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Edison Lobão

11/12/2011

às 22:15 \ Feira Livre

Diário da Dilma: No, I don´t care!

PUBLICADO NA EDIÇÃO DE DEZEMBRO DA REVISTA PIAUÍ


1º de novembro_Ai que dor de cabeça! Ressaquinha de Campari: ontem fiz uma festa de Halloween com um pessoal aqui em casa. O Gilbertinho veio de padre, uma falta de criatividade! Foi tudo muito discreto porque se o Aldo Rebelo descobre…

2 de novembro_Fui visitar Lula na segunda lá no hospital, coitadinho. Para aliviar o astral, cheguei fazendo troça: “Ô Lulinha, bem que te avisei que botar aquele cocar de índio ia dar zebra”. Pela primeira vez ele riu de uma piada minha. Tenho certeza que ele vai sair dessa. Vaso ruim não quebra!

3 de novembro_Esse discurso do G20 está me tirando o sono. Você delega e vem cheio de erro de concordância. Aí reclama e justificam: “A tradução simultânea conserta.” Depois vão para a imprensa dizer que sou exigente.

4 de novembro_Não tenho nenhuma intenção de dar dinheiro ao fundo de estabilização europeu. Minhas verbas já estão com umas ONGs que o Lupi recomendou e com o fundo de estabilização do meu topete. Mas tenho que respeitar os países endividados: em festa de formiga não se elogia tamanduá.

5 de novembro_Como aquela madame do FMI é elegante! Não dei bandeira na hora, mas pedi para o general araponga investigar onde ela faz compras.

6 de novembro_Ah, ah, ah, diário mon amour: a loira não vai ser candidata a prefeita de São Paulo. Pôs mais botox à toa! E nem adianta querer o lugar do Fernandinho. Depois de me livrar de um ministro da Educação tipo calamidade, vou colocar a Marta? Não estou louca ainda!

Estava na cozinha preparando uma omelete quando ouvi mamãe gritar “bingo!”. Titia veio correndo e as duas se escangalharam de rir. Depois, li as denúncias contra o Lupi e entendi que mamãe ganhou a aposta.

8 de novembro_Fiz duas sessões de VelaShape. Tive que marcar em nome da cunhada da Erenice e fui de peruca loira para ninguém me reconhecer. Perdi 2 centímetros de cintura e 1,5 de quadril. Já dá para entrar naquelas calças de helanca que comprei no free shop. São boas porque não amassam e marcam pouco.

9 de novembro_Esses estudantes que ocuparam a reitoria da USP me deram uma ideia. Vou organizar uma ocupação na Esplanada dos Ministérios para protestar contra a presença de ONGs. Acionei amigos subversivos que não via há décadas.

No final do dia, o João Santana apareceu todo esbaforido no meu gabinete. É a única pessoa que tem permissão para entrar pela passagem secreta atrás da estante. Enfático, me convenceu a desistir da ideia da ocupação.

10 de novembro_Não acredito que o Serginho Cabral fez aquela festa toda por causa dos royalties e não me convidou. Para contar piadas infames sobre o Lula ele me liga. Mas para ver show do Lulu Santos na Cinelândia, nada de telefonar para a Dilminha.

11 de novembro_Cheguei da ginástica matinal e titia estava com os olhos brilhando: “Você soube que um ministro fez uma declaração de amor para você diante de todas as câmeras?” Curiosa, mas disfarçando, perguntei qual. “Aquele que começa com L”, respondeu.

Meu coração palpitou entre a euforia e o éden. Finalmente o Lobão tinha se vergado aos meus encantos e, romântico como Pepino di Capri, declarou-se em rede nacional.

Como quem não quer nada, fui para o quarto. Descobri que o “L” era de Lupi, aquele bofe!

12 de novembro_Fui à posse do Kalil, em São Paulo, e aproveitei para fazer uma consulta. Tenho arritmia toda vez que chego perto do Sarney. Ele me disse que era normal e que padecia do mesmo mal.

Esse Lupi está descontrolado. Tive que chamá-lo em meu gabinete e aplicar um “meu querido”.

13 de novembro_O PSDB me mata de rir. O slogan deles agora é Yes, we care. Ô gente pedante e entojada! Continuo nadando de braçada. Apesar de tudo, encarava o Fernando Henrique numa boa: No, I don’t care!

15 de novembro_Marisa ligou para transmitir um trocadilho do Lula. “Papademos papou Papandreou”, disse ela meio sem graça. É bom ver que ele continua ativo na articulação.

16 de novembro_Achei que o Lula está muito bem careca e sem barba. Aqueles dentes recapeados ficaram um pouco à vista demais, parece o Al Pacino. Os dentes, quero dizer. Mas, com a ajuda do Santana, ele está batendo o maior bolão. A Marisa é que podia dar um help e parar de fumar. Ou não aparecer na janela.

17 de novembro_Bem feito para o Berlusconi! Ficou falando aquelas grosserias para a Angela Merkel e deu no que deu. Vai ter que pagar mais caro agora pelo buga-buga! A tintura dele consegue ser pior do que a do PMDB inteiro. E olha que eles são liderados pelo Sarney.

18 de novembro_A gente batalha meses para lançar um programa bacana para beneficiar pessoas com deficiência e tem instantes de alegria. Mas volta para o gabinete e encontra o quê? Disputa por royalties de petróleo, denúncia de corrupção e parlamentares do PMDB em qualquer direção que se olha. Estou precisando de férias.

Fiquei emocionada ao ver o Romário. Lembrei o quanto eu e mamãe vibramos no Tetra e como fiquei frustrada quando ele foi cortado na Copa seguinte.

19 de novembro_Como essas denúncias cansam a gente! Ainda bem que o Gabrielzinho vem visitar a vovó.

20 de novembro_Esse Mario Monti tem cara de bancário e parece ser bem mais respeitador. Mas não se pode dar confiança aos italianos.

21 de novembro_Bonitinho o vídeo com os atores da Globo criticando Belo Monte. No mesmo dia, recebi a resposta: Lobão veio de blazer de seis botões, foulard e gola roulé. Declamou, pausadamente, seus argumentos. Homem charmoso e contemporâneo age assim.

23 de novembro_O Beltrame está fazendo e acontecendo. A Globo nunca me deu essa colher de chá. Falando em Beltrame, o gaúcho é um pedaço! Vou marcar mais duas sessões de VelaShape e uma esfoliação no rosto. O Kamura ficou de vir aqui também. Estou tão cheia desse meu cabelo.

24 de novembro_Quando fiz o discurso sobre a Comissão da Verdade, rejeitei quaisquer sentimentos revanchistas. Me sinto tão evoluída que sou até capaz de usar “quaisquer” em uma frase. Tenho vontade de sapecar um “meu querido” na fuça dos torturadores, mas o Santana disse que convém deixar esse revanchismo guardado no peito.

25 de novembro_Haddad e Chalita, ô dupla!

26 de novembro_Alguém é capaz de dizer o tamanho da mancha de óleo derramada no mar? Agora o Serginho não atende minhas ligações, o Pezão se finge de morto e o Lobão tergiversa. Vou ter que medir pessoalmente com uma régua?

27 de novembro_Comprei um punhado de ginkgo biloba para o Lupi. Dizem que reativa a memória. Mas a Ideli veio me falar que também é bom para emagrecer. Resolvi guardar lá em casa.

28 de novembro_Como quem não quer nada, perguntei ao Temer quando sairiam as fotos da cunhada dele na Playboy. Ele ficou roxo. Disse que não via a cunhada faz tempo. Aí eu tripudiei: “Ela é tão parecida com a Marcela, não é?”

21/10/2011

às 18:28 \ Direto ao Ponto

Se depender do Conselho de Sábios do Planalto, não há perigo de dar certo

É possível que Dilma Rousseff tenha visitado a África do Sul só para certificar-se de que o Brasil vai mesmo produzir uma Copa do Mundo mais desorganizada que a de 2010. É provável que as escalas em Moçambique e Angola, nações de língua portuguesa, tenham sido  programadas para que o intérprete convalescesse da exaustão que ataca quem passa dois dias lidando simultaneamente com o inglês e o dilmês. Mas nunca se sabe o que pode dar na telha do mundo. Mulher prevenida, a presidente viajou escoltada por cinco ministros que considera craques em urgências internacionais.

Essa tropa de elite do primeiro escalão juntou Antonio Patriota (Relações Exteriores), Marco Aurélio Garcia (Complicações Cucarachas), Edison Lobão (Minas e Energia), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Luiza Bairros (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial). Um chanceler sem voz, uma boca à espera de um dentista, o notório “Magro Velho”, um flagelado das urnas premiado com o emprego para esquecer a derrota e uma irrelevância prestes a despontar para o anonimato. A sorte é que o planeta não precisou recorrer à turma do safári financiado pelos pagadores de impostos. Um time desses é capaz de transformar em conflito armado até uma divergência fiscal entre dois cantões da Suiça.

Como Kadhafi fez a gentileza de partir no dia da viagem de volta, a sucessora do amigo e irmão do ditador desembarcou em Brasília liberada para a liquidação de pendências domésticas, começando pela crise decorrente da descoberta das bandalheiras no Ministério do Esporte. Resolvida a descobrir ainda nesta quinta-feira a melhor maneira de livrar-se de Orlando Silva sem romper o contrato de aluguel com o PCdoB, Dilma convocou a equipe de especialistas em questões políticas internas.

À noite, juntaram-se no Planalto os ministros Gilberto Carvalho (secretário-geral da Presidência), Gleisi Hoffmann (chefe da Casa Civil), Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e José Eduardo Cardozo (Justiça). Uma caixa-preta que não para de armazenar obscenidades desde o assassinato de Celso Daniel, uma governante aprendiz que não soube administrar sequer a indenização recebida da direção de Itaipu, um berreiro à procura de uma ideia e o amigo mais velho de Justin Bieber.

Governar é escolher, sabe-se desde que, há milhões de anos, um homem das cavernas indicado para chefiar a tribo nomeou alguém para auxiliá-lo a organizar o convívio do grupo. Releia os nomes dos escolhidos por Dilma, em parceria com Lula, para ajudá-la a tomar decisões, a optar na encruzilhada, a dirigir o país. Confira o currículo, a folha de serviços e o prontuário de cada um. E admita: se depender do Conselho de Sábios do Planalto, não há perigo de dar certo.

15/10/2011

às 10:19 \ Feira Livre

Diário da Dilma: O senhor tenha compostura!

PUBLICADO NA EDIÇÃO DE OUTUBRO DA REVISTA PIAUÍ


1º DE SETEMBRO – Em casa que mulher manda até o galo canta fino. Tenho de me impôr para que a imprensa não derrube todos os ministros. Fui fofocar com o Zé Dirceu naquele quarto de hotel xexelento. Vai que ele me dá uma luz. Não sei como ele aguenta ficar cercado de mofo, enxofre e poeira. Assim que entrei, ele ligou as torneiras e pôs uns sucessos de Cuba no volume mais alto. “É para despistar a Veja”, sussurrou. Aí me puxou para baixo de uma cômoda e disse: “O único jeito de fazer com que esse povo pare de falar em corrupção é anunciar um novo imposto.” Como saí de lá espirrando, pensei logo em ressuscitar a CPMF.

2 DE SETEMBRO – Hoje tem o Congresso Nacional do PT. Vou perder minha novela. Este mês vai ter muito conflito de calendário. Fiquei assustada com esse negócio de controle da mídia. Pelo que entendi, aquele rapaz que era o Helena Chagas anterior pretende transferir o Projac para Havana. E, por decreto, todas as Helenas do Manoel Carlos passariam a se chamar Olga. Gostei não.

3 DE SETEMBRO – Ai, que forno essa cidade! Ontem de noite, depois que foi todo mundo dormir, entrei na piscina. Pus até um biquíni e fiquei lá, jiboiando. Acordei com o cabelo horrível. Botam tanto cloro na água que a gente fica parecendo o Incrível Hulk.

6 DE SETEMBRO – Meu computador deu pau assim que acabei de revisar o discurso da Independência. O pessoal me obriga a usar uma geringonça brasileira, de marca Positivo, pode? Canso de dizer ao Mercadante que o internacionalismo ainda é uma bandeira, mas aquele matuto insiste em promover a tecnologia nacional. O que esperar de um homem que ainda usa bigode? Reinicializei e o Positivo exigiu a senha do Lula. Deu um ódio! Chamei o Anderson para dar um jeito. Foi só eu dizer “Meu querido” que ele pulou pela janela. Ainda bem que o Planalto é baixinho.

7 DE SETEMBRO – Tem coisa mais chata que desfile da Independência? Talvez reunião com a base aliada, mas lá pelo menos a gente pode ficar sentada. Com os milicos é um senta, levanta, senta, levanta que dá até enjoo. O Fernando Henrique tem toda razão: não temos vocação. Se o Paraguai quiser revanche, não sei não. Pouco importa. O Gabrielzinho estava tão fofinho que nem me chateei. Quem é o tchutchuquinho, o bilu-bilu da vovó? Quem? Quem? À noite, chamei as meninas aqui em casa para a gente resolver que roupa vou usar no Fantástico. A Ideli eu só chamei por educação, porque vá se vestir mal assim lá em Santa Catarina! Com toda essa movimentação, não tive nem tempo de espiar o show do Roberto Carlos em Jerusalém. Côncavo e Convexo me deixa arrepiada.

8 DE SETEMBRO – A Patrícia Poeta me chegou meia hora adiantada. E veio uma Flávia que é mais bonita ainda. A magreza delas me irrita. Eu tive que trazer o Kamura. Ele veio de laquê no bolso e, em muito mais tempo que levei para demitir o Jobim, meu cabelo estava tinindo. Segui o João Santana: na primeira pergunta incômoda – Dou mesmo bronca? – adotei o olhar condoído da Renata Lo Prete. A Poeta não se comoveu, e aí o jeito foi disparar um “Minha querida…”. Só vi o Anderson cruzar a janela, mas acho que ninguém reparou. O general araponga veio contar que, no 7 de Setembro, o Edison Lobão jantou no Gero do Rio. E quando lhe perguntaram se estava de ti-ti-ti comigo, respondeu: “São aleivosias.” Magoei.

9 DE SETEMBRO – Acordei que nem a Valéria, bandida! A Poeta viu o que é um toma lá, dá cá. Ficou até muda quando quis se fazer de engraçadinha pra cima de mim. Quis se agigantar e tomou! Devia ter se informado com o Gabrielli. Desmarquei tudo. Hoje é aniversário do Gabrielzinho, que faz 1 aninho. Vai ter festa, bolo, guaraná, muito brigadeiro e língua de sogra. Chamei o Tiririca como animador.

11 DE SETEMBRO – Para dar um refresco nessas imagens do World Trade Center, temos Dilminha no Fantástico. Fiquei bem no vídeo, a cor creme me favorece. Apesar de que, com esse blazer debruado, se pusessem duas malas na mão me confundiriam com um bellboy de hotel. Difícil decidir o que fazer com os braços quando a gente anda. Os meus ficam rente ao corpo como duas salsichas.

12 DE SETEMBRO – Adorei a repercussão da entrevista. Todo mundo viu quem manda aqui. O Lula que se cuide. Minha tia disse que era para eu falar de “malfeito”, nada de “corrupção”. Achei boa ideia e adotei.

13 DE SETEMBRO – Outra mala complicada. Que roupa vou usar na ONU? Ainda bem que a Carla Bruni não vai, é difícil ficar bonita ao lado dela. A princesa Kate eu lamento, pois queria conhecer. Como tem troca de presentes, eu dava uma daquelas turmalinas brutas que a gente compra no aeroporto e, com sorte, ganhava um daqueles chapeuzinhos de banda que ela usa, tão lindinhos. Mamãe passou mal. Ela sempre faz esse showzinho. Se bem que, coitada, deve ser mesmo esse palácio do capeta, que não tem uma janela que preste, e esse cerrado em chamas. Ô lugarzinho de quinta!

14 DE SETEMBRO - Pedro Novais veio entregar a carta de demissão. Estava um caco. Mal saiu e chegou o Temer com um calhamaço que mais parecia lista telefônica. Todos do Maranhão! Acho que eles se multiplicam como Gremlins depois da meia-noite. Escolhi um que tinha nome engraçado.

15 DE SETEMBRO – Depois do Roberto Carlos vou perder o Elton John no Rock in Rio. Tão engraçadinho o menino que ele arrumou de filho. Fofos ele e o marido.

17 DE SETEMBROStart spreading the news: Dilminha vai a Nova York fazer história. Para me inspirar, no avião fui ouvindo o samba que a Gaviões fez para homenagear o Lula: “Por justiça e liberdade, lutou/ Brilhou a estrela do trabalhador/ A força do operário defendia/ A bandeira da democracia.” Chora, cavaco!

19 DE SETEMBRO – “Dilma Dinamite”? Devagar com o andor que o santo é de pólvora. Deve ser por isso que me revistaram toda no aeroporto. Arre! O Santana mandou visitar museu e avisou: “Nada de muamba.” Reuni o pessoal e ameacei vasculhar a mala de cada um. E eu doidinha para dar uma passadinha na Macy’s. As roupas de lá me caem feito luva. Com o dólar barato eu ia fazer uma festa.

20 DE SETEMBRO – Reencontrei o Obama. Estava louca para encontrar a Angélica, que também é freguesa do Kamura. Queria ir jantar com ela e o Luciano Huck. Mas tergiverso. Obama, tadinho, não sabia o que fazer. No final, recomendei: “Obama, leva agasalho. Tá frio lá fora.” Dia cheio. Procurei a Angela Merkel para propor um tratado de livre-circulação de laquê. Acabei cruzando com o Berlusconi, que me deu uma filmada de paraíba de obra e soltou uma cantada que faria o Bolsonaro corar. Espetei o dedo: “O senhor tenha compostura! E peça desculpas à Angela!” Ele saiu de fininho e ainda retirou o convite para um fim de semana na Sardenha. Tá achando que Dilminha é uma das sirigaitas dele? Ai, que emoção. Encontrei Hristo Nikrolov, amigo búlgaro de infância. Dançamos tratso-tratso numa apresentação do colégio. Ficou bonito o homem.

21 DE SETEMBRO – Foi um su! Meu discurso na ONU, arrasou. Deixou todo mundo de queixo caído. Aquela revista – como é que é o nome mesmo? – disse que comigo ninguém pode, e me colocou na capa. Ai, como eu tô bandida!

30 DE SETEMBRO – O mês acabou e mencionei o Lobão só uma vez. Duas, agora. Talvez esteja me curando.

10/10/2011

às 22:37 \ Direto ao Ponto

O gabinete de Sarney é o começo do atalho que pode levar à cúpula do Judiciário

“A afrontosa operação de socorro atesta que os tentáculos estendidos ao Judiciário pelo chefe da Famiglia já alcançaram o Superior Tribunal de Justiça”, constatou um trecho do texto aqui publicado em 29 de setembro. O post comentava a decisão consumada dias antes por três ministros do STJ: sem argumentações plausíveis, a trinca decidiu enterrar ─ vivas ─ as incontáveis provas colhidas pela Polícia Federal durante a Operação Boi Barrica, concebida para devassar bandalheiras colecionadas por parentes e agregados do presidente do Senado.

Em 4 de outubro, menos de uma semana depois da constatação feita pela coluna, a desembargadora Assusete Dumont Reis Magalhães, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, tratou de escancarar a crescente desenvoltura dos chamados “juízes do Sarney”: eles agora se dispensam de camuflar as relações promíscuas que os subordinam ao mandarim do Poder Legislativo. Incluída na lista tríplice de candidatos à vaga aberta no STJ, Assusete solicitou uma audiência a Sarney para pedir-lhe que a apoiasse na luta pelo empregão. Saiu do encontro com o sorriso de quem conseguiu a bênção do patriarca.

Imediatamente, o padrinho entregou a chefia da campanha a Edison Lobão. Segundo amigos da dupla, o ministro de Minas e Energia reservará um bom pedaço da agenda para “ajudar a doutora Assusete com alguns telefonemas”. Só Madre Superiora e Magro Velho e Lobão sabem quais serão os alvos das ligações. Em tese, cabe exclusivamente à presidente Dilma Rousseff a entrega da vaga a um dos três concorrentes. Os outros dois são o desembargador Néfi Cordeiro, do Tribunal Regional Federal da 4a Região, e a desembargadora Suzana de Camargo Gomes, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

Até recentemente, só poderia sonhar com o STJ quem tivesse reputação ilibada. Se a exigência continuasse em vigor, Assusete teria caído fora da disputa no mesmo instante em que se ajoelhou diante de Madre Superiora. Como foi atirada ao lixo pelos embusteiros que controlam um país em acelerada decomposição moral, a abjeção pode até garantir a vitória da doutora. E, por consequência,  perpetuar os podres poderes exercidos sobre o Judiciário por um senhor feudal cuja impunidade é um tapa na cara dos brasileiros decentes.

01/10/2011

às 21:33 \ Feira Livre

Ministério da Dilma: um recorde de zeros à esquerda e à direita

Celso Arnaldo Araújo

A ministra Iriny foi entrar num território que lhe é inteiramente inóspito e desconhecido – a sensualidade como milenar arma de sedução feminina – e se deu mal, ao enxergar numa top model que fatura 30 milhões de dólares por ano, nunca estoura o cartão de crédito (que é ilimitado) e não bate o carro do marido (porque tem motorista privativo) um símbolo das vítimas do “sexismo” de inspiração machista. Esta teria sido a intenção do diretor de criação do comercial da Hope: “Vamos pagar três milhões de dólares para a Gisele se fazer passar por uma coitada que se humilha de lingerie diante do marido só porque fez três besteiras. Um milhão de dólares por besteira”.

Sem entrar no mérito da saudável polêmica sobre propaganda e machismo, e cumprimentando a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres pela ousadia de ter dado sua cara para bater, o fato é que a Hope está desarrolhando sucessivas garrafas de champagne brut.

Graças à indignação de Iriny, um comercial chinfrinzinho ganhou status de paixão nacional. É o melhor dos mundos para uma campanha publicitária, mesmo que ela seja suspensa – ou você duvida que, nesse caso, a agência virá com uma réplica ferina?

Fora isso, há algum outro benefício nacional nessa celeuma? Sim. Além da possibilidade (inimaginável no sentido real) de meter o pau na Iriny, ganhamos uma informação preciosa, nove meses após o início do governo Dilma: o país tem desde janeiro uma ministra chamada Iriny Lopes (e isso é notícia fresca, porque ninguém sabia). A aparição de Iriny, esta semana, finalmente explica a estranhíssima metamorfose do cartunista Laerte numa das figuras mais aberrantes da prática do chamado crossdressing — eufemismo modernoso para o velho travestismo dos que tomam a decisão tardia de sair do armário e ironicamente se enrustem sob a fantasia espalhafatosa. Quer dizer então que tudo não passava de uma paródia performática de Laerte, uma homenagem às mulheres brasileiras através da mimetização grotesca da ministra que hoje as representa em nível federal?

Conhecido seu modelo, Laerte agora está dispensado de continuar tentando explicar por que deixou de ser um homem que só chamava a atenção por seu talento para se transformar numa mulher que se impõe pela feiúra. A secretaria comandada por Iriny, que tem status de ministério só para garantir mais cargos e em faixas superiores de remuneração, também está dispensada de existir: não disse uma palavra, não moveu um foulard pela mulher que perdeu seus bebês gêmeos na porta da Santa Casa de Belém do Pará por incúria, negligência e omissão de socorro. Mas a ministra soube se revelar uma fera ferida por causa da lingerie da Gisele. Com essa brutal inversão de funções, o ministério das mulheres é uma afronta à sua clientela.

O caso Iriny-Gisele-Laerte está rendendo bons esfregaços dialéticos e ótimas risadas – sobretudo nesta coluna. Mas, na esteira desse jocoso escândalo, outro, mais grave, se camufla sob as calcinhas vermelhas da Hope: o ministério de Dilma.

ACOMODANDO A CUPINCHADA
São 38 pastas, das quais pelo menos 10 criadas só para fazer média com parcelas do eleitorado ou acomodar a cupinchada. Sete titulares desse ministério já foram trocados – e muitos outros poderão e poderiam ser substituídos a qualquer momento, de um dia para o outro, sem afetar o funcionamento de um único balcão de repartição pública sob a óptica dos serviços prestados à população. Por acaso as ações da Petrobras cairiam se o ministro Edison Lobão de repente virasse frentista de posto de gasolina? A Apple deixaria de vender um único iPad no Brasil se o ministro Aloysio Mercadante deixasse a pasta da Tecnologia para ser um hacker?

À parte os casos de gatunagem despudorada e cínica, o ministério de Dilma é caracterizado por sua mediocridade. Distinga-se: há os ministérios “ideológicos” e politicamente corretos – como as secretarias da Iriny e da Igualdade Racial – e os balcões de negócio. Mas o nível médio do ministério é muito, muito baixo. Tentativas de comparar a estatura do ministério de Lula-Dilma (cujo padrão é Pedrinho Novais, que mede 1m46) com governos anteriores da República serão muito cruéis. Sempre houve nos ministérios republicanos um punhado de grandes nomes com história pessoal já escrita — nomes que poderiam merecer biografia própria, e muitos que, pela notoriedade e obra, viraram nome de ruas, avenidas e praças.

Imagine: Paulo Brossard foi ministro de Sarney. Antonio Houaiss e Fernando Henrique Cardoso, de Itamar Franco. O peso dos nomes ministeriais tem a ver com postura, atitude, nível intelectual, história pessoal.

Um governo adquire credibilidade a partir da equipe principal que escolhe. Nesse requisito, o PT de hoje atinge a miserabilidade. O atual ministério bate recorde em zeros à esquerda (e à direita também, se é que me entendem) -– e o padrão Pedrinho-Gastão é insuperável na historia republicana: indivíduos absolutamente estranhos ao grande e ao pequeno público, não são conhecidos nem no universo político de Brasília, não podiam ser pesquisados no Google antes de janeiro de 2011, não têm registro de sua passagem pelo planeta, não têm historia de vida, de cátedra, de obra, de livro publicado, de tese defendida, de discurso proferido, de projeto apresentado. A impressão digital de seus currículos de quatro linhas, incluindo nome, endereço e filiação, é o sempre suspeitíssimo dedo de Sarney. O atual ministério é um fenômeno político, merece entrar no Guinness pela quantidade de assombros que reuniu na Esplanada.

Ministro com peso político e pessoal próprio é necessidade republicana. Sendo uma nulidade, não terá como resistir às pressões da sua “base” para conceder favores, verbas, empregos – ou fazer bobagem em nome de “teses”, como Iriny. Um ministro de peso próprio tem blindagem maior para resistir a pressões, que vêm de todo lado, todos os dias. Quem ganhou um ministério na loteria – como Gastão Vieira — fará qualquer coisa para ficar. Um ministro sem densidade própria é na realidade um “laranja” de quem lhe banca e fará qualquer negocio para manter sua inédita importância antes de voltar à vala comum de onde saiu.

Iriny, que deve ser muitíssimo bem intencionada, teve seus inglórios momentos de glória graças a Gisele Bündchen – voltará logo ao silêncio e à ineficácia acaciana de sua secretaria. E, no fim das contas, o que terão ganho as mulheres brasileiras com esse auto da compadecida da ministra diante do sacrilégio da lingerie vermelha?

Rigorosamente nada – a exceção sendo as funcionárias da Hope que, se tiverem participação nos lucros da empresa, receberão um belo bônus este ano.

19/08/2011

às 16:28 \ Sanatório Geral

Lixão preservado

“Apesar das suspeitas que envolvem a Agência Nacional de Petróleo, a faxina da corrupção não chega ao Ministério de Minas e Energia, porque ali dá choque”.

Domingos Dutra, deputado federal do PT do Maranhão, confirmando que a capitania hereditária da Famiglia Sarney, que inclui o ministério confiado ao capataz Edison Lobão, vai escapar por mais três anos e meio da dedetização reivindicada há 50 anos pelos brasileiros honestos.

10/08/2011

às 6:15 \ Sanatório Geral

Madre safada

“No acordo com o PMDB, a Câmara dos Deputados, através da sua bancada, ficou de indicar o Ministério do Turismo. E a bancada no Senado de indicar outro ministro, que era de Minas e Energia. De maneira que o ministro foi indicado pela Câmara. Quando tive conhecimento, eu não sabia que o nome dele seria escolhido”.

José Sarney, vulgo Madre Superiora, ao informar que conhece só de vista o amigo de infância Pedro Novais, aproveitando para avisar que nem lembra direito quem é Edison Lobão, o que aumenta a suspeita de que o ministro de Minas e Energia será o próximo destaque do bloco da maracutaia.

09/07/2011

às 15:19 \ Feira Livre

Diário de Dilma: ‘Formei a mesa de tranca’

“DIÁRIO DA DILMA”, PUBLICADO NA EDIÇÃO 58 DA REVISTA PIAUÍ

1º DE JUNHO_Dizem que junho não é um bom mês para sagitarianos. Com ascendente em Escorpião, então, nem se fala. Já deixei dois recados com a minha astróloga. Deve ter alguma coisa encalacrada no meu mapa. Palocci e pneumonia ninguém merece. Minha tia queria trazer um pai de santo muito bom aqui da Ceilândia, para tirar o mau-olhado. Começo hoje uma trezena de santo Antônio.

Não aguentei e li meu horóscopo on-line: “Sua Lua está apontada para Vênus. É tempo de mudança. Renove os ares antes que seja tarde.” Tomei um Rivotril.

2 DE JUNHO_Pedi para o Luiz Sérgio gravar Guerra dos Tronos. Vi uma chamada e fiquei curiosa. A verdade é que, com tanta amolação por causa do Palocci, nem consigo mais seguir Cordel Encantado. Tão fofinha, a novela.

Minha astróloga ligou. Disse que tem três eclipses este mês. Achou boa a ideia do pai de santo porque a coisa está brava.

Tive de chamar o Palocci na chincha. Mandei ele ficar de pé no canto da sala, em silêncio, por dez minutos. Depois, parei a um palmo do nariz dele, encarei-o com meu melhor olhar de ex-terrorista e mandei bala, na bucha: “Por santa Rita de Cássia, diz logo para quem prestou consultoria!” Abaixando a vista, o barbudinho concordou em ir ao Jornal Nacional.

Francamente, ficou chato para todo mundo. Ninguém fala mais do meu topete, das minhas roupas. Ninguém compara mais o meu estilo com o do Lula.

Enfim, em casa. Sorvete de passas ao rum, almofadinha para os pés, edredom. Coloquei o DVD que o Luiz Sérgio gravou, e surpresa: um show da Cher em Las Vegas. O que é isso?

3 DE JUNHO_Pelas perucas do Ivon Cury! O Palocci estava horrível noJornal Nacional! Que conversa fiada, cruzes! E aquele canto de mesa com um copo enorme! Estava num restaurante? Ele não percebe que está ficando uma baleia? Daqui a pouco nem cabe mais naquele big apartamento que comprou com as consultorias.

Vou correr a minha agenda de telefones para ver quem pode substituí-lo.

João Santana soube dos eclipses e me mandou fazer um despacho: “Ponha uma vasilha de água sob o sol. Separe um patinho de borracha. À noite, banhe o patinho com a água. Repita por uma semana.” Anotei bem anotado.

6 DE JUNHO_Botei um conjuntinho mais sóbrio para receber o Hugo Chávez. Ah, se tem uma coisa que a Dilminha sabe é agradar um comunista. Pena que o corte não favoreceu, principalmente na cintura. Ainda bem que o Palocci vai atrair todos os holofotes. Nessas horas um escândalo até que ajuda.

Fiquei arrepiada quando o Chávez disse que me achou inteligente e interessante logo na primeira vez que me viu. Mas não dei bandeira: em terra de sapo, mosca não dá rasante. Não sentia uma emoção tão grande desde que pegamos aquele cofre do Ademar. O Lobão estava por perto e acho que ouviu. Bem feito! É para ele parar de se achar.

Patriota ligou: “Ollanta Humala foi eleito presidente do Peru.” Já ia passando um pito por causa dessa mania dele de fazer trocadilho idiota, quando a Ideli Salvatti, que estava por perto, me cochichou que esse era mesmo o nome do homem. Esperta essa Ideli, vou pedir para ela gravar Guerra dos Tronos.

O Franklin Martins apareceu em casa. Achei ele a cara do Gregory Peck. Deve ser o Rivotril.

7 DE JUNHO_Palocci chegou tão cedo no Alvorada que eu estava de bobes. Trouxe a lista das empresas para quem prestou consultoria: Armarinho dos Souza, Judith Calçados, Zezé Confecções, O Rei das Pochetes. Ora, não me venha de borzeguins ao leito. Palocci prestando consultoria de moda, era o que me faltava! Só se fosse da Camisaria Varca. Depois dessa, não tinha mais ambiente para ele continuar.

Fiquei com dor de cabeça. Liguei para o Sérgio Cabral e pedi para ele imitar o Lula. Ri tanto que destravei a tensão nos ombros.

8 DE JUNHO_Dei o maior pito na Helena Chagas. Como ela deixa sair uma foto minha abraçada ao Luiz Sérgio, o que já não favorece, e ainda por cima com a etiqueta do meu sapato espetada para fora?

Topei na agenda com o nome daquela loira paranaense, a Gleisi. Muito gracinha, ela. Resolvido o problema do Palocci, arre!

Molhei o patinho.

10 DE JUNHO_João Santana deixou no gabinete uma carta cumprimentando o Fernando Henrique pelos 80 anos. Tinha um post-it em cima: “Presidenta, fume o cachimbo da paz com o FHC. Vai por mim. Todos os colunistas tucanos (releve a tautologia) vão elogiá-la e, por tabela, ainda enfraquecemos o Serra.” O texto já veio em papel timbrado e com a minha assinatura no final. Êita marqueteiro eficiente! Mas, cá entre nós, querido diário, “releve a tautologia” é coisa de baiano com complexo de Rui Barbosa.

Adorei os comentários de que a Gleisi é a “Dilma da Dilma”. Ai, se eu tivesse aquele narizinho…

12 DE JUNHO_Fui checar meu perfil clandestino do Facebook e topei com um vídeo superbonitinho, inspirado na música Eduardo e Mônica. Curti e encaminhei para o Fernando Haddad.

Mudança, mudança, mudança: troquei o manobrista com o cozinheiro, a Ideli pelo Luiz Sérgio, e estreei um novo jogo de roupa de cama. Essa de botar a Pesca na Articulação Política foi de gênio. De um golpe, resolvi minha turma da tranca: eu e a Miriam contra a Ideli e a Gleisi. Já vou marcar uma rodada para sábado à noite. Aproveito e faço um quentão, que eu adoro. Depois assistimos a umas reprises de Sex and the City.

13 DE JUNHO_O Lobão está se sentindo a última bolacha do pacote depois que ganhou um par de ray-ban do Antonio Banderas. O Nelson Jobim veio dizer que o homem agora só aparece armado de uma expressão penetrante. Ao se apresentar, franze o cenho e diz: “Meu nome é Edison Lobão, o perigote da presidenta.” Parece o Zé Bonitinho.

14 DE JUNHO_O Haddad me manda um e-mail com uma nova sugestão para o vídeo contra a homofobia: duas amigas que acabam se apaixonando. O título? “Eduarda e Mônica”. Como diria o Robin: “Santa Herança do Lula!”

Esqueci de dar banho no patinho.

15 DE JUNHO_Juntei minhas meninas Ideli e Gleisi para uma primeira rodada de tranca. E preparei uma surpresinha: pedi para a irmã do Chico Buarque trazer uma fita com as músicas inéditas dele.

16 DE JUNHO_O PMDB parece criança: quando a gente dá uma coisa, ele já pede outra. Agora, além de aturar o Temer, tenho de dar ouvidos para os pedidos de sigilo eterno do Sarney e do Collor. E eu doida para fuçar esses documentos.

A música do Chico falava de uma mulher sem orifícios. Fiquei com isso na cabeça. O que será que ele quis dizer? Vou perguntar para a irmã dele. Ainda bem que não a mandei embora.

21 DE JUNHO_O George Clooney terminou com aquela italiana. Esse o Patriota não convida para visitar a gente.

22 DE JUNHO_Delícia de feriadão! Vou aproveitar o São João em Caruaru, faço uma social e depois dou um perdido na turma. Já vou colocar o vestido caipira na mala.

23 DE JUNHO_Aécio caiu do cavalo e o Indio da Costa foi pego na blitz da lei seca. Parece que meu inferno astral está no fim.

25 DE JUNHO_Tentei achar o Lula. Queria pedir para ele ligar para o Fidel e saber o que tem de verdade na boataria sobre o Chávez. Mas o Lula caiu na clandestinidade. Deve estar “fazendo palestra” no jatinho de algum empresário. Essas coisas o PT não vê.

27 DE JUNHO_Marieta Severo para interpretar Dilminha no cinema? Sei não. Adoro a dona Nenê, mas a Paola Oliveira não é mais parecida? Ela está ótima em Insensato Coração. E quem fará o papel do Lobão? Será que o Antonio Banderas esteve no Brasil para isso?

* Escrito por Renato Terra, apresentado pela revista Piauí como o ghost-writer não oficial e não autorizado de Dilma Rousseff.

24/06/2011

às 12:46 \ Feira Livre

Diário de Dilma Rousseff: ‘Estou dodói e Lobão sofre bullying’

“DIÁRIO DA DILMA”, PUBLICADO NA EDIÇÃO 57 DA REVISTA PIAUÍ

30 DE ABRIL_Estou com uma tosse seca e uma febre que não passam. Liguei para o Palocci e pedi uma consultoria. Ele costuma indicar bons médicos. Passou o nome do Roberto Kalil e fez questão de dizer: “Presidenta, beba bastante líquido.” Achei fofo. Às vezes, tenho vontade de apertar aquelas bochechas.

Lula ligou preocupado. Disse para não comprar remédio genérico de jeito nenhum. Afetou uma voz grave: “Não podemos ressuscitar a oposição!” Caímos na gargalhada.

1º DE MAIO_Acordei com um bilhete da minha mãe no criado-mudo: “Vê se agora aprende a levar agasalho antes de sair no sereno. E nunca mais abra a geladeira descalça depois do banho. Quantas vezes tenho de repetir?” Mamãe, assim como o Lula, ainda não entendeu que já sei me virar sozinha. Mas, verdade seja dita, estou dodói mesmo. Ninguém me tira da cabeça que foi a vacina que o João Santana inventou. Estou por aqui de marqueteiros. E esses palácios do Niemeyer! Uma hora matam a gente de frio, outra quase matam de calor. Por que ele não fez um daqueles chalezinhos que a gente vê em Gramado?

2 DE MAIO_Tarde da noite, o milico da segurança veio me acordar: mataram o Bin Laden! Mas cadê o corpo? Não tem nem foto? Bem que ouvi o Obama cochichando lá na Cidade de Deus: “O mundo não acredita que o Armstrong pisou na Lua? Pois é. Quando assisti a Tropa de Elite 2 tive a ideia”. Agora entendi. Dilminha tá ligada, tá pensando o que?

3 DE MAIO_O Kalil veio dizer que os médicos de Brasília erraram o diagnóstico. Que não estou com bursite. Além de pneumonia dupla, meu pulmão está cheio de laquê. Vou pedir a dica de um fixador orgânico para a Marina Silva.

4 DE MAIO_Menino, não é que justo na hora em que o enfermeiro me auscultava o Edison Lobão entrou na sala? Veio me entregar um cartão da Hallmark, com o Garfield segurando uma lupa, acima da frase “Procurei um bom amigo por toda parte…”. Ansiosa, abri e fiquei emocionada quando li “… mas por sorte encontrei você”.

Não sei se o calafrio que senti foi sintoma da doença. Puxamos uma conversa sobre o clima de Brasília e ele chegou a mencionar o Thomas Mann. Que homem profundo.

5 DE MAIO_Marina recomendou um spray à base de mamona e saliva de guaxinim. Usei e minha cabeça quase explodiu. Mas há malas que vão para Belém: me livrei do Paraguai. Mandei o Sarney no meu lugar e ainda fiz umas encomendas.

Lembrete: avisar o Lula que não vai dar para trazer bugigangas que o filho dele pediu.

6 DE MAIO_Mandei trazer da locadora todos os filmes da Julia Roberts para ver na cama.

7 DE MAIO_Acordei ao meio-dia e passei a vista no jornal. Ainda bem que estou acamada, prostrada e com enxaqueca. Tenho direito de não me pronunciar sobre o Ecad e o Código Florestal.

Comecei a ler a Montanha Mágica. O Lobão é muito erudito. Pega mal não acompanhar.

10 DE MAIO_Me arrastei até o Planalto. Nunca vi tanto prefeito junto. Deve ser coisa do Kassab. Vieram pedir dinheiro, claro. Fazer proposta, apresentar projeto ninguém quer, né? Peguei um trocado no Cacique e distribuí.
A Fátima Bernardes passou a usar umas golas maiores, iguais às da modelete aqui. A musa fashion do Planalto está deixando a sua marca. Isso o Jabor não faz.

11 DE MAIO_A Abin veio me dizer que o Lobão está sofrendo bullying do Mercadante e do Jobim. Puseram um apelido nele que nem tenho coragem de escrever aqui. Vou ficar de olho.

Recebi um e-mail da Casa Branca: “Exclusivo: veja as fotos do Osama bin Laden.” Era vírus. Meu laptop travou todinho. Que raiva!

12 DE MAIO_A irmã do Chico Buarque entrou esbaforida no meu gabinete dizendo que estava sendo perseguida pela imprensa. Pedi para o Palocci dar uma consultoria para a menina.

Resolvi fazer uma faxina no armário, que estava uma zona. Tinha até meia-calça furada. Vou dar de presente para a Miriam Belchior as camisas velhas de seda. Trouxe umas da China que não amassam e são ótimas para viagem.

13 DE MAIO_Criei um perfil fake no Facebook. Com nome falso e tudo. Não aguento ficar muito tempo sem sentir a adrenalina da clandestinidade. Mas estou passada! As pessoas colocam fotos, informações pessoais, interesses, tudo. Nem morta eu digo que gosto das canções do Peninha.

14 DE MAIO_Sensação de paz. Não sabia a razão. Achei que era pneumonia, até que atinei: o Lula está por aí dando palestra e me deu sossego. Tem empresário que é cego e surdo!

O Jobim anda dizendo que o cabelo do Lobão “está mais preto que a asa da graúna”. Como se não bastasse, o Mercadante deixou uma imagem de Santo Antônio na portaria do Ministério de Minas e Energia. Estão passando dos limites. Vou dar uma chamada neles.

15 DE MAIO_Não vou meter a mão nessa cumbuca que não sou maluca, e ainda mais que continuo dodói. Mas não resisiti e mandei um e-mail para o Haddad: “Já recebi meus exame médico. Estão tudo bem. Quando você vem aqui discutir a norma culta?”

E não é que o danado respondeu: “Vou estar terminando um despacho e quando fechar uns relatório do Enem passo aí.”

17 DE MAIO_Minha Virgem do Coração Sagrado: que bafo essa história Schwarzenegger e do Strauss-Kahn! Fiquei besta! E o DSK com 62 está batendo aquele bolão todo? Cheguei a conhecer o homem, quem diria! Ainda bem que o Guido não saiu do meu lado. Algum uso ele tem. Pena mesmo eu tenho é da Maria. Essas mulheres da família Kennedy nasceram para sofrer com marido safado. Entrei na internet para ver onde ficam as Seicheles. Fiquei louca, vou ver se o Patriota descola uma viagem para lá. Ele cisma de visitar cada buraco!

18 DE MAIO_A reportagem da Folha me estragou o dia. Pau que nasce torto morre toro, não adianta. A consulta mais cara do planeta é de um médico de Ribeirão Preto que nem um consultório tem. O Santana recomendou fazer cara de paisagem. O mais chato é aguentar a gozação do Zé Dirceu.

Estou encafifada com A Montanha Mágica. Será que o Lobão quis dizer algo?

19 DE MAIO_Michel Temer ligou revoltado. Disse que se sentia como um marido traído. Reclamou que “não há sequer um contínuo do PMDB na consultoria do Palocci”. Não sei como a Marcela atura esse reclamão. Para contornar, tive de nomear o Mendes Ribeiro para liderar o governo no Congresso.

20 DE MAIO_O Palocci veio se explicar e não convenceu nem o garçom, que quase derrubou o café em cima dele. O que mais me irrita é que o homem está estalando de rico e não dá um trato naqueles ternos. Isso sem falar no corte de cabelo. É o fim da picada.

21 DE MAIO_Recebi a rainha Silvia da Suécia. Corri para ver se ela estava no Facebook. Quem sabe não encontro uma afinidade para puxar assunto? Acabei achando o vídeo de uma professora potiguar que fez um discurso comovente. Mandei o link para o Haddad, que respondeu: “Vou estar terminando uns despacho e já assisto.” Cruzes.

23 DE MAIO_Tive que aturar o aluguel da Shakira, do Bono e do Romero Britto. E o Paul veio duas vezes ao Brasil sem me dar bola. Meu Beatle preferido continua sendo o John, que era mais politizado. You may say I’m a dreamer / But I’m not the only one.

25 DE MAIO_Passou o novo Código Florestal. Hoje mesmo mando cortar as jabuticabeiras do Alvorada. Tem muito pólen. Me dão uma alergia que só.

* Escrito por Renato Terra, apresentado pela revista Piauí como o ghost-writer não oficial e não autorizado de Dilma Rousseff

24/05/2011

às 18:13 \ História em Imagens

As fotos comprovam: o Brasil homenageia quem presta maus serviços à nação

Em 20 de abril de 2010, Dia do Diplomata, a então chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, foi condecorada com a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco. Também foram contempladas com a mais alta condecoração da diplomacia brasileira Ana Maria Amorim, mulher do chanceler Celso Amorim, Mariza Campos, mulher do vice-presidente José Alencar, e a primeira-dama Marisa Letícia, que aparecem ao lado de Erenice.

Em abril deste ano, José Sarney recebeu do Sindicato dos Delegados da Polícia Federal (Sindepol) a medalha Deferência Polícia Federal “pelos bons serviços que prestou à instituição”. Na foto, o delegado sindicalista Joel Zarpellon Mazo, presidente do Sindepol, aparece à direita, segurando a medalha do presidente da Casa do Espanto.

A Medalha da Vitória, reservada a “ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira e civis que tenham prestado serviços relevantes ou apoiado o Ministério da Defesa no cumprimento de suas missões constitucionais”, foi entregue a José Genoíno em 8 de maio, quando se comemora o fim da Segunda Guerra Mundial. Mensaleiro de alta patente, ex-guerrrilheiro no Araguaia e agora assessor especial do ministro da Defesa, Nelson Jobim, Genoíno recebeu a honraria no aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

Em 21 de abril, durante as comemorações do Dia de Tiradentes, o ministro da Saúde Alexandre Padilha foi homenageado com a Medalha da Inconfidência, concedida sempre na mesma data a personalidades que prestaram serviços relevantes a Minas Gerais. Além de Padilha, outras 238 personalidades foram condecoradas. Fazem parte da multidão os ministros Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), José Eduardo Cardozo (Justiça), Ana de Hollanda (Cultura) e Miriam Belchior (Miriam Belchior). O presidente da Câmara, Marco Maia, também foi condecorado.

Em 20 de abril, no Palácio do Itamaraty, o ministro-chefe da Secretaria Nacional de Portos, Leônidas Cristino, e o presidente da Câmara, Marco Maia, foram condecorados com a Medalha Grã Cruz da Ordem de Rio Branco.  No mesmo dia, também receberam a mais alta condecoração da diplomacia brasileira os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Wagner Rossi (Agricultura), Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Miriam Belchior (Planejamento), Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), Pedro Novaes (Turismo), Mário Negromonte (Cidades), Alexandre Tombini (Banco Central), Helena Chagas (Comunicação), Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Moreira Franco (Assuntos Estratégicos).

Em dezembro de 2008, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, foi agraciado com a Medalha Tiradentes, a mais importante insígnia concedida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O peemedebista Jorge Picciani, então presidente da Assembleia, aparece na foto acima pouco depois de pendurar a medalha no pescoço de Lobão. Em maio de 2009, cinco meses depois, Lobão foi mais um a ser homenageado por Lula com a Grã Cruz da Ordem de Rio Branco, como mostra a foto abaixo.


 

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