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Eliane Cantanhêde

14/08/2012

às 17:37 \ Feira Livre

‘Defesa ou acusação?’, um artigo de Eliane Cantanhêde

PUBLICADO NA FOLHA DE S. PAULO DESTA TERÇA-FEIRA

Luiz Francisco Corrêa Barbosa, advogado de Roberto Jefferson

ELIANE CANTANHÊDE

Em vez de defender Roberto Jefferson, seu cliente, o advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa partiu para um ataque feroz contra o ex-presidente Lula e o procurador-geral, Roberto Gurgel.

Nunca antes neste país ─nem mesmo contra Fernando Collor, já na lona, após o impeachment─ uma defesa oral foi tão virulenta no Supremo Tribunal Federal contra um procurador-geral e contra um ex-presidente da República.

Segundo o advogado, que reflete bem o estilo, a personalidade e a beligerância do cliente, o procurador “não fez o seu trabalho” no processo do mensalão e “sentou em cima” da ação do bicheiro Cachoeira.

Para ele, Gurgel tratou Lula como “um pateta”, pois disse que tudo ocorria dentro de quatro paredes no Planalto, sob suas barbas, mas o presidente não sabia de nada.

“Deixaram o patrão de fora. Aliás, o procurador-geral deixou. Essa oração tem sujeito”, acusou o advogado, para quem Lula “foi omisso e traiu a confiança do povo”.

Barbosa, porém, caiu numa contradição. Ao mesmo tempo em que disse que Lula “não só sabia como ordenou” o esquema, ele relatou que o presidente, ao ser alertado por Jefferson numa conversa com a presença de Aldo Rebelo e Arlindo Chinaglia, ficou surpreso, até emocionado, “com lágrimas nos olhos”.

Se só soube depois, como Lula poderia ser mandante? Afinal, ele sabia, ordenou, era “o mandante”, “o patrão”? Ou não sabia de nada e até chorou ao ser informado?

O advogado também tentou intrigar os ministros com o procurador, que ─acusou ele─ produziu a acusação sem provas e sem Lula, para “jogar o povo contra este tribunal”.

No final, arriscou uma explicação heroica para a inclusão do cliente no rol de réus: a intenção era “silenciá-lo, para que não abrisse essa sua boca enorme”. Como se Jefferson já não tivesse escancarado sua bocarra ─ e feito um estrago de bom tamanho.

10/08/2012

às 20:15 \ Direto ao Ponto

Atrações da Feira Livre

Os leitores podem encontrar na Feira Livre produtos de variados sabores e procedências. Reynaldo Rocha comenta a aprovação da obrigatoriedade do diploma de jornalista pelo Senado e Eliane Cantanhêde analisa a reação de Dilma Rousseff à onda de greves no funcionalismo público federal.

10/08/2012

às 16:07 \ Feira Livre

‘Chama o exército’, por Eliane Cantanhêde

PUBLICADO NA FOLHA DE S. PAULO DESTA QUINTA-FEIRA

ELIANE CANTANHÊDE

Dilma não só mandou cortar o ponto dos grevistas como aprovou um projeto do Exército para garantir a integridade dos prédios públicos e a oferta de serviços essenciais em caso de ameaça externa (improvável) e principalmente de greves (que se multiplicam).

O sistema “Proteger” está orçado em R$ 9,6 bilhões e, com o Sisfron, de monitoramento de fronteiras, vai custar R$ 21 bilhões em 12 anos, apesar de Dilma argumentar com a crise internacional e com a falta de recursos para não dar aumentos no setor público. O único acordo foi com professores de universidades federais e, mesmo assim, polêmico.

São 13.300 alvos estratégicos do “Proteger”, 371 prioritários, como refinarias, hidrelétricas, centrais de telecomunicações e as principais estradas. Brasília, que abriga os três Poderes e as embaixadas, é listada como o alvo número um.

Para definir o sistema, o Exército estudou casos exemplares, como a invasão da CSN, a greve da refinaria de Paulínea e um curto na rede de Tucuruí, que não teve influência de grevistas, mas afetou boa parte do país.Isso mostra que Dilma não brinca em serviço. Se a democracia prevê o direito de greve, prevê também a garantia dos prédios públicos e dos serviços essenciais à população. Em caso de risco, os militares entram.

É uma boa lembrança quando a elite do funcionalismo testa forças com a presidente: Polícia Federal, Banco Central, Itamaraty, oficiais de inteligência, defensores públicos, auditores da Receita, agências reguladoras (Anatel, Aneel…). Nem todos estão de greve, mas se uniram num movimento único de reivindicação.

O governo avalia que a pressão acaba no dia 31, com a entrega do Orçamento de 2013. É uma visão muito otimista. Os servidores engoliram sapos e ficaram quietos na era Lula (como CUT, UNE, MST) e resolveram devolver agora com Dilma. Não vão recuar tão cedo.

O governo do PT revida botando o Exército na parada.

19/04/2011

às 15:25 \ Feira Livre

“A verdade”, um artigo de Eliane Cantanhêde

ARTIGO PUBLICADO NA FOLHA DESTE DOMINGO

Foto: Evandro Teixeira

O artigo autobiográfico do economista Persio Arida na revista “Piauí” é uma preciosidade. Num texto primoroso, ele coloca as coisas no seu devido lugar, mostrando os erros horrendos dos militares da época, mas também reconhecendo o quão equivocada foi a luta armada. Não apenas na tática, mas igualmente nos propósitos.

Sem querer, Persio dá um roteiro impecável para a Comissão da Verdade que tramita no Congresso e se propõe a reconstituir a história como ela é, pelo lado que ganhou à época e pelo que ganhou agora.

Ali estão, contados com a serenidade possível, praticamente dispensando adjetivos, a sua prisão, a tortura, a asfixia pela asma não medicada, o impacto do assassinato do militante Bacuri. É o que a esquerda quer da comissão.

Mas ali está igualmente uma reflexão madura, honesta e corajosa sobre os erros da militância armada -e avaliação, execução e objetivo. E é isso o que os militares reivindicam da comissão.

Ao falar sobre a luta armada, Persio lembra sua angústia ao finalmente admitir para si próprio: “O que teria acontecido com os direitos humanos se aquele movimento tivesse dado certo?”. E responde: “Sua dinâmica continha o mesmo vírus que fez, em outros momentos da história, militantes de excepcional pureza revolucionária se transformarem, no poder, em mandantes de mortes em massa e de torturas. (…) O terror legitimado pela utopia revolucionária. Teríamos trocado seis por meia dúzia”.

Então, vamos trucidar mais uma vez os militantes que já foram literalmente trucidados? Desdenhar dos que foram presos, torturados, humilhados e alquebrados? Não. Nem Persio o fez.

Sua conclusão, machadiana, diz tudo numa única frase: “A militância contribuiu, por vias tortas, para a volta da democracia -mas nisso se esgotara todo o seu sentido”.

Eis uma boa reflexão para a história -não só a dele, mas a do país.

27/09/2010

às 12:50 \ Feira Livre

Sandra Cureau: “Lula quer fazer a sua sucessora a qualquer custo”

Entrevista publicada na Folha desta segunda-feira.

Eliane Cantanhêde

A menos de dez dias do primeiro turno, a vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau diz que nunca viu uma eleição como a de 2010 e critica a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Eu acho que ele quer, a qualquer custo, fazer a sua sucessora”.
Gaúcha, 63, ela acrescenta: “É por isso que, como dizem no manifesto de intelectuais pela democracia, Lula misturou o homem de partido com o presidente. A impressão que tenho é a de que ele faz mais campanha do que a própria candidata. É quase como se fosse uma coisa de vida ou morte”. Veja os principais trechos da entrevista à Folha.

Qual o efeito do empate no STF sobre a validade da Lei da Ficha Limpa?
Vai interferir muito no processo eleitoral, porque colocou uma quantidade enorme de candidatos no limbo. O que vai acontecer? Ninguém sabe.

Isso favorece os fichas-sujas?
Não sei, porque pode ocorrer um fenômeno como o que já vinha ocorrendo aqui no DF, onde o candidato ao governo Joaquim Roriz, do PSC, teve seu registro impugnado desde o início e foi caindo nas pesquisas.

Processo contra poderosos não dá em nada, nem na Justiça Penal nem na Eleitoral?
Quem tem condições de pagar bons advogados recorre, recorre e recorre. Se o Congresso quer mesmo expulsar os fichas-sujas, vai ter de votar uma legislação que torne mais ágil o processo eleitoral e o processo em geral.

Como vê a troca de Roriz pela mulher dele como candidata?
Ele nunca teve uma decisão positiva. O TRE-DF indeferiu o registro, o TSE manteve o indeferimento e o ministro Carlos Ayres Britto negou o efeito suspensivo no STF. Ou seja: ele perdeu todas.
Há um dispositivo na lei dizendo que candidato “sub judice” pode continuar fazendo campanha. Só que, na minha interpretação, Roriz sempre esteve com a candidatura indeferida, e isso não é estar “sub judice”.
Quanto à possibilidade de colocar a mulher dele, isso pode. Até na véspera você pode substituir, como quando o candidato falece.

Não é frustrante?
Mais do que frustrante. O candidato sai, mas a foto dele fica na urna. É interessante porque, no regimento do Supremo, existe um dispositivo dizendo que, quando há empate, prevalece a decisão que já existe. Teria de prevalecer, então, a decisão do TSE pela inelegibilidade de Roriz.

Qual o balanço que a sra. faz das eleições de 2010?
Foi uma das eleições mais complicadas de que eu participei. Talvez tenha alguma coisa com o fato de eu ser mulher, mas acho que têm acontecido coisas incríveis.
Pessoas se negam a dar informações que têm de dar, agressões e verdadeiras baixarias, principalmente em blogs. Fico pensando: será que, se fosse um homem, fariam a mesma coisa, tão à vontade? Há certa desobediência às decisões do TSE, certo desprezo pelo Ministério Público Eleitoral por parte de algumas autoridades.

Qual o papel do presidente da República nisso, já que ele desdenha das multas e se referiu à senhora como “uma procuradora qualquer”?
Quando ele diz que eu sou “uma procuradora qualquer por aí”, ele reduz a instituição Ministério Público Eleitoral a alguma coisa qualquer. Por isso, houve reação tão veemente por parte da OAB e das entidades de magistrado e de Ministério Público. A reação foi geral. Aliás, a própria manifestação de São Paulo é consequência do que se está vivendo nesta eleição.

A sra. se refere ao “Manifesto pela Democracia”, assinado por dom Paulo Evaristo Arns, ex-ministros da Justiça, outros juristas e intelectuais?
Exatamente.

Eles dizem ser “constrangedor o presidente não compreender que o cargo tem de ser exercido na plenitude e não existe o “depois do expediente’”. A sra. concorda?
É, e é complicado, porque a gente nunca teve esse tipo de problema antes. Não porque os presidentes não fizessem campanha para seus candidatos, mas eles faziam tendo presente que eram chefes da nação. Era de uma maneira mais republicana, ou mais democrática, não sei que palavra usar.

Como a sra. avalia a participação de Lula nesta eleição?
Eu acho que ele quer, a qualquer custo, fazer a sua sucessora. É por isso que, como dizem no manifesto, ele misturou o homem de partido com o presidente. Aquela coisa de não aceitar a possibilidade de não fazer a sucessora. A impressão que eu tenho é a de que ele faz mais campanha do que a própria candidata. Nunca vi isso, é quase como se fosse uma coisa de vida ou morte para ele.

Como a sra. reage à posição do presidente, que recebe uma multa, duas, três e…
…não está nem aí. Isso faz parte de todo um quadro, e não é uma multa que vai parar isso, ainda mais que são multas baixas.

A oposição também não comete excessos o tempo todo?
Por isso também foi multada. No caso da candidata Marina Silva, foram poucas representações. Com relação ao candidato José Serra, entrei com 26 representações, e 29 contra a candidata Dilma Rousseff e o presidente.

A sra. considera absurdo analisarem que isso possa evoluir para um nível de tensão próximo ao da Venezuela?
Por enquanto, não vejo isso, mas me preocupa muito a tentativa de desqualificar as instituições. Quando se começa a não ter respeito pelas instituições e se incentiva inclusive isso, pode levar a um caminho em que não haja autoridade, ou que a autoridade seja única. Todos os Poderes são legítimos. Um não pode se sobrepor aos outros.

No escândalo da ex-ministra Erenice Guerra, houve partidarismo da imprensa?
A imprensa prestou um serviço não só ao povo brasileiro, que paga impostos que estavam sendo usados naquelas negociações, ou negociatas, sei lá, como prestou um serviço ao presidente.

E a acusação de que há um complô da imprensa a favor de um candidato?
Não vejo, até por uma razão muito simples. Se houvesse um complô a favor de um candidato ou contra o outro, ele estaria lá nas alturas.

03/08/2009

às 15:45 \ Sanatório Geral

O chilique do pintassilgo

“Pelo amor de Deus! Eles são donos de metade da usina e metade da água! Eu não posso querer ficar com toda a energia!”.

Celso Amorim, na entrevista a Eliane Cantanhêde, à beira de um ataque de nervos com a ideia de ofender o Paraguai com o cumprimento do Tratado de Itaipu.

 

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