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Eliane Cantanhêde

26/03/2015

às 11:56 \ Opinião

Eliane Cantanhêde: ‘Bondade com o dinheiro alheio’

Publicado no Estadão

ELIANE CANTANHÊDE

Depois de furado o esquema gigantesco da Petrobrás, era apenas questão de tempo para começarem a estourar os tumores de outras estatais. Era cutucar e aparecer. O Estado chegou antes e temos aí os Correios, para confirmar a expectativa. Não foi o primeiro, certamente não será o último.

Fala sério: investir em títulos da Venezuela?! Isso não pode ser verdade. Mais do que uma aplicação de altíssimo risco, com o governo Nicolás Maduro desabando, é também uma operação suspeita e confirma o que todo brasileiro sabe, ou tinha obrigação de saber, a esta altura do campeonato: o modus operandi da era PT.

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21/03/2015

às 13:33 \ Opinião

Eliane Cantanhêde: ‘Infecção braba, antibiótico fraco’

Publicado no Estadão

ELIANE CANTANHÊDE

A política é definida de fora para dentro do Congresso. Quanto mais vibrantes as ruas, mais fracos os governos; quanto mais fracos os governos, mais fortes a Câmara e o Senado e mais tonitruantes os líderes partidários.

Milhões de pessoas gritando “Fora Dilma”, a aprovação da presidente despencando para 13%, a rejeição disparando para 62% e um documento do próprio Planalto admitindo o “caos político” e que “não será fácil virar o jogo”… Pois é, depois dessa sequência de tragédias para o governo, tudo o que Dilma Rousseff teve a oferecer foi o tal pacote anticorrupção.

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18/03/2015

às 13:56 \ Opinião

Eliane Cantanhêde: ‘Lula’

Publicado no Estadão

ELIANE CANTANHÊDE

Milhões de pessoas foram às ruas gritando “Fora Dilma” e “Fora PT”. É só impressão, ou ficou faltando alguém no foco central da irritação popular e na defesa da presidente e do partido? Onde o ex-presidente Lula se encaixa nisso tudo?

Dilma Rousseff, economista, técnica em energia e militante histórica do PDT brizolista, nunca tinha sido eleita para coisa nenhuma, nem vereadora de interior, até virar presidente da República. Só se candidatou a tanto e foi vitoriosa por causa de… Lula. Sem ele, ela jamais teria chegado nem perto dos Palácios do Planalto e da Alvorada.

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16/03/2015

às 7:47 \ Opinião

Eliane Cantanhêde: ‘Crise grave, mas sem saída’

Publicado no Estadão

ELIANE CANTANHÊDE

O Brasil tem agora o antes e depois de 15 de março de 2015. Mais de um milhão de pessoas foram às ruas para protestar contra a presidente Dilma Rousseff e contra o PT, que, desde 1980, era quem tinha força e capacidade de mobilização.

Quem poderia imaginar que o PT mudaria de lado e passaria a ser alvo, após 30 anos de glórias e de jogar as ruas contra tudo e contra todos em nome da ética? Bastaram 12 anos de poder para o caçador virar caça. E isso tem um lado dramático. Mas cada um colhe o que plantou.

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06/03/2015

às 15:08 \ Opinião

Eliane Cantanhêde: ‘Eles têm nojo da gente’

Publicado no Estadão

ELIANE CANTANHÊDE

Meses antes de estourar o mensalão, o então deputado Roberto Jefferson chegou atrasado para um almoço de parlamentares do PTB com jornalistas, justificou que estava numa reunião com petistas no Planalto e desabafou: “Eles não querem aliados, querem sabujos. Eles têm nojo da gente”.

Deu no que deu. Jefferson detonou o esquema do mensalão, que quebrou o encanto do governo Lula e levou para a cadeia os principais líderes petistas e o próprio petebista. Nunca mais o PT foi o mesmo.

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11/01/2015

às 19:27 \ Sanatório Geral

Relaxa e pula

“Ou o PT muda ou acaba”.

Marta Suplicy, senadora por São Paulo, no Estadão deste domingo, transformando a última resposta da entrevista concedida a Eliane Cantanhêde num aviso aos navegantes: o PT vai naufragar.

14/08/2012

às 17:37 \ Feira Livre

‘Defesa ou acusação?’, um artigo de Eliane Cantanhêde

PUBLICADO NA FOLHA DE S. PAULO DESTA TERÇA-FEIRA

Luiz Francisco Corrêa Barbosa, advogado de Roberto Jefferson

ELIANE CANTANHÊDE

Em vez de defender Roberto Jefferson, seu cliente, o advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa partiu para um ataque feroz contra o ex-presidente Lula e o procurador-geral, Roberto Gurgel.

Nunca antes neste país ─nem mesmo contra Fernando Collor, já na lona, após o impeachment─ uma defesa oral foi tão virulenta no Supremo Tribunal Federal contra um procurador-geral e contra um ex-presidente da República.

Segundo o advogado, que reflete bem o estilo, a personalidade e a beligerância do cliente, o procurador “não fez o seu trabalho” no processo do mensalão e “sentou em cima” da ação do bicheiro Cachoeira.

Para ele, Gurgel tratou Lula como “um pateta”, pois disse que tudo ocorria dentro de quatro paredes no Planalto, sob suas barbas, mas o presidente não sabia de nada.

“Deixaram o patrão de fora. Aliás, o procurador-geral deixou. Essa oração tem sujeito”, acusou o advogado, para quem Lula “foi omisso e traiu a confiança do povo”.

Barbosa, porém, caiu numa contradição. Ao mesmo tempo em que disse que Lula “não só sabia como ordenou” o esquema, ele relatou que o presidente, ao ser alertado por Jefferson numa conversa com a presença de Aldo Rebelo e Arlindo Chinaglia, ficou surpreso, até emocionado, “com lágrimas nos olhos”.

Se só soube depois, como Lula poderia ser mandante? Afinal, ele sabia, ordenou, era “o mandante”, “o patrão”? Ou não sabia de nada e até chorou ao ser informado?

O advogado também tentou intrigar os ministros com o procurador, que ─acusou ele─ produziu a acusação sem provas e sem Lula, para “jogar o povo contra este tribunal”.

No final, arriscou uma explicação heroica para a inclusão do cliente no rol de réus: a intenção era “silenciá-lo, para que não abrisse essa sua boca enorme”. Como se Jefferson já não tivesse escancarado sua bocarra ─ e feito um estrago de bom tamanho.

10/08/2012

às 20:15 \ Direto ao Ponto

Atrações da Feira Livre

Os leitores podem encontrar na Feira Livre produtos de variados sabores e procedências. Reynaldo Rocha comenta a aprovação da obrigatoriedade do diploma de jornalista pelo Senado e Eliane Cantanhêde analisa a reação de Dilma Rousseff à onda de greves no funcionalismo público federal.

10/08/2012

às 16:07 \ Feira Livre

‘Chama o exército’, por Eliane Cantanhêde

PUBLICADO NA FOLHA DE S. PAULO DESTA QUINTA-FEIRA

ELIANE CANTANHÊDE

Dilma não só mandou cortar o ponto dos grevistas como aprovou um projeto do Exército para garantir a integridade dos prédios públicos e a oferta de serviços essenciais em caso de ameaça externa (improvável) e principalmente de greves (que se multiplicam).

O sistema “Proteger” está orçado em R$ 9,6 bilhões e, com o Sisfron, de monitoramento de fronteiras, vai custar R$ 21 bilhões em 12 anos, apesar de Dilma argumentar com a crise internacional e com a falta de recursos para não dar aumentos no setor público. O único acordo foi com professores de universidades federais e, mesmo assim, polêmico.

São 13.300 alvos estratégicos do “Proteger”, 371 prioritários, como refinarias, hidrelétricas, centrais de telecomunicações e as principais estradas. Brasília, que abriga os três Poderes e as embaixadas, é listada como o alvo número um.

Para definir o sistema, o Exército estudou casos exemplares, como a invasão da CSN, a greve da refinaria de Paulínea e um curto na rede de Tucuruí, que não teve influência de grevistas, mas afetou boa parte do país.Isso mostra que Dilma não brinca em serviço. Se a democracia prevê o direito de greve, prevê também a garantia dos prédios públicos e dos serviços essenciais à população. Em caso de risco, os militares entram.

É uma boa lembrança quando a elite do funcionalismo testa forças com a presidente: Polícia Federal, Banco Central, Itamaraty, oficiais de inteligência, defensores públicos, auditores da Receita, agências reguladoras (Anatel, Aneel…). Nem todos estão de greve, mas se uniram num movimento único de reivindicação.

O governo avalia que a pressão acaba no dia 31, com a entrega do Orçamento de 2013. É uma visão muito otimista. Os servidores engoliram sapos e ficaram quietos na era Lula (como CUT, UNE, MST) e resolveram devolver agora com Dilma. Não vão recuar tão cedo.

O governo do PT revida botando o Exército na parada.

19/04/2011

às 15:25 \ Feira Livre

“A verdade”, um artigo de Eliane Cantanhêde

ARTIGO PUBLICADO NA FOLHA DESTE DOMINGO

Foto: Evandro Teixeira

O artigo autobiográfico do economista Persio Arida na revista “Piauí” é uma preciosidade. Num texto primoroso, ele coloca as coisas no seu devido lugar, mostrando os erros horrendos dos militares da época, mas também reconhecendo o quão equivocada foi a luta armada. Não apenas na tática, mas igualmente nos propósitos.

Sem querer, Persio dá um roteiro impecável para a Comissão da Verdade que tramita no Congresso e se propõe a reconstituir a história como ela é, pelo lado que ganhou à época e pelo que ganhou agora.

Ali estão, contados com a serenidade possível, praticamente dispensando adjetivos, a sua prisão, a tortura, a asfixia pela asma não medicada, o impacto do assassinato do militante Bacuri. É o que a esquerda quer da comissão.

Mas ali está igualmente uma reflexão madura, honesta e corajosa sobre os erros da militância armada -e avaliação, execução e objetivo. E é isso o que os militares reivindicam da comissão.

Ao falar sobre a luta armada, Persio lembra sua angústia ao finalmente admitir para si próprio: “O que teria acontecido com os direitos humanos se aquele movimento tivesse dado certo?”. E responde: “Sua dinâmica continha o mesmo vírus que fez, em outros momentos da história, militantes de excepcional pureza revolucionária se transformarem, no poder, em mandantes de mortes em massa e de torturas. (…) O terror legitimado pela utopia revolucionária. Teríamos trocado seis por meia dúzia”.

Então, vamos trucidar mais uma vez os militantes que já foram literalmente trucidados? Desdenhar dos que foram presos, torturados, humilhados e alquebrados? Não. Nem Persio o fez.

Sua conclusão, machadiana, diz tudo numa única frase: “A militância contribuiu, por vias tortas, para a volta da democracia -mas nisso se esgotara todo o seu sentido”.

Eis uma boa reflexão para a história -não só a dele, mas a do país.

 

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