feira, explicando que quem acha que todo bandido merece cadeia deve ser punido por estar afrontando a lei, o Poder Judiciário, o Poder Legislativo, a ética, a moral, os bons costumes, a família brasileira, a democracia e o eleitorado alagoano, não necessariamente nessa ordem.

04/05/2011

às 19:37 \ Sanatório Geral

Causa própria

“Antes disso é absolutamente temerário que tomemos decisões no campo das informações classificadas como próprias do Estado. Seria a inversão do processo de construção democrática de um verdadeiro controle no circuito de coleta de informações”.

Fernando Collor, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, ao tentar explicar em dilmês antigo por que tem impedido que seja votada em plenário a Lei Geral de Acesso a Documentos, reforçando a suspeita de que pretende manter em sigilo perpétuo coisas que andou fazendo quando agiu no Palácio do Planalto.

04/05/2011

às 14:15 \ Sanatório Geral

Dupla perigosa

“É segredo de Estado”.

Paulo Okamoto, tesoureiro particular de Lula e carregador da mala do Instituto Lula, ao recusar-se a informar o cachê que o ex-presidente vai receber da LG para falar bem dele mesmo numa palestra na Coreia do Sul, com cara de quem começou a embolsar com juros o que o amigo “Baiano” deve ao amigo “Japonês”.

09/03/2011

às 8:19 \ Sanatório Geral

Soldado da liberdade (3)

“As frequentes campanhas genéricas contra o Estado e contra os políticos em geral têm sido duras. São campanhas não contra o Estado ausente, que dispensa políticas sociais. Nem contra os políticos corruptos, em especial. Mas uma campanha abrangente contra o Estado e contra a política”.

Tarso Genro, no artigo na Folha, explicando que a imprensa e os maus brasileiros só fazem campanha contra os que não são corruptos.

09/03/2011

às 2:04 \ Sanatório Geral

Soldado da liberdade (2)

“A mídia generaliza o desprezo aos políticos e ao Estado”.

Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul, fingindo que a imprensa culpa todos os ministros e todos os funcionários do Estado brasileiro pela deportação dos pugilistas cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux e pela promoção do bandido italiano Cesare Batistti em “perseguido político”.

 

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