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elite

17/05/2011

às 20:53 \ Sanatório Geral

A dona do português (2)

“Talvez em um tempo em que só a elite ia para a escola, a norma culta bastasse. Hoje, com o acesso da classe popular, a formação tem de ser mais ampla”.

Heloísa Ramos, autora do livro “Por Uma Vida Melhor”, ensinando que, da Proclamação da República até o começo da Era Lula, a “classe popular” foi proibida de frequentar escolas públicas, reservadas exclusivamente aos filhos da elite golpista ou crianças loiras de olhos azuis.

22/08/2010

às 13:54 \ Feira Livre

Novas elites

Texto publicado no Estadão desta sexta-feira.

Nelson Motta

Os atiradores de elite são os melhores, não podem falhar. A tropa de elite é formada pelos mais aptos e bem treinados. A elite acadêmica é o motor do progresso cientifico e tecnológico, a artística produz as obras que constroem a cultura nacional, a política governa o País. Cada elite profissional vale pela excelência de seus integrantes. Em qualquer lugar do mundo é uma honra, um objetivo de vida, estar entre os melhores no seu trabalho.

Mas quando Lula fala, elite é sempre sinônimo de malvado e injusto, de inútil e explorador, de odiar os pobres e gostar de ver o povo passar fome. De maior inimiga da democracia.

Que elite é essa? Não é a dos charutos e vinhos, das madames consumistas e filhos playboys, carros importados e amigos picaretas, dos coronéis rurais e urbanos, dos veteranos mamadores nas tetas do Estado. Esta está com Lula, o obedece no Congresso, financia suas campanhas, apoia seus programas econômicos e sociais. Seria até indelicado reclamar.

As novas elites não nascem na academia, nem no empreendedorismo e nem no mercado produtivo. Como os militares, nos tempos da ditadura, elas estão em toda parte, mas agora vêm dos sindicatos e da militância, são gestores, investidores com o capital alheio, novos poderosos com acesso a verbas e programas. Elas não se baseiam em excelência ou competência profissionais, mas em fidelidade, ideologia e militância. Não é ilegal ou imoral ser dessa elite, só engorda.

Mas a novidade da elite lulo-popular não acabou com a velha elite sarno-patrimonialista, juntou-se a ela nos privilégios. Lula não se contenta em multiplicar os pães e os peixes, multiplica as elites. Em 2020 teremos acabado com a pobreza, basta Dilma vencer. Com tantas elites, daqui a pouco vai nos faltar povo e não teremos mais a quem culpar pelo Brasil ainda não ser, mas só estar próximo, da perfeição – como o nosso sistema de saúde publica, nossos aeroportos e estradas.

Os novos fumadores de charutos e bebedores de vinhos se juntam aos antigos inimigos e brindam à vitória do velho slogan de Zé Dirceu quando era líder estudantil. Ao povo no poder.

30/07/2010

às 21:27 \ Sanatório Geral

Salada mista

“É a mesma elite que levou Getúlio a dar um tiro no coração, que matou Jânio Quadros e fez João Goulart renunciar. Eu disse a essa elite que eu não estarei no gabinete lendo o jornal deles, mas na rua, com o povo brasileiro que vai decidir o destino desse país”.

Lula, no comício em Porto Alegre, juntando no mesmo palavrório Getúlio, Jânio, Jango, povo e elite para explicar que não aprendeu a ler porque passa todo o tempo na rua decidindo o destino deste país.

02/05/2010

às 7:00 \ Sanatório Geral

De búqui is on de têibol

“A elite  dizia que eu não falava inglês, mas meu coração pensa brasileiro, meu coração pensa o povo brasileiro.”

Lula, ao confirmar que o cérebro continua zero quilômetro em pensamento, fazendo de conta que os loiros de olhos azuis gostariam de ouvi-lo assassinando também o inglês.

22/11/2009

às 15:54 \ Direto ao Ponto

Na Era da Mediocridade, o contrário de elite é escória

Anunciada pelo triunfo eleitoral do presidente pronto para instituir a celebração da ignorância, a Era da Mediocridade começou pela captura do Poder Executivo. O Brasil nunca foi um viveiro de bons ministros de Estado. Mas nunca houve um primeiro escalão tão desoladoramente bisonho quanto o montado por Lula.

A segunda vítima foi o Legislativo. Desmoralizado em 2005 pelo escândalo do mensalão, o Congresso sucumbiu no último inverno à ofensiva feroz do baixo clero, que encontrou em cardeais de quinta como José Sarney e Renan Calheiros a sua mais perfeita tradução. O Brasil nunca teve motivos suficientes para orgulhar-se dos senadores e deputados que elege. Mas nunca elegeu numa única fornada tantos motivos para envergonhar-se.

A capitulação do Legislativo consumou-se no ano que poderá ser lembrado também pelo início da derrocada do Judiciário. Já em 2005, durante o reinado de Nelson Jobim no Supremo Tribunal Federal, multiplicaram-se evidências de que as togas do século 21 desconhecem a localização exata da fronteira que separa a Justiça da politicagem. Mas só na semana passada, com a infame decisão que não decidiu o Caso Battisti, os limites demarcados desde sempre foram escancaradamente violados por um ministro nomeado pelo ex-presidente Fernando Collor e quatro escolhidos por Lula.

O atual presidente não foi o primeiro a alojar no STF doutores amigos ou aliados circunstanciais. Mas nunca antes neste país um governante desconsiderou tão acintosamente os critérios impostos pela Constituição. Até agora, além de laços de amizade com quem nomeia, os nomeados também tinham amplos conhecimentos jurídicos e bons currículos. Por estarem preparados para julgar em última instância, podiam dispensar-se de pagar com decisões convenientes o favor da indicação. As coisas mudaram. Hoje, a Corte que reunia apenas grandes juristas abriga figuras que agridem o bom senso, a língua escrita e falada, o manual de etiqueta, o código de ética e os códigos legais com a mesma selvageria exibida pelos figurões do Executivo e do Legislativo.

Entre as perfídias produzidas pela Era da Mediocridade figura o banimento dos melhores e mais brilhantes. No mundo inteiro, concordam dicionários em todos os idiomas, elite é “o que há de melhor numa sociedade ou num grupo social”. Na novilingua companheira, elite passou a identificar o conglomerado de loiros de olhos azuis, reacionários golpistas, ultraconservadores de alta periculosidade, carrascos dos pobres. O antônimo da palavra maldita, claro, é povo.

A adulteração semântica tem sido reiteradamente desmentida pela vida real. A contemplação do bando que controla os três poderes reafirma que, no Brasil da Era da Mediocridade, o contrário de elite é escória.

16/11/2009

às 16:30 \ Sanatório Geral

Alternância sem alternativa

“Tem uma parte da elite política apodrecida deste País que não estava acostumada com a alternância de poder. E eu sou a alternância de poder. E eles sabem disso”.

Lula, em entrevista neste domingo ao programa É Notícia, da RedeTV, fazendo de conta que a elite política apodrecida não inclui os companheiros José Sarney e Fernando Collor e explicando que, como é ele a alternância de poder, terá de revezar-se na presidência com Luiz Inácio Lula da Silva.


 

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