Coluna do

Augusto Nunes

Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido.
E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido.

Posts com a tag ‘entrevista’

Leandro Narloch, jornalista e autor do livro Guia politicamente incorreto da história do Brasil

3 de fevereiro de 2010

Zumbi tinha escravos.
A origem da feijoada é européia.
Santos Dumont não inventou o avião.

As três afirmações parecem provocação de argentino. São apenas verdades incômodas, por rasgarem fantasias enraizadas no imaginário nacional.  E resumem exemplarmente o conteúdo do Guia politicamente incorreto da História do Brasil, do jornalista Leandro Narloch. Escrito com o objetivo principal de “irritar o maior número de pessoas”,  o livro desmonta versões encampadas pela história oficial. Nesta entrevista dividida em três partes, Narloch, que se amparou em consultas a cerca de 120 livros e dissertações acadêmicas, revela outras histórias já programadas para o segundo volume do Guia.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

SEÇÃO » Direto ao Ponto

FHC: o último bloco está no ar

20 de novembro de 2009

Dividido em cinco partes, o último bloco da entrevista com Fernando Henrique Cardoso é uma sequência de revelações e análises que completa a incursão de quase duas horas pela história real do Brasil. Confira e comente na seção O País quer Saber.

Entrevista com FHC: a última etapa do passeio pela história real de um Brasil desmemoriado

20 de novembro de 2009

Na América do Sul, governos que se qualificam de esquerdistas usam o Estado como instrumento de dominação e procuram consolidar o populismo autoritário, constatou Fernando Henrique Cardoso no terceiro e último bloco da entrevista concedida a VEJA.com. Uma semana depois, no artigo publicado pelo Estadão com o título Para onde vamos?, o ex-presidente se apoiaria nessa frase para desenvolver a tese segundo a qual a democracia brasileira se arrisca a desembocar num “subperonismo”.

Nesse e em vários outros momentos ─ ao rever os conceitos de “esquerda” e “direita”, por exemplo ─ fundiram-se no entrevistado o político FHC e o sociólogo que reivindica com naturalidade a condição de intelectual. “Intelectual é alguém que formula imagens da sociedade e, nesse sentido, é claro que sou”, resume, contendo o espanto que lhe causa a conotação negativa atribuídas ultimamente a palavras como intelectual ou elite. Mas continuará nadando contra a corrente com prazer ─ e alguma ironia, sugere o título do próximo livro: “Lembrando o que escrevi”.

O ex-presidente completou o passeio de quase duas horas pela história real do Brasil com escalas em numerosas estações, todas relevantes. Recordou os programas sociais localizados na gênese do Bolsa Família, analisou o sistema de saúde e questões ligadas à educação, alertou para a obesidade da máquina administrativa, discorreu sobre as diferenças entre a política externa adotada por seu governo e a instituída desde janeiro de 2003.

No mesmo tom de voz, registrou o crescente prestígio internacional do Brasil, lastimou os equívocos cometidos na crise em Honduras e, sempre bem humorado, atribuiu a agressividade crescente de Hugo Chávez ao preço do petróleo. “O Chávez que conheci foi o do barril a 15 dólares”, comparou. Longe da aposentadoria, como reitera diariamente a agenda movimentadíssima, nem sequer examina a possibilidade de voltar a ocupar cargos públicos. “Cada um é bom para determinado momento”, repete. “E o Brasil fica melhor a cada governo, até porque não para de crescer”.

A entrevista com Fernando Henrique Cardoso confirma que, nem faz tanto tempo assim, existiu vida inteligente no centro do poder. Também ensina que é possível fazer política sem revogar o convívio dos contrários e sem recorrer à lei da selva para ganhar a eleição.

Parte 11

Parte 12

Parte 13

Parte 14

Parte 15

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FHC: o segundo bloco está no ar

18 de novembro de 2009

Também dividido em cinco partes, já está no ar, na seção O País quer Saber, o segundo bloco da entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Termina com a primeira menção aos programas sociais do governo Lula, tema que será examinado em detalhes no terceiro e último bloco, programado para sexta-feira.

Entrevista com FHC, 2° bloco: “Pactos com o diabo são perigosos. Às vezes ele ganha”

18 de novembro de 2009

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“A impunidade é a mãe da corrupção”, lembra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso neste segundo bloco da entrevista exclusiva concedida a VEJA.com. Ele próprio ressalva que a frase não é original. Mas parece uma novidade extraordinária ouvi-la na voz de um político brasileiro. No paraíso da ladroagem impune, no grande viveiro de quadrilhas federais, só homens públicos honrados ousam dizer coisas que soam elementares em paragens civilizadas.

A preservação da honradez num país assolado pela corrupção o autoriza a afirmar, também, que “temos tudo da democracia, menos a igualdade perante a lei”. Ou a contestar a regra recentemente enunciada por Lula. ”Nunca fiz aliança com Judas”, discorda Fernando Henrique. Esse tipo de acerto conduz ao mensalão, exemplifica. Portador de um currículo sem parentesco com prontuários, o ex-presidente discorre sobre todos os temas invocados por adversários interessados em arranhar-lhe a imagem.

Nas cinco partes do segundo bloco, fala sobre o Proer, o Proesp, a emenda da reeleição, a versão da compra de votos, a nomeação de Renan Calheiros para o Ministério da Justiça, o Congresso que conheceu e o que hoje espanta o Brasil. Entre outras revelações históricas, conta que o governo do PT negou-se a examinar um acordo de princípios com o PSDB que, sem eliminar a fronteira que separa governo e oposição, garantisse a aprovação de projetos de interesse nacional.

Favorável à reeleição, aponta os riscos embutidos num terceiro mandato. Analisa o aparelhamento de fundos de pensão e empresas estatais por militantes partidários. Rememora a recuperação do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, qualifica o PAC de peça publicitária e enumera algumas obras físicas de especial relevância concluídas durante seu governo. Milhões de brasileiros provavelmente ignoram, por exemplo, que Fernando Henrique inaugurou o gasoduto que liga a Bolívia ao Rio Grande do Sul.

Não foi pouca coisa, mas ele acredita que será lembrado por outros feitos ─ a vitória sobre a inflação, por exemplo. Talvez seja lembrado também por ter rejeitado a fórmula do vale-tudo. Pactos com o diabo são perigosos, adverte. “Às vezes, o diabo ganha”. Ultimamente, tem ganhado todas.

Parte 6

Parte 7

Parte 8

Parte 9

Parte 10

SEÇÃO » Direto ao Ponto

Voltei

29 de outubro de 2009

A conversa com o Fernando Henrique (1 hora e 40 minutos de gravação) resultou num depoimento de alta qualidade. Revelações, informações, análises, novidades históricas ─ não faltou nada. FHC não evitou nenhum tema, respondeu  a todas as críticas e acusações que lhe fazem. A sequência de blocos começa a ir para o ar semana que vem. Acho que vamos bater todos os recordes de comentários. Abraços.

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Uma cabeça despovoada de ideias

20 de setembro de 2009

Algumas lembram uma redação de aluno de curso primário. outras parecem extraídas do diário de uma normalista de antigamente. Há as que reproduzem pensamentos de botequim e as que não dizem coisa com coisa. Somadas, as frases que vivem internando Dilma Rousseff no Sanatório Geral, anotadas na ficha da paciente, informam que se trata de uma freguesa de carteirinha da ala das cabeças despovoadas de ideias. No conteúdo, todas as declarações são mais rasas que um livro de José Sarney. Na forma, são tão confusas quanto um discurso de improviso do maranhense imortal.

Enquanto pôde, Dilma fantasiou-se de mulher de poucas palavras e muita ação. Só episodicamente o deserto intelectual era traído por retumbantes cretinices. “Isso é a espetacularização do nada”, recitou, por exemplo, quando pilhada em flagrante fabricando na Casa Civil dossiês que transformavam Fernando Henrique e Ruth Cardoso em perigosos perdulários. Promovida a candidata à Presidência, procurou refugiar-se em frases tão refinadas quanto a etiqueta do cangaço.

Disfarces, camuflagens e truques foram implodidos neste domingo pela entrevista concedida ao jornalista Valdo Cruz, da Folha de S. Paulo. Reproduzidas sem correções nem retoques, as declarações de Dilma Rousseff escancaram o que existe na cabeça: nada. Nenhuma opinião original, nenhuma ideia consistente, nenhuma tirada criativa. Nada que abrande a desoladora aridez reiteradamente sublinhada pelas colisões entre o sujeito e o predicado, pela inimizade entre o começo e o fim e pelo sumiço do raciocínio lógico. Tentem entender o que a primeira-ministra tem a dizer sobre alguns tópicos:

CRISE ECONÔMICA: “Eu acho que quem defendia que o mercado solucionava tudo, o mercado provê, é capaz de legislar e garantir, está contra a corrente e contra a realidade”.

PÁTRIA E NAÇÃO: “As acusações são de que o governo é eleitoreiro, estatizante, intervencionista e nacionalista. Têm algumas que a gente aceita. Nacionalista a gente aceita. Esse país não pode ter vergonha mais de ser patriota. Eu não vi um americano ter vergonha de ser patriota, nunca vi um francês. Que história é essa de nacionalista ser xingamento?”

CRÍTICAS DE LULA À VALE: “O presidente ficou chocado com empresas que demitiram bastante na crise sem ter consideração pelos empregos do país. (…) Se a Petrobras quiser o lucro dela só, vai fazer uma coisa monotônica. (…) Acho interessante essa história, os empresários podem falar o que quiserem que é democrático, o presidente não pode dar uma opiniãozinha que é intervencionista. Isso, diríamos assim, não é justo.”

VIDA: “A vida é mais desafiadora do que qualquer outra coisa. E tem de dar valor a isso, viver”.

GOVERNO LULA: “O presidente Lula tem um governo que não é só economia. É o social, o nacional e o internacional”.

GERAÇÃO DILMA: “A minha geração foi contra a pobreza, a favor dos trabalhadores, a favor do desenvolvimento do país, da riqueza do Brasil . (…) Então, essa experiência no governo Lula já foi avassaladora”.

CANDIDATURA À PRESIDÊNCIA: “Olha, eu acho que é para qualquer pessoa, brasileiro ou brasileira, é algo muito… Primeiro, honroso”. (…) “Eu acho, para qualquer pessoa, estou falando do meu lado, do pessoal que está tocando o governo Lula, é uma honra. (…) É uma honra, é uma honra, sem sombra de dúvidas”.

Há mais, muito mais. A entrevistada conta, por exemplo, que na infância queria ser bailarina quando crescesse. Mas a amostra basta para confirmar que, no Brasil, o que está péssimo pode piorar — e muito. Uma Dilma Rousseff seria demais até para o país que sobreviveu a Lula.